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Celebridades portuguesas em bicicleta


Sendo a bicicleta um item de culto, que tem de ser encarada essencialmente como modus movendi, serve esta publicação apenas para enaltecer a cultura da bicicleta, publicando assim fotos de diversas figuras públicas portuguesas, montadas em bicicleta.

Joana Seixas, atriz


Que a bicicleta esteja convosco, Amén!


Que a bicicleta esteja convosco, Amén!

Viva o 25 de abril, viva a Liberdade!

O Golpe da Energia (lê-se Galp)


Nota preambular: faço parte dos que acha que a gasolina deveria custar 20€ o litro! O atrasado do Pimentel também!


O golpe da Energia

Aqui, em Narvik, donde escrevo, a gasolina custa €1.88 o litro, a mais cara do mundo. Na Noruega, um país com enormes recursos petrolíferos, com enormes recursos energéticos, a gasolina é a mais cara do mundo. A Noruega donde escrevo tem muito menos quilómetros de autoestradas do que Portugal. Enquanto o meu país tem 253 km de autoestrada por milhão de habitantes, aqui a Noruega tem apenas 53 km. Em termos de área a Noruega tem 7 km de autoestrada por cada 10 mil km2 de território, já Portugal tem 292 km. Se considerarmos o rácio entre quilómetros de autoestrada e PIB per capita, aos 141 km de Portugal contrapõem-se apenas 5 km da Noruega, ou seja cerca de 30 vezes menos. Aqui na Noruega, a saúde é universal e completamente gratuita e o sistema de educação é também universal e completamente gratuito, por exemplo não há propinas na Noruega. Os salários da função pública e do sector privado são dos mais altos da Europa. O salário médio por exemplo dos professores na Noruega ronda os 4000€ por mês.

O ciclista "domingueiro"


Refiro que uso com alguma frequência a bicicleta ao domingo, e reitero que nada tenho contra quem usa a bicicleta ao domingo, nem quero catalogar, carimbar ou discriminar ninguém; isto é tão-somente uma provocação para que se debata o facto de que há realmente um fenómeno social de pessoas que encaram a bicicleta como apenas um desporto de elites (o que é lícito e é aquilo a que Carlos Barbosa se refere quando diz que "pedalar está na moda") enquanto outros (como eu) encaram a bicicleta como modus movendi e como um veículo político (etimologicamente falando, pois vem de polis, urbe, decisão urbana) para mudar a sociedade e o paradigma da energia e da mobilidade em meios urbanos!

Assim, os domingueiros na bicicleta são definidos por:
  • só usam a bicicleta aos fim de semana, e principalmente ao domingo
  • andam sempre todos equipados da cabeça os pés para o BTT
  • não sabem o que é uma pasteleira
  • gastam quase tanto na bicicleta e acessórios como no carro
  • andam nos passeios, pois acham que a bicicleta não é para andar na estrada, esquecendo-se que à luz do Código da Estrada a bicicleta é um veículo
  • têm dificuldades em fazer contas de somar, pois não percebem que se fazem ao domingo 75km, podiam distribuir esses kms pelos outros dias da semana e irem de bicicleta para o trabalho 15km, conciliando eventualmente com transportes públicos, poupando muito dinheiro

Suporte para bicicletas | Sr. Aleixo 914815611


Como já havia referido aqui anteriormente, existe um artífice nacional muito habilidoso que faz uns suportes para bicicletas deveras interessantes. Anteriormente havia-me fabricado um suporte de parede, e com fabricação à medida, transporte e montagem, o Sr. Aleixo fez-me tudo em 40€. Confesso que não sei se foi preço de amigo. Não ganho comissão em publicitar os seus serviços, devo dizer desde já, mas quando vejo sítios estrangeiros a vender peças semelhantes pelo triplo do preço, mais transporte e ainda precisam de montar vocês, apercebo-me que há aqui um mercado interessante por explorar, nas pequenas oficinas de serralharia de ferro e alumínio do nosso país.

