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Missiva pública a um magno Poeta passionalmente obcecado


Caro Rui Pedro

A Inês com que se obcecou
http://pedro-procura-ines.blogspot.com/
Vi a tua história algures no espaço cibernético, aquando de uma pesquisa histórica de Pedro e Inês, e não pude deixar de me impressionar.

Não vou aqui evocar as questões amorosas de foro obsessivo que tens por uma mulher que tu denominaste Inês.

Aquilo que me deixou extasiado, e tal não posso deixar de referir, é a tua qualidade poética elevada, rimática e versal, inigualável e pouco ortodoxa considerando os tempos contemporâneos.

A Inês, por muito que a amasses, foi mais um propósito para a fama fácil ao sensibilizares a vernaculidade popular das velhinhas da verborreica Júlia e do misógino Gouxa. O que interessa caro Rui, é que a tua Poesia é de uma nobreza literária excelsa, e cumpre os requisitos das mais elevadas estrofes.

Tão bem que te compreendo, pois também eu sou Poeta, com livros editados de Poesia e com blogues com literacia profusa. Escrever poemas às demais é um ímpeto natural, primordial, e cumpre tão-somente os desígnios divinos e metafísicos do Amor, aquando do espalhamento dos genes do macho pelas fêmeas circundantes. A poesia é apenas o veículo do cortejo, qual pavão que mostra as penas coloridas e brilhantes, revelando fertilidade e altivez, características irresistíveis a qualquer fêmea.

Como Poeta que sou padeço, das mesmas patologias psíquicas que te afligem, no entanto cabe-me a fidelidade à minha companheira que amo e a quem dedico os meus versos.

Também já sofri de obsessões patológicas do foro passional por uma idílica mulher do Báltico, e eliminei-as com uma bela, serena, exuberante e voluptuosa morena Portuguesa com nome eslavo com que me uni maritalmente.

O meu conselho pedagógico e medicinal é para te reencontrares, procurando-te a ti mesmo pelas tuas origens geográficas e parentais, procurares salutarmente uma mulher que não provoque em ti sensações luxuriantes, mas de serenidade, amicais e amorosas, e dedicares os teus poemas ao povo Português, às nobres cidades do mundo, ao fado, às históricas estórias de Amor, aos mosteiros, e à amada com que te unires.

É que a humanidade judaico-cristã a que tu pertences, reitere veementemente através dos seus missionários, que a poligamia é uma heresia condenável pelas mais altas doutrinas.

Encontra alguém que verdadeiramente ames, porque obsessão não é amor, e rogo-te, continua a escrever Poesia.

Cumprimentos poético-literários

João Pimentel Ferreira

www.joaopimentel.pt
VerusVeritas.org

Portugal dos elitismos e dos coutos feudais! - Carta pública à Câmara dos Despachantes Oficiais



Venho por este meio apresentar a minha profunda revolta e indignação perante o monopólio que vossas Exas. representam junto dos cidadãos.

Portugal é mesmo um país miserável de elitismos consagrados desde há séculos aquando da sua Magna fundação que não teimam em ser abolidos.

Porque é que eu, tendo importando um simples artigo do estrangeiro, pequeno, numa importância pouco relevante, tenho segundo a lei, de contratar ou de ser representado por um despachante oficial? Fazem da minha pessoa, um imbecil, analfabeto, que não sabe representar-se perante uma alfândega, ou que não tem mãos para poder levantar o respectivo item adquirido fora do espaço comunitário.

Como se já não bastasse o IVA, e todos os injusto impostos que tenho de adiantar ao Estado, taxas alfandegárias, ainda tenho de ser representado por um despachante oficial!
E o legislador é coadjuvante desta situação injusta e de miserabilismo social. 

Meus senhores. Já não vivemos nos tempos das aristocracias elitistas, nem dos coutos feudais.
Eu sei ler, tenho um elevado grau académico, e como tal sei muito bem lidar com as burocracias inerentes ao levantamento de um objecto numa alfândega.

Desde quando preciso de um representante que a única coisa que fará será cobrar-me honorários?

Com os meus sincero agradecimentos.


João Pimentel


CONVITE - Editorial Minerva - "O Iniciado Português" de João Pimentel


Caros amigos e companheiros de jornada vivencial deste mundo maravilhoso, áspero e austero!

Venho relembrar-vos para a apresentação da obra prosaica "O Iniciado Português" de João Pimentel, que aborda de forma lírica, realística, meramente simplista, ou quem sabe fidedigna, a forma de iniciação nas sociedades secretas.

As sociedades secretas regem o mundo. E todas as sociedades secretas têm rituais iniciáticos, rituais de absorção ou de acolhimento. Vemos pelo mundo profano várias formas de iniciação: A praxe académica, o baptismo católico, a circuncisão, ou até a adesão a uma tríade, clube ou academia.

"O Iniciado Português" tenta abordar estas questões, nas sociedades secretas que mais importância têm no planeta e as que regem o sistema político, legislativo e social a nível mundial.

