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Fazer Lisboa-Algarve de carro ou comboio?


Obviamente que cada caso é um caso, mas retrato o meu caso, que certamente, é praticamente igual a de muitos outros portugueses. Vim de Lisboa para o Algarve com a minha esposa para uns dez dias de férias, mais precisamente vim da zona oriental de Lisboa, para um apartotel em Albufeira. E como viemos? Naturalmente de comboio. Passo a explicar.

Preço

O preço que paguei em primeira classe no intercidades da CP, que faz a ligação entre a Gare do Oriente em Lisboa e Albufeira foi praticamente 30€ por pessoa, ida-e-volta. Como somos dois, um casal, a viagem de ida-e-volta ficou em 60€. Da nossa casa até à estação pagámos os dois cerca de 4€. Considerando que faremos o percurso inverso ficará esta parcela, de forma arredondada em 10€. Da estação ferroviária de Albufeira-Ferreiras até ao centro de Albufeira junto ao mar, onde se encontra o estabelecimento hoteleiro, o preço da corrida de táxi fica em cerca de 10€. Tudo somado em viagens gastámos aproximadamente 90€ pelo casal, 45€ por pessoa.

Caso tivéssemos vindo de carro (casal sem filhos), considerando um gasto médio aproximado de 0,14€ por km (carro a gasolina), e uma distância de 250km, só em combustível gastaríamos cerca de 70€, ida-e-volta. Ora, não posso agora comparar a primeira classe da CP, em termos de conforto com as estradas nacionais, assim o preço das portagens da autoestrada A2, caso tivéssemos optado pelo automóvel, ficaria no total em cerca de 22,2€ para cada lado perfazendo cerca de 45€ no total. Logo, a opção automóvel ficaria em cerca de 115€, 57,5€ por pessoa, mais 25€ que a opção da CP.

Na realidade, só fica mais barato de automóvel, quando o número de passageiros é igual ou superior a três, que nem sempre é o caso (caso sejam crianças até pode nem ser verdade, considerando os 50% de desconto). Reparem ainda que na CP fomos em primeira classe e contabilizámos o táxi e CARRIS, ou seja o percurso de porta-a-porta.

Conforto e Segurança

É indubitável que é muito mais confortável para todos os passageiros, a opção ferroviária em comparação com a rodoviária. Em primeiro lugar, não há necessidade de um condutor, e bem sabemos que a condução de longos percursos é algo cansativa, e em segundo lugar temos acesso a sanitários, podemos ver um filme num computador portátil, podemos ler (para quem não enjoa no comboio) ou podemos tomar um café ou uma bebida na carruagem bar, podendo ainda dormir calmamente. Andar de comboio é ainda, segundo a Comissão Europeia, cerca de 30 vezes mais seguro que andar de automóvel, em termos de fatalidades por passageiro-km.

Tempo

De carro, pela A2 à velocidade máxima estabelecida por lei, ou seja 120km/h, demora-se aproximadamente cerca de 2:15. Já o comboio da CP, pela Linha do Sul, demora aproximadamente mais 45 minutos, ou seja 3:00. A parte mais morosa, pois a linha não está totalmente modernizada nesse troço, pareceu-me ser o troço ao longo da serra do Caldeirão.

Conclusão

Abstraia a sua consciência e as suas ideias feitas, e faça as contas para que se aperceba do que realmente é mais vantajoso para si, em termos financeiros e de conforto. Ponderando racionalmente os prós e os contras, constata-se claramente que a opção ferroviária é muito melhor até duas pessoas. De referir ainda que, tal como muitos portugueses, não gostamos de andar a vaguear pelo Algarve, ficando na mesma cidade de férias a relaxar. Já se o número de adultos for igual ou superior a três, admito que a opção por automóvel seja financeiramente mais vantajosa; ou ainda, caso seja daquelas pessoas que quando vai para o Algarve, todos os dias vai a praias diferentes em cidades diferentes. Todavia não arrisque, pois estacionar junto à praia na época de verão é tarefa muito árdua.

