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Da diferença e da igualdade de sexo


O ser humano é um animal político

Tenho refletido muito sobre a questão da denominada igualdade de género, e claramente trata-se, posta a questão nesses termos, de uma questão meramente político-ideológica e com uma abordagem muito pouco científica, mormente quando falamos do ramo da Biologia e da Psicologia Evolutiva. É natural e compreensível que os indivíduos inseridos numa sociedade tendam a promover a paz social e a igualdade, e por conseguinte, a plasmar princípios ideológicos na doutrina política. Assim, é natural que pessoas com mediatização tendam a aproximar o discurso público, a um discurso politicamente ponderado, visto que tais manifestações públicas são auscultadas por muita gente, particularmente tanto homens como mulheres. O "politicamente correto" não deve ser encarado de forma pejorativa, pois trata-se muitas vezes de expressar as ideias de forma um pouco mais diplomática. Mas negar as diferenças biológicas ou psicocognitivas, em média e em termos estatísticos, entre homens e mulheres, é simplesmente negar as evidências científicas a bem do status quo político-ideológico.

Os homens, em média, são mais altos que as mulheres

Distribuição normal da altura de homens e mulheres.
Fontes: [1] [2] Departamento Americano de Saúde.
Para que possamos entender esta abordagem estatística, adoto aqui uma variável que, julgo, não provoca qualquer celeuma político-ideológico. Os homens são, em média, mais altos que as mulheres. Mas a expressão "em média", precisa de ser tida em consideração, para que não façamos generalizações universais, e para que não caiamos no ruído ideológico. O facto de o homem ser, em média, mais alto que a mulher, não impede, tal como é visível no gráfico, que haja muitas mulheres mais altas que muitos homens. Aliás, tal como pode ser visto no gráfico, pode-se dizer grosso modo, que há cerca de 1/3 de mulheres que são mais altas que 1/3 de homens. Falamos das mulheres que têm mais de 1,70 metros de altura, sendo que há cerca de 1/3 de homens que tem menos de 1,70 metros de altura, tal como se pode ver a partir do ponto de interseção das duas linhas. Esta métrica ideologicamente neutra, serve de base para toda a abordagem seguinte, ou seja, a palavra média deve ser tida em conta, em relação ao seu significado biológico e científico, sem nunca menosprezar que as médias não são generalizações universais, são indicadores meramente estatísticos.

O homem médio e a mulher média são bastante diferentes

Os homens e as mulheres, em média, são diferentes, psicológica e morfologicamente. As diferenças são tantas e tão evidentes, que a lista de diferenças é enorme. E não se resumem naturalmente apenas à genitália. Os homens, em média, têm mais altura, musculatura e capacidade de raciocínio abstrato e analítico; e as mulheres, em média, têm mais capacidades sociais e maior tolerância à dor, devido ao parto. As referidas diferenças devem-se a motivos unicamente antropoevolutivos. O homem saía para caçar, tinha pois por conseguinte de procurar caminhos e não se poderia perder no labirinto da floresta, tendo apenas sobrevivido aqueles que conseguiram a capacidade abstrata para encontrar o caminho correto. A mulher ficava no local da tribo, junto dos outros em comunidade, e também em momentos de crise, o que lhe permitiu ser uma ótima gestora de conflitos e de interações sociais. A função primária do homem era caçar e combater para proteger a prole, daí a força, agilidade e musculatura; já a função primária da mulher, era procriar e cuidar da prole, daí ser mais baixa, para baixar o centro de massa aquando da gestação do feto. Devido ao facto da mulher gerar uma criança durante nove meses, e precisar do homem para a proteção da criança, fez com que a mulher, em média, nas relações amorosas, se tornasse mais dependente do homem. Devido ao facto do homem poder conceber um número elevado de mulheres num curto espaço de tempo, se força, agressividade e musculatura tivesse para tal, para vencer os outros machos rivais, fez com que o homem fosse, em média, menos apegado a relações amorosas. 

