Mostrar mensagens com a etiqueta Cd/MET/Política Energética. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cd/MET/Política Energética. Mostrar todas as mensagens

O sistema petrodólar explicado às crianças


Numa aldeia habitam três pessoas, o Mustafá, o Américo e o Zé do Mundo. O Mustafá tem no seu quintal um poço com água, que até ao momento tem-se revelado quase inesgotável. O Zé do Mundo, o Américo e o próprio Mustafá, precisam de água para beber e para as suas hortas, e como tal vão buscá-la ao quintal do Mustafá. Inicialmente o Zé do Mundo e o Américo obtinham água do Mustafá dando em troca aquilo que produziam, como por exemplo batatas ou cenouras, mas as coisas têm mudado. O Américo, além das batatas e cenouras que produz que têm um mau sabor, tem no seu quintal uma pedreira com milhões de calhaus sem qualquer valor, sendo embora o único lugar na aldeia onde existe aquele tipo de calhaus. Todavia, os calhaus não servem para nada, não têm qualquer propósito, não dão para aquecer as casas, não dão para extrair minerais ou produzir quaisquer tipo de produtos com utilidade, são simplesmente calhaus que o Américo tem na sua pedreira aos milhões. Mas como o Américo é preguiçoso e as suas cenouras e batatas já não têm qualidade; ele tem um plano para, usando os seus calhaus, obter as cenouras e as batatas do Zé do Mundo, assim como á agua do Mustafá, sem precisar de trabalhar.

Certo dia o Américo aproximou-se do Mustafá e disse: “Soube por fonte segura que o Zé do Mundo não te quer pagar mais pela água e está mesmo a pensar expulsar-te desta casa para ficar com o teu poço”. O Mustafá aflito responde: "Mas isso não pode ser, ele não tem direito a ficar com a água do meu poço". O Américo responde: "Posso ajudar-te a protegeres o teu poço, caso queiras". O Mustafá responde: "Sim, por favor, ajuda-me!". O Américo então refere: "Construí uma catana lá em casa, e testei-a com um pequeno leitão, tendo-se revelado extremamente eficaz. Garanto-te que com esta catana, jamais deixarei o Zé do Mundo roubar-te água do poço, mas terás de fazer um pacto comigo". "Claro" responde o Mustafá. O Américo então propõe: "Doravante, só aceitarás do Zé do Mundo quando ele quiser a tua água, os meus calhaus como objeto de troca, e como contrapartida garanto-te sempre proteger-te do Zé do Mundo com a minha catana, sempre que ele quiser roubar a tua água". "E o que faço com calhaus em vez de cenouras e batatas?" perguntou o Mustafá. "Não te preocupes, que eu dou-te todas as cenouras e batatas que precisas para sobreviver, as minhas e as do Zé do Mundo". "Estamos combinados" respondeu o Mustafá, aceitando a proposta.
 
E assim foi! Um dia, como muitos outros, o Zé do Mundo dirigiu-se ao Mustafá para buscar água para beber e para a sua horta, e queria dar a sua produção de cenouras e batatas à troca como de costume, mas o Mustafá recusou, dizendo que tal já não serviria e que só aceitaria calhaus, e não qualquer tipo de calhaus, mas apenas os calhaus que o Américo tem no seu quintal. “E o que farás tu com calhaus em vez de cenouras?” perguntou o Zé do Mundo. “Isso é lá comigo e com o Américo” e não tens nada a ver com isso. "E como posso obter esses calhaus?" pergunta o Zé do Mundo. "Terás que dar a tua produção de cenouras e batatas ao Américo e este por sua vez dá-te os calhaus que podes usar para obter água do meu poço".

O Zé do Mundo passou então a trabalhar do alvorecer ao anoitecer, e sempre que quer obter água para beber e para o cultivo da sua horta, tem de se dirigir ao Américo e entregar-lhe quase toda a sua produção de batatas e cenouras, restando apenas poucas para si. Por sua vez o Américo em troca, dá-lhe os seus calhaus que tem no quintal. O Zé do Mundo então pode usar esses calhaus para entregar ao Mustafá; e o Mustafá por sua vez dá-lhe água em troca dos calhaus. O Zé do Mundo trabalha arduamente, pois o que produz diariamente dá para poucos calhaus, e esses calhaus mal chegam para o seu consumo de água para um dia. O Mustafá e o Américo não trabalham e vivem os dois à custa do Zé do Mundo. O Américo distribuí uma pequena parcela das cenouras e das batatas ao Mustafá. O Américo com o tempo que tem, ainda aperfeiçoa e afia a sua catana, para que fique mais tenebrosa, ameaçando também o Mustafá que não pode quebrar o pacto que estabeleceu consigo. Quando as cenouras e as batatas que o Zé do Mundo produzem não satisfazem a gula do Américo, este ordena ao Mustafá que aumente o número de calhaus exigidos para cada balde de água, obrigando o Zé do Mundo a entregar mais cenouras e batatas ao Américo, para assim obter mais calhaus. Mas quantas mais cenouras e batatas o Zé do Mundo precisa de produzir, mais água também precisa de obter do Mustafá para a sua horta, obrigando-o a trabalhar ainda mais arduamente. Sempre que por sua vez o Américo quer mais cenouras ou mais batatas, tem apenas que ir à sua pedreira fortemente protegida com vedações altas, obter alguns calhaus, e depois dirigir-se ao Zé do Mundo para obter em troca dos calhaus, batatas e cenouras.

A vida na aldeia mantém-se pacata porque a catana do Américo pune com violência o Zé do Mundo ou o Mustafá, caso estes queiram mudar alguma coisa. Por sua vez nem o Américo nem o Mustafá trabalham, repartindo de forma não equitativa aquilo que Zé do Mundo produz. Um certo dia, quando o Zé do Mundo cavava a horta, encontrou por acaso no seu quintal, também um poço de água. Muito entusiasmado pela descoberta, e pueril e bondoso como é, foi imediatamente a correr a informar o Mustafá a agradecer-lhe bastante a água que lhe tem fornecido, mas referindo que a dele é melhor, pois tem mais qualidade e além disso é caseira, não necessitando assim de trabalhar tão arduamente para obter as batatas e as cenouras, produzindo apenas aquilo que necessitar para si. Quando o Mustafá informa o Américo da nova situação, este enraivecido decide agir. Durante a noite, enquanto o Zé do Mundo dormia, o Américo envenena-lhe o poço de água com cal e sal, e no dia seguinte o Zé do Mundo, ao provar a sua água com um sabor tão nefasto e ao ver que a água não servia para a sua horta, vê-se obrigado a recorrer novamente ao Mustafá para obter água. E assim o Zé do Mundo é único que trabalha. O Mustafá nada faz porque teve a sorte de ter um quintal com um poço, e o Américo passa o tempo que tem a desenvolver cal para envenenar novos poços que possam aparecer no quintal do Zé do Mundo, e também a afiar a sua catana, para assustar e punir quem queira mudar as coisas como estão.