Aguardo veementemente pela vossa comparência

Melhores cumprimentos

João Pimentel

Carta de um crente a um Cristão


Prezado João Carlos Azevedo

Antes de mais queria agradecer-lhe bastante pelo seu contacto que se enquadrou na mensagem-e que me endereçou. Fez-me reflectir bastante sobre os princípios religiosos, transcendentais e metafísicos pelos quais me rejo e condiciono a minha vida.

Não se constranja em tratar-me por tu, pois não vejo qualquer impedimento retórico ou social em tais informalismos verbais.

Agradeço-lhe bastante também por ter dedicado algum tempo na leitura das minhas obras na língua portuguesa, pois encontrar alguém que o faça nos dias de hoje é, diria, quase raro, pois como presume, os jovens contemporâneos perdem-se muitas vezes nas frivolidades líricas da cultura e música de cariz anglo-saxónico.

Tento eu assim, prezar a língua camoniana, grafando nos papiros cibernéticos e convencionais alguma obra que creio, ter alguma qualidade literária.

Li na referência que me enviou o seu percurso individual a nível académico e pessoal e pareceu-me deveras um percurso interessante. Começou por ter uma educação católica romana, estudou Teologia, frequentou um seminário e posteriormente, questionou-se sobre todos os alicerces e edifícios teoricamente sagrados da Igreja católica romana, tendo aderido ao centro cristão vida abundante.

Se me permite, gostaria de tecer uma pequena missiva sobre a minha entidade enquanto ser humano racional e apaixonado pelas vicissitudes transcendentais e prosaicas.

Considero-me uma pessoa devota aos princípios em que acredito. Sou crente em Deus, e na Sua trilogia metafísica, omnipresença, omnisciência, e omnipotência, e acredito piamente nestes princípios. Acredito que o ser humano é uma mescla de sensações primárias que nos definem como animal e pensamentos puros abstractos que nos concedem a razão. É neste equilíbrio que encontramos a verdadeira alma humana, é esta ambivalência que nos define enquanto humanos.

A religiosidade sempre fez parte das histórias dos homens, desde tempos primordiais. A sensação faz-nos procurar Deus e um Messias, mas cabe à razão tecer tais argumentos filosóficos para os alcançar.

Procuro eu então encontrar-me neste equilíbrio de forças, os sentidos e os pensamentos. Acredito que um Deus todo o poderoso e bondoso na sua sacra e misteriosa doutrina reitera constantemente o equilíbrio universal, relegando para patamares desprezíveis os praticantes do mal, os déspotas e os maquiavélicos.

Apesar de não pertencer a nenhuma religião, sou baptizado, no entanto raramente vou às missas. No entanto confesso-lhe que em todos os templos, cristãos, muçulmanos, ou quem sabe judaicos, encontro um silêncio reconfortante, pois abstraio-me das vicissitudes impeditivas a uma vida casta e sagrada.

E apesar de ser um laico, não sou ateu. Procuro sempre reger-me por princípios de bondade, altruísmo e filantropia, procuro ser caridoso com o próximo, renegar os malefícios do capital e da moeda, tento não ser rancoroso com o outro, tento não procurar ser vingativo, procuro ser um bom companheiro para a minha namorada, ser um bom filho para os meus pais, cumprir com os meus deveres sociais e fiscais, enquanto cidadão, tento sempre reger-me por princípios de dignidade humana. No entanto confesso que, por ter sofrido diversas influências maléficas que muitas vezes fortemente me rodeiam, já me deixei envolver mesmo que efemeramente, pelos tentáculos do Satã. No entanto mesmo nessas situações, procurei sempre a redenção, praticando sobrepostamente a caridade e a solidariedade com o próximo, como acto sincero de redenção pelo arrependimento.

No entanto tenho um móbil, confesso-o caro João Azevedo. Todo o individuo para se sentir útil na sua vida pragmática e espiritual, necessita de ter objectivos na vida, seja seguir o caminho de Jesus e de Deus, seja amealhar fortunas, seja ter filhos e família, seja construir um império, seja ser feliz com as suas posses. Eu encontrei o meu, devo-o dizer.

E como poderá ler atentamente no meu blogue introspectivo, encontrei no império americano a grande maldade, o grande mal, que se rege apenas por princípios maquiavélicos despóticos, atrozes, primários, brutais, ateus, onde as mulheres abortam sem quaisquer constrangimentos, onde por mera folia tecnológica se lançam bombas atómicas sobre os oponentes, onde se orquestram secretamente doenças virais altamente contagiosas que ceifam milhares de vidas em todo o mundo essencialmente crianças e indigentes, onde se desenvolveu e proliferou o tabaco que mata metade da população portuguesa a nível mundial por ano, onde os homossexuais se exibem alegremente e se envolvem em actos perversos de sodomia, e são somente o maior império a nível mundial porque têm a maior e mais poderosa máquina bélica de todos os tempos. Proliferaram o motor de combustão interna, poluem o mundo a nível mundial e não ratificam os tratados mundiais e ambientais. Propagam o terror e as atrocidades.

No entanto, não se assuste, não sou nem nunca fui radical islâmico. Rejeito fortemente todos esses princípios bárbaros de propagar os ideários através do sangue do inimigo.

Identifico-me com Jesus de Nazaré. Se te baterem numa face, oferece a outra. No entanto, não deixarei de procurar sustentar os princípios do bem e da bondade contra as atrocidades maquiavélicas proveniente do novo mundo.

