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Por uma questão de dignidade, faça-se Lei


Não há palavra mais prostituída pela esquerda, que a palavra "dignidade". Mariana Mortágua, na demagogia que lhe é característica, refere que é um "ataque à dignidade dos professores", não lhes ser reconhecido retroativamente, todo o tempo em que as suas carreiras estiveram congeladas; leia-se portanto, é um ataque à dignidade dos professores, estes não receberem de capital mais umas centenas de euros por mês, por objetiva e rigorosamente nada, a não ser o facto de que o cronómetro do tempo, parafraseando António Costa, decorreu. Ou seja, para Mariana Mortágua, é um ataque à dignidade dos professores, o tempo passar, estes não prestarem quaisquer provas nem mostrarem objetivamente qualquer mérito, e não receberem aumentos pecuniários no final do mês em conformidade. Que os funcionários públicos se achem superiores aos demais trabalhadores, tal já é conhecido da praxis e das naturais e a-históricas dicotomias laborais; que Mariana Mortágua e todo clube do Bloco de Esquerda, liberal nos costumes e ultra-ortodoxo na Economia, considerem os funcionários públicos uma espécie de semideuses do Olimpo lusitano, tal também já é conhecido; mas não pude deixar de me indignar profundamente, quando Mariana Mortágua prostituiu de forma gritante uma nobre e humanista palavra, que sai da boca de um esquerdista de forma ainda mais leviana que a própria palavra "social": essa palavra é a "dignidade", ou seja, qualidade de ser digno. Assim, o Bloco de Esquerda apressar-se-á a legislar em conformidade, para desta forma sanar a falta de dignidade que o estado tem demonstrado pela sua classe de professores.

Mariana Mortágua, como qualquer publicitário, no meu entender, prostituiu de forma gritante a palavra dignidade. Desde quando é indigno para o ser humano, não lhe aumentarem o salário apenas pelo facto do tempo ter decorrido, sem que tivesse demonstrado qualquer mérito de forma objetiva? É isso indigno? Já Pacheco Pereira, no programa Quadratura do Círculo, referiu que o papel do estado, historicamente, era empregar pessoas para as tirar da miséria, e que pelos mesmos motivos históricos, seria normal um funcionário público auferir mais e ter mais benefícios que um trabalhador congénere do setor privado. Assim, para Pacheco Pereira, não só o estado deveria ter um papel caritativo de empregar todos os miseráveis e ineptos do país, à custa de todos obviamente e independentemente das suas qualificações ou méritos, como ainda estes miseráveis do funcionalismo público deveriam ter mais regalias que os demais trabalhadores. Pacheco Pereira demonstra assim defender o que de há mais medíocre e cristão, ideologicamente falando, nas políticas públicas e orçamentais. Não só o estado deve ajudar os mais fracos e oprimidos através do Estado Social, aliás princípio com o qual concordo em absoluto, como o estado deve ter o papel de empregar os miseráveis e oprimidos, mesmo que estes sejam incompetentes e ineptos para prestar serviços públicos aos cidadãos, porque um dos objetivo do estado, segundo o reputado historiador, é tirar pessoas da miséria enquanto entidade patronal. Pacheco Pereira não tem testículos políticos para o afirmar, mas na prática o que defende, é a conversão do Estado numa espécie de Santa Casa da Misericórdia socialista, mas sem a parte das apostas e do jogo, que isso seria estimular ao instinto mais lucrativo e primário que há no ser humano. Não prezado Pacheco Pereira, para solidariedade existe o estado social que já nos custa a todos uma boa maquia em percentagem do PIB. O estado como entidade patronal, deve empregar apenas os melhores, mais capazes e mais competentes, e não os medíocres e os oprimidos, para que os cidadãos possam ter serviços públicos de qualidade. Aliás é assim que funciona nos países ditos desenvolvidos.

A esquerda, assim como a direita, tal como um publicitário, são assim pródigos a prostituir o léxico. Deixem a esquerda governar consecutivamente por umas décadas, e os dicionários precisarão de se atualizar a cada dez anos. Ora reparai a título de exemplo neste sofisma ético-legal gritante, com a dicotomia entre prostituição e o salário mínimo. De acordo com o legislador, trabalhar por 400€ euros por mês é indigno e por conseguinte ilegal, mesmo que alguém o queira fazer por livre vontade, ou seja, mesmo que alguém queira livremente trabalhar por 400€ por mês, o legislador não o permite, a bem da dignidade da pessoa humana, como diria o prof. Louçã; já praticar o coito anal a troco de dinheiro, ou fazer felações diariamente para uma câmara de televisão, não é indigno, e por conseguinte, é legal! E o argumento eventualmente artístico da pornografia não colhe, pois a prostituição do quotidiano não é artística, é apenas a prestação de serviços sexuais a troco de dinheiro, algo legal e por conseguinte não indigno; ou pelo menos não indigno o suficiente para o legislador considerar ilegal. Mas a direita, principalmente a neoliberal que se associa a toda a seita financeira, também cria uma espécie de neo-língua, para usar uma expressão de Pedro Mexia, ao utilizar toda uma série de eufemismos para definir os membros da sua seita. O eufemismo que mais me enoja ouvir é o de "investidor". Seja usurário, onzeneiro, prestamista, agiota, cambista ou mero abutre financeiro, para um qualquer engravatado economista que fale na televisão, tal personagem será sempre catalogado como um "investidor", por conseguinte alguém a quem devemos, com toda a deferência e consideração, baixar as calças e de joelhos esticados observar com toda a minúcia os pormenores do soalho que o recebe! Recordo aos prezados economistas que as prostitutas, no meio onde se inserem, também nunca recebem o epíteto vulgar de puta; sendo que por norma, no meio, são catalogadas como meninas, raparigas, atrizes ou acompanhantes.

Rogo por conseguinte à "esquerdalhada", neologismo recém-criado e com mais de dez mil entradas no motor de busca mais renomeado, mais zelo na língua! Indigno é ser pobre e ter de vender o corpo para pagar a renda da casa, e o legislador não proíbe a prostituição. Indigno é ser pobre, ter tido uma infância carente de amor e afeto, e praticar o coito anal com vinte trogloditas em simultâneo em frente a uma câmara de vídeo de alta resolução, a troco de dinheiro, para gáudio primário de milhares de frustrados na Internet. E a pornografia não é ilegal! Indigno é não ter tido uma educação sexual estruturante, ser-se mentalmente débil e vulnerável, e recorrer-se vinte vezes a uma maternidade, onde historicamente se dava à luz e não se assassinavam entes indefesos, para fazer abortos consecutivos. E o aborto não é legal! Indigno não é, trabalhar nove anos sem apresentar qualquer mérito que o justifique, e não receber aumento salarial apenas porque o próprio acha que a tal tem direito. As palavras têm uma áurea, uma força semântica, um contexto, um significado, e os políticos são tão víboras quantos os advogados e publicitários, pois prostituem as palavras sempre que lhes aprouver. Usam-nas a bel-prazer, sempre que daí quiserem tirar proveito, e quando a palavra fica prostituída, depois de usada e abusada, passam para a próxima. Ora vejamos o exemplo sapiente dado por Daniel Oliveira, a propósito da Uber, mais uma empresa parasitária que faz uso das mesmas técnicas lexicais. Dantes quem trabalhava nas empresas eram os proletários, depois os operários e mais tarde os trabalhadores, visto que ser operário dá uma ar insalubre de óleo e maquinaria, e um doutor de escritório não pode sujar as mãos. Posteriormente surgiu o termo colaborador, visto que já não se trabalha nas empresas, considerando que as empresas presentemente são como as seitas pagãs, uma espécie de irmandade cujo objetivo final é lucro. Assim, quem trabalha nas empresas são os colaboradores, pois estes não operam nem trabalham, limitam-se a colaborar para um bem comum, o lucro. Mas a Uber já fez um upgrade ao léxico, pois veio referir que não tem colaboradores, a Uber tem parceiros. É a nova moda laboral, as empresas têm parceiros, tal como nas uniões de facto, mas sem troca de fluídos, apenas troca de serviços e capital. Todo este léxico, do proletário ao parceiro, é feito pelo capital e pelo patronato, porque ao longo da história foram prostituindo as palavras, ou as palavras foram carregando uma conotação pejorativa e por conseguinte foi necessário procurar outras mais puras. Mas que caralho? Não opera um condutor da Uber um veículo automóvel? Logo, se as mais basilares regas da semântica e da sintaxe fossem tidas em consideração, um motorista que opera para a Uber seria tão-somente um operário, ou seja, aquele que opera um veículo automóvel, visto que parceiros normalmente só se houver leito partilhado.

