Ivanka Trump and the English grammar


An interesting issue of the English grammar, mainly its vocabulary, is that it comprises several words for many combinatorial or daily-life situations which for example other Romance languages do not seem to have. Remember is different from remind, between is not the same as amongst, switch is slightly different from swap, and lend and borrow are the opposite things. Within the same logic grammatical reasoning any literate mind knows the the word latter is different from the word last. The Oxford Dictionary tells us that latter means "the second or second mentioned of two people or things" while last means "coming after all others in time or order". Therefore when the group comprises two elements or alternatives orderly presented latter shall be used for the last element, while when the group comprises more than two elements one shall refer last. An interesting parallel might be found with between and amongst. Nonetheless as Ivanka Trump was in Germany for a conference, when asked what was her official role as daughter of the president and presented with three different possibilities she replied "surely not the latter". Wanted to be grammatically snob, and made a grammatical mistake. As we say in my mother tongue "tal pai, tal filha"!

Ainda sobre a xenofobia e a psicologia evolutiva



A xenofobia foi positiva para o Homem no Paleolítico

De acordo com os estudos antropológicos mais recentes, consta que no Paleolítico o Homem vivia em tribos, ou grupos, e de acordo com alguma literatura, que fez o estudo ao número de indivíduos em várias comunidades de primatas, cada tribo no Paleolítico tinha aproximadamente cerca de 200 indivíduos. É preciso assinalar que a xenofobia ou qualquer grupo-fobia foi de facto vantajosa no Paleolítico, daí a termos herdado evolutivamente, estando bem vincada no nosso sistema límbico. E a xenofobia foi vantajosa porque os da outra tribo (etnia ou grupo étnico; porque normalmente a um cristão devoto não lhe indigna ver um muçulmano louro de olhos azuis), eram estatisticamente aqueles que copulavam com as nossas fêmeas, raptavam as nossas crianças, roubavam os nossos recursos alimentares e ocupavam o nosso território. Se o Homem da atualidade, cívica e culturalmente evoluído e apetrechado com jurisdição que rege as relações internacionais, ainda é territorial, e tem-no plasmado no conceito de soberania territorial, muito mais territorial o eram os hominídeos no Paleolítico. Um bom exemplo é o caso das relações entre indivíduos de aldeias diferentes no meio rural, ou da relação de vários indivíduos de famílias diferentes na mesma aldeia. O "sangue" ao qual pertencemos, através da emoção, toma um papel extremamente importante nas decisões que tomamos. O nosso território deveria por conseguinte ser expurgado e protegido de ameaças exógenas, num tempo em que havia apenas barreiras naturais, e quando estas não existiam, restava ao Homem, a força, a violência e a agressividade, para que possa defender "a sua casa e os seus". Qualquer eventual compaixão de um membro do nosso grupo perante esses outros, deveria ser fervorosamente abolida e reprimida, em prol do interesse grupal. Daí por exemplo, a miscigenação, do ponto de vista estatístico, continuar a ser uma raridade no universo matrimonial, porque é contra-natura. 

Mas todavia já não nos indignamos contra os criadores do automóvel, mesmo que mate mais de um milhão de seres humanos por ano, incluindo obviamente os da nossa tribo, da nossa família, exatamente porque não havia automóveis no Paleolítico, da mesma forma que não nos indignamos contra os criadores da bomba atómica. Porém, ficamos temerosos perante vespas gigantes (que possuem veneno que poderia ser fatal), tememos eventuais situações noturnas em densas florestas enubladas (nos homens devido ao perigo eminente de ataque de fera ou de elementos de outra tribo; nas mulheres o mesmo, acrescentando-se ainda o medo latente de violação de um outro que "poluiria" o sangue da tribo), tememos por lidarmos com mortos (questões de salubridade na presença de cadáveres, por isso desde há cem mil anos que enterramos os mortos) ou por termos a sensação de que o nosso território está a ser invadido por outros indivíduos que não partilham connosco os mesmos traços físicos ou fenotípicos. Surge-nos então um sentimento irracional, proveniente do sistema límbico e catapultado na presença das massas, que nos transmite cumulativamente medo e ódio, perante esse referido invasor. À luz desse sentimento primário, juntamo-nos a exércitos arriscando a própria vida, pois em última análise estamos a salvar a pátria, cujo termo congénere no Paleolítico era apenas o território; mesmo que para salvar a pátria tenhamos de combater a milhares de quilómetros de casa, como fizeram os alemães em Estalinegrado ou como fazem agora os americanos na Coreia do Norte ou fizeram no Vietname. 