Baseio-me na pessoa da Gandi, que proliferou e transmitiu a palavra através da bondade, da paz, da humildade, da pobreza no que concerne à indumentária e ao modo de vida, não obviamente à espiritual, pois essa é creio eu, riquíssima. Gandi é uma referência para mim, um homem que manteve os seus objectivos e nunca fez uso da força nem da brutalidade para os alcançar.

E baseio-me também muito na vida de Jesus da Nazaré, que purificou a alma aos descrentes e converteu os gentios, convencendo-os através dos seus actos a receberem na paz os desígnios do Senhor. Concordo em grande parte convosco quando criticam os edifícios teoricamente sagrados da Igreja Romana, sabendo eu que a igreja de Roma sempre procurou também através dos séculos a hegemonia através do sangue dos infiéis, através das cruzadas, das chacinas dos outros povos não cristãos e das inquisições persecutórias àqueles que não professavam a sua doutrina.

No entanto relembro-lhe caro João Azevedo, que uma das correntes do protestantismo, o anglicanismo, ganhou soberania apenas porque um rei Inglês, depois de ter mandado assassinar algumas das suas mulheres, quis casar pela enésima vez; o Papa recusou-se, tendo os assessores eclesiásticos ingleses, sequiosos de soberania religiosa, incentivado o rei a formar a sua própria Igreja.

Procuro eu assim através da palavra, através da escrita no papiro divino cibernético, através da grafia no manuscrito convencional, através da paz, da salubridade espiritual, cultivar-me e difundir a minha mensagem de paz e caridade, no entanto procuro combater o império maléfico, sempre através da Palavra, escrita e oral.

Sou um homem dotado de sensações e abstracções racionais, é este equilíbrio que me define enquanto ser humano. Tento, como já ouvi ou li algures, cumprir criteriosamente as leis de Deus e dos Homens. O império maléfico tenta apenas cumprir os seus preceitos baseando-se na brutalidade e genocídio atrozes dos outros seres humanos, criaturas divinas, apenas procurando com isso saciar a sua sede de poder absoluto.

No entanto cabe-me reafirmar que procurarei sempre atingir os meus objectivos através da palavra Escrita e da Oração. Deus ajudar-me-á.

Nunca fui um leitor assíduo da Bíblia, embora já o tivesse feito, e creio que existe uma passagem que me marcou, que referia que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um homem rico entrar no paraíso. Como tal procuro renegar os malefícios semíticos do capital e todas as suas representações como as indumentárias de cariz executivo em que os indivíduos se aprumam numa arrogância atroz sobre os demais. Como tal tento levar uma vida humilde, mas rica a nível espiritual, e tal tento transmiti-lo na escrita.

Não me alongo mais caro João Azevedo. Agradeço-lhe bastante pela sua mensagem-e, que foi reconfortante para o meu ego literário, pediria-lhe apenas que me autorizasse a colocar esta mensagem que lhe envio, aquilo que refiro, no meu blogue introspectivo.

Muito obrigado caro João Azevedo

Com os melhores cumprimentos

João Pimentel Ferreira

Missiva de um plebeu literato, ao Nobel da Literatura


Prezado Saramago

Não sei se lerá o repto que lhe envio através desta humilde mensagem-e, mas se o fizer, e assim estou esperançado, devo-o dizer que me aprazerá bastante sabê-lo.

Temos algumas vicissitudes mundanas nas nossas rotas pessoais que têm pequenos denominadores comuns, no entanto no que concerne às datas de nascimento, existe uma diferença, considerada por alguns, abismal.

Nasci em 1980 e estudei na Escola Industrial Afonso Domingues, tendo sido discente também de um curso tecnológico. Também me tornei escritor, mas quem sabe devido à minha tenra idade, e não, modéstia à parte, carência de ímpeto literário apaixonante, ainda não consegui que as minhas grafias poéticas fossem assimiladas pelo domínio público.

Tenho uma obra poética profícua, mas as publicações são parcas. Não sei se assim seria no seu tempo, mas é-me bastante difícil financeiramente sustentar as publicações que efectuo. Por vezes sou burlado por editores que não cumprem os requisitos contratuais, e as que consigo publicar são extremamente onerosas.

Digo-o quase enraivecido pois pelo que li da sua biografia, o seu percurso pessoal também quase tangeu a indigência, passando por dificuldades enquanto novo. Pois eu não tenho possibilidades financeiras para publicar os meus livros, pois as editoras existentes cobram numerários sustentáveis apenas às mais altas aristocracias e aos estratos sociais que se situam no topo da pirâmide hierárquica da sociedade.

Enraiveço-me pois apercebo-me que a língua Portuguesa é dissolvida em todas estas frivolidades musicais e líricas de proveniência anglo-saxónica. São difundidas obras musicais e literárias de fraca qualidade, mas como têm proveniência estrangeira, são idolatradas pelo público jovem e pelas novas gerações.

Escrevo-lhe pois apesar de tentar sempre preservar a língua que herdei culturalmente pelas ínclitas e nobres gerações que me antecederam, não consigo publicar no meu país; o país cujo topónimo gerou o nome de uma das línguas mais faladas no mundo; as obras que vou tecendo interiormente e que grafo ocasionalmente no papiro pessoal e cibernético.

