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Da xenofobia e psicologia evolutiva, e da teoria dos conjuntos


Um dos grandes problemas das questões políticas contemporâneas é que as massas tendem a ter muitas dificuldades em conseguir fazer a distinção entre subconjuntos de conjuntos principais, e elementos isolados desses conjuntos principais, tais elementos não sendo pertencentes ao referido subconjunto. Mas tal, tem uma razão de ser e a explicação está na psicologia evolutiva. É mais fácil para a estrutura cognitiva cerebral, no que concerne à organização social do indivíduo, identificar e pressupor as características de um outro indivíduo que desconhece, através de denominadores comuns que esse indivíduo desconhecido partilha com outro grupo de indivíduos, cujas características gerais são conhecidas de muitos. Complicado? Vamos a um exemplo computacional e pragmático.

Se num determinado bairro da cidade, soubermos por experiência própria que duas padarias vendem pão saboroso, é-nos mais fácil, apenas dizer, que naquele bairro o pão é saboroso, mesmo que não tenhamos visitado todas as padarias do bairro. Seria uma tarefa muito exaustiva para o cérebro; considerando que a nossa memória não foi concebida, através da evolução, para funcionar como uma base de dados computacional; sabermos com exatidão o sabor do pão de todas as padarias que já visitámos na cidade. É-nos mais fácil agrupá-as em bairros, e categorizá-las correspondentemente em função do bairro a que pertencem. É mais fácil, porque mesmo do ponto de vista computacional, tal é um processo que exige menor espaço em memória. Imaginemos que existem mil padarias na cidade e que após habitarmos na cidade vinte anos, já tínhamos visitado metade dessas padarias, ou seja, quinhentas. Caso quiséssemos fazer um juízo "justo" e completo, a nossa cognição seria obrigada a possuir uma entrada, ou seja, espaço cognitivo, para cada padaria, esse espaço tendo, por exemplo, um campo para o nome, outro para o local e outro para uma classificação binária sobre se o pão era ou não saboroso. 

No caso da ciência computacional, tal processo de armazenamento, considerando que o espaço para cada padaria seria d, ocuparia 500 vezes d, ou mais simplesmente, em notação matemática 500d. Neste caso imaginemos, como atrás exemplificado, que d é a soma dos campos para o nome, local e sabor do pão, sendo as suas representações respetivamente n, l e s; ou seja, E(d)=E(n)+E(l)+E(s), em que a função E(x) nos dá o espaço ocupado pelo campo x. Ora, se agruparmos as padarias em bairros, a título de exemplo considerando que a cidade tem dez bairros, para armazenar a componente s do sabor do pão, em vez de a nossa memória precisar do espaço 500.E(s), precisaria apenas do espaço 10.E(s), ou seja, um espaço cognitivo cinquenta vezes menor. O que o nosso cérebro faz, para não gastar o espaço equivalente a 500(E(n)+E(l)+E(s)), é agrupar as padarias por bairros, fazendo assim uso de uma segunda base de dados cerebral, a base de dados dos bairros, que podemos considerar que tem três campos, o do nome do bairro (nb), do local onde o bairro se encontra (lb) e do sabor do pão do bairro (sb). Assim o nosso cérebro faz apenas uso de uma base de dados equivalente cujo espaço que ocupa é 10(E(nb)+E(lb)+E(sb))+500(E(n)+E(l)), um valor substancialmente menor que 500(E(n)+E(l)+E(s)) pois, em princípio 10(E(nb)+E(lb)+E(sb))<500(s), visto ainda que, considerando que E(s)=E(sb), esta inequação é equivalente a 10.E(nb)+10.E(lb)<490.E(sb), o que é bastante verosímil considerando que o espaço cerebral para o nome do bairro e para o seu local, nunca será substancialmente superior ao espaço alocado para o sabor do pão.  É fácil também perceber que o espaço para o local ocupado com o agrupamento por bairros, isto é, E(lb), é também menor que E(l), pois um bairro é mais pequeno que uma cidade, aumentando ainda mais o fator de compressão no tamanho da nossa base de dados cerebral.

Resumindo, a classificação cognitiva por grupos, por mais imprecisões que possa ter, foi a forma mais eficaz, e evolutivamente bem-sucedida, que o Humano arcaico encontrou para categorizar as coisas que observara, mais especificamente os outros seres humanos. É um método bem-sucedido, porque, além de estatisticamente ter margens de erros baixas, permitiu uma poupança substancial nas ligações cognitivas neuronais, deixando espaço cognitivo, talvez, para o uso em outras capacidades cerebrais. Lembremo-nos ainda que os hominídeos no Paleolítico viviam em tribos, famílias, etnias ou grupos, e por conseguinte, tal processo cognitivo, aparentou ser o mais bem-sucedido para classificar os elementos das outras tribos. Em acréscimo, quando as tribos eram inimigas e se aniquilavam mutuamente, fazer o alerta imediato do perigo, através da identificação de um qualquer indivíduo da outra tribo, por mais inofensivo que tal indivíduo fosse, revelou ser um processo eficaz e evolutivamente bem-sucedido, para a sobrevivência dessa tribo. Ou seja, catalogar psicologicamente um estranho, em função de traços físicos comuns que partilha com outros, cujos comportamento conhecemos, além de ter poupado muito espaço cognitivo, revelou ser extremamente eficaz para a sobrevivência da tribo, e por conseguinte do Homo Sapiens, o homem moderno. Da mesma forma que não refletimos porque motivo uma vespa pode ser perigosa, simplesmente, por norma, assustamo-nos e reagimos de imediato. Todavia com o Iluminismo, os homens e mulheres passaram a ser todos iguais perante o Estado e a Lei, mas tais resquícios evolutivos que se desenvolveram em milhões de anos, não são simplesmente erradicados em trezentos anos. Coube às sociedades desenvolvidas, através dos pensadores, da arte, da cultura e essencialmente do próprio estado, através da promoção da religião e depois da laicidade por exemplo, restringir e frear tais ímpetos evolutivos que tendem a categorizar a priori os indivíduos. Assim, o Racionalismo é por conseguinte uma condição sine qua non que se exige a todos os estadistas e juízes.

Efetivamente, a Análise e a Filosofia, ao contrário da Psicologia, regem-se por processos lógicos, abstratos e não evolutivos. Matematicamente podemos então afirmar que um elemento a pertencente a G, não representa esse grupo G; e mesmo que vários elementos do grupo G tenham a característica X, sendo X maligna ou benigna, não podemos afirmar que G tem a característica X. Basta que haja um único elemento a do grupo G, que não possua a característica X, para não podermos afirmar que G e X são equivalentes, ou seja, que X é uma característica de G. Podemos referir que há elementos de G, que possuem X, não podemos todavia daí inferir, que para todo e qualquer elemento a pertencente a G, X é existente. Estes processos lógicos são lecionados em qualquer matéria matemática que aborde a Teoria dos Conjuntos. A prova de que a Teoria dos Conjuntos é contranatura, é dada por um sofisma famoso, difícil de desconstruir de forma instantânea e reflexiva: "os Gregos são homens, Sócrates é homem, logo Sócrates é Grego".

Referir então que os muçulmanos são terroristas é uma proposição errada. Referir todavia que há muçulmanos terroristas é uma proposição correta. O mesmo processo afirmativo pode ser generalizado a quem refere que os negros são ladrões, os ciganos charlatões, os portugueses preguiçosos, os alemães fleumáticos, e por aí em diante. Tal não invalida, como explanado, que não digamos que há muçulmanos terroristas, ciganos charlatões e por aí fora, podendo nós até fazer alguma análise estatística para tentarmos compreender, quais as incidências de algumas características em determinados grupos. O que um estadista, pensador, juiz ou mesmo cidadão de bem, não pode alguma vez publicamente referir, é que a priori tal indivíduo tem uma determinada característica, apenas por pertencer a um determinado grupo. Os homens julgam-se pelos seus atos!

