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Da Europa, dos gregos e da crise


A grande questão que se coloca perante os novos tempos de mudança da política europeia, e mais precisamente a grega, é de saber em que ponto cada um se encontra no contraste ideológico entre a matemática financeira e os interesses do povo grego, e de uma forma mais geral, do povo europeu. Por um lado, devemos ser racionais e não nos deixarmos embrenhar por facilitismos da oratória repletos de sofismas e falácias argumentativas tantas vezes evocadas pela esquerda, e por outro lado, não podemos perder o nossa humanidade e como tal deixar de nutrir um sentimento passional e humanitário pelo próximo, ideários tantas vezes ignorados pela direita. Há muito tempo enquanto Filósofo, que tento procurar a Verdade, e não propriamente procurar a média ou o equilíbrio, entre a esquerda e a direita tradicionais.

Por um lado é verdade que os países sobre os quais recai o fardo da dívida pública, tiveram comportamentos do ponto de vista orçamental, desviantes e erráticos, usando a dívida não para fazer investimentos que promovessem o crescimento económico, mas tão-somente para despesas dúbias do ponto de vista económico, como autoestradas. Por outro lado, o serviço da dívida que cada um desses países paga, é um fardo pesado que impossibilita esse mesmo crescimento económico e por conseguinte o pagamento da dívida. Tal remete-nos para a velha e intemporal pergunta do foro ético-financeira, sobre a quem pode ser imputado responsabilidades perante um empréstimo com juros que não é cumprido, se ao devedor, se ao credor. Por um lado há devedores irresponsáveis, que usam o crédito fácil das economias de mercado para gastos completamente frívolos e sem qualquer retorno financeiro profícuo, como é o caso do crédito pessoal ao consumo; por outro lado, o credor fazendo uso muitas vezes da aflição dos devedores, pratica juros considerados pelo senso comum, como agiotas.

A Grécia, a Fundadora do pensamento ocidental

No caso grego, independentemente de poderem ser perdulários na forma como o Estado cobra receita fiscal, da corrupção endémica das elites, ou da forma cultural como cada um encara os impostos ou o dever público; denoto um sentimento primário em muitos cidadãos europeus, e muito particularmente nos portugueses, contra o povo desta ínclita nação. A Grécia representa em grande parte a fundação da Europa, tendo dado ao mundo a Democracia, a Filosofia e a Ciência ocidentais, o Teatro e grande parte da Arte, já para não falar de uma vasto número de verbetes do nosso dicionário. A própria palavra austeridade provém do grego e significa aproximadamente viver em retidão. Mais irónico ainda é atestar que a própria palavra Euro provém também do Grego, sendo o Euro na antiga Grécia o deus do vento do Leste, pois haviam deidades para cada vento proveniente de cada ponto cardeal. Por evolução linguística, a palavra Euro deu origem à própria palavra Europa. A Grécia é não só a raiz de um vasto conhecimento de que nos legou, como é a fundadora de uma grande parte dos valores ocidentais, essencialmente aqueles da era pré-cristã, muitos deles reacendidos com o Renascimento e com o Iluminismo. A Liberdade, a Democracia, a Arte, a Ciência, a Matemática, a Física, a Literatura, a Filosofia e até a forma como encaramos a nossa participação cívica nas cidades e nos estados, devemo-las em grande parte aos gregos.

Há todavia no mundo, um grupo de grandes membros do capital, que tendo vários ativos em fundos que por sua vez fazem investimentos em dívidas públicas de estados soberanos; que obtêm desses mesmos povos através da carga fiscal, enormes retornos de capital através dos juros. Interessa então perceber como funciona na realidade o mecanismo dos juros. Quando o leitor ouvir ou ler alguém na comunicação social falar em serviço da dívida, na prática esse alguém estará apenas a usar um eufemismo para se referir a juros. Os juros sempre foram ao longo da história milenar, e principalmente durante a era Cristã, encarados como uma prática menos própria e pecaminosa. Os cristãos estavam proibidos de os praticarem perante um empréstimo, sendo que os judeus, por não serem cristãos podiam fazê-lo abertamente. Assim, esta exceção aplicada aos povos semitas que viviam na Europa, permitiu-lhes ganhar bastante capital e riqueza, o que motivou discriminação e sentimentos de ódio étnico. A teologia escolástica proibia os juros, essencialmente porque não os considerava uma prática que estava de acordo com a palavra de Jesus, na medida que o credor, aproveitava-se da necessidade do devedor, para daí tirar lucro. O protestantismo, que de certa forma removeu a demonização do lucro, começou a tolerar a prática de juros como uma ferramenta aceitável numa economia de mercado, desde que fosse aceitável e não exagerado. Hoje a própria lei tipifica a usura não simplesmente como a prática de juros, mas como a prática de juros considerados elevados. Com o advir do sistema capitalista e da criação dos primeiros bancos na Europa, os juros começaram a ser uma ferramenta perfeitamente comum nas relações negociais de foro financeiro. Para alguns devedores os juros não trazem qualquer constrangimento, porque ao firmarem os seus negócios e cresceram em lucro e dividendos, conseguem pagar os juros e por sua vez irem abatendo o valor nominal do empréstimo.

Lei e Estado na Holanda em comparação com Portugal


É interessante observar como a Holanda organizou e reformou o seu Estado e as suas administrações públicas na relação com o cidadão, adotando uma visão marcadamente social-liberal, muito diferente dos princípios tradicionais da social democracia. Vivo em Delft, na Holanda, e as diferenças com Portugal nestas matérias são imensas. A primeira grande diferença conceptual e ideológica com Portugal, é que para a doutrina social-liberal aqui vigente, um serviço público não tem forçosamente de ser fornecido pelo estado. O estado delega essas tarefas a privados, ressarcindo-os proporcionalmente pelo serviço público prestado. E tal princípio abrange os setores  da educação, saúde, regulação do trânsito ou transportes públicos, onde os privados são de longe os maiores fornecedores e distribuidores de serviços públicos, naturalmente ressarcidos proporcionalmente pelo estado. Todavia este regime social-liberal distingue-se claramente do liberalismo clássico ou do liberalismo vigente nos estados unidos, na medida que o estado garante que todos têm acesso à saúde, educação ou subsídio de desemprego, independentemente das suas capacidades económicas.

Ora vejamos vários exemplos: na Holanda o Serviço Nacional de Saúde não é detido pelo estado, apenas regulado por este, mas têm todavia dos melhores sistemas de saúde do mundo, onde todos têm acesso; não têm juntas de freguesia tendo proporcionalmente seis vezes menos administrações locais que Portugal; os correios são totalmente privados e o posto é na papelaria e funcionam bem e até ao sábado; têm apenas uma única força policial nacional; os transportes coletivos são detidos pelo estado mas operados por privados onde ninguém se lembra da última greve, sendo omnipresentes e pontuais. Ter carro é quase um luxo tal é a elevada carga fiscal sobre os automóveis. Dois terços das escolas da rede pública, são de facto detidas e geridas por privados, mas qualquer aluno tem acesso à educação, independentemente da capacidade económica dos pais, tendo resultados bem acima da média nos famosos testes PISA conduzidos pela OCDE. O salário mínimo normalizado na Holanda é cerca de 1500 euros menais, quase triplicando o português.

Forças de segurança

A Holanda tem vindo a reformar desde a década de 1990 as suas forças policiais. Até 1993 as forças de autoridade na Holanda eram compostas essencialmente por polícias municipais. Desde 1993 que as policiais municipais foram reagrupadas em 25 polícias regionais juntamente com uma polícia nacional. Desde janeiro de 2013, que na Holanda há apenas uma força policial nacional, reduzindo custos e tornando-a mais eficiente. Interessante também que trabalham para esta nova polícia 1500 voluntários, que após treinamento têm os mesmos poderes de um polícia assalariado e mais 900 outros voluntários com poderes menores, tendo trabalhos mais burocráticos. 

Em Portugal subsistem PSP, GNR, Polícia Marítima e várias polícias municipais, com todas as estruturas hierárquicas inerentes e com toda a duplicação de tarefas que tal acarreta. Por exemplo, podem multar em Lisboa um carro mal estacionado quer a EMEL, PSP ou a Polícia Municipal!

