Os Tudor: Portugal é o bobo da corte


O rei português que nunca existiu, é apresentado
nesta série como um velho decrépito, senil, caricatural,
sexualmente glutão e proferindo umas palavras
que se assemelham a Espanhol
Longe de mim ser muito nacionalista, mas não soube se haveria de rir ou chorar perante o que hoje assisti. Dir-me-ão que por certo é assunto menor que nem deveria ser abordado, todavia parece-me relevante mencioná-lo neste espaço. 

Tenho acompanhado de perto uma série televisiva algo famosa denominada os Tudor que tem das melhores opiniões da crítica internacional, e milhares de espectadores na televisão e Internet, essencialmente no mundo anglófono. A série, que segundo consta é fidedigna à história da época em questão, foi transmitida pela BBC, pelo canal público português (RTP), ganhou vários prémios televisivos e só nos EUA esta primeira sessão teve 870 mil espectadores.

Na dita série, no episódio quarto da primeira sessão, Henrique VIII da casa de Tudor envia a sua irmã, Margaria Tudor para casar com o Rei de Portugal de então. Na viagem que fazem de Londres até Lisboa de barco, a dita Margarida copula numa relação sexualmente intensa com um dos belos, bravos e jovens vassalos do Rei de Inglaterra antes de se casar oficialmente com o Rei de Portugal.

Chegados todos a Portugal, com imagens da cidade de Lisboa e figurantes que até falam português, o suposto Rei de Portugal recebe a bela jovem princesa inglesa com um comportamento apresentado como caricatural, decrépito, rude, senil e sexualmente voraz. O suposto Rei de Portugal é apresentado como um velho senil, coxo, sexualmente glutão, feio, meio desdentado, barba por fazer, orelhudo, rude, analfabeto e com uns trajes mais de circo que de realeza, e que perante uma bela e voluptuosa princesa inglesa, se baba de imediato ao imaginar a correspondente noite de núpcias tão luxuriosamente promissora. Os membros da corte portuguesa são apresentados como torpes mulatos, homens aparentemente sem qualquer civilidade, velhas com aspeto de bruxas e um pérfido cardeal patriarca, que abençoa a dita noite de núpcias.

A bela idílica princesa, horrorizada por ser obrigada a casar e a dormir com um monstro como o Rei de Portugal, faz um esforço estoico e lá se deita com o velho senil para a noite abençoada, enquanto a corte portuguesa observa tal cópula com uma curiosidade infame e mexeriqueira. Na manhã seguinte, a bela princesa inglesa, ao ver com o monstro que tinha casado, decide matar o rei português com uma almofada, sufocando-o, terminando assim em grande suspense o quarto episódio da dita série que é das grandes referências televisivas no campo da História.

Investigada a veracidade histórica da dita situação constata-se que tal evento nunca aconteceu nem tal rei português alguma vez existiu. A data a que se refere o quarto episódio da primeira sessão, pelas evidências com o princípio do divórcio entre Henrique VIII com Catarina de Aragão e a sua paixão com Ana Bolena, rondaria entre 1520 e 1530. D. Manuel I de Portugal reinou até 1521, altura em que faleceu com 52 anos. Teve três consortes, Isabel de Aragão, D. Maria de Aragão e D. Leonor da Áustria, nenhuma inglesa e muito menos Margarida Tudor, irmã de Henrique VIII. A partir de 1521 reinou em Portugal D. João III, que aos 19 anos é aclamado como Rei e que teve apenas como consorte D. Catarina da Áustria sem qualquer relação com a casa de Tudor.

Significa que o rei português retratado na série nunca existiu, nem nunca nenhum rei português casou alguma vez com alguma irmã de Henrique VIII e nem naquela altura um rei português poderia ter a idade apresentada como alguém que aparenta ser pelo menos sexagenário. Já Henrique VIII, o fundador da igreja Anglicana, que executou duas das suas seis mulheres porque queria casar com a próxima, alguém comprovadamente irascível, rude, cruel, que preferia a guerra à paz, que preteria os desígnios da Lei canónica aos prazeres da carne, que teve imensas amantes, que às suas ordens foi condenando à morte uma das mentes mais brilhantes do pensamento ocidental, Sir Thomas More, por este não lhe ter jurado fidelidade preservando a sua integridade intelectual e moral, o rei inglês é todavia apresentado como um belo, atlético, jovem, bravo e erudito galã, irreverente e audacioso.

