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As variações centesimais no preço do combustível


Todos sabemos que os jornais e as televisões necessitam, por vezes, de preencher os seus espaços noticiosos com eventos menores ou menos relevantes, ou simplesmente preenchê-los com frivolidades sem relevo jornalístico, como por exemplo, o nascimento de uma qualquer cria de urso pardo num qualquer zoo algures por um país de cultura anglo-saxónica. Mas um reflexo interessante das sociedades motorizadas é a azáfama quase constante que a comunicação social dedica em torno das variações centesimais do preço dos combustíveis líquidos. Dir-me-ão que uma variação de poucos cêntimos afeta no orçamento das famílias, mas alguém que gaste por mês por exemplo oitenta euros de combustível, despende em acréscimo mais um euro por mês, quando o preço da gasolina, por exemplo, passa de 1,40€ para 1,42€, ou seja, quando sofre um aumento de dois cêntimos. Vemos esta azáfama jornalística em torno do preço do pão, do azeite ou do leite? Ou do preço do passe social? Ou dos bilhetes do comboio inter-cidades?

Assim, sempre que há variações centesimais, ou seja, de cêntimos, no preço do líquido locomotor da grande maioria de veículos do país, lá vem a ridícula e idiótica azáfama mediática em torno dessa variação centesimal, com os repórteres televisivos a fazerem aos automobilistas portugueses a queirosiana e retórica pergunta da praxe no posto de combustível, cuja resposta totalmente inesperada e aleatória, apenas se encontrará por certo no panteão dos segredos mais recônditos dos deuses: "O que é que o senhor acha deste aumento?"

Mas se formos todavia mais analíticos, apercebemo-nos que os combustíveis, de acordo com a calculadora dos custos do automóvel, representam em média apenas um terço do custo total da posse de um automóvel, aquilo que os ingleses denominam por cost of ownership. O português médio trabalha quase metade do ano, pagando 300€ por mês, em 711€ que é o salário médio líquido, para pagar as despesas totais do seu automóvel. Essas despesas são o seguro, o combustível, as revisões, reparações, possível crédito automóvel, desvalorização do veículo, lavagens, eventuais multas, IUC, portagens e parqueamento. Esse custo total ultrapassa muitas vezes os 500€ por mês, mas as pessoas não fazem essa contabilidade porque as contas que se pagam aparecem distribuídas pelo ano em diferentes parcelas.

O português médio gasta com combustíveis cerca de 90€, o que significa que uma variação de por exemplo quatro cêntimos no preço da gasolina, de 1,40€ para 1,44€, representa um acréscimo no custo mensal de cerca de 2,5€, representando esse valor menos de 1% do custo total pelo facto de se ter um automóvel. Ou seja, a azáfama mediática foca-se num aumento de apenas 1% no custo de uma parcela da mobilidade das famílias. Vemos este frenesim mediático quando existe variação de preços nas companhias aéreas, considerando que cada vez mais pessoas andam de avião, pelo menos dentro do espaço comunitário? Vemos este frenesim mediático quando há variações de preços nos passes sociais, ou nas tarifas dos táxis? 

Conclui-se assim que a azáfama mediática que é dada às variações centesimais no preço dos combustíveis, é de facto, empolada e praticamente irrelevante, quer para o orçamento geral das famílias, quer também para o custo total da posse e usufruto de um veículo automóvel.

Os Tudor: Portugal é o bobo da corte


O rei português que nunca existiu, é apresentado
nesta série como um velho decrépito, senil, caricatural,
sexualmente glutão e proferindo umas palavras
que se assemelham a Espanhol
Longe de mim ser muito nacionalista, mas não soube se haveria de rir ou chorar perante o que hoje assisti. Dir-me-ão que por certo é assunto menor que nem deveria ser abordado, todavia parece-me relevante mencioná-lo neste espaço. 