Claro que a língua evolui, semântica e sintaticamente, e diria até que evolui mais rapidamente na semântica do que na sintaxe! Como evoluiu a palavra Amor, primeiramente apenas com um significado platónico, filosófico, associado ao Bem e ao Belo, posteriormente deturpado por poetas marialvas, que ao galantearem o alvo, "faziam o amor", e posteriormente completamente deturpado, considerando que fazer o amor presentemente implica obrigatoriamente o concúbito. Mas se hoje se confunde amor com paixão, se se confunde amor com desejo, se se confunde amor com volúpia, se se confunde amor com luxúria ou se se confunde amor com concupiscência; a língua ficou por conseguinte mais pobre, porque já não temos qualquer vocábulo para definir o amor, no sentido platónico e etimológico do termo. Vimo-nos obrigados assim, a adjetivar o amor, referindo que tal amor, para ser puro e cândido, tem de ser platónico, quando inicialmente qualquer amor, era platónico e não-carnal por defeito. Aliás, os cristãos mais tradicionais conhecem bem esse termo, ao se referirem ao amor a Cristo. Os políticos são assim como as víboras, carregam veneno hemotóxico na língua que espalham pela vox populi, envenenam e conspurcam as dicções desprovendo-as da sua candura, do seu significado etimológico. Cabe aos linguistas, aos escritores, aos filósofos e aos jornalistas, serem os guardiões do léxico, qual virgem que merece ser protegida de uma manada exaltada e sexualmente sublimada de trogloditas demagógicos que a querem estuprar, em si lamber-se e abusar, para depois sem qualquer pejo ou consideração, passarem para uma próxima vítima lexical. Políticos e publicitários são assim do que há de mais execrável e nojento na sociedade no domínio da semântica. Têm tanto respeito pela semântica, quanto Goebbels tinha por rabinos. Merecem assim o meu desprezo, a minha sátira, o meu escárnio e o meu sarcasmo.

Sousa Tavares, um boçal pequeno-burguês filho da Poetisa


Sousa Tavares, em mais uma genial verborreia retórica, e porque propala as suas ideias no jornal da noite, cujo público alvo obedece ao que pensa a vox populi, debitou, qual penedo falante, mais uma série de preconceitos contra o turismo e contra a mobilidade ativa, não tendo os transportes públicos sequer fugido à voraz saga visceral do "comentador". Começa, na referida peça por – e bem – dizer que Lisboa tem um problema de excesso de automóveis, para, poucos segundos mais à frente, referir que Medina "declarou uma guerra total ao automóvel" (sic). Oh Tavares, como é que se combate o automóvel sem prejudicar os automobilistas? Também ficamos a saber com a referida "peça", que Tavares considera inaceitável, que havendo em Alcântara, a "sua zona", quatro cervejarias, que uma das referidas cervejarias tenha fechado. Um verdadeiro escândalo, que na sua sanha, só pode ser culpa ou dos turistas ou dos ciclistas, o fecho de uma das quatro cervejarias onde Tavares deglutia o líquido herético para os seguidores do Islão; pois os lisboetas, apenas se deslocam às cervejarias, alegadamente, de automóvel. O clássico anátema civilizacional do "se conduzir não beba", é sobejamente olvidado pelo filho da magna Poetisa de ascendência dinamarquesa.

Tavares também se indignou, de forma exacerbada, com as restantes preocupações de pequeno-burguês motorizado, ao considerar que "Lisboa é só para turistas", como se as zonas nobres da cidades estivessem vedadas aos lisboetas, e que os autóctones na capital do Império não passassem de párias e excomungados sem o sacro direito ao usufruto da cidade que viu partir as caravelas. Por fim, Tavares fica extremamente indignado com a inaceitável e intolerável fila para a compra dos pasteis de nata em Belém, um verdadeiro escândalo lesa-pátria, visto que a referida pastelaria está inundada de turistas, dando a entender Tavares, que os naturais do burgo, qual apartheid pós-moderno, estão interditos por bula papal de degustar tal doçaria conventual. O que Tavares não referiu, num processo de memória seletiva que Freud tão bem explicaria, é que a grande maioria dos turistas, tal como nos seus países civilizados de origem, usa os transportes coletivos para deslocações urbanas, e para confirmar tal proposição, basta andar em Lisboa de autocarro durante a época estival. O luso, cavernícola e com salários a tanger os de Casablanca, enche as rodovias urbanas com os seus enlatados onerosos, poluidores, espaçosos e ruidosos importados da Alemanha, já o Alemão, entre o Cais do Sodré e o Parque das Nações, usa o 728. É a egrégia simbiose entre o catolicismo mediterrânico de pacotilha e o socialismo motorizado egocomodista da pequeno-burguesia nova-rica pós-Abril, tão bem plasmado na retórica preconceituosa de Tavares. O Alemão, o Dinamarquês ou o Francês, assim com os lisboetas cosmopolitas que bem conhecem o conceito de cidade, andam a pé, de transportes públicos e de bicicleta. Já Tavares, um homem que afirma com pompa em público que gosta de uma boa caçada e de uma boa tourada, daquelas mesmo à espanhola – não me refiro ao sexo intermamário, mas à lide – daquelas em que o animal sangra na arena até morrer, para gáudio dos animais que a observam, considera Tavares, qual pequeno-burguês egocomodista que só se desloca sobre quatro-rodas, que a cidade lhe "está vedada"; como se para chegar ao Cais do Sodré, épico local lisbonês onde marinheiros e marialvas afagavam epidermes curvilíneas, tivesse de cruzar fronteiras altamente vigiadas entre as freguesias da cidade, e invadir por conseguinte a soberania territorial de Santa Maria Maior.

Oh Tavares, e que tal andares, tal como os teus antepassados no meio rural andavam nem há muitas décadas, e como o Homem se locomove desde que é Homem, ou seja, a pé? E que tal apanhares um táxi, ou um uber, tal como fazia o também burguês Vasco Polido Valente, quando às sextas-feiras viajava entre o Gambrinos no centro da cidade e os estúdios de Queluz da TVI, para deleite retórico-luxuriante de Moura Guedes? Com tanta sapiência que propalas em horário nobre, que é tão nobre na TV quão José Castelo Branco é nobre para a monarquia britânica, por certo que não seria assim tão oneroso apanhares um táxi para ires até à tua cervejaria favorita em Alcântara, na "tua zona". Achar que uma cidade se devolve aos cidadãos, aos naturais, com mais acessos rodoviários e mais carros, é como acreditar que a frequência de masturbação dos rapazes se mensura pela topografia das palmas das suas mãos. E a av. Duque d'Ávila, Tavares, não te diz nada? Uma artéria que restringiu fortemente o tráfego automóvel, e que por conseguinte, o seu comércio fervilha e foi deveras incrementado, tendo mais pessoas de terceira idade e "ociosos" a desfrutar do espaço público. E a Rua Augusta, não te diz nada Tavares, pecado mortal na retórica tavariana, pois além de estar repleta de turistas, não permite tráfego motorizado? Quantos comerciantes gostariam de ter a sua loja na Rua Augusta, Tavares? Já na rua Morais Soares, que mais parece uma rua de Mogadíscio nos anos 60 do precedente século, um nojo viário repleto de lataria no passeio e com rodovias a invejar a quinta avenida noviorquina, tal a largura concedida a esse tirano pós-moderno ao qual nos devemos sacrificar, denominado de "tráfego"; já na Morais Soares, fecham lojas todas as semanas. Até aprecio, confesso, ouvir Tavares a falar de política internacional, mas quando a "peça" vocifera para se pronunciar sobre caça, touradas, futebol ou bicicletas, cria-se uma ligação neuronal direta entre os seus intestinos e os lobos frontais, e tudo o que difunde doravante por aquele canal oral de putativo escritor, é apenas ódio e preconceito. Que fazer? O populismo está na moda!

Entender os casos em Alemão (parte II) - o Hino do Brasil


Noutro texto havia explicado, de modo geral, o motivo da existência dos casos em Alemão. De forma sintética pode-se dizer, que em Alemão, tal como por exemplo no Latim, nas línguas Eslavas ou no Grego, os casos, fazendo uso de declinações, servem para assinalar a função sintática da palavra; isto é, se a dita palavra ou conjunto de palavras representam o sujeito, o complemente direto, complemente indireto, etc. Tal mecânica sintática, permite atribuir maior liberdade à posição das palavras, sem que o significado da oração se torne críptico. Embora em Português, a regra da posição das palavras seja menos restrita, fica por vezes complexo identificar numa determinada frase, a função sintática de cada uma das palavras, quando estas fogem à ordem a qual estamos habituados a ouvir.

