Mostrar mensagens com a etiqueta Cd/Ecologia e Ambiente. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cd/Ecologia e Ambiente. Mostrar todas as mensagens

Gulbenkian: o misantropo arménio


Faz falta às pessoas conhecerem por vezes os étimos das palavras. Tal permite-lhes saber que denominar alguém com um certo adjetivo, pode por vezes estar etimologicamente incorreto. Um idiota é aquele, que na Grécia clássica, não se preocupava com o interesse público e apenas com os seus interesses privados. Assim, etimologicamente, em Portugal há muitos idiotas inteligentes, sem que esta frase represente qualquer paradoxo! Um filantropo, é aquele que tem amor à Humanidade, já um misantropo é aquele que lhe tem ódio. E o amor à Humanidade não se mensura apenas na compra de artefactos artísticos, obras de arte ou peças derivadas. E amar a humanidade é muito mais vasto que amar o próximo. Aliás, interessa saber de onde surge a própria noção de filantropia. Surge na era romana, como contraste anti-cristão, ou  pagão se quisermos, à caridade cristã. Indubitavelmente que a filantropia, ao contrário de muita caridade cristã, tem feito muito bem à Humanidade. Mas não podemos simplesmente eliminar dos registos históricos, o lado negro dos filantropos, como se a compra de esculturas e pinturas pudessem redimir o homem, de verdadeiros atentados ao planeta e ao próximo. Da mesma forma que não nos podemos esquecer, que para que Nobel pudesse introduzir o seu prémio milionário, teve de se tornar riquíssimo a desenvolver e comercializar o dinamite, usado amiúde em guerras e conflitos armados. Afinal de contas, Bill Gates ou Champalimaud, são de facto, até uns bons filantropos, comparados com Nobel ou Gulbenkian. Os tempos também eram outros!

Gulbenkian é naturalmente muito bem-visto em Portugal pelas melhores razões. Mas ser-se bem visto, per se, não é abonatório de ninguém! Aliás, Cristo era muito "mal visto" na Palestina; já Hitler sempre foi muito "bem-visto" no terceiro Reich, assim como Estaline, um tirano psicopata, foi herói na União Soviética, Mussolini em Itália, Salazar em Portugal ou Churchill no Ocidente. A História todavia é como o azeite! Calouste Gulbenkian ganhou milhões, milhares de milhões aquando do negócio negro em alta no Azerbaijão e Arménia de onde era proveniente. A zona de petróleo que o tornou multi-milionário, era pertencente ao Império Otomano, e foi-lhe atribuída responsabilidade pelo governo imperial para administrar e gerir os recursos energéticos nessa zona do Cáucaso. Tal como qualquer "bom jogador", para citar o clássico de Dostoievski lançado um ano antes do nascimento de Gulbenkian, sempre jogou com todas as partes, com todas as cartas, desde os Franceses, Ingleses e os próprios Otomanos, aos quais, a sua "pátria oficial", deveria jurar fidelidade. Notemos que na Primeira Grande Guerra, França e Inglaterra combateram e despedaçaram o império Otomano, deixando marcas geopolíticas que são visíveis ainda hoje, como o caso dos curdos, cujas potenciais ocidentais apoiaram ou não apoiaram consoante os seus interesses económicos. E os Curdos hoje ainda não têm pátria, ao contrário das nações árabes, porque durante a Primeira Grande Guerra, tiveram a ousadia, ou heroísmo, de combater pelo império ao qual pertenciam, o império otomano. Ou seja, enquanto as tribos árabes sempre aceitaram a ajuda inglesa para sabotar o império ao qual pertenciam, heroica e hipocritamente retratados no clássico filme "Lourenço da Arábia"; os curdos sempre juraram fidelidade à bandeira à qual pertenciam oficialmente. 

Para os Otomanos, atuais Turcos, Gulbenkian deve ser portanto um traidor, que os vendeu aos inimigos! Mas os bons jogadores são ágeis e astutos. Nacionalizou-se Inglês em 1902, ou seja, a nação beligerante com a qual o seu país haveria de combater, esteve envolvido com o governo Francês durante a primeira guerra, ganhou milhões em contratos milionários com o petróleo, não tivesse sido um ótimo negociador e financeiro. E também não consta que se tivesse preocupado em demasia com o genocídio arménio, o seu próprio povo e etnia, feita pelo governo otomano entre 1915 e 1923, enquanto gozava da sua vida burguesa entre Londres e Paris. E o que fazer a tanto dinheiro amealhado? Filantropia! A magna redenção para os grandes capitalistas.

2018, cerca de 150 anos depois do nascimento de Gulbenkian, a fundação que deixou como legado, larga o negócio do veneno negro, que tanto mal tem feito ao planeta, à natureza e à Humanidade. Foram precisos quase 200 milhões de anos (200.000.000 anos) durante toda a era Mesozoica, para se formar 70% do petróleo que hoje queimamos, material orgânico que ia fenecendo e sendo depositado no solo, para que o Homem, em menos de um século, pudesse "queimar tudo como se não houvesse amanhã". E não há pintura ou escultura que redima Gulbenkian! Tal como referia Einstein, os valores e princípios humanos não são enquadráveis em equações matemáticas. As alterações climáticas devido à queima de combustíveis fósseis, têm provocado tantos danos ao Homem, que não podem ser olvidadas com o mero apoio a obras de arte, circunscritas a um país cuja população representa 0,1% da Humanidade! Em qualquer caso, a fundação está de parabéns por largar um negócio cada vez mais associado à misantropia, do que propriamente à filantropia. Em tempos, enquanto viajava pelo cabo norte na Noruega, pronuncie-me de forma muito mais exacerbada e ofensiva, sobre outro misantropo.

O aquecimento global em Portugal


O título da publicação poderá parecer paradoxal, na medida que faz referência ao um evento que é conhecido por ser global, mas que no título se cinge a uma determinada região geográfica; todavia, quando nos referimos ao aquecimento global, referimo-nos a um aumento da temperatura média à superfície do planeta ao longo do tempo. Ou seja, fazemos referência não só a um fenómeno global, mas essencialmente temporal, na medida que em média as temperaturas têm aumentado nas últimas décadas. Assim, fazer medições locais ao longo de um período de tempo considerável desde a industrialização do pós-guerra, pode ser um bom indicador para atestar que o aquecimento global é deveras um facto. E é! Na verdade, o aquecimento global há muito que deixou de ser uma teoria científica, na medida que há muito que deixou de ser uma mera hipótese, para ser tão-simplesmente um facto mensurável, atestado e comprovado.

Temperatura do ar

Assim sendo, apresenta-se no seguinte gráfico, apenas mais um pequeno alicerce científico para esse, há muito que comprovado, simples facto: o mundo está a aquecer. Acedi aos dados do PORDATA, que por sua vez os obteve do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, e coligi os dados da temperatura média do ar em diversas estações meteorológicas de Portugal, desde 1960. Depois tracei numa linha (a laranja) a média, em cada ano, dos cinco anos precedentes, e noutra linha (a vermelho) a média em cada ano dos quinze anos precedentes; aplicando, aquilo que no processamento de sinais se denomina por filtro passa-baixo. A tendência é evidente e podemos atestar, que em Portugal Continental, as temperaturas médias, quando a média é medida quer temporalmente, quer espacialmente ao longo do território de Portugal Continental, subiu perto de um grau °C entre 1970 e 2015, atestando aproximadamente o que a comunidade científica internacional desde há muito reconhece.

Média aritmética das temperaturas médias anuais das sete estações meteorológicas de Portugal Continental.
Fonte: PORDATA - Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Embora o aquecimento seja global, a medição local das temperaturas médias no território de Portugal Continental ao longo de mais de 55 anos, é de facto uma excelente amostra para as referidas alterações climáticas que sucedem a nível global.