Certos estudos relacionais, ditam portanto que, em média, as mulheres procuram homens que lhes confiram segurança e estabilidade; assim como os homens procuram mais aspetos físicos da mulher. Ou seja, enquanto os homens tendem a ser mais carnais na relação amorosa, as mulheres tendem a ser mais sentimentais. Tal diferença remete-nos mais uma vez para motivos antropológicos. O homem poderia conceber com um número elevado de mulheres enquanto que a mulher, sendo concebida por um homem, precisaria sempre da sua guarida, pois na selva, jamais sobreviveria sozinha com uma cria, considerando ademais que outros homens jamais aceitariam cuidar de um filho que não era seu, considerando a evolução por seleção sexual. Assim, a única proteção que a mulher encontrou, foi o apego ao homem, através do ardil e não da força, para que este pudesse ficar consigo protegendo-a. Assim também se explica, que em média, as mulheres aceitem com maior complacência o adultério, que os homens, assim como se explica que certas culturas punam de forma totalmente desproporcionada o adultério, em função do sexo do adúltero. No Paleolítico, a poliginia era a norma e não a exceção. Assim, também se explica, que os maiores consumidores de pornografia sejam homens, e que os maiores consumidores de música, dita romântica, sejam mulheres. Não é pois de estranhar também que estudos estatísticos sobre divórcios ditem que as mulheres, em média, dão como motivo principal para o divórcio, o facto do marido não cuidar financeiramente da família, ou seja, a clássica proteção que outrora era feita com os músculos, nas sociedades contemporâneas é feita com o sucesso profissional e com o capital; sendo que os homens dão como razão principal para o divórcio, o facto de não sentirem mais atração pelas suas mulheres, ou seja, tendo já concebido uma fêmea, o macho sente o desejo primário de procurar outra fêmea para conceber. 

Não falar destas diferenças estatísticas em nome do politicamente correto, é de facto, faltar à verdade científica. Até porque estes dados e estudos fazem-se desde o princípio do século XX, principalmente por antropólogos ao serviço de empresas de publicidade. Sempre me estranhou o facto, de as grandes empresas de publicidade terem nos seus quadros antropólogos qualificados. Mas a resposta após muita leitura, é bem evidente. O caso da indústria automóvel é paradigmático. Enquanto o carro desportivo tem obrigatoriamente de ser desenhado para o homem, relevando sinais como virilidade, o carro feminino deve ser mais pequeno e compacto, relevando a mulher autónoma e atraente que pode escolher o seu homem, pela via da seleção sexual no ato da aceitação ou recusa. Darwin apresentou-nos a seleção natural, em que os mais aptos eram selecionados em função do meio envolvente, mas pouco depois desenvolveu-se claramente a noção da seleção sexual, característica obviamente dos seres sexuados, havendo seleção ativa, pela via da procura que o homem faz por mulheres, e a seleção passiva, pela via da recusa ou aceitação que a mulher faz de homens que a procuram. A felicidade que o sistema capitalista oferenda ao indivíduo pela via da publicidade, remete-nos por conseguinte sempre para a psicologia evolutiva. A mulher feliz, a que usa determinado produto ou serviço, é a mulher atraente e voluptuosa, e por conseguinte é aquela que atrai muitos homens; sendo que o homem feliz, é aquele atraente e musculado que pode escolher várias mulheres para conceber.

