Plano de Urbanização de Alcântara


A Câmara Municipal de Lisboa, após vários anos de domínio automóvel nesta nobre área da cidade, finalmente concluiu que a capital do país, principalmente a sua zona ribeirinha, deverá estar alocada para as pessoas e não sujeita às necessidades das máquinas metálicas motorizadas de uma tonelada. Congratulo a edilidade pelo projeto do Plano de Urbanização de Alcântara, e mais precisamente pelo último parecer que vetou um empreendimento hospitalar, devido ao excesso de tráfego que tal acarretaria. 

Av. 24 de Julho / Av. da Índia (mapas do Google)
14 vias para o automóvel

Av. 24 de Julho / Av. da Índia (JOS/Público)
Um espaço desumano dominado por infraestruturas rodoviárias

Das garagens e parques subterrâneos e dos seus enormes custos para saciar o automóvel


Foto de Thomas Ledl, wikimedia
Uma das matérias que não é praticamente debatida em Portugal de forma séria, é o facto de o país alocar enormes recursos financeiros para a construção e manutenção de garagens comuns, em espaços habitacionais, institucionais ou comerciais, para satisfazer o automóvel, mais especificamente o espaço que ele ocupa através do estacionamento. Além disso, várias empresas incorrem em enormes custos com as garagens que não o imputam de forma direta nos salários dos funcionários que as usufruem. Vários bairros sociais, apesar de terem habitações com uma péssima qualidade e sem infraestruturas sociais, são quase todos dotados com garagem. Várias autarquias através dos Planos Diretores Municipais obrigam que os prédios tenham garagem, em vários casos mais de um lugar por fração, mesmo que o empreendimento seja a custos controlados ou seja um bairro social. Em acréscimo a Lei encara o lugar de garagem como uma parcela inalienável da fração, comparando-o a uma cozinha ou uma casa-de-banho.

O espaço nos meios urbanos é uma ativo importante e oneroso, mesmo que esse espaço esteja alinhado verticalmente. Quando compramos um apartamento, não pagamos apenas os equipamentos, os trabalhadores que o fizeram ou as infraestruturas, nesse valor está uma quota parte referente ao custo do terreno, ou seja: espaço. Mas mais importante que isso, é que quando um promotor imobiliário opta por construir uma garagem num prédio habitacional ou comercial, sendo que em diversas situações os respetivos PDMs assim o obrigam, está a incorrer em enormes custos de construção e posteriormente de manutenção para os habitantes desse espaço.

O custo da infraestrutura ronda vinte mil euros por lugar

Inquiri em tempos um construtor civil, que me referiu grosso modo, que a construção de uma garagem encarece em pelo menos 20% o preço da obra, sendo que esse valor naturalmente se repercute no preço da fração do prédio. Não sou engenheiro civil nem nunca fiz parte de projetos de obra, mas não será difícil perceber que uma garagem acarreta elevados custos. Tive também a ajuda preciosa do meu amigo Luís Miguel, que me forneceu informação bastante relevante para a manutenção das garagens.

Será necessário construir muralhas de contenção de terras, fazer por vezes ancoragens nas mesmas, fazer enormes trabalhos de remoção de terras, construir mais lajes, fazer pilares mais longos e resistentes pois a carga total é superior, gastar mais em materiais como ferro, betão, esteiras, cablagens, condutas, canalizações ou tintas especiais, caixas de elevadores mais extensas, mais escadarias e mais portas.

Dos táxis, taxímetros, ambiente e segurança rodoviária


Foto de Marilyne Marques, para o Público
Como não tenho automóvel particular, desloco-me frequentemente de táxi, pois considero que é um meio de transporte versátil e apesar de tudo, tem um preço por km suportável para quem poupa cerca de 400 euros por mês por não ter automóvel próprio.

Custo por km

Os táxis em Lisboa têm um custo total ao utente, que rondará entre 1 a 1,5 euros por km. Poderá parecer um valor elevado se considerarmos que um automóvel a gasóleo tem um custo de aproximadamente em média 0,08 euros por km e um a gasolina cerca de 0,12 euros por km. No entanto, as despesas dos automóveis não se resumem a combustível, tendo ainda mais onze itens, mais especificamente o seguro, as revisões, as reparações, o possível crédito automóvel, a desvalorização do veículo, as lavagens, as eventuais multas, o IUC, as portagens e o parqueamento. Ora, este custo total por km ultrapassa muitas vezes os tais 1,5 euros por km, significando que existe uma parcela de automobilistas para os quais, seria mais rentável simplesmente vender o carro e deslocar-se de táxi para todo o lado.

Serviço público

Os táxis além de serem versáteis, no meu entender prestam um serviço público, pois não deixam de ser transportes públicos individuais em oposição aos transportes públicos coletivos. Têm a vantagem de deixar o utente no destino, com motorista particular, podendo o utente dedicar-se a outras tarefas que não a condução, e além disso – muito importante em meios urbanos – não ocupam espaço à chegada, como um automóvel particular que naturalmente buscará um lugar de estacionamento. Apesar da elevada taxa de motorização do país, há muitas pessoas que não têm carta de condução ou não têm automóvel, sendo assim o táxi uma peça fundamental de mobilidade. Além disso, muitas dessas pessoas não têm acesso a sistemas omnipresentes e eficazes de transportes coletivos de passageiros.

O caso do interior do país é paradigmático pois falamos muitas vezes de zonas rurais e de populações envelhecidas, onde por questões de escala não justifica existirem sistema de transportes coletivos de passageiros. Os táxis, prestam assim no meu entender, um serviço público às comunidades e ao sistema de transportes em geral.

IC16 com custo de quatro mil e quinhentos euros por passo


Custo de 4500€ por passo; 6000€ por metro.
Imagem SIC/Lusa
Já tinha feito aqui as contas do custo da autoestrada transmontana ao passo (75 cm). Fi-lo pois considero que a maioria da população não tem a mínima noção dos valores astronómicos em causa, quando se trata de autoestradas e vias rápidas urbanas. Assim, creio que um passo normal de andante, cerca de 75 cm, é um valor o qual o cidadão comum consegue mais facilmente quantificar. Aliás, o próprio sistema de medidas imperial usado ainda hoje pelo Reino Unido, obedece um pouco a essa lógica, quando usa pés e polegadas, em vez de metros e centímetros.

Cada passo de caminhante do troço do IC16 recentemente inaugurado, custou aos contribuintes portugueses 4500€ (quatro mil e quinhentos euros). A aritmética é simples, considerando que o troço tem 700 metros e custou 4,2 milhões de euros. Ouvir as declarações do Sr. Ministro da Economia, António Pires de Lima, assim como do presidente da Estradas de Portugal, António Ramalho, é um exercício de arte oratória que se encontra essencialmente no domínio do surrealismo. Consideremos que Portugal não tem indústria automóvel própria, nem tem recursos energéticos endógenos de origem fóssil, consideremos que falamos de um país recém resgatado por credores internacionais, onde existem várias pessoas no limiar da pobreza, onde os salários e pensões são dos mais baixos da Europa, e que falamos de uma cidade que é das capitais europeias cuja área metropolitana tem maior número de vias rápidas e vias com perfil de autoestrada.

As declarações do presidente da Estradas Portugal foram uma obra de arte no domínio do surreal. Lembrou-me imediatamente a famosa cena, de um indivíduo desempregado e que recebe o Rendimento Social de Inserção, que entra num stand da Porsche, e que ouve boquiaberto e entusiasmado o comercial da empresa a debitar o rol infindável de qualidades técnicas e motoras de uma das viaturas que tem em mostra. Lembremo-nos que só em 2014, o Orçamento de Estado injetou na Estradas de Portugal 1,7 mil milhões de euros, cerca de 200€ por cada contribuinte.

O nepotismo e a meritocracia em Portugal


O jornal Público publicou um excelente retrato do nepotismo e da meritocracia em Portugal. O artigo expõe o evidente, ou seja, que quase sempre nestas matérias colidem as relações amicais e familiares (que são de salutar) com as competências profissionais. Não creio que em países como Portugal, Espanha ou Itália haja menos meritocracia por questões meramente de competências ou falta delas. Creio que a razão prende-se essencialmente pelo facto de culturalmente, nestes países, as relações pessoais serem mais próximas e mais calorosas, tornando mais difícil a separação dos domínios pessoal e empresarial.

Todavia, de acordo com Ludwig, consultor brasileiro - e bem sabemos também como funcionam estas matérias no Brasil - uma das razões principais para a "cunha" está na falta de transparência nos processos, de seleção e posteriormente de ação, do colaborador. 

Jorge Nuno Pinto da Costa, conhecido por práticas de nepotismo, jamais colocaria o seu filho, caso este fosse coxo, como ponta-de-lança do Futebol Clube do Porto. Tal acontece porque existem cinquenta mil indivíduos a escrutinar o trabalho da equipa do clube, a cada partida. Se todavia, os adeptos e sócios dos clubes, apenas soubessem o resultado e posição da equipa, no final da temporada, e todas as partidas fossem à porta fechada e os resultados confidenciais, estou em crer que até pernetas existiriam a jogar na liga principal. A Administração Pública em Portugal é hermética, os cidadãos desinteressados e pouco exigentes, como consequência, o nepotismo é um fenómeno natural.

O blogue Má Despesa Pública, que faz uso frequente do portal Base criado pelo governo de José Sócrates, é um excelente exemplo de que a transparência nos processos, tornou a sociedade civil muito mais exigente e aumentou o escrutínio nos gastos dos organismos públicos, tornando-os mais eficientes e menos gastadores.

As taxas hoteleiras de Lisboa serão inconstitucionais?


