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Three sonnets


Through ages I’ve seen the pure reason
the candle of wisdom, which thrills my heart
Thou art the core for the yearly midseason
the starry core I shall never put apart

Thou art the shapes of a kind highly treason
gluttony, lust, envy and sloth form my art
I carve the deadly sins with scholarly precision
Do not dare to evoke any bond nor depart

The moon has became the source of my power
She copulates my soul every four weeks
Never dare to patronize nor to cower

my savant inspirational blasty peaks
in every finger I find a temple’s tower
which stabs poems as sleepy tweaks

Poema: o mal não é um carro!





O mal não é o inseto, mas a praga
não está no amor, mas no sexo
não está no sangue, mas na chaga
não está no bairro, mas no gueto!

O mal, não é a letra ou a palavra
ditas por um certo homem reto
está antes, na frase carregada
de muito ódio e amor abjeto

O mal não é a pólvora, é a bala
não é o átomo, mas a ogiva
é o silêncio, de quem com fala

foge à luta mais garrida
e perante o mal dos outros, se cala
e tolera a cólera infanticida

Through my elongated lusty pen...


Through my elongated lusty pen
I strike my inner fleshy force
thou art this ink luscious course.
Hold thee tightly, one just can?

I envy all those virile men
whose forefingers thrust thee through
"May I call you my Loulou"?
Thy sins are not seven, they are ten!

How do thou strengthen my desire?
Why my pen gets so long?
whose length depends on thy fire

and on that lusty vigorous song?
Thou art the queen of my empire
Thou art the words, within my tongue


---


Can a Poet, be contracted by his pen?
For this tool, please provide me other words.
Women: have you thought on those swords
which belong to the brawny men?

Possesses thee, one just can?
Permission from the king and your lords
shall I get, to tight thee with my cords
cause my sins have already got to ten!

In each finger, I offer thee a sin
In each sonnet, I strike my propeller
Thou art so pure, I'd be so keen

to become thy favourite story teller
woman, thou art the reason why I'm mean
thou art my best Poetry bookseller!

A Mulher-Cidade-Catedral


P'lo mundo do desejo e da luxúria
na Mulher, nesse ente ser divino
na cama, irrigas-me com o vinho
tinto, do sangue e da penúria

E quando te brado em lamúria
nesse hímen casto, canto um hino
não passo de um sacro menino
que te segreda, ao ouvido uma injúria

Contemplo-te as abóbadas do mosteiro
cada arco do teu corpo foi esculpido
por Homero, o Poeta pioneiro

cada pilar em teu corpo foi fundido
no crente, no Messias mais cimeiro
que to espeta com a seta de Cupido

---

O Arquiteto que te fez há tanto tempo
esculpiu-te com o esquadro e o compasso
fez-te ver em cada alma um tormento
uma guerra sanguinária em cada passo

E nas guerras, nos brados, no lamento
no desejo, na paixão pelo teu traço
oro em honra a esse momento
em que te forço nas garras de um abraço

Diz-me, quem esculpiu as tuas curvas?
Que incauto, por certo não seria
Desenhou-te as artérias e as ruas

Inundou-te de fluido a larga ria
Despiu-te as lascivas pedras nuas
do mosteiro. Pões o crente em agonia!

---

Que to disse, que bela não eras?
Quem foi que proferiu tal heresia?
que nas tuas ancas no outro dia
revi a cópula de duas feras

Os teus seios são quimeras
cada olhar, a maresia
Sou Poeta, és a Alegria
Sou escuteiro, p'las tuas serras

És Vénus, o planeta vagabundo
que no meu sono, revela a perfídia
és coveira funesta, o osso imundo

que a miséria me trazes com a mídia
e na carne mulherenga deste mundo
está a génese primária da intriga!




Rosas, cravos e lírios
que planto no furor da aurora
brado e grito p’los Sírios,
das balas que me cravam agora

Sinto de Cristo o martírio
a cruz da sua longa hora
“Doutor, são apenas delírios
de um Poeta que chora!”