Ferrovia ou rodovia, o que é melhor para Portugal e para a Europa


Tem-se debatido muito sobre, se Portugal e os restantes países europeus, devem ou não reinvestir na ferrovia em comparação com os investimentos substanciais que se fizeram nas últimas décadas em rodovia, e muito particularmente em autoestradas. Demonstro seguidamente que na generalidade, e muito particularmente para o caso de Portugal, a opção ferroviária é amplamente muito mais benéfica que a vertente rodoviária. Abordarei os temas da Economia, Eficiência energética, Ambiente, Ordenamento do território e Segurança. Em cada um destes tópicos, a opção ferroviária é substancialmente muito mais benéfica que a vertente rodoviária.

Economia 

Abordo neste capítulo, meramente questões económicas, considerando que a economia é parte integrante e presente no debate político da atualidade; ou seja, neste capítulo, não menciono quaisquer vantagens ambientais ou energéticas, características que amiúde são atribuídas à ferrovia. Reparemos assim que em 2013, quase 60% da eletricidade consumida no país foi de fontes renováveis, isto é, através de fontes endógenas. Não me refiro aqui a questões ambientais, mas estritamente económicas no benefício que estas fontes têm na nossa balança de pagamentos e na diminuição da nossa dependência energética em relação ao exterior.

Já o modo rodoviário, onde quase a totalidade dos seus meios de transporte se movem a derivados do petróleo, promove largamente a nossa dependência energética em combustíveis fósseis. A título de exemplo, em 2010, as maiores importações (cerca de 15%) foram combustíveis, representando só esta parcela, cerca de 9,5 mil milhões de euros, um valor superior ao que o país paga anualmente de juros, superior ao que nos custa a todos a Escola pública ou o SNS e superior também ao valor que teve o "buraco" do BPN. Não é de estranhar então, que a Direção Geral de Energia e Geologia refira que em 2012, mais de 1/3 da energia que o país gastou, foi nos transportes, ou seja, derivados do petróleo, visto que 99,9% dos transportes em Portugal locomovem-se usando derivados do petróleo.

Conclui-se assim que o modo rodoviário provoca em Portugal elevada dependência energética, criando na nossa balança comercial no que concerne à parcela dos combustíveis, elevadíssimos défices financeiros, fazendo com que as famílias e as empresas aloquem muitos recursos do país para o exterior, agravando-se por conseguinte o défice da balança de pagamentos e o aumento da dívida externa.

Cerca de 60% da eletricidade produzida em Portugal, é de fontes renováveis endógenas.
Na realidade Portugal, no domínio da eletricidade, tem um saldo importador de apenas 5%. Fonte: APREN



35,7% da energia que Portugal consome está nos transportes, onde 99,9% desses transportes se movem a derivados do petróleo, quase na totalidade importados. Fonte: Direção Geral de Energia e Geologia

Velocidade virtual: a parábola dos dois irmãos!


O Manel e o Jaquim são dois irmãos que trabalham na mesma fábrica na zona urbana de Lisboa, e trabalham à jorna consoante a necessidade e a oportunidade de trabalho, ou seja recebem ao dia, começando o seu turno às sete da manhã.

Certo dia, recebem um convite de uma tia pela qual têm muito apreço, para irem os dois almoçar num sábado consigo na sua casa em Santarém, sendo o Manel e o Jaquim os seus dois únicos sobrinhos. Lembremo-nos que os irmãos recebem ao dia. Sucede que ambos já têm despesas certas impreteríveis pelo menos até ao salário de quinta-feira, chegando à sexta-feira de manhã cada um com zero euros no bolso.

O Manel, homem de trabalho, naturalmente trabalha arduamente toda a sexta-feira na fábrica, no seu turno de 8 horas das 7h às 16h. Recebe por esse dia de trabalho o equivalente diário ao salário mínimo nacional, ou seja 20€. No sábado de manhã, dirige-se à bilheteira de Santa Apolónia, e compra um bilhete de comboio para poder estar às 11h30 na casa da tia em Santarém, tendo pago pelo mesmo 20€, ou seja o que tinha ganho no dia anterior.