Um exemplo muito interessante de atestar na atualidade o legado do Paleolítico, é verificar que o turismo na Europa declinou abruptamente devido aos ataques terroristas, continuando todavia em alta no Brasil. Mas enquanto na Europa morreram 170 pessoas no ano passado devido a ataques terroristas, no Brasil existem 60 mil homicídios por ano. Pergunto-me então, o que é mais seguro para um americano, mediana e intelectualmente não muito prodigioso, e que passa o dia a visualizar a comunicação social para as massas, se visitar a Europa ou o Brasil. No Paleolítico a maioria dos assassinatos deveria ocorrer entre membros de tribos diferentes, tal como hoje continua a acontecer entre membros de famílias diferentes. Logo, a um estrangeiro, estatisticamente, é muito mais perigoso visitar o Brasil que a Europa, e todavia o turismo tem declinado bastante na Europa e não no Brasil. Outro exemplo é atestar que muitas pessoas têm medo de andar de avião, porque o meio natural do Homem é o solo, todavia o automóvel mata muito mais pessoas que a aviação, mesmo considerando mortes por quilómetro percorrido. O Paleolítico deixou-nos um legado psicológico, que é muito fácil de verificar no comportamento das massas.

Na civilização, a xenofobia é além de anacrónica, perigosa

A palavra civilização vem do Latim, civitas, ou seja, cidade. E de facto as cidades foram o berço da civilização, processo que se deu após a Revolução do Neolítico, quando o Homem descobriu a agricultura e passou a domesticar animais, tendo-se tornado sedentário. Ao tornar-se sedentário, pois já não precisava de migrar na busca de alimentos ao longo das diversas estações do ano, ou de seguir as rotas migratórias dos animais que caçava, o Homem, que antes vivia em clãs ou tribos, passou a viver em aldeias. Com o sedentarismo, surgiu a escrita, a arte, a lei, as primeiras profissões e a hierarquia institucionalizada. Mas no início do Neolítico, que ocorreu aproximadamente em 10.000 aC, apesar de já estar sedentário e ter meios de subsistência para o ano todo, o Homem ainda vivia em comunidades em aldeias, que partilhavam os mesmos traços étnicos. A tribo tinha apenas ficado sedentária. As primeiras cidades surgiram todavia apenas na Suméria em cerca de 5.500 aC., mas foram os clássicos gregos e romanos que deram às cidades, a noção de civilização que hoje conhecemos. Em Português temos palavras interessantes, que provêm desse étimo de cidade, como cívico, urbanidade ou civismo, qualidades que se exigem aos cidadãos ou políticos, ou seja, respetivamente os habitantes da cidade romana ou grega.

Com o surgimento das cidades por certo surgiu um problema muito delicado de gerir por parte do governador. Como lidar com a presença de pessoas de etnias ou clãs diferentes, que outrora viviam nas suas aldeias separadas? A religião e os costumes foram, de facto, os primeiros aglomeradores para a integração cultural. Os cristãos não eram bem vistos na Roma Antiga, essencialmente porque prestavam culto a um Deus que não representava os deuses oficiais do estado. O mesmo sentiam os judeus, quer na civilização grega, quer romana. Todavia, os romanos e gregos, com a sua noção clássica de Lei e Ordem, que de certa foram foram os pilares fundadores para o muito posterior estado de direito, conseguiram preservar amiúde a Paz nos territórios por si ocupados. As referidas leis romana e grega, estratificavam e discriminavam os habitantes em função da nacionalidade, do género, da riqueza pessoal ou da prestação de serviço militar, mas não o faziam normalmente em função da etnia. O cidadão na Grécia antiga era apenas o homem livre adulto e nascido na pólis. Na Roma antiga, em acréscimo, exigia-se ao cidadão o cumprimento do serviço militar. Mas sabe-se que na Roma antiga, uma forma de pacificar o Império, foi atribuir nacionalidade romana a todos os indivíduos das colónias, que eram nascidos de cidadão romano, normalmente militares destacados. Os mesmos critérios de atribuição de cidadania, eram normalmente válidos em todo o Império, independentemente da etnia. Obviamente que era difícil a alguém que nascesse escravo, obter a liberdade, mas não era raro que tal acontecesse. O mesmo para a civilização grega.