Nível do mar

Mas Portugal, pelo facto de estar defronte do oceano Atlântico, é também um bom local para fazer medições com referência ao nível médio do mar. Para o efeito temos em Portugal o marégrafo de Cascais, construído em 1877 em Paris e instalado nessa vila piscatória portuguesa em 1882, tendo sido um dos primeiros sistemas de recolha de dados sobre o nível do mar na Europa. Um marégrafo é na prática constituído por um poço com ligação inferior ao mar, que possui no seu interior uma boia, estando essa boia ligada a um sistema de medição. Como o referido poço está ligado ao mar através de um canal no seu fundo, pelo princípio dos vasos comunicantes, o nível da água dentro do poço é igual ao nível do mar exterior, sendo que o poço tem a função de absorver as variações rápidas provocadas pela ondulação, funcionando como um filtro mecânico passa-baixo.

Dados do marégrafo de Cascais.
in: Aula 5 do seminário de Maria Araújo da Univ. do Porto.

Dados do marégrafo de Cascais.
in: "Variações do Nível Médio do Mar em Cascais: Características e Tendências";
António da Silva, Elisabete Freire e Gonçalo Crisóstomo, APEQ, Porto, 2008.

Os dados obtidos pelo marégrafo de Cascais, removendo as variações sazonais e as provocadas pelo natural efeito gravítico da Lua, que provoca por exemplo as conhecidas marés; aplicando-se por conseguinte uma regressão linear ao longo de um século desde a sua instalação em 1882, mostram que de facto o nível médio do mar está a aumentar na costa portuguesa, e, por lógica e científica inferência, no mundo. De acordo com alguns trabalhos académicos o nível médio do mar subiu cerca de 195 milímetros desde 1870, o que de certa forma coincide com a subida de cerca de 120 milímetros observada pelo marégrafo de Cascais desde 1882, como se pôde ver no primeiro gráfico dos dois gráficos anteriores referentes ao marégrafo de Cascais.

Conclusão

Por norma em Ciência, é incorreto fazerem-se análises globais, apenas através de amostras locais. Todavia, o que se pretende com os dados coligidos no território de Portugal Continental não é tecer novas teorias científicas, ou seja, apresentar novas hipóteses, mas apenas atestar, com uma amostra geograficamente confinada, mas temporalmente alargada, o que a comunidade científica desde há muito confirmou, ou seja, que o aquecimento global e o consequente aumento do nível médio do mar através do derretimento das calotas polares e da expansão térmica dos oceanos, são desde há muitos anos, tão-simplesmente, factos insofismáveis.

Veganism is like a Religion


I start my text with Logic using the what I call the vegan paradox:

If everyone in the world were to be vegetarian only drinking one drop of milk per year each, the world would be totally sustainable without harming any animal, and though there would not exist any vegan in the world.

Veganism in this sense uses the same methodology as any religion, it gives one plausible and truthful arguments so that one can act radically in their habits, hence simply and totally stopping eating and consuming any animal products, regardless of how they were collected. For the sake of understanding my point of view, we might give alcohol prohibition as an interesting comparison. It is known that alcohol provokes a series of social and health problems to several communities and individuals respectively and that's why there was a prohibition in United States, and several other Christian cultured countries, in some period of time of their histories, forbid the consumption of alcohol. While in western societies such problems regarding the consumption of alcohol were ruled by civil and criminal laws, in secular Arabic countries, such alcohol prohibitions were set by religious laws and inquisitional traditions, but the causes for such usage forbiddance is exactly the same, whether a religious or a civil law is applied. Forbidding anything for being evil is much easier for transmitting a rule to other individuals than explaining how to act and that the consequences of such action might be harmful to oneself and others. It is believed that it is due to the same scientific reasons, that Muslims and Jews don't eat pork, since pigs were animals that during several centuries, mainly in hot climates, were transmitters of several diseases, such diseases at the time more present in animal blood; explaining also why the religious practises demand that they pour the blood out from the slaughtered animal before the meat is prepared for eating. Sacralizing those habits, acts and prohibitions into the religious patterns, laws and rules, was the most effective method to transmit the public order and the healthy habits into the non scientifically cultured and illiterate population. Religion always played an important role in that sense, since it is very effective in transmitting good habits to the population without the usage of police enforcement units. One might call it mass behavioural control when television and mass media didn't even exist.

I abstain myself from eating meat for several years. I simply don't eat it because despite the environmental and health issues, I don't think there is a fair usage of meat, since it always demands in any case, animal killing. If I eat a portion of pork or beef, I immediately and directly contribute to the slaughter of an animal. Though if I drink a glass of milk per week, the direct link is much harder to logically sustain, as theoretically it is possible to have cows just for the unique purpose of milk production. In that sense the problem, as investigators sustain, is not milk per se, it is though the amount of milk and dairy products our society consume and how the livestock industries are organised. But a vegan simply and radically abstain himself of drinking any drop of milk, or eating any egg, facing such rules, as a Muslim religious believer faces the rule of not drinking alcohol, even if such alcohol is totally inoffensive, like the one it is used for cooking same dishes.

Nevertheless these critics, I partially understand those radical approaches. I, for example, smoked one pack of cigars per day for several years, and I'm perfectly aware of the harm that such consumption provoked on me, and I'm also aware that the tobacco consumption provokes a strong neurochemical addiction. In that sense, my own personal "religion" dictates me, that I shall never again smoke any cigar in my life, even a simple blow, because I'm already aware of such health damages and addiction. Having a binary or an on/off approach to habits, is much simpler and easier than rule oneself on the consumption, usage or acting on several different aspects of life. Take another example, for instance the sexual relations. According to several theological works written by Christian men in the past, mainly in the Middle Age, delivering oneself to lusty practises, was immoral since such actions would destroy the pillar of the family and would therefore rotten the society. Practically what those theological men wanted, in a time where mortality was very high, was population growth. And instead of proposing moderate sexual habits before marriage for example, the theological writers simply linked such deeds with sin and totally forbid them, creating the notion of the lusty sin of fornication, i.e., sexual intercourse before marriage and hence punished by God.

I truthfully respect vegans, because they are a powerful counter-force in a world dictated by profit where animals are nothing but transmissible money-measurable assets or commodities in a global economy. Sometimes we need extreme actions in a world dictated by extreme generalised habits. But the vegans chose the path that religious men have for many centuries chosen in the past, they abandoned reasonable and wise consumption habits and they adopted the radical approach, i.e., the total abstinence of animal products consumption even if such consumption, theoretically, is completely sustainable and it doesn't harm any animal. In that sense, they adopted the same behavioural technique the Muslims, Christians and Jews adopted in the several periods of their lives, because as said before, it is much easier to pass and carry on an habit with simple binary rules than learning how to have a moderate, frugal and sustainable life style.

O aquecimento global e os incêndios


Não é preciso ser-se académico nem meteorologista, para se constatar que o Aquecimento Global tem um papel muito importante no fenómeno dos incêndios que têm devastado o país. Entretanto, continuaremos todos com o mesmo estilo de vida e com hábitos motorizados, a criticar, eventualmente de forma injusta, o governo pela sua eventual incompetência, desconsiderando que hoje temos muito provavelmente o mesmo número de pirómanos do que tínhamos há dez anos a esta parte, tendo forças de combate aos incêndios muito mais bem preparadas e com melhores equipamentos do que tínhamos nessa altura.

