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Da Tecnologia e do (des)emprego


O académico e ex-deputado Francisco Louçã publicou recentemente no seu espaço de comentário habitual no jornal Público uma crítica latente à tecnologia, por esta contribuir parcialmente no seu entender, para o fenómeno do desemprego, mais especificamente na área dos serviços e nas pessoas com menos qualificações profissionais ou académicas.

Narro todavia como contraponto a minha experiência profissional. Já trabalhei como eletricista na construção civil, emprego que as máquinas computacionais nem num futuro longínquo tenderão provavelmente a substituir, porque se trata de um emprego in-locco que exige uma técnica intelectual e manual. Todavia já trabalhei também para uma grande empresa portuguesa de telecomunicações, na área dos serviços, cuja única tarefa era digitar números num teclado, após visualização dos mesmos num ecrã. Entretanto saí, pois achei o trabalho tão entediante e intelectualmente limitado; mas sei que a grande maioria das pessoas com esse tipo de tarefas foi dispensada devido a uma simples invenção computacional de processamento de imagem denominada por OCR, ou seja, Reconhecimento Ótico de Carateres; algo que presentemente qualquer um pode usar gratuitamente na Internet e que é usado por exemplo pelas empresas de serviços postais para detetar automaticamente o endereço e o código postal, reencaminhando as cartas e as remessas em conformidade.

Embora esteja sensível à questão do desemprego, dececiona-me a ideia geral que se tem sobre o trabalho, pois minora-se o intelecto do ser humano como elemento produtivo, mesmo podendo ser um artesão qualificado; em deterioramento de trabalhos repetitivos e pouco qualificados, muito comuns nas denominadas economias emergentes. Os trabalhos repetitivos e pouco qualificados, são nas economias modernas, por norma sempre os mais mal remunerados. Mas uma forma simples, neste encadeamento lógico, de findar com o desemprego - o meu sofisma favorito na área do emprego - seria o governo decretar, através de um projeto-lei para o efeito, que cada elevador seria obrigado a dispor permanentemente de um ascensorista, e que cada porta fosse obrigada a ter permanentemente um porteiro. Garanto aos contestatários da tecnologia, que o desemprego do país e do mundo ficaria sanado, mas tornaríamos o mundo melhor? Estariam os contestatários da tecnologia dispostos a vender as máquinas de lavar roupa e loiça que possuem em casa, para contratarem alguém que efetuasse essas tarefas?

A solução no meu entender, para o desemprego, algo que já se pratica com algum sucesso na Holanda, é a redução do horário de trabalho semanal para quem tem emprego, para que mais vagas abram para quem está desempregado. Mas não poderíamos enveredar por demagogias, ou seja, seria necessário aplicar o respetivo corte salarial. Por hipótese, se o Estado passasse todos os funcionários públicos a tempo parcial, ou seja, vinte horas por semana em vez de quarenta, poderia contratar o dobro dos funcionários. Uns ganhariam pouco mais de metade, mas outros passariam de zero, ou muito pouco, para algo razoável. Não seria isto também de certa forma, solidariedade intra-geracional? Na realidade, o corte salarial seria menos de metade para a maioria dos casos pois a carga fiscal que incide sobre o trabalho não é linear mas progressiva, sendo mais alta para rendimentos mais elevados.

O que a esquerda não compreende, é que, paradoxalmente, a solução para muitos dos problemas socioeconómicos da atualidade, é a frugalidade e a austeridade, ou seja, consumir menos, para que ao se gastar menos, possamos reduzir o horário de trabalho. Eu sou favorável à redução do horário de trabalho, mas com o respetivo corte salarial, um mecanismo pouco claro na legislação nacional. Tal no meu entender existe, porque as economias modernas estão desenhadas para que os trabalhadores trabalhem sempre oito horas por dia, ou seja, um terço do dia; e quando se aborda publicamente a questão da redução do horário de trabalho, aborda-se a mesma sempre numa ótica de guerrilha sindical, pois tem-se sempre como objetivo a manutenção do salário mensal. Todavia, não é muito claro para um trabalhador comum, como reduzir o seu horário de trabalho, tendo o respetivo corte salarial, e tal não acontece, pois as economias modernas encaram o cidadão como alguém que serve essencialmente para trabalhar em um terço do dia, e no outro terço do dia serve essencialmente para consumir, usando o capital que ganhou a trabalhar; formando-se assim um círculo fechado com realimentação positiva, que visa, em teoria, promover o crescimento económico.

Não aparenta ser lógico, que, por hipótese, haja metade da população ativa empregada oito horas por dia, e outra metade desempregada. Caso todos os trabalhadores trabalhassem por exemplo apenas a 60%, quem tem trabalho receberia menos 40% no final do mês, mas nesse caso trabalhar-se-ia apenas de segunda-feira a quarta-feira, tendo-se um fim-de-semana de quinta-feira a Domingo, e poupar-se-ia por exemplo apenas em mobilidade cerca de 2/5 do orçamento, uma das maiores parcelas dos custos das famílias. Neste caso, feitas as contas, por cada três trabalhadores que passassem a trabalhar apenas a 60%, ou seja, apenas 24 horas por semana em vez de quarenta, poder-se-ia contratar dois novos trabalhadores nas mesmas condições.

A tecnologia permite em abstrato, produzir a grande maioria dos bens essenciais a preços extremamente baixos, logo, a questão da sobrevivência do ser humano para poder levar uma vida condigna, não aparenta estar em causa. Os bens essenciais, tirando algumas exceções devido a contratos pouco transparentes com o estado, como o caso da eletricidade; estão até razoavelmente baixos. O problema é aquilo que as sociedades de consumo consideram como essencial, sendo que a título de exemplo, o automóvel é um desses bens, e para tal basta analisar as diversas taxas de motorização dos países ocidentais e particularmente de Portugal, e ter em consideração que mesmo no primeiro quintil de rendimentos do país (ou seja, as pessoas com rendimentos mesmo muito baixos, ou seja salário mínimo) há metade das famílias que tem automóvel (INE, Censos 2011). 

A tecnocracia dita, que a tecnologia pode produzir os bens essenciais a preços mesmo muito baixos, e depois o não essencial pode tomar valores bem mais altos. Por conseguinte as pessoas devem, mesmo em adultas, nunca perder o sentido de formação pessoal e tecnológica, e trabalhar em empregos tendencialmente mais intelectuais e menos maquinais, porque para as tarefas maquinais existem as máquinas que os fazem de forma mais célere, barata e eficiente. Por conseguinte as pessoas devem trabalhar também menos horas por dia, para terem mais tempo para lazer e para o intelecto, e assim também, para que se possa findar com o desemprego.

É a greve no setor público aceitável?