A questão moral das dívidas


A dívida é recentemente o mecanismo financeiro com que banqueiros e agiotas, sem ser preciso produzir, escravizam os povos, estrangulando-os com juros compostos e obrigações financeiras exponencialmente crescentes. Um empréstimo de apenas 100€ com uma taxa de juro composto de 5% ao ano, resulta numa dívida, volvidos 40 anos, de cerca de 700€; ou seja, sete vezes o valor inicial. O problema das dívidas, é que os eleitores encaram-nas como se de amigos ou família se tratasse, incutindo-lhes um valor moral. Não há moralidade perante agiotas, que agem quase sempre de forma calculista, sem quaisquer pressupostos morais; todavia sabem incutir nos povos ditâmes morais, que remontam ao período de influência da Igreja, que ditava que era feio não pagar as dívidas; mas por essa altura também era heresia cobrar juros.

Não defendo que não paguemos dívidas, digo apenas que o não pagamento de uma dívida numa economia de mercado, é tão-somente o não cumprimento de um contrato financeiro, algo que é deveras comum nas economias modernas. Quantos contratos de pagamento de telemóvel, televisão, eletricidade, água, casa, são incumpridos todos os dias na Europa? E não é por isso que lhes incutimos um valor moral. Nunca denominamos caloteiro alguém que não pagou a mensalidade do seu cartão de crédito, ou que se esqueceu de pagar a mensalidade da eletricidade. A Igreja teve uma enorme influência na forma como hoje encaramos uma dívida; pois numa altura em que não havia crédito bancário, só os filantropos e os caridosos emprestavam dinheiro, sem juros diga-se pois cobrá-los era pecado. Ora não pagar a alguém caridoso que nos empresta dinheiro sem juros, é de um desrespeito e frieza atrozes. Assim, a Igreja e o sentimento Cristão incutiram na moralidade dos povos sob sua influência, que era imoral não pagar uma dívida. Mas um agiota não é caridoso e por outro lado pratica juros compostos, que faz com que a dívida tenha um crescimento exponencial. Em acréscimo a função dos juros é não só cobrir a inflação, mas também o risco de incumprimento. Logo, não há quisquer normativos morais a ter em conta perante um incumprimento de uma dívida contraída numa economia de mercado onde os juros estão presentes. Quaisquer analogias, como demagogicamente vamos ouvindo, com "as dívidas a amigos ou à família", é estupidez ou ingenuidade.

Lei, Ética e Costume


A palavra Ética vem do grego, mais precisamente "ethos" e significava algo como "modo de ser". Quando os romanos fizeram a tradução para o Latim, surgiu posteriormente a palavra Moral. Assim Ética, Moral e Costume têm a mesma raiz etimológica. Todavia com o tempo, a terminologia foi-se alterando, e talvez devido ao facto de os romanos terem uma visão mais pragmática dos assuntos e os gregos uma abordagem mais filosófica, as palavras Ética e Moral afastaram-se do seu significado filosófico, sendo que a Ética tenta aproximar os costumes, como os das elites profissionais, à razão da ciência e da filosofia, enquanto que a Moral adota uma abordagem de maior senso comum.

Assim, como amante da Filosofia, devo afirmar que não guardo qualquer empatia com a Moral, pois não me apraz a ideia de senso comum. Uma alegoria interessante, seria imaginar um mundo onde todos piamente acreditassem que um mais um seria igual a onze. Nesse mundo, imaginemos que existiria uma classe que tentaria aproximar o senso comum da Verdade e diria que um mais um era igual a cinco. Quem advogasse através do senso comum, e por aquilo que se denomina por "meio termo", diria que um mais um é igual a sete. O senso comum, não tem assim de ter obrigatoriamente qualquer validade científica ou filosófica, mas naturalmente obedece a uma certa sabedoria popular na forma da organização das relações interpessoais e de cada um dentro de uma sociedade. É neste aspeto que se enquadra a Moral.

O Costume

O Costume, comummente conhecido apenas por costumes, retrata assim a cultura e o conhecimento secularmente adquirido por um certo grupo de pessoas. Não obedece forçosamente a critérios científicos ou filosóficos, obedecendo sim a princípios sociológicos de relação interpessoal, a critérios antropológicos, sociais e sobre a perceção que a generalidade das pessoas tem da Verdade. O Costume, que influencia diretamente a Moral e é fortemente influenciado pela Religião, é assim a doutrina comportamental mais facilmente implantada no senso do povo, mas aquela que é menor em termos de nobreza das atitudes individuais de cada um, pois não exige ao indivíduo qualquer conhecimento intelectual que o obrigue a validar filosófica e cientificamente o padronizado, estando o Costume concebido para que o plebeu o assimile sem o questionar. Outros nomes podemos dar a este conceito, como tradição ou fatores culturais. Há todavia costumes que obedecem a uma lógica de integração com o meio envolvente e se revelam os mais eficazes do ponto de vista pragmático, para a regulação das pessoas dentro de um grupo.

A Lei

A Lei grafa os costumes em códigos e tratados, conferindo-lhes obviamente carácter científico e racional. Todavia, as bases das leis, não são a Verdade nem a Ciência, a Técnica para procurar a Verdade. As leis são assim um misto entre Ciência e Costumes. Esse equilíbrio altera-se consoante os países; por exemplo nos países árabes as leis têm uma grande influência dos costumes através de regimes teocráticos, já nos países nórdicos a influência dos costumes é diminuta, providenciando assim um carácter mais racional às leis, podendo as mesmas ser mais imparciais na forma como encaram o indivíduo e as suas liberdades individuais. A Lei não obedece assim forçosamente à Verdade nem sequer é perfeita, pois é concebida por homens. Nem muito menos o é a Lei Canónica, pois essa peca duplamente ao ser feita por homens que se intitulam legislar em nome do divino. Por conseguinte a Lei, filosoficamente falando, não é sempre o que distingue o Bem do Mal, ou o Correto do Errado. A Lei deve a priori, e ainda para mais num estado democrático, ser cumprida por parte dos cidadãos, todavia após uma análise consciente, ética e verdadeira, a mesma pode, e em alguns casos deve, ser violada. A Lei não é o caminho para a Verdade, nem para a Ciência. A Lei é aquilo que as elites, ou num estado mais democrático e participativo, os cidadãos em geral; entendem como válido e correto, nas relação entre as várias entidades e organizações que fazem parte do Estado. Se a Lei fosse cristalina e infalível, nem sequer existiriam tribunais compostos por juízes, e dentro do sistema judicial nem sequer existiriam recursos. E na mesma lógica argumentativa, infere-se facilmente que mesmo após o trânsito em julgado de um certo processo, uma certa decisão pode estar completamente errada do ponto de vista ético. A Lei também obedece a premissas de pragmatismo, para que possa na generalidade ser eficaz a sua aplicação, mas esse pragmatismo pode incorrer em situações pouco éticas em certos casos particulares. Por inferência lógica, a Lei não é obrigatoriamente sempre justa.

