A Eslava divina da carne


Minhas caras e divinas donzelas
Como vos amo, nesta sofreguidão
Belas pernas, e em Frielas
Longínqua cidade: A solidão

Porque me frusta a ansiedade?
Porque se anseia a metafísica
Ter-te-ei, é a saudade
Minha dama, paixão idílica

Belas coxas, em que me perderei
Que contornos, que não alcanço
Toco-te e já não sei
Se sonho, ou se descanso

Incultas divas da carne
dos prazeres das eslavas fecundas
O ódio, a razão, são parte
das sensações mais imundas

Pois amo-vos com fatídico desejo
Checas, Polacas, Romenas
Tal a vida, é o meu ensejo
Anseio porém, mulheres amenas

Escrevo sem saber quem sou
Não conheço quem sou eu
Sou o poeta que perdurou
Através do escuro, através do breu

Minha cara amante, como és bela
como anseio o prazer do veludo
do teu corpo, tal Cinderela
contemplo-te inquieto e mudo

Atrair-me por carnais tensões
Por espiritual e sanguinário desejo
A música eleva os corações
Amar-te-ei eternamente: Prevejo

As dores das minhas palmas
dos cotovelos e ombros recalcados
Recalcam as sofridas almas
Por palmas de pés pisados

A caneta desliza soberbamente
Através de virgem e imaculada
Folha de papel, que solenemente
se entrega herege e desregrada

Entrega-se à tinta e seu sabor
Entrega-se aos versos que lhe dedico
Saboreia-se com o seu teor
Desvirtua-se, qual velho rico!

A imaculada e virginal folha
entrega-se sem oferecer luta
Tal como qualquer trolha
se delicia em escaldante puta


Questiono-me sobre a fonte inspiratória que deu a génese a estes versos, esta composição composta por diversas quadras, por certo lembro-me que ao tecer estes versos estava deitado na cama a descansar, no prelúdio febril de uma noite por dormir, e imaginava diversas e intensas sensações primordiais. Tecia estes versos com uma caneta num bloco de notas, e imaginava pedreiros-livres a observarem-me e a deliciarem-se com os meus textos empolgantes e libidinosos. Bem sei que tais seres se deliciam em festins privados com musas carnais, e eu fazia apenas uma pequena ironia literária e poética a tais aforismos que julgava como certos dos rituais libidinosos das sociedades secretas. As Eslavas, não sei ao certo se devido às similaridades silábicas nas línguas latinas e germânicas com as escravas, sempre me incutiram uma atracção inconsciente à qual nunca consegui encontrar uma raiz para tais ímpetos da libido em relação às divas do leste europeu. Mas sei-lo desde novo que os seus traços faciais degeneram no meu sangue sensações fervorosas e eruptivas que não consigo descrever. As Eslavas são atraentes, belas, alvas, astutas, inteligentes, mas confesso que depois de conhecer algumas, demonstraram ser um tanto frígidas, talvez devido às condições adversas do clima que desde há milénios têm de suportar. Por vezes a cultura das Eslavas torna-as um pouco egocêntricas, a tanger o egoísmo. Mas as suas qualidades físicas e intelectuais diria que superam qualquer mulher universal. No entanto creio que têm algumas carências morais no que concerne ao altruísmo, caridade e dedicação ao próximo. Refiro a cidadela de Frielas pois procurava eu encontrar no país onde nasci, uma beldade lusitana que me relembrasse os tempos onde contemplei alvas e esbeltas mulheres por paragens eslavas e boreais, peles cândidas e faces divinais, mas que tais dotes físicos e intelectuais fossem complementados com qualidades altruístas, caridosas, fervorosas, carinhosas e ternas das mulheres latinas. Aponto eu a ternura e o carinho como as grandes carências do foro sentimental das mulheres Eslavas. Tais qualidades, são muito mais profícuas nas deidades do sul. Pois Frielas é a cidadela onde procuro o equilíbrio. Uma fria localidade no quente país onde nasci. Encontrei e bela e formosa Nádia, com nome eslavo, traços corporais de uma eslava, traços faciais de uma latina, terna e carinhosa, qualidades sentimentais proeminentes nas mulheres austrais. A elaboração destes escritos forma em si mesma, um prelúdio do enlace afectivo que estabeleci com a bela e adorada Nádia.