Maria, a magna Helena
que me trespassa o coração
com a espada da trezena

com a cor da oração
“Doutor, não sinta pena,
do que me grafa a mão”

---

Helena, astuta e bela
que me instiga à paixão
são as farpas da querela
a que devo dizer não

Helena é a chancela
da Europa, o Bastião
Mas à minha amada doei a cela
que me amarra o coração

São treze os meses da mulher
que aos números dão azar
Amar é nunca querer

voltar a aceitar amar
e quem de vós não o disser
não ama quem amou no Altar

Seis sonetos a uma donzela do Estoril



Uma Donzela do Estoril!
Lobo Marvilense – L
Donzela do Estoril – D



L: “Já tivestes Senhora o despudor
de me auscultar a terceira pata
um grosso mastro que se ergue com clamor
uma broca que jorra a melhor nata?

Fazei hoje mesmo comigo o Amor”
D: “Não, sou mulher intacta!
Não me entrego a qualquer senhor
É preciso mas é ter muita lata!”

L: “Mas minha Senhora, já estou de pau feito
só de ver suas tetas, fico alardo
fodia-a a si, suas irmãs e tudo a eito”

D: “Ah, seu porco, não seja javardo
que para galã já vi que não tem jeito.
Não passa de um porco rebarbado!”


___


L: “Mas para lamber suas tetas que trabalho
preciso de enveredar por esta vida?
Abra as pernas e garanto-lhe que não falho
pois a minha piça é tão destemida.

Verá que entre as pernas guardo um talho
uma salsicha alemã da mais nutrida!”
Baixo as calças e mostro o meu caralho
A vaca grita: “Ai que horror que estou perdida!

D: “Que cousa monstruosa que aí tem
Nunca havia visto tão grosso pirilau!”
L: “Desde novo que fodo putas em Belém

e o meu avô até era de Bissau.
Entre as pernas não saio há minha mãe
e jorra espessa meita de meu pau!”


Pentateuco de Maria Madalena


Cumpramos as ordens e o estilo
Deleitemo-nos com arte amena
Esculpamos a Vénus de Milo
Copulemos, Madalena!

No Reino do Leste, navego no Nilo
A artéria viril da mulher serena
deste canal donde te sugo o mamilo
fecunda moça, que te vejo em Viena

Mozart, Beethoven, escutai-me
que Freud já me analisou
Vénus, Afrodite, abraçai-me

que o amor por aqui passou
Removei-me ó ninfas o açaime
que o Danúbio me inspirou

_____

Se o Danúbio é insípido, o Tejo é salgado
Mas o sal retira a clarividência
Quão difícil é o amor regrado:
a carne da consciência

O Danúbio é cinzento, o Tejo é claro!
Mas é nesta aurora da inteligência
quando se nega a penitência e o fado
que se forma a magnificência

É no escuro que se vê o Iluminado
Imune ao estímulo que deturpa
É quando nasce o homem consagrado

que à humanidade arranca a burca
Surgiu então a Luz no crucificado
concebeu uma prostituta

Letra do Verso


A caneta é a arma da paz
O caracter é a religião
A palavra escrita é audaz
A falada é tentação

O diacrítico é fugaz
A consoante, escrevo-a à mão
O analfabeto é quem não faz
eterno, o seu Amor de perdição

E como a água, escrever é premente
que a bebo dos poços do ego
sacio a sede ao descrente

da palavra escrita crio um credo
crede em quem não mente
O amor escrito, eu não vos nego!


Lasciva Bicicleta


Olhos belos e seios fecundos
alvas pernas que pedalam
vagas entre os moribundos
Os homens em ti regalam

E na polis com carros imundos
Os quais os plebeus vassalam
Biltres são os furibundos
condutores que não te igualam

Bela e lasciva mulher
Pedalar é a tua meta
Vaga contigo quem quer

qual bela borboleta
És a Cândida de Voltaire
Vagueias de bicicleta

__

Vagas a polis, lés-a-lés
pois o pedal está-te no sangue
Jovem Mulher, quem tu és
não há Lei que te imane

Os teus belos alvos pés
são o fruto edénico langue
que os pedais forçam, através
das vias, dominadas pelo Gangue

E o carro na cidade é rei
E objetas tu esta treta
A República, quando vem eu não sei

Pedalar é a tua meta
Mulher-livre, és a Lei
Atena, Vénus, a Bicicleta!