Desta vez pedi ao Sr. Aleixo (artesão que conheço dos tempos das obras) para que me produzisse dois suportes para bicicletas com cerca de 80cm de altura e com 75cm de largura. Pedi bases quadradas bem largas com 1cm de espessura, para suportar bem os impactos laterais. Em vez de o Sr. Aleixo fazer o que é típico, ou seja, um único ferro dobrado num ângulo largo de 180º, o Sr. Aleixo, sempre zeloso no seu dever, comprou duas curvas de 90º e soldou, bem soldado aos ferros, ficando um trabalho, após devido polimento e pintura, impecável.

O Sr. Aleixo tem a sua oficina na zona de Lisboa. O contacto é 914815611
O preço que paguei foi 40€ a unidade com tudo incluído: peça à medida, com transporte e montagem! Não garanto que o preço que lhe faça seja o mesmo, é uma questão de lhe telefonar!

Estórias de bicicleta - O Taxista, o lobo velho e incivilizado da estrada


Agarrava nos punhos do volante da minha bicla e questionava-me sobre o facto de, com tantas e evidentes vantagens que conseguia atingir com este meio de transporte – financeiras, de saúde, e altruísticas como menos poluição, menos barulho e menos espaço na cidade, menos importações de combustíveis e veículos – e mesmo assim, os outros utentes da via, tratavam-me como um empecilho. Não passam de profanos, no sentido etimológico do termo, pois desconhecem as grandes vantagens de se ver a Luz. E eu, e também os outros poucos que são os ciclistas urbanos, havíamos visto a Luz. E para se ver a Luz é preciso Saber: não admira portanto que paradoxalmente são os academicamente mais letrados e os mais abastados que adotam a bicicleta, mesmo que o comum dos mortais, plebeu e profano, trabalhe cinco meses do ano para pagar as despesas do seu carro.

Todavia, pedalar em Lisboa, é (ainda) um pouco aventureiro, dada a animalidade intrínseca que os profanos das bolhas enlatadas manifestam ao volante. As autoridades policiais encaram a bicicleta no mínimo com desconfiança, uma espécie de elemento invasivo e parasita da via pública, e eles, guardas e polícias de trânsito, quais glóbulos brancos que defendem a ordem viária contra os ataques exógenos, encaram ainda a bicicleta como uma afronta contra o sistema imunitário viário. Mas são os taxistas, os elementos da via pública que manifestam um comportamento mais agressivo e perigoso perante os ciclistas, tal prende-se com o facto de os ciclistas - infringindo o Código da Estrada para sua segurança - circularem com regularidade nas vias BUS; os taxistas, essas feras velhas e decrépitas da rodovia, esses mamutes poluidores e iletrados que fazem da via BUS uma via de aceleração, colocam constantemente em risco a segurança dos ciclistas, com as tangentes e razias que nos fazem no dia-a-dia. 

É sobre estes paradigmas que versarão as minhas estórias. Tratam-se de estórias reais, factuais, que presenciei e que vivi na primeira pessoa, não são novelas ficcionais.

Jesus Cristo andaria de bicicleta


Automóvel: 7 ltr/100km ≈ 500 Cal/km [1]
Carregar um objeto pesado a 1 km/h
500 Cal/km [2]

Não vos falo sem conhecimento de causa, pois digo-vos que se o Messias viesse à Terra, entre muitas outras coisas (como acabar imediatamente com a agiotagem e usura disseminada pelos banqueiros e gestores neo-cristãos) se precisasse de se deslocar, andaria tão-somente de bicicleta, transportes públicos ou a pé. Não ligo às blasfémias que alguns padres e neo-cristãos propalam nessa comunicação social, pois para mim, os clérigos e os monges (a começar pelos Franciscanos que fazem voto de pobreza) deveriam estar estritamente proibidos de ter carro. 

No tempo de Cristo, o Filho, o Messias, já haviam meios de transporte deveras sofisticados. Os romanos usavam por exemplo as bigas, as trigas, ou as quadrigas, sendo que usavam também para transporte de mercadorias as carroças, puxadas por cavalos ou por escravos. Os mais nobres, mas sem dinheiro para comprar um carro (do Latim carrus, veículo de rodas para transporte de pessoas ou mercadorias) tinham cavalos individuais onde montavam para se deslocar. Alguns agricultores mais abastados usavam gado bovino para lavrar a terra, mas também como meio de transporte, e os pobres andavam de jumento e a pé. 

