O anti-semitismo latente na doutrina de Karl Marx


Recentemente andei a ler o Capital em banda desenhada; lembrei-me dos tempos de infância em que lia os desenhos animados do Pato Donald e dos seus sobrinhos, e do seu tio avarento, no entanto algo interessado na família que sustentava. O pato era um pato porreiro, desastrado, um falhado, que cuidava de três astutas crianças. Teve muitos empregos, trabalhava com afinco, mas o azar batia-lhe sempre à porta, muito pouco sucesso tinha este afamado pato. Não deixava de ser um pato porreiro, boa pessoa, interessado pela família que sustentava. Não é qualquer pessoa que aperfilha três crianças, mesmo sendo sobrinhas. E quem seriam os pais da criançada? Já o outro tio, o pato avarento, que guardava cuidadosamente todas as moedas num cubo forte, e nadava alegremente sobre o ouro que guardava, era um pato dedicado à família, dinâmico, modesto, avarento, com sentido de oportunidade, e no fundo boa pessoa. No entanto, o dinheiro era o seu principal objetivo de vida, tendo conseguido assim amealhar o que tinha.

E lembro-me de todas estas recordações, paradoxalmente, quando lia o Capital ilustrado de Karl Marx. Um livro para leigos e burros, por certo dirão alguns economistas e entendidos na ciência histórico-financeira, mas direi que para mim é uma forma interessante de ler um dos mais famosos ícones da história económica. Se Karl Marx se inspirou em doutrinas filosóficas para redigir o seu Capital, se Karl Marx, homem inteligente, dotado de forte razão e sentido crítico no sentido filosófico do termo conseguiu estabelecer ideais que levaram ao denominado Marxismo-Leninismo, para mim, mero ser pensante, "O Capital" foi a mais elevada forma latente de anti-semitismo.

Não é o Capital, a moeda, o numerário, a criação caldaica mais amplamente difundida? Então "O Capital" é a sua antítese. E porquê escrever "O Capital" para afrontar o capital? O Homem na sua afronta idealista utiliza sempre os mesmos meios e termos que o inimigo. Não escreveu também Saramago "O evangelho segundo Jesus Cristo"? Pois "Das Kapital" é a forma mais ariana da harmonia, tão amplamente difundida pelo Leste. Então descobri eu, nesta vaga de pensamento, que na realidade a "Guerra Fria" foi uma guerra latente de eixos "Norte-Sul", estando o Sul a Oeste e o Leste a Norte. Terá sido então uma guerra Sudoeste-Nordeste? Há que compreender "O capital" para perceber o quão importante é o capital. Com o capital adquirimos todos os artigos, todas as formas de poder, todas as receitas, tudo se transaciona em torno do capital. Ou talvez não devêssemos ser tão intransigentes. Não será meu caro Karl Marx, ou não deverei dizer 'caro' pois reflete medida de capital; não será o capital apenas uma forma de mensurar as formas naturais do mundo? Não será o capital apenas uma outra forma de representação das coisas? Eu bem sei que é uma forma bastante redutora. Sei-lo bem. Mas talvez seja apenas uma forma de precisão. Quanto é que os outros estão dispostos a dar dos seus recursos por um certo bem ou serviço?

É sabido que os judeus sempre adoraram artigos como diamantes, ouros ou pedras preciosas. Onde há judeus há diamantes, há ouros, há pequenos artefactos valiosos. Terá sido isto a forma primária do Capital? Será o Capital a medida simbólica e económica das coisas, ou será antes a sua pérfida e redutora representação, reduzindo todas as vertentes da vida à mera mensuração financeira? O que é certo é que por vezes a harmonia é contrária aos preceitos do capital. E porque é que a capital de um país se escreve com a mesma palavra do capital? Marx era Alemão, Germano, talvez um dos verdadeiros inteligentes descendentes dos povos do Cáucaso, e defensor da Harmonia interior; terá compreendido que na realidade "O Capital" fosse a maior afronta à paz interior, mas foi também uma latente afronta à maior criação semita: "O Capital".

A ariana representação do ser, na iconografia popular portuguesa


Vagueio pelas ruas da cidade e indago sempre, e sempre questionarei sobre a origem dos símbolos e dos respectivos significados. Caminho, ser pensante, vagabundo, pois vagabundo é aquele que vagueia pelo mundo. Mas um vagabundo culto, literado, erudito, e sabedor das géneses das representações pictóricas que abundam nas metrópoles. Caminho e vejo muita gente, muitas pessoas a divagar, a caminharem, ao que parece sem destino ou propósito, e nos seus quotidianos absorvem as imagens que as rodeiam. Se há milhares de anos, as representações, as imagens que os ancestrais seres observavam eram apenas sinais dos tempos, formações astronómicas, geófisicas e geográficas, apenas representações anatómicas do Homem, e também dos animais; já nos tempos modernos e com a capacidade que o ser humano adquiriu ao produzir a arte, ao se libertar das banais rédeas da concepção e reprodução, o homem começou a representar diversas formas pictóricas, coloridas, afloradas com belos cenários, traços, formas, silheutas que lembram as ancestrais representações. O homem não é por natureza um animal nocturno, a lua no seu percuros luminosos sinusoidal foi sempre a única fonte de iluminação pública que contemplou o ser humano, muito antes das iluminações que contemplaram Londres ou Paris, vulga cidade das luzes. Na lua, encontramos a génese da luminosidade noctígava, e fonte da luz, no entanto nas metróploes modernas, com o advento da electricidade, com o advento do transistor, com o advento do entretenimento de fonte luminosa eléctrica, apareceu o ser nocturno moderno. Aquele que se deixa iluminar pelo ego, pela luz criada por si própria, pela luz interior, pela luz que o próprio homem concebe. O ser da noite cosmopolita moderna. Diverte-se, aprecia os momentos de lazer e fobia na noite. O homem a partir de tal momento passou a ser um ser nocturno artificial, no entanto adaptou-se, e pareceu fruir de uma criatividade e folia nocturnas que até então nunca tinha tido opurtunidade de desfrutar. O Homem nocturno, aquele que vagueia pela noite cosmopolita.

Mas é durante o dia que que vagueio, pois a noite é para a reflexão, é para a entrega aos deuses da razão e da arte, entrego-me aos espíritos das letras, das letras singulares que conjuntas formam as palavras escritas. Documento os pensamentos que fluem a cada letra, a cada frase. Foi durante o dia que imaginei, e que me surgiu na mente pensante, que talvez a letra H tão difundida e venerada pelos arianos, fosse na realidade um altar aos astros boreais. Posso estar senil, ou talvez com os pensamentos um pouco deturpados, mas creio, e a razão di-lo-mo que talvez a letra H, seja quem sabe uma forma diferente de escrever a suástica. Imagino-me, como uma craiança harmoniosa, a brincar com pequenas tiras de madeira, imagino-me a dispor tais pequenas hastes em diferentes formas e sentidos ou direcções, e pego eu nas pequenas hastes que formam e letra H e converto-as numa suástica.

E quando encontrei eu tal enigma? Quando descobri eu tal paradigma? Vivo em Lisboa, cidade replecta de pequenos bares e cafés, pequenos estabelecimentos comerciais, pequenas lojas, onde se transaccionam bens, produtos, onde se comercializa, onde se bebe um café, onde fumava uns cigarros, que por questões de salutares recomendações médicas ficaram arquivados pelo passado, cafés, onde se consomem bens consumíveis, onde no final se pede a conta, acto latentemente luxiriante. E num café, num estabelecimaneto comercial, onde a moeda é transaccionada, não mais é que um lugar de fortes traços caldaicos, ou chamá-lo-emos judaicos. Tal é natural, onde o dinheiro circula, existe por certo influência judaica por perto.

As batalhas entre os povos do sul e do norte, não são recentes, tento eu apenas considerá-las e observá-las, tento enquanto ser pensante compreender as formas de luta. E bem sei, e reconheço no íntimo que tais formas são bem mais latentes e subtis que umas meras balas projectadas pelos canos de umas armas de fogo. São as batalhas financeiras, económicas, guerras linguísticas e simbólicas. E num café, encontro eu a forma ariana da iconografia popular portuguesa. O H à entrada da casa de banho dos homens. É certo e sabido que a um local como uma casa de banho pública associam-se actos por certo menos asseados. Será isto apenas uma pequena batalha entre os polos?