Com o surgimento das cidades e por conseguinte a civilização, surge então pela primeira vez a convivência regular de pessoas com traços fenotípicos e de etnias diferentes. Sentimentos xenófobos obviamente que sempre existiram, mesmo nas civilizações, mas normalmente foram sempre catapultados e usados por líderes demagogos para fazer a guerra entre as referidas cidades, tal como por exemplo as guerras púnicas entre Roma e Cartago, ou entre Esparta e Atenas. Mas o sentimento de pertença já não eram normalmente o fenotípico ou étnico, era normalmente o cultural ou religioso. Pela mesma razão os impérios Português e Espanhol, conseguiram expandir de forma tão eficaz a sua hegemonia cultural em povos com etnias tão distintas, ou seja, porque fizeram uso da religião. Pela mesma razão o Islão, espalhou-se de forma tão eficaz, de África à Indonésia. A cultura (em Alemão a palavra die Kultur tanto significa cultura como civilização), onde a religião tomou um papel fundamental, passou a ser o traço identitário de um povo, mesmo que o referido povo fosse, do ponto de vista étnico, bastante heterogéneo. Os sentimentos xenófobos, apesar de encontrarem os seus fundamentos nos traços fenotípicos de natureza étnica, passaram a ser canalizados para questões de natureza religiosa ou cultural, mesmo, paradoxalmente do ponto de vista evolutivo, entre pessoas da mesma etnia.

O que fez singrar a civilização, foi por conseguinte a imposição de Ordem e Lei, que para funcionarem de forma eficaz, tinham de preservar de forma o mais pacífica o quanto possível, a convivência no mesmo espaço público, de indivíduos de etnia diferentes, algo impensável no Paleolítico. Talvez para resolver este paradoxo evolutivo, é também no Neolítico que surge pela primeira vez a noção de propriedade privada. Posso conviver com o outro que abomino, mas a Ordem Cívica deve pelo menos garantir-me, um espaço que me pertence e onde o outro está interdito de entrar. Todavia, no espaço público, a convivência entre indivíduos de etnias diferentes, teve de ser uma condição essencial para a preservação da ordem pública. Caso assim não fosse, considerando que todos partilhavam a mesma cidade ou a mesma pólis, a guerra civil seria uma inevitabilidade, e por conseguinte a cidade, no caos, jamais conseguiria prosperar. Por conseguinte, com a criação da cidade, o sentimento xenófobo, apesar de ter sido positivo no Paleolítico, passou a ser contraprodutivo na cidade, tendo sido normalmente prostrado pela Lei. Posteriormente o Iluminismo e o Racionalismo, foram mais longe, ao introduzirem a Laicidade. Com a laicidade, a religião deixou de ser o cânone que molda os traços comuns que definem um povo, tendo obviamente ficado o seu legado. Mas o republicanismo precisou também do simbolismo para definir os ícones comuns dos membros que pertencem à mesma pátria, entre os quais, a figura quase deificada do presidente, a bandeira, o hino, e obviamente, normalmente a língua.