__

Nefasto é o carro na cidade
Funestas são, as suas emissões
que causam cancro nos pulmões
e criam elevada mortandade

Vagas bela mulher de tenra idade
Exacerbas no macho as sensações
Pedalas o sonho, e crias tentações
nas alvas pernas que trilham a mocidade

Roda a Roda, segues os trilhos da loucura
Do Infante das velhas Ordens és a neta
pois velejar naquele tempo na aventura

era modo ativo, a nau seguia como seta
Bela Mulher, pedalas na formosura
Passas por mim de Bicicleta

__

O Homem segue o pedal do coração
O carro, segue os trilhos da clausura
Não há mulher, quem te iguale na candura
Maria da Fonte que nos liberta da opressão

Beijo-te os pés em redenção
e liberto-me do carro, da ditadura
da mobilidade árdua e dura
Livre sou, foste a Fonte da Libertação

Sedosos cabelos que esvoaçam com o vento
Quem é o macho, Mulher, que te completa?
Na estrada livre, na Luz do firmamento

Mulher proba, íntegra e reta
Inebrias-me o pensamento
Passas por mim de Bicicleta

__

E na polis comandada por Satã
Santo Graal que vagas dia-a-dia
Bela Mulher, fugaz e fugidia
Quem te deu a morder a maçã?

É a tua ação, nobre e sã
que me liberta da tirania
Sem ti por certo não sabia
ser Livre, a cada manhã

Sentada no selim. Ai que luxúria!
Pedalas e segue-te o Poeta
Libertas os profanos da penúria

És um arquétipo móbil, és Julieta
Não te amar, é uma injúria
Tens nome Mulher: és Bicicleta!

Um par de sonetos às tetas da Matilde


São massas de carne disforme
esféricas, que andam sempre em par,
são as tetas da Matilde a chocalhar
que eu lambuzo, que me mata a fome

Por paneleiro, não há ninguém que me tome
pois ver a mamuda com as tetas a abanar
é uma sacra imagem, que me faz babar
e invejo sempre, o cabrão que a come

Seja russa, africana, zuca ou portuguesa
branca, preta, verborreica ou até muda
quando a vejo, a bazuca fica tesa

E se não for gorda, então é tão tesuda
Deem-me um par de tetas: magna surpresa
Não há puta mais bela que a mamalhuda

---

Os dois melões que ostenta de frente
são os faróis, inchados do amor
que dão ao incauto, um visceral calor,
grita o mudo, o casto mente

O tetraplégico com elas sente
um invulgar e primário furor
são o antídoto para qualquer dor
O mais gélido macho, fica quente

As tetas da Matilde são um altar
para qualquer macho adulto
Os crentes nela, veem-se esporrar

e não lambê-las é um insulto
Esta puta é uma deusa para fornicar
E qual pagão, presto-lhe o culto!


Aónio Eliphis, Kiev, Janeiro de 2011

Para ti Nádia, no dia de São Valentim


Rezam histórias e tormentos
Caem Césares, nascem impérios
Os teus cabelos, negros filamentos
que me acordam, para o sono etéreo

Irrigas-me os pensamentos
com amor fecundo e primos mistérios
Recordo meu amor, os momentos
carnais, ternos, e até os mais sérios

Caem bombas atómicas no Japão
há balas que perfuram carne no Iraque
há mulheres violentadas no Irão

há cidades em África a saque
Boa noite Nádia, o meu nome é João
Sou Poeta! E não há ninguém que me trate!



És a mais bela diva do Universo
És o corpo celeste no qual eu gravito
neste cosmos de moléculas, disperso
E por ti corro, rasgo, firo e até grito!

O meu corpo no teu está submerso
És a deusa Helénica, és o mito
Eslavo, da Lusitânica paixão deste Verso
em que te oro, escrevo e até medito

Há vasta fome na Indochina
Degolados no Afeganistão
há raptos na América Latina

atentados no Paquistão
Boa noite Nádia, doce menina
Sou Poeta. O meu nome é João!