Os argumentários dos membros da Câmara Municipal de Lisboa para justificar uma nova taxa hoteleira na cidade, estão repletos de sofismas, e eventualmente são duplamente inconstitucionais. Analisemos por pontos.

O que é uma taxa?

Uma taxa é uma contribuição pecuniária consignada e obrigatória, a troco da prestação de um serviço público. Ou seja, aquilo que os constitucionalistas definem como contrapartida. Por exemplo, as taxas de saneamento básico. Pagamo-las porque usufruímos de uma rede de esgotos providenciadas pela autarquia, e só pagam quem desse serviço usufrui, como por exemplo as pessoas com habitação. Uma portagem é uma taxa, para por exemplo, fazer o atravessamento de uma ponte ou de uma estrada. Ninguém paga a portagem da ponte Vasco da Gama, se não nela atravessar. É essa a diferença entre taxa e imposto. Uma taxa é consignada e tem um retorno direto, um imposto não. Quando pagamos IRS ou IVA ao Estado, nada nos garante que esse dinheiro reverta diretamente em nosso benefício, e muitas vezes tal não acontece. Se uma pessoa tiver altos rendimentos salariais, pagará mais impostos em sede de IRS, que servirão para auxiliar pessoas mais desfavorecidas. Mas um rico e um pobre, pagam o mesmo valor de portagem quando atravessam a ponte 25 de abril, ou quando compram um bilhete de comboio. Essa é grande diferença entre taxa e imposto. Enquanto as autarquias podem criar taxas, impostos só a Assembleia da República tem legitimidade para estabelecer.

Porque poderá ser a taxa hoteleira duplamente inconstitucional?

A autarquia de Lisboa como contrapartida à dita taxa hoteleira, refere que fará uma série de obras no concelho, como a requalificação do Campo das Cebolas ou a construção de um centro de congressos. Ora, não há nenhuma relação direta, entre o pagador da dita taxa, e o usufruto do serviço público. Teremos milhares de turistas que pagarão a taxa, sem que vão ao Campo das Cebolas ou que usufruam do novo centro de congressos. Seria como obrigar alguém a pagar uma portagem, mesmo sem atravessar a ponte. Significa que muito provavelmente, não estamos perante uma taxa, mas um imposto disfarçado, e impostos só a Assembleia da República pode criar.

Em acréscimo, um dirigente da autarquia de Lisboa refere, de forma sofista, que "o argumento fundamental que permite a criação desta taxa é simples: os serviços que a Câmara presta aos turistas são os mesmos que presta a todos os cidadãos" acrescentando ainda que a contrapartida é o "encargo assumido pelo município no que respeita à intensidade do desgaste proporcionado pelo turismo ao nível das infraestruturas". Neste caso estamos perante outra inconstitucionalidade, pois viola-se no meu entender, parece-me, o princípio da igualdade. As taxas podem ser diferenciadas em função do desgaste e uso do serviço público em causa, por exemplo numa autoestrada os pesados pagam mais que os ligeiros, e as taxas de saneamento básico dependem do tipo de habitação que cada um tem, que em princípio tenderá a depender do uso desses mesmos serviços de saneamento. Há países como na Suíça, em que as taxas da recolha de lixo, usando um sistema de cartão eletrónico e balanças nos repositórios, dependem da quantidade de lixo que cada agregado familiar produz. Na Noruega, a taxa audiovisual é em função do número de televisores que cada habitação tem. Mas essas taxas em princípio nunca podem ser discriminadas em função do local de residência ou nacionalidade. Esta putativa taxa ao imputar apenas aos turistas - aos estrangeiros, no sentido grego que as polis tinham na Antiguidade - o financiamento das ditas obras locais, viola, parece-me, o princípio da igualdade e da não discriminação em função do território de origem, de acordo com o n.º 2 do art.º 13.º da Constituição.

Por recurso ao absurdo

Poderemos ter o caso, de um cidadão do Porto que visite a cidade de Lisboa de comboio, estar a pagar através da susposta taxa, o parque de estacionamento do Campo das Cebolas, sem que nunca o utilize; mas que esse mesmo parque, seja usufruído diariamente por vários lisboetas que trazem o carro para o centro, e que nunca pagarão a dita taxa.

Outro caso mais interessante e até caricato é do turista que chega de autocaravana e se desloque pela cidade nas avenidas, poluindo, causando ruído, congestionamento e detriorando as estradas, estacionando-a numa zona não taxada, não consumindo ainda nos restaurantes porque traz mantimentos. Esse turista que não dá qualquer retorno à cidade na economia local, não deixando um cêntimo na cidade durante a sua estadia, tendo apenas criado custos, fica isento. Um turista que chegue de comboio e vá dormir a um hotel, gerando emprego e receita fiscal quer na CP quer no ramo hoteleiro, que ande de transportes públicos, ajudando a receita das empresas, além do que já deixou na cidade em termos financeiros, ainda paga de extra essa suposta taxa.

O sistema petrodólar explicado às crianças


Numa aldeia habitam três pessoas, o Mustafá, o Américo e o Zé do Mundo. O Mustafá tem no seu quintal um poço com água, que até ao momento tem-se revelado quase inesgotável. O Zé do Mundo, o Américo e o próprio Mustafá, precisam de água para beber e para as suas hortas, e como tal vão buscá-la ao quintal do Mustafá. Inicialmente o Zé do Mundo e o Américo obtinham água do Mustafá dando em troca aquilo que produziam, como por exemplo batatas ou cenouras, mas as coisas têm mudado. O Américo, além das batatas e cenouras que produz que têm um mau sabor, tem no seu quintal uma pedreira com milhões de calhaus sem qualquer valor, sendo embora o único lugar na aldeia onde existe aquele tipo de calhaus. Todavia, os calhaus não servem para nada, não têm qualquer propósito, não dão para aquecer as casas, não dão para extrair minerais ou produzir quaisquer tipo de produtos com utilidade, são simplesmente calhaus que o Américo tem na sua pedreira aos milhões. Mas como o Américo é preguiçoso e as suas cenouras e batatas já não têm qualidade; ele tem um plano para, usando os seus calhaus, obter as cenouras e as batatas do Zé do Mundo, assim como á agua do Mustafá, sem precisar de trabalhar.

Certo dia o Américo aproximou-se do Mustafá e disse: “Soube por fonte segura que o Zé do Mundo não te quer pagar mais pela água e está mesmo a pensar expulsar-te desta casa para ficar com o teu poço”. O Mustafá aflito responde: "Mas isso não pode ser, ele não tem direito a ficar com a água do meu poço". O Américo responde: "Posso ajudar-te a protegeres o teu poço, caso queiras". O Mustafá responde: "Sim, por favor, ajuda-me!". O Américo então refere: "Construí uma catana lá em casa, e testei-a com um pequeno leitão, tendo-se revelado extremamente eficaz. Garanto-te que com esta catana, jamais deixarei o Zé do Mundo roubar-te água do poço, mas terás de fazer um pacto comigo". "Claro" responde o Mustafá. O Américo então propõe: "Doravante, só aceitarás do Zé do Mundo quando ele quiser a tua água, os meus calhaus como objeto de troca, e como contrapartida garanto-te sempre proteger-te do Zé do Mundo com a minha catana, sempre que ele quiser roubar a tua água". "E o que faço com calhaus em vez de cenouras e batatas?" perguntou o Mustafá. "Não te preocupes, que eu dou-te todas as cenouras e batatas que precisas para sobreviver, as minhas e as do Zé do Mundo". "Estamos combinados" respondeu o Mustafá, aceitando a proposta.
 
E assim foi! Um dia, como muitos outros, o Zé do Mundo dirigiu-se ao Mustafá para buscar água para beber e para a sua horta, e queria dar a sua produção de cenouras e batatas à troca como de costume, mas o Mustafá recusou, dizendo que tal já não serviria e que só aceitaria calhaus, e não qualquer tipo de calhaus, mas apenas os calhaus que o Américo tem no seu quintal. “E o que farás tu com calhaus em vez de cenouras?” perguntou o Zé do Mundo. “Isso é lá comigo e com o Américo” e não tens nada a ver com isso. "E como posso obter esses calhaus?" pergunta o Zé do Mundo. "Terás que dar a tua produção de cenouras e batatas ao Américo e este por sua vez dá-te os calhaus que podes usar para obter água do meu poço".

O Zé do Mundo passou então a trabalhar do alvorecer ao anoitecer, e sempre que quer obter água para beber e para o cultivo da sua horta, tem de se dirigir ao Américo e entregar-lhe quase toda a sua produção de batatas e cenouras, restando apenas poucas para si. Por sua vez o Américo em troca, dá-lhe os seus calhaus que tem no quintal. O Zé do Mundo então pode usar esses calhaus para entregar ao Mustafá; e o Mustafá por sua vez dá-lhe água em troca dos calhaus. O Zé do Mundo trabalha arduamente, pois o que produz diariamente dá para poucos calhaus, e esses calhaus mal chegam para o seu consumo de água para um dia. O Mustafá e o Américo não trabalham e vivem os dois à custa do Zé do Mundo. O Américo distribuí uma pequena parcela das cenouras e das batatas ao Mustafá. O Américo com o tempo que tem, ainda aperfeiçoa e afia a sua catana, para que fique mais tenebrosa, ameaçando também o Mustafá que não pode quebrar o pacto que estabeleceu consigo. Quando as cenouras e as batatas que o Zé do Mundo produzem não satisfazem a gula do Américo, este ordena ao Mustafá que aumente o número de calhaus exigidos para cada balde de água, obrigando o Zé do Mundo a entregar mais cenouras e batatas ao Américo, para assim obter mais calhaus. Mas quantas mais cenouras e batatas o Zé do Mundo precisa de produzir, mais água também precisa de obter do Mustafá para a sua horta, obrigando-o a trabalhar ainda mais arduamente. Sempre que por sua vez o Américo quer mais cenouras ou mais batatas, tem apenas que ir à sua pedreira fortemente protegida com vedações altas, obter alguns calhaus, e depois dirigir-se ao Zé do Mundo para obter em troca dos calhaus, batatas e cenouras.