Já no início do século XX, com o surgimento das sociedades da comunicação e de propaganda, líderes extremamente astutos e demagógicos, conseguiram fazer uso do sentimento primário, que é a xenofobia, e que é exatamente catapultado pela presença de massas, para não só chegarem ao poder, mas para levar os seus países para a guerra. A história da Europa do século XX é um exemplo paradigmático, de tal mecanismo. Porque a comunicação para massas que difundem sentimentos xenófobos, terá sido o "alerta perante o invasor", que o nosso antepassado remoto no Paleolítico, por certo fazendo uso de berraria sonora, usaria para avisar a tribo, que estaríamos a ser invadidos. E perante esse estado de alerta, a nossa reação imediata só pode ser a agressividade e a violência, para estarmos preparados para uma feroz batalha para a defesa da nossa família e do nosso território. Mas se o nosso antepassado, com o seu estridente grito de alerta, conseguia avisar apenas as pessoas até onde o poder da sua voz alcançava, a comunicação social do séc. XX, conseguiu espalhar de forma nunca antes vista, a mensagem de alerta, deixando todo um povo em estado permanente de agressividade e prontidão. Este processo foi claro e evidente na Alemanha Nazi, ou na União Soviética Estalinista, e não muito diferente nos EUA, nos mecanismos que despoletaram o ódio do povo americano perante os povos cujo território os EUA invadiram.

A xenofobia continua em cada um de nós, que ninguém duvide. Como diz um provérbio japonês, é mais fácil mover rios e montanhas que a natureza humana. A xenofobia continua latente no nosso sistema límbico, a parte do nosso cérebro evolutivamente mais antiga, porque não destituímos um sentimento em 5 mil anos, que foi o resultado de pelo menos 200 mil anos de evolução. E perante um "grito de alerta", é-nos praticamente impossível não reagir. Resta-nos como seres civilizados, usarmos os nosso lobos frontais, e analisarmos de forma fria e crua, quão perigoso é de facto tal evento cujo o alerta denuncia. E perante o próximo, com traços fenotípicos diferentes dos nossos, devemos pensar cruamente que o referido indivíduo não é de todo perigoso, nem para nós, nem muito menos para a nossa tribo, e que por certo mais perigoso para todos nós, são as alterações climáticas ou o arsenal bélico das grandes potências. Mas esses, nunca foram um perigo no Paleolítico, e por isso, infelizmente, não os tememos na devida proporção.

Einstein: um europeísta e rebelde pacifista


Hoje li um livro comprado em Havana, presumivelmente de uma editora nacional cubana, de uma série sobre "vidas rebeldes", que abordava a vida de Albert Einstein. No livro faz-se em primeiro lugar uma crítica à revista Time, que apesar de fazer de Einstein na sua edição de 1999 a figura do século XX, tem perante a sua figura um ideal condescendente e quase idílico em relação ao cariz rebelde, pacifista e alegadamente socialista de uma das maiores, senão mesmo a maior, figura da Ciência do séc. XX. Por conseguinte, neste texto farei uma abordagem política à figura de Einstein e aos seus ideais, e não uma abordagem científica à sua obra.

Poucos sabem por exemplo que, desde que Einstein chegou aos EUA em dezembro de 1932, desde cedo começou a ser investigado quer pelo FBI, quer mais tarde pela CIA (criada em 1947), devido aos seus ideais alegadamente subversivos. O arquivo de Einstein junto do FBI e da CIA, chegou a conter cerca de 1800 páginas, que relatavam o seu quotidiano, considerando que o seu correio era inspecionado, as suas cartas eram lidas, os seus telefonemas escutados e o seu dia-a-dia vigiado. Recorde-se que apesar de Einstein nunca ter visitado a União Soviética e de ser um opositor ao Estalinismo, logo a seguir ao final da segunda grande guerra passou-se a viver em plena Guerra Fria e no período por alguns denominado de "caça às bruxas". Qualquer não alinhamento com a política militarista e nacionalista americana, poderia ser encarado como subversivo por parte das autoridades federais. E se tal poderia ser ignorado num cidadão comum sem voz, tal não poderia ser desconsiderado no mais importante cientista da época e laureado com o prémio Nobel da Física de 1921. Einstein apoiou várias organizações pacifistas, e apesar de ser um defensor da liberdade, dava muito pouco crédito à retórica capitalista do bem maior plasmado no "mercado livre". Defendeu o salário mínimo nacional para combater a pobreza e uma indústria regulada pelos estados, para o planeamento a longo prazo da economia em função das necessidades da sociedade. Condenou fortemente os bombardeamentos de Hiroxima e Nagasaki considerando-os desnecessários e que serviriam apenas a mera "querela politiqueira" entre os EUA e a União Soviética, considerando que a União Soviética tinha declarado guerra ao Japão e invadido a sua soberania continental no mesmo mês de agosto de 1945.