As razões porque assinei, são essencialmente filosóficas relacionadas com o meu forte patriotismo e defesa do interesse público, e acho que o texto da petição é muito claro nesse aspeto.

O artigo 57.º da Constituição da República Portuguesa permite o direito à greve não excetuando desse direito os trabalhadores que prestam serviços públicos. Todavia a própria Constituição consagra no seu texto o princípio da confiança. As greves no setor público têm tomado uma magnitude que o princípio da confiança entre o cidadão e o Estado está gravemente comprometido.

A título de exemplo a CP teve apenas num ano 51 pré-avisos de greve e o sindicato afeto ao Metropolitano de Lisboa anuncia para 2014 uma greve por semana, perfazendo 52 greves por ano. Constata-se claramente que o texto que refere que a greve deve garantir a satisfação de necessidades sociais impreteríveis, não é suficiente para evitar o deficiente serviço prestado pelo setor público devido às greves.

O artigo 60.º da Constituição prevê ainda que os utentes têm direito à qualidade dos bens prestados e já o artigo 66.º consagra a defesa do ambiente. Os transportes públicos por exemplo são uma peça fundamental na melhoria ambiental do país, e as sucessivas greves no setor afetam a sua credibilidade e a qualidade na prestação desses serviços ao cidadão.

Apesar de o governo estar mandatado através do ato eleitoral para ser o poder executivo da nação, na realidade o patrão dos serviços públicos é o povo, pois é o povo que os sustenta através das suas contribuições fiscais, para que desta forma possa daí obter proveitos com a prestação desses mesmos serviços públicos. Uma greve no setor público implica assim por defeito, que as reivindicações laborais não são dirimidas ao governo, mas em última análise ao povo.

No princípio da República, nunca o interesse de um grupo de pessoas (neste caso os servidores públicos), pode colocar em causa o bem comum, ou seja o interesse público. Ao aceitar a greve no setor público, o constitucionalista permitiu, que o interesse de um grupo de pessoas se sobrepusesse ao interesse público. Numa República, o interesse de um grupo de trabalhadores não se pode sobrepor ao interesse geral e comum. A greve do setor público afeta assim, por força inerente das funções em causa, o interesse público e os serviços prestados ao povo português.

Esta argumentação lógica é totalmente diferente no setor privado, pois este não providencia por inerência das suas atividades profissionais um serviço público, sendo a sua missão final o lucro e os dividendos para os seus acionistas.

Assim, vimos pedir para que o direito à greve no setor público seja ilegalizado, ou por Lei, ou por alteração constitucional.

Grande capital financiou secretamente a CGTP?


Parece paradoxal mas não o é? O que mais deveria agradar a um grande capitalista e agiota internacional, era uma manifestação nas ruas da CGTP pedindo mais salários e mais benefícios sociais, principalmente durante os governos de José Sócrates. O agiota que emprestava dinheiro ao país, sabia muito bem que essas regalias seriam pagas com dívida e não com produção ou riqueza, e mais dívida, mais juros. O país paga agora por ano cerca de 7,5 mil milhões de euros só em juros, aproximadamente 4,5% do PIB, o dobro dos cortes que se procederam para o Orçamento de Estado de 2014. O país esta a pagar agora sucessivos governos fracos que se foram vergando a uma esquerda burguesa e a reivindicações sindicais. Sócrates, com o país em pré-bancarrota aumentou os funcionários públicos em 3% apenas por questões eleitorais. O governo de Passos Coelho corta agora os mesmo rendimentos em 10%. Muito provavelmente nesse diferencial encontram-se os juros da dívida que entretanto foi contraída para o dito aumento de 3%. 

Nos dois governos de José Sócrates, ou seja durante os 6 anos e 3 meses dos XVII e XVIII Governos Constitucionais, entre março de 2005 e junho de 2011 a dívida cresceu 45,7% do PIB ou seja uma média aproximada de 500 Euros por segundo.

Os funcionários públicos e os portugueses estão a pagar em cada centavo as suas irresponsabilidades eleitorais. Em Democracia, o culpado da mediocridade da classe política é sempre do povo. Por isso apelo que nas próximas eleições votem mais com a cabeça e menos com o coração, e antes de pensarem apenas no vosso quintal, pensem no estado da nação.

Direito à greve! Embuste de neoburguês ou Direito fundamental?



Já opinei aqui o que penso sobre as greves no sector público. Todavia agora cinjo-me ao n.º 1 do art.º 8 da Lei da Greve, que dita que os trabalhadores aderentes à greve devem assegurar, durante a mesma, os serviços mínimos caso se exija a satisfação de necessidades sociais impreteríveis.

Ora, um tribunal recentemente, considerou, no caso dos exames dos alunos, que a greve dos professores não violava este princípio, e que os transtornos decorriam das consequências normais de qualquer greve. É o pensamento neoburguês ao rubro presente na nossa jurisprudência! Fico estupefacto, fico boquiaberto! Não é a educação dos nossos alunos, num país com fortes carências educativas, uma necessidade social impreterível? Quando farão os exames? Quando entrarão para a universidade?

Na Suécia onde estudei, eram cidadãos comuns que vistoriavam os exames, pois como os enunciados estavam bem elaborados e eram claros, não havia direito a dúvidas. Mas a nossa Lei da Greve, no seu artigo 6.º proíbe claramente a substituição dos grevistas.

Que coerência tem a classe dos professores, para supostamente defender a Escola Pública, quando reiteradamente apenas a ataca? Sou um fervoroso defensor da Escola Pública, desde o meu sétimo ano de escolaridade que apenas frequento o ensino público, tendo antes frequentado o ensino cooperativo. A Escola Pública, é o garante Universal da Educação, independentemente das condições económicas, sociais ou religiosas de cada discente. A Escola Pública transmitiu-me o Saber, e a Vivência. Sempre tive excelentes professores na Escola Pública, logo, tenho que o afirmar de forma veemente que sou grande adepto e defensor da Escola Pública, Escola essa que foi marcadamente melhorada e aumentada durante a Primeira República. 

Mas o que me repugna, são as elites neoburguesas pseudossocialistas, que nunca leram a "República" de Platão, que muito pouco sabem o que é a Rex Pública, o Bem Comum, e apenas fazem greve, num ato extremo de egoísmo coletivista, pondo em causa a educação de milhares de crianças, apenas porque foram postas em causa as suas necessidades de CAPITAL.

Sindicalistas e agiotas, fazem todos parte do mesmo coio de abutres e mercenários, da ralé mais nojenta e execrável de parasitas, que mais não faz que extorquir e viver à conta dos recursos do país e dos impostos dos contribuintes! Não nos iludamos, Mário Nogueira e Abebe Selassie "são farinha do mesmo saco", pois para estes mais importante que Portugal, é encher os bolsos extorquindo o próximo, o primeiro com juros AGIOTAS, o segundo com "direitos adquiridos" no tempo das vacas gordas.

