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Em Português feedback é retorno


Como Engenheiro Eletrotécnico do ramo de Controlo, queria referir que a tradução do anglicismo feedback, amplamente mal usado hoje em dia pela maioria dos Lusófonos, é tão-somente, na grande maioria dos casos, retorno.

Como F. V. Peixoto da Fonseca já referia em 1998, o termo feedback aplica-se apenas num contexto muito específico no campo da eletrónica e mais amplamente no estudo de Sistemas de Controlo, e significa tão-somente em Português retroalimentação ou mais simplesmente realimentação, na medida que a variável de saída de um determinado sistema, é de novo, de forma ponderada, inserida na entrada de tal sistema de controlo. Tal permite manter uma determinada variável estável.

Exemplo de retroalimentação ou realimentação no Controlo

Imaginemos uma torneira misturadora eletrónica numa casa de banho que tem um controlador para manter a água sempre a uma temperatura fixa de 25 graus. O controlador dessa misturadora teria de possuir um termómetro para líquidos à saída da bica de água da torneira. Quando a temperatura ultrapassasse os 25 graus, o controlador abriria um pouco mais a válvula da água fria e fecharia um pouco mais a válvula da água quente. Caso o termómetro da bica da misturadora medisse uma temperatura inferior a 25 graus, o controlador faria o processo inverso. Ora, quando o termómetro da bica da misturadora envia a informação da temperatura da água à saída, de novo para o controlador, está a efetuar uma operação de realimentação ou retroalimentação. 

Em sistemas abertos, os mais comuns nas casas de banho, não há retroalimentação, ou seja, é o utilizador que opera manualmente as duas torneiras; ou há apenas retroalimentação biológica, na medida que é a sensação de frio ou calor que faz o utilizador alterar o quão abertas ou fechadas estão as torneiras na casa de banho.

Tradução mais comum

Já no domínio da linguagem corrente, a tradução, no meu entender cristalina, deve ser retorno. O Dicionário em-linha da Língua Portuguesa da Porto Editora tem uma entrada para retorno, onde uma das definições refere "objeto que se oferece em retribuição de outro recebido". Estendendo o objeto a algo menos tangível como informação, poderá, sem qualquer imprecisão referir-se que

depois dá-me algum feedback

deverá então ser substituído por

depois dá-me algum retorno.

Acordo Ortográfico de 1990


Quero apenas alertar que a partir de 2015, o período de transição do Acordo Ortográfico (AO) de 1990 finda, o que significa que quem escrever à luz do AO1945 (ou seja, não respeitando o AO1990) estará a grafar incorretamente as palavras. Claro que pode continuar a fazê-lo, não é ilegal, Fernando Pessoa até à sua morte em 1935 sempre escreveu não respeitando o Acordo Ortográfico de 1911, aquele AO que alterou termos como "sciencia", "prohibido" ou "collocar".

Enquanto funcionário público elaborei um pequeno trabalho de investigação para o instituto para o qual trabalhava em parceria com um colega meu, por isso posso falar com algum conhecimento de causa. Mas simplificando o dilema é o seguinte: ou queremos que a nossa ortografia tenha uma raiz etimológica, como o Inglês; ou fonética, como o Italiano. Repare-se que em Inglês na palavra "woman", a alteração gráfica da última sílaba, altera a pronunciação da primeira. Já na palavra "though" a adição de um 't' no fim da palavra torna a pronunciação completamente distinta. Ora, este método torna a língua extremamente hermética e de difícil aprendizagem. Se o Inglês é hoje uma língua franca, pode ser por diversos fatores, o último dos quais relacionada com a língua em si e a sua ortografia, mas sim muito provavelmente com o facto de ser uma língua usada nos meios económicos internacionais e ter sido historicamente a língua oficial de vários países hegemónicos.

