Mostrar mensagens com a etiqueta FeP/Narrativas de Viagens. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta FeP/Narrativas de Viagens. Mostrar todas as mensagens

Je suis arrivé à Paris


Paris, a cidade europeia das luzes e dos iluminados, dos
pedreiros-livres e da República, do ideário trino sacral da maçonaria
como a igualdade, a fraternidade ou a liberdade. Muito poderia ser
escrito sobre Paris e o seu belo rio que o percorre, o Sena. Sobre o
enormíssimo museu do Louvre com pinturas italianas, francesas, alemãs,
flamengas, holandesas e escandinavas, com diversos achados
arqueológicos fantásticos dos tempos romanos, egípcios, etruscos e
gregos e com majestosos colossos gregos esculturais. Pude ver a famosa
pirâmide de vidro no meio do Louvre por onde entra o visitante,
pirâmide essa com um cariz maçónico e iniciático de vertente
masculina. Já na cave do museu depois da entrada inicial vê-se
claramente a pirâmide feminina, esta claramente sendo uma pirâmide
interior e invertida. É assim o masculino, austero, racional,
objectivo, activo, majestoso, brilhante, sendo triangular superior
lógico e revelador; já o feminino é subtil, delicado, frágil, passivo,
introvertido, ardiloso, discreto mas bastante criativo. Não é por
acaso que as magnânimas obras do Louvre estão no seu interior, onde se
pode ver a pirâmide invertida, representando assim a feminilidade
criativa. Mas atento para o facto de na entrada do museu em apreço
estar uma estátua de Louis XIV a cavalo; algumas charadas
anagramáticas depois e com o auxílio das cinco vogais ditas de seguida
concluo que na realidade não estou no museu do Louvre mas sim no museu
do Livre. Ou seja este é um museu iniciático e maçónico em homenagem
ao homem-livre francês, mais precisamente ao pseudo-messias rei
francês Luis XIV, cujo bisneto acabou com a cabeça na guilhotina com a
revolução republicana.

Poderia também eventualmente falar do quão fálica é a torre Eiffel,
esse triângulo vertical quadruplicado em quatro direcções cardeais,
com uma extremidade pontiaguda para adorar os céus e elevar o
espirito altivo dos parisienses. Assim como em Pompeia se usavam os
falos para elevar a altivez dos espíritos, como em Lisboa o cristo
redentor eleva o espirito dos munícipes, em Paris é Eiffel que
estimula os parisienses com a sua torre a alegrarem-se aumentando as
suas energias interiores, com este falo viril, libidinoso e altivo.
Mas Paris apesar de multi-étnica, com uma quantidade abismal de
negros, magrebinos e asiáticos, não acolhe bem os seus visitantes. O
metro apesar de imenso é caótico e desorganisado, as estações são
frias e impessoais, os restaurantes são caríssimos e os que são
acessíveis têm pratos cuja degustação é extremamente desagradável; o
McDonalds com o seu típico lixo gastronómico de bifes hamburgueses
aparece em todas as esquinas. Salvam-se alguns mini-mercados de
grandes cadeias onde podemos comprar umas saladas e iogurtes a preços
acessíveis.

Conseguimo-nos instalar por €30 por noite num quarto privativo. Mas
ficámos a mais de 30 quilómetros do centro tendo de apanhar um
autocarro e o comboio durando a viagem cerca de uma hora. O hotel é um
daqueles de beira de estrada nacional onde se consumam os actos
extra-conjugais dos parisienses, e cujo quarto tem uma vista para as
traseiras de uma gasolineira. Os canais televisivos que o
recepcionista nos recomendou à entrada são todos pornográficos.
O tempo é frio mas o céu está limpo, e os parisienses até não são de
todo antipáticos, sendo um equilíbrio entre a fria indiferença
acolhedora dos povos germanos e o hospitaleiro acolhimento dos povos
latinos. Os Franceses são o equilíbrio entre estes dois extremos
culturais e Paris é a sua apoteose. Os edifícios são de tonalidade
escura mas belos e grandiosos. A cidade, ao contrário da pestilenta
Lisboa, é bastante limpa e aprazível e os jardins são para todos os
parisienses, e não como em Lisboa onde os poucos jardins que temos são
para os vádios e os indigentes.

Enfim, recomendo a todos que visitem Paris.