CP: MANIFESTO ANTI-GREVE


Caro utente da CP, segundo dados oficiais, a greve dos maquinistas da CP, já fez suprimir milhares de comboios. Só em 2011, a CP perdeu oito milhões de euros de receitas devido às greves, e nesse mesmo ano foram apresentados 51 pré-avisos de greve, o que dá cerca de dois meses e meio de trabalho por ano.

Eu, que todos os dias entro às nove da manhã, e que saio do trabalho cerca das 19, já há mais de dois meses que não tenho comboio para casa, pois os comboios que saem de Sta. Apolónia para Castanheira do Ribatejo, têm sido sistematicamente suprimidos. Após nove horas de trabalho, chego à estação e não tenho comboio para casa, já se tendo repetido esta situação comigo pelo menos mais de 20 vezes. (Comboio das 20:05 e das 21:05 de Sta. Apolónia para Castanheira do Ribatejo é suprimido todos os dias há meses).

Há maquinistas, noticia o jornal Sol, que chegam a receber de vencimento 50 mil euros por ano, que em 14 meses é aproximadamente 3500€ por mês, sete vezes o salário mínimo nacional. Ora o salário mínimo nacional, é auferido por cerca de 600 mil portugueses, que em clima de austeridade têm feito sérios esforços de contenção financeira. Os maquinistas estão em greve, em protesto contra o corte nas horas extraordinárias que lhes tem sido aplicado, corte esse que afeta toda a população portuguesa. Todavia como não lhes foi concedido regime de exceção, decidiram fazer greve.

Considere ainda que a CP, apesar de prestar no meu entender um bom serviço por ser pontual e os comboios serem confortáveis, tem um passivo acumulado de cerca de 4 mil milhões de euros, o que dá 400€ por cidadão, ou seja, você caro utente e cidadão, deve aos credores da CP, em nome do Estado Português 400€.

Fique sabendo também que só em salários a CP gasta, dos seus impostos caro utente, pois você é acionista da CP enquanto contribuinte e enquanto cidadão português, 115 milhões de euros por ano, que representam cerca de 36% dos gastos totais da empresa, desconsiderando juros e impostos. A CP gasta por ano 165 milhões de euros só em juros.

Parece-me também evidente, que a greve da CP não prejudica o Primeiro-Ministro, Dr. Pedro Passos Coelho, pois este é servido por uma frota automóvel luxuosa 24h por dia à sua disposição, a greve não prejudica o Ministro da Economia, Dr. Álvaro Santos Pereira, pois este desfruta de uma frota automóvel opípara, nem a greve prejudica muito menos o Presidente do Conselho de Administração da CP, Sr. Eng.º Manuel Queiró, pois este tem à sua disposição, entre outros luxos, um automóvel, com combustível, portagens e demais despesas inerentes comparticipadas.

A greve da CP, prejudica sim, indubitavelmente, o trolha, o empregado de balcão, o jovem precário recém-licenciado, a empregada de limpezas, o administrativo, o funcionário do call-centre e muitos outros trabalhadores que ganham o salário mínimo nacional, e que se não forem trabalhar têm o dia descontado. Todavia, fique sabendo caro utente, que quando um maquinista faz greve, o sindicato paga-lhe o dia.

A greve também contribui para que a generalidade da população portuguesa pense, erroneamente, que os transportes públicos prestam um péssimo serviço “porque estão sempre em greves”, fazendo com que a maioria das pessoas considere “que sem carro não me safo!”. Esta corrente de pensamento tem sido trágica, num país sem recursos petrolíferos endógenos, e onde ¼ das importações são carros e combustíveis.

Assim sendo, exerça a sua CIDADANIA: INDIGNE-SE e REVOLTE-SE contra esta abismal injustiça preconizada por uma elite profissional que muito tem prejudicado o bom nome da ferrovia em Portugal, um meio de transporte nobre, por ser eficiente e dos mais amigos do ambiente!

Um utente indignado
*escrito após mais uma supressão do comboio que me levava a casa

A greve dos maquinistas da CP


Pichação em estação ferroviária de Lisboa
  
Não há por aí nenhum nacionalista pagador de impostos com vontade de HUMILHAR e OFENDER verbalmente maquinistas da CP??? Num país com graves problemas de desemprego, em clima de austeridade, cujo povo leva o saque em impostos, não pode pagar ordenados faraónicos a NÉSCIOS CHUPISTAS que chegam a mamar do erário público 50 mil euros por mês, e depois ficar calado!!!

Digo-o como assíduo utilizador da CP que já ficou apeado na plataforma este ano pelo menos mais de 20 vezes, devido às greves às horas extraordinárias dos maquinistas, esses mesmos que noticia o semanário Sol, chegam a ganhar 50 mil euros por ano, o que equivale aproximadamente a sete vezes o salário mínimo nacional.

Aliás o próprio administrador da CP refere que só em salários a CP gasta 115 milhões Euros por ano, e todos os anos tem prejuízos brutais que são pagos com impostos. Uma empresa que suprime comboios constantemente não presta serviço público. E privatizar ou conceder a privados não significa menos qualidade de serviço! Se os trabalhadores da CP não queriam que a coisa chegasse a este ponto, tivessem mais respeito pelos utentes porque os membros do governo e a administração andam de carro, não andam de comboio.

A Fertagus presta serviço público e é gerida por privados e não faz greve nem deixa passageiros apeados.

FERVE e Precários Inflexíveis, uma antro de putos politiqueiros


Uma análise filosófica ao sindicalismo e ao capitalismo contemporâneos

A escravatura não é só trabalhar e ganhar mal,
é essencialmente trabalhar naquilo que se detesta,
só porque se têm contas para pagar
Se há pessoa que mais assertivamente é contra a precariedade e ilegalidade preconizada pelos falsos recibos verdes, sou eu. Tenho ajudado gratuitamente várias pessoas a endereçarem queixas à Autoridade para as Condições do Trabalho, contra as suas situações laborais precárias e ilegais. Indiferente a querelas político-partidárias tenho ajudado-as a resolver os seus problemas laborais, e muitas das referias pessoas, após queixa oficial à ACT, melhoram bastante a sua situação laboral. Se há facto que sempre me indignou, foi esta escravatura preconizada pelo sistema neoliberal, que trata o ser humano como peça da maquinaria cujo objetivo primordial é produzir lucro. O capitalismo e o neoliberalismo desumanizaram completamente a condição humana, e para estes sistemas políticos, o ser humano é somente uma peça, descartável e dispensável, e que pode ser explorado a bel-prazer.