Profissional e estatisticamente, constata-se também, que em média, há mais enfermeiras, educadoras de infância e amas mulheres, e há mais polícias, militares, taxistas e matemáticos homens. Estando a mulher mais tempo junto da tribo, e sendo a mulher que no Paleolítico cuidava sozinha das crias, é natural que evolutiva e profissionalmente tenha alcançado maior aptidão para o cuidado ao próximo, daí a caridade e o cuidado serem características femininas, havendo muitas mais enfermeiras, educadoras de infância ou hospedeiras mulheres, do que homens. Já a diferença entre o número de matemáticos e matemáticas é tão clara e evidente, que tal diferença não se pode dever apenas a motivos culturais ou heteropatriarcais. A diferença, de facto, deve-se unicamente a motivos biológicos e evolutivos. A matemática envolve uma enorme capacidade de raciocínio abstrato e espacial, para que diversos encadeamentos lógicos possam fazer sentido num determinado hiperespaço racional. Pela mesma razão, a diferença no número de taxistas homens e mulheres, é ela também colossal, que não pode apenas ser explicada pela via da cultura. Como anteriormente explanado, na tribo, durante o Paleolítico, era o homem quem caçava, e para caçar, precisaria de sair da zona ou do local da tribo. Há mesmo estudos antropológicos que referem que a própria inteligência e coordenação surgiu com a necessidade de caça, pois é necessário efetuar predições e cálculos para estabelecer possíveis movimentos futuros da presa. É certo que vários animais não racionais caçam, mas o Homem foi o único animal a caçar outros animais com porte bem superior ao seu. E da mesma forma que os roedores, apesar de serem não racionais, têm uma enorme capacidade para encontrar caminhos em labirintos, pois sempre viveram em galerias subterrâneas labirínticas, também no caso dos seres humanos, a seleção natural escolheu os homens que caçavam de forma mais eficiente, e aqueles que melhor conheciam os trilhos e os meandros da zona. Por isso, no caso de mapas e por conseguinte de taxistas, apesar de muitos taxistas terem um nível académico muito baixo, é impressionante a capacidade que têm para otimizar percursos ou para conhecer as diversas vias de uma determinada urbe. E a grande maioria são homens. E é também essa capacidade espacial, que permite ao homem, em média, ser mais douto na matemática e na física, ciências que exigem uma enorme capacidade abstrata e espacial.

Somos todos iguais, pois somos todos seres humanos

Mas acima de tudo somos todos seres humanos. E nesse ponto somos iguais. Felizmente que a sociedade evoluiu bastante desde o Paleolítico, e um dos marcos fundamentais das sociedades ocidentais após o Iluminismo, que nos trouxe o Humanismo, foi exatamente o princípio da igualdade. Resume-se então tudo à velha máxima de todos diferentes, todos iguais. Por conseguinte devemos ser todos tratados pelo estado da mesma forma, e, logo, considero que quaisquer diferenças apresentadas pelo estado ou alguma instituição em função do sexo, são desapropriadas. Por questões de justiça e de humanismo. Por questões de justiça, pois como vimos pelo gráfico que apresentava a distribuição estatística das alturas em função do sexo, a média é uma métrica muito torpe, visto que há muitas mulheres muito mais dotadas que muitos homens em vários domínios. Há muitas mulheres mais racionais, mais altas, mais fortes e com maior capacidade espacial, que muitos homens. A média é apenas uma métrica e todas as diferenças acima plasmadas, são sempre consideradas em média, sem qualquer generalização universal. Por questões de humanismo, pois somos todos seres humanos e o estado e as instituições devem tratar todos por igual à luz dos princípios constitucionais da igualdade. 

A Natureza e o capitalismo já incutem as suas diferenças, por isso os negros, em média, têm salários mais baixos que os brancos, assim como as mulheres, em média, têm salários mais baixos que os homens, pois as mulheres têm, em média, menor propensão biológica para liderar (no mundo dos primatas, não há fêmeas alfa). Todavia, não precisamos por conseguinte, de, na senda do Humanismo, acentuar tais diferenças a priori, porque elas existirão, em médiaa posteriori. O Estado deve, assim, tratar todos os seres humanos de forma totalmente igualitária, e jamais deve fazer quaisquer discriminações em função do sexo. Mas também jamais devemos, em função da ideologia, negar a Ciência.