Ética

Abordo aqui uma visão radical daquilo que entendo como Ética, e por isso mesmo diferencio-a muito bem da Lei e do Costume. No meu entender, a Ética deve ser a dinâmica que aproxima os costumes da Verdade. Considero que um verdadeiro eticista, preocupa-se apenas em alinhar os comportamentos humanos com a Verdade e por considerações factuais, com a Ciência. Naturalmente o ser humano, como mamífero que é, é um ser complexo nas ruas relações interpessoais dentro de um certo grupo. Muito dos seus costumes nada têm de éticos ou racionais, obedecendo apenas a princípios antropológicos que hoje fazem pouco sentido. A Ética como o Homem a idealiza nunca será perfeita e por isso haverão sempre muitos opinadores sobre a mesma, mas tal incorre do facto de ser o Homem quem procura a Verdade, e como tal, poderá aproximar-se da mesma, mas nunca a encontrará no estado puro. Todavia, um verdadeiro eticista deverá sempre alinhar o Costume com a Verdade. Na Ética que idealizo não quer dizer que devamos renunciar aos prazeres mundanos, pois tal também faz parte da felicidade do Homem. Todavia se os mesmos forem prejudiciais ao Homem devem ser combatidos. Na Ética a Vida Humana é inviolável, e não obedece a relativismos morais, como o aborto ou a pena capital. A Ética não se deixa influenciar pelo lado primário do ser humano, mas alinha a sua conduta pela Razão, pela Ciência, pela Justiça e pela Verdade.

A jurisprudência dos Danos Morais!


  • Carlos Cruz abusou sexualmente de dois rapazes (pelo menos aqueles que o tribunal deu como provado) e foi condenado a pagar uma indemnização por danos morais de 25 mil Euros
  • Um grupo de média difamou Santana Lopes e foi condenado a pagar 30 mil Euros, por danos morais
Para os nossos juizes é mais grave difamar um político do que abusar sexualmente de uma criança! É a nossa jurisprudência!

Oferta de Emprego - Agiotas precisam-se para impingir cartões de crédito! - Leitura Bíblica


Recebi recentemente na minha caixa postal eletrónica uma oferta de emprego, de uma empresa de recursos humanos para a qual trabalhei em tempos no aeroporto de Lisboa, da qual não tenho quaisquer razões de queixa, devido ao seu elevado profissionalismo e à sua honestidade. No entanto recebi hoje mesmo esta indecente e herética proposta de emprego:
_____

Promotor Comercial Banca
Local:
Lisboa (Centro e Cascais)
Categoria:
Promotor Comercial da Banca (Stands)
Empresa:
Adecco Recursos Humanos, selecciona para empresa sua cliente na área da Banca, Promotor Comercial da Banca (Stands):

Requisitos:
Os Candidatos deverão reunir os seguintes requisitos:
- Escolaridade Mínima: 12º Ano;
- Conhecimentos de Inglês
- Excelente apresentação;
- Bom poder de comunicação;
- Bom poder de negociação e argumentação;
- Capacidade de análise;
- Postura pró-activa e dinâmica;
- Disponibilidade imediata.

Este Profissional terá como principais responsabilidades:
- Promoção e venda de Produtos Bancários e divulgação de Cartões de Crédito.
__________

Eu respondi diretamente à técnica de recursos humanos, referindo que preferia trabalhar num bordel, como porteiro, ou como massagista numa dessas casas menos próprias, do que ir impingir cartões de crédito à população. Sim meus caros, falo-vos dos Barclays Card e dos City Bank. Portugal é regido pelos credores, os portugueses estão afogados em dívidas, desde a dívida da casa até à dívida do carro, que ainda vão tendo taxas de juro aceitáveis, e estas financeiras, ainda querem que eu vá impingir cartões de crédito aos incautos, com taxas de juro completamente agiotas. Disse frontalmente à gestora dos recursos humanos, que ganhar dinheiro a levar no cu, ser carteirista no metro de Lisboa, ser arrumador de carros no Colombo ou mesmo pedir à porta de uma igreja aos domingos de manhã, são tudo formas mais dignas e honradas de ganhar a vida, do que andar e ludibriar os inocentes e os incautos com créditos usurários.

A troica é quem manda por cá, a dívida do país é patológica, os portugueses estão afogados em empréstimos que não conseguem pagar, desde a compra da varinha mágica a prestações, até ao carro que nos dá o falso conforto e comodismo, e ainda ousam fazer-me propostas indecentes, para que eu ande a gastar o meu latim e a minha retórica enfiando no ânus dos desprotegidos dinheiro fácil, que depois teria de ser pago com juros bem altos. Se ainda fosse dinheiro usado para investimentos produtivos, como formar uma empresa, abrir um pequeno negócio, que é salutar e de louvar, mas não; este tipo de cartões de crédito visa tão-somente o consumo, ou seja queimar dinheiro em frivolidades importadas que o país não produz, e deixar o cliente completamente afogado em dívidas.

Sois cristão? Se não sois, ficai sabendo que eu sou, e rejo-me pela Bíblia. Ora então atentai a estas passagens do Livro Sagrado:

E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; Mateus 21:12


Quando Jesus entra em Jerusalém e se dirige ao templo, depara-se com uma espécie de agentes do
city bank do seu tempo. O templo de Jerusalém, tinha uma moeda própria, pois a moeda do imperador romano, que circulava fora do templo era considerada idolatra e profana pois tinha o rosto do regente romano. Dentro do templo, havia uma moeda própria, ou seja, sagrada para os hebreus. O que os cambistas faziam, era exatamente, trocar moeda profana, por moeda sagrada, para que os fieis pudessem comprar os animais para os sacrifícios e comprar também os objetos de culto. Ora, assim como hoje os bancos praticam taxas de câmbio diferentes entre as mesmas moedas, consoante o sentido em que se faz a conversão, de forma a que fiquem sempre a ganhar com as transações, também naquele tempo os cambistas ganham exatamente no câmbio entre a moeda sagrada e a moeda idolatra, e vice-versa. Jesus, enfurecido com esta prática cambial, que deixava sempre os crentes a perder, assim como talvez também enfurecido com o negócio que se gerava com o sagrado, tal como hoje acontece com as prendas do Natal ou com os santos que se vendem nos arredores do santuário de Fátima, derrubou todas as tendas dos cambistas e dos que vendiam animais para os sacrifícios.

E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas. Marcos 11:15

Neste seguimento lógico e filosófico, se Jesus regressasse à Terra e viesse até Portugal, e me visse a mim, seu devoto, cristão crente, numa banca do city bank ou do barclays card a impingir cartões de crédito aos incautos e aos pobres desgraçados que estão enterrados em dívidas, convencendo-lhes que ao adquirirem este cartão com taxas de juro de mais de 20%, iriam resolver os seus problemas; Jesus ao ver-me engravatado, com discursos falaciosos e ardilosos, não faria mais nada a não ser derribar a banca onde eu trabalhasse, seja ela no centro Vasco da Gama ou no Colombo.

Faço um apelo: Se sois bom cristão, derribai também vós as bancas dos agiotas que impingem cartões de crédito com taxas de juro usurárias aos incautos. Se o fizerdes, só podeis ser bom cristão e bom devoto do Senhor. E o que mais me deixa exacerbado, é ver pessoas que se dizem católicas devotas que se confessam na missa, serem mais avarentas e somíticas, que qualquer cambiador do templo. Assim como se fordes bom cidadão deveis ignorar por completo o que dizem certos políticos e comentadores medíocres e vos deveis cingir pela Constituição da República em primeiro lugar; se fordes bom cristão, devereis ignorar o que dizem certos pseudo-católicos e deveis-vos cingir unicamente pelo que esté escrito nos Livros.

E ser bom cristão e vender cartões de crédito em bancas de centro comercial, é um paradoxo teológico crasso.