Talvez não, tenho de encontrar a génese para tais actos. Freud, o Homem que revolucionou a forma de observar o Eu, que descobriu algo mais além sobre o Ego, sobre a entidade, ou pelo menos se tais preceitos sobre o individuo já eram sabidos, foi Freud que os revelou ao mundo. Foi Freud que os deu a conhecer ao mundo profano, se é que se pode denominar assim os seres não contemplados pelo saber dos deuses. E Freud falou bastante dos vários estágios infantis da natalidade, da forma como a criança observa e conhece o próprio corpo, como se contempla a si própria, como obtém prazer com os diversos orgãos genitais do seu corpo. O conhecimento interior na idade adulta é reconhecer os prazeres dos estágios infantis, mas sempre obedecendo aos critérios e condicionantes do bom senso e da moral.

Pois talvez este ataque semita de colocar o H boreal nas casas de banho do país, talvez não tenha sido um ataque assim tão feroz, talvez relemebre ao adulto os tempos de criança, enquanto brincava alegremente com os orgãos corporais. No entanto não deixa de ser um ataque, pois para um ariano budista, a Harmonia, a Harmoniosa Habilidade para o reencontro vai muito mais além que um simples H colocado na fronte de um WC para o génereo masculino.

Mas não posso deixar de afirmar que o H boreal é muito mais que um H de Homem colocado na porta das casa de banho espalhadas pelo nosso país. O dicionário da língua portuguesa dá quase 2000 entradas de palavras começadas por H, o que não é de todo pouco para uma letra de certa forma afónica. Palavras importantíssimas e bastantes utilizadas nos textos portugueses, nos textos comuns, recebem a letra H como letra inicial, letra primeira, letra de começo da palavra. Será isto a latente adoração da língua portuguesa aos povos do norte? Haja História!
Hajam Hebraicos como estes para louvar os arianos desta forma.

Mas o Português é por vezes também anti-semita, é por vezes estranho, é conturbado e muitas vezes vai contra todos os preceitos da Humana Harmonia. É língua de dípolos distantes.

Será então o H a mais popular ariana representação do ser, na iconografia portuguesa?

Entre a harmonia do ser e a diáspora do estar


Sempre me questionei sobre a origem da duplicidade da forma de ser ou estar. Se as línguas boreais fornecem apenas um verbo para os dois estados de espírito, já as línguas Românicas normalmente estabelecem dois verbos como forma de distinguir o contexto em que o individuo se encontra. Por vezes questiono-me sobre a razão de tal distinção, ou de tal união verbal entre os estados de espírito distintos. Entre ser e estar, entre estar e ser. Será que sou onde estou? Será que me identifico com o local onde estou? Será que estou com quem sou? Estarei onde sou? Ou serei onde estou? É que a harmonia interior proclamada pelos povos do norte, une o ser e o estar. É o reencontro, é a felicidade, é a paz interior, é a serpente que se une com a haste, lembrando a cura tão difundida pictoricamente nos símbolos das farmácias. É o encontro salubre entre o ser e o estar, entre os nossos dipolos interiores, entre os nossos lados antagónicos que se opõem. Quando nos encontramos, quando unimos estes dois lados, encontramos a harmonia e contemplamos a felicidade e a liberdade. Rejeitamos a dor e a angústia quando somos onde estamos.

Já as línguas Românicas, com fortes traços equatorias de sufismos do sul, e de semitismos do
deserto, guarda da diáspora a distinção entre o ser e o estar. Povos viajantes, que caminharam pelo mundo à descoberta do desconhecido, por vezes têm de guardar as raízes culturais e religiosas, não sendo onde estão. Guardar os traços culturais originais, quando se viaja por locais e nações distantes. É distinguir o ser e o estar. É não ser onde se está, pois o ser está no local de nascimento e por vezes estamos longe de nos encontrarmos. Por isso viajamos, procuramos algo mais que vai além do local que nos viu nascer. É não estarmos onde somos.
As línguas ditas Românicas, provêm como é clarividente do latim, daí o título de Românicas, mas devido às fortes influências sufistas do sul, guardam fortes traços semitas. Serão as batalhas entre o homem e a mulher? E numa viajem a Itália pude constatar de forma clarividente as fortes influências, embora subliminares, de islamismos sufistas. Quando em muitas línguas latinas as palavras começam com H; no italiano foi de certa forma proscrito o H do início de tantas palavras do quotidiano. Os palácios e os palacetes, as igrejas que embora católicas, com a cruz, que sempre fielmente obedeceram aos princípios de Roma, guardam na arquitectura e na forma certos traços de paragens arabizantes. E em Veneza é que tais factos são bem mais que evidentes. Uma cidade onde por certo se difere o ser do estar. Onde mercadores transportavam bens do oriente, de todo o mediterrâneo, para as paragens Europeias. Para os sufistas do norte, ser difere de estar, já para os boreais do sul, ser é estar, pois ao se reencontrar, o ser encontra a paz e a harmonia e perscruta os traços da liberdade. Pois se for onde estiver, e se estando, for quem fui, encontro a paz e o equilíbrio interior tão pacificamente evocado pelos arianos budistas.
Sou quem fui
Fugi, deixei de ser
Vim para me perder
Sou o ser que flúi
Estou, não sendo
Viajo pelo mar azul
Vejo do Norte, os mares do Sul
Estou vivendo
Estou e sou
Sou quem sou
Estou, sou, ou
Sou o ser que voou
Que navegou
Que passeou
E deixou de ser onde está
Vi a harmonia viajante
Se viajo, ser pensante