Um caso que acho muito interessante refere-se à letra do hino do Brasil, mais particularmente às duas primeiras estrofes:
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heroico o brado retumbante
Faço uma pergunta ao caro leitor: consegue de forma imediata, identificar nos versos acima, o sujeito, o complemento direito e indireto? Caso todavia reordenemos as palavras para a posição mais comum que têm considerando as suas funções sintáticas, fica mais fácil a compreensão da oração:
As margens plácidas do Ipiranga ouviram 
o brado retumbante de um povo heroico 
É um clássico na Poesia, reordenar o sentido normal das palavras, sendo que a língua Portuguesa é muito flexível no que toca às regras para as posições das palavras, como se constata nos dois versos acima. Mas também é um facto que quando reordenamos uma frase em Português, tornamo-la por vezes críptica ou em certos casos quase impercetível. Ora vejamos um exemplo. Nas seguintes frases com o mesmo significado, quantas combinações sintáticas podemos estabelecer sem alterar o significado da oração. 
Posso recomendar-te uma boa bicicleta
Uma boa bicicleta posso recomendar-te
Recomendar-te posso uma boa bicicleta
Uma bicicleta boa recomendar-te posso
Em Alemão, pelo facto de se fazer uso de casos com declinações, as frases, mesmo reordenadas, ficam sempre claras. Não esquecer todavia que em Alemão, o verbo surge sempre na segunda posição.
Ich kann dir ein gutes Fahrrad empfehlen
Ich kann ein gutes Fahrrad dir empfehlen
Ein gutes Fahrrad kann ich dir empfehlen
Dir kann ich ein gutes Fahrrad empfehlen
Embora alguns dos exemplos acima sejam menos usados, estão gramaticalmente corretos e são claros não levantando ambiguidade. Os casos, tal como no Latim, têm assim a vantagem sintática, de permitir maior combinatória das diversas palavras numa determinada oração, sem perda inerente de clareza. No exemplo acima, o nominativo, ou seja, sujeito, é a palavra "eu" (Ich), o verbo é "poder recomendar" (empfehlen können), "a bicicleta" é o predicado, complemente ou objeto direto, estando assim no acusativo (das Fahrrad); sendo "tu" (dir), o complemente ou objeto indireto, estando logo no dativo.

Voltando ao exemplo inicial do Hino do Brasil, podemos assim referir que "as margens", sendo o sujeito, estariam no nominativo; "o brado retumbante" no acusativo; e quer o "Ipiranga", quer o povo heróico estariam no genitivo, pois fazem referência a posse, ou seja, possuem respetivamente "as margens" e "o brado retumbante". Assim, uma tradução possível para Alemão seria:
Die gelassene Ufer des Ipirangas hörten
den dröhnenden Schrei eines heroischen Volks
Considerando que grito em Alemão, tal como em Português, é uma palavra masculina (der Schrei), fica no caso acusativo den Schrei. Repare-se como em Ipiranga, adiciona-se a letra [s] no final, para se fornecer o caso genitivo, um pouco como em Inglês com o [s] seguido de apóstrofo; tendo eu assumido neste caso que Ipiranga seria uma palavra masculina, pois é um riacho (der Wasserlauf). Já no caso da palavra "povo" (das Volk), não basta adicionar o [s] no final, considerando que a palavra é antecedida do artigo indefinido "um" (ein), e como em Alemão a declinação faz-se, para cada caso, quer no artigo, quer no adjetivo (neste caso heroisch), quer no nome, fica então neste caso eines heroischen Volks. 

Recorde-se a parte I deste artigo onde apresento a tabela para as diferentes combinações para os artigos, adjetivos e nomes, em função de género, caso e número. Agora, havendo declinação para cada palavra, considerando a respetiva função sintática, pode-se então reordenar as palavras dos dois versos, sem perda de sentido, respeitando assim o espírito original da letra do Hino do Brasil.
Des Ipirangas hörten die gelassene Ufer
eines heroischen Volks den dröhnenden Schrei

Entender os casos em Alemão


Artigos definidos, indefinidos, possessivos e sem artigo

Artigo definido, sem artigo, artigo indefinido e artigo possessivo,
para os quatro casos, os três géneros, singular e plural; em Alemão

Um dos problemas para quem aprende Alemão, é tentar entender os quatro diferentes casos, ou seja, nominativo, acusativo, dativo ou genitivo. Segundo a minha professora de Alemão, esta tabela, é aquela sobre a qual todo o estudante de Alemão deve observar e refletir por uns minutos todos os dias antes de adormecer. Uma regra geral para perceber como funcionam os casos pode ser geralmente pensar que o nominativo aplica-se ao sujeito; o acusativo aplica-se ao complemento/objeto direto; o dativo ao complemento/objeto indireto e o genitivo ao objeto de posse do sujeito.

      Os poemas do escritor são escritos com uma caneta para a sua amada

Nominativo
O que é que é escrito (do verbo ser escrito)? Qual é o sujeito principal que aplica a ação (o verbo) ser escrito? Os poemas, logo "os poemas" está no caso nominativo.

Acusativo
São escritos para quem, ou para quê? Qual é o complemento direto da ação de ser escrito? A sua amada, pois é a ela que são escritos os poemas, logo a sua amada está no caso acusativo.

Dativo
O que é que auxilia ou complementa de forma indireta a ação de escrever? O complemento indireto, ou seja, a caneta. Logo a caneta está no caso dativo.

Genitivo
Os poemas são de quem? Qual a entidade que possui o sujeito? O escritor, logo o escritor está no caso genitivo.

      Die Gedichte des Schriftstellers sind mit einem Stift für seine Geliebte geschrieben

Os poemas (Die Gedichte), está no plural e no nominativo, usando-se o artigo definido (os, Die). Olhando para a tabela lá de cima, verifica-se então que fica apenas Die. A sua amada (seine Gelibte) como verificámos está no acusativo, e como é um nome feminino e se faz uso do artigo possessivo aplicando a tabela, vamos ao caso acusativo e género feminino e ficamos com seine (a tabela mostra apenas "meu"). A caneta (der Stift), ou melhor uma caneta (ein Stift), verificámos que estava no caso dativo, e considerando que se trata de um nome masculino e usamos aqui o artigo indefinido (uma, ein), observando a tabela fica-se com einem Stift. O escritor (der Schriftsteller), ou melhor "do escritor", não esquecendo que a palavra do é a contração entre "de" e "o", verificámos que está no caso genitivo. Como é um nome masculino, e se faz uso do artigo definido "o", observando a tabela ficamos com des Schriftstellers.

O mesmo princípio se aplica aos adjetivos associados aos nomes, que mudam em função dos casos, tal como consta na tabela acima, mas por questões de simplicidade, não exemplificarei. Em Português, os adjetivos mudam apenas em função do género e do número do nome, ou seja por exemplo "belo gato", "belos gatos", "bela gata", "belas gatas". Mas em Alemão, como pode ser observado, os adjetivos mudam em função do género, do número e do caso. Há todavia formas mais fáceis em Alemão de saber automaticamente qual o caso que devemos aplicar, em função das preposições.

Acusativo

      bis, durch, für, gegen, ohne, um

Dativo

      ab, aus, bei, mit, nach, seit, von, zu

Com as outras preposições como in ou über, tal dependerá do contexto da frase, podendo ser acusativo ou dativo.


Pronomes pessoais

Tabela de pronomes pessoais para diferentes pessoas, número e caso.

Na língua portuguesa restam uns resquícios da alguns casos, principalmente nos pronomes pessoais. Ninguém em português diz "com tu", mas sim contigo. O "tigo" é de certa forma o equivalente ao dativo da língua portuguesa para o "tu". Em Alemão diz-se mit dir. pois a segunda pessoa do singular du, como se segue à preposição mit, está no dativo. Em Português ninguém diz "para tu" mas sim para ti. O ti, é um resquício do caso acusativo do pronome pessoal tu. Equivalentemente diz-se em Alemão für dich pois segue-se à preposição für.

Fala POESIA


Após uma mensagem-e que recebi na caixa de correio, sobre uma tertúlia de poesia no Parque das Nações, decidi querer participar e lá fui eu com a Nádia e o meu Latim, declamar Poesia lasciva e de intervenção para o restaurante Adamastor, junto à Marina do Parque das Nações, numa iniciativa apoiada pela Associação de Moradores e Comerciantes do Parque das Nações (AMCPN). Como o tema era Fernando Pessoa, ou como referia o cartaz do evento "na senda da Pessoa de Fernando", declamei esse magno Poeta lusitano juntamente com alguns dos meus poemas.