Nas sociedades capitalistas, o objetivo primário de qualquer cidadão é angariar capital, e de qualquer empresa é ter lucro, enfim obter o tão aclamado dinheiro. É comum, por exemplo, os cidadãos destas sociedades considerarem que o que é barato ou gratuito não presta ou não tem valor e o que é caro é bom, tal é a força pulsante que o capital incute no subconsciente coletivo, normalmente através da publicidade. Vemos que este paradigma é completamente falso, por exemplo na área alimentar: a comida mais saudável, frutas e legumes, normalmente é a mais barata. Para o capitalista o ser humano é um escravo, uma parte dispensável da maquinaria cujo objetivo primário é o lucro. Nesta senda por dinheiro, entra a precariedade inaceitável, onde o trabalhador sob a capa de um profissional liberal labora sem quaisquer direitos ou garantias preconizadas pelo Código do Trabalho.

A greve nos transportes públicos


Hoje, feriado, dia 15 de agosto de 2012, sucede-se mais uma greve no setor dos transportes públicos. Como eu há muito tempo, optei pela mobilidade sustentável, e decidi vender o carro, desloco-me somente de transportes públicos e de bicicleta. Compro o passe todos os meses, e combinado com a bicicleta, permite-me uma mobilidade na cidade, infinitamente superior à do carro, e infinitamente mais barata que este. Todavia, há uma questão que me deixa exacerbado, já lá vão alguns anos: a inexorável ideologia sindicalista deste setor, que acha que prejudicando constantemente a vida aos utentes, levará as suas reivindicações egocentristas avante.

Há aqui um fator que é necessário considerar no meu entender. Obviamente que os Transportes Públicos (TP) têm de ser financiados pelo erário público, isso nunca esteve em causa. Os TP não dão nem nunca deram lucro em nenhum país, dada a sua vertente de utilidade pública, mas também não se lhes pode sugar o que se aprouver, só porque estão sob a égide do Estado. As empresas de TP tem um passivo acumulado de 17 mil milhões de Euros. Aliás, a maior fatia corrente da despesa destas empresas são os juros. A dívida foi criada para melhorar as infraestruturas dos transportes públicos nacionais, e houveram melhorias: o Metro de Lisboa expandiu-se bastante, o Metro do Porto foi criado e tem uma rede vastíssima, oferecendo serviço de qualidade e por exemplo foi renovada a linha ferroviária para Évora, e tudo isto foi feito à custa de dívida cujos juros agora são astronómicos e que já superam mesmo a vertente salarial. 

Dia 2 de Fevereiro, dia de greve no sector dos transportes


Felizmente, a sitauação na CP às 9:00 era de que 80% dos serviços estavam funcionais. 

Mais uma vez os partidos da esquerda parlamentar revelam um autismo gritante e irresponsável no que concerne à questão dos transportes cujas empresas têm um passivo acumulado de 17 mil milhões de euros.

Sou de esquerda, mas estas esquerdas são neo-burguesas e irresponsáveis. Quando há 400 mil pessoas a ganhar o ordenado mínimo, quando há milhares de reformados com pensões mínimas de cerca de 300€, quando há pelo menos 500 mil falsos recibos verdes que ganham menos de 500€/mês sem quaisquer direitos, vemos os partidos da esquerda a defenderem os maquinistas do Metro e da CP, onda há gente a ganhar do erário público 50 mil euros por ano. É gritante e é um ultraje.

Os sindicatos não fizeram greve hoje, por consideração aos utentes, fizeram, porque lhes vão ao bolso nas suas regalias faraónicas, e os partidos da esquerda vão de encontro a estes pretextos egoísticos. A greve não prejudica o grande capital, o burguês, o patrão, o endinheirado, o político nem muito menos Passos Coelho, prejudica sim, o plebeu e o trabalhador comum que vão ter o dia descontado no seu já parco salário. Já nos maquinistas, o sindicato paga-lhes o dia.

Sempre o disse, a podridão e a miséria do país têm dois grandes causadores: o neo-liberalismo selvagem com proveniência nas terras do tio sam; e uma pseudo-esquerda burguesa, irresponsável, relativista e autista que considera que a matemática das contas públicas é um mero exercício de retórica.

Um pequeno conto no dia de greve


O António, 34 anos, é licenciado há dez anos na área das letras, mora em Vila Franca de Xira ainda em casa dos pais, pois as rendas estão caras e a compra de habitação nova é praticamente impossível, trabalha em Lisboa numa pequena empresa e ouviu falar da greve de dia 24 pelo jornal gratuito que lê no comboio. O ordenando do António é de 400 euros por mês a recibos verdes, sem pagar quaisquer descontos para a segurança social ou fazer quaisquer retenções na fonte de impostos, tendo de no final do ano ainda de pagar taxas. O horário do António é flexível, ou seja, trabalha oito horas divididas em três períodos diferentes entrando às 9:30 e saindo às 20:00. Da última vez que perdeu o emprego não lhe deram subsídio de desemprego e esteve sete meses à procura de trabalho sem qualquer mensalidade ou prestação, e da outra vez que ficou doente, não recebeu qualquer abono ou prestação por doença. Nunca na sua vida, enquanto trabalhador recebeu quaisquer subsídios de férias ou de Natal, e quando falta duas semanas por ano para ir com os pais para a terra da mãe, recebe metade do ordenado.

O Saraiva tem o 12º ano, é maquinista da CP há quinze anos e faz parte do sindicato, não conhece, nem nunca ouviu falar do António, é apenas mais um desconhecido. O Saraiva, ganha dois mil euros por mês limpos, já com os descontos avultados que a empresa paga à segurança social e com os montantes avultados que a empresa retém em impostos que o Saraiva receberá no final do ano, sendo que tem direito a todas as benesses e a todas as regalias de qualquer trabalhador com contracto sem termo. O Saraiva tem as viagens gratuitas para si e para os seus, tem os filhos a estudar em colégios particulares, tem um BMW série 3 e tem a casa quase paga e todos os anos passa férias no Algarve com a família num condomínio privado. O Saraiva trabalha em média seis horas por dia e chega a ter por vezes trinta dias úteis de férias por ano.

O António, que nunca teve direito a férias pagas, para ir trabalhar apanha o comboio das 8:43 todos os dias para Lisboa. Há uns meses o seu passe mensal da linha do norte nos suburbanos foi severamente aumentado e leu no jornal que o ministro da tutela havia dito que tal se deve ao passivo colossal das empresas de transporte. No dia de greve, o António, cujo passe que comprou teoricamente daria para todos os dias do mês, juntar-se-á mais quatro amigos e irão de táxi para Lisboa, ficando a 10 euros a cada um, tudo porque o Saraiva que conduzia o comboio das 8:43, assim como os seus colegas, farão greve e estarão no Rossio a gritar “Mais direitos e mais salários!”