Em Portugal a publicação de uma obra é indecentemente onerosa. E eu teço as minhas obras na língua Portuguesa, como tal não quero recorrer a outros meios que não a minha pátria mãe.

Escrevo-lhe, pois encontrei algumas vicissitudes na rota pessoal do caro Saramago pelas quais já passei. Também provenho de um bairro humilde, no meu caso na cidade de Lisboa, também estudei na Afonso Domingues pois o meu percurso profissional seria supostamente meramente técnico, também já tive diversos trabalhos ditos menores, como electricista na construção do Atrium Saldanha, como apontador de obra, como mero e quase rude insersor de dados nos sistemas informáticos de uma empresa de telefones móveis, e também passei por um hiato quase desgastante de ausência de proficuidade literária.

Perdoe-me antes de tudo a iliteracia no que concerne ao acervo do prezado escritor a quem dirijo esta missiva, devo-lhe confessar que li apenas o Evangelho segundo Jesus Cristo, e tal leitura marcou-me. Não me chocou pois não sou um católico fervoroso, mas também, devo-o dizer prezado Saramago, que apesar da riquíssima literacia que a obra evidenciou, presumo que os devidos e enormes louros que a obra gerou, foi simplesmente por ser uma afronta directa ao catolicismo ortodoxo e conservador. No entanto denoto na obra uma elevada e inquietante riqueza de espírito por parte do seu autor, pois este, escreveu uma obra em que o Messias se substitui aos próprios autores clássicos e bíblicos dos evangelhos, escrevendo este último a sua própria versão dos factos.

Escrevo-lhe prezado Saramago, pois também eu queria publicar a minha obra, não quero fama nem notoriedade, quero apenas obter algum retorno literário, e não financeiro dos parcos ou profícuos escritos que vou tecendo. Quero apenas poder emancipar a minha obra sem quaisquer proveitos firmes no campo da notoriedade ou da moeda.

Quero continuar a ser um plebeu literato, tal como sou.

Mas publicar em Portugal, volto a dizê-lo é indecentemente oneroso. No entanto a língua em que escrevo, tem a raiz mais profunda no país em que vivo. E tal apraz-me.

Não sei se algum dia lerá este meu repto, estou esperançado que o faça, desejando-lhe as maiores felicidades por terras de Castela, e os meus mais sinceros parabéns pela sua obra de qualidade superior no domínio da língua camoniana.

Os meus mais sinceros cumprimentos

João Pimentel

Digníssimo memorando público ao mui digno e excelentíssimo douto e mação António Arnault


Não sei ao certo se o mui douto e excelentíssimo mação António Arnault alguma vez terá a hombridade de ler o meu repto, mas mesmo assim ouso tecer este breve comentário que faço ao senhor a que me refiro.

Sou um homem fortemente contrário à maçonaria e suas maquiavélicas doutrinas, no entanto apraz-me enquanto simpatizante dos movimentos verdadeiramente socialistas o ideal da Igualdade. Como tal cabe-me referir que aprecio fortemente o facto de o excelentíssimo doutor estar associado ao Serviço Nacional de Saúde. O serviço é público e teoricamente gratuito, como tal queria forte e abertamente felicitar Sua Excelência por ter dado os primeiros passos que levaram à criação de tal façanha ideológica assente em questões pragmáticas e sociais do foro da Saúde Pública Geral e Gratuita.

Digo-o caro e excelentíssimo doutor porque sou utilizador frequente e assíduo do Serviço em causa. Utilizo apenas os Hospitais públicos, os centros de saúde públicos e dirijo-me largamente quase sempre a instituições públicas de saúde aquando de maleitas que não têm possibilidade de serem saradas em casa ou na farmácia.

Abomino fortemente os serviços privados de Saúde, os Seguros de Saúde, as clínicas privadas, consultório privados de Médicos e formas similares de mercenarismo generalizado no campo da Saúde.

No meu ponto de vista em pilares basilares e estruturais de um estado ou nação não pode haver lugar a capitalismos nem mesmo àquilo a que os seus sequiosos arautos denominam como Conciliação entre o sector público e privado. Em questões fundamentais para um Estado como a Segurança, a Saúde e a Educação não pode haver lugar a semitismos monetários, a trocas de numerários, a facturas, recibos ou outro género de troca de bens ou moeda entre estas instituições e o público geral. Evidentemente que os seus funcionários terão que ser remunerados.

Excelentíssimo doutor, venho por este meio, algo incomum, adverte-lo, pois o seu serviço está posto em causa tendo em consideração as influências extremamente liberais e capitalistas que provêm do Zéfiro. Advirto-o enquanto mação que é, pois sei que para uma mação, e tendo o excelentíssimo doutor sido Grão-Mestre do Oriente Lusitano, sei que preza bastante e imensamente o seu legado. É típico um mação escrever muitos livros, criar fundações, ter nomes em ruas, ter estátuas com o seu primeiro nome e patrónimo pois um verdadeiro mação ateu e laico considera que a verdadeira imortalidade se encontra no seu Legado.