A vida na aldeia mantém-se pacata porque a catana do Américo pune com violência o Zé do Mundo ou o Mustafá, caso estes queiram mudar alguma coisa. Por sua vez nem o Américo nem o Mustafá trabalham, repartindo de forma não equitativa aquilo que Zé do Mundo produz. Um certo dia, quando o Zé do Mundo cavava a horta, encontrou por acaso no seu quintal, também um poço de água. Muito entusiasmado pela descoberta, e pueril e bondoso como é, foi imediatamente a correr a informar o Mustafá a agradecer-lhe bastante a água que lhe tem fornecido, mas referindo que a dele é melhor, pois tem mais qualidade e além disso é caseira, não necessitando assim de trabalhar tão arduamente para obter as batatas e as cenouras, produzindo apenas aquilo que necessitar para si. Quando o Mustafá informa o Américo da nova situação, este enraivecido decide agir. Durante a noite, enquanto o Zé do Mundo dormia, o Américo envenena-lhe o poço de água com cal e sal, e no dia seguinte o Zé do Mundo, ao provar a sua água com um sabor tão nefasto e ao ver que a água não servia para a sua horta, vê-se obrigado a recorrer novamente ao Mustafá para obter água. E assim o Zé do Mundo é único que trabalha. O Mustafá nada faz porque teve a sorte de ter um quintal com um poço, e o Américo passa o tempo que tem a desenvolver cal para envenenar novos poços que possam aparecer no quintal do Zé do Mundo, e também a afiar a sua catana, para assustar e punir quem queira mudar as coisas como estão.

Mira Amaral e a fiscalidade verde



Mira Amaral, cromo formado nessa instituição de cromos que é o Técnico, muito amigo de outro cão engenheiro que anda a enrabar a República com a sua gasolineira; que esteve ligado ao sector do petróleo, pronunciou-se como cidadão livre sobre a fiscalidade verde.

Aónio Eliphis,
Baku

A Educação e a Economia em Portugal


Começo por afirmar que considero que cada um deve ter a liberdade para escolher o grau académico que quer frequentar, em livres e plenas consciência e vontade, quer seja engenharia aeroespacial ou filosofia. Todavia, um dos fatores extremamente importantes para promover o crescimento económico, é ter quadros técnicos em áreas de formação onde a economia e o mercado laboral têm procura. Não deixa de ser estranho pois, que muitos eletricistas ou mecânicos aufiram mais por hora que muitos licenciados.

Se queremos ter um país industrializado em que os seus quadros superiores forneçam um alto valor acrescentado à economia, podendo desta forma alavancar o crescimento económico e por conseguinte ter salários altos e sustentar um Estado social forte e presente, precisamos de alocar quadros superiores para as áreas que criam maior valor acrescentado do ponto de vista económico, considerando que vivemos numa era de conhecimento e de tecnologia. Obviamente que num país desenvolvido é desejável haver quadros superiores em todas as áreas técnicas, desde a filosofia às engenharias, mas é preciso encontrar o equilíbrio que promova crescimento económico e qualidade de vida aos cidadãos. Todos concordamos que um país desenvolvido precisa de licenciados nas Belas Artes e na área da cultura, mas também é do senso comum que precisa de médicos em maior número.

Para bem ou para mal, a sociedade contemporânea é uma sociedade tecnologicamente vincada, assim, não é de estranhar que a grande maioria dos formados em engenharia, medicina ou outras áreas tecnológicas têm elevados índices de empregabilidade nas suas áreas de formação académica, e pessoas com formação superior nas áreas das ciências sociais e humanas, têm baixos níveis de empregabilidade na sua área de formação. Apesar de muitos destes do segundo grupo estarem empregados, trabalham em áreas diferentes da sua área de formação. É assim comum haver muitas pessoas com cursos de humanidades a trabalharem em call-centers, onde o nível salarial é mais baixo e as condições laborais facultadas pela entidade empregadora são de menor qualidade.

Dir-me-ão que não cabe ao Estado decidir o que cada um quer ser no futuro, e concordo em absoluto com essa premissa, mas não deixa de ser verdade que o Estado já regula de certa forma as profissões de cariz superior, pois é o Estado quem dita o número de vagas para cada curso. Todavia, o Estado foge completamente na regulação no ensino superior privado, e no meu entender, é neste ponto que se encontra grande parte do problema da educação com impactos negativos na economia. Durante anos, aos alunos que não conseguiam entrar no ensino superior público, as universidades privadas pareceram ser sempre opções aceitáveis considerando que havia uma pressão social para se ser formado. Contudo, grande parte dessas universidades, por questões de poupanças financeiras, tinham cursos superiores essencialmente na área das ciências sociais e muito pouco nas áreas tecnológicas. É comum haverem universidades privadas com cursos de marketing, relações internacionais, gestão ou direito, cursos com pouco valor acrescentado do ponto de vista estritamente económico, mas as mesmas universidades privadas, raramente lecionam engenharias, química, biologia ou medicina, áreas de formação com elevada empregabilidade e com um enorme potencial de promoção do crescimento económico.

O sucesso da Educação de países como a Alemanha ou os países nórdicos foi exatamente esse. É praticamente não terem universidades privadas, tendo uma maior fatia do ensino público superior alocado para as áreas tecnológicas. Por isso, o problema que a Educação enfrenta em Portugal no meu entender, não é ter licenciados a mais, visto que segundo os dados oficiais, Portugal tem 17% da população licenciada em comparação com a média da UE que ronda 25%. O problema no meu entender, é ter-se promovido - por motivos culturais e políticos - a formação superior em áreas com pouco valor acrescentado do ponto de vista económico.

Concluo todavia como comecei. Acho que cada um deve ser livre para escolher o curso e a formação superior que bem entender, sem nunca esquecer preferencialmente, que quando terminar a sua formação superior, o passo natural será procurar emprego, e de preferência na sua área de formação.

Uma evolução crescente na formação de licenciados (diplomados) em Portugal a cada ano,
atingindo hoje no total cerca de 17% da população em comparação com a média da UE de 25%.

O gráfico da justiça portuguesa



Questiono-me se alguém já alguma vez analisou estes dados de forma séria, independente e idónea.

Foi a Rússia quem ganhou a segunda grande guerra


Plano da operação Barbarossa,
a maior ação militar de todos os tempos.
Fonte: WP
Perguntemos ao comum dos portugueses ou europeus, ou mesmo a um qualquer cidadão do mundo, quem venceu a segunda guerra mundial, e por certo, devido à forte e deturpada cultura americana e ocidental, o comum dos cidadãos dirá que foi o exército americano juntamente com os ingleses, a resistência francesa e a dos países do leste.

A resposta, após estudar e ler bastante sobre a época bélica em questão, é todavia diametralmente oposta, e revela que a propaganda americana, não difere muito da dos nazis ou dos soviéticos, na medida que incute nas massas uma noção da realidade e dos factos totalmente deturpada. Quem venceu a segunda grande guerra, para dissabor dos pensadores ocidentais, de muitos jornalistas, colunistas, amantes de literatura, cinéfilos, e mesmo anti-estalinistas, foi na realidade a Rússia e mais precisamente o Exército Vermelho. Não posso deixar de o referir, pois desde que observo filmes ou que leio alguns romances sobre a temática, apesar de muitas vezes os mesmos se basearem em factos reais, revelam apenas uma fração dos verdadeiros factos, e que os historiadores sérios e independentes desvendam desde há muito.

Factos históricos

Cerca de noventa por cento das forças armadas alemãs do terceiro Reich, pereceram na frente oriental, ou seja, cerca de nove em cada dez membros das forças alemãs morreram combatendo o Exército Vermelho. A Rússia pagou bem caro a sua guerra patriótica, pois foi o país com o maior número de fatalidades, cerca de 20 milhões de seres humanos, entre civis e militares, um valor 50 vezes superior àquele que o exército americano perdeu na guerra, mesmo já incluindo as suas baixas contra o Japão na guerra do Pacífico. Quando Hitler ordena a invasão do leste, com a operação Barbarossa que se dá início a 22 de junho de 1941, dá início à operação militar de maior escala em toda a história bélica mundial, onde participaram cerca de 4,5 milhões de soldados das forças do Eixo que se prepararam para invadir a União Soviética numa frente de 2900km.

As portagens em autoestradas não fazem sentido


Foto: Melanie Maps, do jornal Público.
Não tendo eu automóvel particular, devo referir que considero que as portagens em autoestradas (AE) não fazem qualquer sentido nos tempos modernos. Em Portugal, como em muitas outras matérias, temos as taxações e os incentivos completamente invertidos.

As portagens tinham um fundamento histórico de financiar uma estrada ou uma ponte específicas, na sua construção ou manutenção por exemplo; ou seja, eram uma taxa pecuniária consignada em que o dinheiro cobrado revertia diretamente para a manutenção ou para o pagamento do crédito contraído para construir a estrada ou a ponte. Um exemplo claro é a portagem da ponte 25 de Abril.