Fontes: [1] [2] [3]

Serviços postais


Os holandeses foram os primeiros europeus a privatizar os serviços postais em 1989. O número de cartas descia e era preciso cortar nos gastos. Liberalizou-se também a sua ação. O posto de correio aqui no bairro onde vivo é na papelaria e prestam um bom serviço ao cliente. Todavia, portugueses que aqui vivem dizem que desde a privatização, apesar de as cartas chegarem sempre, demoram mais tempo a chegar ao destino. Uma carta para Portugal demora cerca de uma semana a chegar ao destino, embora os gastos que se pouparam tivessem sido segundo consta significativos. Há correio ao sábado e um exemplo interessante de eficiência, é que o carteiro deixa a encomenda no vizinho, se você não estiver em casa! Os carteiros andam quase sempre de bicicleta!

Em Portugal continua a existir o posto de correios tradicional, que há muito que deixou apenas de vender selos tendo-se tornado já quase sim uma papelaria estatal, com vários funcionários e respetivos custos. Creio todavia que os CTT em Portugal prestam um bom serviço postal.

Fonte: [1]

Administração local

Os Países Baixos (Holanda é tecnicamente incorreto pois refere-se às províncias da Holanda) têm 408 municípios, e baixam o seu número todos os anos, sendo que por exemplo em 2012 tinham 415. A Holanda não tem juntas de freguesia ou instituição equivalente, sendo que todos os processos administrativos locais, como o registo de residência, o pagamento da recolha de lixo ou o pedido de número de fiscal são feitos no município. A Holanda tem 16,7 milhões de habitantes numa área igual ao Alentejo dando assim em média 0,58 administrações locais por milhão de habitante vezes milhar de km2.

Tendo Portugal 3094 juntas de freguesia mais 308 concelhos - já após a reforma da administração local - perfaz então 3402 administrações locais. Com estes dados tendo Portugal 10,6 milhões de habitantes em 92,3 mil km2 fica então com cerca de 3,5 administrações locais por milhão de habitante vezes milhar de km2, seis vezes mais do que tem a Holanda. Não esquecer todavia que a Holanda tem 12 regiões com parlamentos e governos regionais, mas muitas das suas funções não são de índole local, são funções que por exemplo em Portugal estão atribuídas a muitas secretarias de estado ou ministérios, como a gestão ambiental, cultural, lazer, gestão de transportes públicos, economia ou agricultura.

Fontes: [1] [2] [3] [4]

Saúde

Na Holanda não há sistema nacional de saúde, mas não fogem do princípio social europeu de acesso total à saúde independentemente das condições financeiras dos cidadãos. Caso a pessoa não tenha condições financeiras, o município paga-lhe o seguro de saúde. Na Holanda cada cidadão é obrigado por lei a ter seguro de saúde, tal como acontece em Portugal por exemplo para o seguro contra terceiros que os automobilistas são obrigados a contrair. No seguro de saúde holandês, o preço mensal para cada pacote é fixo e não pode depender de idade ou de doenças que o paciente possa ter, rondando cerca de 150€ mensais que são descontados no salário para quem trabalha. Embora segundo consta este sistema não seja assim tão eficaz em termos de custos, o sistema de saúde holandês ficou situado em primeiro lugar num estudo que comparava vários sistemas de saúde, onde foram analisadas qualidade, eficiência, acessos a cuidados de saúde, igualdade, e a capacidade de transmitir hábitos de vida saudáveis. Aqui os hospitais apesar de públicos são geridos por privados e as pessoas podem escolher os médicos que querem ir não havendo o conceito de que certo médico precisa de estar associado a certo seguro. Quando os meus pais me visitaram tiveram de ir a uma clínica privada para tratamento e pagaram 20€ pela consulta.

Em Portugal reina a dualidade gritante de um sistema diria iníquo, semelhante ao praticado na América Latina, onde os hospitais públicos são para pobres e os privados para ricos. A taxa moderadora nos hospitais públicos em Portugal é de 20€, aquele valor que os meus pais pagaram para terem acesso a uma consulta no sistema privado aqui na Holanda. Já uma consulta de especialidade em Portugal, ronda para lá dos 100€, um valor que representa 1/4 do salário líquido mínimo no país. Segundo o Eurostat, em percentagem do PIB, gasta-se o mesmo em saúde em Portugal e na Holanda.

Fontes: [1] [2] [3] [4]

Educação

Dois terços das escolas holandesas da rede pública, são de facto detidas e geridas unicamente por entidades privadas. Qualquer entidade privada pode fundar um escola, desde que naturalmente cumpra os critérios pedagógicos e educacionais impostos pelo governo. Mas os programas educacionais permitem uma liberdade impressionante às escolas, para os definirem. Consta que apenas metade dos programas curriculares é definido pelo estado, sendo que a outra metade é definida por cada escola. Tal permite por exemplo ter uma série de escolas bilingue. Obviamente, tal como em Portugal, existem exames nacionais, que servem exatamente para medir sob a mesma bitola educativa, os progressos de aprendizagem dos alunos, independentemente da escola. O estado oferece por conseguinte um cheque-ensino aos pais, por cada criança, e estes podem escolher a escola que bem entenderem para os seus filhos. Se as propinas da referida escola ultrapassarem o valor do referido cheque-ensino dado pelo estado, os pais deverão colocar a diferença. Este método de financiamento do sistema educativo também gera polémica política, por ser demasiadamente liberal e respeitador da liberdade dos pais, pois permite por exemplo, que o estado apoie escolas de cariz religioso, cristãs ou muçulmanas por exemplo, e não apenas escolas de cariz laico. São unicamente os pais quem decide em que escola querem colocar os seus filhos, sob a máxima premissa liberal que são os pais quem melhor sabe o que é melhor para os seus filhos. O estado apenas providencia o cheque, que naturalmente apenas pode ser usado na educação dos filhos. O estado também garante, através da lei da escolaridade obrigatória, que todas as crianças têm de facto educação, evitando por conseguinte eventuais fraudes na utilização dos dinheiros públicos.

Em Portugal, tal como em tantas outras matérias relacionadas com direitos fundamentais, funciona uma dicotomia clarividente entre o sistema público e o sistema privado, tal como ficou evidente na última polémica sobre o apoio público a escolas privadas. Atenção que no meu entender, o governo português agiu bem nesta polémica, pois é contra a racionalidade orçamental, o estado financiar escolas privadas, quando a menos de um quilómetro já existe uma escola pública. A questão é de fundo e estrutural, sendo que o paradigma educacional em Portugal é claramente dicotómico entre setor privado e setor público. Para tal, basta apercebermo-nos que o maior empregador de professores em Portugal, é de longe o Ministério da Educação, com um fardo orçamental em percentagem do PIB, bastante relevante com a sua massa salarial. De acordo com a OCDE, os professores portugueses são dos mais bem pagos do mundo, em paridade-poder-de-compra. Caso os pais em Portugal não queiram que os seus filhos frequentem uma escola detida pelo estado, a constituição naturalmente permite-o; todavia esses mesmos pais terão de pagar a propina da referida escola por inteiro, não tendo qualquer apoio público, senão meras deduções fiscais em sede de IRS. Por conseguinte, esses pais terão de pagar a educação dos seus filhos e, através da fiscalidade, dos filhos dos outros. Naturalmente que as pessoas sem filhos já pagam a educação dos filhos dos outros, e ainda bem que assim o é, a questão fundamental é que o estado deveria ressarcir o cidadão por este ter encargos financeiros com o seu filho, e não necessariamente garantir que as infraestruturas educativas são detidas pelo estado, ou que os lentes espalhados pelo país, são funcionários públicos. Paradoxalmente então, a Holanda apresenta muito maior igualdade no acesso à educação, do que Portugal.