Tenho acompanhado de perto uma série televisiva algo famosa denominada os Tudor que tem das melhores opiniões da crítica internacional, e milhares de espectadores na televisão e Internet, essencialmente no mundo anglófono. A série, que segundo consta é fidedigna à história da época em questão, foi transmitida pela BBC, pelo canal público português (RTP), ganhou vários prémios televisivos e só nos EUA esta primeira sessão teve 870 mil espectadores.

Na dita série, no episódio quarto da primeira sessão, Henrique VIII da casa de Tudor envia a sua irmã, Margaria Tudor para casar com o Rei de Portugal de então. Na viagem que fazem de Londres até Lisboa de barco, a dita Margarida copula numa relação sexualmente intensa com um dos belos, bravos e jovens vassalos do Rei de Inglaterra antes de se casar oficialmente com o Rei de Portugal.

Sócrates violou duas irmãs


Sócrates, o luso, ainda não pagou pelo seu crime Maior. Quando tinha 19 anos estuprou duas belas jovens irmãs gémeas, loiras de olhos azuis e de 16 anos, num pinhal lá na sua terra. Elas, após bárbara violação ficaram traumatizadas para sempre e perderam toda a sua candura e puerilidade. Após o estupro bárbaro de Sócrates nunca mais as jovens serão as mesmas e nunca mais ninguém as olhará da mesma forma, tal foi o uso desmesurado e sujo que Sócrates lhes conferiu nesse fatídico final de tarde. Após funesta e traumatizante experiência com Sócrates, as gémeas sentiram-se sujas, humilhadas, vexadas, maculadas e usadas. Sócrates ficou impune perante tão atroz crime e aquele monstro sofista e ardiloso nunca mais as irmãs poderão esquecer. As irmãs têm nome: elas são a Lógica e a Verdade!

Sobre a taxa audiovisual da RDP


Se queremos ter televisão pública com qualidade, temos de pagá-la. Temo é que muitos trabalhadores e pessoas ligadas à RDP não se manifestem em prol do interesse público, fazem-no apenas pois estão em causa os seus próprios interesses pessoais, prática comum em Portugal.

O princípio do pagamento da referida taxa que se paga juntamente com a fatura da luz é que normalmente quem tem luz, tem rádio ou televisão e usufrui por defeito dos serviços públicos de rádio e/ou televisão (exceção óbvia para iluminação pública, jardins, elevadores, etc.). Relembro que a taxa é para a RDP, não apenas RTP. As rádios públicas não têm publicidade por exemplo e passam excelentes programas informativos. Lembro-me por exemplo dos filmes da SIC e da TVI e até extenuava com meia-hora de publicidade em cada intervalo. A SIC não disponibiliza muito conteúdo gratuito na Internet e a TVI apenas muito pouco. A RTP pelo contrário, fornece todo o seu conteúdo na Internet de forma gratuita e sem publicidade.

Este sistema de taxação na Noruega funciona com fiscais do estado que vão a casa das pessoas confirmar se têm TV e paga-se a dita taxa por cada TV que houver em casa. Em Portugal, por questões mais que óbvias, tal medida seria impraticável.

Venho aqui defender a RTP e nunca tive televisão em casa, pagando sempre a dita taxa a muito custo. Todavia enquanto emigrante sinto que a RTP fornece conteúdo muito útil para mim, no seu sítio de Internet, sem publicidade e de forma completamente gratuita. E isso é serviço público, e o serviço público tem de ser pago.

Carta pública a Herman José


Prezado e Exmo. humorista Herman José, o terceiro melhor de Portugal (segundo o próprio)

Sempre o tive com muito apreço, consideração, e como um excelente humorista, não um daqueles Serafins Saudades que propalava frivolidades pseudo-engraçadas pelos meios do audiovisual. Afinal, um homem que tem a língua alemã como língua materna, só pode mesmo tecer raciocínios abstratos e analíticos, que carregados com um teor mais primário dos homens do sul, lhe conferiu a mescla genético-cultural perfeita para se ter tornado um humorista sublime e de excelência.