À musa de Lisboa



Sendo eu um poeta de Lisboa
Porque é parca, a minha rima?
Fluxo inspiratório: A concubina
que observo, e me atordoa

Camões, Bocage e Pessoa
Poetas da génese, feminina
Contemplo a face mais divina
que me inspira, e me afeiçoa

Observo os traços magicais
Sublimes gestos, com que suspiro
Hirtos seios divinais

Douto Poeta, mero indivíduo
Nádegas fenomenais
Dedico-lhe este soberbo hino


O Império Maléfico


Observo o império maléfico
Ateu, libertário, horrendo
Geram no mundo tormento
Com o seu arsenal pérfido

Proclama o seu líder herético
que vê o pobre gemendo
que vê o fraco sofrendo
que morre de fome esquelético

Iraque, Síria, Irão
Nações a destruir
China, Coreia, Japão

Dos átomos vão usufruir
E da austera destra mão
Os povos vão sucumbir



Novo Mundo tão imundo
Pérfido, Ímpio, Fugaz
O Poder é o que te apraz
nesse recanto soturno

És um império Moribundo
Podre és, foste e serás
O Novo Império é quem jaz
no túmulo mais profundo

Os outros são te indiferentes
O Capital, a primazia
Pérfidos descrentes

Só evocas a alegria
Quando falas, apenas mentes
É parca a tua euforia

O iniciado Português


A iniciação

Tinha as pernas abertas, as nádegas assentavam sobre uma maca branca, e o cenário era horrendo, hediondo. Uma lâmina acutilante perfurava-lhe o interior das coxas, devagar, suavemente, lentamente a ponta de uma espécie de bisturi ia-lhe perfurando e trespassando uma das zonas mais sensíveis do corpo, o interior das coxas. As pernas estavam arqueadas e abertas, os pés estavam unidos e a posição relembra um ritual sa
crificial, tortuoso, inconcebível ao mais comum dos mortais, aos profanos que por certo não estão preparados para acolher certos ideais iniciáticos.

A lâmina afiada, acutilante, aguçada, aguda continua a rasgar a pele. Vai desde o baixo ventre, atravessa a zona das virilhas e chega à extremidade dos joelhos, sempre pelo interior das pernas, depois passa para a zona dos gémeos. A lâmina é incisiva, perfurante a deixa um rasto de pasta liquefeita de tom avermelhado, presumindo-se ser sangue. Depois a ponta do bisturi chega à zona do calcanhar, dirigindo-se para a zona da planta do pé. O corte na planta do pé é profundo e a dor é insuportável, a tortura é atroz, dirão as mentes mais sensíveis, mas o ritual é imprescindível dadas as vicissitudes da situação. A ponta da lâmina dirige-se agora para a planta do outro pé e toma o caminho ascendente pela outra perna até à zona do umbigo.

A boca do iniciado encontra-se amordaçada com uma rédea própria para a zona da face. Tapa-lhe a boca não o deixando sequer suspirar. A dor é inimaginável, é atroz e hedionda, forte e compulsiva, o individuo entra imediatamente em espasmos e convoluções, torce-se, estica-se, mas o seu corpo permanece firme preso pelas correias que o seguram. Mas a que se deve tal cenário que o comum dos mortais imaginava ver apenas em cenas inquisitórias da idade média? A resposta é deveras muito simples, trata-se do método iniciático associado a todas as sociedades secretas. De seguida vêm as agulhas, as suas temperaturas são extremamente ferventes, são escaldantes, a cerca de cento e cinquenta graus cada uma, estão inseridas numa caixa firme que as suporta e que tem a forma, a silhueta da parte frontal do corpo humano de pernas abertas com os pés juntos. As agulhas estão hirtas e firmes, fervorosas, escaldantes e ferventes aproximam a sua extremidade ao corpo do homem jovem que se encontra na maca. A outra extremidade das agulhas encontra-se ligada a um dispositivo electrónico que gera corrente eléctrica e sendo as agulhas de metal os electrões impulsionados por forças físicas até recentemente ocultas estão prontos a dirigir-se a velocidades luminosas pelo parco e frágil corpo do homem.

