A messianização de Obama


Questiono-me diariamente sobre os conceitos e os preceitos que conduziram à eleição de Barcak Obama. Não está em causa a cor da sua pele, nem a ascendência genética, o que está antes em causa são os valores que estão latentes, não patentes e passo o pleonasmo, na filosofia e na política internacionais que têm o império ao qual este senhor é presidente.
Não hajam dúvidas à messianização que estão a fazer neste momento ao Sr. Presidente. Tem lugar marcado em horário nobre em todas as estações televisivas internacionais, é aplaudido energicamente no congresso a cada frase que profere, é recebido apoteoticamente a todos os lugares que vai. Um homem que ao que sei é fluente apenas no Inglês; dirão os mais acérrimos defensores da língua de sua majestade que tal é deveras suficiente, pois os americanos souberam bem espalhar o seu idioma pelo mundo fora; mas um homem que se quer líder do mundo, que é o que lhe estão a tornar, tem que ser no mínimo poliglota, tem que ser um Europeu, pois a historicidade da Europa é bem mais forte que a do novo Império.
É que o tio Sam já perdeu os três há muitos anos, e não prevejo uma longa duração do império sediado no novo mundo. Htiler dizia abertamente que faria da Alemanha um império que duraria mil anos. Os Americanos são mais subtis, regem-se por doutrinas muito mais subliminares, mascaradas de valores maçónicos como a Igualdade, a Fraternidade e Liberdade; dizem-se democratas, instauradores da democracia no mundo, mas são o novo império pois a natureza humana é impetuosa nas suas raízes. São o novo Império pois têm máquina militar mais poderosa do mundo. O seu poderio bélico é o mais letal do planeta, e por isso impõem as regras do terror, da maldição e da injustiça nos locais por onde se imiscuem. Impuseram subliminarmente a língua Inglesa no mundo; não há emprego decente agora em Portugal e na Europa, continente tão rico cultural e linguisticamente, em que se não peça a fluência da língua Inglesa. Chamam-lhe os seus subordinados de língua franca, pois não passa de uma língua francamente pobre face à língua de Camões, perdoem-me o nacionalismo um pouco exacerbado.
E tento eu aferir se a crise económica que é vivida presentemente não é uma orquestração elaborada pelos americanos maquiavélicos para que o Sr. Obama seja messianizado ao ser considerado o homem que retirou o mundo da crise. O império do terror é atroz, captura todos os seres que se lhe opõem. Rege-se essencialmente por normas maçónicas de suposta irmandade e de valores como a democracia, mas a irmandade é terrífica, instala um conluio de amiguismos no poder decisório dos países que estão na sua teia, para que o mundo assim enclausurado na rede de poder, cujo epicentro é Washington, esteja todo submisso às teias impiedosas do tio Sam.
Mas o tio Sam já perdeu os três há muitos anos, quando decidiu invadir o Iraque pela primeira vez, sequioso apenas com os lucros do petróleo que daí auferia. Já antes tinha o tio Sam perdido os três quando decidira apoiar o Iraque na guerra entre o Irão e Iraque. Deu com uma mão ao ditador iraquiano e depois tirou com a outra.
Não tenho dúvidas que foi a maçonaria americana que orquestrou a explosão das torres gémeas em 11 de Setembro de 2001 com o mero intuito de ter um pretexto para invadir os países supostamente terroristas a seu bel prazer. É que uma máquina bélica como a americana não pode emperrar, tem que ter uso, tem que ser oleada constantemente. Basta olhar para a história americana para observarmos que os E.U.A. estiveram ao longo da história constantemente em guerra, raramente tiveram um período de paz durante mais de dez anos. Não é necessário relatar aqui as guerras em que os súbditos do tio Sam se envolveram. Desde a segunda grande guerra, à Coreia do Sul, Vietname, Jugoslávia, duas vezes no Iraque e Afeganistão.
Mas voltemos à ideia primordial. A messianização de Obama. Aparece nas televisões como o salvador da crise internacional, a sua nomeação teve lugar destacado em todos os jornais e televisões espalhados por todo o mundo, como nunca tinha sido feito anteriormente a qualquer presidente de qualquer país do mundo. Não dou muito tempo a que seja considerado o novo Messias, o novo Jesus Cristo que vem salvar o mundo da crise em que vivemos. Mas não nos esqueçamos que o mundo vive atormentado com os poderios maçónicos americanos, é que a maçonaria é uma ordem conspirativa secreta que apenas atenta contra os valores da justiça e igualdade entre os homens. Eles defendem apoteoticamente a igualdade, mas vêm a igualdade apenas entre irmãos, os outros são os profanos, a plebe.
Pois eu não me rego e não me deixo influenciar por esta onda apoteótica que estão a fazer ao Sr. Obama, para mim é mais um mação no poderio americano. Temos que nos libertar das rédeas, da teia, da rede que tortura e subjuga os homens verdadeiramente livres. Temos que nos libertar do poderio bélico sediado no novo mundo.

Pela Liberdade dos Povos, abaixo o novo império.

Às doze pétalas da doce Flor


Dócil Flor
És quem me adoça a alma
O meu espírito, na palma
Da tua alva mão
Flor do Sol radiante
Flor do Homem, ser pensante
Flor do meu coração

Flor do Mundo
Flor do desejo e delírio
Que rejeita o martírio
Da crua solidão
Bela Flor
Flor da virilidade
Minha Flor de tenra idade
Flor da minha paixão

Vejo-te a face
Contemplo o azul do mar
No teu corpo o luar
De um bosque verdejante
Dócil Flor
Minha Flor adorada
Minha amada, desejada
És a minha terna amante

Flor do campo
Observo-te a face e os traços
Damos as mãos e os laços
de uma bela união
Flor do Cosmos
Dos mares quentes e mornos
Bela Flor de João

Loiros cabelos
Corpos estendidos no campo
Observar o teu encanto
De um belo alvo Amor
Minha doce mulher
Minha deusa do Universo
Sentir este ego imerso
Da mais pura doce Flor

Sou livre
Sou Mouro, sou Judeu
Sou homem indo-europeu
És a minha orquídea da China
Sou budista
Sou Poeta, sou cristão
Venero a Tora, o Alcorão
És a minha doce menina

Louvo o três
Louvo as pirâmides de Gizé
Louvo as estruturas de pé
És a minha Flor campestre
Louvo a Deus
Louvo-te o corpo e os peitos
Somos os dois mais eleitos
És a minha Flor do Leste

Sou Português
Sou Brasileiro, sou Espanhol
Sou Russo, sou Mongol
És a mulher Universal
Sou das Américas
Do Equador, sou Mexicano
Sou índio Americano
Dos mares do Norte, és o Sal

Sou de Gales
Sou dos trópicos, sou Japonês
Sou iniciado Escocês
És a minha doce Flor
Sou do Árctico
Sou cavaleiro Islandês
Sou nobre Português
Nutro por ti, terno Amor

Sou Germano
Sou pianista Austríaco
Sou um belo ser idílico
És a mais pura candura
Sou da China
Sou Dinamarquês, sou Mouro
Sou negro, moreno e louro
No teu corpo a formosura.

Sou Cingalês
Na Argentina, Canadiano
Em Timor, Australiano
És quem me adoça a boca
Sou do Báltico
Nos trópicos sou hiper-bóreo
No Árctico, um beijo flóreo
Dois corpos na noite louca

Sou Polaco
Sou homem douto da Hungria
Sou a terra quente e fria
Sou eu que te desejo
Em Barcelona, Madrileno
Sou o Danúbio no Meno
És as águas cândidas do Tejo

Sou da Europa
Sou filósofo Alemão
Sou Inglês, sou Mação
És a Flor de jasmim
Em Meca sou Muçulmano
Venero Ala, meu amo
És a Flor do meu jardim

Venho de África
Em Estocolmo, sou Ruandês
No Bótnia, vejo o Suez
O teu corpo no meu jardim
Em Roma, sou Romeno
No Douro, vejo o Reno
Dir-te-ei sempre que sim

Sou homem-livre
No Congo, sou Francês
Venero o dois e o três
És a minha dócil luxúria
Em Oslo, Jamaicano
Em Helsínquia, sou puritano
És quem me renega a penúria

Sou profano
Venero a estrela de David
Sou hebreu, sou Nazi
És o meu doce pecado
Adorei a suástica
A doutrina eclesiástica
Sou o teu namorado

Sou Pacífico
Em Tóquio sou de Quioto
Sou um samurai louco
És a minha dócil gueixa
Americano
No Paquistão, sou hindu
Contemplo-te o corpo nu
És a amante que não se queixa

Sou do Laos
No Brasil, sou Vietnamita
No Cáucaso, sou Semita
És a mais bela linda Flor
És o Cosmos
Sou as estrelas e os planetas
Sou os astros e os cometas
És o meu grande Amor

Chica Guapa
Mi amada, como te quiero
Te veo cuando los ojos cierro
Eres mi gran amor
Mi princesa
Mí adorada y venerada
Estás de mi enamorada
Eres la luz y el color

Sou mulato
Sou Guineense na Gronelândia
Sou Lapão, na Mauritânia
És a minha índia da selva
Adoro-te
No Vaticano, sou pecador
Sou missionário, sou doutor
Dois corpos estendidos na relva

Honey
You’re my sweetest girl
A friend who’ve became a pearl
I see you, and I see heaven
Sugar
You are my sweet temptation
My adored veneration
Two of us, form eleven

Darling
You’re the source of my desire
You’re the empress, of my empire
You’re my candid lust
Sweetheart
You’re the passion of my soul
We both compose the whole
You’re the one to trust

Sou Checo
Em Paris, sou Londrino
Beijo-te, abraço e rimo
Em honra ao teu semblante
Sou Eslovaco
Na Alemanha, sou Polaco
Por ti corro, rasgo e mato
És a minha louca amante

Serenidade
És a minha grande amiga
És bonita, és bem linda
És a calma e a harmonia
Estou tranquilo
Em menino observei-te
Hoje mesmo toquei-te
És a Filosofia

Reencontrando-me!