A empresa onde trabalha o António dá lucro, e muito à custa do trabalho empenhado e dedicado do António e seus colegas, a empresa onde trabalha o Saraiva dá prejuízos abismais e consegue manter-se pois compensa as dívidas em parte, com os impostos que paga a empresa do António. No dia da greve, que por coincidência é o dia em que o António tem uma entrevista de emprego para um trabalho um pouco melhor, os cinco colegas que vêm de táxi, onde o António se inclui, ficaram na zona da Estrela, pois trabalham todos nessa área geográfica.

O António, que raramente vestiu fato, fê-lo nesse dia para a entrevista na empresa que ficava na rua de São Bento. O António, que não conhece bem a zona, desce a Calçada da Estrela, e para se dirigir até ao local da entrevista, passa acidentalmente pela escadaria da Assembleia da República. O Saraiva, que para a zona já se tinha deslocado em protesto pela aprovação do orçamento de estado, que lhe cortará os subsídios extraordinários e avultados que tão copiosamente gasta em electrodomésticos importados, ao ver o António aprumado, a passar na escadaria do Parlamento, e exuberado pelas emoções da luta sindical, grita “Ladrão! Ladrão!”. As massas incendiárias, ao verem um homem tão aprumado em frente ao Parlamento, e sequiosas de vingança, correm para o António para o linchar. A polícia ao se aperceber acorre ao António, mas o Saraiva que quebra o cordão policial, esmurra-o e grita-lhe bem alto provocatoriamente “Capitalista!”. Fica com ferimentos ligeiros e vai ao hospital para ser tratado, cujas urgências estão num caos devido à greve. Chega a casa à uma da manhã, depois de pagar 50 euros de táxi, faltou à entrevista e perdeu a oportunidade de um trabalho um pouco melhor, sendo que as condições eram apenas ligeiramente superiores às actuais.

No dia seguinte, voltou a apanhar o comboio das 8:43 conduzido pelo Saraiva, que por sinal não perdeu qualquer vencimento devido à greve, pois o sindicato dos maquinistas pagou o dia de greve aos seus associados; entrou o António na carruagem apinhada de gente e foi desconfortavelmente em pé, pressionado pelos outros passageiros, aliás como todos os dias, durante 30 minutos até Lisboa. Chega ao trabalho e o patrão diz-lhe: “Faltou ontem, não foi António? Fique sabendo que aqui não se pratica o laxismo da função pública. Nesta empresa só queremos pessoas dinâmicas, empenhadas e trabalhadoras. A sua atitude é incompatível com os valores da nossa empresa. Está despedido!”

Considerações histórico-filosóficas sobre a usura


Meus caros, o estado é pródigo nos ordenados milionários e nas regalias faraónicas eternas e sem condicionalismos socioeconómicos que confere aos seus bem-fadados, tal já é sabido, o sector público é profícuo em benesses imperiais que concede aos seus funcionários e sem quaisquer géneros de contrapartidas, e os casos mais gravosos nem sequer são na administração central nem nos institutos, mas são-no sim nas empresas públicas. Ora vejamos, a CP e o Metro de Lisboa ou do Porto, assim como a Carris, STCP e outros derivados na área dos transportes têm um passivo da ordem dos 17 mil milhões de euros, e os proxenetas que lá trabalham passam a vida a reivindicar e a fazer greves, esquecendo-se que as novas gerações à rasca, têm de se contentar com 500 euros a recibos verdes.

Pois alguém se esqueceu que há aqui um fosso geracional deveras sem paralelo que começou com os arautos mensageiros da liberdade seguidores doutrinários de Marx e de Lenine, que em 1974 fizeram uma revolução. O Velho, que liderava o estado a que chamavam de Novo, tinha o país na miséria onde as crianças iam descalças para a escola, tendo o país apenas uma auto-estrada entre Lisboa e Vila Franca; depois vieram os indignados que fizeram a revolução dos cravos e que se apoderaram do poder e colocaram-nos no estado que temos, terciarizando completamente o tecido económico e empresarial. Ou seja, definhámos a indústria, esquartejámos todo o nosso sector produtivo com o 25 de Abril, o povo já não queria trabalhar nas fábricas e moveu-se para os escritórios e para os bancos, querendo obviamente todos melhores salários e mais direitos, depois veio a União Europeia que deu a machadada final nas pescas e na agricultura; agora compramos fruta e pescado aos espanhóis, os telemóveis – dizem as estatísticas que somos dos países com mais telemóveis por habitante – compramo-los aos finlandeses e a aos coreanos, os carros aos alemães e aos franceses e vamos oferecendo turismo para os reformados europeus se refastelarem nas nossas praias. Com o 25 de Abril, passámos do miserabilismo salazarista ao novo-riquismo socialista. Antes gastámos muito menos do que tínhamos, e tínhamos muito oiro no banco central e o país estava na miséria agarrado aos pilares sacrais da Santa Sé e da nossa senhora de Fátima, com muita da população analfabeta e com cuidados de saúde paupérrimos; depois da revolução, gastámos muito mais do que podemos, e se não temos, pedimos emprestado que paga-se depois; queimámos o oiro, que o Velho guardou tão copiosamente, em frivolidades e em inutilidade como auto-estradas para cada cidade, em formações e subsídios inúteis, e demos regalias faraónicas aos funcionários das empresas públicas. Se não temos dinheiro, pede-se emprestado que haverá sempre algum usurário predisposto a ganhar dinheiro com o país.

Mas no outro dia vi uma cena em sonhos em que perguntava um jornalista cineasta com uma veia pseudo-artística a uma velhinha de rua:
– “Minha senhora, poderá dizer-me por favor no seu entender, qual a diferença entre uma pessoa interesseira e uma pessoa interessante?”
E a velhinha na sua ingenuidade popular, responde:
– “Uma pessoa interesseira não interessa a ninguém pois faz tudo por interesse, e uma pessoa interessante é alguém que dá prazer ouvir e que fala muito bem.”

Pois a mesma pergunta, feita a um filólogo professor universitário, tem a seguinte resposta:
– “Tal pergunta, remeter-nos-ia para as questões etimológicas dos termos e como a língua portuguesa obtém certos derivativos nos seus sufixos, mas pode claramente afirmar-se que presentemente todos os dicionários referem que uma pessoa interesseira é aquela que pratica interesses, ou seja, que cobra juros no empréstimo de dinheiro, e uma pessoa interessante, é alguém que manifestamente tem dotes intelectuais que cativam o interesse dos outros.”

Pois é meus caros, a língua portuguesa é douta nas suas idiossincrasias, mas curiosamente há muitos paralelos entre os ideários dos comunistas e os da visão cristã medieval em relação ao capital e à cobrança de juros, tecnicamente denominada por usura. Leiam atentamente este texto retirado de Ricardo J. F. Ferreira, num trabalho denominado “O Dilema ancestral dos juros”.

