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Os tambores agitados (Egmont), de Johann von Goethe, em Português


Egmont é uma peça literária de Johann Wolfgang von Goethe, que aborda a luta pela Liberdade. Retrata a vida de um nobre holandês, o conde de Egmont, fazendo referência ao antigo município de Egmond, no noroeste da Holanda, conde esse que durante o século XVI terá lutado contra o domínio espanhol nos Países Baixos e cuja decapitação despoletou uma série de revoltas pela independência da Holanda enquanto estado soberano.

Ludwig van Beethoven, ele próprio com ascendência holandesa e um admirador da obra de Goethe, faz uso desta peça literária para compor música incidental. Um dos movimentos mais emblemáticos das peças musicais que Beethoven compôs para esta obra literária, é aquele que é acompanhado pela voz de uma soprano, Die Trommel gerühret, ou seja, "Os Tambores agitados", movimento musical que retrata a forma como a mulher do conde manifesta o seu desejo em acompanhar o seu amado, no desígnio pela defesa da Liberdade.

Uma interpretação que merece ser escutada é da soprano Deirde Angenent, cujo vídeo se apresenta. Apresento-vos ainda a primeira tradução para a língua Portuguesa, desse troço da obra de Goethe, que tenta manter a rima e a métrica, que Ludwig van Beethoven usa para a sua música incidental.

Die Trommel gerühret,
Das Pfeifchen gespielt!
Mein Liebster gewaffnet
Dem Haufen befiehlt,
Die Lanze hoch führet,
Die Leute regieret.
Wie klopft mir das Herz!
Wie wallt mir das Blut!
O hätt' ich ein Wämslein
Und Hosen und Hut!

Ich folgt' ihm zum Tor 'naus
mit mutigem Schritt,
Ging' durch die Provinzen,
ging' überall mit.
Die Feinde schon weichen,
Wir schiessen da drein;
Welch' Glück sondergleichen,
Ein Mannsbild zu sein!
Os tambores agitados,
a flauta tocada!
Meu amor armado
a turba comandada,
a lança segue alto,
o povo governado.
Como me palpita o coração!
Como me ferve o sangue!
Oh tivesse eu um gibão
e calças e um chapéu!

Segui-lo-ia portão afora
com passo apressado,
iria p'las províncias,
por todo o lado.
Os inimigos já recuam,
esmagamo-los por inteiro;
que felicidade sem igual
ser-se um homem verdadeiro.


Opus 12 em dois movimentos


Parte I

Contas, contaste, o amor que contei nas contas da vida
Sonhas, sonhaste o amor que vivi, na chama erguida
Garras e guerras, nas escarpas do sono, da unha em gume
Sexo, orgias, mulheres fugidias, desejos ao lume!

Ucrânias em guerras, russas escaldantes, Putin ditador
Obama fantoche, saguinário, palhaço, marioneta e ator
Putin é fantoche, dum herético e hediondo grão-vil
Maquiavélico, despótico, americano, hediondo e senil

O sangue do sono, a psique da alma, a letra da líbidio
O homem humano, o santo profano, cruel que é tímido
O medo e a raiva são as farpas e as celas da escravidão
A Luz e a Escrita são os magnos caminhos da Libertação

O desejo omite, emite a artrite de um falo ferrite
As curvas da kurva, redondas rodelas, merda-hepatite!
Joanas peludas, grossos pentelhos e sãos farfalhudos
Joanas do Génio, homens da fala com medo são mudos!

Liberta-te a Língua, sê Homem-Livre, um Bom pecador!
Sê génio guerreiro, marido ouvinte, patrício e doutor!
Homens vadios, cães por comer nos pratos do luxo!
Orgias prazer, gatos e vacas, o pénis está frouxo!

Deusas do sangue, sonhos imundos, a Revelação
O sonho é a Alma, a Alma noctívega da Revolução!
A Poesia a catárse, os dedos bicudos, agulhas em riste
Agudos punhais, que salvam, a miséria do triste!

Revitaliza jovem Mulher, que a Tua Escrita foi sempre Divina
É a escrita que te lembras das tuas vitórias de Menina
É a Escrita sacral, do homem-novo, do Bom Criador
Do Poeta mundano, do ciclista, do plebeu e doutor!

Homens-mulheres, másculos enucos, invertidos viris!
Carne prazeres, dois já são três, fui Eu que vos fiz!
Tesão, fouxidão, para cima para baixo, avante amigo!
Mulheres deste mundo, hoje fazei, o Divo comigo!