Alguns argumentos padrão de quem está contra o AO1990
  • quem está contra o AO diz que nos afastaremos das outras línguas latinas; contraexemplos: francês objet e castelhano objeto, escrito já sem ‘c’ e antes do AO em PT escrevia-se com ‘c’ | francês projet e castelhano proyecto | italiano oggetto e progetto, escrito já sem ‘c’ e antes do AO em PT escrevia-se com ‘c’ | português vitória, que antes do AO já se escrevia sem 'c', e francês victoire, castelhano victoria, e italiano vittoria
  • diz-se que o ‘c’ e o ‘p’ antes da consoante abre as vogais como em “acto”; contraexemplos: vogal aberta: corar, padeiro, oblação, pregar; abrimos a vogal e não existe nenhum ‘c’ nem nenhum ‘p’ | actual, actualidade, exactidão, tactear; antes do AO, colocávamos o ‘c’ e nunca abríamos a vogal.
  • diz-se que no AO vão haver incongruências entre palavras da mesma família como Egito e Egípcio, Apocalipse e Apocalítico; contraexemplos: antes do AO já se escrevia: assunção e assumptivo, cativo e captor e captura, dicionário e dicção, noturno e noctívago
De referir ainda que as diferenças que hoje assistimos na grafia das duas variantes da língua portuguesa, se devem a uma reforma unilateral que Portugal fez em 1911 sem consultar o Brasil, após a implantação da República. Os republicanos quiseram, tornando a ortografia mais fonética, eliminar o elevado nível de analfabetismo que existia em Portugal na altura. As alterações da grafia na variante europeia da língua portuguesa, à luz do AO1990, representam 1,6% do vocabulário. Estou em crer também, que com a era digital e ganhar cada vez mais adeptos, o AO1990 tornará as duas variantes da ortografia dos dois lados do Atlântico, muito mais legíveis para todos os falantes da língua de Camões. Vede por exemplo o caso da versão lusófona da Wikipédia, onde por questões de diferendos ortográficos, se chegou a ponderar ter duas versões na Wikipédia, uma Brasileira e outra Portuguesa!

O AO1990 já foi adotado por diversos jornais, canais de televisão e pela administração pública portuguesa.

Porque sou favorável ao Acordo Ortográfico de 1990


Opina hoje no Diário de Notícias, matutino que leio com alguma regularidade, o padre e professor universitário Anselmo Borges, onde refere que o Acordo Ortográfico (AO) é inútil e prejudicial. Considero no entanto, que o dito acordo é salutar para a harmonização da lusofonia, para tornar a língua portuguesa mais coerente a nível internacional e para que haja (mais importante ainda no meu entender) uma harmonização da língua portuguesa no espaço cibernético, que está em crescendo, essencialmente entre o atual português brasileiro e o português europeu. Nesse sentido considero o AO fundamental e essencial para a alavancagem da língua portuguesa a nível internacional. De referir que considero que o Prof. e Padre Anselmo Borges, é dos comentadores que mais aprecio ler no DN, um homem com o raciocínio límpido, que me oferenda diversos significados etimológicos dos grandes verbetes da língua e que me transmite os valores dos grandes pensadores da história universal. Todavia, discordo com o conteúdo do seu comentário de hoje ao referir que o AO é inútil e prejudicial.

Já demonstrei porque é que o AO é muito útil: uniformiza a sétima língua mais falada no mundo. Nem o Espanhol, nem o Francês, nem o Italiano, nem o Árabe, nem as outras grandes línguas têm diferenças ortográficas como tínhamos até então na língua portuguesa antes do AO. O caso muito evocado pelos contestatários, do Inglês americano e do Inglês europeu é diferente, pois as diferenças entre estas grafias, são menores (palavras como labor e labour, entre outras) e no caso da língua Inglesa, não existe uma autoridade que define como se devem grafar as palavras, como as Academia de Letras, sendo as autoridades do mundo anglo-saxónica muito mais liberais.