Já há muitos anos que bem sei que somos por norma os bobos da corte, mas da próxima vez que se indignarem com as querelas entre Ronaldo e o Sr. Platini, pensem duas vezes. A nacionalidade e a pátria não se resumem ao futebol.

32 comentários:

  1. Vocês de Portugal estão obnubilados por uma ditadura infame de costumes e informações. Uma ditadura anglo-saxónica. Aliás, toda a Europa está agrilhoada por tal ditadura. Pelo índex dos novos costumes, é proibido ser nacionalista, a menos que seja para exaltar a Inglaterra e os Estados Unidos. Pior que proibido; é considerado de mau gasto ser nacionalista, justamente o que querem os saxões, despir de sentimentos nacionais todos os outros povos - que não eles - para que dominem tudo com mais facilidade. O filme que acaba de ser narrado merece uma interdição diplomática. Mas não, só se faz mera crítica, e ainda pedindo antecipadas escusas e mil perdões se porventura for tida como nacionalista.

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    1. Eu por norma sou contra interdições artísticas de qualquer género. Todavia, após este episódio, simplesmente cessei a visualização da série, dada a gritante imprecisão histórica. E sim, concordo consigo, existe uma clara hegemonia da cultura anglo-saxónica em todo o mundo, delegando as culturas nacionais para segundo plano.

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    2. Joost Hensen, Las Vegas, Nevada. Em primeiro lugar, graças a João Pimentel para apontar essa mentira flagrante em um programa de TV reclamando prestigio internacional, fingindo de ser historicamente correto. Por outro lado, vamos ser francos, o que mais a esperar no mundo actual dominado pela mídia anglo-americano, refletindo uma cultura que brilha só em termos duma vulgaridade crescente e a querer reescrever a história para uma opinião pública cada vez mais boba e credula. Ainda mais triste, a maioria das elites políticas no mundo ocidental humildemente aceitam. Ja faz tempo que o antigo centro da civilização ocidental tem ido ausente no campo de coragem politica. E eu estou escrevendo isso como americano. Triste realidade mas verdade.

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  2. Trata-se realmente de uma falta de respeito, primeiramente com o telespectador, por ser uma série supostamente baseada em fatos históricos, o que na verdade não é bem assim e com a história em si, pois desrreipeita clarmente a história de Portugal e exalta um dos maiores monstros, capaz das maiores atrocidades para garantir o próprio prazer.
    A licença poética é permitida e tolerada em casos de retratar fatos históricos, transformando-os em séries para TV, mas tem limites! Para quem assistiu outras séries de igual tema, "Os Tudors " chega a ser uma decepção no que se refere à veracidade dos fatos. "isabel", a série espanhola sobre Isabel de Castela e Fernando de Aragão, e até "Reign", que fala de Mary Stewart, conseguem ser mais fidedignos. Acho estes erros graves porque muitos dos que assistem não têm a curiosidade de verificar a veracidade dos fatos apresentados e ficam com idéias completamente errôneas a respeito destes.Uma pena.

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    1. Vivemos numa época em que cada vez mais História e Ficção se confundem. O telespectador mediano, crédulo e acrítico, "ingere" tudo o que vê. Resta-nos sublimar o ridículo em que se tornam estas séries pelo facto de serem falaciosas.

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  3. Curioso ninguém ter sublinhado o facto da RTP ter passado a série.

    Curioso a RTP não ter pedido uma indemnização aos Produtores da serie por venderem algo com suposto rigor histórico e manifestamente não passar de uma farsa sem qualquer aderência à realidade.

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    1. Enviei este texto em forma de missiva ao provedor da RTP, que me respondeu, tendo mesmo feito um programa televisivo do provedor, em que abordou o referido assunto.

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  4. Sou Brasileiro. Descobri este site procurando fundamentações acerca da veracidade da série. Achei muito estranho mostrarem uma imagem tão irreal de Portugal. Na época, Portugal era uma das grandes potências. O que eles fizeram foi denegrir, claramente, a imagem de seu País. Muito triste...