Assim, de cor, lembro-me de ter declamado:
  • Intervalo - Fernando Pessoa
  • Poema ao 25 de Abril - um poema meu de intervenção
  • A anatomia da Europa - um poema meu inspirado no início da Mensagem de Fernando Pessoa, como homenagem a um continente que atravessa uma crise económica, cuja origem se deve a ataques exógenos

Vede a informação e as fotos do evento no sítio da AMCPN

Emanuel Carmo Vitorino, um CALOTEIRO


Pois serei frontal e direto e conto-vos em cinco tópicos a minha história perante a justiça (à) portuguesa:
  1. Fui burlado em 750€ num contrato de edição de um livro, em setembro de 2007 por um senhor chamado Emanuel Carmo Vitorino, licenciado em filosofia, com o NIF 224980940, editor e escritor de vários livros e dono de uma tal Magna Editora. Vede contrato ao lado!
  2. Recorri aos Julgados de Paz de Lisboa, o senhor em apreço nunca se manifestou, e ganhei o processo. Tendo recorrido aos Julgados de Paz livrei-me felizmente dos abutres dos advogados. Percebo agora porque é que o bastonário da ordem dos advogados está constantemente contra os Julgados de Paz; vejam lá que a justiça neste sistema até é célere e gratuita, mas como se prescinde de advogados, o bastonário naturalmente tece diversas críticas contra este sistema. O processo foi-me completamente gratuito pois ganhei-o (naturalmente eu tinha razão porque fui burlado).
  3. Tendo ganho o processo, tive de me dirigir ao Tribunal das execuções, sito no Parque das Nações em Lisboa, para que se procedesse à penhora dos bens do burlão. Depois de preencher um monte de papelada burocrática infindável, depois de pagar algumas dezenas de euros em custas para avançar com o processo, dizem-me que "Agora é só agurdar"
  4. Recebo uma carta em casa de um tal solicitador João Carvalho, apenas com um NIB, para que eu faça uma transferência de 150€ para poder, segundo este, avançar com o processo de execução.
  5. Paguei e Esperei, Esperei demais e Desesperei, contando-vos agora o que se passou! Já lá vão mais de quatro anos numa burla que ronda os 750€! Com custas judiciais, com o que paguei ao solicitador e com o que fui burlado, já perdi 1000€. Já recebi, depois de muito esforço e tempo despendido: ZERO €
Moral da História (em outros cinco pontos):
  1. os Julgados de Paz são céleres, completamente gratuitos (se ganhar o caso), e os seus funcionários judiciais são extremamente prestáveis, simpáticos e diligentes, desde o juíz de Paz até o funcionário judicial que nos recebe pela primeira vez.
  2. os advogados são uns abutres, e percebe-se porque é que Marinho Pinto, atual bastonário, está insistentemente contra os Julgados de Paz: porque para o cidadão é célere e gratuito, mas como se prescinde de advogado não interessa. Esta lógica é típica de muitas classes elitistas que definham o país, ou seja, assim como o Ministério da Educação não serve para ensinar os alunos, mas segundo Mário Nogueira, deve servir para satisfazer os professores, a Justiça em Portugal não deve servir para facilitar a vida aos cidadãos e ser célere, deve existir para dar emprego aos advogados!
  3. os solicitadores ainda são mais abutres; pois a única coisa que fazem é sacar dinheiro aos lesados, e se não os pressionamos; nunca veremos, nem o dinheiro que lhes pagámos, nem o dinheiro em que fomos lesados
  4. nunca deixem de publicar a todos, sobre quaisquer meios, incluindo blogues, e de manchar e macular o nome de todos os burlões, vigaristas e corruptos; aquando se comprovem sem quaisquer dúvidas os factos consumados
  5. Última conclusão: em Portugal, o crime económico compensa

Viva a República, Viva Portugal
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Atualização - 
mensagem-e enviada pelo solicitador João Carvalho, após me ter dito que o executado não tem património nem trabalha; e após eu, considerando tais factos, ter pedido o reembolso dos montantes que lhe já havia pago.

Exmo. Senhor
Eng. João Pimentel Ferreira

Em resposta ao seu mail venho dizer que não há lugar à restituição de qualquer valor pago, por o mesmo corresponder aos honorários da 1ª fase do processo e corresponder às buscas e consequente tramitação do processo até à penhora - Portaria nº 331-B/2009 de 30 de Março. Assim, o processo vai continuar a ser tramitado nos termos estipulados no Código Processo Civil, pelo que, em face da sua comunicação, será extinto nos termos do art. 919º do CPC.
Com os meus cumprimentos

João Carvalho
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Segunda atualização - depois de muito tempo dispendido e sem qualquer resposta por parte do solicitador, depois de muitos telefonemas, e muito antes de ter requerido a cessação das diligências que culminaram na mensagem anterior, senti-me exalatdo e enviei-lhe uma mensagem um pouco mais indelicada, cuja resposta e contra-resposta recebi agora e vos apresento

From: João Pimentel Ferreira
Sent: Tuesday, December 20, 2011 3:37 PM
To: [email protected]
Subject: Processo cujo executado é Emanuel Carmo Vitorino, NIF 224980270

Exmo. Dr. João Carvalho


DEIXEMO-NOS DE EMBÓFIAS E SEJA FRONTAL E DIRECTO, RESPONDENDO-ME SFF A ESTE EMAIL!!!! (ao contrário do que tem feito)


Faço referência ao processo em que eu (João Filipe Oliveira Lopes Pimentel Ferreira) sou mandatário, e cujo executado é Emanuel Carmo Vitorino.


Peço-lhe a mais elevada das frontalidades e deixe-se de rodeios: tenho alguma hipótese de reaver o montante no qual fui prejudicado?

DUAS OPÇÕES:

Se sim: SEJA DILIGENTE
Se não: DEVOLVA-ME A GUITA DE VOLTA!!!

Com os melhores cumprimentos


João Pimentel Ferreira

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No dia 21 de Dezembro de 2011 17:05, João Carvalho [email protected] escreveu:

Venho informar que este mail ora em resposta vai ser eliminado por falta de identificação do processo assim como pela manifesta falta de educação do emitente para além de conter afirmações que não correspondem à realidade, ainda que possa ser por ignorância.

João Carvalho

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Exmo. Sr. Dr. João Carvalho

O emitente da mensagem anterior, sente-se deveras exaltado e mui revoltado, como deverá calcular, pela situação presente, e obviamente pelas diligências claramente deficitárias desenvolvidas por V. Exa. no que concernce ao Proc. Int. - PE/7094/2009; Proc. Trib. -17183/09.7YYLSB; cujo Exequente é João Filipe Oliveira Lopes Pimentel Ferreira; e cujo Executado é Emanuel Carmo Vitorino.


Bem sei que o montante pecuniário em apreço é reduzido, mas tal não justifica o facto de apenas hoje, um qualquer dia do Senhor do mês de Dezembro de 2011, vários meses após o pagamento e o início do processo de execução, me ter referido que o executado é praticamente um indigente, e após me referir que no cumprimentos da alínea a) do n.º 5 do art.º 15.º da Portaria nº 331-B/2009 de 30 de Março, não há lugar a qualquer restituição.


Como V. Exa. calculará, após ter sido burlado em 750€, e referindo-lhe com veemência que as minhas condições financeiras são parcas, e como cidadão de bem, cumpridor dos seus deveres perante a justiça, após recorrer aos meios judiciais competentes, recebo hoje a magna notícia, que depois de muito tempo e esforço despendidos, e de 1000€ aproximadamente em que fui lesado, vou ter como reembolso ZERO €.


Pois Exmo. Sr. Dr. João Carvalho; foram estes factos deveras inqualificáveis no que concerne à violação dos princípio mais basilares da justiça que degeneraram na indelicadeza da mensagem anterior. Por tal facto, aceite as minhas mais decorosas desculpas.


Um Santo Natal para si e para os Seus.


Faça-se Justiça (nem que seja divina que a dos homens não lhe merece o título)


Com os melhores cumprimentos


João Pimentel Ferreira


Livros


Os livros que compro não os leio
Os que escrevo, não os vendo
Há poucos livros que pretendo
ler: não constam do meu recheio

Nunca li um livro inteiro,
nem um que fosse estupendo,
nem nunca me arrependo
de deixar um livro a meio

Descartes nada sabia,
eu só sei que nunca li
os sonetos da Poesia

que ontem não redigi
Só me peço: um por dia
E em três anos, mil escrevi

__

Cada livro é uma mulher
e como polígamo não sou
leio apenas quem me amou
livro-me de quem não me quer

Leio o livro que me aprouver
pois livre sou, foi o livro quem libertou
o homem que se acorrentou
ao livro augusto que está por escrever

Um livro é um processo
Neófito é quem o lê
É um caminho sem regresso

Baptiza quem nele não crê
e no Saber será submerso
é um ícone sacral da Fé

__

Leio a Bíblia e o Corão
Os lusíadas e Fausto
Nunca fico exausto
com o evangelho de João

Escrevo com a destra mão
ao negar o holocausto
A liberdade é o meu hausto
Sou canhoto no coração

De Voltaire, leio o seu Cândido
de Dante, a Comédia
leio todo o livro lânguido

com luxúria e com tragédia
Da Poiesis estou imbuído
Sou a Magna Enciclopédia

Vida de POeTA


É o Poeta o arauto da verdade
Aquele que busca o império do saber
Quando escreve não há segredos que guarde
E descodifica-os ao mundo quem quiser

Vive num estado de mendicidade
Um pedinte do Amor sem o ser
Quando escreve não há Demo que o entrave
Tem o léxico de Deus para se entreter

Vaga pelos sonhos da Veracidade
É um mago, um filósofo dos sentidos
Domina os ministérios da saudade

O Neófito dos segredos mais antigos
Das letras, criará uma irmandade
E guarda o Graal, legado por tempos idos

__

Escreve o código doutrinal das emoções
Que rege o coração do ser humano
Escreve sobre paixão e tentações
Interpreta-as o mago, lê o profano

Escreve a magia sacral das ilusões
que irradia a frágil alma do mundano
E não há quem escreva sobre as suas sensações
pois o que escreve atenta o déspota e o tirano

É o árabe, o sufista e o Profeta
O Neófito, a República e o Mação
A Verdade é a sua magna meta

Nela crê, com em Deus faz um cristão
É esta a doce seiva do Poeta
A trindade, o Buda, a Meca do Islão.