Das declarações do eurodeputado polaco sobre a igualdade de género


      Nada é tão belo como a Verdade
              Boileau

Um eurodeputado polaco afirmou, no Parlamento Europeu, que as mulheres deveriam ganhar menos do que os homens pois são, no seu entender, "mais fracas, mais pequenas e menos inteligentes", tendo o referido eurodeputado facultado alguns dados estatísticos, como os resultados nas olimpíadas ou no xadrez, para alegadamente demonstrar que as mulheres são, em média, mais fracas fisicamente e menos intelectualmente capazes. Cumpre-me apenas apresentar quatro pontos.

1) Sancionar o eurodeputado por dizer o que pensa, como foi pedido por vários eurodeputados e membros da sociedade civil, é mais um ataque gritante à liberdade de expressão, levada a cabo pela vox populis e pela ditadura do politicamente correto, por muito que discordemos das suas opiniões, principalmente num lugar onde a liberdade deveria ser um dos magnos pilares, ou seja, no Parlamento Europeu, tendo em consideração em acréscimo a diversa jurisprudência que o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem tem levado a cabo com referência à liberdade de expressão.

2) Por muito animalesco que seja o referido deputado nas suas declarações, ele apresentou factos estatísticos que justificam o porquê da desigualdade salarial. As mulheres, em média, devido à evolução antropológica, têm uma inteligência espacial mais baixa que os homens (no Paleolítico as mulheres ficavam na tribo enquanto os homens saiam para caçar, e a necessidade de caça foi o que providenciava aos animais capacidades abstratas e espaciais de inteligência), têm menor nível de musculatura (pela mesma razão), e são menos agressivas, o que explica em parte o menor número de mulheres nas lideranças das empresas ou dos países. Têm todavia as mulheres, em média, maior inteligência social (tendo ficado mais tempo junto dos outros membros da tribo, obrigou-as a otimizar as relações sociais e interpessoais com os demais membros da tribo), maior criatividade, maior capacidade para cuidar (são elas que no Paleolítico praticamente sozinhas cuidavam dos filhos) e muito maior resistência à dor (devido ao parto). Por isso são usadas amiúde e preferencialmente por estados e empresas para cargos diplomáticos, relações públicas, recursos humanos, cargos onde se envolve a psicologia, ensino ou cuidados médicos.

3) Acima das questões físicas, genéticas, fenotípicas ou evolutivas, e podemos também usar estes argumentos para justificar a desigualdade entre raças, etnias, estrato social, idade, nacionalidade ou orientação sexual, porque elas existem; está o respeito pelos Direitos Humanos, à luz dos quais, qualquer ser humano deve ser tratado pelo estado e pelos outros sem qualquer tipo de discriminação, aliás, tal como plasmado na Constituição da República, no artigo com referência ao princípio da igualdade, princípio que defendo veementemente. Ou seja, antes da genética, da evolução, da estatística ou do preconceito, está, no desígnio de um princípio civilizacional, a Carta dos Direitos do Homem, na qual está patente que todos devemos ser tratados de forma equalitária. Nesse sentido, declarações públicas como as proferidas por um alto membro do Parlamento Europeu, são no mínimo, muito pouco delicadas.

4) As feministas têm essencialmente, no meu entender, de encarar o seguinte paradoxo, na senda da defesa da igualdade de géneros, a qual, naturalmente também defendo. Caso as mulheres defendam medidas de discriminação positiva, estão de facto, a assumir que a estatística e a genética são importantes, e que existe à priori uma diferença entre géneros que debilita as mulheres, e que, por conseguinte deve o legislador, tal como já faz para pessoas com debilidades físicas, enveredar por políticas de discriminação positiva. E acima de tudo, julgo, que então deveríamos também enveredar por políticas que evitassem a discriminação entre raças ou etnias. O Parlamento Português e o Parlamento Europeu, não têm, e devo confessar que o considero no mínimo muito estranho, um único deputado negro.