Já agora, onde foi buscar essa do terceiro melhor? Para mim é o melhor, está a ser modesto presumo! De certeza que leu o Fausto de Goethe no original, o homem que vendeu a alma ao Diabo, e ouviu as mais nobres óperas de Mozart, desde a Flauta Mágica às Bodas de Fígaro!

A língua alemã é das mais racionais das línguas indo-europeias, a língua da técnica, da análise, da razão, pouco carregada de sentimentalismo desviantes, a língua de Kant, de Beethoven, de Schopenhauer, de Freud, de Nietzsche e de Einstein. A essa racionalidade abstrata e a uma educação regrada num colégio alemão, fez do Herman um homem extremamente regrado e erudito, poliglota e letrado. Ao Herman aliou-se o José, o tuga, aquele homem banal e primário deste país do sul carregado de sentimentalismos e primarismos, desde a cruel matança do porco, as touradas, a política podre e politiqueira, até discursos de ex-dirigentes de um jornal que aufere 5 milhões de euros por ano com prostituição, mascarados de santinhos em prol da coisa pública, com contas milionárias, que vão ao Herman 2012 fazer propaganda para as novas autárquicas para Lisboa.

Os semideuses do tio Sam


Memorial ao deus Jefferson
Ao que parece no país do tio Sam, onde prevalecem maioritariamente ateus e maçons, também existem uma espécie de semideuses de que ninguém pode parodiar. Ao que parece uns cidadãos americanos anónimos decidiram dançar (é isso mesmo que ouviram: dançar) em frente ao memorial do presidente Jefferson e por muito ridículo que pareça foram todos presos com uma violência deveras exagerada. A isto chama-se "Liberdade de Expressão": aquilo de que as elites idiotas de americanos se orgulham de propalar com as suas frívolas ideologias. É verdade meus caros: isto não passou na medíocre televisão portuguesa alinhada com as políticas liberais do tio Samuel.

Mas já passou na TV portuguesa com pompa e circunstância, o facto de três cantoras de rock russas (cujo nome da banda traduzido será algo como "O Motim das Conas"), terem sido presas por cantarem dentro da Catedral do Cristo Redentor de Moscovo, um dos locais mais sagrados para os Cristãos Ortodoxos Russos. O título do jornal Expresso por exemplo - claramente alinhado com o que se sabe, conhecendo-se os contactos obscuros de que Balsemão possui - assim ditava: "Russia a um passo do Estado Clerical". Isto é uma dualidade de critérios gritante, que coloca qualquer filósofo justo a bradar aos deuses do Olimpo. Putin, é severamente criticado pelos comentadores das televisões ocidentais, porque ao que parece, sem quaisquer provas de todo consumadas, terá atentado à "Liberdade de Expressão" de três cantoras de rock, que cantaram dentro de uma igreja sagrada cristã e um símbolo maior para os russos; um ato considerado blasfemo, em qualquer cultura, país ou religião! Que título teria tido o jornal Expresso se os Moonspell, por exemplo, tivessem dado um dos seus espetáculo mais agressivos e sonoros no Mosteiro dos Jerónimos? Não atuariam também as forças da Lei?

Mas uns tipos quaisquer, por dançarem (é isso mesmo que ouviram, por apenas dançarem) em frente a um memorial (um espaço aberto) foram presos, pois o lugar dedicado ao deus Jefferson, terceiro presidente dos EUA é "sagrado".

Veja aqui o vídeo CHOCANTE.

A RTP1 e o Serviço Público – Carta pública ao provedor da RTP


Perguntava-lhe caro provedor da RTP, após pagar mais 2,25€ de taxa de audiovisual este mês, qual a relevância no sector do serviço público que a RTP1 preconiza?