O suporte que sustenta as agulhas desce lentamente, e estas num estado fervente começam a perfurar a carne. O homem contorce-se, treme, torce-se, geme, mas as agulhas já perfuraram, e os electrões sequiosos de um corpo condutor, que formam cargas positivas e negativas nas extremidades das agulhas, começam a fluir pela carne tenra. A corrente eléctrica é enorme e fugaz, é impulsiva, ora tem picos cujos valores debitam elevados amperes ora tem baixios que não provocam dores, é a tão denominada corrente alternada, mas aqui com uma frequência muito baixa perceptível ao jovem que é torturado. O mais banal dos profanos não consegue encontrar a génese para tanto sofrimento, mas a resposta é deveras simples. Encontra-se nas teorias de diversos estudiosos no foro da psicologia; é preciso explicar através da experiência dolorosa que certos actos são assim puníveis se por acaso o novo homem se desvirtuar.

O homem novo vai ser absorvido pela sociedade secreta, e vai ter acesso a conhecimentos que são desconhecidos aos comuns dos profanos, precisa de ser ensinado que certas atitudes desviantes são punidas com a dor extrema. Só assim pensam os iniciados, os mesmos que já passaram pelo mesmo processo, se atinge a rectitude e a obediência. Mas porquê este homem está a ser torturado, está a passar por este processo tortuoso? É um homem recto, probo, íntegro, vertical, inteligente. É por isso mesmo. Este mesmo jovem já era observado secreta e muito discretamente pelos iniciados há cerca de dez anos. Observavam-no, vigiavam secretamente os seus movimentos, as suas atitudes, os seus escritos, as suas relações pessoais, mas sempre muito discretamente, e asseveraram-se que este homem era bondoso e caridoso, e que mais tarde haveria de ser um dos iniciados. E como o colocaram nesta maca branca?

Deus é perfeito e criou o homem à Sua semelhança, mas há que tentar compreender a que imperfeição humana faz parte da perfeição divina.

O homem, tem sempre um ponto fraco, algo por revelar, algo que não transmite ao seu mais próximo. O homem tem sempre algo secreto, um pequeno pecado mortal luxuriante, uma transgressão ética ou moral, ou se deixa secretamente atrair por outros seres do mesmo sexo, ou frequenta discretamente lupanares entregando-se aos prazeres da carne, ou vagamente corrompe, ou inala ocasionalmente substâncias ilícitas, ou num momento de maior angústia e sofrimento, desrespeita os amigos e a família; e estas sociedades que o observavam secreta e discretamente, colaboraram para que o homem se afundasse no vale sensorial e pecaminoso para que o apanhassem num momento ímpio de delírio emocional. 