E sem viajar,
sou para me encontrar

A pérfida caixa mágica



Noite de 24 de Abril de 1974, as forças ditas revolucionárias sequiosas de poder institucional, erguendo as bandeiras da democracia e da liberdade, tomam de assalto os estúdios da RTP. Na rádio ouve-se a música libertina que deu o sinal aos revoltosos, hoje provavelmente devido à invasão cultural que o nosso país sofreu, ao sinal de umas ritmadas de Britney Spears os capitães invadiriam o parlamento e tomariam de assalto os estúdios da televisão. Processo democrático angolano, forças oposicionistas combatem pelo poder, o bastião prioritário de ambas as facções é por certo, e mais que evidente às lides tribais a estação de televisão nacional de Angola. Tomada do parlamento de São Petersburgo em 1917, revolução vermelha de Outubro; como na altura as mentes brilhantes que criaram a caixa mágica em que os fotões impulsionados por forças enormes colidem com o painel sensorial que nos é visível; ainda não se tinham lembrado de conceber tal façanha tecnológica, a tomada do parlamento russo por certo deu-se em sincronismo com a tomada de todos os órgãos mediáticos entre os quais a rádio. Em todas as revoluções a tomada do núcleo central que comanda as pérfidas e hipnotizantes caixas mágicas que temos nos nossos lares, foi sempre uma tarefa de alta prioridade. A tomada da rádio, da televisão, havia que controlar o núcleo que emprenha com ideias pérfidas e opressores, as mentes dos cidadãos. A pérfida TV, duas letras que abreviam a caixa que revolucionou o mundo e que nada de novo e de bom trouxe ao mundo. E passo a expor a minha opinião.
Muito mais liberal é a rede, aquela a que a plebe inculta e aduladora da cultura estrangeira denomina de net, é mais liberal, é mais interactiva, é mais pessoal, é mais moderna, a rede propaga-se em informação muito mais transversal e muito mais importante ainda, informação multi-direccional, vagueia a informação do mero utilizador até ao servidor, como pode vaguear, ou ser direccionada do servidor ao utilizador. Obviamente que trouxe um pouco da pérfida e opressora TV, o centralismo dos servidores internacionais que monopolizam e controlam grande parte da rede, mas trouxe algo que a TV nunca soube oferecer aos cidadãos, trouxe cidadania interactiva, trouxe internacionalização, a simples cliques podemos ver sítios chineses, americanos, timorenses ou vietnamitas, a TV muito mais pérfida e sequiosa de audiências prefere buscar as tragédias que marcam as notícias do plano internacional sempre dispostas a procurar audiência, que no fundo é esta que lhe trará os louros da publicidade e do respectivo lucro. Mais pérfido ficou o espectro audiovisual português com o advento da televisão privada. Na procura incessante da audiência procurava-se no jornal da noite, com o pano de fundo e sob uma capa ténue e pouco esclarecedora de “informação”, chocar o mais possível o telespectador, pois as sensações primárias são sempre aquelas que mais cativam. A pérfida, monopolizadora, e hipnotizante TV.
As forças legisladoras, por muito estranho que pareça, nunca colocaram quaisquer tipo de entraves a esta força pérfida que é a TV, nunca se opuseram a tais ilegalidades do foro moral e ético, por seu lado compactuaram com estas, pois receberam da TV sempre a publicidade que lhes conviera. A TV, é autista, um núcleo duro e implacável controla as ondas electromagnéticas que vagueia na atmosfera e que é recebida em todos os nossos lares da forma mais pérfida e infiltrada. Pois a TV é isso mesmo, infiltrante. Nós não convidamos qualquer um a entrar no nosso lar, quando recebemos alguém à porta, desconfiamos sempre, questionamos, pomos o pé atrás com o receio de sermos vandalizados na nossa privacidade, mas a TV tem e teve sempre o livre passe para se imiscuir na nossa integralidade moral, sempre se entranhou nos nossos lares com a sua doutrina opressora, sob uma capa de entretimento.
O legislador faz fortes reparos contra a pirataria, e tal é caricato, pois por vezes é ténue a fronteira entre pirataria e sentido de liberdade, pois por vezes o pirata é aquele que navega livremente sobre os mares sem se restringir a quaisquer leis elaboradas por homens. O legislador concebe leis que punem a pirataria e nunca o legislador colocou quaisquer tipos de leis que restringissem o poder enorme da TV. A TV é a forma mais óbvia de pirataria. Não é a pirataria, naquele sentido lato, não mais que a cópia desautorizada de um conteúdo? Não é a pirataria a forma mais perversa de cópia de uma entidade? A TV é isso mesmo, a pérfida e incontrolável reprodução de um conteúdo programático. Um senhor qualquer produz algo num estúdio, e os milhões de labregos cordeirinhos observam e absorvem o que fora feito por uma única entidade. Quando mais um labrego, num dado instante do tempo, liga o aparelho televisor, é apenas mais uma cópia directa, mais uma cópia do conteúdo que antes tinha sido elaborado. Onde está o direito de autor pelo facto de esse individuo ter ligado a TV?
Um tubo de raios catódicos, quatro placas alinhadas duas a duas. Duas na horizontal, as outras duas na vertical. Os fotões são acelerados e são varridos nos dois eixos por campos magnéticos. Os fotões colidem com a tela sensível à sua colisão. Três grupos de fotões, um para cada órgão sensorial da nossa retina. Mas é muito mais que isso. São imagens em movimento, pessoas que vemos no dia a dia, são vozes, palavras, sangue, guerras que nos entram pelo lar na nossa intimidade, são assaltos, são oradores, são revolucionários que falam na TV depois de deporem os anteriores, advogando os próprios que eles sim são a salvação. São os jornais da telé, não são apenas fotões! Enganem-se os físicos que a TV é apenas um acelerador de partículas sem massa. Se um fotão não tem massa, meu caro físico, tem algo deveras muito mais importante e avassalador, tem energia. Tem energia que convertida em símbolos em movimento entra-nos no inconsciente e programa-nos a fazermos aquilo que as elites querem que façamos. A pérfida TV. Votamos sempre nos mesmos partidos, dizemos sempre que sim aos mesmos senhores, mamamos sempre do mesmo, dos pérfidos criadores da TV. Os malefícios da caixa são incalculáveis. Trazem-nos o “horror, o pânico e a tragédia” para dentro dos lares. A fobia do próximo guardei-a da TV, pois quando ligava o jornal da noite via da América Latina apenas mortes, tragédia, assaltos, crime organizado e criminalidade brutal, de África trouxe-me apenas guerras, sida, miséria e fome, da Ásia trouxe-me prostituição infantil, trabalho infantil e tríades mafiosas, e da Europa e da América a TV trouxe-me progresso. É esta a TV que nos é oferecida, é esta a TV que nos é imposta, a TV que sempre foi o mais altos dos pilares dos movimentos revolucionários.
Não tenhais dúvidas, que se hoje houvesse uma revolução, não seria o parlamento em S. Bento o bastião a tomar, seriam antes os estúdios de Cabo Ruivo, Carnaxide e Queluz. E aqueles que lhe chamam o quarto poder, deveriam reflectir e asseverar que é no fundo, nos dias que correm o poder primordial, o primeiro.
A TV é autista, tem o núcleo duro que emana as ideias a todos os que a captam, já a rede é bem mais liberal, libertária, e salvo as excepções de uma certa monopolização por parte de alguns servidores de renome internacional, oferece muito mais inter comunicabilidade aos cidadãos. A rede é muito mais uma plataforma de cidadania, onde o indivíduo pode trocar, comunicar, pois o que a TV faz não é comunicar, a TV “informa”, ou seja comunica unidireccionalmente, tendo nós meros plebeus que mamar com o suco que ela produz.
Viva a rede libertária, abaixo a TV opressora!