“Nem sempre prevaleceu na sociedade ocidental, tal despudor com relação à cobrança de juros. Pelo contrário, a cultura ocidental, em seus fundamentos greco-romanos e judaico-cristãos foi, na maior parte dos três últimos milénios, bastante restritiva e intolerante para com o conceito de juros e com a sua aplicação. Nesse amplo espaço de tempo, filósofos, economistas, juristas e religiosos de variadas orientações, têm se pronunciado em debatida e acalorada controvérsia. Essa controvérsia não se limitou à maior ou menor dimensão das taxas cobradas de juros, mas à própria legitimidade moral da aplicação desse procedimento. A importância da religião no contexto histórico, em todas as partes do mundo, tem assegurado às igrejas e templos uma precedência relevante para orientar o estabelecimento e prevalência de normas sociais. Isso tem sido aplicado, obviamente, também na cobrança de valores por dívidas, vale dizer, pela cobrança de juros. E, consoante à tradição cristã, historicamente predominante na civilização ocidental, foi generalizada a proibição da cobrança de juros. O cristianismo, mesmo inspirado na tradição judaica, evoluiu como uma dissidência, e modificou a normativa prevalente entre os judeus quanto à cobrança de juros. A determinação da moral judaica proibia a prática de juros nos negócios entre judeus, mas permitia a sua cobrança nos negócios entre judeus e gentios. Porém, a tradição cristã, passou a condenar a cobrança de juros de forma generalizada. Assim, desde os primórdios, a igreja cristã tem condenado a usura, ou seja, a cobrança de juros de todas as formas. Acreditasse que a generalização da condenação à cobrança de juros estaria associada à crença cristã de que a salvação deixara de ser uma prerrogativa apenas dos judeus, “povo eleito de Deus”, para ser estendida a toda a humanidade. Quebrada essa fundamental distinção teológica, na concepção cristã não se justificava tratar desigualmente cristão e gentio e, portanto, a prática da usura, ou seja, a cobrança de juros seria considerada “pecado” independente de quem fosse o mutuário de um empréstimo. A condenação à usura, tornou-se especialmente disseminada na Europa durante a Idade Média, período no qual a Igreja Católica Romana exerceu uma influência política e cultural sem contestação. E a posição da Igreja Católica Romana, prevalente no período medieval até o final do século XIX, foi de condenação veemente ao que considerava ser o “pecado da usura”. Nas palavras atribuídas a Santo António de Lisboa (1195- 1231) pode-se perceber toda a veemência dessa condenação:

“Que sumam da terra os gananciosos, porque esses se tornaram malditos ao não se curvarem diante de Deus e não se compadecerem de ninguém, exibindo, em suas bocas, presas como as dos leões, mas que fedem apodrecidas, embebidas no veneno do dinheiro e no esterco da usura.”

O catolicismo tem condenado a usura argumentando que a cobrança de juros é exercida mediante o decorrer do tempo e dele depende. Ora, como o tempo não pertence a ninguém, somente a Deus, não se justificaria usá-lo para aumentar o valor do dinheiro emprestado, cobrando juros sobre esse valor. Também, ao afirmar que somente o trabalho pode gerar riqueza sendo o dinheiro (capital) incapaz de gerá-la. Portanto, o eventual excedente representado pelos juros e adicionado ao dinheiro emprestado teria se originado do trabalho executado por quem tomou empréstimo, não se justificando a sua destinação ao dinheiro originalmente emprestado que deveria ser devolvido sem a cobrança de juros. Ainda, a argumentação postulada pelo religioso Tomás de Aquino (1225-1274), canonizado como santo pela Igreja Católica Romana apontava a usura como uma operação carente de lógica, pois, o dinheiro do credor (aquele que empresta) passaria a ser de propriedade do devedor (aquele que toma emprestado) e somente voltaria a ser de propriedade do primeiro após o decurso do prazo da operação. Portanto, como alguém deveria pagar juros pelo uso de um bem que seria de sua propriedade? Essa “teoria da propriedade” do dinheiro incluía-se no arsenal de razões desenvolvidas pelos intelectuais católicos para sustentar a condenação da usura.”

Pois é, a prática de cobrança de juros, que hoje é considerada banal, foi em tempos um pecado condenado pela Santa Sé, pois assim são todos os bancos pecadores pelo empréstimo de dinheiro a juros, e nomeadamente os grandes bancos alemães pois andaram a emprestar dinheiro e países em dificuldades como a Grécia ou Portugal. Não quer isto dizer que a Santa Sé considerava pecado o empréstimo de dinheiro, considerava pecado sim, a cobrança de juros no empréstimo de dinheiro que se fazia a alguém, pois o credor estaria a lucrar com as dificuldades financeiras do devedor. Mas quão engraçado é asseverar os paradoxos crassos dos católicos modernos, pois estão tão completamente envolvidos nestas áreas do capital e dos negócios dos bancos, que é interessante asseverar que muitos católicos modernos são mais usurários do que o que foram em tempos muitos judeus. Basta atestarmos as lideranças de muitos bancos nacionais.

Mas remetamo-nos à epígrafe da questão, pois o estado português endividou-se bastante junto de usurários para sustentar as grandes benesses dos trabalhadores das empresas públicas, mais precisamente a companhia aérea nacional que está inundada em dívidas que são arcadas pelo erário público. Refiro-me agora aos proxenetas, aos chulos da aviação que são os pilotos da TAP. Esses proxenetas, que tiram em média 19 salários mínimos para casa (fonte do Diário Económico), que todas as fontes jornalísticas referem que ganham cerca 8600 euros por mês, numa empresa afundada em prejuízos, agendaram mais uma greve generalizada para vários dias provocando na empresa prejuízos na ordem dos 5 milhões de euros por dia. Os chulos da TAP, leia-se pilotos, que por terem um ofício com muita responsabilidade e por terem pago muito dinheiro pelo curso, acham agora que podem extorquir o erário público, com os salários milionários que auferem; e quando a coisa não lhes vai a eito, fazem greve provocando graves prejuízos na companhia aérea. O jornal Público, refere hoje, na página 22, que os pilotos pretendem fazer greves nos dias 9, 10, 11 e 12 de Dezembro deste ano de 2011, e ainda nos dias 3, 4, 5 e 6 do próximo ano, altura em que a companhia aérea nacional tem um grande volume de negócios devido às festividades da época. Os chulos, os proxenetas, leia-se pilotos, acham que podem deixar de trabalhar quando lhes apetece e mais lhes convém e porque têm a faca e o queijo na mão da companhia, podem reivindicar o que lhes aprouver, mesmo que tal coloque em causa a sanidade financeira da empresa, cujos prejuízos caem em cima do povo português que paga impostos e que lhes paga o ordenado. Os chulos, que afirmam que pagaram muito pelo curso e agora querem ver retorno, esquecem-se que não vivemos nas terras do tio Samuel em que os cursos universitários são pagos a peso de ouro numa óptica mercantilista e capitalista sem precedentes, e que posteriormente há que ganhar o máximo dinheiro que se possa, nem que se tenha de chular a prostituta chamada república portuguesa. Os chulos, leia-se pilotos, não têm tento, nem consideração para com o povo que ganha 800 euros de salário médio e que paga os impostos que lhes sustentam os ordenados faraónicos. Os chulos da aviação, leia-se pilotos, acham que nasceram com mordomias aristocráticas, quais burgueses feudais da idade média, e que têm direito natural a poder mamar do erário público 19 ordenados mínimos, quando o ordenado médio da população é cerca de dois ordenados mínimos. Esses chulos que alegam que pagaram muito pelo curso e que têm de ter muitas horas de voo em aviões que têm de alugar e que tal sai caro, acham agora, porque fizeram um grande investimento na carreira, que podem chular exorbitantemente o estado e todos nós, sendo que um dos argumentos usados pelos chulos é de que têm um trabalho com muitas responsabilidade. E um condutor de autocarro de crianças de escola que ganha 600 euros por mês? E um médico que está de banco que ganha 10 vezes menos que os chulos? E um investigador na área dos mediamentos anti-virais? E um primeiro-ministro? Mas os chulos, leia-se pilotos, acham que o povo e a sua prostituta chamada república portuguesa devem trabalhar incansavelmente e até à exaustão, sendo totalmente definhada, para saciarem os seus ímpetos burgueses e aristocráticos.