Será que o homem novo tinha tendências homossexuais recalcadas, será que tinha desejo, sendo probo e recto, de se envolver com alguma luxuriante e voluptuosa concubina, será que o homem num momento de desespero emocional se entregou aos vícios da droga, será que corrompeu? Os iniciados provocaram o evento, desencadearam a captura. O homem novo, quando ainda profano, revivia energicamente todos aqueles anúncios apelativos de musas a trocarem momentos de prazer a troco de numerários acessíveis à sua condição financeira, o homem intrigava-se e vivia num dilema moral. Será que se devia entregar aos prazeres da carne com uma musa voluptuosa que pedia única e exclusivamente como retorno umas poucas quantias numerárias? Folheia o jornal, e depara-se com um éden maravilhoso, centenas de sereias de portos de abrigo, sereias de terra seca, incutiam no homem sensações luxuriantes, sensações vigorantes, viçosas, que o exuberavam interiormente. Folheava o jornal diariamente, e questionava-se se tais actos seriam puníveis pelo todo o poderosos, pela divindade que acreditava, questionava-se se tais actos eram reprimíveis pela conduta social, intrigava-se interiormente se se deveria entregar a actos libidinosos com uma deusa, não por afecto ou por amor, mas pura e simplesmente por tensão carnal. Vivia num dilema interior, será que os ímpetos primordiais, será que os ensejos primários deveriam subjugar o intelecto e a razão? Será que a besta, relembrando aquela clássica dicotomia entre a besta e o anjo; será que a besta se deveria sublevar rechaçando a razão para patamares inferiores? Grandes homens da ciência haviam morrido virgens! Grandes filósofos e teólogos haviam perecido às mãos do divino sem nunca terem presenciado as ímpias sensações do foro corporal! E o homem intriga-se, sendo inexperiente ele também no domínio das sensações erógenas, e não tendo companheira com a qual pudesse partilhar os momentos amorosos, intrigava-se se se poderia entregar aos prazeres imundos da libido. E os iniciados que o observavam sabiam-no, observavam-no secretamente e sabiam-no, sabiam tudo sobre o novo homem, e sabiam mais sobre o ego e as sensações do homem, que ele próprio sabia sobre si mesmo. Com todos estes conhecimentos, os iniciados da ordem secreta prepararam a cilada, a captura para o processo iniciático.

Dias antes os iniciados haviam capturado e sucumbido aos seus preceitos uma mulher deveras bela e formosa. Seria o chamariz perfeito! A sua beleza observava os tratados divinais mais exigentes. As linhas do seu corpo, obedeciam não só aos preceitos luxuriantes mais exigentes, mas mais importante ainda, estavam de acordo com os desejos singulares do homem a capturar. Haviam estudado os prazeres e os gostos pessoais do homem a iniciar, haviam indagado sobre o tipo de mulher que mais lhe aprazia. O nome obedeceria a preceitos numerológicos ocultos que incutiriam no novo homem o desejo insaciável. O nome seria Cátia, nome luxuriante, que começa com uma consoante forte, terceira letra do alfabeto e por sinal sendo a terceira evoca a fertilidade associada ao número três. A onomástica é uma das ciências que os iniciados bem conhecem, mas não apreciam revelá-la aos profanos. O número de contacto da meretriz, teria que ser apelativo, lembrando aqueles anúncios publicitários que passam normalmente de madrugada na televisão onde o número seis está bem presente. O seis é um número, que por exemplo nas línguas germânicas, é luxuriante dada a similaridade silábica com o acto fervoroso da concepção. A frase a publicar no jornal seria apelativa e irrecusável, e a meretriz, ciosa da sua função de chamariz, atenderia apenas aquele número específico, o número do celular do homem a iniciar. Haviam sido criadas as condições perfeitas para que o homem se sentisse atraído por aquele contacto específico. O anúncio seria um dos primeiros do jornal e com lugar destacado. Os iniciados conheciam muito bem aquilo que atraía o homem, conheciam-no bem, eram sabedores e estavam bem cientes dos seus desejos mais interiores, conheciam a sua alma e os devaneios do seu ego.