Diz-me o teu nome, dir-te-ei quem és…


O nome, chamado, evocado, palavreado, mal educado, é pronunciado, por vezes soletrado. Sempre evocado quando chamamos alguém, quando desejamos que a pessoa em causa se aproxime ou tenha a nossa atenção. Eu vejo os donos dos animais de estimação darem nomes aos seus bicharocos, aos seus gatos, aos seus cães, sempre com o mesmo intuito; o da evocação singular. A cada som, um indivíduo, a cada sílaba um traço identificativo único. E houve em tempos um povo que criou a escrita, os hieróglifos, as ideias, os conceitos eram assim codificados em traços, linhas, arcos, pequenas representações que se assemelhavam com alguns elementos da Natureza. Não é de estranhar então que a letra V, seja a inicial para Vénus, pois o planeta vermelho voa nos céus e toma a forma de um V ao longo do ano terrestre. Por ser avermelhado e por traçar no seu percurso a forma de V, traços e formas que aos primordiais seres se assemelhava a algo tão patente nos seres do género feminino, ficou então o V a ser a letra efeminada. E o nome? Se o nome por certo já existiria como forma de distinção entre os indivíduos, com o advento da escrita surgiu o nome escrito. Pois a cada nome, a cada indivíduo, um traço, uma característica, uma semelhança com as naturais estruturas e formações geográficas, assim como semelhanças com os fenómenos astronómicos. O nome, a inicial do nome, aquela letra maiúscula que é sempre realçada nos artigos jornalísticos, como que o jornalista tivesse o intento de subtilmente afirmar que o artigo em causa daí em diante se rege maioritariamente por aquela letra maior, a maiúscula, inicial. O nome, di-mo-lo, e dir-te-ei quem sois, minha cara Eva, Ana, Bruna, Cátia, Diana, Zara, Sara, Vanessa e Vânia. O nome nomeado dir-me-á tudo, pois sempre que tu amável mulher fores chamada, sempre que o teu nome for evocado, tu enquanto alma pensante, enquanto ser, recordar-te-ás dos tempos de criança em que a afável progenitora pronunciava ternamente essa mesma estrutura de sílabas que unidas através de espaçamentos temporais quase indeléveis formam o teu nome pronunciado.
E com o advento da escrita, surgiu o Traço. Desde então o teu nome, tem forma, tem algo pictórico, tem uma representação visual. Com o advento da escrita o teu nome passou também a pertencer ao campo da visão, encheu mais um dos sentidos. E como será o meu nome no campo do tacto? Simples, temos o Braile! E como será o meu nome no campo do olfacto? Quero preencher mais este campo sensorial, e o do paladar?
Pois minha cara é por certo bem fácil evocares o teu nome no campo do olfacto. Se te chamares Eva, pegas simplesmente em três perfumes afamados cujas inicias têm as letras do teu nome.
Para escreveres Eva, pegas em 5 partes de Escada, em 4 partes de Versace e em 1 parte de Aramis e misturas tudo num boião odorífico. Tens então o teu nome escrito no campo do olfacto. Depois cede essa fragrância a todos aqueles que queres que te chamem. Fazer a distinção destes nomes, caberá apenas aos dotados do olfacto que distinguem o mais sublime odor, assim como o comum dos mortais distingue os nomes de António e Maria.
O nome, nome primário, os nomes das nascentes, o nome, que evoca a chamada ancestral, os nomes, a onomástica, a quantidade de nomes. Quanto maiores forem os nomes, será maior a virilidade. Como que engrandecido por tamanha quantidade antroponímica? Não, pois não me cabe usá-los, apenas escolhê-los para as diversas ocasiões, uma espécie de fato que se usa consoante a ocasião mais propícia. Mas nunca mostrar toda a indumentária que se guarda no guarda-fatos com o intento de mostrar os abastados tecido que somos capazes de deter. O nome grande é viril? Talvez, e é-lo escrito ou pronunciado? Creio que em ambas as formas. É que o tamanho á algo que, independentemente do senso em questão, tem sempre laços com primárias sensações.
O nome escrito, proscrito, evocado, renegado, diz-me muito sobre quem sois. Vejo os licenciados, os mestres e os doutores que colocam os títulos que prefixam os seus nomes, sempre com o subtil intuito de aumentarem a sua virilidade onomástica. Como retrata o romance do código DaVinci no que toca às medalhas das forças de segurança, quantas mais tiverem mais viris são os seus detentores aos olhos dos que as observam.
Pois Exmo. Senhor Professor Doutor Tó, tendes um prefixo enorme, mas por certo não evocas um nome pessoal imenso.
O nome, quando escrito, quando retratado dir-me-á tudo, mas o nome não é tudo e os homens não se medem aos palmos, nem sem medem com a quantidade de sílabas que os seus nomes contêm. Senão, os criadores, ou os aparentados que perfilharam os seres que nasceram tinham à partida o destino da criança ao lhe atribuírem um nome. Cabe então ao individuo a Escolha, escolher o nome para a ocasião, não me refiro a pseudónimos, a pseudo-nomes, mas sim ao nome próximo, ao nome da perfeição, ao nomes pelo qual o indivíduo se identifica, pois o nome de Baptismo é atribuído enquanto o ser é tão novo, sem capacidade intelectual para fazer a escolha moral, pessoal, em consciência, sendo o destino do ser atribuído aos aparentados. O nome de rebaptismo, é bem mais consciencioso.
O nome, nomeado, proclamado, evocado, diz-me tanto sobre ti, sobre mim. Até existe aquela ciência oculta que encaixa nomes, que dado o nome dela dirá qual o nome mais equilibrado para ele e vice-versa. É a numerologia dos sentidos associada ao nome, e maioritariamente associada aos seus dois sentidos, a audição e a visão.
Diz-me quem sois, e dir-te-ei como te chamas
Por isso, muitas mulheres voluptuosas e homens musculados optam por adicionar aos seus corpos mais um adereço que enaltece as suas personalidades, a tão afamada tatuagem. Mais formas pictóricas a adicionar, a representar, uma adenda mais específica e muito mais liberta que os caracteres dos alfabetos padronizados. Mas é bonito e interessante observar que a maioria das mulheres e jovens do sexo feminino quando pretendem fazer uma tatuagem, preferem-na em forma de V, na zona dorsal inferior, rebuscando assim a sua essência feminina original atrás referida. O V de Vénus, o planeta avermelhado, vermelho quente e vermelho paixão, a estrela da manhã que traça um V no horizonte ao longo do percurso da terra em torno do sol.
Mas a tatuagem é mais que isso, é o nome pictórico gravado no corpo, e como normalmente é feita já na idade adulta, é a identificação simbólica com algo que identifica o indivíduo, um traço, uma amante, um grupo, um sinal, uma época, uma mãe, um amigo, e por certo, consoante a parte do corpo onde for gravada diferente significado simbólico terá, é o nome gravado no corpo.
Diz-me o que escreveste,
Diz-me o que tatuas,
Quais os poros por onde suas
Desenha-me as tuas
Tatuagens Nuas
E dir-te-ei quem és…

Quartetos Onomásticos


És a adorada Joana
Incutida de carícias
Paixões riquíssimas
És a diva e a profana

De Lencastre, és a Filipa
Caridosa Milanesa
Bela dama inglesa
No meu jardim, uma tulipa

És a regente, a Salomé
Entrego o corpo ao rei Herodes
Para ti, componho belas odes
És as pirâmides de Gizé

Da Rússia, és imperatriz
Mulher de César enamorada
Que se mostra ao povo na alvorada
Beata Santa, Beatriz

És dócil, terna e amena
És quem evoca a sensação
O delírio em ter-te a tesão
És a adorada, a Filomena

E a tua suave mão ilícita
Que me enche da ansiedade
Que me acaricia a mocidade
És a plebeia e a Patrícia

És tão bela, uma bela Rosa
Que me inspira a escrever
E contigo consigo tecer
Belos versos, bela Prosa

És a venerada Ana
Aquela que da ostentação
Me enche o corpo de paixão
Caridosa e tirana

És a eslava Catarina
Esses teus loiros cabelos
Evocam-me a percorrê-los
Nas tuas recordações de menina

És a Madre Teresa Santa
Caridosa e piedosa
Que ao mundo se mostrou honrosa
A ternura por ti é tanta

És a Fátima e a Iria
Louvo aos céus por te ter
Louvo aos céus sem perecer
És a Mulher que Deus teria

You’re the black princess of the West
Whose surname refers to Rice
You’re my desire, my passion, my vice
You’re my sweetheart, you’re the best

You’re Angela, and her empire
With her troops, and all their power
You’re my beautiful Sunflower
You’re my darling, my desire

Lá no fundo és a Florbela
A que me abraça na madrugada
A amiga-companheira, a desejada
És a Flor, a Cinderela

Dinamene...


Serão o profano e o sagrado
o divino e o terreno
romana em Roma e amor romeno
Farão parte do passado?

Muita calma, amor sereno
requer a chama do meu fado
Adiar o adiado
Muito amor, amor ameno

Dinamene, quem tu és?
Sina, ou sino-paixão
O poeta a teus pés

Entregou o coração
Pois o poeta é quem vês
É o que escreve a adoração

Six quatrains written in English


Every hour, every minute
Every second, with delight
I cross every limit
which unties me from your sight.

Every moment, any frame
which captures you, into my heart
I feel it with great pain
cause I still force you apart

With no pleasure, nor even joy
I stare you, into my soul
If I treated as a toy,
would you be into my world?

Neither pain, nor even sadness:
The shadows which shine from you
I'm sober, but still my madness
force me: So many things to do

Shall be authentic this desire?
Was it given by some God?
Burning water and cold fire
capture me into my pod.

If I don't know my future life
If it's unknown my longing fate
I do love you, my beloved wife
since the day we start to date.

Soneto à Lua


Ó lua que estás tão alta
Lua brilhante, da imensidão
Que evoca o coração
E o desejo que me faz falta

És por quem a Mulher se pauta
És quem renega a escuridão
Astro passivo de eleição
Cruz cristã, a cruz de Malta.

Quando cheia, és reluzente
Levas homens à loucura
Quando nova, és deprimente

A escuridão e a lonjura
Mas se Nova és, espero o crescente
Amar-te assim, cândida e pura.

Em nome da Liberdade


À florea Florbela


Em nome da tão afamada liberdade

Quanto sangue correu pelas paredes das celas da Bastilha

Quantas cabeças rolaram sobre o peso da guilhotina

Dessa gravosa anglo-gravidade
Em nome da liberdade

E em nome da Liberdade
Matou-se o regente luso, o último
Elevou-se a Republica
Elevou-se por
vezes a injúria

Em nome da Liberdade
Perdeu-se a Saudade,

Em nome da Liberdade
Desse povo que ostenta a estátua homónima
Que carrega a tocha na austera mão direita
Supostamente perfeita
E que carrega a coroa de cinco espinhos

Em nome dessa liberdade,
Lançou-se a devastadora bomba sobre os nipónicos
Arrasaram-se milhares de vidas em nome dessa mesma liberdade
E dos seus três pilares mestres anexos

Em nome da “Liberdade e Progresso”
Morrem milhares em metrópoles perversas
E imersas em fogo cruzado,
sem condições humanas

Todas elas profanas
Enquanto
senhores ricos ostentam quintas, palacetes, carrões, propriedades imensas no mato

Em nome da Liberdade
O Sangue que escorreu em África
Com catanadas que cortavam carne tenra infantil
De pobres crianças, pueris, apenas por pertencerem a tribos diferentes
Em nome da Liberdade, em Nome da Liberdade
O Sangue que não escorreu no “Porto Livre”

Em nome da anglo-liberdade
E a saudade?