Vamos pôr os deputados e membros do governo a andar de bicicleta!


As questões da mobilidade dos membros do governo e dos representantes do estado, têm surgido a público recentemente, devido ao facto de que ao que parece, Francisco Assis, membro do Partido Socialista terá dito que "qualquer dia querem que o líder parlamentar do PS ande de Clio". Tal gerou uma onda de indignação e a própria Renault criou uma petição para pôr Francisco Assis a andar de Clio, tendo já milhares de assinantes.



Primeiro-ministro holandês,
Mark Rutte, chega à sua
residência oficial de bicicleta
Ora, permitam-me a ousadia mas eu iria mesmo mais longe: vamos pôr Francisco Assis a andar de bicicleta e poupar muito dinheiro aos contribuintes portugueses. Numa altura em que a austeridade está cada vez mais severa e está em constante crescendo, com metas orçamentais difíceis por cumprir, com o desemprego a atingir níveis recorde, com os sucessivos cortes nas prestações sociais e a respetiva precarização laboral, não se compreende de todo, ainda esta deificação do automóvel que é tão "bimba" e comum em Portugal, em que o estatuto do carro é algo que confere supostamente credibilidade e sentido de estado ao governante.

Num país como Portugal, que não tem recursos energéticos endógenos, que não tem indústria automóvel própria, cujas maiores importações são carros e combustíveis, ver os membros do governo de bicicleta (eventualmente elétrica para os auxiliar na pedalada) seria a solução mais racional e menos populista, ao contrário do que diz Assis. Ninguém quer que os membros do governo ou os representantes do estado, tenham meios de transporte que não lhes confiram a dignidade que o cargo exige. Mas não me parece, nem a ninguém racionalmente são, que a bicicleta, não confira dignidade institucional. Tal paradigma cultural deve-se ao facto de historicamente a bicicleta ter sido o meio de transporte das classes mais desfavorecidas, mas com as consecutivas crises energéticas e petrolíferas no mundo, e com a promoção da mobilidade sustentável, a bicicleta há muito que ultrapassou esse estatuto pejorativo.

Não tenho dúvidas que se os membros do governo português, assim como os deputados e os representantes da nação, adotassem a bicicleta como meio de transporte, teriam muito mais legitimidade junto da população para impor medidas de austeridade difíceis, não porque se transportavam num veículo dos pobres, mas simplesmente porque não se moviam de forma opípara e opulenta.

NOTA: Sr. Ministro Vítor Gaspar, ao que parece V. Exa. está predisposto a alguma flexibilidade no Orçamento de Estado para 2013, com uma carga fiscal brutal, mas só mostra abertura para cortes na despesa que rondem os 500 milhões de Euros. Pois eu avanço já com um: o Parque de Veículos do Estado (PVE). Numa análise a um relatório recente da Agência Nacional de Compras Públicas, que gere o Parque Automóvel do Estado, vi contratações de muitos veículos de luxo, que rondam cada um os 100 mil euros (ver por exemplo no relatório o Lote 41, grupo 4). Considerando que uma percentagem dos veículos do PVE são essenciais como ambulâncias, transporte de mercadorias, veículos de autoridades ou manutenção de espaço público por exemplo, considerando apenas no dito relatório o grupo 4 – aquisição de veículos ligeiros de passageiros - e que consideremos que represente apenas 50% de toda a frota do estado, consideremos um valor médio de venda aceitável de 40.000€ por veículo (vede o dito relatório, e verá que a média é aceitável), considerando que o PVE é composto por aproximadamente 27 mil veículos, considerando ainda o que se pouparia em combustíveis e manutenção, se VENDER estes carros, terá um encaixe de 540 Milhões de Euros, mais a consequente poupança em combustíveis e manutenção. Aqui está Dr. Gaspar os 500 Milhões de Euros, de corte na despesa que tanto procurava! (27000(carros)*50%*40000€=540000000€)

Carta pública à CARRIS


Exmo. Srs. da Carris

Vivemos num país de proxenetas instituídos, que sob a égide de serviço público, mamam do erário público sem qualquer pundonor, o que lhes aprouver.