Um telefone móvel, colocado em cima de um pequeno armário vibra, apela aos seus possuidores que se movam na sua direcção. Cátia, ciente da sua tarefa, e já bem treinada pelos iniciados, atende com uma voz luxuriante a chamada do homem a iniciar. A voz da meretriz era singular, tinha sonoridades que incutiam nos homens as sensações mais primárias, a voz sensual feminina possuía frequências auditivas que ressoavam e vibravam com o interior do homem mais fervoroso. Depois de atendido o telefonema, deu-se o primeiro passo, a conversa era deveras sublime, sensual, tinha frases cheias de carga erótica, onde se estabeleciam as normas contratuais do acto a consumar, estabelecia-se o local da perversão, o numerário, e as posições mais atraentes e libidinosas. O homem sentia-se constrangido, inibido, falava pausada e nervosamente sobre todas as normas que haveriam de ser estabelecidas sobre a sua iniciação nos actos lascivos do corpo. Era a troca de termos e sensações auditivas que ansiara desde há vários anos, queria estabelecer um contacto erógeno com uma sereia dos sentidos carnais, já há várias Primaveras. Estabelece-se o local a hora combinadas, estabelece-se o numerário, estabelece-se as condições do acto propriamente dito.

Chegado o dia do acto luxuriante, no local e hora estabelecidas, dá-se o impacto, a entrega à lascívia, os corpos unem-se num acto nada afectivo, nada carinhoso, dá-se o impacto, a confrontação carnal, os deuses que proclamam e reiteram sobre todas as normas morais por certo se sentiriam indignados com tamanho ultraje sobre a conduta moral de um homem supostamente probo. Dá-se a confrontação corporal. Os corpos unem-se, e o homem, nervoso, constrangido moralmente, entrega-se aos beijos de uma concubina que o coloca num estado eruptivo, quer psicologicamente, quer libidinosamente. Os beijos são ardentes, os toques das mãos são exuberantes, envolvem-se num acto conspicuamente mútuo e enérgico. Abraçam-se, os corpos entrelaçam-se, as pernas cruzam-se, e Cátia sacia o desejo mais ardente do homem que se inicia agora nos desígnios da carne. A tensão aumenta de forma exponencial, frases eróticas são permutadas por estes dois seres de sexo oposto que se unem num quarto de uma qualquer pensão da cidade. O desejo é solto no mais alto dos sentidos, sem que qualquer reprimenda moral o iniba, o homem solta-se, liberta-se dos constrangimentos colocados pela sociedade, e a viçosa concubina exacerba ainda mais os ímpetos do homem a iniciar. A tensão aumenta, e num estágio final o clímax é atingido. É a este momento posterior ao acto quase bélico da libido, que são dedicadas todas as epopeias, todas as odes, todos os revigorantes épicos, é a este momento de apoteose colectiva que se aplaudem as mais extaseantes sinfonias dos mais ilustres compositores. É neste momento de arrebatamento e de enlevo emocional, que os pianistas suados devido aos vários minutos em frente ao piano a interpretar uma sonata, enérgica e violentamente pressionam as teclas e se demovem em espasmos emocionais, com a conclusão alcançada no final da mesma. O êxtase tinha sido atingido, e o homem era já um iniciado no campo do desejo carnal. Mas ainda não era iniciado no campo do transcendental e do oculto. Para tal, haveriam de ser os iniciados da ordem secreta, a fazer com que o novo homem passasse para o campo do oculto. E para tal uma concubina é apenas um chamariz. Uma meretriz pode eventualmente ser o passo para a iniciação carnal, mas não o é para a iniciação no campo das ciências ocultas.