Ora o Jaquim, sempre foi um homem mais ponderado e racional. Quando naquela sexta-feira de manhã saiu de casa perto das 6:00 com a sua marmita, olhou para o trajeto que lhe levava até à fábrica, parou e pensou duas vezes. E em vez de seguir o trajeto normal que fazia todos os dias, seguiu diretamente a pé até Santarém ao longo dos 70km que separavam a sua casa, da casa da sua tia. Demorou cerca de 14 horas, mas foi dos passeios mais agradáveis que teve na vida. Almoçou e descansou à sombra de uma árvore na lezíria da Azambuja durante uma pausa da uma hora e pode contemplar de perto a natureza. Perto das nove horas da noite, estava a bater à porta da sua tia, que naturalmente ficou felicíssima por o ver com um dia de antecedência, tendo-lhe oferecido jantar e guarida.

No sábado de manhã estavam os três juntos a almoçar e a debater qual dos dois teria sido o mais rápido.

Estação de Alcântara-Mar destruída e vandalizada


Quando atravessei as galerias da estação de Alcântara-Mar, nem quis acreditar ao estado a que chegou a estação, que é o principal ponto de transferência, entre a linha de cintura e a linha de Cascais, sendo atravessada diariamente por centenas de pessoas.

Isto revela, que os administradores da CP e/ou da Refer, por certo, não andam nos comboios suburbanos da cidade, andando sim, em opíparas viaturas automóveis pagas pela administração destas empresas públicas.

Bem, relato o que vi:
  • grafitos em todo o lado, não havendo a mais pequena área sem que tenha sido vandalizada
  • escadas rolantes todas desativadas (não sei como fazem as pessoas com mobilidade reduzida)
  • bilheteiras eletrónicas avariadas
  • bilheteiras "físicas" desativadas e vandalizadas
  • esteiras de cabos elétricos completamente enferrujadas
  • cabos elétricos embebidos em água
  • paredes (além de vandalizadas) com o reboco e tinta a cair de podre
  • enormes poças de água na base das escadas rolantes
  • estabelecimentos comerciais vandalizados (o café tem um anúncio a referir aos clientes que fechou por questões óbvias de segurança e higiene)
  • casas de banho (obviamente) fechadas
  • espaço para contadores de água, a fazer de caixotes do lixo
  • poças de água no chão monumentais, devido a graves infiltrações e humidade
  • lâmpadas partidas a desativadas
  • bilheteiras do primeiro piso fechadas para "almoço"
As pessoas, com quem falei, dizem-me que a situação perdura há alguns anos, e que têm havido acidentes graves, com pessoas de terceira idade.

Bem sei que a culpa não pode ser unicamente imputada à CP ou Refer, pois isto é obra da mais nojenta estirpe de vândalos urbanos, mas poderia também haver mais zelo por parte da CP/Refer na segurança destes locais, até porque, veja-se bem, encontrei sistemas de vídeo vigilância.

De referir ainda, que poderá haver também responsabilidades por parte da autarquia de Lisboa, pois esta galeria serve também de acesso pedonal, para quem quer atravessar a linha de Cascais, da zona de Alcântara para a doca de Santos.

Sendo eu assíduo defensor dos transportes públicos, deixo a pergunta: com uma estação destas só os heróis e os pobres, é que se atrevem a ter vontade de andar de transportes públicos!

Expositor comercial partido

Galerias cheias de grafitos

CP: MANIFESTO ANTI-GREVE


Caro utente da CP, segundo dados oficiais, a greve dos maquinistas da CP, já fez suprimir milhares de comboios. Só em 2011, a CP perdeu oito milhões de euros de receitas devido às greves, e nesse mesmo ano foram apresentados 51 pré-avisos de greve, o que dá cerca de dois meses e meio de trabalho por ano.

Eu, que todos os dias entro às nove da manhã, e que saio do trabalho cerca das 19, já há mais de dois meses que não tenho comboio para casa, pois os comboios que saem de Sta. Apolónia para Castanheira do Ribatejo, têm sido sistematicamente suprimidos. Após nove horas de trabalho, chego à estação e não tenho comboio para casa, já se tendo repetido esta situação comigo pelo menos mais de 20 vezes. (Comboio das 20:05 e das 21:05 de Sta. Apolónia para Castanheira do Ribatejo é suprimido todos os dias há meses).