Uma vez mais me encontro deambulando de pensamento em pensamento
Perco o amor ao mundo, amo os outros, é o meu tormento
A cada dia que passa, assimilo o que é estranho
Acedo, agarro os outros e neles me entranho
Porque a língua é fugaz nas suas doutas rimas
Perco-me nos desejos, chamo-lhes meninas
Sobrevoo eu também as florestas e as planícies, os vales e as montanhas
E quando me provocas, me seduzes, e me assanhas
O paradoxo racional eleva o desejo
Pois a carne é o meu ensejo
E se me reencontrar é a luz divina observar
É o encontro interior
É o verdadeiro amor
É a felicidade poder contemplar
É a verdadeira iniciação
Quando observo os teus olhos azuis
De um cabelo ondulado que me adora
No meu ego, e quando fluis
No espírito que constituo, na alma que aqui perdura
Mas que amolece com a ternura, a doçura
Da caridade, da afável mocidade
Encontrar a criança que deixei de ser, que se perdeu
O ente, que através do espaço-tempo morreu
Quem são os deuses? Quem sou eu?
São os do Olimpo? Os de Roma? Fui quem perdeu
O rumo à vida, o rumo ao caminho da purificação
Que és tu? Florbela ou bela flor?
Que rima com dor e amor.
Sou aquele que atravessa o mundo até ao infinito,
Que percorre as galáxias do espaço e aqui cito
As frases de doutos poetas, de homens da ciência e cultura
Pois Florbela, a luz loura dos teus cabelos
Que se perdem ao vento e só de vê-los
Não sei o que sinto ou pressinto
Se me mova ou me demova
Pois a mente mente e quando minto
Nego a minha existência
A doce procura, percorro os caminhos divinos, a persistência
Em me encontrar é dolorosa, custa atravessar o voo celestial
Que preconizas em teus versos
Que de amor estão imersos
Que da fugaz e temperada caminhada que percorremos
Dos desejos, que os loucos homens como eu se esquivam
Pois por vezes canso-me, perco-me, despisto-me nos caminhos da alma e da carne
Mas quando vejo as doces mulheres que me activam
Sentimentos paradoxais, de amor e ódio, de desequilibro, do gozo que arde
Percorro as estradas do mundo, as rotas infindáveis da loucura
E não me encontro no que está perto, cerca lonjura
E se os efémeros fragmentos desta vida fugaz
Na qual me torno mero espectador
Aquele acutilante que espeta a dor
E não encontro paz, nem razão às discriminações linguísticas
Das escravas e das eslavas
Dos bárbaros severos
Dos vândalos e de Neros
Dos semíticos interesseiros
Daqueles que emprestam a ladrilhadores, consumistas, padeiros
Dos suínos e dos Suevos
Daqueles que dizem que fazem judiarias
Não suporto as discriminações, nem anti-semitismos, nem ódio aos outros que no entanto me odeiam
E do lixo, que será? Quem serão? Da cruz se elevarão?
Pois porquê a chave, o chaveiro e o chão?
Não são a cave, o coveiro e o cão?
Guerras lingüísticas, das tremas que se elevam
Da simplicidade da língua semita e latina
Pois minha deusa, minha dócil menina
Dos versos que eu em ti li
Naqueles em que te reencontravas,
E que planetas sobrevoavas?
Quero ir ao fim do Universo
Quero alcançar o infinito
E por vezes o longe é aquilo que fisicamente está perto
E se o Homem vai ao espaço e á lua
E nem sequer conhece por vezes a sua
Génese interior
Fugaz e do ímpeto? Não. Apenas do verdadeiro amor.
E os caminhos que descubro na minha génese
São dolorosos, são angustiantes,
Ardentes e desesperantes
Mas vejo eu também as florestas verdejantes
Os desertos vastos e reluzentes
Vejo os belos e cristalinos oceanos
As águas límpidas e mornas
Vejo os belos cumes, as montanhas que de um amor divino se enchem de neve
As belas faces, de mulheres, homens e crianças,
Que se regozijam com as planícies e com os momentos da vida banais
E com tantas outras coisas e muito mais
Vejo o mundo redondo, suave a não cortante
Sonho e vejo-me a mim como ser pensante
Sou aquele que da incerteza
Venera a tua pura beleza
Serei sempre aquele que nas calmas gôndolas
Aprecia as rias de Veneza
Vê a magia do mundo e do céu azul
Vejo o Euro, o Bóreas, o Zéfiro e o Sul
Sou aquele que ama o mundo
Sou aquele que através da mágoa, do amor, do desejo e da dádiva
Se oferece ao Eu Profundo.

Oceanus



Sinto-me largado ao vento
Sem norte, nem sul
Sem leste, ou oeste
Perdido nas brisas infinitas do planeta
Perco-me na acalmia do oceano
Dum azul profundo que amo
Nas profundezas do meu ente
Um ego, que se inunda ao ser crente
Vasculho o passado e os pretéritos
Para me reencontrar
Para conseguir achar
A criança que no mar se perdeu
Que se afogou com o tempo imenso
Do oceano que é propenso
À dispersão do azul
Dos mares ao Sul
Mares do Sal
E eu que escrevo, tal
Como li os teus escritos
Quando vagueavas pelos infinitos
Dos mares do Norte, mares de Barens, golfos de Bótnia
Procuro em ti experiências passadas
Renego paixões amarguradas
Olhos da cor do mar que elevo
Mar revolto, nas ondas de uns áureos cabelos
Oscilo entre a harmonia, mas em mim fervo
Com as vicissitudes da doçura,
Após a amargura
Escrevo as escritas do reencontro
Escrevo os escritos do pesadelo
Deste sonho vivente envolto
Em nevoeiros que atravesso
Quando caminho para as camadas inferiores do ego
Das plataformas que nos levam ao núcleo
Dos dilemas de Verne ao centro do Eu
Redondo e esférico, abrasador, o núcleo, o caroço envolto em breu
Que se descobre
Que se envolve
Há que perfurar a mácula, a agonia, a angústia, a raiva e a maleita
Rejeitar o ódio, mas não rejeito o desejo!
Esse é o meu ensejo
Mas será o desejo a angustia do homem?
Será o que o leva ao desespero?
Será o desejo, a génese da flagelação?
Dos ímpios actos de veneração?
À carne e aos seus vassalos
Aos seus subordinados
Aos mágicos e deprimentes fados?
Voos da imensidão, voos mágicos pelo mundo que revejo
Voo sobre o planeta, passeio num cometa
Fervente na cauda, encrostado em gelo
Que assimilou nas fronteiras do Universo
Que me revisita
Caminho, corro com a fita
Da vitória ao alcançar a meta
Cansado, depois da sesta
Mas elevo-me, procuro, e reprocuro, procurando de novo, reprocurando
O caroço, o núcleo, o cerne
Mas parece que não faço parte daquelas influências magnéticas
Que vêm do extremo do sistema solar
e que atravessam as camadas quentes para depois o núcleo encontrar.
Farei parte daquelas que o rodeiam ?
Caminho então sobre as águas, imerso nas profundezas do azul
Destes mares de lágrimas ao sul
Nado, tal homem da Atlântica
Ondulo o corpo, oscilo com as ondas do mar
E do sal consigo saborear
E quanto mais Sal, mais sede, mais água doce
Quanto mais Sal, mais fome, mais rios que das montanhas nascem
E no sal, procuro as montanhas nos altos, nado como o salmão
Procurarei o destino no topo do rio frio para conceber
E perecer?
NÂO
Vagueio no Tejo
Imerso
De águas límpidas, que outrora encheram as ninfas de candidez e de alvura
Tejo que limpa as mágoas, que lava a ânsia mais dura
Que em tempos ancestrais convertia pecado em candura
Da mulher em que lhe revejo banhar-se, bela e pura
Mas procuro nele a lua cheia a reflectir-se na paz do horizonte
Na silhueta de uma ponte imensa que o percorre
De uma exponencial decrescente
Mas no furor e na alegria sou crente
E também com o tempo vou perdendo a minha identidade
É simples influência do acréscimo na idade
Mas cabe reencontrar-me
Para apenas achar-me
Sentir-me envolto em nuvens
Vaguear e passear sobre jardins verdejantes
Amar os seres do mundo, pecadores e errantes
E procurar algo que me satisfaça o espírito
Que me satisfaça o eu interior
Que renegue a dor e o rancor
Procuro no mundo dos infinitos
E revejo na infância a alegria, a egolatria
O puro amor.