__

O Poeta é um doce sonho adormecido
Um sonâmbulo, que acorda, para a magia
E um desamor torna-o num animal ferido
Sendo esta a chama, que lhe dá fogo à vida.

É um literato, um mundano, homem vivido
Oscila entre o tédio e a alegria
Fera feroz, um mero gatinho querido
É o divo, que professa a nostalgia

Escreve sobre o sangue primordial
É um filósofo da dita razão pura
Empirista ou noctívago racional

Que na noite atenta a ditadura
E se vê a volúpia feminina divinal
Dita-a nos quadris, essa carne tenra que fura.

__

O Poeta é um vadio que não quer
ser mais uma besta vã que procria
O Poeta é Atena, é uma Mulher
que dá à luz o tédio e a alegria

Criem-lhe antas quem depois vier
É um cadáver adiado que irradia
a eterna chama do caracter
que prolonga a noite, e encurta o dia.

O Poeta é uma anta por provir
que das letras concebe um mundo novo
Faz-vos chorar, aclama a noite, e faz-vos rir

É quem concede, o livre arbítrio ao povo
Creio em Deus, e no Cristo que há-de vir
E é por estes nobres ideários que me movo!

A metafísica da oração


Nada é tão belo como a verdade, só a verdade nos serve
          Boileau

É o Poeta um animal ou um ser divino?

Questionar-se-ão os caros leitores sobre a epígrafe do texto que apresento. Cada vez que escrevo mais, à medida que a idade avança e ainda sou trintenário, a escrita é mais prosaica e menos poética. A idade concede-nos a razão, a maturidade e a sensatez. As hormonas já não fulguram como nos tempos joviais da adolescência e o amor, funestamente inspirado pelos filósofos germanos, reduziu-se a uma abrangência tão redutora que funciona sempre em prol desse ente maior denominado espécie.

O poeta, como referi em tempos, é uma besta, um poeta é um animal, um poeta é uma POeTA quando a letra ‘o’ se pronuncia como a letra ‘u’ como no caso da palavra poeta. Um poeta é um animal sexual, sexista, sensual e que engrandece e torna magnânimo fenómenos meramente físico-químicos e biológicos tão redutores como o amor. O amor é na realidade aquela energia primária que faz com a espécie humana tenha continuidade. O amor é tão-somente aquele instinto primordial degenerado das hormonas e da nossa vontade de procriação. A espécie incute-nos a continuidade, somos apenas indivíduos unitários escravos da espécie. Tudo o que fazemos, fazemo-lo conscientemente crendo que estamos a elevar o amor, quando na realidade limitamo-nos a cumprir o que a espécie nos preconizou. Amamos não porque estamos puerilmente apaixonados, mas só porque a espécie considera que daremos à luz vigorosos e saudáveis novos seres. Quanto mais fecunda é a nossa união, mais intenso é o nosso amor. É por isso que nos atrai a juventude, a jovialidade, as mamas grandes nas mulheres, a coragem nos homens, as ancas delineadas nas mulheres, a musculatura nos homens, a sensatez nas mulheres, a ousadia nos homens, porque são tudo sinais indeléveis de proficuidade germinal humana que o nosso subconsciente reconhece. Inspiro-me em Schopenhauer que ando a ler. É realmente um filósofo grandioso e magno, mas bem sei que o Demo me fez ler este livro com o intuito de tornar redutor os meus magnos sentimentos poéticos. O livro não me surgiu do nada, o Demo presenteou-me com o livro e a minha curiosidade nata absorveu-o pois adoro absorver a cultura filosófica germânica.

Já sabemos que o poeta não é mais que um animal, não é mais que uma besta primária que age racionalmente para atingir os seus objectivos animalescos. É por isso que o homem executivo se exibe com um fato e gravata, é para demonstrar aos demais que é superior e que com esta superioridade social pode copular com o maior número de mulheres possível, tal como faz um pavão ao abrir as penas, ou como faz o bode da montanha quando exibe os seus austeros e viris chifres. O poeta apenas grafa de forma elaborada os sentimentos mais primários. O poeta apenas grafa para a posterioridade os sentimentos que a espécie lhe incutiu em tempos com um legado de sete milhões de anos. Mas quando é que houve o divino sinal?

Meu caro Schopenhauer, um poeta é mais que uma besta, pois nunca uma mosca escreveu um soneto.

Um poeta é a mais elevada consagração do divino pois concilia o lado bestial e animalesco do homem plasmado na natureza, com a mais pura, complexa, elaborada, labiríntica e poderosa mente humana. Por muito primário que eu seja quando redijo um soneto a uma mulher eslava, não me cinjo a colocar o falo erecto de fora da indumentária bem visível e a tentar estuprá-la em troca de um pedaço de carne quase putrefacta que havia caçado. Por muito primário que eu seja quando redijo uma sextilha em homenagem uma bela húngara, não me limito a sufocá-la e a insistentemente provocá-la com o intuito da cópula forçada em praça pública. Meu prezado Schopenhauer, eu sou muito mais que um animal que trilho os desígnios da espécie, eu enquanto ser humano sou o pilar maior do divino, pois sou um humano que concebe raciocínios abstractos, filosóficos e matemáticos, algo intangível para uma mosca ou para um bicho da seda, por muitos genes que tenhamos todos em comum. Sou um ser dotado de razão. E é tão interessante asseverar que aqueles que mais incutem e mais filosoficamente especulam sobre a espécie e sobre os instintos, como os alemães, são aqueles que mais tratados e postulados filosóficos estabelecem; e quão contraditório e perplexo é asseverar tal facto.

Os desígnios da mente

Mas cinjamo-nos ao cerne da questão: A Metafísica da oração. Schopenhauer redigiu a Metafísica do Amor, eu agora faço um nano tratado sobre a Metafísica da Oração para que todos fiquem cientes dos desígnios e dos poderes que tem a oração no ser humano.

O ser humano rege-se por vezes por desígnios latentes, por símbolos que têm o seu poder, pois o nosso subconsciente é enorme, poderoso e misterioso. O nosso subconsciente é uma ferramenta poderosa que pode ser usada para benefício próprio mas também pode ser usado funestamente e malevolamente por terceiros. A publicidade é paradigmática deste último caso que referi. Somos bombardeados com anúncios que nos incutem a adquirir um certo produto, com preços carregados de 9s que têm a sua próprio simbologia numerológica, e depois ficamos com aqueles intuitos no nosso subconsciente. Quando posteriormente vamos ao supermercado somos inconscientemente impelidos a adquirir esse produto pois associamos na nossa mente esse produto à segurança, à proficuidade, à alegria e a tantos outros ímpetos primários. A publicidade é uma forma de nos controlar o subconsciente. Vimos a imagem, achamos inofensiva ou inócua, mas na realidade tem um poder brutal pois inconscientemente incute-nos a comprar algo em particular.

Outra forma bem conhecida de terceiros usarem o nosso subconsciente é o caso da hipnose para fins lúdicos, maliciosos ou terapêuticos. Agimos sem nos apercebermos, vamos de encontro aos intuitos de quem nos controla, sendo que este usa métodos e sinais que só ele e os da sua seita conhecem, para poder controlar o subconsciente dos outros. Então, existem sinais, e isto é ciência não é bruxaria, que controlam o ser humano e o impelem a agir de acordo com certos intuitos. Esses sinais normalmente são conhecidos por sociedades secretas como a maçonaria, pois segundo estes, terceiros poderiam usá-los para fins pouco honestos e ilícitos. Mas o que é certo é que esses sinais já são bastante usados nas sociedades ocidentais no caso dos meios de comunicação social que concorrem entre si para atrair o mais possível o espectador, pela indústria publicitária que é paga para fazer o cartaz e o anúncio mais apelativo e pelo orador público que conhece bem todos este sinais de veemência e virilidade. Um caso exemplificativo é o hastear erguido e erecto da mão e do braço direito na simbologia nazi alemã. E tal como referia Schopenhauer quando diz que agimos sem nos apercebermos sempre em prol da espécie, há quem conheças as técnicas para controlar a mente humana sem que este se aperceba, pois quem o faz, conhece as técnicas e os sinais associados à fertilidade, à proficuidade e a todos os desígnios primários e naturais. Os falos e as vulvas são os ícones mais usados.