De Aveiro até à Guarda – É este o país que temos


Viagem entre Aveiro e Guarda por automóvel. Tempo:1h38m
Alguma comparação entre Portugal e a Arábia Saudita poderá parecer despropositada, mas demonstro-vos matematicamente que tal paralelismo não é assim tão descabido, pelo menos se nos referirmos do ponto de vista das infra-estruturas viárias. A Arábia Saudita, e esqueçamo-nos por agora das questões meramente religiosas e cinjamo-nos às questões de macroeconomia e de infra-estruturas nacionais, é um país com uma elevada produção petrolífera e de refinação dos derivados do petróleo, tendo este país historicamente relações diplomáticas e comerciais muito salutares com os súbditos dos generais do tio Samuel. Tendo uma indústria petrolífera tão forte, naturalmente a Arábia Saudita apostou fortemente em redes rodoviárias de transportes. A razão é simples, produzem petróleo, fazem estradas onde andam carros, camiões e autocarros, que consomem derivados do petróleo, e assim a economia saudita regenera-se através da indústria do petróleo, com os milhões de dólares de lucros gastos em palácios e mordomias para todos os cidadãos, mesmo que tal traga graves maleitas para a saúde pública ou para o ambiente a nível mundial. Assim se explica porque é que uma vasta rede ferroviária pelo deserto saudita é uma expressão de fantasia, sendo que no entanto as auto-estradas megalómanas rasgam os áridos desertos da península arábica em território saudita, tendo este pais uma rede de infra-estruturas rodoviárias inigualável.

Mas e Portugal, onde se encontra neste equilíbrio de forças económicas o nosso país? Portugal não tem recursos petrolíferos, todos os derivados do petróleo são importados e tem algumas refinarias, por exemplo em Sines. Portugal não tem indústria automóvel própria, e a única que tem e que balanceia positivamente em parte a nossa balança comercial com as exportações, leva a grande tranche dos louros para a Alemanha. Mas o que é que Portugal tem em abundância? Estradas! Muitas estradas e muito alcatrão! Os governos do pós-25-de-Abril foram os governos, no que concerne à obra pública, os governos do alcatrão. Mas estes senhores não entendem que foi uma aposta estratégica completamente errónea. Não temos petróleo, não temos carros, importamos os veículos que se movem nessas estradas e ainda para mais importamos o único combustível que permite que esses veículos se locomovam. Ao construirmos largas e vastas estradas tornámo-nos cada vez mais dependentes do exterior e assim definhámos a nossa economia. Os espanhóis podiam agora inundar o nosso mercado interno com produtos agrícolas e piscícolas.

E onde se enquadra esta minha humilde missiva pública no que concerne á sua epígrafe? Por onde começou este meu pseudo-artístico ofício bloguista, senão pelas duas capitais de distrito! Naturalmente pela viagem entre Aveiro e a Guarda que terei de realizar por motivos profissionais. Duas cidades capitais de distrito em Portugal, praticamente na mesma latitude, que distam cerca de 150 quilómetros. Pois meus caros leitores cibernautas, por automóvel na A25 a uma velocidade média de 100km/h as duas capitais de distrito fazem-se em cerca de uma hora e meia. Pois agora ouçam bem, pois estamos em Portugal, esta quase Arábia Saudita do sul da Europa sem recursos petrolíferos nem indústria automóvel própria, para fazer por comboio o percurso entre Aveiro e a Guarda o passageiro demora nada mais nada menos, do que cerca de três horas, ou seja o dobro do tempo.

Viagem entre Aveiro e Guarda pela CP. Tempo médio: 3 horas
Pergunto eu agora: Será que vale a pena investir tantos milhares de milhões na rede de alta velocidade quando a nossa rede ferroviária convencional, à excepção dos eixos principais, está putrefacta? Porque é que entre Aveiro e Guarda, de comboio se demora precisamente o dobro do tempo que se faz de automóvel, quando sabemos que a nossa dependência energética é muito mais patológica no caso do automóvel que no caso do comboio, sendo que a rede ferroviária consome essencialmente energia eléctrica que felizmente nós produzimos, onde agora até as bem-vindas, ecológicas e produtivas fontes de energia renovável dão um largo contributo?

Pois meus caros concidadãos que me auscultam; por uma questão de soberania e independência energética, este é o momento para os nossos governantes fazerem uma aposta séria e comprometedora na ferrovia nacional!