Pois excelentíssimo doutor Arnault, como sei que preza o seu legado, devo-o adverti-lo que o mesmo se encontra posto em causa por estes mercenarismos maquiavélicos provenientes do novo mundo do norte. Proliferam os seguros de saúde, os hospitais privados estão em voga e já é chique dar à luz nos mesmos e os médicos mercenários cobram numerários elevadíssimos dadas as condições sociais do país. No SNS os enfermeiros passam a vida a queixar-se e a reclamar que querem aumentos salariais, os médicos utilizam os meios do SNS para cativar pacientes mas continuam a utilizar muitas vezes os meios técnicos do SNS. O mercenarismos está implantado no SNS por parte dos seus funcionários e administradores, o sector público da Saúde está a ser pervertido caro e excelentíssimo doutor Arnault.

O seu legado maçónico está posto em causa. No entanto vamos todos resistir e combater esta impelente força do mal proveniente do ocidente do mundo. Eu sou um Europeísta, sou um defensor da pátria Europa, enquanto instituição ecuménica e prezo todos os serviços sociais que esta pátria oferece. Até tenho o cartão europeu de saúde, universal e gratuito.

Faço um repto final aos Europeus. Combatamos todos este maquiavelismo e mercenarismo abundantes provenientes do novo mundo que se instalou no Douto e Ínclito Continente Europeu e está a por em causa os seus princípios basilares como a Igualdade e Fraternidade.

Termino esta carta caro doutor, referindo que achei deveras ridículo o facto de o seu amigo e mação Mário Soares ter enaltecido Obama pelos seus feitos na América. Obama aparece agora como o salvador do mundo, aquele que veio para purificar as almas dos indigentes e dos gentios, referindo que vai oferecer Serviços de Saúde Públicos aos Americanos. No entanto o ideário do seu país proliferou e disseminou na Europa o espírito do salve-se quem puder, passo o plebeísmo, que incute nas gerações vindouras o espírito da competição acérrima e violenta e nunca confraternizante.

No SNS o mesmo se pode aplicar visto que os serviços privados abundam no sector da Saúde que se quer Público e Gratuito.

Excelentíssimo doutor Arnault.

Os meus mais sinceros e cordiais cumprimentos, fraternos mas não maçónicos.

    João Pimentel Ferreira



Memórias de um prelúdio matrimonial eterno


Caro primo Nuno Ricardo de Araújo Lopes.

Agora que já te encontras num estado matrimonial, queria parabenizar-te pelo enlace afectivo e institucional que realizaste. É um marco importantíssimo na tua história pessoal e afectiva.

Adorei a tua despedida de solteiro e principalmente o maravilhoso dia do teu casamento na idílica quinta do Convento. É um lugar maravilhoso e magnífico. Deixei um parco escrito, numa página no livro de homenagem à união realizada entre ti e a Filipa. O discurso que realizaste foi soberbo e sublime, carregado de ternura, afecto, paixão e respeito, enfim, resume aquilo a que os clássicos denominaram por Verdadeiro Amor.

Espero sinceramente que a união que estabeleceram seja perene, intemporal e que fique gravada nos anais da História Universal.

A cerimónia esteve fenomenal, carregada de condimentos festivos inigualáveis nos quais se incluem os factores gastronómicos, dispersos por vários pratos requintados e deveras saborosos. A consagração institucional do enlace, apesar de ter tido pouca visibilidade aos convidados, e de ter sido restringida a um espaço um pouco melancólico dada a patente carência luminosa, foi delicada, sublime e dotada de um discurso por ti proferido que marcou certamente o evento. As entradas gastronómicas no jardim inferior da quinta estiveram deliciosas, desde os crocantes rissóis até à amalgama deleitável de farinheira e enchidos de morcela, passando pelos divinos sucos de laranja e poções alcoólicas que deixaram ébrios diversos convidados.

O almoço esteve maravilhoso, os menus eram requintados, nos quais se incluíam o prato de peixe com brócolos a vapor e o prato de lombinhos de porco regados com mel e um esparregado maravilhoso acompanhado com arroz Árabe, cujo gastronímio se deve às fabulosas passas que recheavam o mesmo.

O bar esteve sempre presente nos meus tempos amorfos, onde pude inalar um pouco da funesta nicotina, ao desfrutar de um cigarro requisitado ao meu irmão ou à tua terna irmã Margarida, ou onde pude apreciar uma bebida gaseificada que me ajudou a digerir o farto almoço.

A festa musical subsequente esteve fantástica, pude observar os mais maduros e os jovens a se envolverem num êxtase emotivo que os levou a bailar de forma arrítmica, pois muitos deles pareciam descontextualizados com a música pouco convencional dado o objectivo da efeméride, mas muitos outros, e por certo a maioria deles, deleitaram-se maravilhosamente com os ímpetos primários da música de proveniência anglo-saxónica que puderam escutar. Os movimentos dançarinos dos convidados, apesar de pouco estandardizados ou padronizados, deram uma folia e alegria inigualáveis ao evento.