Outro caso exemplificativo, que por sinal é proibido em vários países, é as mensagens subliminares. Havia um anúncio televisivo da Coca-Cola em que era passada uma imagem duma fracção de segundos de um deserto. O observador não se consciencializava desta imagem mas o seu córtex visual absorvia-a e enviava-a directamente para o seu subconsciente. E a nossa evolução enquanto ser humano associa inevitavelmente um deserto a falta de água, ou seja à sensação de sede. A Coca-Cola ficara assim associada no nosso inconsciente a um líquido precioso e escasso e quando o víssemos no supermercado seriamos impelidos a adquiri-lo. O facto de ser vermelha também não é por acaso, sendo que o vermelho é a cor do sangue e dos sentimentos carnais e primários.

Um hipnotizador por exemplo, aplicando-nos visualmente um pêndulo com uma certa frequência, incute-nos num estado muitas vezes de sonambulismo. O pêndulo com uma certa frequência oscilatória não surge por acaso, tal deve-se à oscilação natural que sentíamos quando caminhávamos no ventre das nossa progenitoras. A oscilação do pêndulo do hipnotizador tem a mesma frequência do andar natural da mulher grávida. E adormecemos pois enquanto éramos bebés no ventre materno passávamos grande parte do dia a dormir. O pêndulo pode ser um relógio que associamos a tempo, mas para o nosso inconsciente vai apenas o padrão oscilatório de repetição que não barramos na consciência.

A nossa mente é complexa, mas pode até certo ponto ser modulada e num caso mais malévolo ser controlada. Pois o que se pode modular, pode noutro estágio ser controlado. Quando alguém nos diz directamente “Compra isto porque é bom!” o nosso consciente racional barra essa energia e vontade transmitida pelo outro pois consideramos que o outro quer apenas lucrar com os nossos rendimentos. Mas mesmo se alguém não nos apresentar argumentos racionais para adquirir tal produto, e nos mostrar um anúncio com um homem engravatado feliz e aprumado ao lado da sua bela mulher loira e grávida e com um filho pequeno a comprarem o produto, nós se não formos precavidos podemos ser impelidos inconscientemente a ter uma predilecção pelo produto pois associámo-lo a vários sentimentos primários como fecundidade, sucesso e geração de novos seres.

O factor temporal dos sinais que nos são incutidos é normalmente grande e quando dormimos processamos toda esta informação. Os sonhos são apenas uma manifestação distorcida de todas as nossas vontades e frustrações latentes, sempre de cariz primário. Quando alguém nos faz um sinal nós podemos interpretá-lo conscientemente e dar-lhe um significado, mas há sinais que passam completamente despercebidos ao nosso consciente, que nunca nos lembraremos, mas que foram assimilados pela nossa mente. E são estes sinais latentes, subliminares, que controlam mais fortemente as nossas acções, pois dirigimo-nos a certos objectivos sem nos apercebermos. É por isso que nunca nos lembraremos do deserto da publicidade que passou numa fracção de segundos, no entanto essa imagem latente teve um poder enorme nas nossas acções, e fez-nos comprar a Coca-Cola quando a observámos na prateleira do supermercado. São os sinais latentes que as sociedades secretas conhecem e que utilizam para controlar os demais profanos, sendo que não transmitem a mais ninguém tais conhecimentos.

Um sinal latente é então um sinal do qual não nos apercebemos, mas que é assimilado pela nossa mente. Não nos apercebemos pois a nossa consciência não processa e assim não podemos ponderar racionalmente sobre o mesmo. No entanto tem um poder enorme sobre as nossas acções, pois vai directamente para o subconsciente e faz-nos tomar acções num certo sentido, sem que nós nos apercebamos que estamos a ir no sentido do que nos foi latentemente incutido. E tudo o que refiro está subliminarmente plasmado nos nomes dos partidos, nas marcas, na música, na publicidade, nos pseudónimos e em tantos outros sinais do comércio.

O filme Laranja Mecânica é paradigmático de alguns fenómenos que aqui descrevo, onde no filme a consciência de um indivíduo é severamente moldada pelos padrões que lhe são incutidos com o intuito de o tornar um homem são. Mas no filme a consciência é moldada de forma severa e de uma forma patente, no entanto os sinais que descrevo moldam a consciência de uma forma subliminar e latente.

Por exemplo quando observamos um certo ponto no centro do nosso campo visual, ficamos concentrados nesse ponto. Se algum objecto aparecer ou se movimentar na orla do nosso campo visual não nos aperceberemos. Esse movimento pode ser um sinal que nos impele a tomar certas acções, pois esse sinal foi absorvido pela nossa mente mas não foi processado pelo nosso consciente. São esses sinais que as sociedades exotéricas denominam como tendo energia, pois a energia é algo que cria dinâmicas e faz os entes do cosmos tomarem certas acções. Assim certos sinais e certos objectos têm energia, pois impelem o indivíduo a tomar certas acções. Uma fotografia é somente um objecto, um pedaço de papel impresso, no entanto se for um nosso ente querido faz-nos chorar no caso de já ter falecido e faz-nos feliz se for um ente pelo qual estamos apaixonados. Se for um ente que amamos e que se encontra noutro local, pode fazer-nos ao observar a sua foto, movimentarmo-nos na sua direcção, e é isso que é energia pois é um objecto que criou uma dinâmica. Um anel de noivado tem uma certa energia pois tem uma dinâmica que impele os nubentes a ficarem unidos.

A nossa mente é então um dispositivo divino extremamente complexo e para alguns desconhecido. Aqueles que a conhecem bem e que conhecem os sinais que a controlam não transmitem esses conhecimentos aos demais, pois esse saber é demasiado poderoso e pode eventualmente ser usado para fins ilícitos. O que sucede é que esse conhecimento e essa sabedoria já foi há muito profanado e usado para fins comerciais, propagandistas, para levar ao poder déspotas e criminosos e para tantos outros fins ilícitos. Chegou o momento de todos o conhecerem. E reafirmo, isto é ciência, não é bruxaria.

Mas cinjamo-nos agora à epígrafe do texto, à questão da oração. A oração é então a única ferramenta que o profano possui para controlar os desígnios da sua própria vida e ser verdadeiramente independente e livre. Isto nada tem de religioso e vai muito para lá das questões de fé. A Igreja Católica incutiu nos crentes a prática da oração, com textos padronizados e definidos para que estes agissem inconscientemente em prol dos desígnios cristãos. Foi uma forma que as sociedades ancestrais regentes cristãs orquestraram para colocar todos os crentes fortemente sob os desígnios da Santa Sé. Porque quem ora, e principalmente se o faz repetidas vezes com sinais repetidos e veementes, envia para o seu subconsciente sinais que moldarão as suas acções. Dou-vos um exemplo, se queremos por exemplo deixar de fumar, devemos todos os dias de manhã e à noite repetir para nós próprios em oração 99 vezes “Não fumo mais!”. Esse padrão de repetição, esse sinal repetido por diversas vezes a partir de certo ponto porque nós já o repetimos mecanicamente, vai directamente para o nosso subconsciente, e far-nos-á no futuro tomar acções que nos farão evitar o tabaco. Por exemplo dentro de um mês, quando alguém, que nós sabemos que fuma e que poderá ser uma má influência para nós, nos convidar para um café numa esplanada, nós declinaremos o pedido por não nos apetece, porque já é tarde e porque o dia seguinte será cansativo. Noutras circunstâncias teríamos respondido afirmativamente. Na realidade é apenas o efeito da nossa prática de oração. É o nosso subconsciente a moldar o nosso consciente através de acções das quais nós não percebemos as causas mas que na realidade têm um cunho energético dinâmico bastante forte nos actos que tomamos.

As igrejas Cristãs e o Islão incutiram nos seus crentes as práticas da oração porque são doutrinas muito ancestrais. Há mais de mil anos quando surgiram, não haviam as panóplias tecnológicas e de multimédia que existem hoje para nos incutirem os valores e as doutrinas da ordem. Dou-vos um exemplo: quando as novelas brasileiras que são amplamente difundidas e vistas no Brasil mostram casos de descriminação racial e dos sofrimentos que tais actos discriminatórios acarretam para os indivíduos, estão a moldar a consciência do povo em prol da ordem civil e do estado. Quando a Cristandade e o Islão impuseram a oração foi no mesmo sentido, ou seja, quem ora, repete frases que o ligam fortemente à instituição religiosa central mas também repete expressões que o fazem tomar atitudes em prol da ordem civil e religiosa. Por exemplo quando o crente ora no “Pai Nosso” “perdoai as nossa ofensas assim como perdoo a quem me tem ofendido” está na realidade a doutrinar a sua inconsciência por uma prática salubre que preconiza a ordem civil. Já quando ora a “Ave Maria”, pelo conteúdo dos textos, está o crente na realidade tão-somente a inconscientemente fortalecer os laços que o ligam à instituição cristã. O mesmo se passa também no Islão. O que sucede nas sociedades modernas, é que com o advento dos meios de comunicação social, das televisões que quase todos temos em casa, da rádio, dos jornais, do espaço cibernético, a oração foi preterida em prol de todas estas panóplias tecnológicas para o controlo do indivíduo no contexto da ordem civil e no contexto de uma ordem supra nacional.