O homem encontra-se deitado com Cátia, encontra-se relaxado, tem uma conversa circunstancial. De repente entram três homens encapuzados e armados com facas e armas de fogo. Proferem palavras agressivas atentórias a qualquer ser humano. Gritam, vociferam termos incutidos de raiva e cólera. Dizem estar a mando do proxeneta de Cátia e gritam com ela alegando que a matam e a estripam por esta não pagar a quantia necessária ao proxeneta. O homem é também ameaçado de morte, e ele diz ter dinheiro para saldar a sua dívida. Cátia desesperada diz que no momento não tem condições financeiras para saldar a sua dívida. Os homens armados ignoram o seu suplício e um deles puxa o gatilho. A bala viaja a velocidades enormes e cheia de energia cinética, pois esta é proporcional ao quadrado da velocidade e apenas linearmente proporcional à massa da bala. O peso da bala é insignificante, o factor essencial é a sua velocidade. A bala que depois de sair da câmara da arma viaja até à testa de Cátia e trespassa-a, entra no cérebro mole da jovem com facilidade, e sai pela nuca da pobre rapariga. Para os iniciados, Cátia era um chamariz dispensável, pois o objectivo maior seria assustar e capturar o homem a iniciar. A ele dão-lhe uma pancada na cabeça de lado e este desmaia e fica inconsciente. Acorda mais tarde numa maca branca onde é severamente torturado e molestado, onde as suas pernas são cortadas com bisturis e o seu corpo é trespassado por agulhas com potencias eléctricos. O torturador diz sempre que o há-de matar no final do processo, e homem apenas pede a morte o mais rapidamente possível; pensa energicamente que quer morrer. Num pequeno momento o torturador tira a rédea que tapa a boca do iniciado, e este suplica cheio de energia para que o matem de uma vez, dada a dor que está a sentir. Grita, suplica que quer a morte, apenas a morte lhe trará paz e sossego e não mais a continuação daquele sofrimento insuportável. O homem finalmente é sedado e adormece.

Acorda numa sala onde vários ilustres o rodeiam e um deles diz serenamente:
- Bem-vindo meu caro, agora que já pediste para morrer, nós conscienciosos do teu suplício decidimos aceder ao teu pedido.
O novo homem observa-se e apercebe-se que está vivo, que ainda está vivo, e que aliás deveriam ter passado muitas horas ou talvez dias, pois as feridas haviam todas sarado. O mestre afirma novamente:
- Tu estás vivo, porque renasceste, aqui serás baptizado, terás um novo nome, novos princípios. Passaste pelo processo de iniciação, agora serás um de nós. Farás parte da ordem. Percebe meu caro, que desde tempos imemoráveis que os homens se unem em tribos, classes, grupos étnicos, unem-se porque têm algo em comum que apreciam partilhar. Mas quando partilham sabedoria que não é compreendida ao comum dos profanos, o processo iniciático tem que ser penoso.
Desculpa caro irmão, todas as ordens têm processos iniciáticos, os católicos têm o baptismo onde as cabeças dos iniciados dos bebés são inseridas em água benta, os judeus têm a circuncisão, certas tribos onde se idolatram os jacarés aos novos membros é cortada a carne na zona dorsal para que se assemelhe a um jacaré. Acharias meu caro, que por acaso nas sociedades ocidentais mais desenvolvidas não haveriam processos iniciáticos no saber. Os grandes mestres foram iniciados, os grandes músicos e pintores, os grandes cientistas. Nós não tememos o divino, regemo-nos pura e simplesmente pela razão, pelos valores do iluminismo. A arte e a ciência são os nossos ícones meu caro, e tu sendo bondoso e probo soubemos valorizar-te a rectidão, como tal queríamos que fosses um de nós. Não o encares como uma absorção, mas como um abraço colectivo. Aqui serás protegido, serás encarado como um irmão, como um de nós
- E a Cátia, a mulher com que me envolvi emocionalmente.
- Não me interpretes mal, meu caro, mas a mulher voluptuosa com que te envolveste seria apenas o isco para que te trouxéssemos até junto de nós. Não me leves a mal, meu caro, mas a tua entidade, era bem mais importante que a vida da Cátia. Compreendo a tua preocupação, mas a tua relação com a rapariga foi meramente carnal. Ajudar-te-emos a encontrar uma companheira que ames, e que sacie também os teus ímpetos da libido. O saber que aqui encontrarás é secreto, foi transmitido de gerações em gerações desde há milénios, sem nunca ter sido colocado nas mãos de profanos, exactamente porque entre nós pratica-se algo muito importante que é a obediência. A obediência proclama que nunca transmitirás para o exterior o que vires ou o que aprenderes aqui. E se tal se proceder, que bem sei que nunca irá acontecer, e
que se contam pelos dedos de uma mão os casos que aconteceram desde há milénios, se tal acontecer; bem, creio que já presenciaste o suficiente para te aperceberes para as consequências dos actos desviantes. A dor que te incutimos serviu apenas para te mostrar meu caro, para fazer com que a tua psique se reja por princípios inesquecíveis de rectitude. Não o encares como um processo maquiavélico, encara-o, se quiseres meu caro, como um ensinamento corporal. Agora farás parte de nós, ajudar-te-emos em tudo o que precisas, temos os nossos contactos, temos os nossos meios. Pergunto-te meu caro, estás disposto a receber-nos assim como nós estamos carinhosamente dispostos a acolher-te?
Um silêncio gelado atravessa o salão, o novo homem responde:
- Sim, estou.
Ouvem-se palmas sublimes de homens mascarados e todos se dirigem ao novo homem, cada um cumprimenta-o e profere um bem-vindo. O mestre aproxima-se e diz para que todos o ouçam:
- Bem-vindo irmão, terás agora que fazer um pequeno juramento.
As instruções do juramento a efectuar são entregues ao novo homem, através de um papiro, o homem lê-o lentamente, passam alguns minutos e depois profere de forma calma:
- Juro defender a pátria portuguesa, a cultura e a língua portuguesas, professo os valores da igualdade, fraternidade e liberdade, juro defender os valores intrínsecos a esta nova ordem que me acolhe, juro defender todos os valores consagrados na nossa constituição, juro preservar de forma inequívoca os valores da língua de Camões e transmitir todos estes preceitos às gerações vindouras. Juro defender a integridade do estado, da nação e de todas as ordens similares à nossa no campo internacional. Concluindo, juro reger-me por um comportamento digno e obediente às normas aqui estabelecidas.