A sessão de fotografias projectadas na tela esteve soberba, e reencaminhou-nos para sentimentos nostálgicos dos quais não nutria há anos. A mesa de salgados esteve fantástica e a doçaria esteve, tal como o termo sugere, docemente açucarada, onde me pude deliciar ou com uma cremosa musse de chocolate ou com um bem consistente doce de bolo de queijo, a que os fanáticos seguidores da língua de Sua Majestade denominam por cheese cake. Perdão pelo meu exacerbado nacionalismo cultural e linguístico, mas prefiro denominar esse fantástico item da doçaria internacional presente no banquete e com o qual tive o prazer de me deleitar, como Doce de Bolo de Queijo. Aproveito aqui a ocasião também para elaborar um pequeno reparo ao teu discurso afectivo, pois entoaste um termo de proveniência anglo-saxónica que tem um claro paralelismo no léxico Português; refiro-me a sexy, por certo que o termo sensual seria muito mais abonatório à língua camoniana e daria mais ênfase ao discurso amoroso.

Revi também familiares e amigos com os quais não dialogava e confraternizava há muito tempo. O teu casamento serviu também para reavivar as memórias familiares e amicais. Foi um dia maravilhoso e creio bastante importante no teu trilho vivencial. E como não me pude despedir de ti no casamento, aproveito para te enviar esta humilde missiva como forma de te agradecer o magnífico dia que me proporcionaste.

Serve esta humilde, mas honesta missiva também, para aflorar os momentos de maior relevo que pude desfrutar na tua presença, e para que fique grafada na tua linha temporal e vivencial a forma como eu preferi te parabentiar e te agradecer.

Finalizo, tal como comecei, parabenizando-te caro Primo, pelo marco histórico que realizaste na tua vida ao consagrares o enlace afectivo e institucional com a Filipa.

Muitos Parabéns para ti e para a Filipa.

Um grande abraço fraterno.

João Filipe Pimentel Ferreira
O eterno Primo

Oásis


Doce Flor, não imaginas porventura a doce recordação que guardo dos teus beijos. Podia porventura traçar as linhas destes escritos através de versos errantes e desesperantes, através de métricas ancestrais e arcaicas, através de escritos que pausados e desordenados não obedecessem às regras linguisticas que estabelecem o conceito de prosa. Escrevo, não escrevo, aliás teclo, pois teclar é isso mesmo, é impulsionar a ponta digital dos membros superiores que te acariciaram, que tocaram no teu formoso corpo, que deslizaram pela tua sublime e formosa pele, pela candura e alvura do teu rosto, estes dedos, que absorveram as sensações tácteis mais dóceis, e são estes dedos que teclam nestas teclas inscritas de caracteres latinos. Os mesmos dedos que por ti anseiam.

A mão, deixou de me auto flagelar, deixou de ser o ímpeto para a concha encrostada num interior angustiante, a palma da minha destra e impetuosa mão passou a oferecer, passou a ceder o desejo, passou a ser a génese dos rituais afectivos e amorosos. Da dualidade de corpos que se unem num leito de afecto, alegria e harmonia. Como que um complemento salutar, como que encontrar a

paz depois da guerra. É destroçar os beligerantes, é vencer batalhas, sair arrasado, sair destroçado, ganhar o mundo, ganhar o espaço, o Universo, conquistar os corpos, mas não ganhar as almas, e das batalhas infinitas, das ancestrais e universais, sair vencido e derrotado no interior, e reencontrar o verdadeiro Amor.

E então num leito de desejo e alvura, encontro o deleite, encontro o afecto nuns doces braços de uma doce mulher, nas cândidas pétalas de uma Bela Flor, que por sentido inverso de línguas equatoriais, obtenho o Nome da adorada homónima poetisa que nasceu além do Tejo. E nuns áureos e sedosos cabelos a lembrar as auroras boreais, auroras nocturnas, auroras madrigais, aqueles arco-íris da noite, que os homens contemplam em latitudes polares, olhos da cor do céu, olhos da cor do mar azul, olhos da cor da melancolia, e nuns cabelos da cor do sol, encontro eu a alegria.

A doce Flor do Éden, a minha Eva, sendo eu Adão, somos então os primogénitos, somos os pecadores, pois a maçã grave newtoniana, que cai nos sentido axial, caímos nós então num solo de afecto e folia, ao envolvermos os braços e os corpos, ao afagarmos as mãos numa mutualidade conspícua, numa circunspecção afectiva, nuns abraços ternos, e os corpos, límpidos e cristalinos, envolveram-se em uma entidade una, única, rejeitando eu o nome de rei dos Hunos, de Átila, o guerreiro impiedoso, que pereceu às mãos de uma amante, que o amava e desejava. Mas eu, não caminhei com tropas, não percorri nem vandalizei com exércitos, eu limito-me apenas a observar áureos filamentos que me identificam na terceira letra do primeiro nome próprio.

Doce e bela Flor, recordo com carinho o dia mágico e dominical em que me desvirginei em ti. Em que nos tocámos e nos envolvemos, em que nos abraçámos e beijámos e recordo-o com afecto, com um misto de desejo e carícia, com um pouco de luxuria e candura.