Neste dia mágico de São Valentim
ofereço-te este puro Verso do Amor
para que façamos de um beijo o Festim
dos tempos, em que me saravas a dor

Amo-te Nádia! Amas-me a mim!
provocas-me um primário furor
embora terna, pele de cetim
És o meu Sol, fonte de luz e calor

Beija-me Nádia, neste repto sensorial
em que me entrego à tua alma
Façamos o amor, terno e carnal

Dá-me a volúpia, a ternura e a calma
Nádia, és a mulher fundamental
que me enlouquece, que me ama e me acalma

redigido no Italiano da baixa no dia 14/2/12

Poema a Merkozy


Ser Português é ser perdulário
e os Gregos andam tão definhados
Na Irlanda, suporta-se o calvário
dos agiotas, do capital e dos mercados

Que é o culpado? O gastador ou o usurário?
No sul da Europa estão todos malfadados
pois o gasto está-lhes no imaginário
E para trabalhar? Só se forem requisitados

E se em tempos fomos para lá do Bojador
Endividamo-nos hoje para dois submarinos
Sendo o défice mais um dissabor

Num país só bom para o golfe e para os mais finos
Levante-te Europa! E ecléticos em teu Louvor
Ergue-te Portugal! Cantam as vozes, ouvem-se os sinos!



Merkozy! Desde quando sois Europeu?
Sois trabalhador regrado, é certo
mas para esta Deusa atingir o Apogeu
vós apenas divagais por rumo incerto

O Latino é Julieta, o Germano é Romeu
e nesta União nunca o par esteve tão perto
alumiados pelas doze estrelas do céu
ouvindo Valsa e Fado, num Amor desperto

Mas agora Merkozy, que fazeis vós?
Definhais este projeto tão nobre
E eu grito para que ouçais a minha voz

Pois provenho de um país ainda pobre
Gastos, custos, temos todos nós
Mantei as nações, que a União ainda cobre!



A Europa é um Império por desvendar
Tem o culto do mação e o verso do Poeta
Tem a pena da Grécia e uma cristandade por revelar
E em cada lei é Roma, Oslo, Luanda e até Meca

Da Grécia veio o Filósofo que a fez triunfar
Das arábias veio o mago e o profeta
As agências de notação, andam-Na a definhar
A ira dos mercados, apontam-lhe a seta

Pois é o petrodólar, que quer reinar no mundo
E o Euro, até andava a fazer moça
Pois o tio Sam do seu recanto soturno

não tolera quem de si faça troça
e as agências de notação, em delírio profundo
Chamam-Lhe lixo, qual corja que lhe dá uma coça



Merkozy, não sois de todo Europeísta!
Não amais a pátria Europa com o coração
Sois apenas um fantoche pseudorreformista
dos agiotas, do capital e do mação

Rogo-vos, não sejais elitista!
E aos biltres das agências de notação
Aniquilai-os! É mero lixo propagandista
do tio Sam, mascarado de “opinião”

Porque este vento do Leste, não escolhe raça
abraça todos os credos e todas as línguas
O tio Sam, para esta Deusa é uma ameaça

E tu Merkozy, não A enobreces, só a mínguas
E os Eurobonds! Que se faça!
Ergue-te Europa, com as tuas doutrinas!



Pois o Euro é a moeda ecuménica
E a Europa alberga todos os povos
que a revêm como uma pátria edénica
para muçulmanos e cristãos-novos.

A mente desta Deusa é Helénica
E as agências são os corvos
que perturbam a ideia irénica
consagrada nos textos Lusófonos

Merkozy! Erradicai esta peste da Europa
chamada “agências de notação”
Formai sem armamento a magna tropa

E através da Palavra e da Oração
crescei minha dócil cachopa!
Cantai os hinos! Erguei a mão!

A Afonso I de Portugal


Em Guimarães, foste nascido
Deste luz à iniciação
Fundaste um estado, a Criação
e por tua mãe, foste ofendido

Na Cruz de Cristo foste fundido
Ergueste a espada, com a destra mão
e geraste um reino, uma nação
e pelos teus homens foste seguido

Em Zamora, puseste a cruz
da Santa Sé, leste o missal
a tua coroa emana a luz

que irradia o verso fundamental
removeste-me em tempos o capuz
Afonso! Fundaste Portugal!



Depois de ti, novos reis seguiram
O Quinto Império nasceu
Ergueste o véu, quebraste o breu
Novos povos, em ti surgiram

E novos heróis se inspirariam
no teu escudo, no Apogeu
do berço do Império que sou eu
que escreve o Verso, que eles não queriam

Afonso, foste o homem que me germinaste
oito séculos depois de ti
Ergueste a espada, ergueste a haste

com a qual o Demo eu combati
rompeste o hímen, com Deus casaste
Criaste o Império onde nasci!