Concluo que, por muito animalescas, na forma, que sejam as declarações do sr. eurodeputado, elas baseiam-se em alguns factos estatísticos verdadeiros. Mas acima da estatística ou da genética, está a carta dos direitos humanos, à luz da qual todo o ser humano deve ser encarado com respeito, liberdade e igualdade, pelo estados e pelos outros.

Do "machismo" gramatical da língua portuguesa


A morfologia do Português é patriarcal

Recentemente o Prof. de linguística João Veloso, antigo presidente da Associação Portuguesa de Linguística, no seu blogue, fez uma análise científica, refutando a ideia de que a língua portuguesa seja "machista" e "heteropatriarcal". Refere o académico que a concordância, no caso do Português em género e em número, é uma propriedade universal de todas as línguas, e que declinando as palavras, servem para categorizá-las todas num mesmo grupo, grupo esse cujos elementos partilham denominadores comuns. Dá o seguinte exemplo:

       O novo professor inglês de Matemática chegou ontem

Repare-se que estando "o professor" no masculino singular, ou seja, o substantivo; também o artigo definido "o", e os adjetivos "inglês" e "novo", concordam em género e número com a palavra "professor", sendo que normalmente nas línguas, é o género do substantivo quem dita o género das palavras ao qual estão associadas. Repare-se todavia, que apesar de a concordância poder existir em abstrato em todas as línguas do mundo, ela é, de facto, transparente no Inglês. Usando do próprio exemplo do académico, na língua inglesa ter-se-ia:

       The new English teacher of Math arrived yesterday

Não há informação nesta frase em Inglês, sobre o género das palavras, apenas sobre o número, e mesmo no número não há lugar a concordância porque em Inglês os adjetivos (e por norma os nomes) não declinam em função de género ou número. 

Já em Alemão, existem três géneros (der, die, das), o que evita em grande parte a denominada gramática "heteropatriarcal", visto que existe em acréscimo o género neutro. Obviamente que quando se trata de pessoas, a declinação existe também em género e em número, existindo também o facto de que, num grupo onde haja apenas um elemento do sexo masculino, a declinação do substantivo é a masculina. No caso da palavra cidadão, que deu tanto que falar devido à polémica lançada por um partido político que mencionava que a palavra cidadão era masculina, logo machista, e que por conseguinte se deveria mudar o cartão de cidadão para cartão de cidadania, temos em Alemão também as quatro variantes em função do género e do número:

       der Bürger | die Bürgerin  Pl.: die Bürger, die Bürgerinnen

Mas interessantemente, em Alemão, o artigo definido plural é único, não havendo no plural variação em função do género, sendo que é igual ao artigo definido feminino no singular, ou seja die. O mesmo fenómeno acontece para o pronome pessoal feminino singular, ou seja, sie, que é igual ao pronome pessoal no plural, que também é único e não depende do género, ou seja, sie. Isto é, para a "pluralidade", em Alemão, adotou-se o feminino e não o masculino.

Já no neerlandês, e nas línguas nórdicas germânicas, num processo evolutivo, o género feminino foi fundido com o género masculino criando um género "hermafrodita", tendo todavia permanecido nestas línguas, o género neutro. Assim, em neerlandês diz-se de vrouw e de man para "a mulher" e "o homem" respetivamente. Já, "a criança", tal como em Alemão das Kind, adota o género neutro, neste caso em neerlandês, het kind. Ou seja, apesar de no neerlandês e nas restantes línguas nórdicas germânicas haverem dois géneros, esses dois géneros não são de facto o masculino e o feminino, são um que resulta da fusão do masculino e do feminino, sendo que o outro é o neutro. Logo, diria que numa análise sintática mais objetiva, pode-se afirmar que de facto existe uma certa gramática "patriarcal" na língua portuguesa e restantes línguas neolatinas, visto que são línguas que têm apenas dois géneros, sendo que é o género masculino quem domina.