Nota: Ver a história da linha da Beira Alta

Pequena egobiografia Polaca


João Pimentel Ferreira é um poeta exuberante, e permitir-me-á o douto leitor versado na língua Polaca, que eu faça a escrita desta missiva sem público alvo na primeira pessoa do singular, mas eu confesso que com as paragens e doutrinas polacas guardo memórias contraditórias e díspares emocionalmente. Eu considero-me um excelso e magno Poeta pois fazem parte de mim as características que eu próprio em tempos defini como caracterizantes do Poeta augusto: Inteligência, Plebeísmo, Literacia e Feminilidade.

Em tempos fui plebeu, nasci num humilde bairro de Lisboa à beira-mar denominado Marvila, as gentes eram pobres, os miúdos agressivos provenientes das ex-colónias africanas do império Luso, e outros de paragens beirãs, bucólicas do interior mais pobre de Portugal. Da infância na escola pública pouco há a reter, apenas momentos de extrema agressividade e violência, que por certo marcaram o homem que hoje sou, moldaram a personalidade que formo, não para melhor ou para pior, mas para diferente. Alguém disse em tempos que a guerra não torna o homem mais nobre, torna o homem num cão selvagem e agressivo. Resta-nos a razão e a consciência para moldar estas maleitas da memória cognitiva e transformar-nos em homens superiores, tal como preconizavam os filósofos alemães. Mas sempre plebeu, pois esta condição de parca abundância e de vivência humilde serviu bastante para valorizar as relações interpessoais e colocá-las no altar mais sacramental dos valores humanos.

Considero-me moderadamente inteligente, não sendo um génio nem genial. Sempre tive boas notas na escola pública nas turmas onde fui discente mas tal não seria tarefa difícil dadas as condições menores que a turma proporcionava do ponto de vista lectivo. A discência decorreu com normalidade nos moldes que foram apresentados. Os tutores oscilavam entre o medíocre e o soberbo, típico de uma escola pública, os alunos não respeitavam o mestre e a assimilação do saber fazia-se com cautela e moderação. No entanto formou a minha condição humana e a escola pública deu-me os pilares estruturais e basilares para assimilar muito mais conhecimento dada a minha nata curiosidade. Considero-me moderadamente inteligente, sem ser génio ou genial. Em tempos ganhei um prémio de umas olimpíadas de Matemática, matéria que sempre gostei e apreciei.

Considero-me literato, um homem plebeu deve a sua literacia à República. Sendo eu completamente avesso a todos os princípios maçónicos pois estas ordens perpetraram os maiores genocídios do mundo e conspiraram para destruir tudo o que estava harmoniosamente estabelecido, no entanto se hoje sou um homem literato sendo plebeu devo-o à República, pois esta instituiu o saber como pilar mestre do estado. Os patrícios e os aristocratas já tinham acesso ao saber, mas os plebeus, o povo, começou a ter educação com a república e sendo eu um mero plebeu, devo a minha literacia à escola pública. Depois a curiosidade nata fez-me querer saber mais e muito mais, fez-me querer saber a verdade e tão-somente a verdade e apenas a pura das verdades realmente interessa tal como preambulava Schopenhauer na sua metafísica do amor. A literacia advém da curiosidade pelo saber.

A feminilidade advém da terna educação que fui tendo da minha adorada progenitora, que me marcou fortemente e da sua personalidade ora forte, ora frágil, e por vezes emocionalmente conturbada que me influenciou bastante e que me tornou neste homem emocionalmente arrebatado e de sensações fortes e extremas.

Caro leitor Polaco, já visitei diversas cidades europeias, diversos países e também já pernoitei por paragens polacas em casa de uma acolhedora amiga que habitava em Varsóvia. Mas Varsóvia tornou-se num trauma, como se eu tivesse sido invadido por uma Blitzkrieg que me assolou a espinha e o sistema nervoso central, desviei-me dos princípios basilares que me tornam num homem são e metamorfoseei-me num qualquer moribundo que deambula na cidade completamente perdido e sem apoio. Parece que me queria esconder num gueto, encrostar-me em mim mesmo para me proteger em Varsóvia, mas o ataque Nazi ao gueto de Varsóvia foi tão letal e sanguinário que fiquei completamente destroçado pela experiência varsoviana. A minha mente adulterou-se e perdi os sentidos e o trauma formou-se.

Não nego no entanto que a beleza das mulheres polacas exubere quaisquer erógenos sentidos masculinos, pois os seus traços corporais e faciais indo-europeus obedecem aos mais nobres tratados da beleza universal. Os olhos azuis e os cabelos loiros caracterizam a candura e a pureza.

Sou um magno Poeta viajado, tendo habitado um ano por paragens nórdicas em Estocolmo, que me possibilitaram muito conhecer diversas esplendorosas cidades europeias.