Em nome da Liberdade
Pois a Liberdade fumava muito, e morreu de cancro dos pulmões

Em nome da Liberdade
Em nome da gravosa anglo-liberdade
Não posso deixar de observar o sangue derramado, as vidas inocentes que não tiveram a culpa de serem
As vítimas

Da Liberdade
Dos “outros

Tudo em nome da Liberdade
Que rima com
Fraternidade
Igualdade

Pois haverá nas terras do pau Brasil Igualdade?
Haverá nas terras do Tio Samuel Igualdade?
Haverá Fraternidade nas terras francas?

Em nome da francófona Liberdade?

“Liberté, Egalité, Fraternité”

Será o três o sacro número?
E o Sacrifício em seu nome?

A bomba atómica
Que menciona essa estrutura quase indivisível que é o átomo, tão minúscula, tão quase ínfima
Como pode causar tantos danos?
Como po
de causar tanta devastação?
Tanta destruição?

Em nome da Liberdade!?
Em nome dessas Liberdades ostentadas nas bandeiras africanas!
Quanto sangue não escorreu pelos pacíficos colonos?
E foi no “Pacífico” que se combateu pela “Atormentada” Liberdade

Mas doce Flor
Não te levarei para onde não queres ir
Respeito o teu livre arbítrio, o teu sentido de liberdade,

E se porventura quiseres fugir

E o melhor é a Liberdade
E o fado
e a Saudade!?

Não te imponho nem regras nem moral
Não sou teu amo, nem teu Senhor,
Mas não nego que por ti sinto por vezes paixão, amor
E bem sei que vivo em condição de mortal.

Mostrei-te os contrastes da vida
E talvez te tenha mostrado o direito
Mas apenas o direito não é perfeito
E tentei mostrar-te o caminho, a Saída

A tão desejada Liberdade
Cabe-nos a nós redescobri-la

Para que possamos senti-la
No nascimento, a Autenticidade

Talvez a Liberdade seja por vezes funesta,
Não to se
i dizer
Apenas homens racionais e conscenciosos podem nutrir
Da verdadeira liberdade
Vê o sangue derramado nas batalhas e revoluções
Em nome da aclamada Liberdade
Revolução francesa, americana, africana, sempre
Em nome da Liberdade
Vê a morte, a tragédia em nome dos três pilares
Mestres que sustentam esses valores

MAS, esqueçamos os pretéritos, as intempéries e
O sangue e evoquemos o Perdão

sem Sermão

Deixemos que as águas cristalinas e os ventos do Norte
Limpem as mágoas e as máculas mundanas

Vamos elevar o Sacro, sem sacrificar as profanas
A liberdade é um processo
Imerso
Por vezes Intenso
Que renega o perverso

E terá o Homem que sofrer para a contemplar?
Absorvamos os campos verdejantes

Encaremo-nos como seres pensantes
Farão a tragédia, o Sangue, as catástrofes, parte do processo de Liberdade?
Terá o Homem, com ‘H’ Germano, que sofrer, para que possa nutrir da Liberdade?
Terá a Liberdade do número 90 ter que se movimentar?

O que é ímpar? O que é par?
O que é uno? O que é amar?
O que é o todo? O que é suar?
O que é o nada? O que é saltar?
Quem sou Eu? Serei o breu?
Ou o Apogeu?

Que sois vós?
Bela Flor campestre?
Que me foi agreste?
Creio que uma Flor serena
Calma, amiga e amena

Nutramo-nos dessa mágica Liberdade
Elevemo-la nos mais altos dos pilares
Dos triângulos rectângulos, rectos direitos e divinos
Dos crescentes pares das terras meridionais

Afastemos o desejo impuro
Façamos dos juramentos, a Liberdade, aqui juro
Trilhemos os passos da Liberdade
Da Caridade
Da mocidade
Do Renascer, pois só ao renascer somos livres
Da piedosa Piedade

Evoquemos a Liberdade
Afastemos a escravatura

Pensemos nos homens-livres que aboliram a opressora escravatura
Nos pedreiros livres que elevaram os valores da amizade e fraternidade

Elevemos os espíritos ternos a amigos
Irradiemos o desejo, e sigamos os espíritos indo-europeus da suástica pacífica
Percamos os anti-semitismos
Adoremos o espírito infantil da puerilidade

Criemos um mundo, e um ser livre
Dêmos ao mundo felicidade, mas lembrai-vos cara Flor,
que a Liberdade é um Processo
Que se conquista, que se alcança

E só o homem racional, forte, e verdadeiro a obtém
Sem as farpas de uma lança


Atentamente

João, a tentar libertar-se

29/Nov/2007

Um donuts do dia


Cantava a música publicitária, já vai alguns anos, quando ouvia publicidade televisiva, e dizia a cantora alegremente, soletrava as palavras correctamente... “Um “donuts” do dia, fofo, leve, fresco, acabado de chegar”,

Não haja dúvida às influências inegáveis do império do ocidente; Portugal e Lisboa em particular que foi sempre tão rica em doçarias tradicionais, desde

  • a bola de Berlim,
  • o bolo de arroz,
  • o pastel de nata,
  • o palmiê recheado e coberto,
  • o São Marcos,
  • as tartes de amêndoa,
  • o queque de chocolate,
  • o salame
  • o doce de cenoura
  • o doce de leite
  • o caracol


e muitos mais me lembro de observar por essas pastelarias alfacinhas, fabricados e concebidos, adocicados por essas padarias da cidade, nas matinais correrias de entregar o fresco bolo português e europeu no café e na montra mais perto do consumidor.

Da língua e das papilas gustativas, o açúcar, o creme fresco e doce que adoça a já adocicada boca dos cidadãos frequentes destes estabelecimentos.
No entanto, pouca ou nenhuma publicidade a estas iguarias da doçaria tradicional; no entanto por muita estranheza, ou talvez por muito dinheiro e influências envolvidas é o “Donuts” do dia que vimos tão amplamente publicitado e difundido.

Esse donuts, que não nego que seja agradável e de sabor esplêndido ao paladar, com essa forma cilíndrica circular que se une em si próprio, uma espécie de pescadinha de rabo na boca da doçaria norte-americana, amaplamente difundido pelo trabalhador inexperiente e desastrado da série televisiva, não deixa, de em comparação com a doçaria nacional portuguesa e europeia de ficar umas boas milhas em desvantagem.

E estranho é assertar, que o donuts, que evoca essa estrutura que mais se assemelha a um acelerador de partículas da doçaria, em que os átomos de açúcar fluem no sentido do campo magnético do local onde nos encontramos, apesar de ser um único elemento tem o 'S' no final; deve pertencer à mesma classe gramatical da palavra lápis.

E muito mais poderia ser dito sobre todos os outros doces que nos adoçam a manhã, na pastelaria mais próxima, desde essas de fabrico próprio, que nos aparecem frescos, cuja massa ao ser degustada, se mistura com a saliva e é deglutida de uma forma suave e amena.

O caracol que evoca a nossa galáxia, ou a forma divina, mágica de todas as espirais. Será que o caracol da doçaria nacional, na curvatura que faz sobre si mesmo, obedece à proporção definida pela constante áurea?

E o bolo de arroz, com essa forma templária, uma cúpula de doce arroz que se eleva nos céus, e cujos dentes do guloso trincam e degustam. Não é o arroz, o cereal do Oriente? Então é o bolo de arroz o mais iniciado dos doces, afável, de um brilho despercebido para não enjoar, mas de uma doce textura a massa que o constitui. Simples, modesto, sem muitos cremes, mas no entanto revela ser uma das mais procuradas iguarias da doçaria portuguesa

E o plamiê coberto, quanto açúcar contêm esse leque da doçaria nacional, assemelha-se a um leque de donzela da aristocracia francesa, linda, sublime, que com palavras entoadas num tom sensual, vai com a mão esquerda abanando o leque que a refresca, é o palmier coberto, amarelo, com o seu açúcar forte e rijo, quando trincado e misturado com a saliva forma uma mistura bastante calórica, no entanto irresistível.