Trinta anos depois - A subjugação

O homem já deixou de ser novo, carrega consigo algumas pequenas rugas, a velhice não é avançada, mas a sua idade ronda agora os cinquenta anos, já subiu vários patamares na hierarquia da ordem que o acolheu. Já teve cargos importantes quer no
campo político, quer no campo económico. Continuou a reger-se por padrões de integridade e de probidade. A sua conta bancária subiu significativamente desde que foi iniciado, tentou sempre pautar a sua doutrina pelos valores que havia jurado trinta anos antes. Escreveu vários livros, onde emancipou no campo internacional a cultura portuguesa. Foi sempre obediente aos preceitos que havia jurado e nunca ousou divulgar aquilo que presenciara nas reuniões secretas onde havia estado, nem nunca divulgou os ensinamentos ocultos que tinha assimilado ao longo destes trinta anos. Teve vários casos amorosos, conheceu várias raparigas e envolveu-se com muitas delas, mas tentou sempre ser fiel e honesto com cada uma delas, enchendo-as de paixão e amor quase platónico. Casou, sendo sempre fiel no mundo profano à sua esposa, mas em festins secretos deixava que a sua libido se entregasse aos prazeres carnais com várias parceiras pertencentes à mesma ordem, em rituais que se assemelhariam a uma homenagem ao antigo deus romano da ebriedade.