Como o bolo financeiro para o sistema rodoviário tornou-se comum e de certa forma coletivizou-se, sendo que até os pensionistas sem carro e sem carta de condução são chamados a pagar autoestradas através das receitas da CES para o Orçamento de Estado, já não faz qualquer sentido haver portagens em AE, porque estas têm impactos muito menores na sinistralidade, na poluição, no ruído e no congestionamento, em comparação com estradas convencionais ou em meios urbanos. As AE têm externalidades negativas muito mais baixas, pois têm menores índices de sinistraldiade por km, os poluentes que emitem são longe dos meios urbanos e consequentemente das pessoas e têm muito menores custos externos em congestionamento. Havendo portagens, as pessoas deixam de usar as AE, e vão por outras vias onde as externalidades são muito maiores. O caso da Via do Infante é exemplificativo. As pessoas com a introdução de portagens passaram a escolher essencialmente a EN 125 com níveis de sinistralidade muito mais altos, com maiores custos de congestionamento e com níveis de poluentes ou ruído junto das áreas com maior densidade habitacional.

Todavia não podemos ser demagogos, ou seja, o sistema rodoviário que temos necessita de ser pago, e tem de ser pago essencialmente por aqueles que fazem uso dele, e que numa lógica neo-liberal de utilizador-pagador, são geralmente falando, os automobilistas. Por isso, quer ISV, ISP, IUC ou multas deveriam no total cobrir todos os custos do sistema rodoviário, incluindo as AE. Significa, em termos práticos, que o valor total arrecadado pelo Estado nestas rúbricas deveria aumentar cerca de 25%. É preciso porém portajar onde o carro é nefasto, isto é, nas cidades onde estão as pessoas em maior concentração, mais precisamente os utilizadores vulneráveis como ciclistas e peões, especificamente crianças, idosos ou grávidas; e não onde o carro é menos nefasto, como nas AE. Assim, portagens em autoestradas não fazem hoje em dia qualquer sentido. Na Holanda por exemplo, apesar de ter uma taxação automóvel altíssima - o congénere ao IUC para um simples Renault Clio 1.2i, dos carros mais vendidos em Portugal, ronda 500€ por ano, estacionar num centro urbano custa 5€ por hora e um morador em Amesterdão paga 400€ por ano para estacionar o seu carro na rua à porta de casa - todas as AE são gratuitas. Temos de colocar portagens no perímetro das cidades, não em autoestradas.

Um pequeno exemplo. Para quem habite nos subúrbios de Lisboa, trazer o carro para a Baixa de Lisboa é muito mais nefasto para todos que levar o carro até Évora pela AE; mas é nesta segunda opção que está o maior custo e maior proveito fiscal para o Estado. Nestas matérias como em tantas outras em Portugal, temos as taxações e os incentivos completamente invertidos.

Wordy warfare


Ever touched my loved arm?
the one I shall never step away;
beloved army I won’t disarm
armful power I won’t dismay!

Never touch my sacred turret
It is armed for the sacred one
Every word might be a bullet
Every devil might be a nun!

Berlin, a city of inhumanity and inefficiency


The capital of Germany was through an odd historical process of wonder, terror and apparent freedom. In 1945 the city was mostly destroyed due to the Allies’ air-bombing and the Red Army invasion. Later on, the famous wall was erected splitting the city in two blocks, somehow representing the blocks that divided the world during Cold War. As Berlin was almost completely torn down by the end of the second world war, the city urban planners, from both sides of the future wall, had the perfect opportunity to design a city for the future generations. Instead of creating a city where its citizens, its people, its inhabitants and their needs were fulfilled, the new-Berlin urban planners just had in mind the satisfaction of automobile usage and economic dependency on fossil fuels, helping therefore the american economy and the petrol industry. The urban planners of the new-Berlin made exactly the same mistakes other cities did, making a jay copy of north-american urban areas, where urban sprawl and automobile dependency are omnipresent and all its adverse consequences for life quality and economy.

The Brandenburg Gate on the beginning of the 20th century
The Brandenburg Gate after the war

Os Tudor: Portugal é o bobo da corte


O rei português que nunca existiu, é apresentado
nesta série como um velho decrépito, senil, caricatural,
sexualmente glutão e proferindo umas palavras
que se assemelham a Espanhol
Longe de mim ser muito nacionalista, mas não soube se haveria de rir ou chorar perante o que hoje assisti. Dir-me-ão que por certo é assunto menor que nem deveria ser abordado, todavia parece-me relevante mencioná-lo neste espaço. 

Tenho acompanhado de perto uma série televisiva algo famosa denominada os Tudor que tem das melhores opiniões da crítica internacional, e milhares de espectadores na televisão e Internet, essencialmente no mundo anglófono. A série, que segundo consta é fidedigna à história da época em questão, foi transmitida pela BBC, pelo canal público português (RTP), ganhou vários prémios televisivos e só nos EUA esta primeira sessão teve 870 mil espectadores.

Na dita série, no episódio quarto da primeira sessão, Henrique VIII da casa de Tudor envia a sua irmã, Margaria Tudor para casar com o Rei de Portugal de então. Na viagem que fazem de Londres até Lisboa de barco, a dita Margarida copula numa relação sexualmente intensa com um dos belos, bravos e jovens vassalos do Rei de Inglaterra antes de se casar oficialmente com o Rei de Portugal.

Three sonnets


Through ages I’ve seen the pure reason
the candle of wisdom, which thrills my heart
Thou art the core for the yearly midseason
the starry core I shall never put apart

Thou art the shapes of a kind highly treason
gluttony, lust, envy and sloth form my art
I carve the deadly sins with scholarly precision
Do not dare to evoke any bond nor depart

The moon has became the source of my power
She copulates my soul every four weeks
Never dare to patronize nor to cower

my savant inspirational blasty peaks
in every finger I find a temple’s tower
which stabs poems as sleepy tweaks

O embuste político chamado António Costa


António Costa promete praticamente o impossível:
mais salários e pensões e menos carga fiscal;
com o cumprimento do défice imposto pelo
Tratado Orçamental. Crescimento económico relevante
o país não tem há mais de 25 anos, quando tinha
moeda própria, metade da dívida de hoje
e controlava alfândegas.
Como é que alguém ainda acredita que o recente líder do PS e possível futuro primeiro-ministro trará algumas medidas positivas ao país com o seu putativo programa de governo? Falamos de alguém que teve uma carreira profissional como advogado e que desde cedo se juntou ao aparelho partidário do qual não saiu desde então; alguém que por certo não sabe fazer uma regra três simples, mas que já prometeu abertamente mais salários e pensões e descida da carga fiscal, ao mesmo tempo que referiu que cumpriria o Tratado Orçamental que nos impõe regras muito rígidas para o défice das contas públicas. O segredo estará no crescimento económico, aquilo que não existe em Portugal de forma estrutural há mais de 25 anos, altura em que a nossa dívida pública era metade da atual podendo-nos endividar como fizemos, quando tínhamos moeda própria podendo adotar políticas expansionistas e quando ainda controlávamos alfândegas podendo colocar entraves à importação de certos bens que afetam negativamente a nossa balança comercial. 

Prevejo três cenários possíveis caso António Costa seja primeiro-ministro. No primeiro cenário, prevejo que haja um milagre (sim, sou crente) e com o seu enorme "poder negocial" os credores facilitariam-nos bastante o pagamento da dívida, estando implícita a reestruturação da mesma. Dito de forma coloquial daríamos o calote aos credores com a mendicância de António Costa junto das instâncias europeias e internacionais. Como Francisco Louça muito bem explanou no seu espaço de comentário televisivo, é impossível dizer - como António Costa já disse - que Portugal deverá honrar totalmente os seus compromissos, e em simultâneo referir que se é apologista da reestruturação da dívida pública. São duas opiniões financeiramente antagónicas. No segundo cenário - como profetizado pelo Prof. João Ferreira do Amaral -  Portugal sairá do Euro, e assim António Costa enquanto primeiro-ministro pode indiretamente dar instruções ao Banco de Portugal para emitir moeda, tendo o Tesouro por conseguinte margem orçamental para aumentar ilusoriamente os rendimentos dos pensionistas e dos funcionários públicos, sendo que o futuro depois dirá como se comportará a inflação e a perda real de rendimentos dos portugueses. No terceiro cenário, e aquele que é mais provável, o país será dirigido por um Hollande luso, uma deceção eleitoral que passados seis meses de governação e depois de se deparar com a realidade das finanças públicas, fará exatamente o oposto das expetativas que fomentou, tendo de continuar com políticas de austeridade, defraudando todos aqueles que nele votaram. Nem sequer quero equacionar, o também possível cenário de Portugal necessitar novamente de um resgate internacional devido à sua recorrente indisciplina orçamental.

Entristece-me todavia que estes acontecimentos recentes demonstrem factualmente que a Matemática em Portugal nunca saiu da categoria de ciência oculta ou de pseudo-ciência. Um pouco mais de literacia numérica e maturidade democrática por parte dos eleitores, e nunca os políticos sofistas e mentirosos como Passos Coelho ou José Sócrates teriam chegado ao poder. Continuo a partilhar da mesma paixão de António Guterres, a Educação. Só com Educação nas matérias estruturais como o Português e a Matemática, mas acima de tudo a Cidadania, podemos evitar que as gerações vindouras se deixem enredar e ludibriar pelos sofismas e os ardis da classe política dirigente.

António Costa preconiza então politicamente, aquilo que Confúcio definiu como um homem inferior. Para Confúcio um homem superior era aquela que exigia muito de si e pouco dos outros; um homem inferior era o que exigia muito dos outros e pouco de si. Um putativo programa de governo, que nas questões estratégicas e na sua muito pouco provável aplicabilidade orçamental, está completamente dependente de entidades estrangeiras, revela a inferioridade nacional, que António Costa preconiza para uma pátria com 900 anos de história e que não precisou de crédito estrangeiro para dar rumo aos Descobrimentos.