Já o palmier recheado, essas duas camadas quadrangulares de massa com recheio entre elas, são deveras sublimes, deliciosas; o creme que as une e as separa é de uma amarelo de ovo delicioso. Esse creme é a massa que une os dois mosaicos, as duas placas, os dois azulejos; e se notarmos com mais alguma minúcia apercebermo-nos que na realidade os dois doces quadrados, são na realidade diversas tiras, verticais unidas entre si, uma espécie de duplo “kit kat” da nossa tão tradicional doçaria. Um hino aos preceitos quadrangulares!

No entanto, não posso deixar de referir um dos mais saborosos, no entanto fortemente calóricos doces que se encontram nas pastelarias da cidade que habito, o delicioso São Marcos. Com aquela estrutura cúbica, esbranquiçada na base e caramelizada no topo forma um cubo doce, agradável às papilas gustativas, suave, mas quando o pressiono com a face cortante do garfo de sobremesa, por vezes desfaz-se e custa a sua separação em partes devido à sua intrínseca estrutura, cujos átomos de açúcar parecem ter fortes laços magnéticos entre si. Seria preciso estudar mecânica quântica para entender os fenómenos que unem as estruturas de massa de um tão agradável e delicioso São Marcos.

E aquele que mete o donuts do dia no canto depois de um KO impiedoso é o tão afamado pastel de nata, estrutura circular regular, é uma espécie de cone cortado invertido. Seria assim por certo a sua receita geométrica:

Pegue num cone simples,
Inverta-o sobre o eixo do zenite,
Agora com muito cuidado faça um corte com um plano alinhado com a horizontal, mais ou menos a dois terços da base.
Colore-o com um amarelo suave, e enrije-o um pouco,
De seguida preencha o seu interior com um recheio cujo espessura e densidade satisfaçam o mais requintado dos adoradores de doçaria
Cubra o seu topo com um círculo ligeiramente escurecido, aqueça-o e sirva com a temperatura que achar conveniente.

E muito mais poderia ser dito de todos esses altares e menires, esses cromeleques, esses templos de criança, que brinca alegremente, essas massas, esses recheios, o açúcar e o ovo, palavra capicua. Por isso o donuts do dia é apenas o renegado dos deuses do olimpo dedicados à doçaria, quando comparado com as deidades adocicadas que se exibem nas pastelarias da metrópole que habito.

E onde estão as campanhas publicitárias em seu louvor? Para quê?
O saber e o sabor falam por si!!!

Hoje sou padre


Falo e digo muito sobre muitas coisas, por vezes falo demais, falo disto e muito mais, nem sou padre poeta, nem faço do celibato a minha meta, mas sou padre eclesiástico.

E em tempos com um amigo, o Zé Marçal, o Zé Carlos, o Rui Rodrigues e o Bernardo, enquanto caminhávamos pelo sul de Espanha, deparei-me com um facto deveras interessante da língua Castelhana; o termo “padre” serve para definir pai! Assim como o termo “embaraçada” define grávida! Quão interessante é observar tais jogos linguísticos da língua de “nuestros hermanos”. Serão então os padres dessas vilas e cidadelas espanholas os pais biológicos dessas embaraçadas que caminham graves e pesadas com o rebento no ventre, dos quais apenas as mesmas conhecem o verdadeiro progenitor. Daí o grande embaraço! A língua é estranha, e na fecundidade, na virilidade, encontram-se em todas os idiomas termos estranhos com semelhanças ainda mais peculiares.

Pois hoje sou padre eclesiástico, e abomino todas as ordens contrárias às de Roma. Hoje, apenas hoje, sou padre que renego todos os preceitos semíticos, hoje e apenas hoje, venero os preceitos de São Pedro, das suas basílicas, dos seus altares, das suas estruturas fálicas adoradoras do divino. Hoje, venero o espírito indo-europeu de Roma, dos povos do Leste, dos ritos e mágicos significados do Império. Hoje, e apenas hoje, sou César, mas sou César senil, sem reinado, nem reino. Hoje sou padre eclesiástico, mas também sou homem humano de paz, que a muito custo venero esses preceitos do sul, a que denominam católicos, e que os crentes veneram em lágrimas de sangue: A adorada Fátima.

Hoje sou padre, rejeito esses pedreiros-livres e todas as suas doutrinas de liberdade, hoje confronto as ordens vigentes, esses que sempre conspiraram contra a supra autoridade do santo ofício, esses que diplomaticamente cumprimentam e toleram o santo catolicismo, mas que conspiram para a sua extinção, essas ordens que o grande Poeta Pessoa venerava e defendia, hoje sou eclesiástico, sou homem religioso, hoje sou padre, visto a batina, e entrego-me aos rituais da homilia, passo a palavra aos crentes.

Mas sou padre com mente aberta à sociedade, porque é que sendo padre tenho obrigatoriamente de votar nesses partidos de direita, autoritários e faccionários, cheios de aristocratas da sociedade regente e decadente. Hoje sou padre, visto a batina, prego o sermão, e professo a palavra do salvador. Hoje a apenas hoje, renego a mais elevada das heresias daqueles que sempre conspiraram contra o império cristão. O império que abraça o Cáucaso nos seus ritos, e nas suas crenças. Hoje sou padre douto, talvez senil, talvez incompreendido pelas sociedades vigentes que reinam e instalaram o poder e as posses como doutrina máxima da condição humana. Esse semita que criou a moeda, não é ele o maior dos pecadores? Não é ele o pecador primogénito. Meus caros fieis, ouvi a palavra do Senhor, pois o Senhor está convosco. Meus caros fiéis, renegai a doutrina que vigora por esse mundo ocidental, onde a moeda e o poder se alicerçam em valores nada condicentes à razão humana. Vede Eva, a primogénita, a mais bela das mulheres, vede a sua mágica fecundidade, vede a sua feminilidade, e vede que fruto trincou, vede como pecou, vede como uma tão bela e delicada mulher, se desvirtua de forma tão pérfida.

Vede, meus adorados e seguidores fiéis, como hoje sou padre, hoje venero Roma, hoje renego os preceitos do Ocidente e do Sul. Hoje adoro nosso Senhor, nosso Deus triangular, a nossa santíssima trindade, hoje leio o livro, leio a bíblia e dedico-vos todos estes preceitos. Hoje sou padre, sou padre espanhol, sou padre casto, celibatário, eclesiástico e professo através desta humilde homilia, a palavra da salvação.

Hoje rejeito os conspiradores, hoje rejeito a doutrina falsa do poder através da moeda, hoje rejeito os poetas falsos, que evocam duos de rimas, hoje abomino comunistas, abomino os laicos e descrentes, hoje para mim cubanos, revolucionários vermelhos são como farpas na garganta que tolero à força. Para mim, nossa senhora de Fátima, mesmo apesar do nome me parecer inconveniente, apenas a ela devo louvar, apenas a ela ofereço os meus préstimos, mas primeiro ao Senhor das altura, depois à nossa Senhora, e em terceiro lugar a sua Santidade, o papa. Quão querida é a língua em que redijo estes textos, ao associar o termo terno da paternidade da criança, ao sumo pontífice da mais alta instituição ecuménica, a Santa Igreja.

Meus caros fiéis, hoje sou padre senil, hoje sou casto, hoje sou celibatário, faço parte das ordens, mas apenas das religiosas, faço parte das ordens que professam a palavra da salvação.

Segui comigo o caminho da salvação do divino, pois hoje, e apenas hoje, sou padre.

Graças a Deus

Amén

Frade Filipe Pimentel

Veneza, a Deusa da água


Pelos verdejantes canais venezianos
Onde gôndolas navegam tranquilas
Poucas polis, cidades ou vilas
Revelam monumentos tamanhos

Intensos pacatos, momentâneos
Dois dias em cidade migratória
Ancestral vila piscatória
Que se entrega aos prazeres mundanos

Carnavalesca, alegre, serena
Veneza, mulher da água
Fria, áspera, amena

Que m'inunda e lava a mágoa
Patrícia, Moura, Helena
A mais bela deusa da Frágua

Um Tetraedro Triangular a uma bela Brasileira


Se os povos do mundo e da vivência
São o verde do amor e eloquência
Se nas negras peles há um tenor
de uma voz que grita o amor
Se nas chamas de uma pele de tez escura
encontro eu o amor de uma negrura
Se o clima é quente-fogo e enublado
Ama-me, e serei eu o enamorado

Se te amo, perco as mágoas da solidão
Vejo o mundo e os astros da imensidão
Se o leito é o deleite da lonjura
São o corpo as carícias da ternura
Se te digo, que anseio as carícias
És o abrigo e as mãos ilícitas
que me afagam a pele carente
Sou o mundo: Frio e Quente.