Acredito piamente que a RTP2 presta serviço público, não apenas por apresentar conteúdo que alguns poderiam considerar como elitista, mas por se apresentar como um canal eclético do ponto de vista informativo, e por conter apenas publicidade institucional. Já o caso da RTP1 é paradigmático do péssimo serviço público que presta. Não digo que os conteúdos programáticos da RTP1 sejam maus, digo-o no entanto com veemência, que os mesmos não acrescentam em nada, o que o sector privado da televisão já oferece aos telespectadores. E passo a explicar.

Uma grande percentagem temporal do telejornal da RTP1 é dedicada ao futebol. A RTP1 dedica grande parte dos seus investimentos na área do futebol. Poderiam aqui evocar-se quem sabe, as questões salutares e recomendáveis do desporto, mas a unicidade em torno do futebol que a RTP1 apresenta é decadente e deplorável. Já a RTP2 apresenta-se verdadeiramente eclética e presta verdadeiramente um serviço público na área do desporto.

A RTP1 apresenta reality shows que nada trazem de novo em relação ao que o sector privado apresenta. Será que por ter o agraciado comediante, e que eu até aprecio observar, Bruno Nogueira, que o reality show da RTP1 se apresenta como serviço púbico?

Os filmes, quando os vejo na RTP1, estão repletos de publicidade intercalar, que me deixa algo atónito, pois não compreendo como é que sendo a RTP1 um canal público apresenta tanta publicidade. Os programas da manhã, nada acrescentam em termos de serviço público, comparando com os da concorrência, mais precisamente os da SIC ou da TVI.

Salvam-se alguns programas verdadeiramente informativos e que apelam à reflexão pública, como os da Dra. Fátima Campos Ferreira, pelos quais vos devo congratular.

No campo da música a RTP1 limita-se a ter aquela decrépita e desactualizada lista de músicas que estão no topo, no seu programa TOP+, lista essa sem qualquer paralelismo com quaisquer gostos musicais, pois nos dias de hoje, o sector da inter-rede toma um papel muito mais relevante que as lojas de música ou mesmo as rádios.

A RTP1 apresenta um programa para talentos gastronómicos, que não apresenta nenhuma mais valia comparando com os já afamados programas de talentos na música, na poesia, na dança, ou até na perda de peso, como apresentam os da concorrência.

Não há nenhum programa da RTP1, à excepção daquele que já referenciei e pelo qual vos congratulo, que a concorrência não ofereça na sua grelha programática.

Repare excelentíssimo provedor, que paradoxalmente foi a TVI quem iniciou com veemência a profusão das telenovelas de índole lusa, contrastando com as brasileiras, foi a TVI que fez recentemente um programa musical para jovens talentos, em que estes cantavam quase sempre em língua portuguesa e foi a SIC quem iniciou a senda dos canais informativos em língua portuguesa. A RTP teve “Pedro e Inês”, a história de Bocage, e poucas mais valias nos apresenta comparando com o sector privado.

Prezado provedor, não sou elitista intelectual, considero que deve haver conteúdo programático para todos os gostos, de todas as classes sociais, intelectuais, religiosas ou até étnicas. O que não posso tolerar é ter de pagar mensalmente uma taxa audiovisual, a um canal que por certo adicionalmente ainda se financia de montantes pecuniários através do orçamento de estado, quando este não acrescenta em nada, ao que o sector privado já oferece. Poderia evocar-se a questão da publicidade, que é de valorar, pois a título de exemplo valorizo bastante e sou afincado ouvinte da Antena 1, que apresenta conteúdo similar à TSF, mas sem a vertente publicitária. Neste caso o contexto do serviço público aplica-se. Na RTP1 não, pois esta é profusa em publicidade.

Penso sinceramente caro provedor que a RTP1 se encontra numa encruzilhada. Ou aposta seriamente no serviço público, não sendo temerosa pelas audiências, e rejeita de vez a publicidade; ou, e por certo será o mais certo, passo o pleonasmo, privatizem-na de vez pois não oferenda ao telespectador nenhuma mais valia, em comparação com o sector privado, apresentando-se somente como um cancro financeiro para o erário público e para o mero contribuinte, no qual eu me incluo.