O Euro, a falácia económica do Prof. João Ferreira do Amaral


O Prof. João Ferreira do Amaral
é favorável à saída de Portugal da moeda única
devido ao défice do país com o exterior
Longe de mim querer ser arrogante e enquanto leigo colocar em causa as teorias do Prof. João Ferreira do Amaral, académico extremamente sapiente e um reputado estudioso das matérias económicas de Portugal. Todavia acompanho de perto o discurso do Prof. João Ferreira do Amaral sobre a permanência ou saída do Euro por parte de Portugal, e parece-me que o professor omite uma variável extremamente relevante na sua argumentação económica.

A razão principal em que assenta todo o argumentário do professor, prende-se com o facto de Portugal ter um défice da balança de pagamentos extremamente elevado, provocando uma crise estrutural na nossa economia, com um impacto grave no crescimento económico e provocando uma estrondosa dívida externa, ou seja a dívida do Estado, das famílias, da banca e das empresas para com o estrangeiro (não confundir com dívida pública). A dívida externa, rondava já, no primeiro trimestre de 2014, cerca 230% do PIB. Todo o argumentário do professor é coerente. Consideremos ainda que Portugal teve elevados crescimentos económicos apenas quando possuía moeda própria; pois havendo exigências sociais, o Estado teve somente que emitir moeda, aumentando ficticiamente os rendimentos dos pensionistas, funcionários públicos e beneficiários de apoios sociais, pois havendo inflação, o poder real de compra diminui.

Entender os casos em Alemão


Artigos definidos, indefinidos, possessivos e sem artigo

Artigo definido, sem artigo, artigo indefinido e artigo possessivo,
para os quatro casos, os três géneros, singular e plural; em Alemão

Um dos problemas para quem aprende Alemão, é tentar entender os quatro diferentes casos, ou seja, nominativo, acusativo, dativo ou genitivo. Segundo a minha professora de Alemão, esta tabela, é aquela sobre a qual todo o estudante de Alemão deve observar e refletir por uns minutos todos os dias antes de adormecer. Uma regra geral para perceber como funcionam os casos pode ser geralmente pensar que o nominativo aplica-se ao sujeito; o acusativo aplica-se ao complemento/objeto direto; o dativo ao complemento/objeto indireto e o genitivo ao objeto de posse do sujeito.

      Os poemas do escritor são escritos com uma caneta para a sua amada

Nominativo
O que é que é escrito (do verbo ser escrito)? Qual é o sujeito principal que aplica a ação (o verbo) ser escrito? Os poemas, logo "os poemas" está no caso nominativo.

Acusativo
São escritos para quem, ou para quê? Qual é o complemento direto da ação de ser escrito? A sua amada, pois é a ela que são escritos os poemas, logo a sua amada está no caso acusativo.

Dativo
O que é que auxilia ou complementa de forma indireta a ação de escrever? O complemento indireto, ou seja, a caneta. Logo a caneta está no caso dativo.

Genitivo
Os poemas são de quem? Qual a entidade que possui o sujeito? O escritor, logo o escritor está no caso genitivo.

      Die Gedichte des Schriftstellers sind mit einem Stift für seine Geliebte geschrieben

Os poemas (Die Gedichte), está no plural e no nominativo, usando-se o artigo definido (os, Die). Olhando para a tabela lá de cima, verifica-se então que fica apenas Die. A sua amada (seine Gelibte) como verificámos está no acusativo, e como é um nome feminino e se faz uso do artigo possessivo aplicando a tabela, vamos ao caso acusativo e género feminino e ficamos com seine (a tabela mostra apenas "meu"). A caneta (der Stift), ou melhor uma caneta (ein Stift), verificámos que estava no caso dativo, e considerando que se trata de um nome masculino e usamos aqui o artigo indefinido (uma, ein), observando a tabela fica-se com einem Stift. O escritor (der Schriftsteller), ou melhor "do escritor", não esquecendo que a palavra do é a contração entre "de" e "o", verificámos que está no caso genitivo. Como é um nome masculino, e se faz uso do artigo definido "o", observando a tabela ficamos com des Schriftstellers.

O mesmo princípio se aplica aos adjetivos associados aos nomes, que mudam em função dos casos, tal como consta na tabela acima, mas por questões de simplicidade, não exemplificarei. Em Português, os adjetivos mudam apenas em função do género e do número do nome, ou seja por exemplo "belo gato", "belos gatos", "bela gata", "belas gatas". Mas em Alemão, como pode ser observado, os adjetivos mudam em função do género, do número e do caso. Há todavia formas mais fáceis em Alemão de saber automaticamente qual o caso que devemos aplicar, em função das preposições.

Acusativo

      bis, durch, für, gegen, ohne, um

Dativo

      ab, aus, bei, mit, nach, seit, von, zu

Com as outras preposições como in ou über, tal dependerá do contexto da frase, podendo ser acusativo ou dativo.


Pronomes pessoais

Tabela de pronomes pessoais para diferentes pessoas, número e caso.

Na língua portuguesa restam uns resquícios da alguns casos, principalmente nos pronomes pessoais. Ninguém em português diz "com tu", mas sim contigo. O "tigo" é de certa forma o equivalente ao dativo da língua portuguesa para o "tu". Em Alemão diz-se mit dir. pois a segunda pessoa do singular du, como se segue à preposição mit, está no dativo. Em Português ninguém diz "para tu" mas sim para ti. O ti, é um resquício do caso acusativo do pronome pessoal tu. Equivalentemente diz-se em Alemão für dich pois segue-se à preposição für.

Why is USA theologically the great Satan?


First of all, I must refer I’m neither a Muslim nor an Arab. I do not at all support any kind of terrorist attack nor I tolerate any kind of aggression towards human lives. I’m a pacifist and I’m not the “religious” type, if we consider the meaning this term has for the common sense. I’m just a philosopher and my favourite authors are Plato and Voltaire.

Nevertheless I completely understand the term “Satan”, merely as a religious metaphor. Satan, per se, does not exist, science hasn’t found it nor there is any kind of theory that might support the lightest existence of Satan. Though, Man since the most ancient times interpreted many facts through His mind and spirit giving them metaphoric symbolism. One of these might be the sky-night constellations, merely combinations of light spots in the sky which were anthropomorphised. The planet Venus is another interesting example, due to its colour and pathway in the sky. Because it is red and its path has an approximately V-shape in the sky, having the V letter the shape of the female vulva (word which starts with V, having also two V), which our ancestors would see in their daily lives on normally naked women, as underwear is an evolutionary recent creation, Venus was then historically linked with femininity, and through psychological connection with love and lust. The Great Architect, the entity Masons throughout the world define as their God, is another metaphor, as the architect is the being which draws the plan masons shall follow. We can nowadays with science clearly state that almost everything which is in the Bible might have some connection with reality, but only through metaphors, Adam and Eve being a clear example. We know that Homo Sapiens (modern man) had a beginning around two hundred thousand years ago. Primates and Homo Sapiens seem to have an anthropological primary fear of serpents, because evolution taught us serpents are dangerous as they are poisonous.  Still, because there is a very strong Freudian psycho-sexual connection (due to shape) between serpents and penis, serpents were strongly associated with the animal of lust and sin. Sin, Serpent and She are words which start with the letter S, the lonely shape of the letter S appearing to be itself a serpent. The Genesis is nothing but a metaphor.

Man made metaphors due to anthropological reasons. Therefore, normally they are linked with animals, meteorological and astronomic factors or - since Man, like any mammal, is a collective being which by default interacts in communities and groups - social interactions which we define with values.  Good and Evil, God and Satan, Heaven and Hell are just some examples. Many saints in catholic countries for instance are “responsible” for weather and crops; animals are seen as the mascots and symbols for so many clubs and teams; and good and evil are concepts which Mankind found many millennia ago to be optimal to define behaviours which are dangerous to the community or the common wealth, and those which are desirable as they are linked with prosperity, harmony and order. That’s why in every theological culture or regime killing innocents is somehow linked with Evil, and charity is linked with God. The illuminist movement converted these metaphoric concepts in something much more rational, although with the same ethical approaches and having the same practical functions, as killing is sanctioned by law and solidarity (the modern state charity) is seen as something desirable.

Metaphors, strongly supported by religion, played then a key role in our culture, even the Western one, and they were slowly through ages unveiled, as science and intellectual movements were progressing. So, as Satan scientifically does not exist, what this metaphor really represents and why USA fits within it? USA has 5% of the world population but consumes 20% of the world resources, externalising environmental and social costs to other countries. USA was the only country, along with Australia, that didn’t sign in for the Kyoto agreement, the first compromising international agreement in-which so many nations worldwide decided to reduce greenhouse gases emissions. USA was the only country throughout Mankind History that used atomic power to kill civilians. Around eighty percent of the world pornography – and I suppose, disregarding at all religious factors, that anyone might find wide broadcasted pornography as something desirable for prosperity and order – is produced in USA. USA is the only country, like Vietnam if I’m not mistaken, which legally accepts abortion up to the day the baby is born. Killing legally a healthy infant minutes before he is born, does not seem to be, for every reasonable person, something liable to be “good”. Observe the interesting graphical similarity between the words good and god, and the fact the letter G, is the letter for the word Galaxy, as our ancestors thought the Milky Way, was the Universe, having a helicoidally shape which then applied to the shape of the letter G, the letter of the word God. In USA, having a fire-weapon for “self-defence” is a legal and alleged constitutional basic right, and we know, that the only purpose and end of a fire-weapon is to kill. The developers of fire-weapons are not thinking in self-defence when they design and build them, but merely how to provoke the highest damage in the opponent, an euphemism to describe normally a human being. USA is one of the countries with more automobiles per inhabitant and in absolute number; being also a great promoter of these metal machines; the automobile being responsible in the 20th century for the same fatalities as the second world war, just in road accidents. USA does it since the Ford age, because automobiles run on oil derivatives, and oil plays a key role in the economic external affairs of the empire, mainly nowadays due to the petrodollar system, causing enormous severities to the planet Earth, mainly pollution. USA has the military power (even in historical proportions), that no other nation had in History, and commences a major war on average on every 10 or 15 years against another sovereign nation. The goals which are normally given to these wars are described as humanitarian or democratic, but history seems to verify that they are simply economic. The “axis of evil”, as Bush defined, is just a set of oil producing countries which do not wish to comply with the petrodollar system. 

