Raramente teço comentários frívolos e desmesurados sem consistência pragmática do mundo que nos rodeia. O meu lado apaixonante tenta sempre procurar as emoções que nos definem enquanto seres humanos, já o meu lado racional procura sempre a verdade, pura, crua, áspera e luminosa. Schopenhauer prefaciava a sua “Metafísica do Amor” com esta frase de Boileau “Nada é tão belo como a verdade, só a verdade nos serve”.
Ora dentro destes enquadramentos filosóficos, pragmáticos e humanitários tentarei tecer uma breve nota informativa aos cibernautas, onde explanarei o quão brutal e letal é a máquina bélica norte-americana. Prefacio este repto, ainda referindo que a minha área de estudo académica é a engenharia eletrotécnica, e poderia eventualmente denotar uma certa admiração pela tecnologia que está patente nas diversas maquinarias bélicas mais desenvolvidas. Muitos dos preceitos que permitem que o armamento americano seja o mais sofisticado e monstruoso do mundo assentam no facto de ter havido e ainda haver enorme desenvolvimento tecnológico por parte dos americanos nas áreas da mecânica, da eletrónica, do controlo, do posicionamento, da física tecnológica e da aerodinâmica. Poderia eventualmente denotar uma latente admiração por todo este desenvolvimento tecnológico, como aliás muitos o fazem. Abundam sítios de informação militar, sobre tanques de guerra, sobre o que permite a elevada cadência das balas numa metralhadora, sobre caças de guerra, sobre navios, sobre projéteis e muitas outras panóplias tecnológicas com o intuito de destruir e matar.
Eu enquanto técnico na área da eletrotécnica, apraz-me e tenho admiração somente pelos artefactos tecnológicos com o intuito de construir, facilitar, produzir e harmonizar a civilização universal. A minha doutrina religiosa proíbe-me de admirar e venerar maquinaria que tem o intuito de matar e destruir. Adoro tecnologia, mas tecnologia salubre, pacífica e construtiva, e é essa que quero ajudar a desenvolver enquanto engenheiro.
Pergunto eu aos caros e prezados cibernautas: porque é que a língua Inglesa é uma língua franca? Porque é que a cultura americana, como no cinema e na música, está tão disseminada no mundo? Porque é que o sistema capitalista singrou no mundo económico? Porque é que os EUA têm a hegemonia mundial? A resposta é clarividente: Porque os EUA têm a máquina bélica mais brutal e monstruosa que alguma nação jamais teve ao longo da história universal. E dou-vos dados e dou-vos números.
Falemos de porta-aviões.
Os EUA têm neste momento 11 super porta-aviões no activo e três em construção. Um super porta-aviões é um navio gigante com uma plataforma para suster cerca de 90 aviões. Tem um reactor nuclear para o movimentar e consegue estar no mar sem ser abastecido durante vinte anos. Cada um custa cerca de cinco mil milhões de euros. Para que servem os aviões nele contidos? Para matar e destruir! O segundo país em número de porta-aviões é a Itália que tem apenas dois, sendo que estes são de dimensões bastante menores. A China, a Rússia, o Reino Unido e a Índia tem cada um, apenas um porta-aviões também de dimensões reduzidas comparando com os super porta-aviões americanos.
Falemos agora de aviação.
A força aérea dos EUA tem no ativo no presente momento cerca de 5300 aeronaves. O exército tem cerca de 180 aeronaves e as forças especiais têm cerca de 260. Já a marinha tem cerca de 1800 aeronaves no ativo. Totalizando a máquina bélica norte-americana tem cerca de 7500 aeronaves no ativo. Neste número estão incluídos a título de exemplo os 66 bombardeiros B1 com um preço unitário de cerca de 500 milhões de euros, os 20 bombardeiros B2 com um preço unitário de cerca de 900 milhões de euros e os 343 aviões de guerra A10 com um preço unitário de cerca de 10 milhões de euros. E toda esta maquinaria aviónica tem um único intento: matar e destruir. Ora vejamos; a título de exemplo um bombardeiro B2 pode conter cerca de 23000 quilos de artilharia. Nesta incluem-se por exemplo 80 bombas Mk-82 de 220 quilos cada. Cada bomba destas contém 87 quilos de tritonal, uma mistura altamente explosiva de dinamite e pó de alumínio com uma capacidade destrutiva monstruosa.