Considerações histórico-filosóficas sobre a usura


Meus caros, o estado é pródigo nos ordenados milionários e nas regalias faraónicas eternas e sem condicionalismos socioeconómicos que confere aos seus bem-fadados, tal já é sabido, o sector público é profícuo em benesses imperiais que concede aos seus funcionários e sem quaisquer géneros de contrapartidas, e os casos mais gravosos nem sequer são na administração central nem nos institutos, mas são-no sim nas empresas públicas. Ora vejamos, a CP e o Metro de Lisboa ou do Porto, assim como a Carris, STCP e outros derivados na área dos transportes têm um passivo da ordem dos 17 mil milhões de euros, e os proxenetas que lá trabalham passam a vida a reivindicar e a fazer greves, esquecendo-se que as novas gerações à rasca, têm de se contentar com 500 euros a recibos verdes.

Pois alguém se esqueceu que há aqui um fosso geracional deveras sem paralelo que começou com os arautos mensageiros da liberdade seguidores doutrinários de Marx e de Lenine, que em 1974 fizeram uma revolução. O Velho, que liderava o estado a que chamavam de Novo, tinha o país na miséria onde as crianças iam descalças para a escola, tendo o país apenas uma auto-estrada entre Lisboa e Vila Franca; depois vieram os indignados que fizeram a revolução dos cravos e que se apoderaram do poder e colocaram-nos no estado que temos, terciarizando completamente o tecido económico e empresarial. Ou seja, definhámos a indústria, esquartejámos todo o nosso sector produtivo com o 25 de Abril, o povo já não queria trabalhar nas fábricas e moveu-se para os escritórios e para os bancos, querendo obviamente todos melhores salários e mais direitos, depois veio a União Europeia que deu a machadada final nas pescas e na agricultura; agora compramos fruta e pescado aos espanhóis, os telemóveis – dizem as estatísticas que somos dos países com mais telemóveis por habitante – compramo-los aos finlandeses e a aos coreanos, os carros aos alemães e aos franceses e vamos oferecendo turismo para os reformados europeus se refastelarem nas nossas praias. Com o 25 de Abril, passámos do miserabilismo salazarista ao novo-riquismo socialista. Antes gastámos muito menos do que tínhamos, e tínhamos muito oiro no banco central e o país estava na miséria agarrado aos pilares sacrais da Santa Sé e da nossa senhora de Fátima, com muita da população analfabeta e com cuidados de saúde paupérrimos; depois da revolução, gastámos muito mais do que podemos, e se não temos, pedimos emprestado que paga-se depois; queimámos o oiro, que o Velho guardou tão copiosamente, em frivolidades e em inutilidade como auto-estradas para cada cidade, em formações e subsídios inúteis, e demos regalias faraónicas aos funcionários das empresas públicas. Se não temos dinheiro, pede-se emprestado que haverá sempre algum usurário predisposto a ganhar dinheiro com o país.

Mas no outro dia vi uma cena em sonhos em que perguntava um jornalista cineasta com uma veia pseudo-artística a uma velhinha de rua:
– “Minha senhora, poderá dizer-me por favor no seu entender, qual a diferença entre uma pessoa interesseira e uma pessoa interessante?”
E a velhinha na sua ingenuidade popular, responde:
– “Uma pessoa interesseira não interessa a ninguém pois faz tudo por interesse, e uma pessoa interessante é alguém que dá prazer ouvir e que fala muito bem.”

Pois a mesma pergunta, feita a um filólogo professor universitário, tem a seguinte resposta:
– “Tal pergunta, remeter-nos-ia para as questões etimológicas dos termos e como a língua portuguesa obtém certos derivativos nos seus sufixos, mas pode claramente afirmar-se que presentemente todos os dicionários referem que uma pessoa interesseira é aquela que pratica interesses, ou seja, que cobra juros no empréstimo de dinheiro, e uma pessoa interessante, é alguém que manifestamente tem dotes intelectuais que cativam o interesse dos outros.”

Pois é meus caros, a língua portuguesa é douta nas suas idiossincrasias, mas curiosamente há muitos paralelos entre os ideários dos comunistas e os da visão cristã medieval em relação ao capital e à cobrança de juros, tecnicamente denominada por usura. Leiam atentamente este texto retirado de Ricardo J. F. Ferreira, num trabalho denominado “O Dilema ancestral dos juros”.

“Nem sempre prevaleceu na sociedade ocidental, tal despudor com relação à cobrança de juros. Pelo contrário, a cultura ocidental, em seus fundamentos greco-romanos e judaico-cristãos foi, na maior parte dos três últimos milénios, bastante restritiva e intolerante para com o conceito de juros e com a sua aplicação. Nesse amplo espaço de tempo, filósofos, economistas, juristas e religiosos de variadas orientações, têm se pronunciado em debatida e acalorada controvérsia. Essa controvérsia não se limitou à maior ou menor dimensão das taxas cobradas de juros, mas à própria legitimidade moral da aplicação desse procedimento. A importância da religião no contexto histórico, em todas as partes do mundo, tem assegurado às igrejas e templos uma precedência relevante para orientar o estabelecimento e prevalência de normas sociais. Isso tem sido aplicado, obviamente, também na cobrança de valores por dívidas, vale dizer, pela cobrança de juros. E, consoante à tradição cristã, historicamente predominante na civilização ocidental, foi generalizada a proibição da cobrança de juros. O cristianismo, mesmo inspirado na tradição judaica, evoluiu como uma dissidência, e modificou a normativa prevalente entre os judeus quanto à cobrança de juros. A determinação da moral judaica proibia a prática de juros nos negócios entre judeus, mas permitia a sua cobrança nos negócios entre judeus e gentios. Porém, a tradição cristã, passou a condenar a cobrança de juros de forma generalizada. Assim, desde os primórdios, a igreja cristã tem condenado a usura, ou seja, a cobrança de juros de todas as formas. Acreditasse que a generalização da condenação à cobrança de juros estaria associada à crença cristã de que a salvação deixara de ser uma prerrogativa apenas dos judeus, “povo eleito de Deus”, para ser estendida a toda a humanidade. Quebrada essa fundamental distinção teológica, na concepção cristã não se justificava tratar desigualmente cristão e gentio e, portanto, a prática da usura, ou seja, a cobrança de juros seria considerada “pecado” independente de quem fosse o mutuário de um empréstimo. A condenação à usura, tornou-se especialmente disseminada na Europa durante a Idade Média, período no qual a Igreja Católica Romana exerceu uma influência política e cultural sem contestação. E a posição da Igreja Católica Romana, prevalente no período medieval até o final do século XIX, foi de condenação veemente ao que considerava ser o “pecado da usura”. Nas palavras atribuídas a Santo António de Lisboa (1195- 1231) pode-se perceber toda a veemência dessa condenação:

“Que sumam da terra os gananciosos, porque esses se tornaram malditos ao não se curvarem diante de Deus e não se compadecerem de ninguém, exibindo, em suas bocas, presas como as dos leões, mas que fedem apodrecidas, embebidas no veneno do dinheiro e no esterco da usura.”

O catolicismo tem condenado a usura argumentando que a cobrança de juros é exercida mediante o decorrer do tempo e dele depende. Ora, como o tempo não pertence a ninguém, somente a Deus, não se justificaria usá-lo para aumentar o valor do dinheiro emprestado, cobrando juros sobre esse valor. Também, ao afirmar que somente o trabalho pode gerar riqueza sendo o dinheiro (capital) incapaz de gerá-la. Portanto, o eventual excedente representado pelos juros e adicionado ao dinheiro emprestado teria se originado do trabalho executado por quem tomou empréstimo, não se justificando a sua destinação ao dinheiro originalmente emprestado que deveria ser devolvido sem a cobrança de juros. Ainda, a argumentação postulada pelo religioso Tomás de Aquino (1225-1274), canonizado como santo pela Igreja Católica Romana apontava a usura como uma operação carente de lógica, pois, o dinheiro do credor (aquele que empresta) passaria a ser de propriedade do devedor (aquele que toma emprestado) e somente voltaria a ser de propriedade do primeiro após o decurso do prazo da operação. Portanto, como alguém deveria pagar juros pelo uso de um bem que seria de sua propriedade? Essa “teoria da propriedade” do dinheiro incluía-se no arsenal de razões desenvolvidas pelos intelectuais católicos para sustentar a condenação da usura.”