USA, like the Nazis did, put one of the most outstanding qualities of Mankind, its capacity for innovation and creativity, on the service of death and destruction. Satan does not scientifically exist, but as with its metaphoric representation is concerned, USA fits within-it very clearly!

Lei, Ética e Costume


A palavra Ética vem do grego, mais precisamente "ethos" e significava algo como "modo de ser". Quando os romanos fizeram a tradução para o Latim, surgiu posteriormente a palavra Moral. Assim Ética, Moral e Costume têm a mesma raiz etimológica. Todavia com o tempo, a terminologia foi-se alterando, e talvez devido ao facto de os romanos terem uma visão mais pragmática dos assuntos e os gregos uma abordagem mais filosófica, as palavras Ética e Moral afastaram-se do seu significado filosófico, sendo que a Ética tenta aproximar os costumes, como os das elites profissionais, à razão da ciência e da filosofia, enquanto que a Moral adota uma abordagem de maior senso comum.

Assim, como amante da Filosofia, devo afirmar que não guardo qualquer empatia com a Moral, pois não me apraz a ideia de senso comum. Uma alegoria interessante, seria imaginar um mundo onde todos piamente acreditassem que um mais um seria igual a onze. Nesse mundo, imaginemos que existiria uma classe que tentaria aproximar o senso comum da Verdade e diria que um mais um era igual a cinco. Quem advogasse através do senso comum, e por aquilo que se denomina por "meio termo", diria que um mais um é igual a sete. O senso comum, não tem assim de ter obrigatoriamente qualquer validade científica ou filosófica, mas naturalmente obedece a uma certa sabedoria popular na forma da organização das relações interpessoais e de cada um dentro de uma sociedade. É neste aspeto que se enquadra a Moral.

O Costume

O Costume, comummente conhecido apenas por costumes, retrata assim a cultura e o conhecimento secularmente adquirido por um certo grupo de pessoas. Não obedece forçosamente a critérios científicos ou filosóficos, obedecendo sim a princípios sociológicos de relação interpessoal, a critérios antropológicos, sociais e sobre a perceção que a generalidade das pessoas tem da Verdade. O Costume, que influencia diretamente a Moral e é fortemente influenciado pela Religião, é assim a doutrina comportamental mais facilmente implantada no senso do povo, mas aquela que é menor em termos de nobreza das atitudes individuais de cada um, pois não exige ao indivíduo qualquer conhecimento intelectual que o obrigue a validar filosófica e cientificamente o padronizado, estando o Costume concebido para que o plebeu o assimile sem o questionar. Outros nomes podemos dar a este conceito, como tradição ou fatores culturais. Há todavia costumes que obedecem a uma lógica de integração com o meio envolvente e se revelam os mais eficazes do ponto de vista pragmático, para a regulação das pessoas dentro de um grupo.

A Lei

A Lei grafa os costumes em códigos e tratados, conferindo-lhes obviamente carácter científico e racional. Todavia, as bases das leis, não são a Verdade nem a Ciência, a Técnica para procurar a Verdade. As leis são assim um misto entre Ciência e Costumes. Esse equilíbrio altera-se consoante os países; por exemplo nos países árabes as leis têm uma grande influência dos costumes através de regimes teocráticos, já nos países nórdicos a influência dos costumes é diminuta, providenciando assim um carácter mais racional às leis, podendo as mesmas ser mais imparciais na forma como encaram o indivíduo e as suas liberdades individuais. A Lei não obedece assim forçosamente à Verdade nem sequer é perfeita, pois é concebida por homens. Nem muito menos o é a Lei Canónica, pois essa peca duplamente ao ser feita por homens que se intitulam legislar em nome do divino. Por conseguinte a Lei, filosoficamente falando, não é sempre o que distingue o Bem do Mal, ou o Correto do Errado. A Lei deve a priori, e ainda para mais num estado democrático, ser cumprida por parte dos cidadãos, todavia após uma análise consciente, ética e verdadeira, a mesma pode, e em alguns casos deve, ser violada. A Lei não é o caminho para a Verdade, nem para a Ciência. A Lei é aquilo que as elites, ou num estado mais democrático e participativo, os cidadãos em geral; entendem como válido e correto, nas relação entre as várias entidades e organizações que fazem parte do Estado. Se a Lei fosse cristalina e infalível, nem sequer existiriam tribunais compostos por juízes, e dentro do sistema judicial nem sequer existiriam recursos. E na mesma lógica argumentativa, infere-se facilmente que mesmo após o trânsito em julgado de um certo processo, uma certa decisão pode estar completamente errada do ponto de vista ético. A Lei também obedece a premissas de pragmatismo, para que possa na generalidade ser eficaz a sua aplicação, mas esse pragmatismo pode incorrer em situações pouco éticas em certos casos particulares. Por inferência lógica, a Lei não é obrigatoriamente sempre justa.

Ética

Abordo aqui uma visão radical daquilo que entendo como Ética, e por isso mesmo diferencio-a muito bem da Lei e do Costume. No meu entender, a Ética deve ser a dinâmica que aproxima os costumes da Verdade. Considero que um verdadeiro eticista, preocupa-se apenas em alinhar os comportamentos humanos com a Verdade e por considerações factuais, com a Ciência. Naturalmente o ser humano, como mamífero que é, é um ser complexo nas ruas relações interpessoais dentro de um certo grupo. Muito dos seus costumes nada têm de éticos ou racionais, obedecendo apenas a princípios antropológicos que hoje fazem pouco sentido. A Ética como o Homem a idealiza nunca será perfeita e por isso haverão sempre muitos opinadores sobre a mesma, mas tal incorre do facto de ser o Homem quem procura a Verdade, e como tal, poderá aproximar-se da mesma, mas nunca a encontrará no estado puro. Todavia, um verdadeiro eticista deverá sempre alinhar o Costume com a Verdade. Na Ética que idealizo não quer dizer que devamos renunciar aos prazeres mundanos, pois tal também faz parte da felicidade do Homem. Todavia se os mesmos forem prejudiciais ao Homem devem ser combatidos. Na Ética a Vida Humana é inviolável, e não obedece a relativismos morais, como o aborto ou a pena capital. A Ética não se deixa influenciar pelo lado primário do ser humano, mas alinha a sua conduta pela Razão, pela Ciência, pela Justiça e pela Verdade.

Fazer Lisboa-Algarve de carro ou comboio?


Obviamente que cada caso é um caso, mas retrato o meu caso, que certamente, é praticamente igual a de muitos outros portugueses. Vim de Lisboa para o Algarve com a minha esposa para uns dez dias de férias, mais precisamente vim da zona oriental de Lisboa, para um apartotel em Albufeira. E como viemos? Naturalmente de comboio. Passo a explicar.

Preço

O preço que paguei em primeira classe no intercidades da CP, que faz a ligação entre a Gare do Oriente em Lisboa e Albufeira foi praticamente 30€ por pessoa, ida-e-volta. Como somos dois, um casal, a viagem de ida-e-volta ficou em 60€. Da nossa casa até à estação pagámos os dois cerca de 4€. Considerando que faremos o percurso inverso ficará esta parcela, de forma arredondada em 10€. Da estação ferroviária de Albufeira-Ferreiras até ao centro de Albufeira junto ao mar, onde se encontra o estabelecimento hoteleiro, o preço da corrida de táxi fica em cerca de 10€. Tudo somado em viagens gastámos aproximadamente 90€ pelo casal, 45€ por pessoa.

Caso tivéssemos vindo de carro (casal sem filhos), considerando um gasto médio aproximado de 0,14€ por km (carro a gasolina), e uma distância de 250km, só em combustível gastaríamos cerca de 70€, ida-e-volta. Ora, não posso agora comparar a primeira classe da CP, em termos de conforto com as estradas nacionais, assim o preço das portagens da autoestrada A2, caso tivéssemos optado pelo automóvel, ficaria no total em cerca de 22,2€ para cada lado perfazendo cerca de 45€ no total. Logo, a opção automóvel ficaria em cerca de 115€, 57,5€ por pessoa, mais 25€ que a opção da CP.

Na realidade, só fica mais barato de automóvel, quando o número de passageiros é igual ou superior a três, que nem sempre é o caso (caso sejam crianças até pode nem ser verdade, considerando os 50% de desconto). Reparem ainda que na CP fomos em primeira classe e contabilizámos o táxi e CARRIS, ou seja o percurso de porta-a-porta.

Conforto e Segurança

É indubitável que é muito mais confortável para todos os passageiros, a opção ferroviária em comparação com a rodoviária. Em primeiro lugar, não há necessidade de um condutor, e bem sabemos que a condução de longos percursos é algo cansativa, e em segundo lugar temos acesso a sanitários, podemos ver um filme num computador portátil, podemos ler (para quem não enjoa no comboio) ou podemos tomar um café ou uma bebida na carruagem bar, podendo ainda dormir calmamente. Andar de comboio é ainda, segundo a Comissão Europeia, cerca de 30 vezes mais seguro que andar de automóvel, em termos de fatalidades por passageiro-km.