Fonte: [1]

Transportes coletivos

Na Holanda os sistemas de transportes coletivos, quer nacionais como o ferroviário, quer locais como elétricos, metros ou autocarros são normalmente operados por privados sob concurso público. São detidos pelo estado, e é o estado quem define os percursos e os horários em função do interesse público, mas são normalmente operados unicamente por privados. Isto quer dizer que os maquinistas, os condutores, os revisores e a grande maioria do pessoal que trabalha nas referidas empresas, não são funcionários de empresas públicas. Segundo o governo holandês, tal permite maior eficiência e redução de custos para os contribuintes. Por outro lado nunca ouvi falar de greves no sector dos transportes pondo em causa a mobilidade dos cidadãos. O pagamento é feito ao quilómetro, e não ao mês. Pica-se à entrada e à saída em cada transportador com um cartão magnético semelhante ao Lisboa Viva. O cartão é como o Zapping de Lisboa, mas a taxação é ao quilómetro e não à viagem. Existe transporte até para lá da meia-noite, os elétricos são pontuais e omnipresentes e funcionam com regularidade mesmo aos fins de semana. Há comboios durante toda a noite entre as principais cidades e mesmo o preçário obedece a uma ótica liberal de mercado, considerando a lei da oferta e da procura, ou seja, andar de comboio é mais caro na hora de ponta e quase de borla ao domingo à tarde, consoante o tarifário escolhido. Muitos elétricos e autocarros são menos confortáveis que os equivalentes em Portugal, todavia muito mais céleres e frequentes.

Em Portugal apesar de as empresas terem feito um esforço considerável de modernização nos últimos anos, endividando-se seriamente, a maioria das pessoas desconsidera a possibilidade do transporte público muitas vezes apenas por comodismo e considerações culturais. Os comboios urbanos da CP na região de Lisboa são no meu entender mais confortáveis que os equivalentes da Holanda, todavia menos frequentes. Os elétricos modernos de Lisboa são mais confortáveis que os da Haia, assim como os autocarros da Carris não ficam atrás dos da Holanda. Não obstante o investimento público feito em transportes coletivos, em Portugal reina um claro preconceito ideológico, extremamente redutor com referência à ciência dos transportes, sobre que melhores transportes públicos servem os cidadãos e as pessoas em geral. Em Portugal, devido a preconceitos ideológicos, existe uma ideia generalizada que um transporte coletivo para ter qualidade perante os cidadãos, deve ser unicamente detido e operado pelo estado. Essa visão é meramente ideológica e redutora, quando analisamos a qualidade dos serviços de transportes públicos nos países do norte da Europa, da Holanda à Suécia, na maioria dos casos sendo quase sempre operados por privados. O fundamental no meu entender, é providenciar um bom serviço de transportes coletivos, omnipresente e o mais acessível quanto possível, de preferência sem interrupções ou greves, independentemente da natureza pública ou privada do operador do referido transporte coletivo. Em Portugal temos um bom exemplo com a Fertagus. Apesar de a Fertagus ter sido inicialmente financiada pelo estado, com dinheiros públicos e material circulante, é hoje praticamente completamente autónoma, funcionando bastante com as receitas de bilhética, e providenciado na generalidade um bom serviço aos utentes.

Taxação automóvel

Ter carro na Holanda é muito caro. O imposto congénere ao IUC é calculado ao peso e custa aproximadamente em média quatro vezes mais que em Portugal. Vêm-se muito poucos jipes e todo-o-terrenos, pois têm uma fiscalidade muito alta devido ao elevado peso, fazendo com que sejam mais eficientes na mobilidade. A gasolina é das mais caras da Europa, estacionar no centro da cidade ou em parques custa cerca de 5€ por hora, os seguros são caríssimos assim como as manutenções e reparações. Interessante notar, atestando aqui mais uma vez a questão cultural, que empiricamente são os emigrantes e seus descendentes que optam muito mais pela utilização do automóvel, mesmo apesar de terem rendimentos muitas vezes mais baixos, sendo que a maioria dos holandeses usa a bicicleta, e usa-a apenas como uma ferramenta prática, barata e segura de mobilidade quotidiana.

Apesar de em Portugal terem havido alguns avanços na mobilidade em bicicleta, ela assenta muito ainda mais no lazer do que numa ferramenta diária de mobilidade. O carro continua a ser o grande preferido dos portugueses para mobilidade diária, e normalmente quem usa os transportes coletivos ou são os estudantes, que não têm idade para ter carta de condução, ou os pobres, que não conseguem mesmo suster as despesas inerentes à utilização de um automóvel, mesmo apesar de, considerando a economia do país, parecer-me que nas zonas urbanas os transportes públicos prestarem um bom serviço.

Alguns dados

Crescimento económico em dois períodos: 1990-1995, 1995-2001

A Holanda tem uma área igual à do Alentejo mas com 16 milhões de habitantes, tornando-o o quarto país com maior densidade populacional da Europa, tendo acima de si apenas pequeníssimos países como o Mónaco, Chipre e Malta. Todavia não se sente de todo a pressão e viver nas cidades holandesas é quase como viver na aldeia, tal o silêncio, os jardins e a qualidade do ar respirável. O salário mínimo na Holanda é de 1500€ mensais e o médio ronda os 2200€ líquidos em comparação com 700€ em Portugal. A reforma é aos 65 anos. A taxa de desemprego é cerca de 8%, metade da portuguesa. Está em quarto lugar no mundo no índice de desenvolvimento humano.

Estados Unidos da Europa (EUE)


Questionam-se porventura porque o domínio deste blogue é .eu. Este código apenas faz referência não ao pronome pessoal na primeira pessoa do singular mas à União Europeia. Sou um europeísta!

Sou defensor dos Estados Unidos da Europa (EUE), pois a história mostra-nos que o efeito sinergético do conjunto é quase sempre superior à soma das partes. Querer voltar para trás é regressar à Europa feudal da idade média, onde cada um olha apenas para o seu umbigo, o que deu origem a guerras, fome e miséria. A UE precisa de maior coesão e maior solidariedade entre todos os seus membros, mas também de muito maior responsabilidade por parte dos países devedores, essencialmente do sul. É por isso que defendo os Eurobonds, mas só depois de todos os países da Eurolândia colocarem um limite constitucional ao défice, para evitar descalabros financeiros anteriores. Temos diferenças culturais mas temos de saber viver com elas e delas tirar partido económico, cultural e social!

Poderá parecer paradoxal, mas vejo apenas um caminho para sair da atual crise, e o caminho é caminhar em frente. A crise que atravessamos não se deve ao caminho ideológico que a Europa adotou de maior interação e cooperação entre todos, a crise deve-se essencialmente ao facto de não se ter sido mais ousado no caminho traçado. Se os tratados orçamentais tivessem sido respeitados, nunca Portugal teria enveredado pelo caminho desastroso do endividamento que nos trouxe ao estado lastimável em que estamos. Uma Europa Federal obrigaria os países a terem tino nas contas públicas, não forçando os países ricos a obrigar os países pobres aos resgates financeiros, evitando as tensões sociais em ambos. Com contas públicas em ordem não há resgates financeiros e sem resgates, não há tensões sociais nos países resgatados, pois não há lugar a austeridade, nem nos países financiadores, criando um menor fardo sobre esses contribuintes.

Quando era novo, cerca de 12 anos, os meus pais fizeram uma grande viagem comigo por Portugal, e em cada pequena terra a que eu ia, lá via eu as 12 estrelas amarelas sobre o azul, financiando em mais de 50% mais uma estrada de aldeia, um hospital, um lar de idosos, uma estação de tratamento de águas ou de esgotos, uma linha férrea, revitalizando uma zona costeira ou mesmo uma ponte pedonal. A memória não pode ser apagada e não nos podemos nunca esquecer o que ganhámos com a Europa. Cometemos erros e temos de saber aprender com os mesmos para de futuro não os repetirmos, é assim também que os animais racionais adquirem conhecimento, mas as consequências dos nossos erros nunca deverá ser imputada à Europa ou à nossa cooperação europeia. A única que coisa que destrói a cooperação profícua com o próximo são apenas o medo, o egoísmo, a avareza e a desconfiança.  Porque se casam as pessoas, porque se juntam a um clube, sindicato, partido ou organização? Porque o efeito sinergético do grupo é maior que a soma das partes. É assim na vida de cada um, é assim nos estados. A União Europeia é um magno exemplo em como a cooperação entre várias famílias heterogéneas pode ser altamente produtiva para todos e nos momentos de crise, tal como numa família, a solução passa sempre por uma forte coesão.

A religião Cristã, o Direito, a Filosofia, a Política, grande parte da Ciência, das Artes, o Humanismo e o Universalismo devemo-lo à Europa e aos seus génios. Não se esqueçam de Beethoven, Camões, Goethe, Pessoa, Chopin, Erasmo, Espinoza, Newton, Marx, Kant, Sócrates, Einstein, Voltaire, Lutero, Descartes, Verdi, Dante, Picaso, Platão, Cervantes, Mozart, Bohr, Einstein, Nobel, Pedro Nunes, etc., etc.