E falemos agora em número de homens.
Os EUA têm no ativo no presente momento cerca de um milhão e meio de homens. A Rússia, a Índia e a Coreia têm cerca de um milhão e a China tem dois milhões. No entanto há a salientar que a China muitas vezes recorre ao exército para o auxílio em algumas catástrofes naturais, para auxiliar a população em cheias e terramotos, sendo que no caso americano os homens no ativo têm o único intuito de combater e matar os opositores do império americano no estrangeiro. Na China a percentagem de tropas do exército no ativo é de 0,17% da população e nos EUA é de 0,51%, representando assim os EUA um esforço militar em número de homens três vezes superior ao da China.
E quanto aos recursos financeiros alocados para a guerra?
Dados de uma agência não-governamental sediada em Estocolmo, os EUA despenderam em 2009 cerca de 500 mil milhões de euros em gastos militares (500 pontes Vasco da Gama), sete vezes mais que o segundo que foi a China com cerca de 70 mil milhões de euros. Aliás os EUA em despesas militares gastam o dobro do total de todos os países da União Europeia.
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| Gastos militares por nação em 2009 |
Quero com esta missiva caros leitores e cibernautas demonstrar que se a língua Inglesa é uma língua franca, se o capital está nos mais altos dos patamares, se somos invadidos com a cultura da comida rápida e calórica e da coca-cola, se o Sr. Obama é agraciado e venerado por todos os lugares onde se dirige, se concluindo os EUA é um país hegemónico, tal deve-se única e exclusivamente á sua vertente musculosa e militar. O ser humano por muito evoluído que se torne tem sempre aqueles resquícios primários que o torna um animal, e aqui meus caros comprova-se uma lei infeliz mas intemporal: A lei do mais forte.
Todos os impérios tentaram legitimar através da paz, da diplomacia, da arte e do direito as suas musculaturas bélicas e as suas hegemonias. O império romano fê-lo através da regionalização imperial, das regalias que dava a certos líderes regionais, do estatuto da cidadania romana aos bravos homens, da escrita, do sistema religioso politeísta e dos cânones do direito. O império Cristão legitimava as suas conquistas bélicas com Jesus de Nazaré, com um homem simples e plebeu que com a vida redimiu o pecado do mundo, legitimava as suas conquistas em África e no Oriente com os escritos sacrais e bíblicos onde se constata como Jesus havia curado os enfermos e como os apóstolos haviam convertido os gentios com o Amor de Deus e de Jesus. Os seguidores do Islão legitimavam as suas conquistas através do Corão, e da vida salubre de Maomé. Os soviéticos faziam-no em nome dos interesses do povo socialista. Napoleão combatia em nome do triângulo sacral da república, da Igualdade, da Fraternidade e da Liberdade.
O homem procura sempre uma legitimação eticamente salubre para os seus atos de violência, assim também o fazem os impérios. Ora a legitimação oficial para a maquinaria bélica e brutal americana é a Democracia. Todos os atos mais sanguinários perpetrados pelos EUA são sempre oficialmente cometidos em nome da Democracia. Assim o foi no Kosovo, no Iraque e no Afeganistão. Por muito que se saiba que os motivos são sempre os económicos e os hegemónicos o argumento facultado é sempre o democrático.
Mas sejamos pragmáticos, tal como referia Boileau, agrademo-nos com a verdade pura, e somente com a verdade, os EUA são neste momento um país hegemónico, o Inglês é uma língua franca e universal, o capitalismo e o liberalismo são doutrinas económicas transversais aos continentes; por muitas tentativas que o império faça de se legitimar como por exemplo no cinema, na música, no espaço cibernético, nas tecnologias de informação ou mesmo com o bem parecido Obama, os EUA são hegemónicos porque têm a máquina bélica mais brutal, letal e monstruosa que a civilização universal alguma vez já conheceu.
E usam-na sem pundonor, ou é preciso relembra-vos de Hiroxima e Nagasáqui?
Nota: Todos os números referentes ao armamento dos EUA foram retirados da Wikipédia (mais uma legitimação imperial)