Pois é, a prática de cobrança de juros, que hoje é considerada banal, foi em tempos um pecado condenado pela Santa Sé, pois assim são todos os bancos pecadores pelo empréstimo de dinheiro a juros, e nomeadamente os grandes bancos alemães pois andaram a emprestar dinheiro e países em dificuldades como a Grécia ou Portugal. Não quer isto dizer que a Santa Sé considerava pecado o empréstimo de dinheiro, considerava pecado sim, a cobrança de juros no empréstimo de dinheiro que se fazia a alguém, pois o credor estaria a lucrar com as dificuldades financeiras do devedor. Mas quão engraçado é asseverar os paradoxos crassos dos católicos modernos, pois estão tão completamente envolvidos nestas áreas do capital e dos negócios dos bancos, que é interessante asseverar que muitos católicos modernos são mais usurários do que o que foram em tempos muitos judeus. Basta atestarmos as lideranças de muitos bancos nacionais.

Mas remetamo-nos à epígrafe da questão, pois o estado português endividou-se bastante junto de usurários para sustentar as grandes benesses dos trabalhadores das empresas públicas, mais precisamente a companhia aérea nacional que está inundada em dívidas que são arcadas pelo erário público. Refiro-me agora aos proxenetas, aos chulos da aviação que são os pilotos da TAP. Esses proxenetas, que tiram em média 19 salários mínimos para casa (fonte do Diário Económico), que todas as fontes jornalísticas referem que ganham cerca 8600 euros por mês, numa empresa afundada em prejuízos, agendaram mais uma greve generalizada para vários dias provocando na empresa prejuízos na ordem dos 5 milhões de euros por dia. Os chulos da TAP, leia-se pilotos, que por terem um ofício com muita responsabilidade e por terem pago muito dinheiro pelo curso, acham agora que podem extorquir o erário público, com os salários milionários que auferem; e quando a coisa não lhes vai a eito, fazem greve provocando graves prejuízos na companhia aérea. O jornal Público, refere hoje, na página 22, que os pilotos pretendem fazer greves nos dias 9, 10, 11 e 12 de Dezembro deste ano de 2011, e ainda nos dias 3, 4, 5 e 6 do próximo ano, altura em que a companhia aérea nacional tem um grande volume de negócios devido às festividades da época. Os chulos, os proxenetas, leia-se pilotos, acham que podem deixar de trabalhar quando lhes apetece e mais lhes convém e porque têm a faca e o queijo na mão da companhia, podem reivindicar o que lhes aprouver, mesmo que tal coloque em causa a sanidade financeira da empresa, cujos prejuízos caem em cima do povo português que paga impostos e que lhes paga o ordenado. Os chulos, que afirmam que pagaram muito pelo curso e agora querem ver retorno, esquecem-se que não vivemos nas terras do tio Samuel em que os cursos universitários são pagos a peso de ouro numa óptica mercantilista e capitalista sem precedentes, e que posteriormente há que ganhar o máximo dinheiro que se possa, nem que se tenha de chular a prostituta chamada república portuguesa. Os chulos, leia-se pilotos, não têm tento, nem consideração para com o povo que ganha 800 euros de salário médio e que paga os impostos que lhes sustentam os ordenados faraónicos. Os chulos da aviação, leia-se pilotos, acham que nasceram com mordomias aristocráticas, quais burgueses feudais da idade média, e que têm direito natural a poder mamar do erário público 19 ordenados mínimos, quando o ordenado médio da população é cerca de dois ordenados mínimos. Esses chulos que alegam que pagaram muito pelo curso e que têm de ter muitas horas de voo em aviões que têm de alugar e que tal sai caro, acham agora, porque fizeram um grande investimento na carreira, que podem chular exorbitantemente o estado e todos nós, sendo que um dos argumentos usados pelos chulos é de que têm um trabalho com muitas responsabilidade. E um condutor de autocarro de crianças de escola que ganha 600 euros por mês? E um médico que está de banco que ganha 10 vezes menos que os chulos? E um investigador na área dos mediamentos anti-virais? E um primeiro-ministro? Mas os chulos, leia-se pilotos, acham que o povo e a sua prostituta chamada república portuguesa devem trabalhar incansavelmente e até à exaustão, sendo totalmente definhada, para saciarem os seus ímpetos burgueses e aristocráticos.

Lembremo-nos que os chulos, e refere hoje o jornal Público, já fizeram uma greve em 2007, para manter a idade de reforma nos 60 anos, ao contrário do “povão” que tem de se contentar com os 65, e conseguiram o que queriam, em 2009 fizeram outra greve onde reivindicavam a partilha dos ganhos de produtividade da empresa, e lá lhes deram o que queriam, ou seja 4 milhões de um bolo total de 8 milhões de euros e em 2010 os chulos voltaram a convocar outra greve na altura da Páscoa e mais uma vez a empresa cedeu às suas reivindicações. Os chulos têm muitos nomes, um deles é piloto da TAP.

Pois é meus caros internautas, os meus queridos familiares mais jovens, pessoas eruditas e qualificadas, que também fizeram um grande investimento financeiro e pessoal no curso superior com largos anos a estudar e a pagar propinas, que agora entraram no mercado de trabalho, fazem parte da geração à rasca, ou seja, ganham 500 euros a recibos verdes numa precariedade inaceitável e inqualificável sem quaisquer regalias, benesses ou subsídios; e os outros, com o rabo agrafado à cadeira com um estatuto estatal inabalável, e com ordenados ofensivos à dignidade humana lusitana, ainda ousam indecorosamente e sem qualquer vergonha nas ventas, fazerem greves que causam graves consequências para as empresas públicas de que todos nós somos detentores.

Até quando durará o saque dos pilotos da TAP ao erário público?

Fonte dos dados: Jornal Público (pág. 22 do dia 17/11/11) e Diário Económico na seguinte página

Aborto bárbaro e sanguinário aos 9 meses é legal nos EUA


Nos EUA, a capital do império e o ícone da frívola liberdade, o aborto é realizado legalmente até aos 9 meses.

Quando o embrião tem perto de nove meses, pratica-se um ato bárbaro denominado medicamente como "dilatação e extracção intactas", que consiste resumidamente em alargar primeiramente o colo uterino, puxar uma perna do bebé para uma posição de saída, retirar todo o corpo do feto deixando apenas a cabeça do mesmo dentro do útero, depois fazer uma incisão no crânio do feto, colocar uma ferramenta dissectora na incisão e alargar a abertura; posteriormente insere-se um cateter e o cérebro do feto é sugado, havendo o abatimento e o colapso do crânio que possibilita a passagem do cadáver do bebé pelo canal uterino.

Esta prática bárbara é perfeitamente legal nos EUA e é praticada até aos nove meses. Apresenta-se um excerto retirado da versão anglófona da Wikipedia:

Under the Intact D&X method, the largest part of the fetus (the head) is reduced in diameter to allow vaginal passage. According to the American Medical Association, this procedure has four main elements. Usually, preliminary procedures are performed over a period of two to three days, to gradually dilate the cervix using laminaria tents (sticks of seaweed which absorb fluid and swell). Sometimes drugs such as pitocin, a synthetic form of oxytocin, are used to induce labor. Once the cervix is sufficiently dilated, the doctor uses an ultrasound and forceps to grasp the fetus's leg. The fetus is turned to a breech position, if necessary, and the doctor pulls one or both legs out of the cervix, which some refer to as 'partial birth' of the fetus. The doctor subsequently extracts the rest of the fetus, leaving only the head still inside the uterus. An incision is made at the base of the skull, a blunt dissector (such as a Kelly clamp) is inserted into the incision and opened to widen the opening, and then a suction catheter is inserted into the opening. The brain is suctioned out, which causes the skull to collapse and allows the fetus to pass more easily through the cervix. The placenta is removed and the uterine wall is vacuum aspirated using a cannula.