Espero que tenha apreciado esta biografia na primeira pessoa, pouco ortodoxa e volte sempre ao meu sítio cibernético caro internauta polaco, ou mero conhecedor desta magna língua eslava.

Extremamente agradecido pela sua cordial visita, desejo-lhe que volte sempre.

A águia da república vermelha


Cheguei a Polónia vindo de Berlim e fico perplexo e com alguns factos que posso observar assim à primeira vista, e existem muitos mais factos que por certo já era sabedor muito antes de aqui chegar. Talvez assim não o seja, talvez aquilo que sei advenha da pesquisa e do raciocínio. Da razão, e gosto muitas das vezes de inquirir interiormente os meus próprios pensamentos, gosto de ir ate ao fundo sem me desnortear pelos caminhos que não me levam ao cerne das questões que tento procurar alcançar.

Tanta conversa, ora fútil, ora pouco compreensiva. Mas há algo neste país, na soberania heráldica deste país que me deixa pensante. A omnipresente águia boreal. A águia que voa nos céus imensos, a águia que abre as asas e quando a observamos no céu vemos o sol, vemos alguém que abre as asas podendo assim voar e contemplar a liberdade.

Falo de liberdade, ora tentarei escrever libertamente. Não e águia o símbolo dos povos do Cáucaso, então a águia polaca revela que existe alguma soberania por parte dos arianos, não fosse esta nação considerada uma nação de Leste. Mas parece que a história revelou que na realidade a Polónia era uma nação multi-étnica. Isso faz-me reflectir ainda mais sobre a guerra entre os poderios opostos, a guerra filosófica e doutrinal, ou guerra tribal, ou apenas querelas humanas de povos com diferentes géneses, entre os povos do Cáucaso e os Semitas do Sul.

Os mandamentos, as ordens de Roma, os símbolos do império sempre foram os dominantes. Sempre foram os símbolos que dominaram as nações durante séculos, desde o antigo império Romano até à Igreja Cristã.
Hoje observei um anjo, um anjo imaculado, tinha asas e voava, tinha cabelos loiros e face rosada, e não sei se foi um sonho, se foi algo que contemplei na realidade, se foi um mero e banal eclipse visual, ou se foi algo mais concreto. Apercebi-me entao que o anjo, os anjos, por terem asas, são mais uma forma da representação da águia, são uma humanização da águia boreal. O anjo, o anjo que é venerado e procurado, é então a águia de outra forma representada, que faz os homens entrarem em delírio por contemplarem tal personificação de uma ave.

O anjo, a águia da bandeira Polaca, revela a supremacia da hierarquia dos povos do Cáucaso nesta nação, o que por certo não implica que esta mesma nação não tenha fortes traços semitas. Sempre foi assim em muitas outras nações. O poder aos do Cáucaso, e os do sul tiveram sempre que viver em clandestinidade no continente do Euro. E como a lei do equilíbrio universal sempre se aplica, parece que hoje em dia, são os semitas de novo que no novo mundo exercem a Ordem Mundial através da força das armas.

Se o Império que venerava o Cáucaso, sediado em Roma, controlava as províncias sempre ostentando a águia, ostentando a quadriga de letras SPQR, e sempre o fez através de uma boa administração provincial é certo, mas também quando necessário através de ferro e sangue, parece que os impérios que se quiseram estabelecer utilizaram sempre os mesmos meios com o intuito da supremacia. E fiquei estupefacto, ou talvez não, quando me apercebi que a quadriga de cavalos nas portas de Bradenburgo, estão alinhadas a Leste. Assim como o está a praça de S. Pedro em Roma. E nas portas de Bradenburgo um cavalo para cada letra da sigla do Império, SPQR, e muito do império herdou a cristandade, desde o INRI, até ao simples facto de o Cristo na sua abertura de braços , com a cabeça ligeiramente pendente para a direita, lembra a águia venerada pelos indo-europeus, que também tem as asas abertas e que também tendo quase sempre em todas as representações, a cabeça ligeiramente para a direita. Não tem a cruz, quatro pontas?

E tudo isto reflecti, no comboio nocturno, na viagem noctívaga em direcção à Polónia. Uma viagem calma, serena, e sempre que viajo de comboio fico maravilhado, e mais fico ainda quando viajo à noite. Aquela repetibilidade sonora dos carris embala-me num sono profundo e reconfortante. Lembra os passos de uma progenitora, enquanto a criança se encontra ainda no ventre, a passear calmamente e a cada passo, um pequeno balanço, um pequeno e suave balanço. Porque embalam então, as progenitoras, as suas crias? Será para que estas adormeçam melhor? Pois o comboio embalou-me num sono profundo e reconfortante e fez-me reflectir sobre os simbolismos da bandeira polaca.