Diferenciação matemática do Universo


A função matemática que representa o Universo, a existir, tem por certo uma função diferencial contínua. Apenas na arte, tais descontinuidades são possíveis. Por isso rejeito a mecânica quântica e os seus preceitos, ou seja, por definição a mecânica quântica não faz parte da ciência, mas sim do campo artístico. A arte é mágica, sonhadora e a forma mais divinal que as culturas encontraram para representar os sonhos da alma, mesmo tendo consciência da sua natural irrealidade. O Homem concebe a arte, com forma de extravasar os sonhos, as divinais magias interiores e através desta comunica. Os Gregos, primordiais culturas do saber, elaboravam aquelas magnificentes obras de arte, com musculados homens em posições atléticas, no entanto, estudos recentes demonstraram que tais posições eram irreais, e infazíveis. A arte é a execução dos sonhos, é dar forma às ansiedades da alma. No cinema, a cena muda como queremos, de um segundo para o outro passamos para o outro extremo do planeta, mudamos de cena e de cenário. Na música ouvimos sons irreais, ouvimos tonalidades auditivas inexistentes na natureza, na pintura observamos formas e traços que muitas vezes vão contra todas as formas padronizadas existentes no mundo. As formas da pintura podem ser irreais, no entanto comunicam. A arte comunica, a arte extravasa a magia interior da alma. A arte nunca deixa de ter significado, independentemente do senso em causa. E é na arte que observamos, que exprimimos a alma. Na arte exprimimos, por outros meios, as formas da natureza. Os heróis gregos, eram homens, não deixavam de ser homens, tinham músculos como todos os homens, formação esquelética, e membros, no entanto colocavam-se em posições nada naturais. Então o que é a arte? A arte é a liberdade! A arte é a exteriorização da alma! Ora na arte, encontramos as funções matemáticas cujas diferenciais são descontínuas. A arte tem função diferencial descontínua, pois na arte, mudamos de cena e perspectiva consoante o desejado. Na realidade levantar-me-ei da cadeira suavemente, continuamente, caminharei passo a passo até à saída, calmamente percorrerei as avenidas de Berlim virarei o pescoço e as imagens aparecerão sempre de forma contínua. No entanto, a cidade, repleta de artifícios artísticos, revela uma luminosidade artística inigualável, pois de uma estação de Metro para a seguinte muda o panorama e o cenário envolvente. Temos o S Bahn e o U Bahn. Poderá ser a harmonia da farmácia alemã numa rede de transportes públicos? De um ponto para o outro a descontinuidade, a forma de arte arquitectónica e urbanística da cidade de Berlim. A arte, a luz, o semáforo que muda do vermelho para o verde e vice versa. Mas passa pelo amarelo.

Entre a hegemonia da língua de sua Majestade e a harmonia pictórica dos símbolos


Entrego todos os pensamentos neste diário, e coloco as questões mais controversas.

Gosto de papéis em folhas brancas e revolto-me contra o instituído. Por vezes fico senil e questiono-me sobre os factos históricos dos milénios que sucederam o nascimento de Jesus. Questiono o relacionamento do Messias com o império Romano. Falaria Jesus Latim? Teria visitado alguma vez a cidade de Roma?

Questões concretas, questões que coloco num pedaço de papel. Vou fazer deste diário, um diário livre, como tal ignorarei os termos nele inscritos. Gosto de escrever sem ter que me ser imposta uma norma ou um padrão, não gosto de padrões, nem de estandardizações ou implementações. Se a língua se imiscua, se a língua se une ou emerge, porque é que a língua é tão importante? Porque é que a língua, sendo apenas um objecto auxiliador da fala é tão venerada e proclamada pelos impérios? Temos todos de nos subjugar à língua do Império? Tal como o Latim foi imposto através das armas, do sangue e do aço, ou ferro, também o Inglês se quer impor através do sangue e da publicidade enganosa.

Comprei um diário na Alemanha, e sinto-me defraudado. Estava envolvido em plástico, e quando o abro, está tudo escrito em Inglês. Porquê pergunto eu? A língua espalha-se, e a língua reflecte a cultura de um povo. Há muito tempo que pretendia elaborar, traços comparativos entre o Inglês, o dialecto do novo Império, do aclamado “Bem Comum”, e o Português. O que é certo, é que o Inglês, é omnipresente e é imposto, é forçosamente estandardizado, e isso revolta-me.

Comprei um diário na Alemanha, pago uma fortuna, face aos meus rendimentos, e quando o abro está tudo em Inglês. O Português é mais modesto, mais moderado, e por vezes mais acutilante, e lembro-me da profissão, do obreiro, daquele que exerce uma actividade. Na língua de Camões o que exerce uma actividade, é o substantivo adicionado do sufixo “dor”. Que estranho, tudo é feito com dor. Até quem cria é criador!

Já o Inglês, que se intitula língua livre, foi imposta não através da própria dor, mas implantada através do sangue e do martírio dos outros povos. Tudo em nome da liberdade! Não eram os Ingleses, meros piratas que obtiveram refúgio durante séculos por terras lusitanas? Observemos o Algarve, a mais sufista região da nação portuguesa, e vejamos como está repleta de anglicismos. Transformaram o Algarve numa segunda Inglaterra. Devia-se adicionar o Algarve ao “Bem Comum”. E questiono-me a quem é dirigido o “Bem Comum”. O “Bem Comum” é dirigido a quem fala a língua da Aliança, os outros povos são os subordinados, ou seja, são a “Ralé Comum”.

No mundo anglo-saxónico o “Bem Comum” complementa-se com a “Ralé Comum”. Não fui eu que instiguei um ultimato, aquando de um mapa cor-de-rosa, cor afável, cor adocicada e amorosa. Foram os republicanos sufistas portugueses que se revoltaram contra a hegemonia dos súbditos de Sua Majestade. E os do novo mundo que implantaram a língua que herdaram dos ilhéus, fazem-no através das armas, e claro, como bom judeus que são, através do dinheiro.

Ora vejamos um facto interessante. O dólar do bom judeu do novo mundo:


É interessante observar tal facto, quando vi o logótipo das farmácias da Alemanha: Apothek.

Em diversas culturas, encontramos símbolos para a harmonia, para a paz interior, para a tranquilidade, para o equilíbrio. E tal é alcançado quando unimos o homem com a mulher. É a chamada união das almas gémeas. E na harmoniosa união interior obtém-se a paz e a felicidade quando nos complementamos com o género oposto. Neste complemento encontra-se a cura para todos os males e todas as maleitas da humanidade. A farmácia Alemã é ainda mais representativa da harmonia, na sua iconografia, que a Portuguesa. Uma serpente, o pecado, o falo, o desejo inconsciente, que coloca a cabeça no copo aberto, na feminilidade. A harmonia, a junção da serpente com o copo aberto. A farmácia portuguesa preconiza a cura espiritual com a junção entre a haste e a serpente.

Independentemente da cultura, a harmonia pictórica é sempre alcançada entre a junção de dipolos distantes. Para o judeu americano a harmonia encontra-se na moeda. Já para o Mação Inglês, também um bom Judeu, o logótipo da moeda que tão orgulhosamente ostenta, é a própria nação, a Ilha de Inglaterra.

Vejamos então que existe similaridade visual entre o logótipo da Libra e o desenho geográfico da nação, ou seja da ilha da Grã Bretanha. Não fosse a palavra Fortunatly significar fortuna e felicidade em simultâneo. Não hajam dúvidas às influência hebraicas na nação de Sua Majestade.

Os Orientais, por seu lado, encontram a harmonia no círculo que se une. Aqui encontramos a verdadeira harmonia. Neste logótipo, nem deveria usar o termo logótipo pois tem correlação com questões financeiras; neste símbolo, circular, uma circunferência, sinal de perfeição, sem arestas nem cantos, onde a serpente se insere num círculo redondo. Não é o círculo também uma representação da passividade? Então o símbolo da bandeira da Coreia do Sul, é um dos mais altos representantes da harmonia. Pode ser encarado por dois prismas. Pode ser uma serpente embutida num círculo, ou então dois semicírculos disformes, que se unem e formam a perfeição. E vemos nós, por esse mundo alguma associação pictórica entre este símbolo e o dinheiro? Não, e felizmente que assim o é. 

À minha direita, um casal de namorados, tranquilos, apreciam os bons momentos da vida. Presumo que representam perfeitamente a harmonia demonstrada na união entre o Yin e o Yang. À minha esquerda três executivos engravatados. Devem estar a conspirar, e a planear como irão extorquir melhor os subordinados. É que os engravatados da nação, são a podridão do Mundo.