Era por conseguinte um opositor fervoroso do militarismo, do serviço militar obrigatório e do nacionalismo. Denominava o nacionalismo como "o sarampo da Humanidade" e o militarismo como "a mancha pestilenta da civilização". Referia que os estados, quando soberanos e providos de poder militar, invariavelmente conduziam o seu país à guerra, sendo que a questão não era se mas quando. Referia, como qualquer humanista, como em A Ameaça da Destruição Total (1947), que "o medo e a ansiedade gerais criam ódio e agressividade", e que num clima social dessa natureza "o pensamento humano, objetivo e inteligente não surte qualquer efeito, sendo mesmo suspeito e perseguido por ser não-patriótico". Por conseguinte, era mesmo opositor da total soberania nacional dos estados, defendendo um governo supranacional, ao qual os estados nacionais deveriam delegar parte da sua soberania, como forma de se preservar a já por Kant tão ansiada Paz Perpétua. Num artigo publicado em 1945, escreve:

"Temo eu a tirania de um governo mundial? Claro que sim. Mas temo ainda mais a chegada de mais uma guerra das guerras. É certo que qualquer governo é maléfico até certo ponto. Mas um governo mundial é preferível à mais suprema maléfica das guerras, particularmente com as suas massivas destruições." 

Todavia na época da Guerra Fria o desígnio de um governo mundial, mesmo que democraticamente eleito como defendia Einstein, era encarado no Ocidente como uma conspiração comunista, plasmada na profusa e difundida Internacional; já na União Soviética os apelos de Einstein mais não eram encarados como uma fachada para a imposição de um governo mundial de índole imperialista e capitalista dominado pela alta burguesia. Por isso, os apelos de Einstein, apesar da sua reputação, foram ignorados. E porque refiro eu então que Einstein era também europeísta e por conseguinte muito provavelmente um defensor da atual União Europeia? Em 1914, no início da Primeira Grande Guerra, noventa e três proeminentes intelectuais, artistas e clérigos alemães assinaram um Manifesto ao Mundo Civilizado onde justificavam que o militarismo alemão e a invasão da Alemanha à neutral Bélgica, serviria não só para preservar a cultura germânica mas também a cultura do mundo civilizado. Einstein, juntamente com apenas mais outros três cientistas, assina uma contra declaração, denominada Manifesto aos Europeus, onde apela para a criação de uma Liga de Europeus para que esta possa "fundir o continente num todo orgânico".

Não é a União Europeia o sonho supremo de Einstein, plasmado no seu manifesto de 1914? Uma Liga de Europeus, num "todo orgânico", democraticamente eleita, desprovida de capacidade militar e de exército, e que preservou a Paz na Europa durante os seus sessenta anos de regência? Mas não sejamos ingénuos, pois a República de Weimar durou apenas quinze anos, e foi corrompida pelo, denominado por Einstein, "lado negro" da civilização. Não tenhamos por conseguinte quaisquer dúvidas: enquanto a União Europeia existir, haverá Paz na Europa. Sem a União Europeia, com os nacionalismos exacerbados e catapultados pelo "medo e ansiedade", parafraseando Einstein e recordando a história europeia do séc. XX, a questão bélica na Europa será sempre quando e não se.

O socialismo motorizado



Um dos melhores indicadores para a qualidade de uma infraestrutura ou modo de transporte, havendo vários à disposição dos utilizadores, é de facto, a sua utilização e repartição modal, respetivamente, independentemente dos critérios burocráticos usados para mensurar a sua qualidade. É típico, por exemplo, um governo ou um município dizer que fez imensos investimentos em ciclovias, mas que por motivos culturais, climatéricos ou topográficos, as pessoas não usam a bicicleta. Ou o mesmo governo dizer que fez imensos investimentos em transportes públicos, mas porque as pessoas são "preguiçosas", não os usam e continuam a preferir o automóvel particular. Esquecem que a questão principal, normalmente nem é a cultural, a topográfica nem a climatérica. Caso os utilizadores tivessem à sua disposição uma infraestrutura ou modo de transporte, que fosse mais barato, seguro, conveniente e célere que o automóvel, usá-lo-iam. Mas caso o estado invista milhares de milhões em rodovia, como investiu no séc XX no Ocidente, de pouco valem os esforços financeiros na construção de ciclovias ou melhoramento em transportes coletivos, porque o sistema de transportes funciona como os produtos comerciais dentro de um determinado mercado, ou seja, os transportes competem e concorrem entre si, e os utilizadores e consumidores escolhem o que mais lhes convém para as suas necessidades em função dos fatores anteriormente referidos, como tempo, custo ou acessibilidade. 