Os especialistas em climatologia citados pelo jornal Público referem que cada vez mais estarão reunidas em Portugal as condições da regra dos três trinta. Ou seja, mais de 30 km/hora de vento, 30% ou menos de humidade e 30 graus Celsius ou mais de temperatura. Esta regra dos três trinta é um perigoso condicionante de incêndios, condicionante esse que é acentuado pelo fenómeno do Aquecimento Global e alterações climáticas, visto que o efeito de estufa, coloca mais energia no sistema climatérico, aumentando não só a temperatura média anual à superfície, mas também a velocidade dos ventos, que com o aumento da temperatura, tornam-se ventos mais secos, ou seja, com menor humidade. O gráfico seguinte é da NASA e apresenta a variação da temperatura média anual à superfície do planeta Terra.


Já o gráfico seguinte apresenta a frequência de tempestades tropicais no Atlântico Norte, havendo por conseguinte uma determinada correlação com a velocidade média dos ventos, ou pelo menos, com a forma como a variação da velocidade dos ventos está distribuída ao longo do ano, principalmente para o caso em apreço, no verão.


Automóvel é o principal emissor de Gases com Efeito de Estufa


De acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente, em Portugal, os transportes (leia-se, essencialmente automóveis e camiões) são os principais emissores de Gases com Efeito de Estufa (GEE). Esta situação é idêntica na Europa e no mundo. Nos dados compilados com referência a 2014 pela referida agência, os transportes são responsáveis por cerca de 1/4 (24%) de todas as emissões de GEE, suplantando a produção e transformação de energia, mormente para a rede elétrica, que representa 23%.

Relatório do Estado do Ambiente, 2015, página 50.
Agência Portuguesa do Ambiente.




Embora tecnicamente se deva usar a expressão "transportes" e não apenas automóvel ou camião, pois os transportes envolvem vários modos para transporte de passageiros e mercadorias, entre os quais o transporte marítimo, ferroviário ou aéreo, os números ditam-nos que muitas vezes a expressão transportes, embora tecnicamente correta, mais não é que um eufemismo para transportes rodoviários, entre os quais automóveis e camiões, como se pode constatar no seguinte gráfico, providenciado pela Agência Internacional de Energia, parte integrante da OCDE.

Emissões de GEE por tipo de transporte, no mundo.
Fonte: Relatório (pág. 66) da Agência Internacional de Energia (OCDE), 2009.

Nas previsões da Agência Internacional de Energia para 2050, no que concerne à redução dos GEE, prevê-se que a parcela dos automóveis (a azul claro) seja drasticamente reduzida. Estes dados também nos permitem concluir que no cômputo geral, os automóveis emitem mais GEE que os camiões.

Já os números com referência à União Europeia presentes no seguinte gráfico, não são muito distintos dos de Portugal e do resto do mundo. Não só nos dizem que os transportes são responsáveis por cerca de 1/4 das emissões de GEE, como também confirmam que a grande parcela está no transporte rodoviário.

Emissão de GEE na União Europeia, por tipo de setor (à direita)
e na parcela dos transportes, por modo de transporte (à esquerda).
Fonte: Comissão Europeia.

Os camiões e os automóveis são assim claramente os responsáveis principais, no domínio dos transportes, pelas emissões de GEE em Portugal, na Europa e no mundo. Não só os automóveis e camiões são os principais emissores de GEE, como são de longe os transportes que mais consomem energia, e cuja parcela energética mais aumentou nas últimas décadas, como pode ser constatado pelo seguinte gráfico.

Consumo de energia por modo de transporte, no mundo.
Fonte: Relatório (pág. 45) da Agência Internacional da Energia (OCDE), 2009.

O automóvel, um alienígena na cidade


Campo Grande; Lisboa. Fonte: imagens dos mapas do Google

As cidades, desde o seu surgimento há cerca de sete mil anos, sempre foram o local de encontro de diferentes pessoas e culturas, pois contrastavam com a ruralidade, mais homogénea do ponto de vista geocultural. Por essa altura, uma boa parte dos indivíduos que vivia fora das cidades ainda era essencialmente nómada; já nas cidades, o fenómeno do sedentarismo estava definitivamente instituído. A cidade teve um papel extremamente importante no desenvolvimento das civilizações. Antes dos Romanos ou dos Gregos, os homens já eram sedentários, fenómeno que apareceu após a revolução do Neolítico, há cerca de 10 mil anos, e já tinham havido também civilizações complexas, como no Egito ou na Mesopotâmia; mas foram os clássicos  (Gregos e Romanos) que incutiram à cidade os conceitos de ordem, política e civilização que hoje conhecemos.

Na Grécia clássica, pólis significava cidade, termo que deu origem em português a palavras como políticos (habitantes da pólis ou cidadãos), política (relativo à cidade), cosmopolita (ordem da cidade) ou ainda metropolitano (relativo à medida da cidade). Os Romanos por outro lado, tiveram também um papel muito importante na administração das cidades, sendo que a própria palavra cidade provém do Latim (civitas), dando origem a palavras como civilização ou civismo. Outra palavra latina, urbanus, fazia referência às matérias pertencentes à cidade, e além de dar origem à palavra urbano, deu interessantemente também origem, à palavra urbanidade, que em oposição à ruralidade, com o desenvolvimento da língua, foi associada também ao conceito das boas regras de educação e de conduta cívica; aliás como a própria palavra civismo.

Fiscalidade verde, exigem-se medidas ousadas!


O governo, através do ministro do ambiente Jorge Moreira da Silva e da Comissão da Reforma da Fiscalidade Verde, fez uma série de propostas legislativas, para que se aumentassem os impostos sobre os produtos e serviços que são nefastos para o ambiente, por exemplo através da taxação do carbono. Antes de mais, quero aqui como cidadão, congratular o governo por ter tomado estas medidas, que apesar de muito tímidas, são um começo. Todavia, pelo que li das medidas no Jornal Público, tenho um enorme receio enquanto ambientalista e cidadão, que haja um grande risco de as mesmas serem um autêntico falhanço.

Vivemos num clima de confisco fiscal

Nunca Portugal na história da sua Democracia teve uma carga fiscal tão elevada. Além de ser deveras elevada, é também iníqua. Os impostos sobre os rendimentos das famílias e do trabalho, leia-se IRS, atingiu níveis historicamente altos. O IRS em 2013 atingiu o valor de 1/3 do total de todos os impostos, diretos e indiretos, ou seja cerca de 12 mil milhões de euros. O desagrado da generalidade da população é elevado, e por muito que se tente explicar às pessoas, que estes impostos verdes têm um impacto benéfico, o descontentamento está tão generalizado, que qualquer aumento de impostos, é visto apenas como, citando a vox populis, "mais um roubo"!

As propostas são muito tímidas

Além de criarem impacto mediático negativo, pois a maioria das pessoas fica apenas com a ideia de "mais aumento de impostos", as medidas são tímidas do ponto de vista orçamental e acabam por não provocar o impacto fiscal desejado para baixar o IRS. Se estas medidas fossem bem mais ousadas, haveria a margem suficiente para baixar outros impostos, como o IRS ou mesmo baixar ainda mais o IRC, aumentando a competitividade das empresas, criando assim também menos impacto mediático negativo, pois a generalidade das pessoas, encontraria nestas medidas uma contrapartida tangível e financeira imediata. Posto isto, as medidas pecam a dobrar, pois além de criarem a ideia na população que os impostos verdes, servem apenas para obter mais receitas fiscais num clima de austeridade, não geram margem orçamental suficiente para baixar outros impostos como contrapartida.

Ferrovia ou rodovia, o que é melhor para Portugal e para a Europa


Tem-se debatido muito sobre, se Portugal e os restantes países europeus, devem ou não reinvestir na ferrovia em comparação com os investimentos substanciais que se fizeram nas últimas décadas em rodovia, e muito particularmente em autoestradas. Demonstro seguidamente que na generalidade, e muito particularmente para o caso de Portugal, a opção ferroviária é amplamente muito mais benéfica que a vertente rodoviária. Abordarei os temas da Economia, Eficiência energética, Ambiente, Ordenamento do território e Segurança. Em cada um destes tópicos, a opção ferroviária é substancialmente muito mais benéfica que a vertente rodoviária.