Cunhaste o sacro magistério
em Além-Tejo, és soberano
grafas o Verso, do poeta insano
que em ti revê o sangue etéreo

Entre nós, está um Império
Tu és o Rei, eu sou mundano
Tu és o sacro, eu sou profano
que habitamos o reino hespério

Fundei a Letra, fundiste a espada
que esta nação com ferro se fundeou
Ergueste o escudo, soltei a amarra

que a nobre pena libertou
Emprenhaste-me a lírica garra
que o meu génio em ti visou



Com quais sentidos eu te revejo?
Sou teu servo, ó Conquistador
Por ti passei além da dor
enquanto cruzavas Além-Tejo

Não tiveste pudor, ou pejo
Cingiste-te ao teu Senhor
A Deus, ao Papa, ao nobre Amor
para fundar um reino egrégio

Em Ourique sais vencedor
Em São Mamede triunfaste
Colheste do Clero, o seu Louvor

Em Zamora, consagraste
1143, sei-o de cor
Foste tu que me criaste.



Nasce de novo, porque és bem-vindo
Ó Afonso, que foste o primeiro
que plantaste o mar cimeiro
e que fundaste um país lindo

Foste ungido com o escudo trino
que desta nação, foi pioneiro
Homem da paz, ou só guerreiro
Afonso, és o meu amo que deslindo

Escrevo o sangue que derramaste
na senda pela guerra triunfal
oiço os berros, de quem mataste

com a esquerda mão, deste o sinal
Escrevo no reino que germinaste
ó Afonso Primeiro de Portugal!

Iniciação madrilena


Correm os rios e enchem-se os mares
outros secam, e fica apenas sal
percorro os longínquos lugares
e no coração, trago Portugal

Embebedo-me em tabernas e bares
Redimo-me na cruz, leio o missal
Procura-te por dentro e quando te achares
retorna ao teu berço, ao teu ninho sacral

Escrevo por terras madrilenas
algures no passeio da Castelhana
Vejo-as belas e morenas

Percorro os braços de quem me ama
A minha doce mulher terna e amena
Nádia, amo-te, sacra e profana

Liberdade


Quebrem as algemas dos acorrentados
Elevem os espíritos dos Poetas
Marchem por Sodoma os soldados
para que se cumpram as doutrinas dos Profetas

Que se cruzem todas as metas
por indigentes, por vadios e mal amados
Oremos todos em todas as Mecas
Brindemos à Liberdade e aos desterrados

Criemos um mundo novo sem clausura
sem ditames despóticos liberais
erradiquemos dos seres a ditadura

Amemo-nos ao próximo e aos demais
Louvemos o intelecto de uma dama tão pura
Sou socialista cristão, plebeu literato e nada mais!

Livros


Os livros que compro não os leio
Os que escrevo, não os vendo
Há poucos livros que pretendo
ler: não constam do meu recheio

Nunca li um livro inteiro,
nem um que fosse estupendo,
nem nunca me arrependo
de deixar um livro a meio

Descartes nada sabia,
eu só sei que nunca li
os sonetos da Poesia

que ontem não redigi
Só me peço: um por dia
E em três anos, mil escrevi

__

Cada livro é uma mulher
e como polígamo não sou
leio apenas quem me amou
livro-me de quem não me quer

Leio o livro que me aprouver
pois livre sou, foi o livro quem libertou
o homem que se acorrentou
ao livro augusto que está por escrever

Um livro é um processo
Neófito é quem o lê
É um caminho sem regresso

Baptiza quem nele não crê
e no Saber será submerso
é um ícone sacral da Fé

__

Leio a Bíblia e o Corão
Os lusíadas e Fausto
Nunca fico exausto
com o evangelho de João

Escrevo com a destra mão
ao negar o holocausto
A liberdade é o meu hausto
Sou canhoto no coração

De Voltaire, leio o seu Cândido
de Dante, a Comédia
leio todo o livro lânguido

com luxúria e com tragédia
Da Poiesis estou imbuído
Sou a Magna Enciclopédia

Vida de POeTA


É o Poeta o arauto da verdade
Aquele que busca o império do saber
Quando escreve não há segredos que guarde
E descodifica-os ao mundo quem quiser