Lembro-me a título de exemplo de várias fundações de índole duvidosa, da RTP1 - que nada acrescenta à concorrência e só passa lixo televisivo e futebol, funcionando com os meus impostos, autoridades da concorrência e reguladoras extremamente passivas que sugam milhões por ano, deputados que vivem à custa do pagode com luxos opíparos, e por aqui continuaria sem fim. Não é todavia o caso da Carris.

Num país, onde o ato de falar mal e criticar é reinante, cumpre-me congratular a Carris pelo ótimo serviço que presta (e não, apesar do tom poético com que escrevo não estou a satirizar nem a ironizar). Sou vosso cliente e quero congratulá-los pelo excelente serviço que a Carris me presta. Não tenho carro e desloco-me amiúde de transportes públicos e de bicicleta, e naturalmente a Carris enquadra-se neste paradigma; ora então:

Portugal e as patentes para bicicletas


Patente portuguesa com inventor português PT101840
Os pedais da bicicleta, funcionam de forma elíptica,
e não de forma circular, como é comum.
Forma elíptica como na máquina elíptica dos ginásios.
Uma patente é um direito de propriedade intelectual, que preconiza a proteção jurídica de uma invenção para o seu titular, durante vinte anos. Entenda-se invenção, como solução técnica para um problema técnico. Com a patente, o titular do direito, é o único a poder produzir, armazenar, comercializar ou tirar proveito financeiro com a invenção em determinado território. Mas nem tudo é patenteável, por exemplo ninguém confere uma patente para uma simples roda, simplesmente porque já existe no estado da técnica. Os requisitos de patenteabilidade são então a novidade, a atividade inventiva e a aplicação industrial.

Uma patente é vista como um contrato entre um estado e o inventor, com o intuito da promoção tecnológica. O inventor concorda em divulgar a sua invenção completamente no documento de patente, por forma a que qualquer perito consiga reproduzir a sua invenção, e como forma de premiar o inventor, o estado confere-lhe vinte anos de monopólio. Desta forma, premiando a inovação e a criatividade técnica, promove-se o desenvolvimento tecnológico, pois os concorrentes e o público em geral, apesar de não poderem usar aquela tecnologia específica, podem com a informação da patente, melhorá-la e criar também a sua própria patente. Não é de todo coincidência o facto de os países tecnologicamente mais desenvolvidos como a Alemanha, a França, o Reino Unido, os EUA, a Coreia do Sul, a China ou o Japão, terem dos maiores índices de pedidos de patentes por habitante do planeta. [1] [2]

Para quando a gasolina a 20€ o litro?


A necessidade aguça o engenho, sempre o foi ao longo da história.

Não duvidem que se a gasolina custasse 20€ o litro era ver a populaça às resmas a andar de bicicleta e de transportes públicos pela cidade. Na política de transporte de bens deixavam-se os camiões TIR, esses cancros poluidores emissores de partículas nocivas para a sáude e transportavam-se mercadorias por comboio. Para quem realmente precisasse do carro, como taxistas e empresários para quem o carro é fundamental, usar-se-iam os veículos elétricos. Com o passar do tempo, os proxenetas da Galp, Repsol e BP e cartel da mesma mafia da OPEP, felizmente que faliam. Vade retro Satanás, cartel mafioso dos hidrocarbonetos.

Por seu lado se a gasolina custasse 20€ o litro, fechavam os Colombos e os Dolces Vitas, assim como os Loures Shoppings que pagam o salário mínimo a 90% dos funcionários, e as pessoas compravam localmente ajudando o senhor da mercearia da sua rua, incrementando o tão desejado comércio local. As pessoas passavam a andar a pé, e morria menos gente do coração e de AVC, que por sinal é a maior causa de morte em Portugal. Por seu lado ao se fazer exercício físico naturalmente, de forma moderada e contínua, a produtividade nacional aumentava e os custos do país com saúde diminuíam. Importávamos menos combustíveis e menos automóveis; enfim, custaria um pouco inicialmente, mas depois encontraríamos o paraíso e o crescimento económico sustentável.