Ainda em relação à questão do termo "género gramatical", o académico refere que é apenas uma infelicidade taxonómica de um legado antigo indo-europeu e que deve ser abandonada. Parece-me todavia que o autor quis acima de tudo incutir no público uma visão politicamente correta e não discriminatória da língua Portuguesa. De facto, o género gramatical é um legado do proto-indo-europeu que não pode ser ignorado, como está patente na grande maioria das palavras que fazem referência a seres animados providos de género biológico, como em gato e gata, menino e menina, porco e porca, galo e galinha, cão e cadela, etc., sendo que, a grande percentagem das palavras em Português assinalam o género gramatical em função da letra [o] ou [a], sendo as palavras sofisma, problema, tribo ou planeta, apenas raras exceções. Em Português aliás, esse género estritamente morfológico é mais evidente devido à própria terminação da palavra com as letras [o] ou [a], que são mais determinantes para a definição do género gramatical, do que propriamente a atribuição zoomórfica ou antropomórfica de marcas animadas e humanas a entes inanimados ou não humanos, plasmados em tal palavra.

Uma análise psicanalítica à ortografia

Todavia, permiti-me, porque também me interesso muito pelo estudo da psicanálise, uma análise gráfica mais profunda sobre a questão psicanalítica da ortografia, mais concretamente com referência ao género. Na língua portuguesa, claramente que a letra [A], é a letra que marca maioritariamente o género feminino, sendo que a letra [O], marca o género masculino, sendo que estas duas vogais são usadas amiúde para assinalar o género de quase todas as palavras, declinando-as, independentemente das funções sintáticas de tais palavras. Mas se analisarmos graficamente com minúcia e detalhe, repararemos que a letra [A], do ponto de vista gráfico e psicanalítico, obedece a uma estrutura fálica, sendo assim masculinizada. Pelo contrário, a letra [O], por ser graficamente e constantemente curvilínea, obedece, não tendo qualquer protuberância fálica, do ponto de vista psicanalítico, a uma estrutura visual efeminada.

Assim, permiti-me a observação, mas de facto, numa análise estritamente morfológica, pode-se afirmar que a língua Portuguesa, assim como o Espanhol, é uma língua "heteropatriarcal". Todavia, numa análise mais psicanalítica (alguns diriam mais críptica), estas línguas são na realidade "matriarcais", pois concedem a virilidade máscula e fálica, tradicional e culturalmente associadas ao poder e autoridade, ao género feminino. Dito de uma forma mais plebeia e pouco rigorosa do ponto de vista científico, pode-se afirmar que a língua portuguesa, do ponto de vista exotérico (visto de fora) é uma língua marcadamente patriarcal, dada a sua semântica e morfologia, mas do ponto de vista esotérico (visto de dentro), pode-se afirmar, considerando a questão gráfica e do que se conhece da psicanálise, que a língua portuguesa é de facto matriarcal.

Podem-se referendar os direitos mais basilares?


Foi recentemente aprovada a proposta de referendo para a co-adoção de crianças por parte de casais do mesmo sexo. Os ativistas e a esquerda defendem que não se podem referendar os direitos e os princípios mais elementares do ser humano. Se a sua afirmação do ponto de vista filosófico está correta, todavia não tiveram a mesma opinião em relação ao aborto. É muito mais grave do ponto de vista ético e filosófico um referendo ao aborto do que um referendo à estrutura familiar de uma sociedade. Porque a vida não se referenda, a vida não vai a votos, a vida de alguém não tem valor, e nem mesmo a Democracia lhe pode imputar um valor, já a forma de organização de família numa sociedade, pode! Tratam-se aqui de questões morais, éticas, que não colocam no meu entender em causa os direitos humanos, e referem-se à forma como uma sociedade encara a família e a sua estrutura, onde estão implícitos princípios como a igualdade de género, o género mais da alma do que do físico ou a educação das crianças! Ao contrário do aborto; que mais não é que eliminar uma vida humana indefesa concluindo-se que nunca poderia ter sido referendado; este tipo de princípios é totalmente referendável e a Democracia deve ser chamada a pronunciar-se.