Há maquinistas, noticia o jornal Sol, que chegam a receber de vencimento 50 mil euros por ano, que em 14 meses é aproximadamente 3500€ por mês, sete vezes o salário mínimo nacional. Ora o salário mínimo nacional, é auferido por cerca de 600 mil portugueses, que em clima de austeridade têm feito sérios esforços de contenção financeira. Os maquinistas estão em greve, em protesto contra o corte nas horas extraordinárias que lhes tem sido aplicado, corte esse que afeta toda a população portuguesa. Todavia como não lhes foi concedido regime de exceção, decidiram fazer greve.

Considere ainda que a CP, apesar de prestar no meu entender um bom serviço por ser pontual e os comboios serem confortáveis, tem um passivo acumulado de cerca de 4 mil milhões de euros, o que dá 400€ por cidadão, ou seja, você caro utente e cidadão, deve aos credores da CP, em nome do Estado Português 400€.

Fique sabendo também que só em salários a CP gasta, dos seus impostos caro utente, pois você é acionista da CP enquanto contribuinte e enquanto cidadão português, 115 milhões de euros por ano, que representam cerca de 36% dos gastos totais da empresa, desconsiderando juros e impostos. A CP gasta por ano 165 milhões de euros só em juros.

Parece-me também evidente, que a greve da CP não prejudica o Primeiro-Ministro, Dr. Pedro Passos Coelho, pois este é servido por uma frota automóvel luxuosa 24h por dia à sua disposição, a greve não prejudica o Ministro da Economia, Dr. Álvaro Santos Pereira, pois este desfruta de uma frota automóvel opípara, nem a greve prejudica muito menos o Presidente do Conselho de Administração da CP, Sr. Eng.º Manuel Queiró, pois este tem à sua disposição, entre outros luxos, um automóvel, com combustível, portagens e demais despesas inerentes comparticipadas.

A greve da CP, prejudica sim, indubitavelmente, o trolha, o empregado de balcão, o jovem precário recém-licenciado, a empregada de limpezas, o administrativo, o funcionário do call-centre e muitos outros trabalhadores que ganham o salário mínimo nacional, e que se não forem trabalhar têm o dia descontado. Todavia, fique sabendo caro utente, que quando um maquinista faz greve, o sindicato paga-lhe o dia.

A greve também contribui para que a generalidade da população portuguesa pense, erroneamente, que os transportes públicos prestam um péssimo serviço “porque estão sempre em greves”, fazendo com que a maioria das pessoas considere “que sem carro não me safo!”. Esta corrente de pensamento tem sido trágica, num país sem recursos petrolíferos endógenos, e onde ¼ das importações são carros e combustíveis.

Assim sendo, exerça a sua CIDADANIA: INDIGNE-SE e REVOLTE-SE contra esta abismal injustiça preconizada por uma elite profissional que muito tem prejudicado o bom nome da ferrovia em Portugal, um meio de transporte nobre, por ser eficiente e dos mais amigos do ambiente!

Um utente indignado
*escrito após mais uma supressão do comboio que me levava a casa

Eficiência energética: carro ou comboio?


O comboio é 20 vezes mais eficiente que o automóvel em meios urbanos como Lisboa

Portugal tem a terceira maior taxa de motorização da Europa, tem dos maiores índices em número de quilómetros de autoestradas por área e por passageiro, 40% de toda a energia consumida no país está nos transportes, ¼ das importações são carros e combustíveis e Portugal foi dos pouquíssimos países na Europa onde houve decréscimo no número de utilizadores da ferrovia.

Os dados que apresento atestam apenas a irracionalidade a que o país chegou no que concerne às questões energéticas no campo da mobilidade. Segundo dados obtidos através da CP, os consumos energéticos das suas composições na região de Lisboa são os seguintes:

Modelo da motora/comboio
Consumo por km
UM 2300/2400
7,4 kwh/km
UM 3150/3250
7,7 kwh/km
UM 3500
10,4 kwh/km

Também segundo fonte da CP-Comboios de Portugal, a taxa média de ocupação da CP Lisboa em 2011 foi de 21,7%, o que equivale a 396 passageiro/comboio. Já a velocidade comercial média dos comboios regulares de passageiros da CP Lisboa é de 44,64km/h.

Ora fazendo uma média dos consumos das três composições, considerando a aproximação de que a CP-Lisboa tem em igual número cada tipo de composições obtém-se um consumo médio de 8,5 kwh/km. Considerando que os comboios da CP-Lisboa tiveram uma ocupação média de 396 passageiros por comboio, obtém-se um consumo médio final para o sistema ferroviário na região de Lisboa de 21,5 wh/(km-pax).