A bicicleta é duas vezes mais rápida que o carro


Um dos argumentos falaciosos, muito usado pelas pessoas, para não abdicarem do carro no seu quotidiano, é que o carro os leva de forma mais rápida de casa ao trabalho e do trabalho a casa. Falei recentemente com um amigo que mora no Seixal, e que trabalha na zona de Carnaxide. De carro, sem qualquer trânsito demora cerca de 30 minutos, todavia com o trânsito que é comum nas horas de ponta, demora cerca de uma hora. Como este meu amigo dizia que gastava cerca de 200€ todos os meses só com portagens e combustíveis, passou a ir de transportes públicos, e demora cerca de hora e meia. Tempo é dinheiro, é verdade, mas a questão que temos que colocar é se o tempo que poupamos com o carro, merece o dinheiro que gastamos a mais por optar pelo carro. Tudo depende de quanto ganharmos à hora, mas constata-se claramente que na generalidade da população portuguesa NÃO compensa trazer carro, dados os salários miseráveis que recebem e considerando os custos elevados que o carro acarreta.

Velocidade Real

É considerando este paradigma que se compara a Velocidade Real com a denominada Velocidade Virtual. É indubitável que um carro é mais rápido que uma bicicleta, se considerarmos a velocidade física, ou a chamada velocidade real, mas esta é claramente redutora para termos uma noção mais abrangente no quadro da mobilidade urbana. A velocidade virtual é muito mais interessante de calcular. Ora então exemplifiquemos: se o Carlos mora em Oeiras e trabalha no centro de Lisboa, e vai e vem de carro todos os dias, anda cerca de 20km para cada lado. Se demorar cerca de 30 minutos para cada lado, a sua velocidade real média é 20km/0,5h=40km/h

Lasciva Bicicleta


Olhos belos e seios fecundos
alvas pernas que pedalam
vagas entre os moribundos
Os homens em ti regalam

E na polis com carros imundos
Os quais os plebeus vassalam
Biltres são os furibundos
condutores que não te igualam

Bela e lasciva mulher
Pedalar é a tua meta
Vaga contigo quem quer

qual bela borboleta
És a Cândida de Voltaire
Vagueias de bicicleta

__

Vagas a polis, lés-a-lés
pois o pedal está-te no sangue
Jovem Mulher, quem tu és
não há Lei que te imane

Os teus belos alvos pés
são o fruto edénico langue
que os pedais forçam, através
das vias, dominadas pelo Gangue

E o carro na cidade é rei
E objetas tu esta treta
A República, quando vem eu não sei

Pedalar é a tua meta
Mulher-livre, és a Lei
Atena, Vénus, a Bicicleta!

__

Nefasto é o carro na cidade
Funestas são, as suas emissões
que causam cancro nos pulmões
e criam elevada mortandade

Vagas bela mulher de tenra idade
Exacerbas no macho as sensações
Pedalas o sonho, e crias tentações
nas alvas pernas que trilham a mocidade

Roda a Roda, segues os trilhos da loucura
Do Infante das velhas Ordens és a neta
pois velejar naquele tempo na aventura

era modo ativo, a nau seguia como seta
Bela Mulher, pedalas na formosura
Passas por mim de Bicicleta

__

O Homem segue o pedal do coração
O carro, segue os trilhos da clausura
Não há mulher, quem te iguale na candura
Maria da Fonte que nos liberta da opressão

Beijo-te os pés em redenção
e liberto-me do carro, da ditadura
da mobilidade árdua e dura
Livre sou, foste a Fonte da Libertação

Sedosos cabelos que esvoaçam com o vento
Quem é o macho, Mulher, que te completa?
Na estrada livre, na Luz do firmamento

Mulher proba, íntegra e reta
Inebrias-me o pensamento
Passas por mim de Bicicleta

__

E na polis comandada por Satã
Santo Graal que vagas dia-a-dia
Bela Mulher, fugaz e fugidia
Quem te deu a morder a maçã?

É a tua ação, nobre e sã
que me liberta da tirania
Sem ti por certo não sabia
ser Livre, a cada manhã

Sentada no selim. Ai que luxúria!
Pedalas e segue-te o Poeta
Libertas os profanos da penúria

És um arquétipo móbil, és Julieta
Não te amar, é uma injúria
Tens nome Mulher: és Bicicleta!

Suporte de parede para prender bicicletas


Quero apenas referir que sou ciclista assíduo, e que orgulho-me em não ter carro. Não uso somente a bicicleta em ocasiões solenes ou em passeios dominicais, pelo contrário, faço deste meio de transporte o meu modus mobili.