A Liberdade e o liberalismo económico


Como podem ver no topo deste blogue, há muito que defini para mim mesmo onde se encontra uma das catedrais magnas do Filósofo: a Liberdade. Sigo a doutrina de Voltaire e para mim a Liberdade, não está na moeda, ou na vã hipotética chance de um dia poder vir a ter os carros do Ronaldo (que por sinal não quero pois só me desloco de bicicleta), mas na Liberdade da escrita e do pensamento. No pensamento e na sua grafia está a Verdadeira Liberdade!

Incorrem num erro filosófico crasso aqueles que associam de forma direta liberalismo económico e Liberdade! Associar liberalismo económico e Liberdade, está na mesma relação entre libertinagem e Liberdade. Há que definir o conceito de Liberdade! Para um budista ou para um monge, Liberdade é quando nos libertamos da clausura dos instintos, da lascívia, do desejo, do ódio, da raiva, do medo e atingimos a ascese máxima do ser superior. Para um mação, a Liberdade é quando atravessamos a passagem entre ser profano para neófito no processo de iniciação. Para um humanista ocidental é quando nos libertámos dos esclavagistas. Para Marx a clausura estava na imposição do capital como única referência deificada sobre a qual o mundo económico oscila e que apenas serve para manter a burguesia no poder! Libertar o Homem do capital para assim torná-lo verdadeiramente Livre! Para Mandela Liberdade era poder ir a qualquer lugar que estava destinado apenas aos brancos, mas hoje um pobre na África do Sul, em teoria muito remota poderá, mas é como se não pudesse pois nunca terá dinheiro para entrar naqueles locais que lhe estavam antes interditos. O Apartheid já não é o da cor da pele, é o da carteira! Não é isto também um Apartheid? O Apartheid social?

Há quem ache que a Liberdade está na liberdade de movimento, mas países que se preconizam liberais como o Reino Unido, colocam fortes entraves à liberdade de movimento mesmo de cidadãos europeus, como no caso recente com os búlgaros e os romenos. Em Berlim antes da queda do muro, a zona ocidental da cidade não passava de um pequeno reduto de poucos quilómetros quadrados, rodeados de muros de betão. Todavia, apesar de terem milhares de quilómetros para percorrer enquanto cidadãos livres até ao extremo leste da Rússia, os cidadãos de Berlim oriental saltavam para dentro desse pequeno reduto à procura daquilo que chamavam liberdade. Para os ateus a clausura está em Deus. Houve todavia um Filósofo na antiguidade que disse que só se sentiu Livre quando esteve preso pois ao ficar encarcerado, recebendo muito menos estímulos do exterior, pode verdadeiramente libertar o pensamento sobre pré-conceitos antes estabelecidos. Para Platão a Liberdade atingia-se quando o homem saía da caverna do pensamento, num processo que considerava doloroso! Para Voltaire, que sigo com minúcia, a Liberdade estava essencialmente no raciocínio e na Liberdade de expressão!

Os liberais capitalistas dir-me-ão que sou livre para com o meu dinheiro poder comprar o que quiser. Mas se ganhar o ordenado mínimo, estou matematicamente impossibilitado de comprar um Porsche, logo esse bem é-me vedado à partida. Num estado socialista esse bem é vedado, não por imposição social, mas por imposição administrativa e legal, o que torna a restrição mais passível de protesto, mas com resultados práticos iguais. Dou um outro exemplo bem mais coloquial em como o que por vezes se considera liberdade poderá não o ser. Se o caro leitor (se for uma leitora imagine o processo inverso) tiver uma colega de trabalho que além de ser casada, fosse gira e voluptuosa, será que estaria a ser verdadeiramente livre se a seduzisse para uma noite de prazer? Ao fazê-lo estaria a desrespeitar a sua mulher e o marido da sua colega. O que se faz então em economia perante estas situações é internalizar os custos externos das nossas ações. Neste caso se seduzisse a sua colega de trabalho, poderia por exemplo receber um número de chicotadas, em função da dor provocada ao marido da sua colega e à sua mulher. Em economia o processo é semelhante; deve imputar-se no preço final o custo externo das aquisições dos agentes económicos. Ora no mundo capitalista global nada disto acontece, porque as empresas mais não fazem que externalizar custos. Para que umas calças tenham um preço mais barato, milhares de pessoas trabalham como escravas no Bangladeche. O custo externo da sua condição de escravidão, não está imputado no preço que o consumidor final paga pelo produto. Assim o liberalismo capitalista viola também uma das premissas mais basilares da verdadeira Liberdade, ou seja, o respeito pela liberdade dos outros.

O liberalismo associado ao capitalismo, é assim, do ponto de vista pragmático, não um caminho para a Liberdade do Homem, mas para a verdadeira clausura. Não precisamos aqui de estabelecer a pirâmide das necessidades da Maslow para percebermos que o homem moderno trabalha quase 1/3 da sua vida para saciar as suas necessidades que estão em segundo lugar no topo da pirâmide, como a auto-estima, a confiança ou a conquista. O homem moderno, por exemplo, trabalha seis meses por ano para pagar o seu carro, não para saciar a sua necessidade de mobilidade, mas para saciar muitas vezes a sua necessidade de confiança ou de conquista, sendo o carro em muitos casos uma questão de estatuto e de imagem pessoal perante a sociedade. Mas durante esses seis meses de trabalho o homem moderno destrói as necessidades mais prioritárias na hierarquia piramidal de Maslow, como a convivência com a família ou a sua saúde, destruindo também as necessidades que estão mais acima da pirâmide, como a própria estima ou a criatividade. Estatísticas dizem que a grande maioria dos trabalhadores ocidentais não gosta do trabalho que tem e apenas o faz por causa do dinheiro.

Onde entra então a liberdade no mundo capitalista moderno? O cálculo é simples, é-se escravo e mártir do trabalho 1/3 do tempo, para no outro 1/3 sentirmo-nos livres! O outro 1/3 é para dormir. Ou seja trabalha-se como um escravo, feito mártir nessas 8 horas por dia, numa coisa que por norma se detesta (vejam estatísticas de quantas pessoas gostam do que fazem) para nas horas livres poder-se adquirir os bens que vão saciar as necessidades do topo da pirâmide. Mas se a verdadeira Liberdade está no pensamento, o homem moderno poderia trabalhar menos horas por dia, libertar-se da escravatura dos bens frívolos que verdadeiramente não precisa em nenhuma das necessidades, e com o tempo extra ser mais Livre e ser mais Feliz.

Por isso, é completamente falso que o liberalismo económico preconize a Liberdade!

É a greve no setor público aceitável?



As razões porque assinei, são essencialmente filosóficas relacionadas com o meu forte patriotismo e defesa do interesse público, e acho que o texto da petição é muito claro nesse aspeto.

O artigo 57.º da Constituição da República Portuguesa permite o direito à greve não excetuando desse direito os trabalhadores que prestam serviços públicos. Todavia a própria Constituição consagra no seu texto o princípio da confiança. As greves no setor público têm tomado uma magnitude que o princípio da confiança entre o cidadão e o Estado está gravemente comprometido.

A título de exemplo a CP teve apenas num ano 51 pré-avisos de greve e o sindicato afeto ao Metropolitano de Lisboa anuncia para 2014 uma greve por semana, perfazendo 52 greves por ano. Constata-se claramente que o texto que refere que a greve deve garantir a satisfação de necessidades sociais impreteríveis, não é suficiente para evitar o deficiente serviço prestado pelo setor público devido às greves.

O artigo 60.º da Constituição prevê ainda que os utentes têm direito à qualidade dos bens prestados e já o artigo 66.º consagra a defesa do ambiente. Os transportes públicos por exemplo são uma peça fundamental na melhoria ambiental do país, e as sucessivas greves no setor afetam a sua credibilidade e a qualidade na prestação desses serviços ao cidadão.