O carro mais vendido em Portugal é o Renault Clio que tem um consumo misto médio de cerca de 6 litros/100km. Considerando uma taxa de conversão de que um litro de gasolina equivale aproximadamente a 8826 wh, e que a taxa média de ocupação para viagens pendulares do automóvel é de cerca de 1,2 passageiros/carro, fica-se com um consumo médio de 441,3 wh/(km-pax).


Carro ou Comboio?
Eficiência energética em Lisboa

Carro
Comboio
Consumo
6 l/100km
8,5 kwh/km
Taxa de ocupação
1,2 pax/carro
396 pax/comboio
Consumo por pax-km (wh)
441,3
21,5
Rácio
20 vezes maior
1

Tendo como base a cidade de Lisboa, o comboio é assim 20 vezes mais eficiente que o automóvel. Até quando perdurará esta irracionalidade em torno do automóvel?

A Escola Secundária Afonso Domingues é o espelho da anedota que é Portugal



Andei seis anos, desde o 7º ao 12º ano, na Escola Secundária Afonso Domingues, em Marvila. A dita escola era frequentada pelos filhos da bimbalhada rude, bárbara e iletrada, que vinha das zonas rurais do distrito de Viseu para as fábricas em Lisboa, e que morava no antigo Bairro Chinês, um dos maiores amontoados de barracas em Lisboa; mas também era frequentada pelos luso-africanos que moravam no bairro da zona J de Chelas, que povoaram aquela zona nos anos oitenta, vindos das ex-colónias. A pitada de sal, era dada pela comunidade cigana, que vivia em bairros sociais como os da antiga zona N e zona M de Chelas.

Mas a escola não foi sempre este "melting pot" genético-cultural! A escola foi fundada em 1884 e teve alunos famosos como o escritor prémio Nobel, José Saramago. Foi durante o Estado Novo, uma referência no ensino técnico e profissional, nas áreas da mecânica e eletricidade. Aliás, a fachada ainda guarda a insígnia de Escola Industrial. Eu, nessa escola, tirei o curso de eletrónica e eletricidade, que após o secundário finalizado, tive de forma imediata, direito à carteira oficial de eletricista, passada pela antiga Direção Geral de Energia.

Todavia, temos o país entregue aos animais, e aos abutres, e o planeamento neste país é zero. A estória recente desta escola espelha a anedota que é Portugal.
  1. A escola em 2009 levou obras substanciais de melhoria e requalificação, com rede sem fios, salas novas, fachada nova, etc.
  2. Ora passado um ano de obras onerosas descobrem que lá passará o TGV, assim sendo encerram a escola, para que seja demolida.
  3. Agora já não se faz TGV, por causa da crise, e a escola, está ao abandono dos vândalos e está praticamente destruída por dentro.
Digam lá se isto não é anedótico, vejam as fotos de como está agora!!!



Milhares de Milhões de € por minuto e meio!


Interessante, foi publicado há pouco tempo os Censos 2011, ora vejam isto:

Tempo Médio por Deslocação Pendular; Fonte: Censos 2011, INE

Em 10 anos com vários milhares de milhões de euros investidos em rodovia, em vias rápidas, estradas, autoestradas, com um aumento de 140% no parque automóvel para "melhorar" a mobilidade,  com um aumento brutal no número de pessoas que usa carro no dia-a-dia (mais rápido dizem elas) e melhorámos em tempo de deslocação pendular 1 minuto e meio!

Dá que pensar!

A greve dos maquinistas da CP


Pichação em estação ferroviária de Lisboa
  
Não há por aí nenhum nacionalista pagador de impostos com vontade de HUMILHAR e OFENDER verbalmente maquinistas da CP??? Num país com graves problemas de desemprego, em clima de austeridade, cujo povo leva o saque em impostos, não pode pagar ordenados faraónicos a NÉSCIOS CHUPISTAS que chegam a mamar do erário público 50 mil euros por mês, e depois ficar calado!!!

Digo-o como assíduo utilizador da CP que já ficou apeado na plataforma este ano pelo menos mais de 20 vezes, devido às greves às horas extraordinárias dos maquinistas, esses mesmos que noticia o semanário Sol, chegam a ganhar 50 mil euros por ano, o que equivale aproximadamente a sete vezes o salário mínimo nacional.