Ferrovia ou rodovia, o que é melhor para Portugal e para a Europa


Tem-se debatido muito sobre, se Portugal e os restantes países europeus, devem ou não reinvestir na ferrovia em comparação com os investimentos substanciais que se fizeram nas últimas décadas em rodovia, e muito particularmente em autoestradas. Demonstro seguidamente que na generalidade, e muito particularmente para o caso de Portugal, a opção ferroviária é amplamente muito mais benéfica que a vertente rodoviária. Abordarei os temas da Economia, Eficiência energética, Ambiente, Ordenamento do território e Segurança. Em cada um destes tópicos, a opção ferroviária é substancialmente muito mais benéfica que a vertente rodoviária.

Economia 

Abordo neste capítulo, meramente questões económicas, considerando que a economia é parte integrante e presente no debate político da atualidade; ou seja, neste capítulo, não menciono quaisquer vantagens ambientais ou energéticas, características que amiúde são atribuídas à ferrovia. Reparemos assim que em 2013, quase 60% da eletricidade consumida no país foi de fontes renováveis, isto é, através de fontes endógenas. Não me refiro aqui a questões ambientais, mas estritamente económicas no benefício que estas fontes têm na nossa balança de pagamentos e na diminuição da nossa dependência energética em relação ao exterior.

Já o modo rodoviário, onde quase a totalidade dos seus meios de transporte se movem a derivados do petróleo, promove largamente a nossa dependência energética em combustíveis fósseis. A título de exemplo, em 2010, as maiores importações (cerca de 15%) foram combustíveis, representando só esta parcela, cerca de 9,5 mil milhões de euros, um valor superior ao que o país paga anualmente de juros, superior ao que nos custa a todos a Escola pública ou o SNS e superior também ao valor que teve o "buraco" do BPN. Não é de estranhar então, que a Direção Geral de Energia e Geologia refira que em 2012, mais de 1/3 da energia que o país gastou, foi nos transportes, ou seja, derivados do petróleo, visto que 99,9% dos transportes em Portugal locomovem-se usando derivados do petróleo.

Conclui-se assim que o modo rodoviário provoca em Portugal elevada dependência energética, criando na nossa balança comercial no que concerne à parcela dos combustíveis, elevadíssimos défices financeiros, fazendo com que as famílias e as empresas aloquem muitos recursos do país para o exterior, agravando-se por conseguinte o défice da balança de pagamentos e o aumento da dívida externa.

Cerca de 60% da eletricidade produzida em Portugal, é de fontes renováveis endógenas.
Na realidade Portugal, no domínio da eletricidade, tem um saldo importador de apenas 5%. Fonte: APREN



35,7% da energia que Portugal consome está nos transportes, onde 99,9% desses transportes se movem a derivados do petróleo, quase na totalidade importados. Fonte: Direção Geral de Energia e Geologia

Automóveis consomem 2/5 da energia total de Portugal



Segundo dados da Direção Geral de Energia e Geologia, que são confirmados pelo Portal Energético Europeu, em Portugal, 40% da energia é gasta nos transportes. Se juntarmos a este dado, o facto de segundo as mesmas fontes, 99% dos transportes se moverem a derivados do petróleo, acertamos na muche no cancro energético do país: automóveis!

Os automóveis em Portugal consomem 40% da energia total do país, e nesta energia já está incluída energia gasta no comércio, indústria, habitação, aquecimento e todas as outras formas de energia. Ou seja, por cada 10 calorias que Portugal consome, 4 vão para mover automóveis. Tudo isto tem um nome, denomina-se fanatismo e irracionalidade.

Percebem agora de onde vem em parte o sucesso da nossa balança comercial nos últimos anos desde que começámos a austeridade? Na realidade grande parte do decréscimo das importações, segundo dados do INE, mais não são do que combustíveis devido à quebra de venda de automóveis e ao menor uso do carro por parte dos cidadãos, considerando que os combustíveis representam em Portugal quase 15% do total de importações.

Apoio ao sector automóvel


No Diário de Notícias de 12 de agosto de 2013

O Golpe da Energia (lê-se Galp)


Nota preambular: faço parte dos que acha que a gasolina deveria custar 20€ o litro! O atrasado do Pimentel também!


O golpe da Energia

Aqui, em Narvik, donde escrevo, a gasolina custa €1.88 o litro, a mais cara do mundo. Na Noruega, um país com enormes recursos petrolíferos, com enormes recursos energéticos, a gasolina é a mais cara do mundo. A Noruega donde escrevo tem muito menos quilómetros de autoestradas do que Portugal. Enquanto o meu país tem 253 km de autoestrada por milhão de habitantes, aqui a Noruega tem apenas 53 km. Em termos de área a Noruega tem 7 km de autoestrada por cada 10 mil km2 de território, já Portugal tem 292 km. Se considerarmos o rácio entre quilómetros de autoestrada e PIB per capita, aos 141 km de Portugal contrapõem-se apenas 5 km da Noruega, ou seja cerca de 30 vezes menos. Aqui na Noruega, a saúde é universal e completamente gratuita e o sistema de educação é também universal e completamente gratuito, por exemplo não há propinas na Noruega. Os salários da função pública e do sector privado são dos mais altos da Europa. O salário médio por exemplo dos professores na Noruega ronda os 4000€ por mês.

Na terra das bicicletas, o preço dos combustíveis é a doer!


Na Holanda, onde se apostou fortemente na mobilidade ciclável, o preço dos combustíveis são bem mais elevados que em Portugal. E ainda se queixa o tuga que paga muito pela 'gota'!

Gasolina com um preço superior a 1,7€ por litro

Para quando a gasolina a 20€ o litro?


A necessidade aguça o engenho, sempre o foi ao longo da história.

Não duvidem que se a gasolina custasse 20€ o litro era ver a populaça às resmas a andar de bicicleta e de transportes públicos pela cidade. Na política de transporte de bens deixavam-se os camiões TIR, esses cancros poluidores emissores de partículas nocivas para a sáude e transportavam-se mercadorias por comboio. Para quem realmente precisasse do carro, como taxistas e empresários para quem o carro é fundamental, usar-se-iam os veículos elétricos. Com o passar do tempo, os proxenetas da Galp, Repsol e BP e cartel da mesma mafia da OPEP, felizmente que faliam. Vade retro Satanás, cartel mafioso dos hidrocarbonetos.

Por seu lado se a gasolina custasse 20€ o litro, fechavam os Colombos e os Dolces Vitas, assim como os Loures Shoppings que pagam o salário mínimo a 90% dos funcionários, e as pessoas compravam localmente ajudando o senhor da mercearia da sua rua, incrementando o tão desejado comércio local. As pessoas passavam a andar a pé, e morria menos gente do coração e de AVC, que por sinal é a maior causa de morte em Portugal. Por seu lado ao se fazer exercício físico naturalmente, de forma moderada e contínua, a produtividade nacional aumentava e os custos do país com saúde diminuíam. Importávamos menos combustíveis e menos automóveis; enfim, custaria um pouco inicialmente, mas depois encontraríamos o paraíso e o crescimento económico sustentável.

O processo coletivo e psicanalítico da negação!