Um dos problemas com que me deparava era precisamente, arranjar sítio para guardá-la em casa, ou mesmo na garagem. Informei-me em listas de ciclistas e na Internet e o que econtrava normalmente eram sítios ingleses e estangeiros que vendiam os ditos suportes, a preços que considerava demasiado caros (cerca de 50 libras+transporte+instalação indo ficar tudo por certo perto dos 100€).

Decidi então procurar nos pequenos artesãos nacionais, aqueles que não têm sítios na Internet para venda dos seus produtos, mas que no entanto fazem um excelente trabalho. Assim sendo, encontrei aqui pela zona de Lisboa a oficina do Sr. Aleixo, e não ganho nenhum extra em publicitá-la, e o serviço ficou feito de forma impecável

Pedi um suporte de parede para prender a bicicleta, feito à medida e o Sr. Aleixo instalou-me um suporte em aço inox (não enferruja) para prender bicicletas à parede, com instalação incluída (buchas, parafusos e ainda uma cola especial para ficar bem agarrado à parede). O Sr. Aleixo faz à medida e coloca onde quiserem (no meu caso foi na garagem)

Seguem as fotos:






O nome do artesão é Sr. Aleixo e a sua oficina é na zona de Lisboa. Trabalha muito bem e o preço que me praticou foi bem menor em relação aos ditos 100€ que teria de pagar se tivesse comprado pelo dito sítio inglês. O contacto do Sr. Aleixo é 914815611

Pode ser colocado numa garagem, em frente a um estabelecimento comercial ou mesmo numa zona comum de uma empresa. Agora, sinto-me muito mais seguro ao guardar a bicicleta, e não tenho de a trazer para dentro de uma arrecadação ou dentro de casa.

E quem combate a ciclofobia?


Livro de reclamações preenchido
Ontem, um dia comum do Senhor de 2012, decidi ir ao LIDL às compras. Confesso que me apraz bastante esta empresa multinacional alemã de distribuição alimentar, pela qualidade dos seus produtos, pela simpatia dos seus funcionários, e por um preço extremamente acessível dos seus produtos de qualidade. De referir ainda que o LIDL tem apenas os produtos alimentares essenciais a uma vida saudável, ao contrário de outras cadeias que impelem o cliente ao consumo intensivo e abusivo de futilidades e de produtos que não precisamos. Neste sentido quero referir que considero o LIDL (apesar de ser uma empresa não nacional) uma empresa de excelência.

No entanto há algo que me revoltou intensamente. Chego eu ao LIDL de Cabo Ruivo, e deparo-me com um parque de estacionamento para cerca de 150 automóveis, com uma área aproximada de 1 hectare (quadrado de 100 metros por 100 metros). E quando chego eu na minha bicicleta, como cliente assíduo do LIDL, deparo-me com um parque de estacionamento gigantesco, ocupado aproximadamente só em 20%, onde nem sequer se reservou um único espaço diminuto de 10 m^2 para o estacionamento de bicicletas. Bastaria ter prescindido de dois lugares de automóveis, num universo de 150, para dar lugar ao estacionamento de bicicletas. E disse-me a funcionária que eu não era o único a ter esse problema e que os outros ciclistas tinham que improvisar e inventar sítios para prenderem as suas bicicletas, como postes de anúncios publicitários, ferros de suporte ao sistema que recolhe os carrinhos de compra, etc.

Rogo a todas entidades: acabemos com a ciclofobia! Se todas as minorias são e devem ser respeitadas – eu tenho consciência que pelo facto de não ter carro e me deslocar somente de bicicleta, e por vezes de transportes públicos sou uma minoria – porque razão as pequenas peculiaridades que facilitam a vida aos ciclistas não são projetadas? Estamos a falar de coisas tão simples e tão baratas que fazem toda a diferença, como sendo um simples ferro preso a uma parede para se prender uma bicicleta. Por exemplo, congratulo o centro comercial Vasco da Gama por ter contemplado um parque para bicicletas à entrada do centro, e que por norma está quase sempre ocupado.