Nunca encontrei homens líderes harmoniosos que usassem fato e gravata. É que quando vejo um fato e uma gravata associo imediatamente a Capital. Tinha Mahatma Ghandi uma gravata? Tem o Dalai Lama uma gravata? Tem o pároco franciscano gravata? De onde provem a gravata? Será um símbolo de fertilidade? Será um símbolo de clausura? Uma corda que aperta o pescoço, e que pode ser puxada para os actos mais perversos. Ou será uma corda que vinda da face traz virilidade?

À doce Nádia


E no meio do escuro
E no meio do nada
Enquanto todos dormem
Quando a luz se apaga
Espero eu por ti
Nesta madrugada
Quero ter-te aqui
Mas tu estás parada

E não há mais nada, nada
Só tu, tudo, tu
Nada, nada, nada
Só tu Nádia, És tudo, tu

E a espécie humana é capaz de
Odiar, matar, chacinar
Mas contigo eu só consigo
Dar, abraçar, amar

Eu dava tudo para te ter,
Mas eu sei que um dia
a esperança há-de morrer

E no fundo do teu ventre
eu queria
Colocar a minha semente
um dia

VIVA A LIBERDADE


Viva a Liberdade dos povos que se esforçaram para a conseguir
Viva a Liberdade dos povos Africanos

Viva a liberdade dos povos americanos
Viva a liberdade de todos os povos e de todos que se entregaram de corpo e alma para a conseguir alcançar.

Existe uma entidade regente que oprime os povos, que lhes lê os pensamentos e o métodos é atroz e horrendo.

Capturam todos os indivíduos de uma nação, subjugam-nos ao terror, pois essa entidade regente, essa sim é a verdadeira patrocinadora do terror.
Capturam o individuo e colocam-lhe aparelho para escutar os pensamentos. Qualquer pensamento não autorizado esse individuo é horrorosamente torturado em frente dos outros

Gosto de viver em liberdade, gosto dos republicanos, homens-livres que proclamaram a liberdade aos povos, gosto da maçonaria francesa que proclamou a liverdade,

Viva a Liberdade, Igualdade, fraternidade.

Todos os individuos foram torturadso, e o método é deveras simples, capturam o individuo, fazem-no torcer até quase morrer, depois inserem no cérebro aparelhos do nível de nano-processadores, para que possam ler todos os pensamentos. Qualquer pensamento desviante que o individuo tenha é imediatamente torturado como exemplo.

Através do terror é mantida essa força regente internacional.
Estão todos subjugados, todos estão sob o comando de uma mesma entidade, por isso é necessário evocar a liberdade.

Delicio-me por viver em democracia e poder falar abertamente sobre os meus pensamentos, sobre as inquietudes que me vão na alma.
Mas sinto agora que todos os esforços feitos pela maçonaria francesa em nome da liberdade, todos os esforços feitos pelos povos americanos em nome da liberdade, e tudo o que passaram os povos africanos em nome da liberdade, está a ser em vão.

Viva a Liberdade.

Viva a revolução francesa em nome de liberdade, igualdade e fraternidade.

Não temos no presente momento no cenário actual nenhuma das três, pois as forças regentes torturam e subjugam os seus súbditos. E o esforços realizados pelos povos africanos em nome da liberdade, e todos os povos americanos que proclamaram a liberdade em relação aos seus governos europeus. Viva liberdade

Vivemos numa situação em que a liberdade foi totalmente subjugada a nada, não havendo liberdade nos povos. A entidade regente altera a língua de um povo, altera os monumentos, altera tudo o que lhe convém alterar, não tendo o mínimo respeito pela história de um país.

A entidade regente é opressora, capturou todos e mantem todos subjugados às suas rédeas

O método é simples,
- Capturam o individuo e torturam-no até quase morrer
- Depois colocam aparelho no cérebro para captar pensamentos
- Qualquer pensamento desviante faz com que o individuo seja punido
- O individuo passa assim a ser um mero robô, um autómato, alguém que não age por vontade própria, passa a ser alguém a quem lhe foi retirado o livre arbítrio.

TEMOS QUE LIBERTAR OS POVOS


Lembrem-se, todos vós têm aparelhos no cérebro que captam pensamentos e todos vós estão subjugados a uma mesma ordem opressora. Temos que nos libertar dos nosso medos e receios de culpa.

VIVA A LIBERDADE

A águia da república vermelha


Cheguei a Polónia vindo de Berlim e fico perplexo e com alguns factos que posso observar assim à primeira vista, e existem muitos mais factos que por certo já era sabedor muito antes de aqui chegar. Talvez assim não o seja, talvez aquilo que sei advenha da pesquisa e do raciocínio. Da razão, e gosto muitas das vezes de inquirir interiormente os meus próprios pensamentos, gosto de ir ate ao fundo sem me desnortear pelos caminhos que não me levam ao cerne das questões que tento procurar alcançar.

Tanta conversa, ora fútil, ora pouco compreensiva. Mas há algo neste país, na soberania heráldica deste país que me deixa pensante. A omnipresente águia boreal. A águia que voa nos céus imensos, a águia que abre as asas e quando a observamos no céu vemos o sol, vemos alguém que abre as asas podendo assim voar e contemplar a liberdade.

Falo de liberdade, ora tentarei escrever libertamente. Não e águia o símbolo dos povos do Cáucaso, então a águia polaca revela que existe alguma soberania por parte dos arianos, não fosse esta nação considerada uma nação de Leste. Mas parece que a história revelou que na realidade a Polónia era uma nação multi-étnica. Isso faz-me reflectir ainda mais sobre a guerra entre os poderios opostos, a guerra filosófica e doutrinal, ou guerra tribal, ou apenas querelas humanas de povos com diferentes géneses, entre os povos do Cáucaso e os Semitas do Sul.

Os mandamentos, as ordens de Roma, os símbolos do império sempre foram os dominantes. Sempre foram os símbolos que dominaram as nações durante séculos, desde o antigo império Romano até à Igreja Cristã.
Hoje observei um anjo, um anjo imaculado, tinha asas e voava, tinha cabelos loiros e face rosada, e não sei se foi um sonho, se foi algo que contemplei na realidade, se foi um mero e banal eclipse visual, ou se foi algo mais concreto. Apercebi-me entao que o anjo, os anjos, por terem asas, são mais uma forma da representação da águia, são uma humanização da águia boreal. O anjo, o anjo que é venerado e procurado, é então a águia de outra forma representada, que faz os homens entrarem em delírio por contemplarem tal personificação de uma ave.

O anjo, a águia da bandeira Polaca, revela a supremacia da hierarquia dos povos do Cáucaso nesta nação, o que por certo não implica que esta mesma nação não tenha fortes traços semitas. Sempre foi assim em muitas outras nações. O poder aos do Cáucaso, e os do sul tiveram sempre que viver em clandestinidade no continente do Euro. E como a lei do equilíbrio universal sempre se aplica, parece que hoje em dia, são os semitas de novo que no novo mundo exercem a Ordem Mundial através da força das armas.

Se o Império que venerava o Cáucaso, sediado em Roma, controlava as províncias sempre ostentando a águia, ostentando a quadriga de letras SPQR, e sempre o fez através de uma boa administração provincial é certo, mas também quando necessário através de ferro e sangue, parece que os impérios que se quiseram estabelecer utilizaram sempre os mesmos meios com o intuito da supremacia. E fiquei estupefacto, ou talvez não, quando me apercebi que a quadriga de cavalos nas portas de Bradenburgo, estão alinhadas a Leste. Assim como o está a praça de S. Pedro em Roma. E nas portas de Bradenburgo um cavalo para cada letra da sigla do Império, SPQR, e muito do império herdou a cristandade, desde o INRI, até ao simples facto de o Cristo na sua abertura de braços , com a cabeça ligeiramente pendente para a direita, lembra a águia venerada pelos indo-europeus, que também tem as asas abertas e que também tendo quase sempre em todas as representações, a cabeça ligeiramente para a direita. Não tem a cruz, quatro pontas?

E tudo isto reflecti, no comboio nocturno, na viagem noctívaga em direcção à Polónia. Uma viagem calma, serena, e sempre que viajo de comboio fico maravilhado, e mais fico ainda quando viajo à noite. Aquela repetibilidade sonora dos carris embala-me num sono profundo e reconfortante. Lembra os passos de uma progenitora, enquanto a criança se encontra ainda no ventre, a passear calmamente e a cada passo, um pequeno balanço, um pequeno e suave balanço. Porque embalam então, as progenitoras, as suas crias? Será para que estas adormeçam melhor? Pois o comboio embalou-me num sono profundo e reconfortante e fez-me reflectir sobre os simbolismos da bandeira polaca.