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    1. Faz parte da cultura anglo-saxónica ridicularizar os outros povos que não lhes são serviçais, e todavia engrandecer as suas virtudes anglófonas. Tal é patente em toda a cinematografia e cultura anglo-americana. Repare por exemplo que em qualquer grande filme comercial, a bandeira dos EUA aparece pelo menos uma ou duas vezes numa qualquer cena. A idolatria dos valores anglo-americanos faz parte da cinematografia americana, a mesma que depois é exportada para o mundo inteiro. Os valores da Europa, ou os da cultura eslava, otomana ou asiática, ou de qualquer ideologia que não seja coincidente com a dos EUA, são ridicularizados ou simplesmente forçosamente ignorados. É normal fazê-lo pois todos os povos produzem cultura que lhes engrandece, o que não é normal é os outros povos, neste caso os europeus ou os restantes americanos, isto é da América-Latina, menosprezarem a sua própria cultura em prol da cultura anglo-americana que importam. Isso é marcadamente patente por exemplo na música.

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  5. Brasileira e revoltada com essa situação! desrespeito total... até porque nesse período Portugal dava as cartas no cenário mundial!

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  6. Sou brasileiro. Curioso, pesquisei sobre esta tal de Margarete, suposta rainha de Portugal por alguns dias, e encontrei a sua ressalva. Simplesmente lamentável o que esses cineastas de terceira categoria fazem para encher os bolsos. Isso não é cultura, é chicana. Outros erros da série no link http://www.jn.pt/mundo/interior/nove-coisas-que-talvez-nao-saiba-sobre-sua-majestade-5136160.html.

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  7. Corrigindo, mais erros da série no link https://www.google.com.br/amp/s/boullan.wordpress.com/2011/02/09/erros-em-the-tudors/amp/.

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    1. Boa tarde caro Paulo. Li o texto, mas na grande maioria dos casos trata-se apenas de gafes, o que é normal no cinema, como o quadro elétrico no castelo ou o relógio de pulso num elemento da multidão. Aqui, do que falo, não se trata de uma gafe, de um erro não deliberado; trata-se de uma intenção premeditada, para tornar a histórica comercialmente mais apelativa, fazendo dos Portugueses os bobos da corte. Por vezes são os Russos (Rambo III), os Alemães (Assalto ao Arranha Céus/Duro de Matar/Die Hard), os Chineses, os sul Americanos (corruptos e dirigidos por ditadores como em The expendables); desta vez calhou aos Portugueses serem os bobos da corte.

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  8. Bobos são os que fazem bobagens. No caso, os autores da série.

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  9. minha opinião é que é um enorme desrespeito a historia de portugal e que obras artisticas que não respeitam a historia não merecem nenhum credito.

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  10. Séries dessas são feitas para vender não para contarem exactamente como as coisas foram.

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    1. Claro, mas segundo "a crítica" que propala pela mídia, essa série é uma grande referência histórica.

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  11. Gosto de assistir a séries históricas para aprender um pouco de forma lúdica... e fui pesquisar sobre a princesa inglesa que se casou com um rei português velho. Ao retratarem corte, tudo parecia tão velho e feio. E o rei mais bizarro ainda! Mas inventar um casamento que não houve com um rei que não existiu, é um pouco ruim. Só comparável quando eles retratam como mau o argentino, como bobos os alemães.

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  12. Bom dia!
    Sou brasileiro, e me chamo João Cândido. Estou a ver a série. Intrigado, fui procurar saber se a Casa Tudor havia de fato, se unido à Portugal. Trabalho na Biblioteca Nacional do Brasil e grande parte do seu acervo veio com o Regente D.Joao VI. Não vi em livro dinástico algum tal citação. É uma inverdade absurda. Me decepcionei com a série... E só a verei pois, tenho particular interesse na história de Ana Bolena... abs!
    Jolluah@yahoo.com.br

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  13. Edmar Rabello de Moraes Rio de Janeiro,também achei caricato e grosseiro esse capítulo que se refere ao Rei de Portugal,preconceituoso até,mal pesquisado e mal feito o que não condiz com a qualidade da série.

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  14. Achei absurdo também mostrarem os cortesãos portugueses quase como cachorros, alguns colocavam a lingua para fora ao ver a princesa na cena do casamento. Sou brasileiro e achei absurdo, imagina então vocês portugueses.