Se diversas entidades são obrigadas a colocar elevadores extremamente dispendiosos em escadas para pessoas de cadeira de rodas (acho muito bem) para lhes facilitar os acessos e o quotidiano; se todas as estações de metro têm de ter elevadores para facilitar o acesso às pessoas com mobilidade reduzida e a invisuais (acho muito bem); se todos os elevadores já vêm com os botões com caracteres em Braile para facilitar a vida aos invisuais (acho muito bem); se diversos telejornais da televisão, assim como outros eventos televisivos, já dispõem da informação em linguagem gestual (acho muito bem) para facilitar a vida às pessoas com problemas auditivos; se as pessoas do mesmo sexo já podem contrair matrimónio; se as contribuições pecuniárias para minorias religiosas já podem ser deduzidas no IRS; por que é que a única minoria ostracizada continua a ser a classe dos ciclistas?

Descontente com o panorama que vislumbrava no parque de estacionamento do LIDL, pedi o livro de reclamações, ficando assim esperançado que de futuro, prescindam no seu enorme parque de estacionamento com um hectare para 150 carros, de uns míseros dois lugares de estacionamento para os ciclistas poderem estacionar as suas bicicletas.

E por que é que o LIDL, uma multinacional alemã de distribuição alimentar, cujo país da sede respeita a bicicleta e onde é um meio de transporte comum e bastante usado, quando chega a Portugal não dedica uns míseros 10 metros quadrados para um baratíssimo parque para bicicletas? Devido a este facto, pedi o livro de reclamações, cuja cópia anexo. Faço um repto a todos os ciclistas que façam o mesmo, obviamente com bom senso e moderação, pois o livro de reclamações ainda poderá ser um meio útil para pressionar as grandes cadeias e as grandes empresas a respeitar os ciclistas.

O que tem a ver a bicicleta em Lisboa com o estreito de Ormuz?


Foto de Lisbon Cycle Chic
Evocarei aqui as questões que levam muito lisboetas a prescindir da bicicleta e a deixá-la na garagem. Muitos lisboetas nem sequer têm a ousadia de deixar por um dia o automóvel particular em casa, e trazer nem que seja por um único dia no ano que seja, a bicicleta que em tempos compraram no Continente ou no Feira Nova, para a rua e passear um pouco.

Este é outro problema com o ciclismo em Portugal. A bicicleta não é encarada como um modus mobili, é encarada como um desporto para uma certa elite que se dedica ao mesmo. É ver a RTP deliciar os telespectadores com a volta a Portugal, mas depois todos aqueles jornalistas, toda aquela gentalha da RTP paga pelo erário público, que segue fanaticamente o desfecho final em que o ciclista corta a fita com os braços no ar; regressa à sua confortável e acolhedora mansão, nos seus bons BMW, Mercedes, VW, nunca sem antes consumirem pelos menos uns consideráveis litros de gasolina e abaterem umas quantas árvores.

Falo também daqueles hipócritas do BTT, que todos os domingos nunca fazem menos de setenta quilómetros de bicicleta, pelo mato, pelos bosques e pelos trilhos desconhecidos do grande público, e depois no seu modus vivendi, o seu bem amado carro está sempre na primeira fila no patamar das prioridades, nunca o prescindindo nas suas deslocações diárias durante a semana.

A bicicleta deve ser encarada, como apregoa a douta língua maçónica inglesa, como um must, Lisbon must cycle, a bicicleta é a verdadeira solução para os graves problemas de mobilidade de que padece Lisboa, é a solução para os graves problemas de poluição atmosférica nas grandes urbes, que tantas patologias cancerígenas do foro respiratório causam. A bicicleta é a solução para todos esses graves problemas. Poupamos em gasolina, poupamos no passe, poupamos em todas as taxas associadas ao veículo de motor de combustão, poupamos no parquímetro, poupamos o planeta, pois é menos CO2 e CO que emitimos para a atmosfera, poupamos no ginásio, pois fazemos exercício físico gratuitamente e com um propósito (chegar ao destino), evitamos trânsito, perdemos aquela barriguinha que nos assola e baixamos a tensão arterial, sendo que as doenças cardiovasculares são a primeira causa de morte em Portugal e ainda poupamos o país, pois é menos petróleo que importamos e ajudamos a equilibrar a nossa balança comercial que sabemos que é deficitária.