Encontrei-te bela e formosa na entrada do prédio, cheguei ao patamar de uma rua imensa, antes tinha vagueado no meu cavalo negro por ruas e ruelas cheias de peripécias, caminhava então qual mero vagabundo, perdido numa vila longínqua nos subúrbios de uma metrópole decadente. Afastava-me das correrias, afastava-me dos estresses quotidianos, e caminhava então pelo vale, pelo vale das árvores, pelo vale arbóreo, tinha acabado de contornar, de envolver as três oliveiras, e caminhava eu então sequioso dos sucos das frutas de uma figueira, bela, alta, formosa. Caminhava então perdido no meu cavalo, rodopiava, envolvia os prédios e traçava os trilhos que uniam estes dois pomares, estas duas géneses arbóreas, estes dois frutos que se uniam numa união de paladares afectivos.

Cavalgo no meu cavalo negro, qual cavaleiro errante perdido na madrugada de uma lua cheia, numa data mágica deste sétimo dia semanal, dia dos rituais cristãos, dia das homilias afectivas de poder observar os traços que formam o teu rosto, de poder alcançar o azul dos teus olhos. E questiono-me bela Flor, ao tocar nas tuas pétalas, ao assimilar o teu odor, serei eu o insecto nocturno sequioso do teu suculento néctar, minha dócil Flor do Éden? Recordo com afecto, quando contornava os caminhos que estreitos e esguios, me dirigiam ao topo da colina deste Oásis. Virei à esquerda, antes da estalagem onde os peregrinos se abastecem de mantimentos e bens para as suas caminhadas, segui em frente, desci pausadamente no meu cavalo, atingi a depressão geográfica desta pequena cidadela, e ao longe a zina, o cume, o alto, o altar onde repousa a minha deusa da noite.

Subi, e obedeci ao paradoxo linguistico, mas não, pois eu, cavaleiro amante e errante vim dos subterfúgios da alma, dos poços que afogam os espíritos criadores, e emergi-me das cinzas, dos fogos, e então subi eu para cima, ignorando neste pequeno excerto da minha missiva amorosa o pleonasmo que poderão eventualmente os mais acérrimos críticos evidenciar. Subi, fui ganhando altitude, fui-me afastando do cerne terrestre, mas ganhando a liberdade que preconizas nos teus versos bela Flor.

Calmamente atingi a zina, a areia ofegava-me os pulmões, tal a sua porosidade, observei a tua tenda, o teu local de abrigo na noite escura, observei o local que te protegia do frio nocturno. Tu doce Flor, doce Oásis esperavas-me, quais amantes da madrugada, éramos nós dois adorados, éramos nós duas entidades, duas peças de uma única formatura, éramos o mais e o menos, forças magnéticas ocultas que forçam a união natural de amantes loucos. Naquela noite fomos o alto e o baixo, tu a Flor, eu a espiga, tu a pétala, eu o insecto que depois de metamorfoseado se liberta e ganha asas, fomos o dois e o três em todos os seu simbolismos numerológicos, fomos a Lua e o Sol, formámos um sistema astral, fomos o Norte e o Sul, o Leste e o Oeste, foste tu nessa noite um Oásis num deserto, foste uma fonte ao ser sequioso em que me revia, e no entanto dócil Flor, és também o mel que me adoça os lábios, e que me nutre, eu corpo e alma carentes de amor.

Entrei na tenda que te abrigava na noite gélida, mas o seu interior fervia em beijos que me prendiam os lábios, sentei-me no tapete, e ofereceste-me um chá, que me enterneceu e me aqueceu o corpo. Sentaste-te a meu lado, e proferiste ternas palavras, aproximei-me de ti e abracei-te, coloquei a minha destra mão sobre o teu dorso, e com a sua palma aberta tocava-te no ombro, simbolizando assim a ternura mútua e reciproca sentida por ambos. Observei-te e beijei-te novamente, toquei-te novamente, tinhas na tenda que te abrigava uma caixa de música que nos entretia nos abraços que dávamos. Sentados e envolvidos no tapete do receptáculo dos amantes noctívagos, abraçamo-nos, acariciámo-nos e nos entretantos bebemos um café que nos manteve despertos pelo resto da noite longa, a noite que nos esperava, pois a noite é sempre especial, a noite, altura em que o Sol se esconde, e a Lua no seu esplendor ilumina as colinas que contemplei nas caminhadas efectuadas.

Calmamente fui, deslindando o mistério do amor, fui destrinçando e fui renegando a muralha que nos separava, fui perfurando o muro, e fui removendo o betão armado que me envolvia numa clausura impiedosa, e quando, naquele momento infinitamente sublime, e cheio de desejo e impetuosa provocação, pude deslocar os meus dedos sobre aquela pequena tira de tecido que suportava o traje que te cobria os seios, quando pude deslocar sobre o teu antebraço esta tira de tecido, quando esta frustrante peça que me impedia de contemplar as colinas do teu tronco, o vale que se encontra no regaço que as une e que as separa, quando baixei subtilmente, estas duas tiras, a do braço esquerdo e direito, e fui calmamente com os dígitos forçando esta pequena indumentária acastanhada a descer pelo teu alvo corpo, pude observar os dois altares mágicos, a magia do número dois, pude observar a dualidade infinita e luxuriante com que ansiava, como que duas fontes que jorram em momentos pós-fecundação os nutrientes que alimentam os novos homens que habitarão o cosmos.