Apesar de o governo estar mandatado através do ato eleitoral para ser o poder executivo da nação, na realidade o patrão dos serviços públicos é o povo, pois é o povo que os sustenta através das suas contribuições fiscais, para que desta forma possa daí obter proveitos com a prestação desses mesmos serviços públicos. Uma greve no setor público implica assim por defeito, que as reivindicações laborais não são dirimidas ao governo, mas em última análise ao povo.

No princípio da República, nunca o interesse de um grupo de pessoas (neste caso os servidores públicos), pode colocar em causa o bem comum, ou seja o interesse público. Ao aceitar a greve no setor público, o constitucionalista permitiu, que o interesse de um grupo de pessoas se sobrepusesse ao interesse público. Numa República, o interesse de um grupo de trabalhadores não se pode sobrepor ao interesse geral e comum. A greve do setor público afeta assim, por força inerente das funções em causa, o interesse público e os serviços prestados ao povo português.

Esta argumentação lógica é totalmente diferente no setor privado, pois este não providencia por inerência das suas atividades profissionais um serviço público, sendo a sua missão final o lucro e os dividendos para os seus acionistas.

Assim, vimos pedir para que o direito à greve no setor público seja ilegalizado, ou por Lei, ou por alteração constitucional.

Podem-se referendar os direitos mais basilares?


Foi recentemente aprovada a proposta de referendo para a co-adoção de crianças por parte de casais do mesmo sexo. Os ativistas e a esquerda defendem que não se podem referendar os direitos e os princípios mais elementares do ser humano. Se a sua afirmação do ponto de vista filosófico está correta, todavia não tiveram a mesma opinião em relação ao aborto. É muito mais grave do ponto de vista ético e filosófico um referendo ao aborto do que um referendo à estrutura familiar de uma sociedade. Porque a vida não se referenda, a vida não vai a votos, a vida de alguém não tem valor, e nem mesmo a Democracia lhe pode imputar um valor, já a forma de organização de família numa sociedade, pode! Tratam-se aqui de questões morais, éticas, que não colocam no meu entender em causa os direitos humanos, e referem-se à forma como uma sociedade encara a família e a sua estrutura, onde estão implícitos princípios como a igualdade de género, o género mais da alma do que do físico ou a educação das crianças! Ao contrário do aborto; que mais não é que eliminar uma vida humana indefesa concluindo-se que nunca poderia ter sido referendado; este tipo de princípios é totalmente referendável e a Democracia deve ser chamada a pronunciar-se.

Do ponto de vista político a esquerda neste âmbito incorre num sofisma gritante, já a direita mais não faz do que dar uma "prenda" ao eleitorado da esquerda, e uma ótima prenda, pois não afeta as finanças públicas nem o défice. Fica também demonstrado que os "liberais" que nos governam não têm quaisquer princípios éticos do ponto de vista estrutural e que todas as suas medidas giram em torno de dinheiro e de popularidade!

De Sócrates, o Luso ao Ateniense


Muitos anos antes do nascimento de Cristo nasceu um homem em Atenas, que dava pelo nome de Sócrates. Muito pouco deixou escrito e o que sabemos dele, advém do seu maior discípulo, Platão. Todavia sabemos que Sócrates havia combatido ferozmente aqueles que eram denominados como sofistas. Para quem não sabe, um sofista era alguém dotado de largo conhecimento (do grego sophia, conhecimento) mas que usava esse conhecimento não na procura do bem Maior, a Verdade, mas apenas na satisfação pessoal dos seus interesses. Para percebermos claramente o que é um sofista podemos dar o caso simples dos advogados. Um advogado não defende uma causa porque realmente nela acredite, porque a considere nobre, verdadeira ou mesmo de acordo com a lei, o advogado usa sim, o seu vasto conhecimento das leis, para assim obter o resultado que espera que lhe trará dividendos e reputação. O advogado é assim indubitavelmente por exigências profissionais, um sofista.

Penso eu, que os sofistas representam dos maiores males do mundo, principalmente em países do sul onde o sangue é mais quente e as pessoas se deixam levar mais facilmente pelas falácias em termos de lógica e retórica. Os sofistas são exímios oradores e ardilosos, são conhecedores da retórica e da lógica, mas usam-na para violarem o bem Maior dos Filósofos: a Verdade. Não é de estranhar assim que o Parlamento esteja repleto de sofistas, em todos os espectros parlamentares, desde a esquerda à direita. O objetivo do sofista, que nunca leu Kant ou Platão, é unicamente elaborar uma série de argumentos aparentemente válidos, para ludibriar o ouvinte, para que este satisfaça os seus próprios interesses pessoais e de conforto.

Sócrates o Ateniense, criticou no seu tempo de forma severa os sofistas, assim como Cristo na sua era criticava os Fariseus. Chamava-lhes de interesseiros e hipócritas que mais não faziam que ludibriar os jovens com uma retórica ardilosa e um léxico rico, para desta forma estes lhes manterem o bem-estar e o status quo. Ora Sócrates foi tão assertivo no combate aos sofistas, que foi condenado à morte. A razão explanada por parte dos seus carrascos era que estaria a corromper os jovens. Sócrates todavia apenas referia que lhes queria apelar para procurarem a Verdade. Este homem que andava muitas vezes descalço, apenas com uma túnica branca, era assertivo na oração, austero nas posses e frugal nos costumes e hábitos alimentares. Ficou para a história universal como um exemplo de probidade e de defesa inalienável de valores e princípios, tendo sofrido a pena capital por tal perseverança. Platão deixou-nos o seu enorme legado, através das suas diversas obras.

Eusébio para o Panteão Nacional?


Com a morte de Eusébio lançou-se o debate se o seu corpo deveria ou não ter lugar no Panteão Nacional. Sou um fervoroso opositor e crítico do fenómeno do futebol em Portugal e a da alienação pública em terno deste fenómeno, criando promiscuidade entre sector político, construtores, o sector imobiliário e o poder político. Tento ponderar friamente no assunto sem emoções a quente. Bem sei que agora estamos todos de coração quente quando ouvimos mencionar o nome de Eusébio. Mas reparemos também que o fenómeno de Eusébio ultrapassa em muito o futebol. 

Eusébio é um símbolo maior, é um símbolo de um Portugal ultramarino e colonial, é o símbolo de um Portugal imperial, pois o menino que nasce em Moçambique torna-se símbolo maior de Portugal. É um símbolo maior da difusão do nome de Portugal no mundo durante o séc. XX. Se me pedissem para escolher três figuras do séc. XX português mais notórias e que mais disseminaram o nome de Portugal em todos os campos pelos melhores motivos, desde o futebol à política passando pela cultura e pelas artes, diria que foram Pessoa, Amália e Eusébio, quer gostemos do fenómeno do futebol quer não. Mesmo quem não gosta de fado, não pode deixar de concordar em parte que Amália merece o lugar no Panteão Nacional. Se o Panteão não tem mais espaço para as grandes figuras do séc. XX, tal é outro fator que transcende a minha opinião. 

Mas a resposta a este problema é fácil de obter: perguntemos a um chinês de Pequim o que sabe sobre Portugal! Todavia, para pensarmos de cabeça fria, acho que devemos retomar este assunto dentro de um ano. Lá pensaremos friamente e veremos o quão motivados estaremos na altura em colocar Eusébio no lugar onde jazem as grandes figuras de Portugal.

On the discrimination and free speech Question


Today as I was speaking with some work colleagues here in the Netherlands where I am emigrant, during the coffee break, one of them got quite offended when I made a slight joke about Jews. We were discussing how the Dutch are quite rational, when the mobility issues are concerned, which I strongly agree, and they were disagreeing with me, saying the Dutch rationality always applies to money. They were referring the Dutch national healthcare system is just money oriented, and not that much concerned about taking care of people. I replied on a quite naive way "They were founded by Jews".

One of my colleagues was so upset with my cliché that I got really amazed how can such a naive joke, create such a harm. I replied that we cannot now, create another dictatorship in which some subjects are not allowed to mention. He replied that, I touched a very sensitive cliché, a forbidden subject. After strong reflexion and meditation I realized that his reaction can only has one explanation: trauma.