A cidade da harmonia


Enquanto bebia um copo de cerveja numa praça de Berlim, filosofava sobre as vicissitudes do desejo e da paixão. Filosofava sobre os termos das línguas, questionava sobre todas as coisas, questionava sobre como havia o homem de se expressar? Questionava sobre a diferenciação das línguas, sobre a diferencialidade da funcão que representa a natureza. Continuava a colocar questões de ordem filosófica enquanto tinha uma conversa de café com o Karl. Eu, num momento de salubre reflexão e de momentâneo e áspero momento de fugaz energia divagava sobre a riqueza das diferentes línguas e dialectos. Questionava-me sobre a génese da liberdade e das suas diferentes representações em diferentes culturas. Pois por estes lados, a arquitectura é soberana, a arquitectura e o desenho dos edifícios, formam a liberdade preconizada pelos povos do norte. Numa praça da empresa Sony, encontrei tracos e formas inigualáveis por terras do sul. Uma elipse no topo, uma extremidade de ferro que unida por diferentes cablagens, aponta para um lago de mármore. Chamo-lhe lago, pois tal como um calmo lago, este também reflecte de forma cristalina, como um espelho, as imagens envolventes.
As avenidas de Berlim são largas, espaçosas, têm o espaco para acolher as viaturas que se movimentam em quotidianas correrias. Os edifícios são ora contundentes, com ângulos agudos, ora com traços suaves. E mais um momento de reflexão enquanto deglutia uns mililitros de cerveja. Será a língua a única forma de comunicação? Não, claro que não. Como é clarividente, o arquitecto de tal proeza que contemplava, comunicava com todos os transeuntes ao conceber tal façanha. Quando traçou as linhas no estúdio, quando fez o desenho de tal praça, comunicava com todos os indivíduos que haveriam de visitar a sua obra de arte.

Alexandre, o Berlinense


Não sei o propósito exacto dos escritos que redijo, se são efectuados com o propósito da documentação, se têm outro qualquer objectivo. Cheguei a Berlim, vindo de avião, de seguida apanhei o comboio até à cidade e fico perplexo com tamanha arquitectura. Nem sei ao certo como descrever tais obras arquitectónicas em termos de desenho e materiais utilizados na sua concepção. Os edifícios são blocos um pouco acinzentados, a temperatura exterior é áspera e o vento é um pouco frio, no entanto o interior é ameno, reconfortante e agradável.

Cheguei quase ao anoitecer, a noite está prestes a aparecer, o sol esconde-se e não me apercebo de tal fenómeno, pois não contemplo o horizonte numa metrópole. Cheguei e o céu oferece uma fascinante melancolia. Fico perplexo e entusiasmado com a cor do céu em Berlim, com a sua tonalidade azulada. Caminho durante a noite e dirijo-me até à praça de Alexandre, a que Alexandre dedicam os Berlinenses está praça central? Ao Greco-Macedónio? Ao Grande Alexandre? Desconheço, o que é certo é que é um espaço imensamente amplo, e com sinais deveras interessantes.

Venho de um cubo, de um cubo hiper-bóreo comercial. O centro comercial Galeria é amplamente belo, maravilhoso, tranquilo, calmo, possui uma claridade contrastante com o exterior. Percebi aqui a origem dos centros comercias, e talvez, por vezes que
stiono-me se têm o mesmo propósito que têm nos países mais amenos em termos de temperatura. O vento era enorme, forte e frio, e neste centro comercial, espaço amplo, luminoso, encontrei uma harmonia e um conforto inigualável. Têm a forma de um cubo, por fora. E questiono-me eu, porque vejo eu tantas formas cúbicas, tantos traços lineares, tantos ângulos rectos, tantos paralelipípedos, tantos blocos urbanísticos, tantas formas quadrangulares, na arquitectura urbanística, na decoração de interiores, nas mesas de cafés, nos corredores das estalagens, tantas formas rectangulares por paragens do norte?

Na Galeria observava um album de fotos tiradas durante a II guerra mundial, e voltei a ver imagens ora chocantes do periodo horrendo do sec XX, ora imagens esparancosas do pós-guerra. E questiono-me sempre sobre tais simbolismos dos povos arianos. A suástica, quatro letras L, alinhadas cada uma num ponto cardinal. A letra L, que forma um angulo recto, q
ue forma a rectidão, e que inicia a palavra Latim. Quatro L formam a suástica, e o quatro, quanto é o quatro venerado pelo império Romano, desde SPQR, até INRI, é que a sensacao que tenho, foi que o INRI foi a heranca à cristandade, por parte do império romano. Não tem a cruz, quatro pontas?

A praça de Alexandre, a praça maior dos Berlinenses. Uma cidade majestosa, enorme, ora revelando u
ma obscuridade fascinante e melancólica, ora imensa em luminosidades provenientes de lojas e espaços comerciais. Uma cidade fascinante, mágica, enorme, com uma arquitectura impossível de ser contemplada por paragens do sul.

Cheguei à praça maior, à praça de Alexandre, e vários sinais aparecera-me pela frente. Três enormes gruas alinhadas a Sudoeste, como q
ue impelidas por um magnetismo oculto, como que se uma grua fosse um tipo de compasso enorme e mágico. Na mesma praça, um relógio, um relógio universal, que indica as horas em quase todas as localidades do mundo. Mas afinal questiono-me eu, qual a finalidade do relógio? Qual o propósito? Será mensurar as horas do mundo, ou indicar os pontos cardinais. Qual foi o intento dos criadores do relógio, dos caldeus que o elaboraram. Estarão as 12 horas a norte e as seis horas a sul? E porque é que então, quando marca as seis horas, o relógio encontra-se erecto em todos os seus ponteiros? Lembro-me nesta vaga de ideias vigorosas, o boneco do sinal verde da passagem de peões dos berlinenses. Quando verde, é um homem vigoroso, que eleva o falo no sentido do vigor, quando vermelho, evoca a paragem, a preguiça, evoca o homem crucificado. São os sinais berlinenses, são os sinais que observo com estes olhos, os sinais que capto.

Na praça maior, u
m paralelepípedo enorme, luminoso, um edifício que lembra algo bastante vigoroso. Na mesma praça contemplamos a torre da TV, ou rádio, ou algo similar. É uma estrutura bastante observada por paragens do norte, que evoca o vigor e a fertilidade que no subconsciente dos cidadãos traz-lhes algum conforto espiritual, alguma felicidade. Pois a felicidade provém exactamente disso. A felicidade, o bem-estar interior, provém do vigor latente. E nestas paragens onde anoitece cedo, e amanhece tarde, onde o frio é bastante, têm os boreais de conceber estes monumentos que se elevam nos céus, para fornecer aos seus cidadãos, aos Berlinenses o bem-estar e a felicidade tão procuradas pelo ser humano. Confesso que me inundou, que me deixei influenciar pelo seu magnetismo visual. Que me irradiou, tal monumento arquitectónico. Um cilindro cujo diâmetro se altera consoante a altura, e no extremo superior uma esfera. Não é a esfera a representação geométrica da perfeição?

Uma fonte na praça de Alexandre. Uma fonte circular com quinze folhas, quinze conchas aquáticas, que jorram água no exterior, e que vão jorrando água umas nas outras. Estranhei em qual dos sentidos circulares a águ
a fluía, a água percorria. Apercebi-me que o crescente em altitude é no sentido dos ponteiros do relógio, ou seja, o sentido caldaico, já a água, a água flui no sentido directo, percorrendo folha a folha, uma espiral de pequenas folhas, deveras maravilhosas. No topo, uma folha em forma de pentágono fornece a água primordial. Não era o pentágono a adoração pitagórica? A iniciação? Então nesta fonte em Berlim, encontro eu formas e correntes invisiveis peculiares e com bastante simbologia.
Uma fonte onde a água flui em espiral, e flui no sentido do exterior. E quão fortes são a minha imaginação e sentido de observação ao me aperceber de tudo isto, quando a fonte não jorrava água. Mas na mente, no espírito observava esta fonte em movimento contínuo, e por vezes os sonhos e a imaginação são mais fortes que as imagens que os olhos contemplam.

Uma praca alexandrina, enorme, majestosa, onde os transeuentes caminham ora depois de efectuarem certas aquisicões comerciais, ora depois de um dia de trabalho fatigante. Uma fonte, uma torre adoradora dos cúes, um paralelipipedo enorme, e um cubo comercial. Tudo formas reconfortantes no seu interior, tudo formas que me levam a pensar e refelctir sobre a cidade que visito.