Lembremo-nos que os chulos, e refere hoje o jornal Público, já fizeram uma greve em 2007, para manter a idade de reforma nos 60 anos, ao contrário do “povão” que tem de se contentar com os 65, e conseguiram o que queriam, em 2009 fizeram outra greve onde reivindicavam a partilha dos ganhos de produtividade da empresa, e lá lhes deram o que queriam, ou seja 4 milhões de um bolo total de 8 milhões de euros e em 2010 os chulos voltaram a convocar outra greve na altura da Páscoa e mais uma vez a empresa cedeu às suas reivindicações. Os chulos têm muitos nomes, um deles é piloto da TAP.

Pois é meus caros internautas, os meus queridos familiares mais jovens, pessoas eruditas e qualificadas, que também fizeram um grande investimento financeiro e pessoal no curso superior com largos anos a estudar e a pagar propinas, que agora entraram no mercado de trabalho, fazem parte da geração à rasca, ou seja, ganham 500 euros a recibos verdes numa precariedade inaceitável e inqualificável sem quaisquer regalias, benesses ou subsídios; e os outros, com o rabo agrafado à cadeira com um estatuto estatal inabalável, e com ordenados ofensivos à dignidade humana lusitana, ainda ousam indecorosamente e sem qualquer vergonha nas ventas, fazerem greves que causam graves consequências para as empresas públicas de que todos nós somos detentores.

Até quando durará o saque dos pilotos da TAP ao erário público?

Fonte dos dados: Jornal Público (pág. 22 do dia 17/11/11) e Diário Económico na seguinte página

Ganham 2800€/mês, trabalham 4 horas por dia, têm 30 dias úteis de férias, e fazem greve!


Trabalhadores do Metro de Lisboa em greve
Há pouco tempo houve uma grande manifestação denominada "Geração à Rasca" que teve uma afluência bastante considerável e de grande relevo nos meios de comunicação nacionais. Os contestatários protestavam contra as condições laborais presentes do país em que vivemos, essencialmente nos jovens, relevavam a precariedade laboral, nomeadamente os recibos verdes e referiam os que auferem apenas 500€ por mês, mesmo sendo licenciados.

Há que esclarecer estes contestatários que quando o bolo se cria através da riqueza que geramos, do PIB, há que reparti-lo pelos portugueses. E acreditem que não criamos muita riqueza, comparando com a média europeia.

Os maquinistas do Metro de Lisboa que fizeram greve hoje, dia 15 de Março de 2011 e que deixaram a cidade num caos, transtornando bastante a vida dos lisboetas, ganham através do erário público, pois são os contribuentes, todos nós que lhes pagamos, em média 2850€ por mês, o seu tempo de condução é entre três e quatro horas diárias, e têm 30 dias úteis de férias por ano (um trabalhador comum tem 22). Há maquinistas do Metro a ganhar 4600€/mês. 

Os jovens portugueses têm de se mentalizar que é premente acabar com as regalias secularmente estabelecidas, desde quase os tempos feudais, pois estamos em tempo de crise.

É por causa destes extorsionários que o país não avança, há milhares de desempregados, precários, jovens a recibos verdes a auferir 500€ por mês, e certas elites públicas regalam-se com as benesses imperiais que detêm e nada os demove na alienação dessas regalias feudais. A média salarial em Portugal é cerca de 750€ por mês, e por certo mais de noventa por cento dos trabalhadores que auferem rendimentos abaixo da média não fazem greve, pois são precários, mas aqueles que mais ganham e mais regalias têm são sempre os mais contestatários e que mais greves fazem.

Não há ninguém com capacidade elucidativa para explicar aos funcionários do Metro de Lisboa que o patrão deles não é o seu Director nem Sócrates, nem o ministro dos transportes, mas sim todos os contribuintes portugueses, ou seja todos nós. Não há ninguém que explique aos funcionários do Metro que eles deveriam dirigir as suas reivindicações a todos nós contribuintes e não ao governo. E não há ninguém que explique aos portugueses que o Governo existe apenas para administrar o erário público, ou seja, o dinheiro de todos nós. 

E findo esta missiva profusa em indignação de um mero contribuinte português, referindo uma lista pública dos vencimentos anuais dos administradores das empresas públicas portuguesas de maior relevo e alguns cálculos auxiliares elucidativos.

Valores anuais:

420.000,00 € - TAP - administrador - Fernando Pinto
371.000,00 € - CGD - administrador - Faria de Oliveira
365.000,00 € - PT - administrador - Henrique Granadeiro
250.040,00 € - RTP - administrador - Guilherme Costa
249.448,00 € - Banco Portugal - administrador - Vítor Constâncio
247.938,00 € - ISP - administrador - Fernando Nogueira
245.552,00 € - CMVM - Presidente - Carlos Tavares
233.857,00 € - ERSE - administrador - Vítor Santos
224.000,00 € - ANA COM - administrador - Amado da Silva
200.200,00 € - CTT - Presidente - Mata da Costa
134.197,00 € - Parpublica - administrador - José Plácido Reis
133.000,00 € - ANA - administrador - Guilhermino Rodrigues
126.686,00 € - ADP - administrador - Pedro Serra
96.507,00 € - Metro Porto - administrador - António Oliveira Fonseca
89.299,00 € - LUSA - administrador - Afonso Camões
69.110,00 € - CP - administrador - Cardoso dos Reis
66.536,00 € - REFER - administrador - Luís Pardal: Refer
66.536,00 € - Metro Lisboa - administrador - Joaquim Reis
58.865,00 € - CARRIS - administrador - José Manuel Rodrigues
58.859,00 € - STCP - administrador - Fernanda Meneses
_____________
3.706.630,00 €
926.657,50 €  - Média Prémios
______________
4.633.287,50 €

900,00 €/mês Média de um funcionário público

368 - nº de funcionários públicos que dá para pagar com o mesmo dinheiro

Quando é que os coutos feudais aristocráticos e oligárquicos findarão?