Eu rogo-lhe por favor, passe esta informação aos seus mais próximos, pois isto tem de ser denunciado, como é que um país que critica o mundo árabe e a China pelo não cumprimento dos direitos humanos tem esta prática como legal?

As questões filosóficas sobre o aborto


Muito tenho ponderado sobre as questões filosóficas sobre o aborto. Tento abstrair-me de todos os preceitos que apregoam o facilitismo e o interesse próprio, tentando cingir-me unicamente às questões filosóficas da razão pura e de natureza humana. O aborto, ou a interrupção voluntária da gravidez, é o ato em que a mulher por livre vontade decide que não quer ter a criança que nascerá ou de uma forma mais simplista, não quer dar continuidade à existência do feto. O aborto é assim uma interrupção voluntária da mulher da gravidez que degenaria dentro de meses uma criança. Quem está contra esta prática advoca os princípios sacrais da vida humana e quem está a favor evoca as questões sociais da mulher e da liberdade de esta controlar o seu próprio corpo e de ter a independência e a soberania para decidir se deve ou não dar continuidade a uma gravidez que não é desejada ou não é propícia.

Para debater sobre esta questão evocaria o direito romano, visto à luz de hoje como decrépito e sanguinário em muitas situações. No tempo romano, o pai tinha o direito legal de matar o filho até este atingir a maturidade pois considerava-se que o pai era o legítimo detentor da vida do seu filho, assim, em casos muito graves e muito raramente, o pai ordenava a morte do seu filho e tal estava plasmado na legislação romana como aceitável. Com o cristianismo esta prática desapareceu e nos dias de hoje é considerada uma prática hedionda e desumana, pois é contrária aos princípios da vida. Na altura evocavam-se os direitos legais do progenitor sobre o filho para se poder consumar tal ato. Não pode também ser feita uma analogia com o caso da mulher e do indivíduo que traz no ventre? Por muito que eu seja feminista, terá a mulher a propriedade do ser que traz no ventre para o poder eliminar, mesmo que num caso de grave situação económica ou pessoal? Isto não tem nada a ver com religião ou com a doutrina cristã, isto está unicamente relacionado com princípios filosóficos. Até que ponto a mulher tem legitimidade moral, sendo que legal já a tem, para eliminar a vida de um ente? A vida é sacra e inviolável, e tal está plasmado nos diversos cânones religiosos e ateus, profanos e divinos e até está bem patente na constituição da república no seu artigo 24.º. O aborto é assim, dito de uma forma crua e filosófica, uma prática infanticída pois é indubitável que a vida começa na conceção. Durante o nazismo os alemães consideravam que os judeus não tinham vida genuína, sendo apenas seres inferiores e dispensáveis, e o mesmo pensavam os sérvios sobre os albaneses durante a guerra da Juguslávia.

O ser humano evoca toda uma série de argumentos falaciosos e filosoficamente impuros quando quer atingir os seus objetivos infringindo leis e princípios basilares como o valor da vida e o respeito pelos direitos humanos. Como é que é possivel que a lei do aborto tenha passado no tribunal constitucional, mesmo tendo sido referendada? A vida humana é sacra e inviolável e tal está bem patente nos cânones de todas as religiões assim como na carta dos direitos humanos. É de valor incalculável e é inalianável e inviolável não podendo ser renegada nem pela própria democracia. Assim como Sócrates tomou a sicuta a mando democrático de uns tiranos sanguinários que não respeitaram os direitos humanos, também os portugueses votaram a favor do aborto. A vida de um ente não pode estar nas mãos de outrem, nas mãos de um colégio eleitoral nem mesmo nas da democracia, está apenas nas mãos do divino, da Natureza, de Alá, de Zeus ou do grande arquiteto. A constituição da República Portuguesa é bem explícita no seu artigo vigésimo quarto quando refere que a vida humana é inviolável, assim sendo como passou esta lei pelo tribunal constitucional? Não é um paradoxo crasso?

Dirão que a vida não começa na conceção e dirão até como faz Pacheco Pereira que existe a vida e a "vida", tendo valores diferentes, a segunda sendo prescindível e a primeira não. Quão falaciosos são estes argumentos, e assim sendo, porque não dizer que a vida começa com o nascimento e passa-se a abortar até aos nove meses como se faz em alguns países? E porque não dizer que a vida começa com a maioridade aos 18 anos, e até lá somos apenas seres desprovidos de maturidade intelectual ou apenas seres proprietários dos nossos progenitores sendo assim passíveis de ser eliminados por eles, como faziam os romanos na antiguidade? A vida humana é inviolável à luz dos princípios constitucionais e apenas existe uma vida, una e indivisível e não apenas relativismos filosoficamente falaciosos. Não existe feto, tal termo é apenas uma denominação semanticamente asquerosa para definir o que na realidade é algo tão belo, no sentido platónico do termo, como o ser humano embrionário. E não evoquem as esquerdas sofistas as questões sociais das mulheres e da saúde das mesmas, assim como o flagelo do aborto clandestino. Ninguém as obriga a fazer abortos clandestinos e as afamadas parteiras que abortam não passam de homicidas. As mulheres que fazem abortos, assim como as parteiras que as auxiliam devem ser condenadas por práticas infanticidas contra a vida humana de um ente indefeso e sem proteção.

Considero-me um defensor do planeamento familiar e da educação sexual nas escolas para evitar este tipo de flagelos, mas aquando da existência de um ser após a conceção, julgo que tais práticas são de facto infanticidas, mesmo que sejam aligeiradas para interrupções voluntárias da gravidez, e por conseguinte no meu entender, devem ser legal e moralmente reprováveis. Pois é isso que de facto é a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), é apenas um eufemismo que pode tomar a forma de sigla; da mesma forma que um militar nunca mata uma pessoa, apenas elimina um alvo. Os eufemismos, do ponto de vista psicanalítico, são importantes para o alívio da eventual dor psicológica, e por conseguinte são importantes para a manutenção da sanidade mental do indivíduo, na medida que o indivíduo faz uso de termos, que apesar de não serem propriamente semanticamente sinónimos, estão vagamente relacionados, tendo sempre uma carga emocional menos intensa. Uma mulher "interrompe" em vez de abortar, um militar "elimina" em vez de matar, um especulador financeiro "investe" em vez de especular, uma atriz pornográfica trabalha na "indústria do entretenimento", um promíscuo é devoto do "poliamor", um político provoca "danos colaterais", um Inglês jamais come cow, mas beef, nem pig mas pork; ou um português e brasileiro respetivamente, mesmo que esteja num restaurante público, nunca vai à sanita ou à latrina, mas à casa de banho ou ao banheiro, mesmo que o referido local não seja próprio para banhos. 