Tempo

De carro, pela A2 à velocidade máxima estabelecida por lei, ou seja 120km/h, demora-se aproximadamente cerca de 2:15. Já o comboio da CP, pela Linha do Sul, demora aproximadamente mais 45 minutos, ou seja 3:00. A parte mais morosa, pois a linha não está totalmente modernizada nesse troço, pareceu-me ser o troço ao longo da serra do Caldeirão.

Conclusão

Abstraia a sua consciência e as suas ideias feitas, e faça as contas para que se aperceba do que realmente é mais vantajoso para si, em termos financeiros e de conforto. Ponderando racionalmente os prós e os contras, constata-se claramente que a opção ferroviária é muito melhor até duas pessoas. De referir ainda que, tal como muitos portugueses, não gostamos de andar a vaguear pelo Algarve, ficando na mesma cidade de férias a relaxar. Já se o número de adultos for igual ou superior a três, admito que a opção por automóvel seja financeiramente mais vantajosa; ou ainda, caso seja daquelas pessoas que quando vai para o Algarve, todos os dias vai a praias diferentes em cidades diferentes. Todavia não arrisque, pois estacionar junto à praia na época de verão é tarefa muito árdua.

O automóvel, a família e os filhos


Em 30 anos, as famílias ficaram mais pequenas, os nascimentos diminuíram, mas o número de automóveis cresceu cerca de 300%, tendo quadriplicado.

Em 1983, cada agregado familiar em Portugal, termo técnico para família, tinha em média 3,3 pessoas. Na altura o país tinha um quarto dos automóveis que tem hoje (ver relatório da ACAP, página 206). Hoje, passados cerca de 30 anos, com quatro vezes mais carros que em 1983, cada família tem apenas 2,6 pessoas. Ou seja, Portugal passados trinta anos, tem quatro vezes mais automóveis mas uma família 20% mais pequena.

A ideia generalizada que uma família, principalmente numerosa, precisa de carro no dia-a-dia como "pão para a boca", não é nem social nem cientificamente correta. É uma ferramenta que pode ser útil, mas não é vital. Aliás, o próprio Primeiro-Ministro, nas declarações recentes sobre as propostas para o aumento da natalidade, referiu que introduzirá o passe familiar, uma ferramenta essencial para a mobilidade das famílias com menores. Muitos de nós tiveram irmãos, e muitos de nós usaram transportes públicos na adolescência, e em alguns casos os nossos pais nem automóvel tinham. E não foi por isso que fomos menos felizes, menos bem educados, ou menos bem formados academicamente.

Na realidade, os pais de hoje em dia trazem os filhos para a escola de automóvel, porque se deixaram em parte conduzir por uma política do medo, que é tudo menos racional. Introduzimos no subconsciente que as ruas e as estradas são perigosas para as crianças, onde existe criminalidade, eventualmente pedófilos à espreita, e vários atropelamentos. Na senda de querer preservar a segurança máxima aos nossos filhos que tanto amamos, achamos que é nosso dever paternal e maternal, levá-los para os estabelecimentos de ensino, obrigatoriamente de automóvel, essa "bolha metálica que os protege das intempéries e dos malfeitores do espaço público" como em tempos um urbanista ironizou. Mas na realidade, quantos mais de nós tiverem essa atitude demasiado protecionista, que até lhes é prejudicial, mais as ruas se tornam locais inóspitos e perigosos, com velocidades elevadas, desrespeito pelos peões e por todos os utilizadores vulneráveis, e muito pouco acolhedoras para uma criança.

A natalidade em Portugal decresce a olhos vistos e segundo um estudo demográfico interessante, se este rácio de nascimentos se mantiver, em 2040 a população de Portugal rondará os seis milhões de habitantes, menos 40% do que a atual. Na nossa escala de prioridades demos talvez primazia a certos bens e serviços, que talvez erradamente fossem menos importantes que a natalidade e a conceção. Obviamente que a natalidade deve ser planificada e desejada, mas será legítimo preterirmos ter um filho em detrimento da posse de um automóvel? A pergunta poderá parecer invasiva da liberdade individual de cada um para idealizar a família que lhe aprouver, mas as estatísticas não o enganam. Desde 1980 que o número de nascimentos tem caído em Portugal, mas desde esse ano que o número de carros no país não para de crescer, tendo tido desde esse ano até hoje um crescimento de cerca de 300%. Ora, muitos dos argumentos das pessoas que optam por não ter filhos, ou ter apenas um, é exatamente o financeiro, o que é perfeitamente legítimo. Um filho acarreta despesas, mesmo que muitas delas o Estado Social (ainda) suporte. Todavia consideremos que o automóvel tem um custo médio total às famílias de cerca de 370€ por mês. Não teria mais filhos se o Estado lhe desse 370€ por mês por cada filho? Então, troque o carro que tem na garagem por um filho, e os seus problemas financeiros ficam sanados. Se tal for feito em larga escala, haverão menos carros nas ruas, menos atropelamentos, menos carros sobre o passeio, bairros mais acolhedores e um espaço público mais seguro e agradável, espaço esse que o seu filho usará para brincar e para se deslocar até à escola a pé ou de bicicleta.

Pedro Santa Lopes é reconduzido como provedor da Santa Casa da Misericórdia


Fui voluntário para a Santa Casa da Misericórdia durante duas ocasiões. A primeira no polo do Bairro Alto, onde lecionei matemática a senhoras reformadas, que queriam regressar ao sistema de ensino. Alguns anos mais tarde, no polo do bairro da Boavista, a um jovem filho de pais imigrantes que tinha graves problemas de aprendizagem na disciplina. Sinto-me violentamente desrespeitado no meu trabalho voluntário, cívico, caritário e filantropo, por saber que mais uma vez, o Dr. Pedro Santana Lopes, será reconduzido como provedor desta nobre instituição. Sinto-me humilhado e sinto o meu trabalho completamente desprezado por uma elite político-partidária que usa esta nobre instituição filantrópica, apenas para fins de jogos de mediatismo das figuras públicas ligadas ao aparelho partidário dos membros do governo.

Não me refiro à pessoa do Dr. Santana Lopes enquanto advogado, político ou cidadão, refiro-me ao Dr. Santana Lopes, enquanto homem caridoso, cristão, com um percurso de trabalho voluntário ou filantrópico. Escolher alguém que é sobejamente conhecido por ser um Casanova que gosta de passar o seu tempo em festins noturnos, que gosta de conviver em eventos ligados à aristocracia lisbonesa ou figueirense, que teve um percurso profissional como advogado (sabemos como os advogados não são propriamente conhecidos pelo seu serviço caritário) e que o vemos amiúde, não nas campanhas do Banco Alimentar contra a Fome, mas nas revistas cor-de-rosa; demonstra que afinal "a ala dos Namorados" estava certa, e que a terra gira ao contrário!

Ver um Casanova a fazer Caridade, seria como ver a JPMorgan dirigida por um Franciscano! Rasguei o meu cartão de voluntário da Santa Casa da Misericórdia e cessei nesse dia todas as minhas atividades de voluntário, como professor de matemática, quando soube há 3 anos, que o Dr. Pedro Santana Lopes, cuja carreira profissional e percurso político estão nos antípodas da filantropia e Caridade, foi indigitado para o cargo! Uma instituição com mais de 500 anos "a fazer o bem" tão nobre como a Santa Casa não merecia isto.

Autoestrada transmontana custou três mil euros por passo!


Imagem de RutaVella; skyscrapercity.com

A autoestrada transmontana foi construída no âmbito de uma parceria público-privada adjudicada em 2008 ao consórcio liderado pela Soares da Costa, com um custo de 510 milhões de euros. Faz referência ao troço entre Vila Real e Quintanilhas, junto a Bragança e à fronteira espanhola. Este troço da A4 (pois será a continuação da autoestrada A4 já existente entre Matosinhos a Amarante) tem cerca de 132 km. Aplicando aritmética elementar ficamos com um rácio de 3860 euros por metro, quase 40 euros por cm. Dito de uma forma um pouco mais mundana, ou imperial, algo como 3000 euros por passo (daqueles normais de andar a pé calmamente) ou se quisermos algo como 100 euros por polegada (distância de um polegar humano regular, medido na base da unha). Já o famoso túnel do Marão, que faz parte desta empreitada, tem um comprimento de 5,2 km e um custo projetado até 2035 de 452 milhões de euros, algo como 80 mil euros por metro ou 800 euros por centímetro; ou seja 60 mil euros por passo, ou ainda 2000 euros por polegada. Chamemos os "bois pelos nomes" ou melhor, "as empreitadas pelos números"!

Se ainda quisermos usar um pouco mais de numerologia, podemos dizer que cada metro do túnel do Marão, paga mensalmente em média, a pensão a 200 reformados. Consta que em Bragança há muitos!

A origem e o anacronismo do medo


A origem: a proteção na savana, na selva e na floresta!

A origem do medo remonta a princípios antropológicos de defesa pessoal e coletiva. O medo instintivo ou inato pode ser cientificamente explicado através da psicologia evolutiva. Já o medo adquirido ou "aprendido" pelo indivíduo é explicado simplesmente pela psicologia clínica. O medo instintivo tem uma função muito bem definida na espécie e teve um propósito evolutivo de defender o indivíduo, defendendo assim também a espécie. Este tipo de medos aplicam-se a muitas outras espécies. Todos os mamíferos têm medo de alturas, e todos os primatas têm medo de serpentes. Este tipo de medos transmitidos pela evolução, teve uma função muito bem definida de nos proteger em diferentes circunstâncias ao longo da nossa sobrevivência na selva, na floresta ou na savana!