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  15. Sou brasileiro e ao assistir a série, reparei que não tinha ideia de tal fato. Vim pesquisar na internet e aqui achei. Realmente como pensava, esse casamento nunca aconteceu e é ridícula a maneira caricata que colocam uma das grandes potências da época na série. Estou cogitando parar de assistir porque perdeu toda a confiança em um mínimo de embasamento na história real.

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  16. Conhecia uma pouco da história das famílias reais da Inglaterra, e quando tive acesso a esse episódio fiquei indignado com tamanha imprecisão histórica dos fatos. Para aqueles que não tem a curiosidade de pesquisar um pouco mais a fundo sobre o assunto, passam a acreditar naquilo que foi mostrado. Grande incompatibilidade, haja vista o fato de que Portugal nessa época era uma grande potência internacional, ao lado da Espanha. Lamentável esse erro crasso!

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    1. Toda a série é um erro crasso, aliás como todas as séries "históricas" de proveniências anglo-saxónicas. Ora compare a imagem plausível de Henrique VIII com a figura do ator apresentado na série. Um é "gordo e feio", o outro "belo, jovem e galã".

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  17. Os anglos são assim mesmo: O que não lhes agrada eles simplesmente ridicularizam, o que lhes agrada eles enaltecem, o que é historicamente é importante, porém não muito abonador eles douram, como é caso da feiura do rei Henrique VIII em “TUTOR” retratado como um belo mancebo.
    Vejam, por exemplo, na série Downton Abbei, também do Netlfix. Embora tratar-se de novela, num dado momento aparece o príncipe de Gales da época (1924 – Príncipe Eduardo, depois rei Eduardo VIII) em trajes principescos ridículos, se comparados com os demais personagens da série, e em um episódio extremamente negativo e mal explicado. (Diga-se, o príncipe ou princesa de Gales só existe um(a) e este(a), a principio, será o próximo rei ou rainha da Inglaterra). Sequer o nome dele, “Príncipe Eduardo”, é declinado na série.
    Sabem por que ele foi tratado daquela maneira? Por que os ingleses não gostam desse príncipe (Eduardo). Porque ele era nazista. Inclusive manteve encontros secretos com Hiltler. Em 1936, quando era hora de ele ser rei, obrigaram-no a renunciar usando como desculpa o fato de ele ter se casado com uma americana plebeia divorciada. Sempre que os ingleses se referem a essa renúncia eles enaltecem o fato que ele teria renunciado por “amor” quando na realidade ele foi obrigado a renunciar e exilados, primeiro nas Bahamas e depois em Paris.
    Na mesma novela, em outro momento, quando um suposto criminoso e inocentado o conde brinda entre os empregados do castelo: A justiça inglesa, “INVEJA DO MUNDO”

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    1. Como referi anteriormente, é normal os próprios povos produzirem arte que os enaltece. Sempre assim o foi ao longo da História das civilizações. O que não é normal, é os demais povos "consumirem" essa arte de forma completamente acrítica. Pergunte a qualquer ocidental, qual a gravidade do Holocausto e da utilização das bombas atómicas sobre civis, e poderá ficar surpreso, com a resposta.

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  18. Bem realçada esta imprecisão histórica caricatural deliberada por parte de uma série inglesa. Infelizmente não é a primeira vez que acontece. Os espanhóis também têm um pouco tendência para denegrir (literalmente) a imagem de Portugal, como na conhecida série "Isabel", cujo tema é precisamente Isabel de Castela, a Católica, e o seu marido, Fernando de Aragão. Vi pelo menos a primeira temporada da série, que supostamente é extremamente fidedigna, e apesar de a deturpação não ser tão gritante como neste caso da série "Os Tudor", nota-se que há ali alterações deliberadas. Por exemplo, quando disse que denegriam a imagem de Portugal literalmente, foi porque cada vez que mostravam as cenas passadas no reino de Portugal a imagem escurecia drasticamente: castelos e salas sombrias, tudo escuro, sem luz do sol, quase que não se via as caras das personagens, por vezes. Quando passava a cena outra vez para Castela, tudo reluzia de uma luz áurea, um ambiente luminoso e quente. Isto acontecia sistematicamente. Portugal era sempre sombrio (não só em relação à luz mas em relação às próprias vestimentas) e Castela, Aragão ou Granada (conforme as cenas que filmassem) eram sempre resplandecentes. Apesar de se gabarem da coerência histórica, os espanhóis também falharam, deliberadamente, em questões que não se prendiam só com o cenário. Por exemplo, o rei Afonso V de Portugal, viúvo, casou com a sua sobrinha, D. Joana, filha da sua irmã e do rei Henrique IV de Castela, irmão de Isabel que lhe sucedeu no trono, ao passar por cima da sucessora legítima que era a infanta D. Joana. A infanta era uma menina de apenas 9 ou 10 anos quando casou com o tio, tendo sido um casamento simbólico, não consumado. Contudo, na série puseram o rei português de meia-idade a consumar o casamento com uma criança, demonstrando-o como escandaloso e horrível, algo que não só não era consentido na altura (as esposas teriam de ter no mínimo 12 anos para a consumação) como nunca aconteceu. Depois puseram o príncipe D. Afonso, filho de D. João II, a ser assassinado em vez de cair do cavalo e a assemelhar-se a um adolescente medíocre com alguma espécie de atraso, quando na realidade os testemunhos que nos chegaram sobre ele, era os de um excelente porte físico e aparência, excelente preparação enquanto futuro rei, em suma, um verdadeiro príncipe à altura.