Prezado provedor da RTP

Aceite os meus melhores cumprimentos

João Pimentel Ferreira

RR e RFM, as rádios anglicanas


Os católicos lusitanos indignaram-se recentemente, e muito bem, contra a decisão do Exmo. Sr. Presidente da República, Cavaco Silva, ao promulgar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, cujo termo mais corrente e amplamente mais de acordo com os princípios da grafia lusitana é homossexuais.
Ainda não percebi a aversão que os média têm ao termo homossexual, ou denominam casamento gay, cujo termo não é condicente com a filologia lusíada, ou referem casamento entre pessoas do mesmo sexo, expressão que vem apenas suavizar o acto, que realmente é de forma crua e áspera, um casamento entre dois homossexuais.
Não vou agora divagar sobre as questões filosóficas do casamento homossexual, por certo fá-lo-ei mais tarde.

Refiro-me tão somente às indignações dos católicos portugueses, contra a promulgação do Exmo. Sr. presidente. Será desprestigiante, será anacrónico?

O que é mais desprestigiante ainda na cultura lusitana e natural e historicamente cristã é a música que passa na Rádio Renascença e no outro canal da Renascença, a RFM. A RR e a RFM são certamente as rádios da Igreja Anglicana mais protestante que católica dadas as profusas músicas cantadas em Inglês que ouvimos nestas rádios. A Santa Sé sempre respeitou, disseminou e valorizou as culturas autóctones, já a RR e a RFM fazem o antagónico ao proliferarem música de traços anglófonos no espaço radiofónico lusitano.

A RFM é a rádio da Igreja protestante anglicana, como tal é mais dada ao anglicanismo que ao Vaticano. Na RFM ouvimos por vezes, por espaços curtos de tempo, breves homilias de presbíteros, de santos e castos homens enquanto se ouve uma música quase enfadonha e maçuda. É a isto que o português corrente associa à Portugalidade; mas de seguida sem quaisquer complacências faz-se ouvir na RFM, Mika, Shakira, e Katy Perry, por certo católicos dedicados e fervorosos defensores da Santa Sé. Já para não falar que não são raras as vezes em que se ouve na RFM Madona, a cantora americana que mostra o corpo desnudo e canta alegremente como uma virgem, talvez mesmo como a virgem Maria, e se auto-intitula a Madona italiana, a figura metafórica da Virgem Maria do santo catolicismo.
A RFM é a rádio que mais exacerba os espíritos laicos, maçónicos e desprestigiantes do catolicismo português, pois renega completamente a Portugalidade e a língua portuguesa.

Se fizermos uma estatística sobre o que se ouve no espaço radiofónico Lisboeta e Portuense só ouvimos, quando em Português, falantes, ora ásperos, graves ou maçudos, e na musicalidade, que exacerba as almas e os espíritos do ser humano, só ouvimos a fria língua Inglesa. Cantar em Inglês é um paradoxo filológico. A língua Inglesa não foi elaborada para ser cantada, é típica de mações racionais e é muito fria e de difícil dicção. A língua Inglesa não tem musicalidade natural, como tal os iniciados do mundo anglófono, carentes de sentimentos disseminaram pelo mundo a musicalidade anglófona, na maior parte das vezes pobre e de sentimentos banalizados. A RR, rádio do catolicismo português, abraça esta banalização, abraça o anglicanismo protestante musical.

Na RR e na RFM, a missa ouvimo-la em Português, mas a música estonteante e pulsada temos que ouvi-la em Inglês.

A RR e RFM, são as rádios dos anglicanismos protestantes que tanto desprestigiam as línguas autóctones lusitanas do santo catolicismo português.