Comecemos pelo mais geral, pelo medo de alturas, que é mais ou menos comum a todos os mamíferos e surgiu na era do Mesozóico (que está compreendida aproximadamente entre 251 milhões e 65,5 milhões de anos atrás, e que inclui o Cretássio, o Jurássico e o Triássico). Os mamíferos, não sendo aves, sendo na sua grande maioria animais terrestres, tiveram que instintivamente começar a afastar-se de zonas perigosas, como ravinas ou falésias. Aplicando a teoria evolutiva da seleção natural, da seleção dos mais aptos, por certo, os mamíferos que foram sobrevivendo às diversas situações de perigo, foram exatamente aqueles que se foram afastando de zonas altas perigosas, zonas potencialmente mortais, como beiras de falésias ou ravinas. Esses mamíferos que sobreviveram guardaram no seu instinto uma repulsa protetora às alturas, que transmitiram às novas gerações, criando-se assim o medo pelas alturas. No ser humano, esse medo toma o papel muitas vezes de vertigens. Mesmo os mamíferos que se sentem à vontade em cotas altas, como os felinos, têm medo de alturas. Uma experiência interessante, é agarrar num gato, e colocá-lo do lado de fora de uma janela, a uma altura de apenas um primeiro andar (peço por favor que respeite a integridade física do gato), e reparar que o animal sente-se imediatamente aflito. O medo pelas alturas foi assim uma proteção instintiva, que os mamíferos guardaram no seu código genético com referência ao sistema límbico, para que se afastassem de zonas potencialmente letais. O medo por carnívoros de grande porte, como leões, ursos, hienas, lobos ou mesmo o medo por herbívoros eventualmente agressivos ou perigosos, como elefantes, búfalos ou rinocerontes, surge apenas na era seguinte ao Mesozóico, ou seja, surge no Cenozóico, quando os mamíferos se expandiram, cresceram em porte, e se diversificaram. Na era anterior, no Mesozóico, os mamíferos eram todos de pequeno porte, altura aliás em que o pequeno tamanho os permitia escapar dos dinossauros, tendo-se tornado assim mais aptos. Este exemplo também ajuda a clarificar a confusão recorrente que se tem da teoria evolutiva, da "seleção dos mais fortes", quando na realidade trata-se sempre da seleção dos mais aptos (fitness).

O medo por ratos e insectos, que aparenta ser comum apenas nos humanos (Homo Sapiens que tem 200 mil anos), obedece ao mesmo princípio, tendo surgido apenas no Paleolítico e no Neolítico, ou seja, numa escala de tempo bem mais recente. Durante milhões de anos em que vivemos na savana e posteriormente na floresta, convivemos com uma série de outros animais, entre os quais os ratos. O problema é que os ratos, além de se alimentarem dos mesmos alimentos que nós consumíamos, como frutos silvestres, sempre foram grandes transmissores de doenças mortais. Os indivíduos nossos antepassados que começaram a afastar-se deste tipo de roedores, sobreviveram a uma série de doenças transmissíveis e desta forma transmitiram, através da seleção natural, esse medo instintivo de ratos às próximas gerações. Só o Homo Sapiens (o que somos nós) é que também aparenta ter medo instintivo por insectos, pois estes, pela mesma razão que os ratos, foram a partir de certa altura transmissores de muitas doenças e por certo causaram pragas em colheitas, tendo também destruído pequenos armazenamentos de alimentos, que os nossos antepassados poderiam talvez fazer para os momentos de maior carência, como o Inverno. Os insectos são conhecidos por causar a deterioração de frutas, sendo que durante milhões de anos os nossos antepassados se alimentaram com frutas. Ademais, a agricultura, o sedentarismo e o armazenamento de alimentos surge no Neolítico, e por esses motivos crê-se que o medo por alguns insectos surge apenas no Neolítico, ou seja, num período mais recente. Já o medo por serpentes aparenta ser comum a todos os símios, e revela a proteção instintiva que esta categoria de animais do qual nós evoluímos, tem em relação a outros animais que podem ser potencialmente venenosos e letais.

Sou um homem de esquerda, que vota na direita!


O Estado social, não vive sem capital. As pensões e os salários não são pagas em géneros!

O título poderá parecer contraditório e o subtítulo uma evidência, mas convém que a esquerda portuguesa tenha-o bem ciente, quando discursa em público e pretende fazer alianças políticas. Sou um homem de esquerda e sempre o fui, pois defendo o Estado Social, pois acho que a culpa do estado do país é da banca e do sistema financeiro e não dos RSI; pois defendo que ninguém deve dormir na rua, pois defendi a construção de bairros sociais quando muitos diziam que o Estado não tinha que construir casas discriminando quem pagou por elas; defendo um sistema de saúde apenas público e gratuito, uma justiça sem taxas, defendo as grandes matérias de interesse público e de interesse pela res pública, e porque prefiro usar a minha criatividade e capacidade intelectual em projetos filantropos e enquanto voluntário em associações, do que a criar uma empresa visando o lucro. Porque tenho aversão ao grande capitalismo financeiro apátrida, ao marketing agressivo em que vivemos em que uma coca-cola é mil vezes mais publicitada que uma maçã, quando esta última é mil vezes mais saudável e benéfica; porque defendo o espaço público contra as diversas privatizações parciais e temporárias que as autarquias fazem, porque defendo uma taxa Tobin nas transações financeiras, porque sou favorável simplesmente à anulação dos contratos das PPP rodoviárias, resumindo, porque considero que o interesse das elites ou de corporações não deve sobrepor-se ao interesse público. É essa a essência ideológica da esquerda, é essa a essência do Marxismo, quando defendia que o povo, o proletariado devia ser saciado nos seus interesses, em detrimento dos interesses financeiros das elites e das corporações, ou seja da burguesia capitalista.

Todavia o que me distingue da "esquerda moderna", daquilo que apelido de esquerda sofista, perdoe-me o leitor a eventual arrogância, é que em vez de ter tido formação em jornalismo, sociologia ou advocacia; quis o destino que tivesse estudado matemática. Se o Marxismo obedece a uma dialética materialista, a esquerda moderna já a abandonou há muito tempo. O que move a esquerda contemporânea são apenas floreados, discursos apaixonados e vazios, exaltados e sem qualquer conteúdo válido. Basta ouvirmos falar Ricardo Araújo Pereira, Ana Drago ou Daniel Oliveira e facilmente reparamos que nunca se ouve um número vindo das suas bocas. Um número qualquer que seja. O indivíduo de esquerda a quem atribuo maior rigor intelectual nesta matéria é Francisco Louçã, e mesmo este por vezes desvia-se na sua argumentação das questões basilares das finanças públicas, das despesas do Estado com prestações sociais e salários. A esquerda moderna obtém o seu eleitorado, nos incautos e nos autistas, nos desprevenidos, nos lunáticos ideólogos e nos matematicamente iletrados. A esquerda moderna há muito que perdeu a sua dialética, a sua arte de raciocinar com método, como define o dicionário da língua portuguesa, ficando-se apenas por intenções sem qualquer pragmatismo contabilístico. 

A esquerda diz-se "anticapitalista", mas apenas pede aumentos de capital

Na realidade a esquerda moderna é uma adaptação torpe ao sistema capitalista. Quando o PCP defende sistematicamente as greves no sector dos transportes públicos, prejudicando seriamente a qualidade do serviço prestado aos utentes, está na realidade a defender o interesse de uma elite burguesa corporativista, em detrimento do interesse coletivo. O que move qualquer greve nos dias de hoje não é o interesse público, as condições laborais ou de segurança no trabalho ou mesmo benefícios sociais, como foi sempre a origem das greves desde finais do séc. XIX, é tão-somente as necessidades mensais de capital dos trabalhadores dessas empresas. A polícia e os enfermeiros protestam por mais subsídios (mais capital), os professores não querem ser avaliados (menos progressão, logo menos capital), os funcionários das empresas de transportes públicos querem mais subsídios noturnos e não querem cortes nas horas extraordinárias (capital) e os médicos querem trabalhar menos horas com o mesmo salário (mais capital). Trata-se apenas de uma questão de semântica, mas o que move qualquer ação sindical nos dias de hoje, é na realidade apenas e tão-só, o capital.

Os problemas que a Europa atravessa nos dias de hoje, não são na realidade ideológicos, são muito mais "materialistas". O Estado social para sobreviver nos dias de hoje, precisa de capital, de impostos e de crescimento económico. A não ser que haja uma revolução na Europa como a de Outubro de 1917 na Rússia; a esquerda como se encontra poucas alternativas tem ao panorama atual, que difundir discursos floreados sem qualquer conteúdo válido. As pensões e os salários não são pagas em géneros! A esquerda moderna tem uma aversão visceral à matemática; e nessa esquerda, enquanto homem de esquerda que sou, nunca votarei! Se analisarmos com minúcia as medidas parlamentares da esquerda, são todas no sentido do aumento do défice público; ou aumento de despesa (mais salários, pensões, benefícios), ou diminuição de receita (menos impostos). Nos últimos anos, todos os impostos e contribuições cobrados, cerca de 60 mil milhões, deram para pagar apenas salários e prestações sociais. E as PPP ou os swaps, foram exatamente as consequências dessa aversão aos números da esquerda PS; que para enganar as contas públicas do défice e da dívida, se envolveu nesses esquemas e contabilidade paralelos. A esquerda que é ideologicamente anticapitalista, contribuiu largamente para a quase bancarrota do Estado, com a pressão constante no aumento de salários e pensões, ou seja, capital; ainda para mais quando o país fazia esses pagamentos à custa de dívida pública, contraindo juros; juros esses que agora a mesma esquerda vem referir (e bem) que são agiotas.

Sou um homem de esquerda, e emito aqui um cheque eleitoral quase em branco. Quando um partido de esquerda, me apresentar números e medidas muito claras e objetivas, que visem contas públicas equilibradas, terá o meu voto. Até lá, voto na direita!