Um dos principais efeitos psicanalíticos num viciado é o processo de negação. Por muito racionais que sejam os motivos para fazer com que o indivíduo largue o vício, a dependência química ou psicossomática é tanta, que ludibria qualquer ímpeto racional e faz com que o indivíduo crie mecanismos psicológicos para que consiga conviver com o facto de a razão lhe indicar que o seu vício é extremamente prejudicial. É como um fumador assíduo: por muito que lhe expliquemos que o tabaco mata, que vai ter uma morte dolorosa dali a vinte anos, numa cama de hospital, que vai ficar com os pulmões completamente definhados com cancro, e que vai morrer asfixiado com os pulmões inoperacionais, o fumador através de um processo psicanalítico de negação, ignora todos os paradigmas racionais, para que o seu corpo continue a ser saciado pelo prazer hedónico do pequeno falo na boca, e pela satisfação que a nicotina concede ao correr no sangue e no cérebro. É neste processo de negação que é comum ouvir-se: "a minha avó tinha um vizinho que fumou a vida inteira e morreu aos 85 anos" ou mesmo "a gente nunca sabe o dia de amanhã, quantos não morrem a atravessar uma estrada!". Tratam-se de processos psicanalíticos de negação que obstruem completamente o nosso lado racional, mesmo que os dados estatísticos digam que oito em cada nove cancros do pulmão fatais, se devem ao tabaco, ou que também devido ao tabaco morrem mais de cinco milhões de pessoas por ano.

Assim como há processos de negação para um indivíduo viciado ou completamente desalheado da realidade, podem haver processos de negação coletivos. Um caso histórico, foram as últimas semanas da segunda guerra mundial. À medida que o exército vermelho entrava ferozmente pela Alemanha vindo do leste, e em que todas as elites militares germânicas sabiam racionalmente qual o fim expectável da guerra, grande parte da população alemã, e também das elites do partido nazi, viviam num processo coletivo de negação, achando lá no fundo que "ainda era possível". O mesmo se passa hoje em dia com os recursos energéticos e naturais do planeta, que o Homem vai sugando irracional e desmesuradamente, sem qualquer controlo, apenas para saciar os seus ímpetos hedonistas do consumismo fácil e do prazer instantâneo; e quando os cientistas mostram por A+B que o paradigma tem de mudar urgentemente, as elites políticas dizem que "ainda é possível".

Mercado regulado vs. Mercado liberalizado da energia - quem perde é o cliente!



O mercado regulado da energia terminará definitivamente em 31 de dezembro de 2015. A EDP Universal que fornece eletricidade no mercado regulado tem enviado aos seus clientes cartas, onde explicita detalhadamente o processo de transição e apresenta uma lista com os operadores no mercado liberalizado. A boa-nova, dizem os arautos do capitalismo, é que com o mercado liberalizado, desaparecerá o monopólio da EDP e a energia ficará mais barata. Tal paradigma poderá até ser verdade a longo prazo, mas por agora a fatura ficará mesmo mais cara. A fatura ficará mais cara, mesmo com os preços mais baratos, e a razão é simples: no mercado liberalizado acabarão as tarifas bi-horárias e tri-horárias.

Passo a detalhar o meu caso. Eu, como muito dos portugueses que têm tarifa bi-horária, faço muito do meu consumo energético durante os chamados períodos de vazio, onde há menos consumo de energia, e como tal, menos procura implica preços mais baixos. Toda uma série de eletrodomésticos nos dias de hoje, permitem que se façam programações do seu funcionamento, por exemplo podemos programar a máquina de lavar roupa ou de lavar loiça, para trabalharem apenas à meia-noite, sendo que estes eletrodomésticos são dos que mais consomem energia numa habitação. A questão é que com o mercado liberalizado, o preço será o mesmo para todas as horas do dia. Eu já em 2012 no mercado regulado pagava nas horas de vazio (regime diário, a partir das 22h) 8,33 cêntimos por kWh (sem IVA), sendo que nas horas fora do vazio o preço era 15,51 cêntimos. O que sucede é que eu por mês consumia aproximadamente 110 kWh nas horas fora de vazio e 95 kWh nas horas de vazio, i.e., consumia cerca de 45% de toda a minha energia após as 22h, a qual pagava apenas 8,33 cêntimos por kWh.

Prefiro 999 chineses a pedalar


Eu sou veementemente antiamericano, os estados unidos representam verdadeiramente o grande satã, e aliás, sou verdadeiramente ambientalista, e por isso desprezo todos os exemplos pseudoecológicos que vêm da terra do tio sam, que vemos serem idolatrados por uma certa elite ambientalista lusa. Não vou entrar aqui em tratados geopolíticos e histórico-filosóficos, até porque já o referi por diversas vezes neste blogue. Rogo-vos que leiam apenas isto para perceberem de uma vez porque é que eu sou verdadeiramente ambientalista, pois sou contra a hegemonia brutal do petróleo que tanto prejudicou no séc. XX o planeta e os seus habitantes. Mas como existe algo brutal chamado petrodólar, a inércia ambiental e energética do planeta não se altera.

Em relação às barragens, respondo porque sou favorável a estas e serei direto: para mim vale tudo; desde que acabem com a hegemonia do petróleo no planeta: bicicletas, barragens, eólicas, energia das marés, fotovoltaica, geotérmica, carro elétrico, a hidrogénio; e até plantações de arroz a alimentar 999 chineses que pedalam num veio ligado a um gerador elétrico.

Ousaria mesmo referir que acho que há para aí muito ecologista e ambientalista que tem um pacto secreto e diabólico com o ouro negro. Estão contra o nuclear nem sei bem porquê, estão contra as barragens por causa dos peixes e das plantas, estão contra as eólicas por causa das migrações das aves, ou seja, estão contra todas as formas sérias e potencialmente eficazes para acabar com a hegemonia do petróleo, esse sim o grande malfeitor ambiental do planeta. Os ambientalistas que temos não são sérios, são apenas um fantoche do tio sam, que servem somente para criar entropia no debate e servem apenas a linha da frente do cartel do petróleo. Se não o podes atacar de frente, ataca-o por trás; é essa a faceta ambientalista que nós temos, apenas uma máscara dos sectários do tio sam e da OPEP.

Aliás basta ver um partido completamente anedótico no nosso espectro parlamentar chamado PEV. Faz tudo menos defender o ambiente, e os seus parcos deputados andam bem montados de carro com motor de combustão. Diria mesmo que há certos ambientalistas que funcionam como uma espécie de extrema esquerda aquando do 25 de Abril; eram tão de esquerda, tão de esquerda; que agora estão nas fileiras dos partidos neoliberais.

Se és verdadeiramente ambientalista e estás a ler este texto, só peço que te focalizes: o inimigo não são as barragens nem as eólicas; o inimigo é sim o carro que tens na garagem, o inimigo são os 700 mil carros que entram todos os dias em Lisboa, são os camiões que circulam por esse mundo fora que consomem gasóleo (altamente poluente), as fúteis autoestradas que andámos a construir com dinheiro emprestado, são as centrais a fuelóleo e todos esses meios dependentes do petróleo. Um século de industrialização massiva, tendo o petróleo como fonte primária mais usada, deu cabo do planeta. Basta atestar as secas que temos tido em Portugal já no séc. XXI.