    Já noutro plano, uma recente série(novela?) brasileira que passou na SIC creio, intitulada de Novo Mundo é toda ela uma ofensa à História de Portugal. Desde um futuro D. Pedro IV (primeiro do Brasil) que perseguia tudo o que era mulher, a disputas estilo crianças birrentas entre D. Pedro e o D. Miguel (a fazerem queixinhas aos reis como miúdos, mas sendo já homens de idade adulta), um D. João VI lambazão, gordo, suado, mal-educado, sem qualquer tipo de modos (aliás toda a família real é apresentada como se fossem habitantes de uma favela pelos modos como se comportam numa peixeirada constante no palácio que mais parece uma casa de um rico qualquer), sem qualquer ambiente de corte, sem cerimónias, protocolos e etiquetas, com a D. Carlota Joaquina a descalçar e a atirar sapatos em público....Enfim.

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  19. Triste, verdadeiramente triste. Não só porque o rigor histórico é zero, mas pior ainda, o sentimento de impunidade com que se introduzem fatos como sendo reais denegrindo a dignidade de um país que para além de ter com a Inglaterra a aliança mais antiga do mundo como pelo fato de existirem há data laços profundos entre os dois países.
    Portugal há data dos fatos desta série, era seguramente uma das maiores e mais ricas potências do mundo. Mas com isso os ingleses convivem muito mal. Para os ingleses o mundo começa e acaba na sua triste e sombria ilhota.
    Quando precisam de ver sol para onde vão? Para Portugal. Pois esta claro.
    Não há nada mais triste do que a ignorância convencida de que é inteligência..

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  20. Quem governava nessa altura em Portugal era João III com 23anos
    Alguém do povo (sem agua para lavar os pés) conseguiu enganar a casa Tudor fazendo-se passar por rei de Portugal

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    1. Bom comentário, realmente só levando para o lado hilário esse tipo de preconceito. Acabei de desistir da série. De fato a série espanhola é muito positiva. Até mesmo porque mostra a rainha católica, suas atitudes em nome da fé, os acertos com matrimônios nem sempre felizes, tudo para manter o poder na Europa. A série Isabel merece ser vista. Respeita a língua, a maioria dos fatos históricos, e também traz um romance mais próximo da realidade do que é mencionado nos livros de História.

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    2. A série Isabel não é assim tão fidedigna. Leia o comentário que escrevi acima acerca das imprecisões deliberadas que surgem na série em relação à História de Portugal.

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  21. Sou brasileira também e fiquei muito curiosa com essa cena e vim pesquisar. Mas ao contrário dos meus conterrâneos que ficaram indignados com a representação do rei de Portugal, eu vim de curiosidade para saber finalmente se a explicação para o comportamento do homem brasileiro seria herança portuguesa. Aqui no Brasil, mulher andando na rua recebe esses mesmos gestos obscenos e expressões esdrúxulas: 'delicinha', 'gostosinha', 'oh lá em casa', língua para fora em gesto vulgar. Então fiquei até surpresa de brasileiros criticando essa representação quando isso ocorre diariamente na vida da mulher brasileira e se criticamos somos ofendidas. Se o homem português não é assim, talvez o criador da série pesquisou o comportamento brasileiro e supôs que em Portugal seria a mesma coisa.

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