Economia 

Abordo neste capítulo, meramente questões económicas, considerando que a economia é parte integrante e presente no debate político da atualidade; ou seja, neste capítulo, não menciono quaisquer vantagens ambientais ou energéticas, características que amiúde são atribuídas à ferrovia. Reparemos assim que em 2013, quase 60% da eletricidade consumida no país foi de fontes renováveis, isto é, através de fontes endógenas. Não me refiro aqui a questões ambientais, mas estritamente económicas no benefício que estas fontes têm na nossa balança de pagamentos e na diminuição da nossa dependência energética em relação ao exterior.

Já o modo rodoviário, onde quase a totalidade dos seus meios de transporte se movem a derivados do petróleo, promove largamente a nossa dependência energética em combustíveis fósseis. A título de exemplo, em 2010, as maiores importações (cerca de 15%) foram combustíveis, representando só esta parcela, cerca de 9,5 mil milhões de euros, um valor superior ao que o país paga anualmente de juros, superior ao que nos custa a todos a Escola pública ou o SNS e superior também ao valor que teve o "buraco" do BPN. Não é de estranhar então, que a Direção Geral de Energia e Geologia refira que em 2012, mais de 1/3 da energia que o país gastou, foi nos transportes, ou seja, derivados do petróleo, visto que 99,9% dos transportes em Portugal locomovem-se usando derivados do petróleo.

Conclui-se assim que o modo rodoviário provoca em Portugal elevada dependência energética, criando na nossa balança comercial no que concerne à parcela dos combustíveis, elevadíssimos défices financeiros, fazendo com que as famílias e as empresas aloquem muitos recursos do país para o exterior, agravando-se por conseguinte o défice da balança de pagamentos e o aumento da dívida externa.

Cerca de 60% da eletricidade produzida em Portugal, é de fontes renováveis endógenas.
Na realidade Portugal, no domínio da eletricidade, tem um saldo importador de apenas 5%. Fonte: APREN



35,7% da energia que Portugal consome está nos transportes, onde 99,9% desses transportes se movem a derivados do petróleo, quase na totalidade importados. Fonte: Direção Geral de Energia e Geologia

Doenças respiratórias, tráfego automóvel e poluição do ar



A Fundação Portuguesa do Pulmão, presidida pelo excelso Dr. Artur Teles de Araújo, publicou recentemente um relatório, amplamente difundido pela comunicação social, onde menciona que as mortes por patologias respiratórias em Portugal estão a aumentar. Segundo declarações provenientes da referida Fundação, as causas deste tipo de doenças são o desemprego, a pobreza ou as condições de vida insalubres. Numa visita guiada completa ao sítio da Fundação Portuguesa do Pulmão, mais precisamente à intitulada TV Pulmão e aos seus vários vídeos supostamente pedagógicos, não encontramos nenhuma referência à poluição do ar exterior, mormente causada pela indústria ou pelo tráfego rodoviário! Sim, ouviu bem, segundo a Fundação Portuguesa do Pulmão os problemas dos pulmões portugueses devem-se às condições habitacionais, aos animais domésticos, às lareiras, à nutrição, à pobreza e ao tabaco, e nem uma palavra de relevo, à poluição causada pelo tráfego automóvel.

Bem, não sou médico, e indubitavelmente que o tabaco é um grande fator propendente para várias patologias respiratórias, mas parece-me que, ou o Dr. Teles de Araújo é mais um popófilo arauto dos desígnios do ACP, ou devido à sua já avançada idade e eventual senilidade, não leu os relatórios mais recentes sobre uma das causas que mais provoca patologias mortais do foro respiratório. Ora vejamos, um relatório de uma reputada universidade Inglesa diz preto no branco que os fumos dos escapes automóveis são causadores diretos de várias mortes por pneumonia. Por seu lado, a Organização Mundial de Saúde, num comunicado recente que colige centenas de estudos sobre as patologias do foro respiratório a pessoas acompanhadas durante décadas, atesta claramente que a poluição do ar exterior, essencialmente provocada pelo tráfego automóvel, é causadora de cancro do pulmão. 

O Dr. Teles de Araújo, também não deve saber, ou esqueceu-se de mencionar, que segundo dados da própria Agência Portuguesa do Ambiente verificou-se o incumprimento dos valores limite às partículas inaláveis registadas em várias estações do país. O Dr. Teles de Araújo, também se deve ter esquecido, que as obras na Av. da Liberdade não foram porque o Costinha as quisesse fazer, foram realizadas apenas, porque o Estado português pagava multas pesadíssimas à União Europeia, pois a poluição nessa artéria violava em muito os limites considerados seguros para a saúde humana. O sotôr também não deve saber, que Portugal é o terceiro país da Europa com mais carros por habitante, tendo a nossa nação cerca de um carro por cada dois habitantes, dos índices mais altos do mundo. Essa elevada concentração em meios urbanos, provoca claro está, elevados índices de poluentes no ar. Não esquecer ainda que Portugal tem dos parques automóveis (porque virou moda a certa altura) com mais carros a gasóleo, sendo o gasóleo um grave problema para os pulmões, devido à emissão de micro-partículas.

Em entrevista à TVI, o dito Dr. (acredito que seja), nos mais de dois minutos que tem de antena no telejornal, nem uma única palavra dedica à poluição do ar exterior, e quando a jornalista lhe pergunta diretamente a razão de tal hecatombe, o Dr. (acredito que o seja) deixa a entender que se deve à austeridade. Claro, eu não sou médico, mas toda a gente sabe que a austeridade é causadora de todos os males do país, até das elevadas ondas e vagas do mar que entraram pelas zonas costeiras adentro no Inverno. Óbvio que não tem nada a ver com a subida do nível médio do mar, que se regista desde o séc. XIX, devido aos gases com efeito de estufa, esses mesmos gases emitidos pelos motores de combustão que por sua vez também emitem partículas que provocam patologias respiratórias.

O estranho é que o próprio Dr. Teles de Araújo parece constatar muito surpreso que apesar de Portugal ter um índice baixo em relação à média Europeia, de pessoas fumadoras, mesmo assim tem um índice alto de mortes por pneumonia. Claro, a resposta segundo o sotôr é a pobreza e a austeridade. Mas veja-se por exemplo o gráfico acima do Eurostat referente às mortes por pneumonia na Europa em 2009, onde Portugal aparece em segundo lugar. Será que os croatas, os cipriotas, os húngaros ou os letões, que aparecem no extremo oposto da tabela, têm melhores acessos a cuidados de saúde e medicamentos, ou são mais ricos que os portugueses, para justificar índices muito mais baixos de fatalidades por pneumonia? Ou será que pelo facto de serem pobres, não têm dinheiro para cada cidadão ter um carro? Ou será que estará relacionado, o facto de na Hungria, que é o país que aparece no final da tabela, ser dos países da Europa com maior índice de pessoas que se desloca de bicicleta?

Será que o Dr. Teles de Araújo é autista, ou foi subornado pelo ACP? Já espero tudo neste país de sofistas e de carrocratas. Muito preocupante mesmo e sintomático da elevada hegemonia que o automóvel tem em Portugal!