The country where I come from, Portugal, was never directly involved in the second world war, we didn't have holocaust, nor any kind of strong Nazi propaganda. We were not invaded by any panzer Blitzkrieg, our cities were not bombarded, and considering the fact that our dictator at the time made the country officially neutral, we were not that affected by WWII as other European countries were. So, after the war, the collective feeling was not traumatic regarding the war effects. We have also our collective traumas, for example in Portugal, it is almost forbidden to publicly say anything positive about our ruler and dictator Salazar, who governed the country for 40 years between 1928 and 1968. And without any type of doubt, he put the public finances in order at that time. That's the scientific definition of trauma: you loose your reason due to a painful experience and you're commanded by fear. This type of individual experience can be generalized to a collective experience if we speak about a group of people or a nation.

What is my philosophical approach to such issue?

We shall never, never, never discriminate anyone, due to its gender, race, ethnicity, nationality, age, religion, sexual orientation or any kind of distinguishing features. That is basically what is stated in every country's constitution in the western world. But a black man, will always be black, and a white man will always be white (I had a very good friend of mine that used to tell me "I'm not black, I'm brown"). The truth, which I will not abnegate as a Socratic and Platonic follower, tells me that I will never discriminate a black man for being black, and I will always fight anyone who tries to do it, but the colour of their skin will always be different from one white man. As the true precise pictorial colour of my skin it is at some point different from my brother's. In the nineties in Portugal we had an outstanding public campaign which describes my point: "All different, All equal".

During all my life I had black friends and black mates, my best friend when I was at high school was black. When I was still a child I had a black nurse, so I keep the most passionate and respectful feelings towards black people. We shall never discriminate anyone for being black, white, yellow, Jew, Christian or Asian, and the Netherlands has a very good positive example to give the world, but we cannot at all, mislead the Truth, based on such precepts. When I say for instance to someone, that statistically, black people are more successful in Olympics, when the sport demands athletic premises, I am accused of being racist. Shall the numbers be neglected? If I say that, statistically, the Portuguese are not that good at Chess in the international contests, am I making any kind of national discrimination? If I say that, statistically, Asians are very good on Olympic gymnastics, am I making an ethnical discrimination? If I say that Dutch are taller than the Portuguese, am I making a national discrimination?

And what about the jokes

A free person with no traumas accept any type of jokes. If there is a fat boy, that always has been fat, and feels psychologically depressed and pain due to its weight condition, if someone makes a joke about fat people, it will harm him. The same applies to gays in Europe, to black people in north america or to Jews in Germany. A trauma, caused by a painful experience, makes the jokes regarding those subjects, not a pleasurable, but a painful experience. I am a Christian and I realize that almost anyone nowadays can make jokes about the Pope, about Jesus, about Mohammed or to any kind of sacred symbol. It harms me a bit, but I simply don't care, because I try to have an open mind. When some time ago Danish and French newspapers made some cartoons about Muhammad; after strong protests, European leaders basically stated that, the european case law, having freedom as one of the its main pillars, would allow any type of critics and jokes. They forgot to mention, that any kind of similar jokes towards Jews or gays, are not at all socially accepted or tolerated in Europe. Recently, the Portuguese gay and lesbian organization was publicly chocked, even considering a criminal process, because a famous popular singer made a song joking with the gay marriage. And this singer, publicly said, that he agrees with this type of marriages.

Conclusions

I have many years ago established my boundaries on what I can say or do, and for me human life, is and always will be, sacred and inviolable. It seems it is not like that in every culture. For instance in USA it is more socially open to criticism a public joke about gays, than the bombarding of Bagdad. Obviously that we don't want, as good humans we are, to harm other people's feelings, so we shall be sensitive to issues that can cause psychological harm or discomfort. But human life is much more important than psychological discomfort, and despite the fact you may say that one thing is not connected the other one, we shall always prioritize what is more socially allowable. And the pathway to the Truth demands pain (read the Allegory of the Cave, from Plato), and we, as freeman and freewoman, want to be able to address any type of subjects without fear or constraints, always with the maximum respect to human life and any type of race or creed. My conclusion is that orality is much more powerful when the feelings are concerned, so, these subjects preferably shall not be talked, but simply written, as reading a subject obliges the reader to have a more analytical and reasonable approach to hot issues.

O neo-clero: os elementos da seita dos mercados


Na idade média, antes do aparecimento da burguesia, haviam essencialmente três classes sociais: os nobres que detinham as terras e faziam a guerra; o povo, que trabalhava para os nobres, pagava-lhes impostos e servia na guerra normalmente na infantaria; e o clero, uma classe dotada de conhecimentos intangíveis que dominava os assuntos do sagrado da ordem ideológica vigente.

Os nobres eram os capatazes do povo, geriam os seus negócios, a sua diplomacia militar e territorial com a coroa e defendiam o território contra as invasões de exércitos inimigos, sendo a sua missão mais importante a preservação da soberania territorial. O povo, era quem trabalhava, era a mão de obra de qualquer país, e dele vinham os elementos mais frágeis que serviam nas guerras medievais. Os mais hábeis poderiam servir de arqueiros, por exemplo, ou de cozinheiros para o senhor feudal. Os elementos do clero, eram aqueles que hoje sem qualquer margem para dúvida se denominariam de "parasitas". Entendidos nos domínios da ordem ideológica e teológica vigente, não trabalhavam, não pagavam impostos, não pagavam qualquer tipo de rendas, e ainda recebiam habitações luxuosas, rendimentos generosos, alimentação e transporte gratuitos. E quem pagava tais benesses? A coroa ou os nobres, que por sua vez obtinham através de impostos que cobravam ao povo.

E como mantinha o clero este estatuto superior e quase sacral? Baseavam-se nos Evangelhos, no seu sapiente conhecimento e no medo instituído ao povo do Todo-o-Poderoso, para que o povo fosse explorado e se limitasse a trabalhar para si. O clero era assim, um extrato da sociedade que de tangível nada produzia, e que nem trazia qualquer mais valia económica, social ou intelectual para a nação. O seu domínio era o domínio do intangível, e por esse conhecimento deveria levar uma vida faustosa onde a frugalidade e a temperança não eram termos postos em prática. Foi também devido a este tipo de sectarismo social e a este estatuto quase sacral que o clero de então levava, que se deu origem à denominada Reforma, dando origem às igrejas protestantes.

O aborto e as questões da "opção"


Para os sofistas bárbaros, infanticidas e medíocres que advogam a "opção" nas questões do aborto, conto-vos uma pequena estória que me contaram há mais de 20 anos.

Num campo de concentração nazi, havia uma jovem mulher judia, que tinha dois filhos gémeos menores. Um oficial nazi de elevada patente, aproxima-se da mulher com um revólver em riste apontado para as crianças e pergunta:
-Qual dos dois quer ver morrer?
A mulher em choro desesperado e aos gritos refere:
-Nenhum, por favor nenhum.
O oficial nazi responde:
-Dou-lhe a opção de escolher. Caso não escolha nenhum, mato os dois.

A génese do Mal: estados unidos da américa



Às 8:15 de 6 de Agosto de 1945, um avião de nome Enola Gay, larga uma bomba de nome Little Boy na cidade de Hiroxima. CEM MIL PESSOAS SÃO FULMINADAS EM NOVE SEGUNDOS.

Concluo aquilo que qualquer humanista não pode deixar de concluir. Enquanto a américa existir enquanto nação, a Humanidade não terá paz, os estados unidos da américa representam o Mal da Humanidade, um cancro para o Homem, e esse cancro precisa de ser curado, com Amor e com a Palavra, nunca com violência. Os estados unidos da américa representam o Mal para a Raça Humana, representam a doença mais nefasta que a Humanidade já presenciou, são um vírus que precisa de vacina. Os estados unidos são uma doença funesta, uma doença mortal, uma doença que tem cura, e essa cura chama-se Amor e Palavra. O Mal trata-se com o Bem. A violência cura-se com a Paz, o ódio cura-se com o Amor. O Mal que representa os estados unidos enquanto nação e enquanto ideal cura-se com o total desprezo e repúdio pelos seus ideais, pela sua cultura desprezível, pela sua música, pela sua cinematografia fútil e horrenda, por desprezo com todos os seus presidentes, por desprezo com todas as suas celebridades, por total desprezo com todos os representantes da sua cultura, da sua diplomacia e dos seus ícones culturais. Os estados unidos da américa representam, na iconografia metafórica religiosa, Satanás. Mas o Satã não se combate com a espada, mas com a caneta. O Satã não se combate com o sangue, mas com a Palavra, o Satã não se combate com o ódio, mas com o Amor. Hoje declaro guerra aos estados unidos da américa. É a guerra fria da Palavra e da Paz, do desprezo e do repúdio. É impossível o meu coração ficar indiferente perante este horrendo desprezo pela raça humana. A américa enquanto nação, com os seus ideias, e não os seus habitantes obviamente, representa a verdadeira génese do Mal. Este é um cancro que muitos veneram, e eu não sou um deles. E para esse cancro há uma cura: Palavra escrita que reponha toda a Verdade sobre a desumana crueldade perpetrada pelo império do Mal.