A hegemonia da cultura americana no festival Europeu da canção como sinal da deterioração da génese musical Europeia


Estive recentemente a observar o festival Europeu da canção de 2009 e fiquei deveras perplexo com a submissão da cultura musical europeia à cultura americana, quer na língua quer no estilo. Não tenho dados quanto ao número de canções cuja língua favorita foi o Inglês; não tenho dados pois estes são bastante difíceis de encontrar quer na rede, quer nos meios de comunicação social convencionais; mas posso asseverar empiricamente e se a estatística impressionista não me falha, que o idioma para a maioria das músicas representativas dos diversos países Europeus foi a que é falada na sede do novo mundo.

Isto é uma autentica subjugação cultural, é uma submissão aos padrões culturais americanos, é uma sujeição à hegemonia forçada da língua de Sua Majestade. Pergunto eu, meus caros, qual o dia em que ouviremos nos canais mediáticos americanos uma música cantada em Turco? Qual será o dia em que ouviremos no festival Europeu da canção o Reino Unido ser representado com uma canção cantada em Ucraniano ou em Arménio? Dir-me-ão que tal façanha é impensável e inexequível; e assim o é. Mas o inverso aconteceu no festival da canção de 2009.

Os países nórdicos como já é tradição escolheram todos o Inglês para se fazerem representar no maior espectáculo intercultural e musical da Europa. Não deveria afirmar intercultural, pois existe claramente uma padronização cultural da música pop cantada em Inglês neste afamado festival. Muitos países como a Turquia, a Bulgária, Israel, a Grécia, a Bielorrússia, a Hungria, a Lituânia, a Polónia, a Arménia, a Ucrânia e até a Alemanha escolheram o Inglês. Muitos dos que escolheram as suas próprias línguas nem sequer chegaram à final, como é o caso da Macedónia e da Letónia. Dir-me-ão que é uma forma mais apelativa de atrair votos do júri, mas é uma forma efémera, fugaz, pouco coerente com as suas géneses culturais, como forma de se afirmarem no espaço musical Europeu. No maior festival de música que a Europa produz observamos repetitivamente um sistema decrépito de rebaixamento cultural em relação à profusa doutrina musical americana.

Tentemos ir à génese da questão, tal facto que abordo acima, é um reflexo dos dias que vivemos. Encontramos uma disseminação em todos os meios de comunicação como a rádio e a televisão da língua e da cultura americana. O espaço radiofónico Europeu está repleto de música americana, as televisões europeias estão inundadas com filmes provenientes do novo mundo falados em Inglês, e esta onda de veneração aos súbditos do tio Sam, reflecte-se inevitavelmente no festival da canção. E pergunto eu, como é que um continente tão rico cultural e linguisticamente como é a Europa, como é que um continente com tradições musicais seculares, um continente único na sua heterogeneidade linguística, necessita de importar do novo mundo a música e a língua para um festival que se intitula Europeu da canção? Faz-me reflectir por que é que a Itália decidiu abandonar este festival. Talvez porque não se identificasse com o género de músicas que nele participam. Faça-se justiça com Portugal, Espanha e França que decidiram utilizar as suas línguas para se fazer representar.

E faço eu mais uma questão, porque é que o estilo musical mais utilizado é o pop? Não é o pop um estilo musical que nasceu nos Estados Unidos? Não é a Europa um continente tão rico musicalmente, com diversos estilos musicais tradicionais e regionais que certamente representariam bastante melhor cada nação? O fado é um exemplo. Mas já que não se canta utilizando cada estilo musical, deveria utilizar-se pelo menos a língua própria de cada nação. Reparemos como muitos dos vencedores do festival cantaram em Inglês, como a Suécia com os Abba, recentemente a Finlândia em 2006 com os Lordie e a Noruega em 2009. Mas já é tradição todos os países nórdicos utilizarem o Inglês para se fazerem representar.

Irradiemos a hegemonia do Inglês no festival Europeu da canção; deixemos esta língua apenas para os países que a utilizam como língua oficial, como o Reino Unido e a Irlanda, e façamos do festival Europeu da canção um verdadeiro espaço multicultural e verdadeiramente representativo das idiossincrasias regionais europeias tão pouco profusas no espaço comunicacional do nosso quotidiano.