Memórias de um cubo hiperbóreo


Um quarto, quatro paredes, pois o quatro reflecte o quarto, não quatro, seis, pois um cubo tem seis lados, há que adicionar o soalho e o tecto. Um quarto por paragens boreais. A temperatura exterior é áspera, fria, contundente, e quando é mensurada vai a limites abaixo do ponto de congelação. É porque houve em tempos alguém que estabeleceu a água como matéria primária do planeta, do lar dos milhões de cidadãos que habitam o planeta azul; e se é azul, talvez se deva à água. E ao fazer a água como elemento de referência para mensurar a temperatura, estabeleceu dois patamares: o ponto de ebulição e o de solidificação.
A temperatura no exterior do cubo, situa-se abaixo do ponto de rocha, no interior é amena, quente, afável. Todas as residências por estas paragens revelam uma harmonia interior inigualável aos países do sul, onde o ser é impelido a sofrer até no seu próprio lar. As casas no sul, pois os homens do sul consideram-se homens quentes, as casa são mais gélidas no Inverno que qualquer iglô polar. Os seus arquitectos não contemplaram sistemas de aquecimento central por questões meramente financeiras e porque o conforto dos seus habitantes são questões secundárias, sendo o lucro o objectivo primário. O bem-estar vem depois.
Pergunto-me então neste cubo hiper-bóreo quem teria criado o sentido de bem-estar e harmonia?
O exterior é gélido, áspero, contundente. Aproxima-se o solstício do ano novo, e eu contemplo a solitude. No entanto o Sol que evoca a sua solidão e singularidade, é pouco, dura pouco tempo no seu trajecto sobre a esfera celeste. Amanhece tarde, e anoitece cedo. Se o Sol evoca a solitude, neste simples facto encontro eu mais uma contrariedade. Parecem hastes diagonais que se cruzam na minha vida. Ou deveria afirmar que a vida que contemplo são hastes diagonais, são tiras que se cruzam.
Exercito o corpo, faço exercício como forma de limpar a mente das mágoas da solidão. Flexões são o meu exercício predilecto, o mais apetecível. É o exercício que o homem faz quando não tem maquinaria de apoio à formatura muscular. Para variar o músculo trabalhado vario a amplitude das mãos que assentam no soalho. O tronco sobe e desce, desce e sobe forçado pelos braços que o impele a subir. Este acto subtilmente libidinoso, é efectuado sem êxtase final, sem o estágio final de qualquer acto amoroso. É um acto enérgico sem propósito, sem intento, ou se tem intento, é apenas imaginativo e ilusório, sem parecer ter um objectivo. O objectivo é queimar toda a testosterona que me fluía no sangue, que me corria nas veias, a chama que move o individuo e que o impele na procura incessante do ser parceiro do sexo oposto para um delírio carnal.
Mas nem isso. O corpo era exercitado com o intuito da auto-estima, com o intuito da salubre vida, da vida salutar; talvez o fosse, mas na realidade, naquele cubo hiper-bóreo o corpo era exercitado para afastar a monotonia e para evocar a dinâmica. Era exercitado para que se tornasse mais aprazível aos olhos das sereias que o contemplassem, como que um pavão que eleva as penas num acto de exuberância, e clamor visual.
Os escritos eram agudos, não agudos naquele sentido melódico ou harmoniosos, mas agudos no sentido do martírio, e a escrita por estas paragens hiper-bóreas era a mais áspera, ordinária, agressiva, contundente, tudo o que era escrito era dirigido à agressão, à agressividade, ao intuito de magoar o género oposto, ao intuito de provocar estragos, danos, mazelas, mágoa, tudo o que escrevia era com o intuito de arrasar. No entanto por paradoxal forma de expressão, tudo o que escrevia era feito no mais alto dos secretismos. Escrevia num diário por paragens hiper-bóreas. Escrevia com uma caneta, escrevia com uma caneta num diário os pensamentos que me iam na alma. E escrevia na área pessoal informática da faculdade..
No entanto encontrava-me enclausurado naquele cubo de paragens boreais, encontrava-me preso naquela harmonia interior, naquela temperatura amena, no entanto as farpas aguçavam-me a alma, e a solitude emaranhava-se do meu espírito.
Uma barra colocada à entrada da porta, uma barra que se encontrava por de cima da entrada da porta por onde entrava regularmente, não tanto quanto desejasse. Mas quem entra, também sai. Então porque se denomina porta de entrada à porta que também é de saída? Por cima da porta de entrada, uma barra. Naquela barra exercitei o corpo.
O meu colega de quarto, que por altura natalícia se encontrava na terra natal, pois se é natal viaja-se à terra natal, não se encontrava por aqui nesta altura. Então a barra que elevava o corpo, a barra que servia de apoio à elevação do corpo, serviu também para os propósitos mais perversos, para os propósitos mais suicidários, para os propósitos mais angustiantes. Quando naquelas paragens hiper-bóreas a única amada que tive o prazer de amar freneticamente me deixou, o espírito da corda subiu-me à cabeça. O pecado, a serpente, a corda que se enrolava no pescoço, qual cachecol que não agasalha, mas que apenas fere. A corda do alpinismo, a barra que eleva o corpo, tudo sinais de elevação subliminar, serviram apenas para me angustiar. Foi com a corda, a serpente luxuriante, a corda que se prendeu na barra que eleva o corpo, a corda de alpinismo que serve ao mais hábil homem fazer a escalada que o coloca no topo dos montes.
Um cubo, um cubo hiper-bóreo. É que o cubo, por muito significado religiosos que tenha por paragens sulistas, por paragens sufistas, apesar das faces serem lisas, tem algo que deixa os invisuais que o tocam deveras perplexos: tem arestas. Mas tudo o que tem faces tem arestas dirá o mais ilustre matemático. É certo, mas a esfera não possui nenhum dos dois. Mas o mais ilustre arquitecto dir-me-á que ninguém se inspira na esfera para construir uma habitação, muito menos um quarto. Para tal é necessário contratar, contratar não pois evoca troca monetária, para tal são necessários os préstimos de um arquitecto boreal que evoque os espíritos livres da harmonia e paz interiores e que rejeite a angustia do medo e da opressão. Um quarto circular é deveras singular. Mas um quarto tem quatro faces, mais duas, o soalho e o tecto.
É que houve algo de surpreendente que me fascinou neste povo hiper-bóreo, foi o facto de a palavra grátis ser semelhante à de parabéns.
Descobri eu então que os boreais são os mais harmoniosos anti-semitas, mas sempre sem evocar as balas e os átomos dos semitas do norte no novo mundo.
São anti-semitas, mas sempre através do diálogo e da harmonia, salvo algumas excepções que por serem singulares não impliquem que não tenham sido extremamente devastadoras.
As memórias de um cubo hiper-bóreo.
As memórias de um cubo por paragens boreais.

O anti-semitismo latente na doutrina de Karl Marx


Recentemente andei a ler o Capital em banda desenhada; lembrei-me dos tempos de infância em que lia os desenhos animados do Pato Donald e dos seus sobrinhos, e do seu tio avarento, no entanto algo interessado na família que sustentava. O pato era um pato porreiro, desastrado, um falhado, que cuidava de três astutas crianças. Teve muitos empregos, trabalhava com afinco, mas o azar batia-lhe sempre à porta, muito pouco sucesso tinha este afamado pato. Não deixava de ser um pato porreiro, boa pessoa, interessado pela família que sustentava. Não é qualquer pessoa que aperfilha três crianças, mesmo sendo sobrinhas. E quem seriam os pais da criançada? Já o outro tio, o pato avarento, que guardava cuidadosamente todas as moedas num cubo forte, e nadava alegremente sobre o ouro que guardava, era um pato dedicado à família, dinâmico, modesto, avarento, com sentido de oportunidade, e no fundo boa pessoa. No entanto, o dinheiro era o seu principal objetivo de vida, tendo conseguido assim amealhar o que tinha.

E lembro-me de todas estas recordações, paradoxalmente, quando lia o Capital ilustrado de Karl Marx. Um livro para leigos e burros, por certo dirão alguns economistas e entendidos na ciência histórico-financeira, mas direi que para mim é uma forma interessante de ler um dos mais famosos ícones da história económica. Se Karl Marx se inspirou em doutrinas filosóficas para redigir o seu Capital, se Karl Marx, homem inteligente, dotado de forte razão e sentido crítico no sentido filosófico do termo conseguiu estabelecer ideais que levaram ao denominado Marxismo-Leninismo, para mim, mero ser pensante, "O Capital" foi a mais elevada forma latente de anti-semitismo.

Não é o Capital, a moeda, o numerário, a criação caldaica mais amplamente difundida? Então "O Capital" é a sua antítese. E porquê escrever "O Capital" para afrontar o capital? O Homem na sua afronta idealista utiliza sempre os mesmos meios e termos que o inimigo. Não escreveu também Saramago "O evangelho segundo Jesus Cristo"? Pois "Das Kapital" é a forma mais ariana da harmonia, tão amplamente difundida pelo Leste. Então descobri eu, nesta vaga de pensamento, que na realidade a "Guerra Fria" foi uma guerra latente de eixos "Norte-Sul", estando o Sul a Oeste e o Leste a Norte. Terá sido então uma guerra Sudoeste-Nordeste? Há que compreender "O capital" para perceber o quão importante é o capital. Com o capital adquirimos todos os artigos, todas as formas de poder, todas as receitas, tudo se transaciona em torno do capital. Ou talvez não devêssemos ser tão intransigentes. Não será meu caro Karl Marx, ou não deverei dizer 'caro' pois reflete medida de capital; não será o capital apenas uma forma de mensurar as formas naturais do mundo? Não será o capital apenas uma outra forma de representação das coisas? Eu bem sei que é uma forma bastante redutora. Sei-lo bem. Mas talvez seja apenas uma forma de precisão. Quanto é que os outros estão dispostos a dar dos seus recursos por um certo bem ou serviço?