Ou seja, sempre que a atividade está relacionada com necessidades primárias como o sexo ou as escatológicas; sempre que a atividade está relacionada com emoções psicológicas fortes, como no caso dos militares a morte de eventuais civis ou inocentes, mas acima de tudo de seres humanos independentemente da fação militar; e acima de tudo visto que os eufemismos usam-se na comunicação e essencialmente na oralidade, sempre que a atividade puder ser publicamente censurável, o eufemismo toma um papel na retórica e na comunicação muito importante. E foi esse eufemismo em forma de sigla, uma IVG, que os movimentos defensores da mulher poder abortar livremente até às dez semanas, adotaram, para que a sociedade encarasse tal ato com menos censura moral, e para que a própria mulher pudesse libertar a consciência na eventualidade de efetuar um aborto. O próprio legislador usa tal eufemismo e recordo que a pergunta efetuada em 28 de junho de 1998 foi: "concorda com a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, se realizada por opção da mulher nas primeiras 10 semanas em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?". Repare-se que foi usada a expressão interrupção da gravidez em vez de aborto, sendo que esta também está tecnicamente correta e faz parte do léxico científico. Pude comprovar na primeira pessoa, tal poder psicanalítico dos eufemismos, quando certo dia na receção da Maternidade Alfredo da Costa em Lisboa, uma mulher se aproxima da rececionista referindo apenas que estava ali "para fazer uma interrupção". Ou seja, no meio médico, principalmente na obstetrícia, o eufemismo "interrupção", que enquanto verbete de qualquer dicionário mais não refere que somente descontinuação ou suspensão, é, no referido meio claramente conhecido, como aborto.

Concluo que, se para a laica Constituição a vida humana é inviolável e se para o cristão é sacra, o aborto voluntário mais não é que uma prática contrária a todos os normativos da sociedade ocidental, sendo a sua lei corrente, respetivamente, uma prática inconstitucional e uma heresia.

Os bancos não têm amigos, ao contrário daquilo que as suas enganadoras publicidades propalam


Desde quando os bancos têm amigos? Vemos alegremente os engravatados
publicitários do sistema bancário a referirem o quão amigo o banco nos
é e o quanto nos suporta a nós e à nossa família e negócios. Mas o
povo é mais nobre que os bancos nos seus ditames e desde há muito
adverte o incauto que quando emprestamos a alguém dinheiro perdemos o
amigo. Conclusão: os bancos não são nossos amigos. Não passam de
sucedâneos dos antigos semitas capitalistas interesseiros, usurários e
agiotas que aos outros em dificuldade emprestam dinheiro a juros.
Relembro-vos que houve em tempos uma moralizadora bula papal que
condenava severamente esta prática usurária pois é contrária à
doutrina cristã do auxílio do próximo sem interesse ou
contra-partidas.

Concluímos muito facilmente que a usura bancária praticada por todo o
sistema bancário a nivel mundial é contrária a todos os princípios
cristãos e até aos mais basilares princípios filantrópicos maçónicos,
pois desde quando é filantropia emprestar dinheiro a juros.

Concluo o repto atestando o facto de quer a Opus Dei, quer a
maçonaria, estarem ambos impregnados no sistema bancário mundial, não
com interesses filantropos ou caridosos, mas tão somente por interesse
próprio de poder e dinheiro.

Quão vergonhoso é este paradoxo filosófico e doutrinal!

FMI, a COFIDIS da Nação


Não nos iludamos meus caros cibernautas que me auscultam, o FMI é a COFIDIS da nação, meros usurários e agiotas que à custa das nossas dificuldades e irresponsabilidades nos usurpam e nos definham as contas públicas. Trinta mil milhões de euros em juros são um montante pecuniário monstruoso! De referir reiteradamente ao Dr. Louçã que na vertente europeia são 30 mil milhões e não 30 biliões como reiteradamente gosta de proferir. Mas cinjamo-nos ao essencial, à CREDIAL da nação portuguesa. O estado português tornou-se nos últimos anos como uma daquelas famílias que estando extremamente endividadas, se deixam ludibriar por aquelas fortes campanhas semito-financeiras da COFIDIS em que o devedor pode coligir todos os seus empréstimos num único e ser literalmente sodomizado pelos agiotas durante um período extensivo de tempo.

Remetamo-nos ao busílis e á metafísica da questão independentemente do espectro político-partidário onde nos encontremos. A esquerda apelida o FMI de usurários, sendo que não posso deixar de concordar com alguns dos seus argumentos. No entanto parece que a esquerda nesta situação foi avassalada por um rasgo de amnésia aguda que a faz esquecer do passado recente. Não nos esqueçamos que o alto endividamento do estado se deveu às regalias faraónicas que a esquerda concedeu aos portugueses no período pós-revolução de Abril. Unimo-nos à Europa, e quisemos os ordenados da Alemanha sem termos a industria alemã, e ainda para mais tendo mais dias de férias que os alemães o que é escandaloso. Falamos reiteradamente da nobreza social dos países nórdicos esquecendo-nos que a carga fiscal nestes países é monstruosa. Num comício da CGTP que fui recentemente como elemento à paisana soavam cartazes estridentes afirmando, mais salários e mais direitos. E os deveres e as obrigações? A esquerda portuguesa levou o país à bancarrota pois reiteradamente pressionava os sucessivos governos apenas com medidas que aumentavam a despesa do estado. Porque é que na esquerda quando se falam de valores e de ideias reiteradamente se falam de capitais e de montantes pecuniários nas reformas, nos salários e nos subsídios.

A esquerda tem uma apetência por dinheiro inigualável a qualquer judeu ou banqueiro. A esquerda idolatra mais o dinheiro, que qualquer agiota ou usurário. Curiosamente os que conheci de direita são mais comedidos nos gastos, sendo que os de esquerda têm uma vertente consumista muito mais acentuada. A esquerda adora o capital, é vê-los a pedir mais salários, são mais direitos que implicam mais salários, são mais subsídios que implicam mais dinheiro. Entregar o dinheiro aos sectores da esquerda é como queimá-lo na fogueira. Se não temos, pedimos, endividamo-nos, reestruturamos as dívidas e no fim quando vier a insolvência, dizemos que fomos injustamente roubados e fazemo-nos de vítimas e não pagamos. Isto é a esquerda portuguesa: burguesa, consumista, mas ideologicamente plebeia.

Esta história lembra-me aquele meu grande amigo que pediu um cartão aos proxenetas do CityBank. Todos os fim-de-semanas fazia grandes mariscadas, e na altura da conta entregava sempre esse rectângulo de plástico que obedece á proporção áurea, denominado cartão de crédito. Quando estava enterrado até ao pescoço com dívidas, chamava-lhes de usurários pois as taxas que aplicavam eram impraticáveis de pagar. E são realmente uns ímpios prestamistas esses senhores dessas financeiras que emprestam dinheiro a juros. São uns interesseiros, uns agiotas, usurários e especuladores. Mas e quem gastou o dinheiro, não será também responsável e conivente com a situação degradante?

Por isso é que na minha vida pessoal rejeito todas as formas de crédito. Só compro o que posso pagar. Há excepções muito particulares como por exemplo os imóveis. Agora fazer créditos para pagar despesas correntes é altamente flagelante e destrutivo. A esquerda quer ser porreira com o povo, mas numa hipotética coligação entre o PCP e o Bloco de esquerda numa situação governativa, o país afundava-se de vez numa semana.

A direita é ainda mais cretina e imbecil ao coadjuvar com estes agiotas e usurários provenientes do estrangeiro que nos imporão as medidas que teremos de tomar. Parafraseando Manuela Ferreira Leite que se dirigia a um parlamentar: “Se lá em casa é o senhor que traz o dinheiro é o senhor quem dita as regras, e se não o faz, devia fazer”, ou então acolhendo uma frase nobre do povo “Quem dá pão, dá educação”! Ora então para a direita o FMI é a figura patriarcal que vem salvar o país da miséria com uns agraciados e venerados 78 mil milhões de euros, qual pão para as bocas dos famintos lusos, que obviamente traz as normas da educação que terão obrigatoriamente de ser cumpridas. É que a direita tem de explicar muito bem aos ignorantes em matéria de fiscalidade como eu porque é que uma empresa convencional como a da D. Rosa ali no minimercado da rua dos meus pais paga 25% de IRC, mas os grandes bancos só pagam 13,6%. Os bancos em 2007 tiveram lucros na ordem dos 2,4 mil milhões de euros, e não nos esqueçamos que os bancos são na realidade os agiotas e usurários internos da nossa nação, uma espécie de micro FMI dos portugueses.