Nova barragem do Foz Tua evitará o equivalente a meio ano de carros em Lisboa


Barragem convencional
As contas são simples e não são deveras difíceis. A nova barragem do Foz Tua, que entrará em serviço em 2015, e que se enquadra no plano nacional de barragens instituído pelo governo socialista de Sócrates, evitará que se emitam para a atmosfera o mesmo que emitem os carros na entrada e saída de Lisboa, durante meio ano.

As barragens, e particularmente esta, têm uma série de conhecidas desvantagens a nível ecológico pois destroem alguma biodiversidade que existe no caudal dos rios que é contínuo, substituindo-os por uma enorme albufeira normalmente mais pobre no que concerne à biodiversidade. As barragens também provocam a erosão costeira pois evitam que os detritos que vêm dos rios se acamem na orla costeira, pois impede-os de prosseguir o seu normal trajeto a jusante da barragem. Este plano nacional de barragens terá também, matematicamente falando, um ganho energético nulo, pois o que as barragens farão, essencialmente será utilizar a energia que as eólicas produzem durante a noite, para bombear a água a montante, para durante o dia utilizar essa água para a produção elétrica. Como este processo tem perdas e um rendimento total de cerca de 75%, e juntamente com o que as barragens produziriam por si só através das chuvas e do leito dos rios, a montante das mesmas, as barragens terão um ganho energético nulo.

Mas falar em ganho energético nulo, não é ser-se sério, pois o que na realidade as barragens farão, é funcionar como baterias gigantescas de eletricidade, zero-emissões e sem quaisquer químicos, que carregarão a energia eólica que é produzida durante a noite que até agora era desaproveitada ou enviada para Espanha a custo zero, e aproveitarão essa energia carregada durante a noite, para ser consumida durante o dia. Assim as barragens terão um papel fundamental no aproveitamento ecológico e energético do vento.

Neste sentido as barragens farão com que o país fique mais soberano energeticamente e ajudar-nos-ão a cumprir as metas de Quioto. Tudo isto tem um preço, como é evidente e será um grande negócio para as empresas hidroelétricas pois receberão do estado comparticipações tarifárias que já estão contratualizadas que fará com que a nossa eletricidade fique mais cara, tornando assim as despesas das famílias mais elevadas, e tornando a economia menos competitiva. As barragens, segundo tenho lido não trazem também um grande desenvolvimento das regiões onde se implantam, pois normalmente não empregam muitos trabalhadores, sendo que a autarquia recebe uma renda dos produtores, mas que segundo alguns, essa renda é irrisória. No entanto há casos concretos em que a albufeira da barragem é usada para turismo, como desportos recreativos de foro náutico, ou mesmo subaquático como mergulho e criam-se ainda também maiores zonas de praias fluviais. A água da albufeira das barragens também pode servir para a agricultura.

Remetendo-me agora à epígrafe da questão, como é que a barragem do Foz Tua evitará que se emitam o equivalente a meio ano de carros em Lisboa? As contas são simples: Lisboa tem uma média aproximada de 700 mil carros a entrar e sair diariamente do centro da cidade. A média de emissões de C02 no parque automóvel em Portugal é de cerca de 130g C02/km. Se consideramos um percurso médio de um carro a entrar em Lisboa de cerca de 15km para cada sentido, podemos concluir que:

700.000 carros/dia * 130 g C02/km/carro = 91 t C02/km/dia (total de carros em Lisboa)
91 t C02/km/dia * 2 * 15 km (in and out de Lx) = 2,73 kt C02/dia
A barragem do Foz Tua evitará, segundo um estudo da edp, que se emitam 470 kt C02/ano
470 kt C02 / 2,73 kt C02/dia = 172 dias, que é aproximadamente 6 meses = 1/2 ano

Os cálculos que aqui estão envolvem algumas aproximações, mas pode-se constatar claramente na ordem de grandeza das emissões que a barragem evitará. Considerando os prós e os contras, eu pessoalmente, só posso estar em favor do plano nacional de barragens, por questões de soberania energética do país, por questões económicas e também como foi demonstrado, por questões ambientais no que concerne às emissões de C02 que tanto desregulam o clima no planeta. Mas tal, creio que não impediria também, de uma forma muito mais assertiva, que apostássemos numa melhor eficiência energética, particularmente no campo dos transportes, apostando numa melhor rede de transportes públicos, na melhoria das condições para a mobilidade suave e num melhor planeamento urbanístico.

Ordem dos Engenheiros - 4.ª Conferência-debate: Eficiência e Economia de Energia


Estive hoje mesmo, dia 16 de Fevereiro de 2012, na sede da Ordem dos Engenheiros, região sul, num debate sobre Eficiência e Economia de Energia e o panorama do mesmo não poderia ter sido tão mau e tão entediante.

Para não variar no que concerne às grandes questões basilares da energia do país, foram buscar os suspeitos do costume para oradores principais, aqueles que lucram com o estado de dependência energética do país e que nos deixaram na miséria presente. O tema era a eficiência energética e vejam bem quem era o convidado principal: o CEO da Galp. Portugal que tem uma dependência energética de 83%, ou seja 83% da energia que consumimos como país, é importada (sendo que a Galp tem um peso brutal nesta conta); um país que gasta cerca de 41% da sua energia no sector dos transportes, onde se fez pouco para melhorar a eficiência energética, e a Ordem dos Engenheiros, foi chamar para orador principal o representante máximo de uma das empresas que é das grandes contribuidoras para o nosso estado calamitoso no que concerne à eficiência e dependência energéticas.

Foi belo e poético ver o Eng.º Manuel Ferreira de Oliveira, CEO da Galp, falar pouco de eficiência energética, mas fazer uma propaganda acérrima à Galp, como esta dá bolsas de estudo a estudantes para parcerias com empresas e universidades, e de como promoveu num hotel de cinco estrelas a eficiência energética. Ainda ficámos a saber que o Eng.º em apreço, palavras suas, conduz "um bom BMW que consome muito mas é a gasóleo", e que a gasolina deveria pagar menos ISP. A Galp, segundo o mesmo, também apostou nos híbridos, e criticou ainda subliminarmente a energia fotovoltaica. Falou de uma forma quase poética dos hidrocarbonetos e do petróleo, "uma energia solar que o planeta Terra acumulou há 60 milhões de anos que nos providencia conforto e que durará por muitos mais anos". Depois falou um assessor de um gabinete da secretaria de estado dos transportes, o Eng.º Filipe Vasconcelos, que nada mais fez que propalar decretos-leis, com siglas impercetíveis para o comum dos mortais.