Se o teu corpo, é assim a dádiva
Sou eu o rio, e sou a lágrima
Se a silhueta na escuridão
São o meu mundo da imensidão
Se os corpos que se abraçam
são os pilares que se entrelaçam
És tu aquela que me endoidece
És quem me houve a humilde prece

Se és o astro assim do sul
Se és o eixo que se forma
Se és tu a esfera azul
Sou eu aquele que te adorna
És quem me ama e entristece
A sobriedade que me endoidece
Angela: És tu bela e formosa
Cândida, casta e honrosa.

Se os encontros e as intempéries
Se reencontro as efemérides
Se viver e me encontrar
Sob um tecto, sob o luar
que influencia estes animais
Os magnetismos primordiais
Os teus seios que observo e beijo
Neles me perco, neles emerjo.

Se é assim o mundo eloquente
Num Pacífico, és o Atlântico quente
És aquela a quem abraço e adoro
As mágoas que te segredo e que choro
Se és a perdida e a renegada
Renego eu a dor: És pois a amada.
És os dipolos da humanidade
És pois tu o eixo da fraternidade

Se és as sonoridades do tacto
Amar-te é pois assim um facto
Se te observo és visão auditiva
És quem rejeita a lonjura aflitiva
Se és a sereia dos sentidos
Se és o porto dos abrigos
És pois o doce, o amargo e o cruel
És o açúcar, o sal e o mel.

As peles que assim se unem
E o meu ego assim imune
O desejo desses teus beijos
A paixão forte e impune
Dos desejos do irrevogável
Do amor forte e durável
És quem adoro e quem desejo
Em mulato corpo assim emerjo.

Se libertas assim a escravatura
Do ego que se liberta
Das asas que ganha a ternura
És a fragrância da doçura
O abraço que me aperta
na liberdade incondicional
És a pimenta, és o Sal
És pois tu a deusa astral

Se os abraços que me envolvem,
O dorso, que as tuas garras colhem
As peles que assim se emergem
O meu corpo em tua vargem
Se os espíritos são assim descrentes
E as verdades quando me mentes
São o que procuro em dócil corpo
És o astro em que me encorpo

És a Angela bela, divinal
Serás sempre a de agora a e ancestral
És sempre aquela a quem segredo
Que me abraça neste quarto escuro
Que da luz se emerge e renega o medo
Se és o corpo pérfido e puro
Das raízes que quero e procuro
A quem me confesso e assim juro

Se és pois o oito, o sete e o três
A luxuriosa candidez
Se esse regaço que me acolhe
Se no Universo és o detalhe
Aquela que da circunspecção
Engloba o mundo que queria
Somos o detalhe da imensidão
os versos de eleição: A Poesia

As contrariedades da simbologia automóvel


O automóvel, vulgo carro, foi e por certo será por muitos mais anos o meio de transporte de eleição das sociedades ocidentais. É prático, oferece alguma liberdade na movimentação quotidiana dos habitantes das polis, e salvo algumas, agora muito mais frequentes exceções, é fácil de estacionar, pois os parques citadinos começam a abundar. No entanto, por certo que nunca poderá ser o meio do futuro, o meio das metrópoles das novas gerações, e todas as cidades cujos arquitetos, urbanistas e políticos camarários tiveram algum intento visionário na sua conceção, tiveram por certo de apetrechar tais urbes com o transporte da multidão, do público, dos cidadãos.

Uma carruagem do metropolitano pode, em situações de pleno conforto aos seus ocupantes ter pelo menos cinquenta passageiros; no mesmo espaço, caberiam quatro veículos automóveis, que em média nas cidades devem conter dois passageiros, o que dará oito cidadãos. As cidades visionárias têm de ser concebidas para o futuro e imagino, eu, mente por vezes sectária e ortodoxa, outras vezes sonhadora e visionária, as cidades do futuro super populosas, onde por certo o automóvel nunca terá lugar de existência. Observemos grandes metrópoles como por exemplo, Nova Iorque, Hong Kong, Xangai, e vemos o quão importante é o transporte coletivo. Em Nova Iorque, onde a política americana para o transporte público durante muitos anos se limitou ao sector urbano, o transito por certo, nunca lá estive, é literalmente caótico, e os meios de transporte público nunca publicitados nos meios cinematográficos, são raros e os que existem face à tecnologia da nação em causa são deficitários. Já em Hong Kong, cidade que gostaria de visitar um dia, parece-me que dada a elevada densidade populacional, foi uma cidade com projeção futurística, onde o transporte coletivo foi uma grande aposta. Creio que essa mistura étnica e tecnológica entre saber colonial britânico e espírito regrado de trabalho Oriental deve ter proporcionado aos arquitetos de Hong Kong fazerem uma metrópole moderna e de futuro. O mesmo, creio, pode ser aplicada às grandes urbes do Oriente, cidades hiper populosas, onde o número de habitantes é enorme dada as suas dimensões, não se podem dar ao luxo que os seus cidadãos tenham cada um automóvel para irem onde quiserem. Se os chineses usam muito a bicicleta, não é por certo por razões ambientais, pois o crescimento económico de tal nação não pode ser suportado com restrições de tal ordem, o ambiente é secundário; foi antes por questões de pragmatismo urbanístico. Onde caberiam tantos automóveis em cidades tão populosas. E o mesmo talvez se aplique à América Latina.

Estou perdido nos pensamentos ao me aperceber que na realidade a densidade populacional de Pequim é na realidade inferior à de Lisboa, bem agora perco razão ao que digo, mas por certo está relacionado com a área muito superior do distrito de Pequim. E o mesmo a Hong Kong. Mas eu, nesta pequena missiva que faço sobre a simbologia automóvel quero ficar perplexo, com as contrariedades engraçadas dos apetrechos do carro, por isso mudo o estilo da escrita, torno-a mais sublime, mais poética, uma espécie de prosa-poética em homenagem a todos os mágicos adereços que os automóveis das cidadelas do Ocidente podem comportar, desde o contrário travão-de-mão; quão estranha é esta peça de auxílio à paragem do veículo que utilizamos quando estacionamos a viatura, pois para travar, para parar, elevamo-lo, erguemo-lo, fazemo-lo subir e depois de erecto trava o carro; não é por certo este fenómeno contrário à razão carnal e humana. E mudanças, porquê sempre cinco na maioria dos automóveis? E o que mais me intriga é o escape, esses jovens sempre prontos a quitarem, a apetrecharem as suas viaturas com imponência e realce, colocam aqueles espessos escapes, firmes, hirtos, que deitam o fumo queimado pela combustão do veículo, o escape, que situado na traseira do carro, e largando dejetos do automóvel, tem uma simbologia um pouco estranha, lembrando os despojos de uma criatura rápida, célere, em movimento. Mais uma contrariedade da figura automóvel.

O motor, é o coração, é a máquina vital à aceleração da viatura, promove a inércia, faz com que esta máquina divina obedeça à lei da variação de velocidade postulada pelo mais grandioso físico Britânico com nome de semita. O motor, a peça chave desta máquina de movimento, é por vezes poluente e trágico aos olhares das polícias rodoviárias. Para esses jovens rebeldes que adulteram as suas viaturas com o intento de as tornarem mais poderosas, o motor está obviamente relacionado com a força motriz, com o impulso, com o vigor humano, com a força dos seus músculos, com a potência da sua fértil verga. É por isso que vejo essas rivalidades entre imbecis e inconsequentes moços, com as suas viaturas quitadas, em competição por nada, e quando as miúdas estão por perto, o desejo de auto afirmarem a sua virilidade aumenta, aumentando consequentemente a profundidade do pedal do acelerador das suas máquinas motrizes.

Os faróis são os olhos, os piscas são os braços que acenam e cujas mãos levantam o polegar, ou os piscas são simplesmente os olhos a piscar. Numa bela donzela, voluptuosa, os faróis, tal como refere o mais vil calão dos bairros degradados, os faróis são por mais que evidente as suas duas protuberâncias que lhe embelezam a estatura, e quando nos máximos, enchem e encadeiam de desejo o mais celibatário dos transeuntes.