Mas cinjamo-nos à resolução dos problemas de uma vez por todas. A solução do problema do país é simples: produtividade e empreendedorismo. E estranhamente só ouvi afirmá-lo reiteradamente por parte do presidente do PNR, por Bernardino Soares do PCP e por Garcia Pereira do PCTP-MRPP. Quão estranho ver os nossos políticos com assento parlamentar a digladiarem-se ferozmente e não incutirem ao povo luso o espírito da produção.

A Europa e a revolução dos Cravos têm alguma culpa porque definharam o nosso sector produtivo. E muitas das exportações que ainda vamos tendo, são de empresas estrangeiras com pólos industriais em Portugal como no sector automóvel. Os espanhóis pescam nas nossas águas e temos de lhes comprar o peixe e a fruta, os automóveis compramo-los aos franceses e alemães, os telemóveis aos finlandeses e os móveis aos suecos. Os bons hotéis e os campos de golfe que vamos tendo têm um imposto em sede de IVA baixíssimo, e dizem que é para contribuir para o turismo. Os nossos políticos querem transformar Portugal numa República Dominicana da Europa, pobre, ignorante, sem sector fabril, mas como tem bom sol e boas praias que acolha muitos turistas.

Mas o Eng. Sócrates ainda terá de explicar muito bem ao país porque é que o leite paga o mesmo IVA que o golfe. Por amor de Deus, o golfe? Mas esse homem iníquo ainda não se apercebeu que só jogam golfe os aristocratas e os burgueses.

A solução para a crise, já o afirmei por diversas vezes que é: Produtividade. A nossa população especializou-se a trabalhar em atendimento telefónico ou algo semelhante do sector terciário. A nossa população trabalha essencialmente no terciário e tem aversão às fábricas.

Mais uma vez rogo aos responsáveis políticos: voltemos ao mar, às fábricas, à terra, abolemos as especulações financeiras e do capital que não geram verdadeiro valor, paguemos e cumpramos as nossas responsabilidades contratuais, paguemos o que devemos, eliminemos e erradiquemos de vez as COFIDIS, CREDIAL, CETELEM, CityBank e derivados da nação portuguesa que nos afogam em situações cada vez mais penosas.

Trabalhemos, produzamos e tal como designava Pessoa, cumpramos Portugal.

A deificação de um mercenário


Nicolau Maquiavel referia explicitamente no seu livro intitulado “o Príncipe” que quando um estadista entrega os seus recursos ou recruta mercenários, a desgraça apoderar-se-á da sua nação inevitavelmente. Hoje reconhecemos Maquiavel não como um filósofo ou politólogo, mas como alguém cuja doutrina evoca a disseminação do medo com o propósito do controlo absoluto de um estado ou nação. Mas Maquiavel também criticava abertamente os mercenários, homens sem princípios morais, sem filiações nacionais, sem estado, que combatiam exclusivamente pelas posses financeiras. O que os move é o capital, a riqueza e o poder. Depois de vencida a guerra e conquistada a nação opositora, sequiosos por dinheiro, amealhavam, saqueavam, e pilhavam muitas vezes a nação que os tinha contratado, pois o que os vinculava ao estado beligerante era apenas uma nota contratual, em que os mesmos eram ressarcidos através de altos prémios e bens apoderados à nação derrotada. Mal vencida a guerra, apoderavam-se dos bens da nação que os contratava e acolhia. São homens que lutam não pela fé, ou pela filiação nacional, ou por doutrinas nacionais, mas lutam única e exclusivamente pelo dinheiro. Há historiadores que referem que a desgraça e a miséria em África deve-se muito a mercenários que optam por se juntar a facções apenas por ouro e diamantes. Bem treinados, provenientes de várias nacionalidades, entregam-se aos actos beligerantes com o propósito de enriquecerem desmesuradamente. O Petróleo, os diamantes e o ouro são a desgraça do continente africano. Maquiavel repudiava abertamente todos os mercenários.

Pois o nosso afamado madeirense, especialista na arte de elaborar algumas peripécias na figura geométrica sem lados ou arestas, um objecto esférico apelidado de bola; tem traços muito semelhantes a qualquer um dos que se rege estritamente pelo poder e pelo dinheiro. A sua transferência para Madrid foi a mais onerosa de todos os tempos, segundo consta auferirá cerca de vinte e cinco mil euros por dia, e tal facto é subtilmente acarinhado por todos os meios de comunicação social internacionais. O madeirense que segundo consta era mal pago por terras de Sua Majestade, veio ao encontro dos nossos irmãos castelhanos com o intuito de estar mais próximo da cidade que o acolheu na adolescência, a nossa amada Lisboa. Com a construção da alta velocidade, estaremos mais próximos de Madrid e consequentemente do nosso Cristiano. Poderá o caro adepto mais fervoroso comprar um bilhete pelos módicos duzentos euros e viajar até à capital espanhola para assistir ao espectáculo degradante que é ver a estrela futebolística mais cara de todos tempos correr atrás do objecto esférico referido anteriormente. O Cristiano é acarinhado, tem lugar destacado em todas a televisões e jornais, tem lojas de roupa, acompanham-no por terras do novo mundo, onde descortinam a sua vida íntima e privada com mulheres voluptuosas e ardentes, observam-no na capital do vício e do pecado a gastar as suas parcas poupanças no jogo e no casino. Envolve-se com modelos num simples e factual acto luxuriante, sem compromissos matrimoniais ou afectivos, desvirtua-se com automóveis de alta cilindrada não acessíveis ao comum dos mortais. Ganha fortunas, porque tem o dote de saber dar uns toques. É perverso, ambicioso, pérfido e rege-se apenas pelo dinheiro, Maquiavel diria que temos as condições suficientes para o definir como um exemplo contemporâneo do mercenário. Aquele que se move apenas pelo capital. Que os há, sei bem que há, agora intriga-me observar os média a deificarem-nos, a considerarem-nos como um exemplo de salubridade ética e moral, a tornarem-no num exemplo para as gerações vindouras. O futebol cria as suas estrelas não através do dinheiro, mas através da paixão e do amor pelo desporto criado por terras britânicas. Eusébio viveu com alguma modéstia, apesar de ter sido um dos melhores do mundo e poderá dizer-se o mesmo de Pelé. A paixão pelo futebol nasce na associação entre o factor cultural e desportivo e a paixão por que é regido este desporto. As estrelas não se formam com dinheiro. O humilde Cristiano, proveniente da ilha tão afamada pelos discursos acalorados do Sr. Jardim, parece ter-se tornado na antítese da humildade, tornou-se em alguém altivo, soberbo e arrogante. E a juventude Portuguesa encara-o como o exemplo a seguir, alguém com quem se identificam, alguém que gostariam de ser no futuro, jogador de futebol e claro está, muito endinheirado.
Pois meus caros, o Português mais famoso do mundo, não passa simples e evidentemente de um mero e rude mercenário, que se rege estrita e unicamente pelo dinheiro. E os nossos média decadentes, transformaram-no num exemplo de candura e rectitude. Alguém com quem nos identifiquemos e orgulhemos pelo facto de ter no passaporte a nacionalidade de Camões.