Aliás o próprio administrador da CP refere que só em salários a CP gasta 115 milhões Euros por ano, e todos os anos tem prejuízos brutais que são pagos com impostos. Uma empresa que suprime comboios constantemente não presta serviço público. E privatizar ou conceder a privados não significa menos qualidade de serviço! Se os trabalhadores da CP não queriam que a coisa chegasse a este ponto, tivessem mais respeito pelos utentes porque os membros do governo e a administração andam de carro, não andam de comboio.

A Fertagus presta serviço público e é gerida por privados e não faz greve nem deixa passageiros apeados.

A greve nos transportes públicos


Hoje, feriado, dia 15 de agosto de 2012, sucede-se mais uma greve no setor dos transportes públicos. Como eu há muito tempo, optei pela mobilidade sustentável, e decidi vender o carro, desloco-me somente de transportes públicos e de bicicleta. Compro o passe todos os meses, e combinado com a bicicleta, permite-me uma mobilidade na cidade, infinitamente superior à do carro, e infinitamente mais barata que este. Todavia, há uma questão que me deixa exacerbado, já lá vão alguns anos: a inexorável ideologia sindicalista deste setor, que acha que prejudicando constantemente a vida aos utentes, levará as suas reivindicações egocentristas avante.

Há aqui um fator que é necessário considerar no meu entender. Obviamente que os Transportes Públicos (TP) têm de ser financiados pelo erário público, isso nunca esteve em causa. Os TP não dão nem nunca deram lucro em nenhum país, dada a sua vertente de utilidade pública, mas também não se lhes pode sugar o que se aprouver, só porque estão sob a égide do Estado. As empresas de TP tem um passivo acumulado de 17 mil milhões de Euros. Aliás, a maior fatia corrente da despesa destas empresas são os juros. A dívida foi criada para melhorar as infraestruturas dos transportes públicos nacionais, e houveram melhorias: o Metro de Lisboa expandiu-se bastante, o Metro do Porto foi criado e tem uma rede vastíssima, oferecendo serviço de qualidade e por exemplo foi renovada a linha ferroviária para Évora, e tudo isto foi feito à custa de dívida cujos juros agora são astronómicos e que já superam mesmo a vertente salarial. 

Dia 2 de Fevereiro, dia de greve no sector dos transportes


Felizmente, a sitauação na CP às 9:00 era de que 80% dos serviços estavam funcionais. 

Mais uma vez os partidos da esquerda parlamentar revelam um autismo gritante e irresponsável no que concerne à questão dos transportes cujas empresas têm um passivo acumulado de 17 mil milhões de euros.

Sou de esquerda, mas estas esquerdas são neo-burguesas e irresponsáveis. Quando há 400 mil pessoas a ganhar o ordenado mínimo, quando há milhares de reformados com pensões mínimas de cerca de 300€, quando há pelo menos 500 mil falsos recibos verdes que ganham menos de 500€/mês sem quaisquer direitos, vemos os partidos da esquerda a defenderem os maquinistas do Metro e da CP, onda há gente a ganhar do erário público 50 mil euros por ano. É gritante e é um ultraje.

Os sindicatos não fizeram greve hoje, por consideração aos utentes, fizeram, porque lhes vão ao bolso nas suas regalias faraónicas, e os partidos da esquerda vão de encontro a estes pretextos egoísticos. A greve não prejudica o grande capital, o burguês, o patrão, o endinheirado, o político nem muito menos Passos Coelho, prejudica sim, o plebeu e o trabalhador comum que vão ter o dia descontado no seu já parco salário. Já nos maquinistas, o sindicato paga-lhes o dia.

Sempre o disse, a podridão e a miséria do país têm dois grandes causadores: o neo-liberalismo selvagem com proveniência nas terras do tio sam; e uma pseudo-esquerda burguesa, irresponsável, relativista e autista que considera que a matemática das contas públicas é um mero exercício de retórica.