A cidade da harmonia


Enquanto bebia um copo de cerveja numa praça de Berlim, filosofava sobre as vicissitudes do desejo e da paixão. Filosofava sobre os termos das línguas, questionava sobre todas as coisas, questionava sobre como havia o homem de se expressar? Questionava sobre a diferenciação das línguas, sobre a diferencialidade da funcão que representa a natureza. Continuava a colocar questões de ordem filosófica enquanto tinha uma conversa de café com o Karl. Eu, num momento de salubre reflexão e de momentâneo e áspero momento de fugaz energia divagava sobre a riqueza das diferentes línguas e dialectos. Questionava-me sobre a génese da liberdade e das suas diferentes representações em diferentes culturas. Pois por estes lados, a arquitectura é soberana, a arquitectura e o desenho dos edifícios, formam a liberdade preconizada pelos povos do norte. Numa praça da empresa Sony, encontrei tracos e formas inigualáveis por terras do sul. Uma elipse no topo, uma extremidade de ferro que unida por diferentes cablagens, aponta para um lago de mármore. Chamo-lhe lago, pois tal como um calmo lago, este também reflecte de forma cristalina, como um espelho, as imagens envolventes.
As avenidas de Berlim são largas, espaçosas, têm o espaco para acolher as viaturas que se movimentam em quotidianas correrias. Os edifícios são ora contundentes, com ângulos agudos, ora com traços suaves. E mais um momento de reflexão enquanto deglutia uns mililitros de cerveja. Será a língua a única forma de comunicação? Não, claro que não. Como é clarividente, o arquitecto de tal proeza que contemplava, comunicava com todos os transeuntes ao conceber tal façanha. Quando traçou as linhas no estúdio, quando fez o desenho de tal praça, comunicava com todos os indivíduos que haveriam de visitar a sua obra de arte.

Alexandre, o Berlinense


Não sei o propósito exacto dos escritos que redijo, se são efectuados com o propósito da documentação, se têm outro qualquer objectivo. Cheguei a Berlim, vindo de avião, de seguida apanhei o comboio até à cidade e fico perplexo com tamanha arquitectura. Nem sei ao certo como descrever tais obras arquitectónicas em termos de desenho e materiais utilizados na sua concepção. Os edifícios são blocos um pouco acinzentados, a temperatura exterior é áspera e o vento é um pouco frio, no entanto o interior é ameno, reconfortante e agradável.

Cheguei quase ao anoitecer, a noite está prestes a aparecer, o sol esconde-se e não me apercebo de tal fenómeno, pois não contemplo o horizonte numa metrópole. Cheguei e o céu oferece uma fascinante melancolia. Fico perplexo e entusiasmado com a cor do céu em Berlim, com a sua tonalidade azulada. Caminho durante a noite e dirijo-me até à praça de Alexandre, a que Alexandre dedicam os Berlinenses está praça central? Ao Greco-Macedónio? Ao Grande Alexandre? Desconheço, o que é certo é que é um espaço imensamente amplo, e com sinais deveras interessantes.

Venho de um cubo, de um cubo hiper-bóreo comercial. O centro comercial Galeria é amplamente belo, maravilhoso, tranquilo, calmo, possui uma claridade contrastante com o exterior. Percebi aqui a origem dos centros comercias, e talvez, por vezes que
stiono-me se têm o mesmo propósito que têm nos países mais amenos em termos de temperatura. O vento era enorme, forte e frio, e neste centro comercial, espaço amplo, luminoso, encontrei uma harmonia e um conforto inigualável. Têm a forma de um cubo, por fora. E questiono-me eu, porque vejo eu tantas formas cúbicas, tantos traços lineares, tantos ângulos rectos, tantos paralelipípedos, tantos blocos urbanísticos, tantas formas quadrangulares, na arquitectura urbanística, na decoração de interiores, nas mesas de cafés, nos corredores das estalagens, tantas formas rectangulares por paragens do norte?