Prefiro 999 chineses a pedalar


Eu sou veementemente antiamericano, os estados unidos representam verdadeiramente o grande satã, e aliás, sou verdadeiramente ambientalista, e por isso desprezo todos os exemplos pseudoecológicos que vêm da terra do tio sam, que vemos serem idolatrados por uma certa elite ambientalista lusa. Não vou entrar aqui em tratados geopolíticos e histórico-filosóficos, até porque já o referi por diversas vezes neste blogue. Rogo-vos que leiam apenas isto para perceberem de uma vez porque é que eu sou verdadeiramente ambientalista, pois sou contra a hegemonia brutal do petróleo que tanto prejudicou no séc. XX o planeta e os seus habitantes. Mas como existe algo brutal chamado petrodólar, a inércia ambiental e energética do planeta não se altera.

Em relação às barragens, respondo porque sou favorável a estas e serei direto: para mim vale tudo; desde que acabem com a hegemonia do petróleo no planeta: bicicletas, barragens, eólicas, energia das marés, fotovoltaica, geotérmica, carro elétrico, a hidrogénio; e até plantações de arroz a alimentar 999 chineses que pedalam num veio ligado a um gerador elétrico.

Ousaria mesmo referir que acho que há para aí muito ecologista e ambientalista que tem um pacto secreto e diabólico com o ouro negro. Estão contra o nuclear nem sei bem porquê, estão contra as barragens por causa dos peixes e das plantas, estão contra as eólicas por causa das migrações das aves, ou seja, estão contra todas as formas sérias e potencialmente eficazes para acabar com a hegemonia do petróleo, esse sim o grande malfeitor ambiental do planeta. Os ambientalistas que temos não são sérios, são apenas um fantoche do tio sam, que servem somente para criar entropia no debate e servem apenas a linha da frente do cartel do petróleo. Se não o podes atacar de frente, ataca-o por trás; é essa a faceta ambientalista que nós temos, apenas uma máscara dos sectários do tio sam e da OPEP.

Aliás basta ver um partido completamente anedótico no nosso espectro parlamentar chamado PEV. Faz tudo menos defender o ambiente, e os seus parcos deputados andam bem montados de carro com motor de combustão. Diria mesmo que há certos ambientalistas que funcionam como uma espécie de extrema esquerda aquando do 25 de Abril; eram tão de esquerda, tão de esquerda; que agora estão nas fileiras dos partidos neoliberais.

Se és verdadeiramente ambientalista e estás a ler este texto, só peço que te focalizes: o inimigo não são as barragens nem as eólicas; o inimigo é sim o carro que tens na garagem, o inimigo são os 700 mil carros que entram todos os dias em Lisboa, são os camiões que circulam por esse mundo fora que consomem gasóleo (altamente poluente), as fúteis autoestradas que andámos a construir com dinheiro emprestado, são as centrais a fuelóleo e todos esses meios dependentes do petróleo. Um século de industrialização massiva, tendo o petróleo como fonte primária mais usada, deu cabo do planeta. Basta atestar as secas que temos tido em Portugal já no séc. XXI.

Nova barragem do Foz Tua evitará o equivalente a meio ano de carros em Lisboa


Barragem convencional
As contas são simples e não são deveras difíceis. A nova barragem do Foz Tua, que entrará em serviço em 2015, e que se enquadra no plano nacional de barragens instituído pelo governo socialista de Sócrates, evitará que se emitam para a atmosfera o mesmo que emitem os carros na entrada e saída de Lisboa, durante meio ano.

As barragens, e particularmente esta, têm uma série de conhecidas desvantagens a nível ecológico pois destroem alguma biodiversidade que existe no caudal dos rios que é contínuo, substituindo-os por uma enorme albufeira normalmente mais pobre no que concerne à biodiversidade. As barragens também provocam a erosão costeira pois evitam que os detritos que vêm dos rios se acamem na orla costeira, pois impede-os de prosseguir o seu normal trajeto a jusante da barragem. Este plano nacional de barragens terá também, matematicamente falando, um ganho energético nulo, pois o que as barragens farão, essencialmente será utilizar a energia que as eólicas produzem durante a noite, para bombear a água a montante, para durante o dia utilizar essa água para a produção elétrica. Como este processo tem perdas e um rendimento total de cerca de 75%, e juntamente com o que as barragens produziriam por si só através das chuvas e do leito dos rios, a montante das mesmas, as barragens terão um ganho energético nulo.

Mas falar em ganho energético nulo, não é ser-se sério, pois o que na realidade as barragens farão, é funcionar como baterias gigantescas de eletricidade, zero-emissões e sem quaisquer químicos, que carregarão a energia eólica que é produzida durante a noite que até agora era desaproveitada ou enviada para Espanha a custo zero, e aproveitarão essa energia carregada durante a noite, para ser consumida durante o dia. Assim as barragens terão um papel fundamental no aproveitamento ecológico e energético do vento.

Neste sentido as barragens farão com que o país fique mais soberano energeticamente e ajudar-nos-ão a cumprir as metas de Quioto. Tudo isto tem um preço, como é evidente e será um grande negócio para as empresas hidroelétricas pois receberão do estado comparticipações tarifárias que já estão contratualizadas que fará com que a nossa eletricidade fique mais cara, tornando assim as despesas das famílias mais elevadas, e tornando a economia menos competitiva. As barragens, segundo tenho lido não trazem também um grande desenvolvimento das regiões onde se implantam, pois normalmente não empregam muitos trabalhadores, sendo que a autarquia recebe uma renda dos produtores, mas que segundo alguns, essa renda é irrisória. No entanto há casos concretos em que a albufeira da barragem é usada para turismo, como desportos recreativos de foro náutico, ou mesmo subaquático como mergulho e criam-se ainda também maiores zonas de praias fluviais. A água da albufeira das barragens também pode servir para a agricultura.

Remetendo-me agora à epígrafe da questão, como é que a barragem do Foz Tua evitará que se emitam o equivalente a meio ano de carros em Lisboa? As contas são simples: Lisboa tem uma média aproximada de 700 mil carros a entrar e sair diariamente do centro da cidade. A média de emissões de C02 no parque automóvel em Portugal é de cerca de 130g C02/km. Se consideramos um percurso médio de um carro a entrar em Lisboa de cerca de 15km para cada sentido, podemos concluir que:

700.000 carros/dia * 130 g C02/km/carro = 91 t C02/km/dia (total de carros em Lisboa)
91 t C02/km/dia * 2 * 15 km (in and out de Lx) = 2,73 kt C02/dia
A barragem do Foz Tua evitará, segundo um estudo da edp, que se emitam 470 kt C02/ano
470 kt C02 / 2,73 kt C02/dia = 172 dias, que é aproximadamente 6 meses = 1/2 ano

Os cálculos que aqui estão envolvem algumas aproximações, mas pode-se constatar claramente na ordem de grandeza das emissões que a barragem evitará. Considerando os prós e os contras, eu pessoalmente, só posso estar em favor do plano nacional de barragens, por questões de soberania energética do país, por questões económicas e também como foi demonstrado, por questões ambientais no que concerne às emissões de C02 que tanto desregulam o clima no planeta. Mas tal, creio que não impediria também, de uma forma muito mais assertiva, que apostássemos numa melhor eficiência energética, particularmente no campo dos transportes, apostando numa melhor rede de transportes públicos, na melhoria das condições para a mobilidade suave e num melhor planeamento urbanístico.

O preço da energia em Portugal e na Europa


Muitos se questionam se a Europa terá de ficar eternamente dependente da seiva negra denominada petróleo, que por sinal é largamente controlada pelos Estados Unidos. Já o referi diversas vezes, os EUA, sedentos de poder a nível mundial, e sabendo que o petróleo é quase mais valioso que o ouro, indexaram a sua moeda ao petróleo e emitiram ao longo destes anos milhares de milhões de dólares, o que faz com que a sua moeda seja omnipresente e no entanto poderosa pois está associada a um bem fundamental nos dias de hoje que é o petróleo.