De Aveiro até à Guarda – É este o país que temos


Viagem entre Aveiro e Guarda por automóvel. Tempo:1h38m
Alguma comparação entre Portugal e a Arábia Saudita poderá parecer despropositada, mas demonstro-vos matematicamente que tal paralelismo não é assim tão descabido, pelo menos se nos referirmos do ponto de vista das infra-estruturas viárias. A Arábia Saudita, e esqueçamo-nos por agora das questões meramente religiosas e cinjamo-nos às questões de macroeconomia e de infra-estruturas nacionais, é um país com uma elevada produção petrolífera e de refinação dos derivados do petróleo, tendo este país historicamente relações diplomáticas e comerciais muito salutares com os súbditos dos generais do tio Samuel. Tendo uma indústria petrolífera tão forte, naturalmente a Arábia Saudita apostou fortemente em redes rodoviárias de transportes. A razão é simples, produzem petróleo, fazem estradas onde andam carros, camiões e autocarros, que consomem derivados do petróleo, e assim a economia saudita regenera-se através da indústria do petróleo, com os milhões de dólares de lucros gastos em palácios e mordomias para todos os cidadãos, mesmo que tal traga graves maleitas para a saúde pública ou para o ambiente a nível mundial. Assim se explica porque é que uma vasta rede ferroviária pelo deserto saudita é uma expressão de fantasia, sendo que no entanto as auto-estradas megalómanas rasgam os áridos desertos da península arábica em território saudita, tendo este pais uma rede de infra-estruturas rodoviárias inigualável.

Mas e Portugal, onde se encontra neste equilíbrio de forças económicas o nosso país? Portugal não tem recursos petrolíferos, todos os derivados do petróleo são importados e tem algumas refinarias, por exemplo em Sines. Portugal não tem indústria automóvel própria, e a única que tem e que balanceia positivamente em parte a nossa balança comercial com as exportações, leva a grande tranche dos louros para a Alemanha. Mas o que é que Portugal tem em abundância? Estradas! Muitas estradas e muito alcatrão! Os governos do pós-25-de-Abril foram os governos, no que concerne à obra pública, os governos do alcatrão. Mas estes senhores não entendem que foi uma aposta estratégica completamente errónea. Não temos petróleo, não temos carros, importamos os veículos que se movem nessas estradas e ainda para mais importamos o único combustível que permite que esses veículos se locomovam. Ao construirmos largas e vastas estradas tornámo-nos cada vez mais dependentes do exterior e assim definhámos a nossa economia. Os espanhóis podiam agora inundar o nosso mercado interno com produtos agrícolas e piscícolas.

E onde se enquadra esta minha humilde missiva pública no que concerne á sua epígrafe? Por onde começou este meu pseudo-artístico ofício bloguista, senão pelas duas capitais de distrito! Naturalmente pela viagem entre Aveiro e a Guarda que terei de realizar por motivos profissionais. Duas cidades capitais de distrito em Portugal, praticamente na mesma latitude, que distam cerca de 150 quilómetros. Pois meus caros leitores cibernautas, por automóvel na A25 a uma velocidade média de 100km/h as duas capitais de distrito fazem-se em cerca de uma hora e meia. Pois agora ouçam bem, pois estamos em Portugal, esta quase Arábia Saudita do sul da Europa sem recursos petrolíferos nem indústria automóvel própria, para fazer por comboio o percurso entre Aveiro e a Guarda o passageiro demora nada mais nada menos, do que cerca de três horas, ou seja o dobro do tempo.

Viagem entre Aveiro e Guarda pela CP. Tempo médio: 3 horas
Pergunto eu agora: Será que vale a pena investir tantos milhares de milhões na rede de alta velocidade quando a nossa rede ferroviária convencional, à excepção dos eixos principais, está putrefacta? Porque é que entre Aveiro e Guarda, de comboio se demora precisamente o dobro do tempo que se faz de automóvel, quando sabemos que a nossa dependência energética é muito mais patológica no caso do automóvel que no caso do comboio, sendo que a rede ferroviária consome essencialmente energia eléctrica que felizmente nós produzimos, onde agora até as bem-vindas, ecológicas e produtivas fontes de energia renovável dão um largo contributo?

Pois meus caros concidadãos que me auscultam; por uma questão de soberania e independência energética, este é o momento para os nossos governantes fazerem uma aposta séria e comprometedora na ferrovia nacional!

Nota: Ver a história da linha da Beira Alta