Fonte dos dados: Jornal Sol

O Sindicalismo do Capital


Vivemos claramente num regime capitalista, em que o estado social ainda tem um peso preponderante, e felizmente que assim o é. Portugal ainda consegue conciliar salutarmente o estado providência caracteristicamente europeu com origens germanas e um regime mais liberal claramente sucedâneo das doutrinas capitalistas do filósofo e economista escocês Adam Smith, que tem o seu apogeu no novo mundo!

Portugal concilia muito bem estes dois mundos. A segurança social e o serviço nacional de saúde ainda prestam com algumas limitações um serviço público de providência com alguma qualidade, e um indivíduo empreendedor e dinâmico que queira estabelecer o seu próprio negócio privado tem todas as condições estatais e fiscais para o fazer em Portugal. Portugal concilia salutarmente o capital com a doutrina do estado providência criado após a revolução dos cravos

E tais poderes teoricamente antagónicos e em dipolos ideológicos distantes conseguem em Portugal ter uma conciliação e um entendimento apesar das circunstâncias por vezes menos propícias, harmoniosos.

O que é realmente um autêntico sofisma declarado, um autêntico paradoxo ideológico que nos remete tão-somente para os interesses próprios sem quaisquer bases racionais ou políticas estruturadas, é aquilo que eu apelido de sindicalismo do capital

Pensemos conjuntamente, o que é que hoje mais se reivindica por parte dos sindicatos? A resposta apesar de aparentar ser filosoficamente contraditório é clarividente: Capital! Os sindicatos querem constantemente aumentos salariais, convocam greves quando há cortes salariais na função pública, os sindicatos dos juízes protestam contra os cortes salariais, os sindicatos dos trabalhadores da Imprensa Nacional Casa da Moeda fazem greve contra os cortes salariais, os polícias e os guardas querem nivelamento salarial, os enfermeiros querem subsídio de risco pecuniário e os sindicatos dos médicos querem que estes recebam mais pelas horas extraordinárias.

Hoje em dia caros leitores só uma forma de calar um sindicalista: com capital. Já não interessam as condições macroeconómicas do país ou se produzimos menos do que aquilo que gastamos, porque para um sindicalista há sempre o argumento falacioso do outro, de alguém que ganha mais, do gestor que ganha exorbitantemente mais. É certo que a classe gestora em Portugal, muita dela não passa tão-somente de um antro de lacraus. Vestem-se de fato e gravata, dizem uns anglicismos imperceptíveis ao comum dos trabalhadores e evocam a crise para contratarem funcionários de forma precária. Não nos iludamos, os gestores de fato e gravata que gerem o nosso país são a verdadeira causa do estado em que vivemos, e também o são os trabalhadores porque exigiram sempre aquilo que o país não podia suportar para comprarem as suas frivolidades de consumo importadas, que apenas desequilibraram a nossa balança comercial.

Sou bastante sincero: Para quê aumentar um funcionário público se ele gasta na maior parte dos casos mais de metade do que recebe em produtos que provêm do estrangeiro? Não será mais sensato apoiar as pequenas empresas a tornarem-se grandes? Não será mais sensato impulsionar a indústria que Portugal nunca teve de forma sustentada e produtiva? Industria pesada! Um país com uma costa marítima tão extensa que construía as suas próprias naus para navegarem para além do cabo da Boa Esperança, agora teve de se endividar para comprar dois submarinos ao exterior!

O endividamento externo é patológico na nossa sociedade e o sindicalista não passa de uma pequena criança que não entende tais parâmetros macroeconómicos. Quer o carrinho a todo o custo mesmo que o pai não tenha ordenado para o pagar. E como o pai é fraco endivida-se com uma credora para pagar o carrinho ao filho. Mas como o filho tem irmãos e irmãs, o pai endivida-se cada vez mais para saciar os ímpetos consumistas das crianças.

E qual é aquilo de quo o sindicalista está sempre mais sedento: Capital! O capital é a forma mais objectiva e fácil de calar um sindicalista!

Não é vergonhoso terem certas empresas públicas passivos da ordem dos milhares de milhões de euros como na área dos transportes e os trabalhadores dessas mesmas empresas estarem constantemente em protestos? Não é de uma indecência de bradar aos céus, visto que eles reclamam o dinheiro que não é do governo mas sim do erário público ou seja de todos nós?

A forma mais rápida de parar uma greve não é com cedência de exigências, mas com capital! Até porque na maioria dos casos as exigências passam sempre por aumento de capital!

Vejamos a greve vergonhosa dos pilotos da transportadora aérea nacional que extremamente bem remunerados exigiram aumentos salariais incomportáveis. Os funcionários dos impostos fizeram greve por aumentos salariais, os das alfândegas querem aumentos salariais, as forças da ordem querem mais subsídios de riscos que implicam aumentos de salário e os professores estão descontentes com as novas regras porque implicarão uma subida na carreira menos acentuada que fará com que a subida de ordenado seja também menos acentuada.

Historicamente o sindicalismo e o associativismo tiveram um papel preponderante nas exigências para melhores condições de trabalho, mais segurança no trabalho, menor carga horária, sistemas de protecção na doença e no desemprego, mas o que os sindicalistas ainda não se aperceberam é que pelo facto de o capitalismo estar tão entranhado no nosso quotidiano social, pois é o dinheiro que sustém todos os nossos luxos e mordomias, sendo muitos deles dispensáveis, é que os próprios sindicalistas tornaram as suas reivindicações mais capitalistas que o próprio patronato concebe.

Se eu for verdadeiramente Cristão e me apresentarem o Diabo, eu rejeito-o veementemente, mas se propuserem a um sindicalista aumentos de capitais às suas exigências, este regozija-se imediatamente, baixa a haste protestativa e dá o combate sindical temporariamente como terminado.

Houve em tempos um homem de esquerda que disse que a religião era o ópio do povo, talvez até fosse verdade, mas o sindicalismo irracional e meramente protestatório foi o ópio de Portugal ao longo dos seus 35 anos de democracia.