Segundo opina também o padre Anselmo Borges, o acordo é prejudicial pois instiga os falantes a escreverem as palavras de forma incorreta. Creio que mais uma vez, tal é completamente falso. O que faz um falante escrever corretamente é a leitura assídua de jornais e livros com uma grafia coerente e simples; e antes do AO, se não nos tivessem ensinado que na palavra 'actual' havia um 'c' antes da consoante 't', nunca o saberíamos ao ouvir a palavra. Todas as alterações do AO vão no sentido da simplificação, sendo que os contestatários evocam normalmente uma ortodoxia medieval da grafia da língua. De referir ainda que as grandes diferenças ortográficas que existiam antes do AO, deviam-se à reforma ortográfica unilateral que Portugal fez em 1911, após a república.

Deixo-vos aqui alguns dados interessantes:
  • quem está contra o AO diz que nos afastaremos das outras línguas latinas; mas tal é um mito urbano; contraexemplos: francês objet e castelhano objeto, escrito já sem ‘c’ e antes do AO em PT escrevia-se com ‘c’ | francês projet e castelhano proyecto | italiano oggetto e progetto, escrito já sem ‘c’ e antes do AO em PT escrevia-se com ‘c’ | português vitória, que antes do AO já se escrevia sem 'c', e francês victoire, castelhano victoria, e italiano vittoria 
  • um outro falso mito urbano é dizer que o ‘c’ e o ‘p’ antes da consoante abria as vogais como em “acto”; contraexemplos: vogal aberta: corar, padeiro, oblação, pregar; abrimos a vogal e não existe nenhum ‘c’ nem nenhum ‘p’ | actual, actualidade, exactidão, tactear; antes do AO, colocávamos o ‘c’ e nunca abríamos a vogal 
  • outro falso mito urbano é dizer que no AO vão haver incongruências entre palavras da mesma família como Egito e Egípcio, Apocalipse e Apocalítico; contraexemplos: antes do AO já se escrevia: assunção e assumptivo, cativo e captor e captura, dicionário e dicção, noturno e noctívago
O AO não é incongruente e está muito bem estruturado. Existem naturalmente algumas duplas grafias, para que se mantenha coerente com as pronúncias mais vincadas entre os diversos falantes da língua portuguesa, no entanto a partir do AO só existe UMA ortografia para todos os países lusófonos; ou seja escrever 'facto' ou 'fato' está correto no Brasil ou em Portugal.

Normalmente quem está contra o AO, não querendo obviamente macular ninguém, considera que o AO vai-nos por todos em Portugal a falar e a escrever como os Brasileiros, esses povos inferiores das novelas e do samba. Todas as alterações do AO vão no sentido de uma harmonização da língua no espaço lusófono e vão todas no sentido da simplificação.

De referir ainda que as diferenças introduzidas em Portugal são apenas 1,6% do vocabulário. Mas meus caros, a grande ameaça da língua portuguesa não vem do Brasil, vem apenas sim do mundo anglo-saxónico. Qual a percentagem de música em Inglês, que passa nas grandes rádios em Portugal? Qual a língua da música que se ouve, nos grandes clubes e nas discotecas das cidades do país? Qual a nacionalidade e a língua da maior parte dos filmes que se veem na televisão e no cinema? E todos aqueles engravatados que em Lisboa e no Porto, trabalham nas grandes empresas do sector financeiro e de consultadoria, que adoram propalar anglicismos, cuja grafia e fonética são completamente incompatíveis com a grafia lusa. Por certo que já todos ouviram alguém a vos pedir feedback. Eu prefiro a palavra 'retorno', pois por norma não gosto de "alimentar por trás" ninguém.

Concluo apenas, referindo que o AO vai tornar a nossa língua mais robusta contra estes ataques exógenos, pois seremos todos os falantes da língua portuguesa, a defender um património cultural comum e uma língua com uma grafia comum. Por todos estes factos, eu só posso estar favorável ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa em dezembro de 1990.