É sabido que os judeus sempre adoraram artigos como diamantes, ouros ou pedras preciosas. Onde há judeus há diamantes, há ouros, há pequenos artefactos valiosos. Terá sido isto a forma primária do Capital? Será o Capital a medida simbólica e económica das coisas, ou será antes a sua pérfida e redutora representação, reduzindo todas as vertentes da vida à mera mensuração financeira? O que é certo é que por vezes a harmonia é contrária aos preceitos do capital. E porque é que a capital de um país se escreve com a mesma palavra do capital? Marx era Alemão, Germano, talvez um dos verdadeiros inteligentes descendentes dos povos do Cáucaso, e defensor da Harmonia interior; terá compreendido que na realidade "O Capital" fosse a maior afronta à paz interior, mas foi também uma latente afronta à maior criação semita: "O Capital".

A ariana representação do ser, na iconografia popular portuguesa


Vagueio pelas ruas da cidade e indago sempre, e sempre questionarei sobre a origem dos símbolos e dos respectivos significados. Caminho, ser pensante, vagabundo, pois vagabundo é aquele que vagueia pelo mundo. Mas um vagabundo culto, literado, erudito, e sabedor das géneses das representações pictóricas que abundam nas metrópoles. Caminho e vejo muita gente, muitas pessoas a divagar, a caminharem, ao que parece sem destino ou propósito, e nos seus quotidianos absorvem as imagens que as rodeiam. Se há milhares de anos, as representações, as imagens que os ancestrais seres observavam eram apenas sinais dos tempos, formações astronómicas, geófisicas e geográficas, apenas representações anatómicas do Homem, e também dos animais; já nos tempos modernos e com a capacidade que o ser humano adquiriu ao produzir a arte, ao se libertar das banais rédeas da concepção e reprodução, o homem começou a representar diversas formas pictóricas, coloridas, afloradas com belos cenários, traços, formas, silheutas que lembram as ancestrais representações. O homem não é por natureza um animal nocturno, a lua no seu percuros luminosos sinusoidal foi sempre a única fonte de iluminação pública que contemplou o ser humano, muito antes das iluminações que contemplaram Londres ou Paris, vulga cidade das luzes. Na lua, encontramos a génese da luminosidade noctígava, e fonte da luz, no entanto nas metróploes modernas, com o advento da electricidade, com o advento do transistor, com o advento do entretenimento de fonte luminosa eléctrica, apareceu o ser nocturno moderno. Aquele que se deixa iluminar pelo ego, pela luz criada por si própria, pela luz interior, pela luz que o próprio homem concebe. O ser da noite cosmopolita moderna. Diverte-se, aprecia os momentos de lazer e fobia na noite. O homem a partir de tal momento passou a ser um ser nocturno artificial, no entanto adaptou-se, e pareceu fruir de uma criatividade e folia nocturnas que até então nunca tinha tido opurtunidade de desfrutar. O Homem nocturno, aquele que vagueia pela noite cosmopolita.

Mas é durante o dia que que vagueio, pois a noite é para a reflexão, é para a entrega aos deuses da razão e da arte, entrego-me aos espíritos das letras, das letras singulares que conjuntas formam as palavras escritas. Documento os pensamentos que fluem a cada letra, a cada frase. Foi durante o dia que imaginei, e que me surgiu na mente pensante, que talvez a letra H tão difundida e venerada pelos arianos, fosse na realidade um altar aos astros boreais. Posso estar senil, ou talvez com os pensamentos um pouco deturpados, mas creio, e a razão di-lo-mo que talvez a letra H, seja quem sabe uma forma diferente de escrever a suástica. Imagino-me, como uma craiança harmoniosa, a brincar com pequenas tiras de madeira, imagino-me a dispor tais pequenas hastes em diferentes formas e sentidos ou direcções, e pego eu nas pequenas hastes que formam e letra H e converto-as numa suástica.

E quando encontrei eu tal enigma? Quando descobri eu tal paradigma? Vivo em Lisboa, cidade replecta de pequenos bares e cafés, pequenos estabelecimentos comerciais, pequenas lojas, onde se transaccionam bens, produtos, onde se comercializa, onde se bebe um café, onde fumava uns cigarros, que por questões de salutares recomendações médicas ficaram arquivados pelo passado, cafés, onde se consomem bens consumíveis, onde no final se pede a conta, acto latentemente luxiriante. E num café, num estabelecimaneto comercial, onde a moeda é transaccionada, não mais é que um lugar de fortes traços caldaicos, ou chamá-lo-emos judaicos. Tal é natural, onde o dinheiro circula, existe por certo influência judaica por perto.

As batalhas entre os povos do sul e do norte, não são recentes, tento eu apenas considerá-las e observá-las, tento enquanto ser pensante compreender as formas de luta. E bem sei, e reconheço no íntimo que tais formas são bem mais latentes e subtis que umas meras balas projectadas pelos canos de umas armas de fogo. São as batalhas financeiras, económicas, guerras linguísticas e simbólicas. E num café, encontro eu a forma ariana da iconografia popular portuguesa. O H à entrada da casa de banho dos homens. É certo e sabido que a um local como uma casa de banho pública associam-se actos por certo menos asseados. Será isto apenas uma pequena batalha entre os polos?

Talvez não, tenho de encontrar a génese para tais actos. Freud, o Homem que revolucionou a forma de observar o Eu, que descobriu algo mais além sobre o Ego, sobre a entidade, ou pelo menos se tais preceitos sobre o individuo já eram sabidos, foi Freud que os revelou ao mundo. Foi Freud que os deu a conhecer ao mundo profano, se é que se pode denominar assim os seres não contemplados pelo saber dos deuses. E Freud falou bastante dos vários estágios infantis da natalidade, da forma como a criança observa e conhece o próprio corpo, como se contempla a si própria, como obtém prazer com os diversos orgãos genitais do seu corpo. O conhecimento interior na idade adulta é reconhecer os prazeres dos estágios infantis, mas sempre obedecendo aos critérios e condicionantes do bom senso e da moral.

Pois talvez este ataque semita de colocar o H boreal nas casas de banho do país, talvez não tenha sido um ataque assim tão feroz, talvez relemebre ao adulto os tempos de criança, enquanto brincava alegremente com os orgãos corporais. No entanto não deixa de ser um ataque, pois para um ariano budista, a Harmonia, a Harmoniosa Habilidade para o reencontro vai muito mais além que um simples H colocado na fronte de um WC para o génereo masculino.

Mas não posso deixar de afirmar que o H boreal é muito mais que um H de Homem colocado na porta das casa de banho espalhadas pelo nosso país. O dicionário da língua portuguesa dá quase 2000 entradas de palavras começadas por H, o que não é de todo pouco para uma letra de certa forma afónica. Palavras importantíssimas e bastantes utilizadas nos textos portugueses, nos textos comuns, recebem a letra H como letra inicial, letra primeira, letra de começo da palavra. Será isto a latente adoração da língua portuguesa aos povos do norte? Haja História!
Hajam Hebraicos como estes para louvar os arianos desta forma.

Mas o Português é por vezes também anti-semita, é por vezes estranho, é conturbado e muitas vezes vai contra todos os preceitos da Humana Harmonia. É língua de dípolos distantes.

Será então o H a mais popular ariana representação do ser, na iconografia portuguesa?

Entre a harmonia do ser e a diáspora do estar


Sempre me questionei sobre a origem da duplicidade da forma de ser ou estar. Se as línguas boreais fornecem apenas um verbo para os dois estados de espírito, já as línguas Românicas normalmente estabelecem dois verbos como forma de distinguir o contexto em que o individuo se encontra. Por vezes questiono-me sobre a razão de tal distinção, ou de tal união verbal entre os estados de espírito distintos. Entre ser e estar, entre estar e ser. Será que sou onde estou? Será que me identifico com o local onde estou? Será que estou com quem sou? Estarei onde sou? Ou serei onde estou? É que a harmonia interior proclamada pelos povos do norte, une o ser e o estar. É o reencontro, é a felicidade, é a paz interior, é a serpente que se une com a haste, lembrando a cura tão difundida pictoricamente nos símbolos das farmácias. É o encontro salubre entre o ser e o estar, entre os nossos dipolos interiores, entre os nossos lados antagónicos que se opõem. Quando nos encontramos, quando unimos estes dois lados, encontramos a harmonia e contemplamos a felicidade e a liberdade. Rejeitamos a dor e a angústia quando somos onde estamos.