A bicicleta e as visões de um republicano



Sou, fui e sempre serei republicano, pois quem deve eleger os representantes máximos de uma nação é o povo, não o sangue. Todavia não deixo de, enquanto fiel seguidor dos princípios republicanos, ficar estupefacto pelo facto de os valores estarem completamente invertidos. Em Portugal, o presidente da República leva uma vida faustosa, queixando-se dos seus "parcos" rendimentos e viajando sempre em opíparas viaturas pagas com os impostos dos contribuintes. Segundo consta a presidência da república tem gastos superiores à casa real espanhola. Já a monarca holandesa, princesa Máxima, nas cerimónias públicas apresenta-se de bicicleta como neste caso na inauguração de um jardim público. Cavaco Silva, há muito que corrompeu os ideias republicanos, a começar pelo da igualdade.

Perdoai-me portugueses, não quero ser agiota


Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre que está contigo, não te haverás com ele como um usurário; não lhe imporeis usura. Êxodo 22:25 


As progressões geométricas são fodidas,
e os portugueses foram tidos como incautos
O Orçamento de Estado para 2014 é dos mais duros e dos mais rigorosos nos cortes salariais aos funcionários públicos sendo que a austeridade já havia feito cortes de diversas regalias sociais como por exemplo as pensões dos ex-funcionários públicos. Caros leitores, sou matemático, estudei matemática e dou lições de matemática, não contem por isso comigo para alinhar na lógica populista e demagoga da esquerda neoburguesa. Mas confesso que já estou enjoado com o cartel de economistas com linhas de pensamento liberal, que sistematicamente refere que é preciso cortar na despesa do Estado, para manter as contas públicas em ordem, quando não ousam referir uma única palavra em relação aos juros abismais que o país paga aos agiotas.

Quando o país estava à beira da bancarrota em 2011, emprestei 1000€ aos portugueses através de títulos do tesouro nos CTT. Passados dez anos, os Portugueses pagar-me-ão quase 2000€ numa taxa de juro composto de cerca de 7% ao ano. Ou seja, os portugueses, que vivem na pobreza e na miséria, pagar-me-ão a mim, credor do estado, o dobro daquilo que pedi.

Dir-me-á a tríade de liberais que berra contra a despesa do Estado – por exemplo o Raposo que escreve no Expresso, o César das Neves que escreve no DN e o Medina Carreira  – que os juros estão indexados ao mercado e por menos que isso não se emprestava dinheiro a Portugal. Então coloquemos de uma vez as contas públicas em dia e expulsemos de vez os agiotas. Sou matemático, e não é preciso ter fundamentos de aritmética mais complexos que um qualquer merceeiro para perceber que se Portugal nunca teve excedente orçamental desde a revolução de abril, mais tarde ou mais cedo, o país entraria em falência sem conseguir pagar os seus compromissos (a seita engravatada aduladora dos mercados denomina default a este cenário).

O que me deixa mesmo muito indignado, é que nunca ouvi de qualquer economista de pensamento liberal, e que tenha algum amor próprio à nação, revoltar-se contra os juros abismais e agiotas que o país paga aos seus credores. Portugal paga em 2014 cerca de 7,2 mil milhões de euros apenas em juros o equivalente ao que paga para o SNS, é um BPN por ano. Neste orçamente de estado para 2014, estão então alocados os tais 7,2 mil milhões de euros só para pagamento de juros que representam 4,3% do PIB, que é exatamente a meta do défice para esse ano. Simplificando, se Portugal desse o calote apenas nos juros (diga-se por sua vez agiotas), pagando naturalmente como pessoa de bem, o valor que pediu emprestado, não precisaria de ter feito todos estes cortes anunciados no OE2014 e ficaria sem défice público orçamental. Parece estranho, não é?

Portugueses, quero assim publicamente pedir-vos perdão pela minha prática usurária. Não sinto que após 10 anos enquanto credor, mereça receber o dobro daquilo que vos emprestei. Se pensardes que muito provavelmente gastaria esse montante em compras em Portugal, parte desse dinheiro poderia ser injetado na economia nacional. Todavia, grande parte da dívida pública portuguesa, está nas mãos de agiotas capitalistas internacionais, que mais não fazem que emprestar dinheiro aos países, para viver à conta dos juros usurários que lhes praticam. O memorando da tróica, e concordo totalmente com o PCP na adjetivação mas por motivos ideológicos distintos, é assim um pacto de agressão aos portugueses. Dizer que o país não teria dinheiro é falso, completamente falso. Não continuaria a máquina fiscal a funcionar e cobrar impostos? Os impostos não chegariam para as despesas? Solução: calote aos juros e aos bancos das PPP rodoviárias e que os mesmos nos penhorassem então as autoestradas. Só nestas duas parcelas estão cerca de 7% do PIB.

O neoliberalismo e a lógica de mercado assenta os seus ideias no primarismo do ser humano, nos sentimentos mais primários, como a posse, a aversão à partilha, a intriga, a querela, renegando o cooperativismo e a entreajuda. Já o comunismo, sob a capa de um comunitarismo, apenas instiga a um dos sentimentos mais primários e mais heréticos: a inveja dos bens do próximo. Evoquemos assim uma república de Platão, autor para quem os juros era uma prática injustificável. Tenho pena que João César das Neves - dizem que é católico mas nunca deve ter lido as Sagradas Escrituras – nos omita nas suas crónicas a referência aos juros.

É que houve em tempos um usurário cristão-novo que se dedicava à matemática negra (a matemática ao serviço do mal) e que começou a usar um ábaco para fazer uns cálculos elementares, e concluiu facilmente que a um juro de “apenas” 7% ao ano, como é composto, passados 10 anos, o devedor já lhe deve o dobro daquilo que lhe emprestou. Passados 40 anos, deve 15 vezes mais. Os agiotas dominam muito bem as progressões geométricas.

Portugueses, quero assim reiterar, enquanto seguidor da matemática benévola e da Bíblia, que não me sentiria bem em receber passados 10 anos, o dobro daquilo que vos emprestei, assim sendo, quero apenas os 1000€ mais o valor da inflação, e nem mais um cêntimo. Se aceitasse a agiotagem praticada sobre vós, precisaria de um papa para me confessar, assim sendo o diferencial correspondente, deixo aqui lavrado, entregarei como doação ao Estado.

Uma das virtudes da Democracia...


Uma das virtudes da Democracia, é que a culpa da mediocridade da classe política, é sempre do povo!

Slavery for Mankind has a name: Capitalism!


Man lives within an orgasmic information society. It is becoming very hard to filter what is really important and what is pure white noise. Man's main goal is to not care about intellect, philosophy nor analysis, so humans have become beings whose only purpose is to seek frivolous pleasure appealed by hedonistic impulses, and seek not more than the satisfaction of primary instincts. 

Humans are bombarded with ads, films, songs and pictures whose Freudian signs have the unique goal of provoking in the targeted being, the most biggest anxiety for one only purpose: consumption. All the economic "welfare" machine is then lubricated, and natural resources become dangerously shrunk. Men are then slaves of money, as it has become the most important asset in the modern world lifestyle. The new gods on earth are not any more Christ, Muhammed nor Gandhi, they are Ronaldo, Oprah Winfrey and Lady Gaga, simple and humble people that always lived as mercenaries do: collecting money.  

Man became then slave of his own race. 80% of the worldwide wealth is in the hands of less than 5% of the population. These elites (commanded by Satan for the believers) control banks, armies, unions, corporations, media, governments and all the financial system. They have just one goal: power. Like beasts in the jungle, they just need more and more power to control more animals and more land. Modern human beings pay then with their work, slavery and money the satisfaction of their "needs". We call this system: Capitalism!