A pérfida caixa mágica



Noite de 24 de Abril de 1974, as forças ditas revolucionárias sequiosas de poder institucional, erguendo as bandeiras da democracia e da liberdade, tomam de assalto os estúdios da RTP. Na rádio ouve-se a música libertina que deu o sinal aos revoltosos, hoje provavelmente devido à invasão cultural que o nosso país sofreu, ao sinal de umas ritmadas de Britney Spears os capitães invadiriam o parlamento e tomariam de assalto os estúdios da televisão. Processo democrático angolano, forças oposicionistas combatem pelo poder, o bastião prioritário de ambas as facções é por certo, e mais que evidente às lides tribais a estação de televisão nacional de Angola. Tomada do parlamento de São Petersburgo em 1917, revolução vermelha de Outubro; como na altura as mentes brilhantes que criaram a caixa mágica em que os fotões impulsionados por forças enormes colidem com o painel sensorial que nos é visível; ainda não se tinham lembrado de conceber tal façanha tecnológica, a tomada do parlamento russo por certo deu-se em sincronismo com a tomada de todos os órgãos mediáticos entre os quais a rádio. Em todas as revoluções a tomada do núcleo central que comanda as pérfidas e hipnotizantes caixas mágicas que temos nos nossos lares, foi sempre uma tarefa de alta prioridade. A tomada da rádio, da televisão, havia que controlar o núcleo que emprenha com ideias pérfidas e opressores, as mentes dos cidadãos. A pérfida TV, duas letras que abreviam a caixa que revolucionou o mundo e que nada de novo e de bom trouxe ao mundo. E passo a expor a minha opinião.
Muito mais liberal é a rede, aquela a que a plebe inculta e aduladora da cultura estrangeira denomina de net, é mais liberal, é mais interactiva, é mais pessoal, é mais moderna, a rede propaga-se em informação muito mais transversal e muito mais importante ainda, informação multi-direccional, vagueia a informação do mero utilizador até ao servidor, como pode vaguear, ou ser direccionada do servidor ao utilizador. Obviamente que trouxe um pouco da pérfida e opressora TV, o centralismo dos servidores internacionais que monopolizam e controlam grande parte da rede, mas trouxe algo que a TV nunca soube oferecer aos cidadãos, trouxe cidadania interactiva, trouxe internacionalização, a simples cliques podemos ver sítios chineses, americanos, timorenses ou vietnamitas, a TV muito mais pérfida e sequiosa de audiências prefere buscar as tragédias que marcam as notícias do plano internacional sempre dispostas a procurar audiência, que no fundo é esta que lhe trará os louros da publicidade e do respectivo lucro. Mais pérfido ficou o espectro audiovisual português com o advento da televisão privada. Na procura incessante da audiência procurava-se no jornal da noite, com o pano de fundo e sob uma capa ténue e pouco esclarecedora de “informação”, chocar o mais possível o telespectador, pois as sensações primárias são sempre aquelas que mais cativam. A pérfida, monopolizadora, e hipnotizante TV.
As forças legisladoras, por muito estranho que pareça, nunca colocaram quaisquer tipo de entraves a esta força pérfida que é a TV, nunca se opuseram a tais ilegalidades do foro moral e ético, por seu lado compactuaram com estas, pois receberam da TV sempre a publicidade que lhes conviera. A TV, é autista, um núcleo duro e implacável controla as ondas electromagnéticas que vagueia na atmosfera e que é recebida em todos os nossos lares da forma mais pérfida e infiltrada. Pois a TV é isso mesmo, infiltrante. Nós não convidamos qualquer um a entrar no nosso lar, quando recebemos alguém à porta, desconfiamos sempre, questionamos, pomos o pé atrás com o receio de sermos vandalizados na nossa privacidade, mas a TV tem e teve sempre o livre passe para se imiscuir na nossa integralidade moral, sempre se entranhou nos nossos lares com a sua doutrina opressora, sob uma capa de entretimento.