Mobilidade suave, zero; melhor planeamento urbanístico, zero; melhoria da rede de transportes públicos, zero; incremento da ferrovia em detrimento da rodovia, zero; carro elétrico, zero; falou-se um pouco de eficiência energética dos edifícios e de relevante pouco mais. Foi essencialmente uma sessão promocional da Galp, e dos projetos-leis impercetíveis do governo. Por fim como comentadores falou o Eng.º João de Nascimento Batista da Elecpor que colocou algumas questões pertinentes, mas muito delicadas e politicamente corretas, ao CEO da Galp, que nem sequer foram diretamente respondidas, e por fim, no meu entender quem trouxe alguma mais-valia ao debate foi o Eng.º Carlos Nascimento da OE que nos deu alguns dados interessantes sobre a evolução do PIB em paralelo com a evolução do consumo energético do país, como suposto índice da macro eficiência energética.

Na generalidade fiquei escandalizado para a insensibilidade destes altos quadros e pessoal qualificado, para questões muito mais basilares e estruturais da nossa dependência energética num país que consome cerca de 41% da sua energia em transportes e que tem uma dependência energética de 83%. Isto, foi matéria tabu. Houveram ainda críticas às políticas de Bruxelas pois segundo os oradores, as mesmas estão cegamente vinculadas às questões ambientais, o que afeta a economia. Enfim, foi um debate paupérrimo, muito triste, com o representante máximo do cartel do petróleo a promover a sua empresa.

Refiro ainda que dos cerca de 150 presentes eu fui o único que fui de bicicleta. Não é isto verdadeira eficiência energética nos transportes?

Consumo final total de energia por sector em Portugal

Consumo final total de energia por combustível, em Portugal

Fonte dos dados: Portal energético Europeu

Os oligarcas do petróleo


Para resolver de vez o problema das finanças públicas parece-me sensato concluir as seguintes medidas a adoptar num contexto de crise:
transformem muitas das estradas em linha férrea, taxem severamente as entradas com automóvel nas cidades, aumentem brutalmente o ISV e o ISP, aumentem o imposto único de circulação e construam linha férrea para transporte de pessoas e bens em bitola europeia. O petróleo, é quem verdadeiramente definha a nossa economia e agrava a nossa balança energética e comercial. Não temos recursos petrolíferos, não temos indústria automóvel própria mas cada português tem um carro que se move com derivados do petróleo, e transportamos quase todos os bens por camião. Até quando seremos dependentes dos oligarcas da OPEP a das indústria petrolífera?

O preço da energia em Portugal e na Europa


Muitos se questionam se a Europa terá de ficar eternamente dependente da seiva negra denominada petróleo, que por sinal é largamente controlada pelos Estados Unidos. Já o referi diversas vezes, os EUA, sedentos de poder a nível mundial, e sabendo que o petróleo é quase mais valioso que o ouro, indexaram a sua moeda ao petróleo e emitiram ao longo destes anos milhares de milhões de dólares, o que faz com que a sua moeda seja omnipresente e no entanto poderosa pois está associada a um bem fundamental nos dias de hoje que é o petróleo.

Desde 1910, quando Henry Ford começou a fabricar carros em série que o paradigma não se alterou. Decorridos 100 anos estamos cada vez mais dependentes dessa seiva negra que a América controla. Ora vejamos, por exemplo em Portugal, em 2005, cerca de 20% de toda a energia produzida para a rede eléctrica provinha de derivados do petróleo e 99,3% de toda a energia no sector dos transportes provinha de produtos petrolíferos. Portugal é então mais um vassalo do exterior pois a sua dependência energética tornou-se há muito patológica. Os EUA, invadiram o Iraque na primeira guerra do Golfo, não com motivações humanitárias ou democráticas, mas tão-somente por questões petrolíferas. E por certo que todos os centros de investigação, todas as universidades e toda a indústria automóvel está comprometida com este pacto diabólico energético de não providenciar aos cidadãos energia mais barata e mais limpa.

A questão é tão liminarmente simples. Se você controlar totalmente um bem que é escasso e simultaneamente essencial você será rico e poderoso. Se alguém encontrar uma alternativa para o mesmo propósito do bem que você controla, você deixará de ser rico ou poderoso e fará tudo para que tal não aconteça. Esta inércia maléfica, faz com que após 100 anos do começo da fabricação do carro em série, ainda nos movamos somente a derivados do petróleo. E Portugal é um caso paradigmático desde a sua fase democrática após 1974. Encheu o país de estradas, o Estado endividou-se para construir estradas e auto-estradas, os portugueses endividaram-se para comprar carros, transportámos quase tudo por camião e importamos todos os recursos petrolíferos. A GALP, empresa nacional, limita-se a fazer alguma prospecção no estrangeiro, e a fazer refinação em Portugal. Entretanto a ferrovia definhou completamente.

No princípio do século XX os pseudo-visionários norte-americanos imaginaram que o mundo futuro seria sedento de petróleo, sendo que não imaginavam que outras tecnologias poderiam competir com o petróleo. Fizeram incursões no Médio Oriente, em alguns dos seus estados e posteriormente em África. Dominam, juntamente com os Ingleses, toda a indústria petrolífera, desde a prospecção, a extracção, o transporte, a refinação e a venda ao público. Todas as outras tecnologias que ousam competir com o petróleo são abafadas, silenciadas ou quando se tornam demasiado ousadas, são aniquiladas pelos fervorosos arautos do tio Sam.

Mais uma vez redigo-o, a questão é liminarmente simples, se você dominar a indústria da água no deserto torna-se rico e poderoso, se dominar a indústria do oxigénio numa eventual colónia lunar, torna-se rico e poderoso, se dominar a indústria das vestimentas na Escandinávia, torna-se rico e poderoso, se dominar a indústria petrolífera no mundo moderno, torna-se rico e poderoso. E quando alguém atinge o apogeu no poder, usará todos os seus meios poderosos e maléficos para que não seja destituído desse poder. E é esta inércia que mantém o sistema controlado com as graves consequências nefastas para os cidadãos do mundo e para o planeta.

Os EUA, não ratificaram o protocolo de Quioto e são o segundo país mais poluidor do mundo, depois da China. A UE faz um esforço colossal para cumprir com a redução das emissões de CO2, com países como Portugal que em 2008 já tinha 23% da sua energia eléctrica produzida através de fontes renováveis; sendo que países como os EUA, em nome da competitividade da sua indústria poluem larga e imensamente o planeta Terra. E o petróleo toma aqui um papel fundamental neste paradigma maléfico. Só a título simbólico o carro presidencial dos EUA consome 30 litros a cada cem quilómetros.

Mas deixemo-nos de palavreado fútil e cinjamo-nos aos números dos preços da energia em Portugal e na União Europeia

O preço da energia em Portugal na UE


Vejamos por exemplo o preço da gasolina sem chumbo


Apesar do que se diz, infelizmente, Portugal não é dos países onde a gasolina sem chumbo é mais cara, apesar de estar no pelotão da frente, como o gráfico mostra.



No caso da electricidade, Portugal encontra-se a meio da tabela, mesmo apesar dos enormes esforços que a EDP tem feito para incentivar a pequena produção de energia através de fontes de energia renovável, pagando na compra aos pequenos produtores um preço maior em relação ao preço da venda.


No caso da carga fiscal em relação ao preço final na gasolina sem chumbo, vê-se claramente que Portugal também se encontra no meio da tabela, e não nos primeiros lugares como muitos cidadãos indignados arautos do petróleo querem fazer parecer.