Do ponto de vista político a esquerda neste âmbito incorre num sofisma gritante, já a direita mais não faz do que dar uma "prenda" ao eleitorado da esquerda, e uma ótima prenda, pois não afeta as finanças públicas nem o défice. Fica também demonstrado que os "liberais" que nos governam não têm quaisquer princípios éticos do ponto de vista estrutural e que todas as suas medidas giram em torno de dinheiro e de popularidade!

Cantemos o hino.... Barcelona.......


O governo municipal de Barcelona decidiu recentemente proibir o uso de burcas em locais públicos da cidade como mercados, ruas, escolas e outros locais públicos, como tal acho que deveríamos todos cantar o hino da liberdade democrática legitimado pelo governo municipal de Barcelona. E porque não, rodeado por todo este liberalismo, evocar o hino de um dos maiores cantores do século, que por sinal não se crê que fosse homofóbico, e o seu enorme amor pela espécie homem levou a que o divino o agraciasse com uma morte precoce. Cantemos todos Barcelona!




É que proibir a burca, é castrar a liberdade! A mulher deve e reafirmo, deve ser livre, a mulher deve ser e sempre deverá ser livre, assim como o Homem na sua génese antropomórfica e metafísica, mas a liberdade é um processo interior, e cabe apenas ao próprio atingi-la, alcançá-la. Impor às mulheres que tirem a burca é equivalente a um governo alemão, vegano e liberal e adepto do nudismo, impor aos seus cidadãos estrangeiros que andem nus no Verão, pois a roupa é um entrave à liberdade do Homem. 
E o anglicano judeu que adora andar engravatado num dia de Verão extremo! Também não é obrigado pela conduta social? Se fosse governante de Barcelona obrigaria todos os executivos a vestirem camisola de manga curta pois é um atentado aos direitos humanos andar de fato e gravata em Julho em Barcelona, tudo por uma questão de humanitarismo e liberdade

Tão ridículo que é esta medida de vários governos Europeus de proibir a burca, esquecem-se que às vezes o que é oculto é o mais apetecido, ora vejamos...



A mulher cuja indumentária incluí uma burca guarda outros segredos para o respectivo marido, que por vezes  estão escondidos do público em geral, a mulher muçulmana guarda os segredos mais recônditos para o respectivo companheiro, pois a sua face é tão divina, tão bela e transcendental que não pode ser revelada ao mero público em geral, ora vejamos o que estas mulheres trazem por detrás de tão encobertos trajes...




A mulher muçulmana é realmente bela e tem outros atributos proibidos que não podem ser revelados ao comum dos profanos, senão aos iniciados no ritual matrimonial que é o casamento Islâmico, pois a vós caros bloguistas revelo-vos aqui uma parcela pictórica do fruto proibido.




Mas voltemos a louvar as entidades camarárias de Barcelona, pois Barcelona é um local onde se evocam os ideais da pureza e da democracia, onde se respeitam as mulheres e nunca seria permitido em Barcelona que uma mulher fosse desrespeitada, nunca uma mulher habitante nesta capital da Catalunha, seria humilhada, a não ser claro nessa efeméride anual, ou deveria dizer anal, que é o salão erótico de Barcelona onde são públicas as imagens onde se vêm mulheres a fornicar - requeiro ao caro leitor que observe a significação da palavra em apreço e verá que nada tem de obsceno, pois presumo que as moças em causa não sejam casadas, ou pelo menos se o são a heresia é outra - a fornicar com mais de uma dúzia de indivíduos em simultâneo, e parece-me que dão conta do devido recado, fazendo-o também com muito apreço e respeito próprio; e tais actos meramente afectivos estão dentro dos enquadramentos legais.

Já para não falar é claro daquilo que é público em Barcelona, e que todos conhecem, que é o facto de as meninas fazerem-no em público e ao abrigo da legislação laboral, mas claro, fazem-no com protecção.





É que em Barcelona, a lei impõe respeito às mulheres....