Por isso, após anos de investigação nesta matéria, não tenho a menor dúvida, que no último século, no Ocidente, vivemos um verdadeiro socialismo motorizado, onde o Estado, numa visão tirânica e impositiva de mobilidade, praticamente forçou todos os consumidores a adotar o automóvel como meio de transporte, fazendo com que o sistema de transportes coletivos de passageiros, a bicicleta ou mesmo andar a pé, se tornassem ou mais perigosos ou menos competitivos. É por conseguinte um gigantesco paradoxo, que o país que mais aplicou tal socialismo motorizado, é aquele que se arroga mais liberal, ou seja, os EUA. Mas não é assim por exemplo na Holanda, um país liberal em vários domínios, mesmo no setor dos transportes. Mas não julgue o caro leitor que na Holanda o automóvel é impedido de circular, pelo contrário, há mais gente a usar o carro na Holanda que a bicicleta ou os transportes públicos. O que a Holanda simplesmente não faz, é bloquear quem quer que seja, de adotar a bicicleta como meio de transporte, pois aplica um modelo onde existe equilíbrio concorrencial entre os vários modos de transporte. E não há meio de transporte mais libertário que a bicicleta, na medida que não estamos dependentes da tirania fiscal do estado, nem do planeamento urbano que o estado impôs às cidades, com as suas avenidas e sentidos de circulação unicamente pensados na fluidez do tráfego motorizado. A cidade aumenta drasticamente a sua porosidade viária, quando nos sentamos em cima de um selim.

Capacidade de Corredor: definição no setor dos transportes


A Capacidade de Corredor, no setor dos transportes, faz referência à quantidade de pessoas  - e não de veículos, pois o objetivo nuclear da mobilidade de passageiros é transportar passageiros e não transportar meios de transporte - que se conseguem transportar por unidade de tempo ao longo de uma via de largura fixa. O seu conceito congénere na Física, é o fluxo. Considerando um caso particular dos meios de transportes que conhecemos e uma via com largura de 3,5 metros, o resultado é o que se vê na imagem, considerando as pessoas transportadas ao longo de uma hora.

A bicicleta tem por conseguinte uma capacidade de corredor sete vezes superior ao automóvel; o elétrico convencional onze vezes superior ao automóvel, e espantosamente, a ferrovia cinquenta vezes superior ao automóvel. Agora comparai na área metropolitana de Lisboa, os binómios da Autoestrada A5 vs. Linha de Cascais ou do IC19 vs. Linha ferroviária de Sintra. Isto quer dizer, que se os governos tivessem investido mais nos acessos ferroviários aos grandes centros urbanos e menos nos rodoviários, por certo, teríamos muito maior fluxo de pessoas, com muito menos trânsito e congestionamento e com muito menor impacto nas populações por onde essas vias passam.

Fonte: Changing course of urban transport, página 55; e
H. Botma and H. Papendrecht. 1991. Traffic Operation of Bicycle Traffic. In Transportation Research Record 1320.
TRB. Washington, D. C.: National Research Council, and based on GTZ calculations (2009).

Um lamento, um exemplo


Sobre a notícia do JN com o título "Cadastrado em fuga à GNR viola e mata rapariga de 18 anos", de 17 de março de 2017, lamento muito. Pobre rapariga, porque perdeu a vida. Porém, se andasse na via pública mais vestida, que aliás muitas outras raparigas da sua idade evitam fazer, ainda hoje estaria viva. Espero que sirva de exemplo, porque muitas vezes as raparigas dificultam a vida aos homens. As roupas servem justamente para a proteção decorosa de quem as utiliza.