Parte II

Na escolha da alma, Portugal criará!
Quem te sagrou, batizou-te na espuma
Consagrado no mundo, e o mundo será
sem o Bem-Vindo, apenas bruma

O repto de Pessoa, está por cumprir-se
Nove séculos, diluem num dia?
Mil anos virão, d’uma Europa a erguer-se!
Falta cumprir-se, a Profecia

Senhor, dai sacra Força os nobres
Vigor aos Poetas e luz aos profanos
Tende compaixão perante os pobres
E desferi um punhal, no peito dos tiranos

Quem te fez, fez-te Português
Em Fez o repto está por cumprir
Sebastião, o império não se desfez
Nesse dia em Alcácer-Quibir

Em Avis, o Infante premonizou
que a Haste dos Lusos, se cumpriria
bento Reino que se consagrou
do ventre de uma Judia

Senhor, dai-me a Luz para escrever
Mostrai-me o farol, o Teu Sinal
Dai-me Fé, para em Ti crer
Senhor, falta cumprir-se Portugal!

A Afonso I de Portugal


Em Guimarães, foste nascido
Deste luz à iniciação
Fundaste um estado, a Criação
e por tua mãe, foste ofendido

Na Cruz de Cristo foste fundido
Ergueste a espada, com a destra mão
e geraste um reino, uma nação
e pelos teus homens foste seguido

Em Zamora, puseste a cruz
da Santa Sé, leste o missal
a tua coroa emana a luz

que irradia o verso fundamental
removeste-me em tempos o capuz
Afonso! Fundaste Portugal!



Depois de ti, novos reis seguiram
O Quinto Império nasceu
Ergueste o véu, quebraste o breu
Novos povos, em ti surgiram

E novos heróis se inspirariam
no teu escudo, no Apogeu
do berço do Império que sou eu
que escreve o Verso, que eles não queriam

Afonso, foste o homem que me germinaste
oito séculos depois de ti
Ergueste a espada, ergueste a haste

com a qual o Demo eu combati
rompeste o hímen, com Deus casaste
Criaste o Império onde nasci!



Cunhaste o sacro magistério
em Além-Tejo, és soberano
grafas o Verso, do poeta insano
que em ti revê o sangue etéreo

Entre nós, está um Império
Tu és o Rei, eu sou mundano
Tu és o sacro, eu sou profano
que habitamos o reino hespério

Fundei a Letra, fundiste a espada
que esta nação com ferro se fundeou
Ergueste o escudo, soltei a amarra

que a nobre pena libertou
Emprenhaste-me a lírica garra
que o meu génio em ti visou



Com quais sentidos eu te revejo?
Sou teu servo, ó Conquistador
Por ti passei além da dor
enquanto cruzavas Além-Tejo

Não tiveste pudor, ou pejo
Cingiste-te ao teu Senhor
A Deus, ao Papa, ao nobre Amor
para fundar um reino egrégio

Em Ourique sais vencedor
Em São Mamede triunfaste
Colheste do Clero, o seu Louvor

Em Zamora, consagraste
1143, sei-o de cor
Foste tu que me criaste.



Nasce de novo, porque és bem-vindo
Ó Afonso, que foste o primeiro
que plantaste o mar cimeiro
e que fundaste um país lindo

Foste ungido com o escudo trino
que desta nação, foi pioneiro
Homem da paz, ou só guerreiro
Afonso, és o meu amo que deslindo

Escrevo o sangue que derramaste
na senda pela guerra triunfal
oiço os berros, de quem mataste

com a esquerda mão, deste o sinal
Escrevo no reino que germinaste
ó Afonso Primeiro de Portugal!

Mar Salgado


Pessoa foi o Místico
foi o Profeta
foi o Mago
foi o Poeta Iniciado

Bocage foi desregrado
foi eternamente exuberado
foi arrojado
e mal amado

Florbela escreveu um verso apaixonado
e um soneto enamorado
enquanto Ary em Abril plantou um cravo
com um texto revoltado

Pessoa no Martinho está opiado
e embriagado
enquanto escreve D. Sebastião, o enublado
O desejado

Florbela escreve um verso mal fadado
Ary plantou um cravo

Camões é o excelso, é o Augusto
O Lusitano, o iluminado
escreve a epopeia do navegante
que atravessou o cabo

Pessoa foi o Mago
Deus o agente, D. Sebastião o adorado

E Florbela,
seu cruel fado

E Bocage, um homem dado
aos prazeres do vinho e do pecado
e às belas sereias do Sado

Pois sou eu o Poeta Augusto
O Combatente
Uso a caneta ilustre
Sou o fiel crente

Que vencerá os déspotas do Mal
Que aos gentios dará o nobre sinal

Que cumprirá o mar salgado
e Portugal

O navegante


Nas paragens infindáveis da planície azul
Onde os Infantes perscrutam o mar ao fundo
Navegam caravelas pelos mares do sul
Navegantes e astrolábios, circundam o mundo

Trespasso as rotas de um homem moribundo
Constranjo-me nas planícies de árduo paul
Dou o cosmos, recebo o Amor, o Amor fecundo
pária sem pátria, sou um pária êxul

Nas rotas cibernéticas, a loucura
Vejo os sinais que fluem no cobre
A fibra óptica que tange a lonjura

O digital, o sinal nobre
Vede o Infante, sua magna feitura
Não para quem quer, mas para quem pode






Mas ele quis que os Ventos se abrissem
Que as Caravelas pelos mares fluíssem
Que a Cruz de Cristo se mostrasse ao vento
E que os indígenas a guardassem, no pensamento.