Os enviados de Satanás



Não sou muito dado a questões religiosos, a rituais eucarísticos ou a sincretismos. Não acredito em exorcismos e sou um devoto defensor da ciência e da Verdade. Mas sou crente, creio num Deus, um pouco indiferente a cada peculiaridade ou capricho da natureza humana, mas um Deus que no alto da sua Justiça, repõe sempre o magno equilíbrio da Verdade. Como se diz interessantemente em Inglês, Deus escreve-nos através de meios misteriosos, ou de uma forma mais bacoca, Deus escreve direito por linhas tortas. Não creio que Deus seja bom (apesar da similaridade gráfica entre God e Good), mas também não é mau. Não é consensual, nunca o será e a característica que Deus mais abomina é o consenso. Esquecei-vos vós que dos processos mais consensuais na história da Humanidade e o mais bárbaro, foi o processo de Cristo. O povo pediu a morte do Messias, e Pôncio Pilatos acedeu.

Assim a Verdadeira Justiça, é a Justiça Divina. Não, não é aquela que os clérigos, os teocráticos e os religiosos entendem como divina. Essa, na maioria dos casos, é satânica, pois serve apenas para satisfazer interesses próprios na manutenção do estatuto e das benesses da elite clerical. A justiça Divina é a que é dada por Deus, e Deus é um ente Racional, assim, a justiça que o Homem concebeu após o iluminismo é mais Divina que qualquer Santo Ofício. A Justiça, exige tempo, exige racionalidade, exige sangue frio, e exige acima de tudo princípios. A boa Justiça não pune, apenas evita e dissuade o crime, mantendo a Ordem. A punição, no sentido comum da palavra tem apenas um cariz emocional de vingança e a verdadeira Justiça, pode ser tudo, menos vingativa.

Tenho visto ultimamente vários filmes da propaganda sionista, aliás os judeus são exímios difusores de propaganda, fazendo reiteradamente passar-se por vítimas. Não, nunca na vida defenderia qualquer tipo de atrocidade contra a raça humana e o nazismo foi das mais hediondas barbáries que a civilização já presenciou, ponto. Os campos de extermínio, a “solução final”, e todas as atrocidades cometidas pelos oficiais nazis, foram das mais hediondas e inqualificáveis atrocidades que o Homem, fez contra si mesmo, ponto. Mas tal, não me impede de questionar, impede? Os sionistas são exímios em vitimar-se, através da propaganda melodramática e cinematográfica. O que não faltam, são filmes com belas estórias melodramáticas de como os judeus sofreram com o holocausto. Segundo consta a máquina nazi, conseguiu exterminar 6 milhões de judeus, o mesmo número de pontas da estrela de David.

O marxismo e a neoburguesia


Segundo Karl Marx, filósofo alemão que gerou os princípios económicos e filosóficos que deram origem ao socialismo e ao comunismo, o burguês é aquele que detém o meio de produção, e cujas sociais preocupações são o valor da propriedade e da preservação do capital, a fim de garantir a sua supremacia económica na sociedade. Há que tentar perceber, a época histórica em que Marx escreve o seu “Capital”. Para Marx, a Lei, a Moral e a Religião, estão todas ao serviço da classe burguesa, que imiscuindo-se com o capital no poder legislativo, na política das religiões e nas doutrinas filosóficas, fazem com que os burgueses, mantenham assim a supremacia económica sobre o povo, este último acorrentado com as suas doutrinas sociais.

Marx, escreveu o seu Capital e o seu Manifesto Comunista, numa época, onde havia na Europa e na América, grandes assimetrias sociais, daí a génese da luta de classes estar sempre bem vincada na sua doutrina. No seu manifesto comunista refere que “a sociedade divide-se cada vez mais em dois vastos campos opostos, em duas grandes classes diametralmente opostas: a burguesia e o proletariado. A burguesia desempenhou na história um papel eminentemente revolucionário. Onde quer que tenha conquistado o Poder, a burguesia destruiu as relações feudais, patriarcais e idílicas. Ela despedaçou sem piedade todos os complexos e variados laços que prendiam o homem feudal a seus "superiores naturais", para só deixar subsistir, entre os homens, o laço do frio interesse, as cruéis exigências do "pagamento à vista". Afogou os fervores sagrados do êxtase religioso, do entusiasmo cavalheiresco, do sentimentalismo pequeno-burguês nas águas geladas do cálculo egoísta. Fez da dignidade pessoal um simples valor de troca; substituiu as numerosas liberdades, conquistadas com tanto esforço, pela única e implacável liberdade de comércio. Em uma palavra, em lugar da exploração velada por ilusões religiosas e políticas, a burguesia colocou uma exploração aberta, cínica, direta e brutal.” 

O Auto da Barca do Inferno séc.XXI




Parte I - Inspiração

Meu nobre Gil Vicente
és o meu génio inspirador
pois quem diz a Verdade e não mente
merece honras e louvor

Escrevo-te neste Inverno
este verso teatral
Escreveste: "o Auto da Barca do Inferno"
Escrevemos Portugal

Muito pouco mudou desde então
prezado Gil Vicente
pois há muito fidalgo e ladrão
que continua entre a gente!

Fidalgos são os jet 7 de merda
que vivem à custa do desgraçado
e há muito fidalgo de esquerda,
há muito fidalgo advogado!

Para onzeneiros, temos o Dr. Ulrich
assim como o Dr. Jardim Gonçalves
Pois na TV, pedir crédito é fixe
Agiota, que do Diabo não te salves

Os frades meu caro Gil, já não dão esperanças
no teu tempo andavam com raparigas
pois agora andam com crianças
que ficam com infâncias perdidas

A alcoviteira continua aqui
a cada Correio da Manhã
aquelas páginas que eu lá no meio vi
são Evas que morderam a maçã

Os judeus usurários estão no capital
vestem fato e gravata p'la manhã
estão na troika e em Portugal
vêm lá todos do Grande Satã

Lisboa Participa | O delírio dos lugares de estacionamento...


Av. Visconde Valbom, Lisboa, uma pequena artéria em Lisboa
com 4 vias para estacionamento, 2 para trânsito e passeios esguios,
Imagens Google
Apesar de ser um fervoroso defensor da Democracia, considero tal como Platão, que por vezes é preciso alguma maturidade intelectual para se poder exercer o direito de voto. Com isto não quero de todo tornar o ato do voto elitista ou cingi-lo a uma determinada classe, até porque grande percentagem da população já nem vota por opção própria, mas considero que um dos grandes males da democracia populista, que é a que temos, é que medidas fáceis e imediatas que dão votos, são sempre evocadas pela grande maioria da classe política.

É aqui que entra o delírio do estacionamento nas nossas cidades no campo da administração local. A EMEL (Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa) que já gastou milhões de euros em estacionamento, planeia gastar mais uns tantos milhões nos próximos anos com estacionamento na cidade. Para o Campo das Cebolas, um amontoado de latas neste momento, a autarquia pretende construir um silo para automóveis. A empresa municipal apresentou ainda um plano para expansão de área à superfície, e anuncia parques para, além do Campo das Cebolas, Rego, Mercado de Arroios, Alto dos Moinhos e ainda mantém o silo no Corpo Santo. O mesmo já foi pensado para o Príncipe Real e já foi ainda instalado um na Calçada do Combro a mando do pior autarca nacional de todos os tempos, Santana Lopes, sempre entregue às demagogias das necessidades de algo tão "fundamental e sacral" como o automóvel. Irá avante o silo para estacionamento para o Largo do Corpo Santo, no Cais do Sodré, contra a vontade da maioria dos moradores. E isto tudo surge da notícia que refere que a EMEL vai investir até 2013 mais de 33 milhões de euros em estacionamento. Nunca se consegue alimentar este "monstro" mesmo que presentemente a EMEL já conte com 21 parques de estacionamento em Lisboa, mais os vários milhares de lugares na via pública. Aliás, uma pesquisa crua, por um portal turístico, dá conta de 177 parques de estacionamento em Lisboa, fora os lugares na via pública. Se considerarmos que Portugal está no terceiro lugar da UE com mais carros por habitante, com cerca de 570 automóveis por 1000 habitantes, vê-se claramente que nem que se invista metade do Orçamento Geral do Estado em estacionamento, conseguiremos "alimentar o monstro"!