Desde 1910, quando Henry Ford começou a fabricar carros em série que o paradigma não se alterou. Decorridos 100 anos estamos cada vez mais dependentes dessa seiva negra que a América controla. Ora vejamos, por exemplo em Portugal, em 2005, cerca de 20% de toda a energia produzida para a rede eléctrica provinha de derivados do petróleo e 99,3% de toda a energia no sector dos transportes provinha de produtos petrolíferos. Portugal é então mais um vassalo do exterior pois a sua dependência energética tornou-se há muito patológica. Os EUA, invadiram o Iraque na primeira guerra do Golfo, não com motivações humanitárias ou democráticas, mas tão-somente por questões petrolíferas. E por certo que todos os centros de investigação, todas as universidades e toda a indústria automóvel está comprometida com este pacto diabólico energético de não providenciar aos cidadãos energia mais barata e mais limpa.

A questão é tão liminarmente simples. Se você controlar totalmente um bem que é escasso e simultaneamente essencial você será rico e poderoso. Se alguém encontrar uma alternativa para o mesmo propósito do bem que você controla, você deixará de ser rico ou poderoso e fará tudo para que tal não aconteça. Esta inércia maléfica, faz com que após 100 anos do começo da fabricação do carro em série, ainda nos movamos somente a derivados do petróleo. E Portugal é um caso paradigmático desde a sua fase democrática após 1974. Encheu o país de estradas, o Estado endividou-se para construir estradas e auto-estradas, os portugueses endividaram-se para comprar carros, transportámos quase tudo por camião e importamos todos os recursos petrolíferos. A GALP, empresa nacional, limita-se a fazer alguma prospecção no estrangeiro, e a fazer refinação em Portugal. Entretanto a ferrovia definhou completamente.

No princípio do século XX os pseudo-visionários norte-americanos imaginaram que o mundo futuro seria sedento de petróleo, sendo que não imaginavam que outras tecnologias poderiam competir com o petróleo. Fizeram incursões no Médio Oriente, em alguns dos seus estados e posteriormente em África. Dominam, juntamente com os Ingleses, toda a indústria petrolífera, desde a prospecção, a extracção, o transporte, a refinação e a venda ao público. Todas as outras tecnologias que ousam competir com o petróleo são abafadas, silenciadas ou quando se tornam demasiado ousadas, são aniquiladas pelos fervorosos arautos do tio Sam.

Mais uma vez redigo-o, a questão é liminarmente simples, se você dominar a indústria da água no deserto torna-se rico e poderoso, se dominar a indústria do oxigénio numa eventual colónia lunar, torna-se rico e poderoso, se dominar a indústria das vestimentas na Escandinávia, torna-se rico e poderoso, se dominar a indústria petrolífera no mundo moderno, torna-se rico e poderoso. E quando alguém atinge o apogeu no poder, usará todos os seus meios poderosos e maléficos para que não seja destituído desse poder. E é esta inércia que mantém o sistema controlado com as graves consequências nefastas para os cidadãos do mundo e para o planeta.

Os EUA, não ratificaram o protocolo de Quioto e são o segundo país mais poluidor do mundo, depois da China. A UE faz um esforço colossal para cumprir com a redução das emissões de CO2, com países como Portugal que em 2008 já tinha 23% da sua energia eléctrica produzida através de fontes renováveis; sendo que países como os EUA, em nome da competitividade da sua indústria poluem larga e imensamente o planeta Terra. E o petróleo toma aqui um papel fundamental neste paradigma maléfico. Só a título simbólico o carro presidencial dos EUA consome 30 litros a cada cem quilómetros.

Mas deixemo-nos de palavreado fútil e cinjamo-nos aos números dos preços da energia em Portugal e na União Europeia

O preço da energia em Portugal na UE


Vejamos por exemplo o preço da gasolina sem chumbo


Apesar do que se diz, infelizmente, Portugal não é dos países onde a gasolina sem chumbo é mais cara, apesar de estar no pelotão da frente, como o gráfico mostra.



No caso da electricidade, Portugal encontra-se a meio da tabela, mesmo apesar dos enormes esforços que a EDP tem feito para incentivar a pequena produção de energia através de fontes de energia renovável, pagando na compra aos pequenos produtores um preço maior em relação ao preço da venda.


No caso da carga fiscal em relação ao preço final na gasolina sem chumbo, vê-se claramente que Portugal também se encontra no meio da tabela, e não nos primeiros lugares como muitos cidadãos indignados arautos do petróleo querem fazer parecer.




E finalmente o gráfico mais emblemático da maléfica hegemonia do petróleo no nosso quotidiano. Cerca de 99% das fontes de energia no sector dos transportes são obtidas através de derivados do petróleo. Na produção de energia elétrica tal é cerca de 20%. O grande Satã denominado Estados Unidos da América tem aqui um papel maléfico e perverso na manutenção desta inércia nefasta para todos os cidadãos do mundo e para o planeta em geral.

As nefastas consequências da hegemonia do petróleo são toda uma série de patologias do foro respiratório nos cidadãos das metrópoles, as alterações climatéricas a nível mundial, o barulho ensurdecedor provocado pelos automóveis e as suas consequências para a saúde, a insegurança rodoviária e o número de vidas que ceifa anualmente, a destruição de florestas e da natureza para a construção de rodovias, a preterição do transporte público em prol do veículo particular e a dependência energética de países que não estão no círculo maléfico da OPEP ou no círculo maléfico que controla esses países, tal como o grande Satã denominado Estados Unidos da América.

A Europa tem que dar um sinal, o petróleo tem de ser encarado como um veneno para o globo e para a saúde dos europeus, como tal os derivados do petróleo teriam de ter uma carga fiscal substancialmente superior. A média do preço da gasolina na Europa deveria ser 10€/litro devido tão-somente a carga fiscal. Tal obrigar-nos-ia enquanto cidadãos europeus a apostar seriamente nos transportes públicos e na ferrovia, que no caso português à excepção dos eixos principais, está praticamente putrefacta.

Deixo a pergunta às elites europeias:
  • Até quando serão vassalas do grande Satã?
  • Até quando estará a Europa dependente de uma seiva negra maléfica que não produz e que só importa, trazendo graves consequências para a saúde dos cidadãos europeus?
  • Não terão as universidades europeias tecnologia suficiente para criar métodos novos, baratos e limpos de locomoção de veículos sem que estejamos dependentes dos proxenetas do petróleo?
  • Para quando prevêem as elites europeias que 100% dos carros a circular na Europa sejam somente zero emissões de CO2 e de outros poluentes?

Vade retro Satanás

Fonte de todos os dados: http://energy.eu/

Quão suja e feia é Lisboa


Lisboa tresanda, está putrefacta e entregue aos moribundos. Quão feia é Lisboa, esta capital que não deveria sequer merecer o título de capital, deveria antes capitular perante incêndios e exércitos invasores. Qual capital de um império decadente, Lisboa encontra-se deveras putrefacta, mórbida, pestilenta, imunda, nauseabunda e com odores que repugnam o mais ilustre dos turistas. Lisboa é tão feia, tão repugnante, é um esgoto desta Europa que dejecta todas as suas imundices nesta ocidental praia suja lusitana.