E finalmente o gráfico mais emblemático da maléfica hegemonia do petróleo no nosso quotidiano. Cerca de 99% das fontes de energia no sector dos transportes são obtidas através de derivados do petróleo. Na produção de energia elétrica tal é cerca de 20%. O grande Satã denominado Estados Unidos da América tem aqui um papel maléfico e perverso na manutenção desta inércia nefasta para todos os cidadãos do mundo e para o planeta em geral.

As nefastas consequências da hegemonia do petróleo são toda uma série de patologias do foro respiratório nos cidadãos das metrópoles, as alterações climatéricas a nível mundial, o barulho ensurdecedor provocado pelos automóveis e as suas consequências para a saúde, a insegurança rodoviária e o número de vidas que ceifa anualmente, a destruição de florestas e da natureza para a construção de rodovias, a preterição do transporte público em prol do veículo particular e a dependência energética de países que não estão no círculo maléfico da OPEP ou no círculo maléfico que controla esses países, tal como o grande Satã denominado Estados Unidos da América.

A Europa tem que dar um sinal, o petróleo tem de ser encarado como um veneno para o globo e para a saúde dos europeus, como tal os derivados do petróleo teriam de ter uma carga fiscal substancialmente superior. A média do preço da gasolina na Europa deveria ser 10€/litro devido tão-somente a carga fiscal. Tal obrigar-nos-ia enquanto cidadãos europeus a apostar seriamente nos transportes públicos e na ferrovia, que no caso português à excepção dos eixos principais, está praticamente putrefacta.

Deixo a pergunta às elites europeias:
  • Até quando serão vassalas do grande Satã?
  • Até quando estará a Europa dependente de uma seiva negra maléfica que não produz e que só importa, trazendo graves consequências para a saúde dos cidadãos europeus?
  • Não terão as universidades europeias tecnologia suficiente para criar métodos novos, baratos e limpos de locomoção de veículos sem que estejamos dependentes dos proxenetas do petróleo?
  • Para quando prevêem as elites europeias que 100% dos carros a circular na Europa sejam somente zero emissões de CO2 e de outros poluentes?

Vade retro Satanás

Fonte de todos os dados: http://energy.eu/

Aumento dos transportes públicos em 15% - a aliança petrolificada PSD/CDS


Não hajam dúvidas prezados cibernautas o quão petrolificado é este governo liderado pelo secretário-geral do PSD, arauto seguidor das medidas do ex-primeiro ministro Prof. Cavaco Silva. Sejamos concretos e racionais no campo dos meios de transporte público.

Cinjamo-nos aos factos: Portugal é um país sem recursos petrolíferos, e está repleto de rodovias, Portugal não tem indústria automóvel própria e cada português tem um carro. Ou seja o automóvel de motor de combustão interna em Portugal é um atestado de falência e de pobreza a longo prazo. Importamos todos os recursos petrolíferos para locomover os camiões e os automóveis que não produzimos. O Prof. Cavaco Silva não foi o primeiro-ministro do betão, foi antes o primeiro-ministro do alcatrão. Os portugueses aumentaram o seu poder de compra e endividaram-se para comprar automóveis, o Estado endividou-se para construir estradas, enquanto as nossas empresas transportadoras usavam essencialmente o camião para o transporte de mercadorias, camião esse que apenas usa o gasóleo para se locomover. Poluímos o país, destruímos florestas e árvores essenciais para a produção natural de oxigénio, aumentámos as patologias de foro respiratório, ceifámos milhares de vidas em acidentes rodoviários, endividamo-nos com a nossa factura energética e tornámo-nos extremamente dependentes do exterior. Entretanto a ferrovia definhou e fechámos estações e linhas férreas.

Mas existe uma razão para tais factos maléficos e de dependência energética do nosso país. Os EUA, o grande Satã, nos anos 70 estavam em crise profunda após a guerra do Vietname. Para que pudessem fazer exportações em larga escala, emitiram milhares de milhões de dólares para desvalorizar a moeda, ao mesmo tempo que a fortaleciam ao indexar o petróleo ao dólar. Por isso é que ouvimos diariamente o preço do barril do petróleo em dólares. Ou seja, meus caros cibernautas, o raciocínio é simples, enquanto o mundo estiver dependente energeticamente do petróleo, o dólar será uma moeda forte e de larga utilização e procura. Não nos esqueçamos que os EUA invadiram o Iraque nos anos 90 por causa do petróleo, e que as grandes petrolíferas americanas fazem prospecção em diversos locais no mundo, com grande incisão no Médio Oriente. Enquanto o mundo moderno estiver dependente dessa maléfica seiva negra, com todas as suas nefastas consequências para o planeta, o grande Satã triunfará, pois o ser industrializado contemporâneo necessita da sua seiva como o peixe da água.

Por isso é que todas as iniciativas para despetrolificar o mundo são ténues, temerosas e ingénuas. Um grande passo deu o primeiro-ministro antecessor Eng. José Sócrates, ao apostar largamente nas energias renováveis no nosso país, como a eólica, a solar, a hídrica ou a das marés. Também apostou fortemente o Eng. José Sócrates no carro eléctrico o que é de saudar fortemente.

A cada quilómetro de alcatrão que construímos obrigamos os portugueses a pagar no futuro um valor incalculável em euros. Importamos os veículos com que os portugueses se regozijam no seu quotidiano, enchemos o país de auto-estradas financiando as suas portagens comparticipadas e transportamos mercadoria em camiões. A nossa dependência energética no campo dos derivados do petróleo é socialmente e economicamente patológica. O INE refere num estudo recente que os gastos energéticos dos portugueses em derivados do petróleo ascendem a 50%, valor nunca antes visto. O que significa que os portugueses, mesmo com a crise não estão a abdicar de andar de viatura própria. E é neste contexto que este governo petrolificado do PSD/CDS aumenta os transportes públicos em 15%. É tão-somente um atentado à inteligência de quem tem cabeça para pensar.

Quando se poderia aproveitar a crise para obrigar os portugueses a deixar o carro em casa, aumentando severamente o imposto sobre os produtos petrolíferos, incentivando os portugueses a preterir do uso do transporte individual em prol do transporte público, este governo petrolificado dá exactamente os sinais contrários. De referir ainda que esta medida é definida por uma elevada injustiça social, pois são os mais desfavorecidos que usam o transporte público. Se têm que obter receitas adicionais, refiro-o com veemência, aumentem fortemente o ISP e o ISV, deixem de fazer estradas inúteis, eliminem o alcatrão do vosso subconsciente colectivo, desincentivem o transporte individual e despetrolifiquem o país, tornando Portugal uma pais verdadeiramente soberano.