Na Galeria observava um album de fotos tiradas durante a II guerra mundial, e voltei a ver imagens ora chocantes do periodo horrendo do sec XX, ora imagens esparancosas do pós-guerra. E questiono-me sempre sobre tais simbolismos dos povos arianos. A suástica, quatro letras L, alinhadas cada uma num ponto cardinal. A letra L, que forma um angulo recto, q
ue forma a rectidão, e que inicia a palavra Latim. Quatro L formam a suástica, e o quatro, quanto é o quatro venerado pelo império Romano, desde SPQR, até INRI, é que a sensacao que tenho, foi que o INRI foi a heranca à cristandade, por parte do império romano. Não tem a cruz, quatro pontas?

A praça de Alexandre, a praça maior dos Berlinenses. Uma cidade majestosa, enorme, ora revelando u
ma obscuridade fascinante e melancólica, ora imensa em luminosidades provenientes de lojas e espaços comerciais. Uma cidade fascinante, mágica, enorme, com uma arquitectura impossível de ser contemplada por paragens do sul.

Cheguei à praça maior, à praça de Alexandre, e vários sinais aparecera-me pela frente. Três enormes gruas alinhadas a Sudoeste, como q
ue impelidas por um magnetismo oculto, como que se uma grua fosse um tipo de compasso enorme e mágico. Na mesma praça, um relógio, um relógio universal, que indica as horas em quase todas as localidades do mundo. Mas afinal questiono-me eu, qual a finalidade do relógio? Qual o propósito? Será mensurar as horas do mundo, ou indicar os pontos cardinais. Qual foi o intento dos criadores do relógio, dos caldeus que o elaboraram. Estarão as 12 horas a norte e as seis horas a sul? E porque é que então, quando marca as seis horas, o relógio encontra-se erecto em todos os seus ponteiros? Lembro-me nesta vaga de ideias vigorosas, o boneco do sinal verde da passagem de peões dos berlinenses. Quando verde, é um homem vigoroso, que eleva o falo no sentido do vigor, quando vermelho, evoca a paragem, a preguiça, evoca o homem crucificado. São os sinais berlinenses, são os sinais que observo com estes olhos, os sinais que capto.

Na praça maior, u
m paralelepípedo enorme, luminoso, um edifício que lembra algo bastante vigoroso. Na mesma praça contemplamos a torre da TV, ou rádio, ou algo similar. É uma estrutura bastante observada por paragens do norte, que evoca o vigor e a fertilidade que no subconsciente dos cidadãos traz-lhes algum conforto espiritual, alguma felicidade. Pois a felicidade provém exactamente disso. A felicidade, o bem-estar interior, provém do vigor latente. E nestas paragens onde anoitece cedo, e amanhece tarde, onde o frio é bastante, têm os boreais de conceber estes monumentos que se elevam nos céus, para fornecer aos seus cidadãos, aos Berlinenses o bem-estar e a felicidade tão procuradas pelo ser humano. Confesso que me inundou, que me deixei influenciar pelo seu magnetismo visual. Que me irradiou, tal monumento arquitectónico. Um cilindro cujo diâmetro se altera consoante a altura, e no extremo superior uma esfera. Não é a esfera a representação geométrica da perfeição?

Uma fonte na praça de Alexandre. Uma fonte circular com quinze folhas, quinze conchas aquáticas, que jorram água no exterior, e que vão jorrando água umas nas outras. Estranhei em qual dos sentidos circulares a águ
a fluía, a água percorria. Apercebi-me que o crescente em altitude é no sentido dos ponteiros do relógio, ou seja, o sentido caldaico, já a água, a água flui no sentido directo, percorrendo folha a folha, uma espiral de pequenas folhas, deveras maravilhosas. No topo, uma folha em forma de pentágono fornece a água primordial. Não era o pentágono a adoração pitagórica? A iniciação? Então nesta fonte em Berlim, encontro eu formas e correntes invisiveis peculiares e com bastante simbologia.
Uma fonte onde a água flui em espiral, e flui no sentido do exterior. E quão fortes são a minha imaginação e sentido de observação ao me aperceber de tudo isto, quando a fonte não jorrava água. Mas na mente, no espírito observava esta fonte em movimento contínuo, e por vezes os sonhos e a imaginação são mais fortes que as imagens que os olhos contemplam.

Uma praca alexandrina, enorme, majestosa, onde os transeuentes caminham ora depois de efectuarem certas aquisicões comerciais, ora depois de um dia de trabalho fatigante. Uma fonte, uma torre adoradora dos cúes, um paralelipipedo enorme, e um cubo comercial. Tudo formas reconfortantes no seu interior, tudo formas que me levam a pensar e refelctir sobre a cidade que visito.