O Poder da oração

Assim presenteio-vos com o Santo Graal de que há muito o profano ansiava: a oração é a única forma verdadeiramente livre e soberana de o indivíduo controlar as suas acções. Com a oração o indivíduo controla conscientemente os seus actos através do seu subconsciente, e assim vai agir inconscientemente e de forma veemente e vigorosa no sentido dos preceitos repetitivos que orou.

A oração é assim extremamente poderosa, e pode ajudar-nos a resolver maleitas sociais, pessoais ou emocionais que nos afligem. Agora não o façam para ganhar dinheiro, serem ricos, poderosos, para saciar os ímpetos da luxúria ou para praticar o mal.

Se por exemplo anda constrangido e frustrado com alguém que o magoou ore todas as noites e manhãs 99 vezes para si mesmo em pensamento “perdoem as minhas ofensas como eu perdoo quem me tem ofendido”. Verá que ao fim de dois meses essa angústia desaparecerá. Se ama muito uma mulher que se chama Natércia e percebe que ela será mesmo a mulher que o fará feliz ore 99 vezes em pensamento de manhã e ao deitar “A Natércia será minha namorada!”. Digo-o veementemente, não o use com propósitos luxuriantes. Se quer deixar de fumar ore “Não fumo mais!”, se quer perder peso e está muito obeso ore 99 vezes ao deitar e de manhã “Tenho um corpo de atleta!”

Verá que tomará acções futuras sem se aperceber que vão ao encontro dos desígnios que orou. Tudo de forma natural, sem químicos ou produtos invasivos. A malévola indústria farmacêutica no ramo da psiquiatria conhece todos estes meandros mas ocultam-nos das populações para poderem lucrar milhões com medicamentos que muitas vezes não passam de placebos.

A nossa mente é labiríntica mas você pode controlá-la para que ela faça com que você tome as acções que deseja, lembre-se, ore sempre no sentido da ordem pública, da bondade, da caridade, da solidariedade, do altruísmo e da filantropia. Não deixe que os outros o façam escolher aquilo que conscientemente não deseja nem precisa, como é o caso da publicidade.

Seja soberano, seja livre e ore para ser feliz e para praticar o bem.

Pensamentos egocêntricos e filosoficamente puros sobre a Germânia


Rogo aos deuses Germanos que me dêem forças para elaborar as obras-primas poéticas mais sublimes e exuberantes, que estas plasmem paixão, luxúria, enlevo emocional e artístico; que as pontas dos dígitos que pressionam este teclado latino sejam conduzidas pela razão pura, pela pureza racional preconizada pelos deuses germanos, mas que a emoção se eleve, que aspire e inspire os momentos mais ascetas, e que a arte jorre o seu suco sacral para a minha alma e para o meu espírito criativo.

Qual “Metafísica do Amor” desse filósofo Germano, que preconiza que os sentimentos amorosos não são mais que redutíveis formas que a natureza encontrou para nos fomentar o desejo subtil pela disseminação da espécie! Amo-a não porque nutro amor por ela, mas tão-somente porque a natureza considera que a minha junção a ela trará ao mundo belos, saudáveis e fortes seres humanos.

Distingo a paixão fecunda da caridade cristã, tão repudiada pelos magnos filósofos Germanos. A caridade cristã segundo estes, preconiza e incute nos magnos homens apenas a fraqueza humana e os sentimentos serviçais e subservientes. A caridade cristã é um ícone da fraqueza, e o nobre homem deve forçosamente declinar esses sentimentos castradores que renegam a sua própria existência enquanto animal primordial.

Kant procurava a razão pura, a moral imutável e intransigente que advinha do puro raciocínio abstracto que só o Homem concebe. Fracos eram aqueles que não transcendiam a física comum dos seus medíocres quotidianos e não tangiam a metafísica do pensamento. Kant era por certo um homem belo no sentido mais etimológico e greco-filosófico do termo.

Nietzsche agracia-nos com uma forma impetuosa e egocêntrica de observar o mundo, para este o cristianismo é um sinal da fraqueza dos homens, a caridade é um sentimento medíocre que nos afasta do nosso cerne natural de propalarmos os nossos genes e o nosso sangue. Considerava-se o revelador da verdade etimológica do ser humano e aquele que aboliria todos os preconceitos morais e religiosos da sociedade ocidental, sendo que se poderia atingir assim a magna e verdadeira liberdade. Marx anda pela mesma linha filosófica mas com um cariz mais politizado e subtilmente anti-semita. Quando escreve “O Capital” para afrontar o capital, está a fazer uma afronta a uma das mais altas divindades sionistas após as verdades cabalistas.

Armagedão literário


Providenciem-me com gasolina e álcool fervente!

Hoje passei por uma livraria e deu-me uma vontade visceral de incendiar todas aquelas obras fúteis e frívolas de cariz anglo-saxónico.

Aqueles romances inúteis e de sentimentos banais traduzidos do Inglês com centenas de páginas.
Aquela vadia Inglesa escreveu um livro de fantasias para putos imbecis com educações imbecis e rendeu milhões. Agora tenho que mamar com uma inundação visual com enormes cartazes na minha cidade.
Gasolina e álcool para todos esses livros.

Permaneçam intocáveis a Bíblia, as obras magnas e os meus versos!
Que fiquem incólumes, os pessoanos, os de Florbela, de Bocage e de Ary, assim como os Lusíadas; dos poucos estrangeiros, preservem o do Inglês Guilherme, do eslavo Fiódor e do Germano Goethe, assim como do itálico Dante, queimem tudo o resto porque é severamente frívolo e fútil. Guardem Voltaire!

Passei por uma feira do livro e percorreu-me uma vontade visceral de queimar toda aquela frivolidade. São livros inúteis, de medíocres engravatados que falam em como gerir a sua medíocre empresa, ou daquelas aristocratas do novo mundo que se deliciam em transcrever as suas levianas viagens pelo Oriente e falam de Budismo e afins.

Gasolina e álcool para todos eles.

Os livros que vejo metem dó, queimem-nos para pó,
Apenas é magna a Poesia
A Sua magnânima literacia

Mas não daquela medíocre e fácil insípida sem sonoridade que provém das novas ondas modernas do novo mundo, tudo isso é fraco e insignificante.

Só Camões é Magno!

As capas dos livros que vejo estão prostituídas com imagens inúteis. As Palavras dos livros que vejo estão inundadas e maculadas com anglicismos sujos e nojentos.

Vejo mas não ouso ler, pois os livros que vejo não merecem ser lidos, desprezo-os!

Inundam-me e enjoo-me com tanta banalidade visual nas suas capas!

A Bíblia não tem imagem na capa, tem apenas o símbolo, os caracteres, a Palavra.

Já não se liga à Palavra, ao ego, ao interior, invadem-nos os princípios anglo-saxónicos da imagem sempre fútil, viciosa e enganadora.

À Mulher de César não é preciso ser, basta parecer!

Vestem-se de fato e gravata, riem-se com as mediocridades que propalam entre si e apresentam-se fleumáticos perante os outros. Corrompem, ludibriam e corroem a Humanidade.
Depois escrevem livros fúteis que não merecem leitores, mas apenas gasolina inflamatória.

E quanto mais cópias, mais gasolina.

Escrevem sobre o efémero, sobre o circunstancial, sobre uma baliza temporal presente muito estreita, escrevem sobre as circunstâncias dos meios de comunicação social.

Não haverá escritores que se preocupem com a essência intemporal e perene, metafísica e transcendental que afecta a Humanidade? Já não há Filósofos, e os que se fazem passar por homens do pensamento intrigam-se sempre com banalidades atrozes.

Se os houvessem não haveria matrimónio infértil entre homossexuais!
Se os houvessem não seria autorizado a uma mulher matar o seu próprio filho!

E foi porque à mulher de César bastou parecer, não sendo preciso ser, que César acabou assassinado pelos seus patrícios!

Até tu Brutus!

Missiva pública a um magno Poeta passionalmente obcecado


Caro Rui Pedro

A Inês com que se obcecou
http://pedro-procura-ines.blogspot.com/
Vi a tua história algures no espaço cibernético, aquando de uma pesquisa histórica de Pedro e Inês, e não pude deixar de me impressionar.

Não vou aqui evocar as questões amorosas de foro obsessivo que tens por uma mulher que tu denominaste Inês.

Aquilo que me deixou extasiado, e tal não posso deixar de referir, é a tua qualidade poética elevada, rimática e versal, inigualável e pouco ortodoxa considerando os tempos contemporâneos.

A Inês, por muito que a amasses, foi mais um propósito para a fama fácil ao sensibilizares a vernaculidade popular das velhinhas da verborreica Júlia e do misógino Gouxa. O que interessa caro Rui, é que a tua Poesia é de uma nobreza literária excelsa, e cumpre os requisitos das mais elevadas estrofes.