Este governo tomou até agora medidas acertadas, difíceis, mas exigentes para sanar a crise das contas públicas, com as quais concordo. Pagarei de bom grado o imposto extraordinário natalício pois é uma medida séria e de saudar. Confesso mesmo que se deveriam acabar com os subsídios de férias e de Natal, pois servem exactamente não para a poupança, mas na maioria dos casos para comprar futilidades importadas. Saúdo este governo por medidas difíceis e necessárias que eu acolho de bom grado. Mas aumentar os transportes públicos em 15% é de uma idiotice inigualável, face aos pressupostos energéticos do país. E aos críticos digo, os transportes públicos não servem para dar lucro, cortem nos salários dos maquinistas do Metro e da CP, esses proxenetas pagos a peso de ouro que passam o ano a fazer greves. Cortem no pessoal, cortem nas despesas correntes, invistam no Metro de superfície que é sete vezes mais barato que o Metro de profundidade. Este governo com esta medida demonstrou ser mais um lacaio do grande Satã, e demonstrou estar mais petrolificado que a Arábia Saudita.

Eliminemos a nossa dependência da seiva negra maléfica, salvemos o planeta e deixemos aos nossos filhos um mundo melhor

De Aveiro até à Guarda – É este o país que temos


Viagem entre Aveiro e Guarda por automóvel. Tempo:1h38m
Alguma comparação entre Portugal e a Arábia Saudita poderá parecer despropositada, mas demonstro-vos matematicamente que tal paralelismo não é assim tão descabido, pelo menos se nos referirmos do ponto de vista das infra-estruturas viárias. A Arábia Saudita, e esqueçamo-nos por agora das questões meramente religiosas e cinjamo-nos às questões de macroeconomia e de infra-estruturas nacionais, é um país com uma elevada produção petrolífera e de refinação dos derivados do petróleo, tendo este país historicamente relações diplomáticas e comerciais muito salutares com os súbditos dos generais do tio Samuel. Tendo uma indústria petrolífera tão forte, naturalmente a Arábia Saudita apostou fortemente em redes rodoviárias de transportes. A razão é simples, produzem petróleo, fazem estradas onde andam carros, camiões e autocarros, que consomem derivados do petróleo, e assim a economia saudita regenera-se através da indústria do petróleo, com os milhões de dólares de lucros gastos em palácios e mordomias para todos os cidadãos, mesmo que tal traga graves maleitas para a saúde pública ou para o ambiente a nível mundial. Assim se explica porque é que uma vasta rede ferroviária pelo deserto saudita é uma expressão de fantasia, sendo que no entanto as auto-estradas megalómanas rasgam os áridos desertos da península arábica em território saudita, tendo este pais uma rede de infra-estruturas rodoviárias inigualável.

Mas e Portugal, onde se encontra neste equilíbrio de forças económicas o nosso país? Portugal não tem recursos petrolíferos, todos os derivados do petróleo são importados e tem algumas refinarias, por exemplo em Sines. Portugal não tem indústria automóvel própria, e a única que tem e que balanceia positivamente em parte a nossa balança comercial com as exportações, leva a grande tranche dos louros para a Alemanha. Mas o que é que Portugal tem em abundância? Estradas! Muitas estradas e muito alcatrão! Os governos do pós-25-de-Abril foram os governos, no que concerne à obra pública, os governos do alcatrão. Mas estes senhores não entendem que foi uma aposta estratégica completamente errónea. Não temos petróleo, não temos carros, importamos os veículos que se movem nessas estradas e ainda para mais importamos o único combustível que permite que esses veículos se locomovam. Ao construirmos largas e vastas estradas tornámo-nos cada vez mais dependentes do exterior e assim definhámos a nossa economia. Os espanhóis podiam agora inundar o nosso mercado interno com produtos agrícolas e piscícolas.

E onde se enquadra esta minha humilde missiva pública no que concerne á sua epígrafe? Por onde começou este meu pseudo-artístico ofício bloguista, senão pelas duas capitais de distrito! Naturalmente pela viagem entre Aveiro e a Guarda que terei de realizar por motivos profissionais. Duas cidades capitais de distrito em Portugal, praticamente na mesma latitude, que distam cerca de 150 quilómetros. Pois meus caros leitores cibernautas, por automóvel na A25 a uma velocidade média de 100km/h as duas capitais de distrito fazem-se em cerca de uma hora e meia. Pois agora ouçam bem, pois estamos em Portugal, esta quase Arábia Saudita do sul da Europa sem recursos petrolíferos nem indústria automóvel própria, para fazer por comboio o percurso entre Aveiro e a Guarda o passageiro demora nada mais nada menos, do que cerca de três horas, ou seja o dobro do tempo.

Viagem entre Aveiro e Guarda pela CP. Tempo médio: 3 horas
Pergunto eu agora: Será que vale a pena investir tantos milhares de milhões na rede de alta velocidade quando a nossa rede ferroviária convencional, à excepção dos eixos principais, está putrefacta? Porque é que entre Aveiro e Guarda, de comboio se demora precisamente o dobro do tempo que se faz de automóvel, quando sabemos que a nossa dependência energética é muito mais patológica no caso do automóvel que no caso do comboio, sendo que a rede ferroviária consome essencialmente energia eléctrica que felizmente nós produzimos, onde agora até as bem-vindas, ecológicas e produtivas fontes de energia renovável dão um largo contributo?

Pois meus caros concidadãos que me auscultam; por uma questão de soberania e independência energética, este é o momento para os nossos governantes fazerem uma aposta séria e comprometedora na ferrovia nacional!

Nota: Ver a história da linha da Beira Alta

As contrariedades da simbologia automóvel


O automóvel, vulgo carro, foi e por certo será por muitos mais anos o meio de transporte de eleição das sociedades ocidentais. É prático, oferece alguma liberdade na movimentação quotidiana dos habitantes das polis, e salvo algumas, agora muito mais frequentes exceções, é fácil de estacionar, pois os parques citadinos começam a abundar. No entanto, por certo que nunca poderá ser o meio do futuro, o meio das metrópoles das novas gerações, e todas as cidades cujos arquitetos, urbanistas e políticos camarários tiveram algum intento visionário na sua conceção, tiveram por certo de apetrechar tais urbes com o transporte da multidão, do público, dos cidadãos.

Uma carruagem do metropolitano pode, em situações de pleno conforto aos seus ocupantes ter pelo menos cinquenta passageiros; no mesmo espaço, caberiam quatro veículos automóveis, que em média nas cidades devem conter dois passageiros, o que dará oito cidadãos. As cidades visionárias têm de ser concebidas para o futuro e imagino, eu, mente por vezes sectária e ortodoxa, outras vezes sonhadora e visionária, as cidades do futuro super populosas, onde por certo o automóvel nunca terá lugar de existência. Observemos grandes metrópoles como por exemplo, Nova Iorque, Hong Kong, Xangai, e vemos o quão importante é o transporte coletivo. Em Nova Iorque, onde a política americana para o transporte público durante muitos anos se limitou ao sector urbano, o transito por certo, nunca lá estive, é literalmente caótico, e os meios de transporte público nunca publicitados nos meios cinematográficos, são raros e os que existem face à tecnologia da nação em causa são deficitários. Já em Hong Kong, cidade que gostaria de visitar um dia, parece-me que dada a elevada densidade populacional, foi uma cidade com projeção futurística, onde o transporte coletivo foi uma grande aposta. Creio que essa mistura étnica e tecnológica entre saber colonial britânico e espírito regrado de trabalho Oriental deve ter proporcionado aos arquitetos de Hong Kong fazerem uma metrópole moderna e de futuro. O mesmo, creio, pode ser aplicada às grandes urbes do Oriente, cidades hiper populosas, onde o número de habitantes é enorme dada as suas dimensões, não se podem dar ao luxo que os seus cidadãos tenham cada um automóvel para irem onde quiserem. Se os chineses usam muito a bicicleta, não é por certo por razões ambientais, pois o crescimento económico de tal nação não pode ser suportado com restrições de tal ordem, o ambiente é secundário; foi antes por questões de pragmatismo urbanístico. Onde caberiam tantos automóveis em cidades tão populosas. E o mesmo talvez se aplique à América Latina.