O legislador faz fortes reparos contra a pirataria, e tal é caricato, pois por vezes é ténue a fronteira entre pirataria e sentido de liberdade, pois por vezes o pirata é aquele que navega livremente sobre os mares sem se restringir a quaisquer leis elaboradas por homens. O legislador concebe leis que punem a pirataria e nunca o legislador colocou quaisquer tipos de leis que restringissem o poder enorme da TV. A TV é a forma mais óbvia de pirataria. Não é a pirataria, naquele sentido lato, não mais que a cópia desautorizada de um conteúdo? Não é a pirataria a forma mais perversa de cópia de uma entidade? A TV é isso mesmo, a pérfida e incontrolável reprodução de um conteúdo programático. Um senhor qualquer produz algo num estúdio, e os milhões de labregos cordeirinhos observam e absorvem o que fora feito por uma única entidade. Quando mais um labrego, num dado instante do tempo, liga o aparelho televisor, é apenas mais uma cópia directa, mais uma cópia do conteúdo que antes tinha sido elaborado. Onde está o direito de autor pelo facto de esse individuo ter ligado a TV?
Um tubo de raios catódicos, quatro placas alinhadas duas a duas. Duas na horizontal, as outras duas na vertical. Os fotões são acelerados e são varridos nos dois eixos por campos magnéticos. Os fotões colidem com a tela sensível à sua colisão. Três grupos de fotões, um para cada órgão sensorial da nossa retina. Mas é muito mais que isso. São imagens em movimento, pessoas que vemos no dia a dia, são vozes, palavras, sangue, guerras que nos entram pelo lar na nossa intimidade, são assaltos, são oradores, são revolucionários que falam na TV depois de deporem os anteriores, advogando os próprios que eles sim são a salvação. São os jornais da telé, não são apenas fotões! Enganem-se os físicos que a TV é apenas um acelerador de partículas sem massa. Se um fotão não tem massa, meu caro físico, tem algo deveras muito mais importante e avassalador, tem energia. Tem energia que convertida em símbolos em movimento entra-nos no inconsciente e programa-nos a fazermos aquilo que as elites querem que façamos. A pérfida TV. Votamos sempre nos mesmos partidos, dizemos sempre que sim aos mesmos senhores, mamamos sempre do mesmo, dos pérfidos criadores da TV. Os malefícios da caixa são incalculáveis. Trazem-nos o “horror, o pânico e a tragédia” para dentro dos lares. A fobia do próximo guardei-a da TV, pois quando ligava o jornal da noite via da América Latina apenas mortes, tragédia, assaltos, crime organizado e criminalidade brutal, de África trouxe-me apenas guerras, sida, miséria e fome, da Ásia trouxe-me prostituição infantil, trabalho infantil e tríades mafiosas, e da Europa e da América a TV trouxe-me progresso. É esta a TV que nos é oferecida, é esta a TV que nos é imposta, a TV que sempre foi o mais altos dos pilares dos movimentos revolucionários.
Não tenhais dúvidas, que se hoje houvesse uma revolução, não seria o parlamento em S. Bento o bastião a tomar, seriam antes os estúdios de Cabo Ruivo, Carnaxide e Queluz. E aqueles que lhe chamam o quarto poder, deveriam reflectir e asseverar que é no fundo, nos dias que correm o poder primordial, o primeiro.
A TV é autista, tem o núcleo duro que emana as ideias a todos os que a captam, já a rede é bem mais liberal, libertária, e salvo as excepções de uma certa monopolização por parte de alguns servidores de renome internacional, oferece muito mais inter comunicabilidade aos cidadãos. A rede é muito mais uma plataforma de cidadania, onde o indivíduo pode trocar, comunicar, pois o que a TV faz não é comunicar, a TV “informa”, ou seja comunica unidireccionalmente, tendo nós meros plebeus que mamar com o suco que ela produz.
Viva a rede libertária, abaixo a TV opressora!