A Inês de Castro


Entre os versos desta Inês
que em Alcobaça jaz descansada
Foi D. Pedro que a tornou vingada
nos murmúrios de um amor a três

Ana Moreira enquanto
Inês de Castro por Luís Filipe Coito
Pois Castro, casta se fez
E D. Pedro no leito da amada
Tornou Inês embaraçada
Embaraçou o Reino Português

E em Coimbra, o sanguinário punhal
a mando de Afonso IV, o bravo
Qual bravura!? Matar dama sem igual

Mas D. Pedro, o Cru, cravou o cravo
sob a égide de uma raiva abissal
que me inspira nos versos que gravo.




E nas efemérides versais da História
Depois de cruelmente assassinada
Foi D. Inês enobrecida, foi coroada
Para que o Povo a traga na memória

E D. Pedro para magna glória
Para repouso da sua amada
em Alcobaça, bem afamada
deslindou a sacra convocatória

Beijai a mão da Rainha!
É El-Rei que vos ordena
Vede em Santarém a chacina

Da raiva de um rei que não tolera
Beijai a mão desta menina
Ordens d’El-Rei, que desespera




E depois de Pedro fenecido
às mãos do divino Criador
Vingada a raiva, e o seu fervor
E o seu magno túmulo construído

Inês encontra o seu marido
El-Rei D. Pedro, seu Senhor
na última morada do Amor
No mosteiro pelos monges erigido

Amam-se os dois, fronte a fronte
Sobre a cruz latina do mosteiro
Chorou o Povo, construo a ponte

da História Lusa do desejo
e que nutra a erógena fonte
da dócil Nádia, que amo e cortejo.

A Invicta dos Deuses loucos


Ó Porto de Portugal
Dos portuenses e Portugueses
Tens um povo sem igual
Tens plebeus e tens burgueses

Venceste Junot e os Franceses
Cristandade transcendental
Acolhes burgos Ingleses
Toponímico berço nacional

Ó Porto da minha terra
És a invicta mais briosa
Tens o Dragão que é a Fera

A Poetisa mais formosa
Representas a Quimera
Cidade maravilhosa

__


Ó Porto sobre o Douro
dourados fluxos de águas
criaste os mestres do tesouro.
O Infante das Alvoradas

E o Peres que matou Mouros
E a Sofia que escreve as fráguas
da linhagem de homens louros.
Tens o rio, que me lava as mágoas

Casaste D. João, o Primeiro
com nobre dama de Lencastre
O teu homónimo padroeiro

Escreve este humilde traste
Que se intitula, pioneiro.
Foste tu que me sonhaste

__


Ó Porto, vagabundo
que aportas homens doutos,
que te encontram, no fim do mundo
e que comportas poetas loucos

Representas Portugal profundo
E pela cultura te apoucas
Acolhe este moribundo
Aceita-me estes escritos ocos

Ó Porto do meu país
De Michaëlis, és Carolina
Comportas a nobre raiz

desta nação feminina
És a República mais feliz
És o Auge, és a Doutrina!

__


Ó Porto, portuário
Tens o ébrio suco divino
Que me faz suportar o calvário
Dos traumas de menino

Canta comigo este Hino
deste verso sanguinário
em que te retrato o cenário
que retrata o feminino

Ó Porto da minha vida
Ama-me, e amo-te a ti
És o Porto da despedida

És o templo em que sorri
Para Lisboa faço a partida
Em ti vivi, em ti escrevi!

Un hommage aux poètes Portugais | A tribute to the Portuguese poets


Que maior homenagem posso eu dar
A um ilustre poeta português
Como Pessoa, se não exaltar
A grandiosidade que perfez
Ou Camões que ao glorificar
O povo qu’inda tem os três
Inteligência e Fado no altar
Sou poeta, sou português.

Mas que há de eloquente
Em tal praia lusitana
Que provoca em sua gente
Tal pureza freudiana,
inteligência pouco quente,
e perfeição indicana?
Veja-se a retórica influente
É claro! A camoniana

Que em mim arde sem se ver
E que me faz amar as divas
Do mundo, e depois lamber
Volumosos seios, e que intrigas
Me esperam ao padecer
Que me ferem como espigas
Sinto a alma a sofrer
Sou lusitano, não choramigas

Mas também sinto Pessoa
Que me oferece a melancolia
Que me faz seguir nesta canoa
Sem vivacidade ou alegria
Mas aprecio uma mulher boa
Disso não tenho eu fobia
Porque se há algo que me atordoa
É o corpo nesta acalmia.