Observei as lindas fontes, alvas, cheias de candura e beleza infinita, e no seu topo, no topo destes altares, cujas silhuetas e formas estão explícitas e patentes em tantas e diversas formas de arte, profanas e sagradas, estas formas tão divinais que incutem nos homens e mulheres aqueles desejos, aquela ansiedade, estes dois altares, que quando a doce Flor está estendida a captar os raios solares, veneram os céus e o infinito do Universo, e quando te observo, bela Flor, erecta, na minha fronte, as tuas massas de carne divinal observam-me de frente e com elas contemplas o mundo. As fontes que os teus seios constituem, são como que a meta da mais longa e fatigante caminhada, aquilo que o peregrino mais crente e carente anseia. E ao observar as tuas colinas corporais que te embelezam o tronco, pude maravilhar-me com tamanha beleza e beber do suco, que jorravam da sua extremidade.

Pois bela Flor do Éden, acredita que é maravilhoso, poder ler-te isto que escrevo, acredita que o sentimento de te poder endereçar, e simultaneamente poder beijar-te é algo que me inunda o ego de alegria. É evocar a egolatria da infância.

O desejo tornava-se incomensurável, não aquele desejo frenético angustiante, ou melhor talvez o fosse, mas sentir tal desejo por alguém que nos compreende, que nos complemente, e que nutra por nós sensações similares, por certo que não pode ser um desejo funesto. Na divisão maior do teu abrigo nocturno; o tapete não era por conseguinte o local mais apropriado para o ritual do amor aos céus, e do amor enternecido que nos unia, o tapete era apenas o começo, era apenas o leito dos preliminares afectivos; mudámos para outro compartimento, ergui-me erecto, levantei-me e caminhei um pouco curvado no sentido do outro espaço divisório, segui no teu encalce, e afastaste suavemente a cortina que separava as duas divisões, e qual acto provocatório deixaste que esta te encobrisse a silhueta, e desapareceste momentaneamente pelo segmento onde se veneram os deuses profanos e sagrados do Amor. Senti-me perdido, desencontrei-me por segundos, mesmo que o abrigo que nos acolhia nesta escura noite desértica no exterior, fosse pequeno; pequeno mas por certo bem mais acolhedor que muitos palácios reais. Reencontrei-me e descortinei a fina membrana que nos separava, a cortina que nos afastava apenas visualmente. Atravessei-a e observei-te novamente bela, formosa, altiva, doce, desejosa dos meus beijos, carente dos meus afectos, e deitaste-te no pequeno estrato que, apesar de não ser muito alto, era reconfortante.

Eu carente dos teus lábios, carente de observar novamente o azul dos teus olhos cristalinos, ansioso por sentir o odor dos teus cabelos, impaciente por preencher o meu espectro visual com as tuas feições, aproximei-me e observei-te de perto.

E é este momento astrológico que nos uniu, o momento sagrado que os povos antigos veneravam, a este momento erigiam-se catedrais, pilares, antas, menires, como que com o intento de poder descobrir este mesmo instante. Não existe então similaridade silábica entre momento e monumento? És tu dócil Flor o monumento dos momentos de afecto e ternura, o monumento que naquela noite se encrostou nesta alma e me adornou o cerne do ego.

Aproximei-me de ti, despi os trajes que me incomodavam e deixei-me embriagar pelos teus actos, pelas tuas palavras, pelas tuas feições, pelos teus gestos, pelo toque das tuas mãos, pela textura dos teus lábios que untados de saliva nutrem o meu parco corpo, deixei-me embriagar pelo teu radioso cabelo das auroras boreais, trinquei os teus mamilos, chupei-os qual bebé morto de fome e sede, agarrei-te nas coxas e senti o ímpeto do desejo atravessar-me a libido. Fui percorrido por fogo nas veias e artérias, que se revelaram na extremidade da pela, e se canalizaram para as zonas mais erógenas da minha essência: os lábios, a ponta dos dedos, a ponta dos pés, as bochechas, e todo este vigor foi concluído num clímax vigorante que jorrou a hemoglobina esbranquiçada e fecunda no leito que nos acolheu; foi o leite do deleite, foi leite jorrado no nosso leito.

Foi este momento simultaneamente herege, pecaminoso e da mais pura e doçura beleza que recordei nessa mesma noite no meu acampamento, depois de regressar da caminhada em que me uni a ti.
Deitei-me na divisória escura, cerrei os olhos, e quão belo foi aquele momento em que observava a tua face, a preencher-me. De olhos abertos via apenas o breu nocturno, e quando cerrava as pálpebras, contemplava a silhueta facial que tinha adorado minutos antes. Adormeci assim, e contigo bela Flor sonhei apenas aguardando aquele momento, em que erigirei de novo em ti o monumento do amor e da ternura.

E enquanto redijo estes escritos bíblicos e proféticos do afecto, aguardo pelo dia quíntuplo, em que nos reencontraremos, desta vez na tua propriedade nos bosques longínquos, onde me esperarás no teu palácio e me beijarás novamente pelos corredores e largas divisões que formam a sua planta.

Dócil Flor, és a mais bela princesa do cosmos.