E porque não o fazemos? Porque se o fizermos lixamos os americanos e a sua doutrina imperialista, que a frívola adolescência acolhe através da decadente MTV, McDonalds, Ford, indústria cinematográfica, YouPorn e derivados, que apregoa a cultura do veículo particular e consequentemente do seu fuel de locomoção: o petróleo.

Estreito de Ormuz
Presentemente no estreito de Ormuz, há uma grave tensão entre o Irão e os EUA, pois por esse estreito, controlado geograficamente pelo Irão e por Omã, algo que está redigido em todos os tratados internacionais, passa 20% de todo comércio marítimo de petróleo. Como os iranianos pretendem fechá-lo, e como os americanos têm uma dívida soberana monstruosa, alimentada unicamente pelo facto de o petróleo estar indexado ao dólar, o que faz do dólar uma moeda forte, reduzindo assim o peso brutal da sua dívida; pretendem agora os americanos enviar mais porta-aviões para o estreito de Ormuz para aniquilar quem lhes faz frente.

Reparem que os motivos evocados foram os de que o Irão estaria a preparar armas nucleares. Bem sabemos o quão fidedignos são estes relatos dos lacaios da Agência Internacional de Energia Atómica, os mesmos que referiram que o já enforcado Saddam Hussein andava a desenvolver armas de destruição maciça. Que hipocrisia! Qual foi o único país da história da Humanidade, que utilizou poderio atómico contra outra nação? Não esqueçamos a história! Não venham agora os sionistas e os americanos atacar o Irão por algo que nunca fez!

Por certo que o tio Sam, atacará ferozmente o estreito de Ormuz com toda a sua maquinaria bélica naval, destronará Ahmadinejad que o contesta, o que fará com que o petróleo continue na senda cultural dos povos ocidentais, imiscuído no conforto egoístico do cidadão comum, com o pacto petrolificado dos governo europeus que não conseguem legislar para erradicar de vez o petróleo da Europa, e com o compadrio criminoso das universidades europeias que num século nunca desenvolveram uma alternativa ao petróleo. O lisboeta comum continuará egoísta e egocêntrico, pegando no carro todo o santo dia, pois diz que a morfologia geográfica de Lisboa não tem condições para se andar de bicicleta ao contrário dos países nórdicos. Tal é um mito.

Há estudos universitários que comprovam que Lisboa tem perfeitas condições para se circular de bicicleta. Mas meus caros, alguma moderação, não tentemos imitar Amesterdão e Copenhaga pois as idiossincrasias morfológicas são diferentes. Aquelas bicicletas que vemos por Estocolmo e Helsínquia, as típicas pasteleiras não se adaptam a Lisboa. Sejamos racionais e tenhamos apenas aquilo que Nietzsche denominava por “vontade”. O que falta é vontade, política e cidadã, pois a bicicleta que se adapta melhor às morfologias da cidade de Lisboa e do Porto, é a comum bicicleta de montanha, vendável em qualquer grande superfície, pois ajuda o ciclista a subir mais facilmente as colinas da cidade.

“Vontade” meus caros, força interior e espírito altruístico, é que os ulissiponenses precisam para deixar esse assassino ambiental em casa denominado carro, e pegar na bicicleta para as suas deslocações diárias. Só traz vantagens e é baratíssimo e Lisboa ao contrário dos países nórdicos tem condições climatéricas que permitem mesmo no Inverno deslocarmo-nos de bicicleta sem apanhar muito frio. E no Verão? Vamos de manga curta e apreciamos a paisagem e as garinas; sendo que as meninas podem contemplar, mas apenas filosoficamente, os garanhões lusitanos.

E porque é que isto é apenas um sonho que tive? E porque é que eu sei que ninguém vai prescindir do carro para se deslocar em Lisboa? E porque é que eu sei que o subalterno António Costa, que preside os desígnios camarários da cidade nada fará, e continuará a andar bem montado no seu Passat que mama 15 litros ao cem, e a mandar fazer ciclovias inúteis de passeio dominical com as criancinhas? Apenas porque os americanos não deixarão que o Irão corte o estreito de Ormuz. Afinal, quem manda no petróleo, manda no mundo!