Estou perdido nos pensamentos ao me aperceber que na realidade a densidade populacional de Pequim é na realidade inferior à de Lisboa, bem agora perco razão ao que digo, mas por certo está relacionado com a área muito superior do distrito de Pequim. E o mesmo a Hong Kong. Mas eu, nesta pequena missiva que faço sobre a simbologia automóvel quero ficar perplexo, com as contrariedades engraçadas dos apetrechos do carro, por isso mudo o estilo da escrita, torno-a mais sublime, mais poética, uma espécie de prosa-poética em homenagem a todos os mágicos adereços que os automóveis das cidadelas do Ocidente podem comportar, desde o contrário travão-de-mão; quão estranha é esta peça de auxílio à paragem do veículo que utilizamos quando estacionamos a viatura, pois para travar, para parar, elevamo-lo, erguemo-lo, fazemo-lo subir e depois de erecto trava o carro; não é por certo este fenómeno contrário à razão carnal e humana. E mudanças, porquê sempre cinco na maioria dos automóveis? E o que mais me intriga é o escape, esses jovens sempre prontos a quitarem, a apetrecharem as suas viaturas com imponência e realce, colocam aqueles espessos escapes, firmes, hirtos, que deitam o fumo queimado pela combustão do veículo, o escape, que situado na traseira do carro, e largando dejetos do automóvel, tem uma simbologia um pouco estranha, lembrando os despojos de uma criatura rápida, célere, em movimento. Mais uma contrariedade da figura automóvel.

O motor, é o coração, é a máquina vital à aceleração da viatura, promove a inércia, faz com que esta máquina divina obedeça à lei da variação de velocidade postulada pelo mais grandioso físico Britânico com nome de semita. O motor, a peça chave desta máquina de movimento, é por vezes poluente e trágico aos olhares das polícias rodoviárias. Para esses jovens rebeldes que adulteram as suas viaturas com o intento de as tornarem mais poderosas, o motor está obviamente relacionado com a força motriz, com o impulso, com o vigor humano, com a força dos seus músculos, com a potência da sua fértil verga. É por isso que vejo essas rivalidades entre imbecis e inconsequentes moços, com as suas viaturas quitadas, em competição por nada, e quando as miúdas estão por perto, o desejo de auto afirmarem a sua virilidade aumenta, aumentando consequentemente a profundidade do pedal do acelerador das suas máquinas motrizes.

Os faróis são os olhos, os piscas são os braços que acenam e cujas mãos levantam o polegar, ou os piscas são simplesmente os olhos a piscar. Numa bela donzela, voluptuosa, os faróis, tal como refere o mais vil calão dos bairros degradados, os faróis são por mais que evidente as suas duas protuberâncias que lhe embelezam a estatura, e quando nos máximos, enchem e encadeiam de desejo o mais celibatário dos transeuntes.

As portas serão os braços, que se abrem e podem dar asas para voar; quantas imagens vemos nós em desenhos animados de automóveis, estes esvoaçando na atmosfera, com as portas a suportarem tais diferenças locais de pressão atmosférica, que permitem qualquer ave voar. Os pés e as mãos são as rodas; se o coração é a fonte da motricidade, os pés são o meio pelo qual essa mesma força é transferida, e o qual entra em contacto com o solo. A sola dos sapatos, são os pneus, que providenciam a aderência, a suavidade ou a rigidez do contacto com a superfície.

E tal como os jovens da metrópole se exibem com as suas máquinas infernais de vigor, potência, força, esse aparato que é não mais que uma mescla de tecnologia nos campos da mecânica, eletrónica e aerodinâmica; gostam também de embelezar as suas máquinas de movimento, colocam-lhes autocolantes, e fazem pinturas peculiares, como o belo galã que se veste bem, e coloca aqueles pequenos detalhes de realce na sua já cara indumentária, também estes lhes colocam luzes, para atrair as atenções visuais das redondezas por onde vagueiam, normalmente à noite. E como não poderia deixar de referir o campo do audível, enchem tais maquinetas andantes com os sistemas de som mais potentes e encarecidos que o mercado automóvel alguma vez observou. Tal como o alegre e divertido negro passeia na praia com o rádio sobre o ombro, tradição um pouco já esquecida com o advento do MP3, também os rapazes do xuning adoram vaguear pelas ruelas das metrópoles e fornecer variações de pressão atmosférica à multidão, muitas vezes não requisitada, e muitas mais vezes nada melódica, limitando-se na maioria dos casos a meras batidas de música eletrónica. Sonho em ter tais aparatos de tecnologia, mas para ouvir a terceira Sinfonia de Beethoven para piano. Isso sim é de louvar! Aliás, a música dita clássica, deveria dizer-se erudita, é a mais internacional de todas as músicas pois não tem letras, apenas sons, e a melodia é poética e muito mais rica do que quaisquer ritmadas citadinas.

O carro, mobilidade, tecnologia, conforto, decadência, desconforto grupal, uma tragédia ao coletivismo urbanístico, belo, pessoal, diz muito sobre a personalidade de quem o tem, desde a cavalagem à aparência exterior; desde o delinquente que tem o carro mais podre do mercado que mal anda, ao político abastado que anda nos topos de gama das marcas da indústria automóvel; diz muito sobre o indivíduo.

O carro, inimigo da nação humana, dado o combustível que consome, vejo quantos meios de transporte são construídos por esses continentes fora, por esses mundos, e tantos milhões dedicados a auto-estradas, a via rápidas, a estradas e "estradecas", a ruas e ruelas rodoviárias. Quantos já morreram dentro de um automóvel, quantos morrem diariamente, em todo mundo dentro de um automóvel por velocidades que por certo estão relacionadas com paragens cárdiorrespiratórias: Muita tensão, e o carro imove-se, má condução e o veículo pára para a morte. Quantas tragédias por esse mundo fora em torno do automóvel? Quantos milhões despendidos no seu aperfeiçoamento? Quantas guerras foram travadas pelo combustível que consome, desde os continentes de África até ao Oriente Médio? As guerras e as tragédias em homenagem ao veículo automóvel.

E tudo começou com o advento daquele senhor industrial que mecanizou a sua produção em linha, nos princípios do século vinte. Desde então nunca mais parou em todo o mundo, e se tal crescente não parar, ou se pelo menos não regredir, haverá por certo o caos humano do planeta Terra, em termos ambientais e civilizacionais.