Vive num estado de mendicidade
Um pedinte do Amor sem o ser
Quando escreve não há Demo que o entrave
Tem o léxico de Deus para se entreter

Vaga pelos sonhos da Veracidade
É um mago, um filósofo dos sentidos
Domina os ministérios da saudade

O Neófito dos segredos mais antigos
Das letras, criará uma irmandade
E guarda o Graal, legado por tempos idos

__

Escreve o código doutrinal das emoções
Que rege o coração do ser humano
Escreve sobre paixão e tentações
Interpreta-as o mago, lê o profano

Escreve a magia sacral das ilusões
que irradia a frágil alma do mundano
E não há quem escreva sobre as suas sensações
pois o que escreve atenta o déspota e o tirano

É o árabe, o sufista e o Profeta
O Neófito, a República e o Mação
A Verdade é a sua magna meta

Nela crê, com em Deus faz um cristão
É esta a doce seiva do Poeta
A trindade, o Buda, a Meca do Islão.

__

O Poeta é um doce sonho adormecido
Um sonâmbulo, que acorda, para a magia
E um desamor torna-o num animal ferido
Sendo esta a chama, que lhe dá fogo à vida.

É um literato, um mundano, homem vivido
Oscila entre o tédio e a alegria
Fera feroz, um mero gatinho querido
É o divo, que professa a nostalgia

Escreve sobre o sangue primordial
É um filósofo da dita razão pura
Empirista ou noctívago racional

Que na noite atenta a ditadura
E se vê a volúpia feminina divinal
Dita-a nos quadris, essa carne tenra que fura.

__

O Poeta é um vadio que não quer
ser mais uma besta vã que procria
O Poeta é Atena, é uma Mulher
que dá à luz o tédio e a alegria

Criem-lhe antas quem depois vier
É um cadáver adiado que irradia
a eterna chama do caracter
que prolonga a noite, e encurta o dia.

O Poeta é uma anta por provir
que das letras concebe um mundo novo
Faz-vos chorar, aclama a noite, e faz-vos rir

É quem concede, o livre arbítrio ao povo
Creio em Deus, e no Cristo que há-de vir
E é por estes nobres ideários que me movo!

A minha Rainha


A minha rainha - escrito por mim à mão no meu bloco de notas
Gritavam elas enraivecidas
movidas pelo ódio profundo
o homem nobre taciturno
amava-las enternecidas

Golpeado em todas as feridas
gritou, reergueu-se ao mundo
sob o luar uivante nocturno
descortinou as sacras saídas

Aniquilará a besta
a morfose do Diabo
aos profanos já não resta

a síndrome do libertado
Sou a vossa sacra fresta
A vossa luz, o vosso fado



Não venereis a besta
Vós apenas temei-la
Vede a vossa Rainha: Ei-la
Vive uma desperta sesta

É a vossa sacra fresta
Tomai consigo a ceia
Mergulhai-a em apneia
ao vosso ego que contesta

É quem vos doutrina a liberdade
É a magna varoa do prodígio
É quem vos evoca a trindade

e liberta o frágil lígio
É o pilar da humanidade
quem vencerá o ímpio litígio

Amor fecundo


Beijo-te os lábios e criamos uma deidade
Copulamos um império e um continente
No meio dos teus lábios florescerá um ente
Entre tuas mamas, a fecundidade

Nos teus olhos castanhos, vejo a mocidade
Rogo ao Pai, ao Senhor e ao teu regente
para que possua o teu esbelto corpo ardente
e para que a tua vulva, me roube a castidade

És um imenso império de tesão
És a mulata gostosa, dócil e vil
que me impele à lasciva imensidão

e que me incute a volúpia do Brasil
Sou o Cristo, o Messias, tu és o Pão
que degusto na última ceia no meu redil.





Tens a verde bandeira do losango
e dos céus do Sul, tens o cruzeiro
é a anatomia da mulher, o sacro outeiro
a origem do mundo em divo plano

Alegras-me com o círculo azul ufano
Esférico, da maresia e feminino
o orifício donde nasce o menino:
poeta brasileiro e o povo insano

Tens o verde das florestas imensas
O Progresso de um imenso mundo novo
A Ordem nobre, e as eloquências

de um multi-étnico e lascivo povo
A tua mulher dá-me as conivências:
Degusto-a, redimo-me e aprovo