E passo a explicar esta minha missiva de indignação. Os jardins públicos numa metrópole convencional são ocupados por crianças que se regozijam e brincam alegremente; por vezes sentam-se nos belos bancos de jardim de madeira e de ferro forjado os maravilhosos casais de enamorados; mas em Lisboa, os jardins são para os indigentes, para os moribundos, para os sem-abrigo e para os embriagados. O estado social não trata desta gente, e estes ociosos abundam nos jardins públicos depositando os seus nefastos dejectos fecais nos passeios e nas relvas onde brincam as crianças. Os animais que passeiam os cães, desrespeitosos com as questões de saúde pública não apreciam manipular os dejectos dos seus melhores amigos, sendo que a tão famigerada calçada à portuguesa é sempre bem agraciada com aquelas massas fecais disformes de cor acastanhada rodeadas por moscas nojentas e pestilentas. Os jardins da cidade, à excepção do Parque das Nações e de Belém, são um autêntico antro de indigentes, de moribundos, de fezes de animais domésticos, e de ociosos nauseabundos. Os jardins de Lisboa não são dos lisboetas. Quantos de vós lisboetas passearam ou se deleitaram com um bom momento de reflexão e de prazer num jardim público em Lisboa?

As casas são devolutas, estão podres e putrefactas, inabitadas ou entregues a senhorios que nada fazem para as recuperar pois auferem uns míseros euros por mês de rendas. Há outras que nem estão habitadas, nem entendo bem porquê, os prédios estão completamente a desfazer-se e podres por dentro, estando completamente abandonados, sendo até certo ponto um risco para os transeuntes. A culpa é dos malfeitores senhorios e proprietários sequiosos por dinheiro que só vendem o terreno por milhões de euros, e o prédio vai ficando assim, abandonado e devoluto. Um jovem casal da classe média que pretenda comprar casa, tem de recorrer aos subúrbios de Sintra, à Rinchoa, ao Cacém ou a Vila Franca, sendo sempre tão largamente anunciado por estes promotores imobiliários em cartazes, os princípios dos sentimentos paradisíacos e da felicidade em belas casas a apenas 45 minutos de Lisboa. Pois os jovens casais da classe média vão para a Rinchoa e para Santa Iria, e as casas do centro da cidade estão entregues a especuladores imobiliários ou então estão literalmente devolutas, inabitadas ou decadentes. Por que é que os ridículos governantes camarários não expropriam literalmente esses senhores, dando-lhes um preço ridículo pelo imóvel como castigo pela sua inobservância e falta de zelo pela coisa pública? Venha novamente entre nós um primeiro de Novembro de 1755 para revolucionar o sector imobiliário em Lisboa! Venha novamente um 25 de Agosto de 1988 para renovar o sector comercial e imobiliário no centro de Lisboa!

Lisboa é feia, é nauseabunda, é pestilenta, é desorganizada, é caótica e suja. Os carros invadem as artérias principais da cidade, e qual peste sonora e atmosférica, essas massas de ferro enlatado com motor penetram nas veias principais da metrópole e enchem-na com caos, desfiguração pitoresca, barulho, poluição, definhando e ocupando o seu espaço precioso. A empresa camarária de nome EMEL, nada faz limitando-se a mamar o erário pecuniário dos condutores para diminuir o tremendo défice camarário. No entanto continuam a abundar na cidade que viu partir as caravelas do Infante, os nefastos e funestos arrumadores de carros, quais ratos e baratas que se espezinham violenta e energicamente, mas que continuam a movimentar-se e a deambular pela cidade extorquindo os temerosos condutores.

A cidade é execrável, é hedionda, é horrível e é feia. As paredes das habitações, e todo o imobiliário público como quiosques ou paragens de autocarro estão repletas de grafitos nojentos, quais puros actos perpetrados por vândalos cosmopolitas. Nenhum dos grafitos que vejo em Lisboa é arte, são apenas rabiscos sem qualquer cariz artístico, apenas e tão-somente meros actos de vandalismo público. As paredes das habitações, as lojas, as paragens, os quiosques, as cabinas públicas, até os pequenos cilindros afunilados que servem de apoio à iluminação pública, são alvo de vandalismo pictórico por grafitos nojentos e sem sentido. É tudo desregrado e sem sentido. Lisboa é suja e nojenta. Onde está o “cheira bem cheira a Lisboa” eternizado pelo seu requintíssimo fado? A Mouraria está entregue aos carros e aos criminosos, Alfama está entregue aos indigentes, a Baixa aos turistas, o Bairro Alto aos embriagados, a Madragoa ao lixo público, a Lapa aos nobres aristocratas e o Restelo à prostituição. Resta apenas nesta Lisboa o nobre Parque das Nações, sempre jovial, belo, limpo, ordeiro, civilizado, eclético, comercial e cívico.

Lisboa é tão feia, é tão suja, caminhar pelos passeios de Lisboa é como caminhar por um campo minado de restos fecais de cães e dejectos de sem-abrigo. Os carros não respeitam os passeios e estacionam onde lhes apetece. Os monumentos estão degradados e sujos devido à poluição atmosférica causada pelo parque automóvel. As ciclovias são praticamente inexistentes, e acreditem que a morfologia da cidade permitiria que vários ciclistas caminhassem por Lisboa. Os carros trespassam passeios, invadem o espaço do peão, e passear a pé em Lisboa tornou-se praticamente caótico e desregulado. Todos os veículos ultrapassam em Lisboa a velocidade máxima permitida nas cidades pelo Código da Estrada. Quantos condutores lisboetas não ultrapassaram alguma vez os 50km/h em Lisboa? Merda, Lisboa tem em média 2,2 atropelamentos por dia, e tal deve-se apenas ao facto de esta ser estúpida e desrespeitosa perante os direitos dos seus peões.

Lisboa é criminosa, está cheia de indigentes, criminosos, travestis, proxenetas, prostitutas, moribundos e mendigos. Todas as portas das igrejas da cidade estão repletas de ratos mendicantes que anseiam sequiosos o seu quinhão para poderem adquirir o vinho e a droga que lhes saciará o vício. Todos os parques de estacionamento estão repletos de ratazanas arrumadoras de veículos de quatro rodas que extorquem dinheiro a troco de exactamente nada. Lisboa é tão homossexual; está repleta de bichas, maricas, panascas, larilas e vendedores ambulantes de panelas que ostentam tanta folia tão severamente fútil e frívola, Lisboa não passa de um antro de lésbicas homofóbicas. Lisboa é um dos centros mundiais da nefasta, vergonhosa, repugnante e nauseante homossexualidade. Concluindo, Lisboa não é mais do que uma bicha, suja, indigente, sem abrigo, que dejecta nos passeios e que se movimenta de automóvel. Lisboa não serve os cidadãos civilizados, Lisboa nunca deveria receber o título de pólis, é apenas um esgoto europeu para ratazanas asquerosas sem qualquer brio ou sentido de higiene pública.

É esta a cidade de Pessoa que viu partir as caravelas do Infante?

As contrariedades da simbologia automóvel


O automóvel, vulgo carro, foi e por certo será por muitos mais anos o meio de transporte de eleição das sociedades ocidentais. É prático, oferece alguma liberdade na movimentação quotidiana dos habitantes das polis, e salvo algumas, agora muito mais frequentes exceções, é fácil de estacionar, pois os parques citadinos começam a abundar. No entanto, por certo que nunca poderá ser o meio do futuro, o meio das metrópoles das novas gerações, e todas as cidades cujos arquitetos, urbanistas e políticos camarários tiveram algum intento visionário na sua conceção, tiveram por certo de apetrechar tais urbes com o transporte da multidão, do público, dos cidadãos.