As portas serão os braços, que se abrem e podem dar asas para voar; quantas imagens vemos nós em desenhos animados de automóveis, estes esvoaçando na atmosfera, com as portas a suportarem tais diferenças locais de pressão atmosférica, que permitem qualquer ave voar. Os pés e as mãos são as rodas; se o coração é a fonte da motricidade, os pés são o meio pelo qual essa mesma força é transferida, e o qual entra em contacto com o solo. A sola dos sapatos, são os pneus, que providenciam a aderência, a suavidade ou a rigidez do contacto com a superfície.

E tal como os jovens da metrópole se exibem com as suas máquinas infernais de vigor, potência, força, esse aparato que é não mais que uma mescla de tecnologia nos campos da mecânica, eletrónica e aerodinâmica; gostam também de embelezar as suas máquinas de movimento, colocam-lhes autocolantes, e fazem pinturas peculiares, como o belo galã que se veste bem, e coloca aqueles pequenos detalhes de realce na sua já cara indumentária, também estes lhes colocam luzes, para atrair as atenções visuais das redondezas por onde vagueiam, normalmente à noite. E como não poderia deixar de referir o campo do audível, enchem tais maquinetas andantes com os sistemas de som mais potentes e encarecidos que o mercado automóvel alguma vez observou. Tal como o alegre e divertido negro passeia na praia com o rádio sobre o ombro, tradição um pouco já esquecida com o advento do MP3, também os rapazes do xuning adoram vaguear pelas ruelas das metrópoles e fornecer variações de pressão atmosférica à multidão, muitas vezes não requisitada, e muitas mais vezes nada melódica, limitando-se na maioria dos casos a meras batidas de música eletrónica. Sonho em ter tais aparatos de tecnologia, mas para ouvir a terceira Sinfonia de Beethoven para piano. Isso sim é de louvar! Aliás, a música dita clássica, deveria dizer-se erudita, é a mais internacional de todas as músicas pois não tem letras, apenas sons, e a melodia é poética e muito mais rica do que quaisquer ritmadas citadinas.

O carro, mobilidade, tecnologia, conforto, decadência, desconforto grupal, uma tragédia ao coletivismo urbanístico, belo, pessoal, diz muito sobre a personalidade de quem o tem, desde a cavalagem à aparência exterior; desde o delinquente que tem o carro mais podre do mercado que mal anda, ao político abastado que anda nos topos de gama das marcas da indústria automóvel; diz muito sobre o indivíduo.

O carro, inimigo da nação humana, dado o combustível que consome, vejo quantos meios de transporte são construídos por esses continentes fora, por esses mundos, e tantos milhões dedicados a auto-estradas, a via rápidas, a estradas e "estradecas", a ruas e ruelas rodoviárias. Quantos já morreram dentro de um automóvel, quantos morrem diariamente, em todo mundo dentro de um automóvel por velocidades que por certo estão relacionadas com paragens cárdiorrespiratórias: Muita tensão, e o carro imove-se, má condução e o veículo pára para a morte. Quantas tragédias por esse mundo fora em torno do automóvel? Quantos milhões despendidos no seu aperfeiçoamento? Quantas guerras foram travadas pelo combustível que consome, desde os continentes de África até ao Oriente Médio? As guerras e as tragédias em homenagem ao veículo automóvel.

E tudo começou com o advento daquele senhor industrial que mecanizou a sua produção em linha, nos princípios do século vinte. Desde então nunca mais parou em todo o mundo, e se tal crescente não parar, ou se pelo menos não regredir, haverá por certo o caos humano do planeta Terra, em termos ambientais e civilizacionais.

Haiko




Os pássaros cantam
As árvores que os acolhem
Suas flóreas ramagens

As folhas no chão
O Outono parece, tardou a vir
As árvores desnudas

Um pátio vazio
Folhas no chão: É Inverno
Escrevo no frio

Dois bancos alinhados
Um pátio de antigas Oliveiras
Duas belas donzelas

O tempo é ameno
Os pássaros cantam no Inverno
Alegria e felicidade

Um velhote passeia
Aprecia, deleita-se com a idade
O requinte da vida

O jogo do galo
dos antigos tempos de menino
Antigas memórias

Coordenadas geográficas
Do banco do jardim que escrevo
Algures Norte, Oeste

Piso o alcatrão
Como as folhas do Outono
neste ameno Inverno

As árvores nuas
que Desejo, sensual e emotivo
neste ameno Inverno

Os braços acolhem as aves
As aves entregam-se e encantam
As árvores engrandecem

Um pátio onde escrevo
Dois bancos e umas flores
As crianças brincam

A noite aproxima-se
As crianças soletram palavras
O novo ano está perto

O novo ano da harmonia
São horas de abraçar a alegria
A poesia Oriental

Não relva, alcatrão
sob os meus parcos pés
Os pássaros alegram-se

Cantam contentes
Neste vale urbano de folia
O silêncio aproxima-se

A alegria aproxima-se
O reencontro com a Natureza
Cresço com o ano Novo

O ano Novo está perto
O solstício do crescente
Os pássaros cantam em árvores desnudas



João Lopes Ferreira
31/12/2007
algures num pátio nos Olivais

Embriaguez


Embriagado, assim estou eu
Vagabundo em terra natal
Pratico o bem e faço o mal
Sou cão vadio que padeceu

De patologia de quem sofreu
Por um Amor mais infernal
Por uma carícia divinal
De um abraço de quem foi réu

Este pretérito singular
Se na pessoa for o terceiro
Se não evoca o verbo Amar

Pronome pessoal, é o primeiro
Aprendo assim eu a rimar
De último, sou pioneiro

A Verdade Verdadeira


A criação divina criou a verdade, a verdade, a verdadeira, aquela una, indivisível, inalterável, supra humana e supra nacional, supra animal, que transcende a própria existência do Homem enquanto ser pensante. A Verdade, crua, nua, desnuda, despida dos preconceitos que o bom senso e a moral impõem. A Verdade, insocial, apolítica, filosófica, divina, a Verdade, apenas, e simplesmente verdadeira, aquela que todo o ser dotado de alma anseia, perscruta, procura, e vasculha através das infindáveis fráguas do cosmos, as estrelas, os buracos profundamente obscuros e carentes de amor e de massa gravítica. A Verdade Verdadeira, o duplo V proscrito na língua lusa, no entanto adorado pelo mundo. Aquela veracidade, verdadeira, verosímil que evoca o verbo dos meus verborreicos versos e prosas. O Verbo verbalizar, versa com o averbar. O V, quinta letra da numeração romana, vigésima primeira do alfabeto português e vigésima segunda do alfabeto dito latino, duplo V, vinte e dois, número transcendental e sagrado, esotérico e puro, a repetição do primeiro número par não nulo. Visto a verdade que me veste de veracidade, vejo a primeira vez, a PrimaVera, e nasço na segunda vez, no Verão. Verbalizo o verbo ver. O V, o falo invertido, antítese do A.

VÁ meus caros, vede a Verdade Verdadeira

Libertação literária primordial


Sou o escravo acorrentado
Sou o cão açaimado
Sou Falcão engaiolado
Sou o Poeta mais amado

Sou a Moura amordaçada
Sou a luz na alvorada
Sou a caneta rejeitada
A Rainha desprezada

Prisioneiro enclausurado
Sou a infância rejeitada
Experiência de iniciado
Sou a mágoa renegada

Sou o Mundo e a Paixão
Não sou nada, nem Ninguém
Sou Tudo, o coração
Rejeito o terreno e o além

Procuro a livre Liberdade
A Catedral grande, Imensa
A sexta-feira da Saudade
Renasço em Milão, Florença

Liberta-te destas correntes
Conta do sete até ao nove
Vê Deus quando o mundo chove
Ama laicos, ama crentes

Diz a verdade quando mentes
Porque o debaixo, sempre sobe
O Equilíbrio do regente nobre
Ama o espelho, se algo sentes

Ama a mulher, a tua próxima
Adora-a, e venera-a
Ama-la: A tua máxima

Sê a prima, a prima vera
Rejeita a mágoa, a falácia
Sê o manso e sê a fera