Tão bem que te compreendo, pois também eu sou Poeta, com livros editados de Poesia e com blogues com literacia profusa. Escrever poemas às demais é um ímpeto natural, primordial, e cumpre tão-somente os desígnios divinos e metafísicos do Amor, aquando do espalhamento dos genes do macho pelas fêmeas circundantes. A poesia é apenas o veículo do cortejo, qual pavão que mostra as penas coloridas e brilhantes, revelando fertilidade e altivez, características irresistíveis a qualquer fêmea.

Como Poeta que sou padeço, das mesmas patologias psíquicas que te afligem, no entanto cabe-me a fidelidade à minha companheira que amo e a quem dedico os meus versos.

Também já sofri de obsessões patológicas do foro passional por uma idílica mulher do Báltico, e eliminei-as com uma bela, serena, exuberante e voluptuosa morena Portuguesa com nome eslavo com que me uni maritalmente.

O meu conselho pedagógico e medicinal é para te reencontrares, procurando-te a ti mesmo pelas tuas origens geográficas e parentais, procurares salutarmente uma mulher que não provoque em ti sensações luxuriantes, mas de serenidade, amicais e amorosas, e dedicares os teus poemas ao povo Português, às nobres cidades do mundo, ao fado, às históricas estórias de Amor, aos mosteiros, e à amada com que te unires.

É que a humanidade judaico-cristã a que tu pertences, reitere veementemente através dos seus missionários, que a poligamia é uma heresia condenável pelas mais altas doutrinas.

Encontra alguém que verdadeiramente ames, porque obsessão não é amor, e rogo-te, continua a escrever Poesia.

Cumprimentos poético-literários

João Pimentel Ferreira

www.joaopimentel.pt
VerusVeritas.org

Quatro cousas que caracterizam o excelso Poeta...


Quais receitas miraculosas para conceberem o Poeta!
Quais as características divinas que o tornam magnânimo?
Por todos os tempos procuraram-se nos livros sagrados quais os ingredientes que formalizavam o Poeta mais douto e ilustre, pois a fórmula poética divina é deveras simples.

As quatro cousas que definem o excelso Poeta:

Inteligência, Plebeísmo, Feminilidade, Literacia

CONVITE - Editorial Minerva - "O Iniciado Português" de João Pimentel


Caros amigos e companheiros de jornada vivencial deste mundo maravilhoso, áspero e austero!

Venho relembrar-vos para a apresentação da obra prosaica "O Iniciado Português" de João Pimentel, que aborda de forma lírica, realística, meramente simplista, ou quem sabe fidedigna, a forma de iniciação nas sociedades secretas.

As sociedades secretas regem o mundo. E todas as sociedades secretas têm rituais iniciáticos, rituais de absorção ou de acolhimento. Vemos pelo mundo profano várias formas de iniciação: A praxe académica, o baptismo católico, a circuncisão, ou até a adesão a uma tríade, clube ou academia.

"O Iniciado Português" tenta abordar estas questões, nas sociedades secretas que mais importância têm no planeta e as que regem o sistema político, legislativo e social a nível mundial.

Aguardo veementemente pela vossa comparência

Melhores cumprimentos

João Pimentel

Missiva de um plebeu literato, ao Nobel da Literatura


Prezado Saramago

Não sei se lerá o repto que lhe envio através desta humilde mensagem-e, mas se o fizer, e assim estou esperançado, devo-o dizer que me aprazerá bastante sabê-lo.

Temos algumas vicissitudes mundanas nas nossas rotas pessoais que têm pequenos denominadores comuns, no entanto no que concerne às datas de nascimento, existe uma diferença, considerada por alguns, abismal.

Nasci em 1980 e estudei na Escola Industrial Afonso Domingues, tendo sido discente também de um curso tecnológico. Também me tornei escritor, mas quem sabe devido à minha tenra idade, e não, modéstia à parte, carência de ímpeto literário apaixonante, ainda não consegui que as minhas grafias poéticas fossem assimiladas pelo domínio público.

Tenho uma obra poética profícua, mas as publicações são parcas. Não sei se assim seria no seu tempo, mas é-me bastante difícil financeiramente sustentar as publicações que efectuo. Por vezes sou burlado por editores que não cumprem os requisitos contratuais, e as que consigo publicar são extremamente onerosas.

Digo-o quase enraivecido pois pelo que li da sua biografia, o seu percurso pessoal também quase tangeu a indigência, passando por dificuldades enquanto novo. Pois eu não tenho possibilidades financeiras para publicar os meus livros, pois as editoras existentes cobram numerários sustentáveis apenas às mais altas aristocracias e aos estratos sociais que se situam no topo da pirâmide hierárquica da sociedade.

Enraiveço-me pois apercebo-me que a língua Portuguesa é dissolvida em todas estas frivolidades musicais e líricas de proveniência anglo-saxónica. São difundidas obras musicais e literárias de fraca qualidade, mas como têm proveniência estrangeira, são idolatradas pelo público jovem e pelas novas gerações.

Escrevo-lhe pois apesar de tentar sempre preservar a língua que herdei culturalmente pelas ínclitas e nobres gerações que me antecederam, não consigo publicar no meu país; o país cujo topónimo gerou o nome de uma das línguas mais faladas no mundo; as obras que vou tecendo interiormente e que grafo ocasionalmente no papiro pessoal e cibernético.

Em Portugal a publicação de uma obra é indecentemente onerosa. E eu teço as minhas obras na língua Portuguesa, como tal não quero recorrer a outros meios que não a minha pátria mãe.

Escrevo-lhe, pois encontrei algumas vicissitudes na rota pessoal do caro Saramago pelas quais já passei. Também provenho de um bairro humilde, no meu caso na cidade de Lisboa, também estudei na Afonso Domingues pois o meu percurso profissional seria supostamente meramente técnico, também já tive diversos trabalhos ditos menores, como electricista na construção do Atrium Saldanha, como apontador de obra, como mero e quase rude insersor de dados nos sistemas informáticos de uma empresa de telefones móveis, e também passei por um hiato quase desgastante de ausência de proficuidade literária.

Perdoe-me antes de tudo a iliteracia no que concerne ao acervo do prezado escritor a quem dirijo esta missiva, devo-lhe confessar que li apenas o Evangelho segundo Jesus Cristo, e tal leitura marcou-me. Não me chocou pois não sou um católico fervoroso, mas também, devo-o dizer prezado Saramago, que apesar da riquíssima literacia que a obra evidenciou, presumo que os devidos e enormes louros que a obra gerou, foi simplesmente por ser uma afronta directa ao catolicismo ortodoxo e conservador. No entanto denoto na obra uma elevada e inquietante riqueza de espírito por parte do seu autor, pois este, escreveu uma obra em que o Messias se substitui aos próprios autores clássicos e bíblicos dos evangelhos, escrevendo este último a sua própria versão dos factos.

Escrevo-lhe prezado Saramago, pois também eu queria publicar a minha obra, não quero fama nem notoriedade, quero apenas obter algum retorno literário, e não financeiro dos parcos ou profícuos escritos que vou tecendo. Quero apenas poder emancipar a minha obra sem quaisquer proveitos firmes no campo da notoriedade ou da moeda.

Quero continuar a ser um plebeu literato, tal como sou.

Mas publicar em Portugal, volto a dizê-lo é indecentemente oneroso. No entanto a língua em que escrevo, tem a raiz mais profunda no país em que vivo. E tal apraz-me.

Não sei se algum dia lerá este meu repto, estou esperançado que o faça, desejando-lhe as maiores felicidades por terras de Castela, e os meus mais sinceros parabéns pela sua obra de qualidade superior no domínio da língua camoniana.

Os meus mais sinceros cumprimentos

João Pimentel

Un hommage aux poètes Portugais | A tribute to the Portuguese poets


Que maior homenagem posso eu dar
A um ilustre poeta português
Como Pessoa, se não exaltar
A grandiosidade que perfez
Ou Camões que ao glorificar
O povo qu’inda tem os três
Inteligência e Fado no altar
Sou poeta, sou português.

Mas que há de eloquente
Em tal praia lusitana
Que provoca em sua gente
Tal pureza freudiana,
inteligência pouco quente,
e perfeição indicana?
Veja-se a retórica influente
É claro! A camoniana

Que em mim arde sem se ver
E que me faz amar as divas
Do mundo, e depois lamber
Volumosos seios, e que intrigas
Me esperam ao padecer
Que me ferem como espigas
Sinto a alma a sofrer
Sou lusitano, não choramigas

Mas também sinto Pessoa
Que me oferece a melancolia
Que me faz seguir nesta canoa
Sem vivacidade ou alegria
Mas aprecio uma mulher boa
Disso não tenho eu fobia
Porque se há algo que me atordoa
É o corpo nesta acalmia.