Uma carruagem do metropolitano pode, em situações de pleno conforto aos seus ocupantes ter pelo menos cinquenta passageiros; no mesmo espaço, caberiam quatro veículos automóveis, que em média nas cidades devem conter dois passageiros, o que dará oito cidadãos. As cidades visionárias têm de ser concebidas para o futuro e imagino, eu, mente por vezes sectária e ortodoxa, outras vezes sonhadora e visionária, as cidades do futuro super populosas, onde por certo o automóvel nunca terá lugar de existência. Observemos grandes metrópoles como por exemplo, Nova Iorque, Hong Kong, Xangai, e vemos o quão importante é o transporte coletivo. Em Nova Iorque, onde a política americana para o transporte público durante muitos anos se limitou ao sector urbano, o transito por certo, nunca lá estive, é literalmente caótico, e os meios de transporte público nunca publicitados nos meios cinematográficos, são raros e os que existem face à tecnologia da nação em causa são deficitários. Já em Hong Kong, cidade que gostaria de visitar um dia, parece-me que dada a elevada densidade populacional, foi uma cidade com projeção futurística, onde o transporte coletivo foi uma grande aposta. Creio que essa mistura étnica e tecnológica entre saber colonial britânico e espírito regrado de trabalho Oriental deve ter proporcionado aos arquitetos de Hong Kong fazerem uma metrópole moderna e de futuro. O mesmo, creio, pode ser aplicada às grandes urbes do Oriente, cidades hiper populosas, onde o número de habitantes é enorme dada as suas dimensões, não se podem dar ao luxo que os seus cidadãos tenham cada um automóvel para irem onde quiserem. Se os chineses usam muito a bicicleta, não é por certo por razões ambientais, pois o crescimento económico de tal nação não pode ser suportado com restrições de tal ordem, o ambiente é secundário; foi antes por questões de pragmatismo urbanístico. Onde caberiam tantos automóveis em cidades tão populosas. E o mesmo talvez se aplique à América Latina.

Estou perdido nos pensamentos ao me aperceber que na realidade a densidade populacional de Pequim é na realidade inferior à de Lisboa, bem agora perco razão ao que digo, mas por certo está relacionado com a área muito superior do distrito de Pequim. E o mesmo a Hong Kong. Mas eu, nesta pequena missiva que faço sobre a simbologia automóvel quero ficar perplexo, com as contrariedades engraçadas dos apetrechos do carro, por isso mudo o estilo da escrita, torno-a mais sublime, mais poética, uma espécie de prosa-poética em homenagem a todos os mágicos adereços que os automóveis das cidadelas do Ocidente podem comportar, desde o contrário travão-de-mão; quão estranha é esta peça de auxílio à paragem do veículo que utilizamos quando estacionamos a viatura, pois para travar, para parar, elevamo-lo, erguemo-lo, fazemo-lo subir e depois de erecto trava o carro; não é por certo este fenómeno contrário à razão carnal e humana. E mudanças, porquê sempre cinco na maioria dos automóveis? E o que mais me intriga é o escape, esses jovens sempre prontos a quitarem, a apetrecharem as suas viaturas com imponência e realce, colocam aqueles espessos escapes, firmes, hirtos, que deitam o fumo queimado pela combustão do veículo, o escape, que situado na traseira do carro, e largando dejetos do automóvel, tem uma simbologia um pouco estranha, lembrando os despojos de uma criatura rápida, célere, em movimento. Mais uma contrariedade da figura automóvel.

O motor, é o coração, é a máquina vital à aceleração da viatura, promove a inércia, faz com que esta máquina divina obedeça à lei da variação de velocidade postulada pelo mais grandioso físico Britânico com nome de semita. O motor, a peça chave desta máquina de movimento, é por vezes poluente e trágico aos olhares das polícias rodoviárias. Para esses jovens rebeldes que adulteram as suas viaturas com o intento de as tornarem mais poderosas, o motor está obviamente relacionado com a força motriz, com o impulso, com o vigor humano, com a força dos seus músculos, com a potência da sua fértil verga. É por isso que vejo essas rivalidades entre imbecis e inconsequentes moços, com as suas viaturas quitadas, em competição por nada, e quando as miúdas estão por perto, o desejo de auto afirmarem a sua virilidade aumenta, aumentando consequentemente a profundidade do pedal do acelerador das suas máquinas motrizes.

Os faróis são os olhos, os piscas são os braços que acenam e cujas mãos levantam o polegar, ou os piscas são simplesmente os olhos a piscar. Numa bela donzela, voluptuosa, os faróis, tal como refere o mais vil calão dos bairros degradados, os faróis são por mais que evidente as suas duas protuberâncias que lhe embelezam a estatura, e quando nos máximos, enchem e encadeiam de desejo o mais celibatário dos transeuntes.

As portas serão os braços, que se abrem e podem dar asas para voar; quantas imagens vemos nós em desenhos animados de automóveis, estes esvoaçando na atmosfera, com as portas a suportarem tais diferenças locais de pressão atmosférica, que permitem qualquer ave voar. Os pés e as mãos são as rodas; se o coração é a fonte da motricidade, os pés são o meio pelo qual essa mesma força é transferida, e o qual entra em contacto com o solo. A sola dos sapatos, são os pneus, que providenciam a aderência, a suavidade ou a rigidez do contacto com a superfície.

E tal como os jovens da metrópole se exibem com as suas máquinas infernais de vigor, potência, força, esse aparato que é não mais que uma mescla de tecnologia nos campos da mecânica, eletrónica e aerodinâmica; gostam também de embelezar as suas máquinas de movimento, colocam-lhes autocolantes, e fazem pinturas peculiares, como o belo galã que se veste bem, e coloca aqueles pequenos detalhes de realce na sua já cara indumentária, também estes lhes colocam luzes, para atrair as atenções visuais das redondezas por onde vagueiam, normalmente à noite. E como não poderia deixar de referir o campo do audível, enchem tais maquinetas andantes com os sistemas de som mais potentes e encarecidos que o mercado automóvel alguma vez observou. Tal como o alegre e divertido negro passeia na praia com o rádio sobre o ombro, tradição um pouco já esquecida com o advento do MP3, também os rapazes do xuning adoram vaguear pelas ruelas das metrópoles e fornecer variações de pressão atmosférica à multidão, muitas vezes não requisitada, e muitas mais vezes nada melódica, limitando-se na maioria dos casos a meras batidas de música eletrónica. Sonho em ter tais aparatos de tecnologia, mas para ouvir a terceira Sinfonia de Beethoven para piano. Isso sim é de louvar! Aliás, a música dita clássica, deveria dizer-se erudita, é a mais internacional de todas as músicas pois não tem letras, apenas sons, e a melodia é poética e muito mais rica do que quaisquer ritmadas citadinas.

O carro, mobilidade, tecnologia, conforto, decadência, desconforto grupal, uma tragédia ao coletivismo urbanístico, belo, pessoal, diz muito sobre a personalidade de quem o tem, desde a cavalagem à aparência exterior; desde o delinquente que tem o carro mais podre do mercado que mal anda, ao político abastado que anda nos topos de gama das marcas da indústria automóvel; diz muito sobre o indivíduo.

O carro, inimigo da nação humana, dado o combustível que consome, vejo quantos meios de transporte são construídos por esses continentes fora, por esses mundos, e tantos milhões dedicados a auto-estradas, a via rápidas, a estradas e "estradecas", a ruas e ruelas rodoviárias. Quantos já morreram dentro de um automóvel, quantos morrem diariamente, em todo mundo dentro de um automóvel por velocidades que por certo estão relacionadas com paragens cárdiorrespiratórias: Muita tensão, e o carro imove-se, má condução e o veículo pára para a morte. Quantas tragédias por esse mundo fora em torno do automóvel? Quantos milhões despendidos no seu aperfeiçoamento? Quantas guerras foram travadas pelo combustível que consome, desde os continentes de África até ao Oriente Médio? As guerras e as tragédias em homenagem ao veículo automóvel.

E tudo começou com o advento daquele senhor industrial que mecanizou a sua produção em linha, nos princípios do século vinte. Desde então nunca mais parou em todo o mundo, e se tal crescente não parar, ou se pelo menos não regredir, haverá por certo o caos humano do planeta Terra, em termos ambientais e civilizacionais.