Já as línguas Românicas, com fortes traços equatorias de sufismos do sul, e de semitismos do
deserto, guarda da diáspora a distinção entre o ser e o estar. Povos viajantes, que caminharam pelo mundo à descoberta do desconhecido, por vezes têm de guardar as raízes culturais e religiosas, não sendo onde estão. Guardar os traços culturais originais, quando se viaja por locais e nações distantes. É distinguir o ser e o estar. É não ser onde se está, pois o ser está no local de nascimento e por vezes estamos longe de nos encontrarmos. Por isso viajamos, procuramos algo mais que vai além do local que nos viu nascer. É não estarmos onde somos.
As línguas ditas Românicas, provêm como é clarividente do latim, daí o título de Românicas, mas devido às fortes influências sufistas do sul, guardam fortes traços semitas. Serão as batalhas entre o homem e a mulher? E numa viajem a Itália pude constatar de forma clarividente as fortes influências, embora subliminares, de islamismos sufistas. Quando em muitas línguas latinas as palavras começam com H; no italiano foi de certa forma proscrito o H do início de tantas palavras do quotidiano. Os palácios e os palacetes, as igrejas que embora católicas, com a cruz, que sempre fielmente obedeceram aos princípios de Roma, guardam na arquitectura e na forma certos traços de paragens arabizantes. E em Veneza é que tais factos são bem mais que evidentes. Uma cidade onde por certo se difere o ser do estar. Onde mercadores transportavam bens do oriente, de todo o mediterrâneo, para as paragens Europeias. Para os sufistas do norte, ser difere de estar, já para os boreais do sul, ser é estar, pois ao se reencontrar, o ser encontra a paz e a harmonia e perscruta os traços da liberdade. Pois se for onde estiver, e se estando, for quem fui, encontro a paz e o equilíbrio interior tão pacificamente evocado pelos arianos budistas.
Sou quem fui
Fugi, deixei de ser
Vim para me perder
Sou o ser que flúi
Estou, não sendo
Viajo pelo mar azul
Vejo do Norte, os mares do Sul
Estou vivendo
Estou e sou
Sou quem sou
Estou, sou, ou
Sou o ser que voou
Que navegou
Que passeou
E deixou de ser onde está
Vi a harmonia viajante
Se viajo, ser pensante

E sem viajar,
sou para me encontrar

A pérfida caixa mágica



Noite de 24 de Abril de 1974, as forças ditas revolucionárias sequiosas de poder institucional, erguendo as bandeiras da democracia e da liberdade, tomam de assalto os estúdios da RTP. Na rádio ouve-se a música libertina que deu o sinal aos revoltosos, hoje provavelmente devido à invasão cultural que o nosso país sofreu, ao sinal de umas ritmadas de Britney Spears os capitães invadiriam o parlamento e tomariam de assalto os estúdios da televisão. Processo democrático angolano, forças oposicionistas combatem pelo poder, o bastião prioritário de ambas as facções é por certo, e mais que evidente às lides tribais a estação de televisão nacional de Angola. Tomada do parlamento de São Petersburgo em 1917, revolução vermelha de Outubro; como na altura as mentes brilhantes que criaram a caixa mágica em que os fotões impulsionados por forças enormes colidem com o painel sensorial que nos é visível; ainda não se tinham lembrado de conceber tal façanha tecnológica, a tomada do parlamento russo por certo deu-se em sincronismo com a tomada de todos os órgãos mediáticos entre os quais a rádio. Em todas as revoluções a tomada do núcleo central que comanda as pérfidas e hipnotizantes caixas mágicas que temos nos nossos lares, foi sempre uma tarefa de alta prioridade. A tomada da rádio, da televisão, havia que controlar o núcleo que emprenha com ideias pérfidas e opressores, as mentes dos cidadãos. A pérfida TV, duas letras que abreviam a caixa que revolucionou o mundo e que nada de novo e de bom trouxe ao mundo. E passo a expor a minha opinião.
Muito mais liberal é a rede, aquela a que a plebe inculta e aduladora da cultura estrangeira denomina de net, é mais liberal, é mais interactiva, é mais pessoal, é mais moderna, a rede propaga-se em informação muito mais transversal e muito mais importante ainda, informação multi-direccional, vagueia a informação do mero utilizador até ao servidor, como pode vaguear, ou ser direccionada do servidor ao utilizador. Obviamente que trouxe um pouco da pérfida e opressora TV, o centralismo dos servidores internacionais que monopolizam e controlam grande parte da rede, mas trouxe algo que a TV nunca soube oferecer aos cidadãos, trouxe cidadania interactiva, trouxe internacionalização, a simples cliques podemos ver sítios chineses, americanos, timorenses ou vietnamitas, a TV muito mais pérfida e sequiosa de audiências prefere buscar as tragédias que marcam as notícias do plano internacional sempre dispostas a procurar audiência, que no fundo é esta que lhe trará os louros da publicidade e do respectivo lucro. Mais pérfido ficou o espectro audiovisual português com o advento da televisão privada. Na procura incessante da audiência procurava-se no jornal da noite, com o pano de fundo e sob uma capa ténue e pouco esclarecedora de “informação”, chocar o mais possível o telespectador, pois as sensações primárias são sempre aquelas que mais cativam. A pérfida, monopolizadora, e hipnotizante TV.
As forças legisladoras, por muito estranho que pareça, nunca colocaram quaisquer tipo de entraves a esta força pérfida que é a TV, nunca se opuseram a tais ilegalidades do foro moral e ético, por seu lado compactuaram com estas, pois receberam da TV sempre a publicidade que lhes conviera. A TV, é autista, um núcleo duro e implacável controla as ondas electromagnéticas que vagueia na atmosfera e que é recebida em todos os nossos lares da forma mais pérfida e infiltrada. Pois a TV é isso mesmo, infiltrante. Nós não convidamos qualquer um a entrar no nosso lar, quando recebemos alguém à porta, desconfiamos sempre, questionamos, pomos o pé atrás com o receio de sermos vandalizados na nossa privacidade, mas a TV tem e teve sempre o livre passe para se imiscuir na nossa integralidade moral, sempre se entranhou nos nossos lares com a sua doutrina opressora, sob uma capa de entretimento.
O legislador faz fortes reparos contra a pirataria, e tal é caricato, pois por vezes é ténue a fronteira entre pirataria e sentido de liberdade, pois por vezes o pirata é aquele que navega livremente sobre os mares sem se restringir a quaisquer leis elaboradas por homens. O legislador concebe leis que punem a pirataria e nunca o legislador colocou quaisquer tipos de leis que restringissem o poder enorme da TV. A TV é a forma mais óbvia de pirataria. Não é a pirataria, naquele sentido lato, não mais que a cópia desautorizada de um conteúdo? Não é a pirataria a forma mais perversa de cópia de uma entidade? A TV é isso mesmo, a pérfida e incontrolável reprodução de um conteúdo programático. Um senhor qualquer produz algo num estúdio, e os milhões de labregos cordeirinhos observam e absorvem o que fora feito por uma única entidade. Quando mais um labrego, num dado instante do tempo, liga o aparelho televisor, é apenas mais uma cópia directa, mais uma cópia do conteúdo que antes tinha sido elaborado. Onde está o direito de autor pelo facto de esse individuo ter ligado a TV?
Um tubo de raios catódicos, quatro placas alinhadas duas a duas. Duas na horizontal, as outras duas na vertical. Os fotões são acelerados e são varridos nos dois eixos por campos magnéticos. Os fotões colidem com a tela sensível à sua colisão. Três grupos de fotões, um para cada órgão sensorial da nossa retina. Mas é muito mais que isso. São imagens em movimento, pessoas que vemos no dia a dia, são vozes, palavras, sangue, guerras que nos entram pelo lar na nossa intimidade, são assaltos, são oradores, são revolucionários que falam na TV depois de deporem os anteriores, advogando os próprios que eles sim são a salvação. São os jornais da telé, não são apenas fotões! Enganem-se os físicos que a TV é apenas um acelerador de partículas sem massa. Se um fotão não tem massa, meu caro físico, tem algo deveras muito mais importante e avassalador, tem energia. Tem energia que convertida em símbolos em movimento entra-nos no inconsciente e programa-nos a fazermos aquilo que as elites querem que façamos. A pérfida TV. Votamos sempre nos mesmos partidos, dizemos sempre que sim aos mesmos senhores, mamamos sempre do mesmo, dos pérfidos criadores da TV. Os malefícios da caixa são incalculáveis. Trazem-nos o “horror, o pânico e a tragédia” para dentro dos lares. A fobia do próximo guardei-a da TV, pois quando ligava o jornal da noite via da América Latina apenas mortes, tragédia, assaltos, crime organizado e criminalidade brutal, de África trouxe-me apenas guerras, sida, miséria e fome, da Ásia trouxe-me prostituição infantil, trabalho infantil e tríades mafiosas, e da Europa e da América a TV trouxe-me progresso. É esta a TV que nos é oferecida, é esta a TV que nos é imposta, a TV que sempre foi o mais altos dos pilares dos movimentos revolucionários.
Não tenhais dúvidas, que se hoje houvesse uma revolução, não seria o parlamento em S. Bento o bastião a tomar, seriam antes os estúdios de Cabo Ruivo, Carnaxide e Queluz. E aqueles que lhe chamam o quarto poder, deveriam reflectir e asseverar que é no fundo, nos dias que correm o poder primordial, o primeiro.
A TV é autista, tem o núcleo duro que emana as ideias a todos os que a captam, já a rede é bem mais liberal, libertária, e salvo as excepções de uma certa monopolização por parte de alguns servidores de renome internacional, oferece muito mais inter comunicabilidade aos cidadãos. A rede é muito mais uma plataforma de cidadania, onde o indivíduo pode trocar, comunicar, pois o que a TV faz não é comunicar, a TV “informa”, ou seja comunica unidireccionalmente, tendo nós meros plebeus que mamar com o suco que ela produz.
Viva a rede libertária, abaixo a TV opressora!