Uma manhã cedo o homem acorda, tendo a esposa a seu lado e liga o rádio. Ouve aquelas sonoridades estrangeiras, música anglo-saxónica, tudo músicas cantadas em Inglês com aquelas batidas apelativas ao ego dos indivíduos. A música cantada nesta l
íngua e com estas sonoridades é quase omnipresente no espaço radiofónico nacional e o homem sente-se intrigado com o juramento que havia feito trinta anos antes. Continua a ouvir a mesma música e muda de estação, mas em Português ouve apenas palavras, comentadores políticos, sempre a mesma monotonia, ouve raramente uma música cantada na língua camoniana e volta a ouvir novamente músicas de traços primordiais cantadas na língua de Sua Majestade. Apercebe-se que os jovens idolatram este género musical, as gerações vindouras não mais valorizarão a cultura que havia assimilado. Os nomes dos estabelecimentos comerciais evocam todos essa língua estrangeira, as cadeias de restaurantes estão repletas de termos anglo-saxónicos e nos cinemas os filmes têm todos origem no novo mundo sempre falados na mesma língua, e até quando são filmes nacionais é escolhida uma língua estrangeira para os representar. 


Volta-se para a mulher, olha-a firmemente nos olhos e profere as ternas palavras:
- Dir-te-ei sempre na nossa amada língua: Amo-te.

À cândida e voluptuosa framboesa


Minha Nádia, minha doce Princesa
perco-me nos teus braços
envolvo-me em teus abraços
Saboreio-te, adocicada framboesa

Elevo-te, na mais alta nobreza
Apaixono-me pelos teus traços
faciais, damos os sublimes laços
És quem me renega a tristeza

Lábios voluptuosos
A face é carnuda
Seios mais formosos

A tua pele é de uma alvura
Castanhos olhos libidinosos
És o exemplo clássico da candura

Memórias de um prelúdio matrimonial eterno


Caro primo Nuno Ricardo de Araújo Lopes.

Agora que já te encontras num estado matrimonial, queria parabenizar-te pelo enlace afectivo e institucional que realizaste. É um marco importantíssimo na tua história pessoal e afectiva.

Adorei a tua despedida de solteiro e principalmente o maravilhoso dia do teu casamento na idílica quinta do Convento. É um lugar maravilhoso e magnífico. Deixei um parco escrito, numa página no livro de homenagem à união realizada entre ti e a Filipa. O discurso que realizaste foi soberbo e sublime, carregado de ternura, afecto, paixão e respeito, enfim, resume aquilo a que os clássicos denominaram por Verdadeiro Amor.

Espero sinceramente que a união que estabeleceram seja perene, intemporal e que fique gravada nos anais da História Universal.

A cerimónia esteve fenomenal, carregada de condimentos festivos inigualáveis nos quais se incluem os factores gastronómicos, dispersos por vários pratos requintados e deveras saborosos. A consagração institucional do enlace, apesar de ter tido pouca visibilidade aos convidados, e de ter sido restringida a um espaço um pouco melancólico dada a patente carência luminosa, foi delicada, sublime e dotada de um discurso por ti proferido que marcou certamente o evento. As entradas gastronómicas no jardim inferior da quinta estiveram deliciosas, desde os crocantes rissóis até à amalgama deleitável de farinheira e enchidos de morcela, passando pelos divinos sucos de laranja e poções alcoólicas que deixaram ébrios diversos convidados.

O almoço esteve maravilhoso, os menus eram requintados, nos quais se incluíam o prato de peixe com brócolos a vapor e o prato de lombinhos de porco regados com mel e um esparregado maravilhoso acompanhado com arroz Árabe, cujo gastronímio se deve às fabulosas passas que recheavam o mesmo.

O bar esteve sempre presente nos meus tempos amorfos, onde pude inalar um pouco da funesta nicotina, ao desfrutar de um cigarro requisitado ao meu irmão ou à tua terna irmã Margarida, ou onde pude apreciar uma bebida gaseificada que me ajudou a digerir o farto almoço.

A festa musical subsequente esteve fantástica, pude observar os mais maduros e os jovens a se envolverem num êxtase emotivo que os levou a bailar de forma arrítmica, pois muitos deles pareciam descontextualizados com a música pouco convencional dado o objectivo da efeméride, mas muitos outros, e por certo a maioria deles, deleitaram-se maravilhosamente com os ímpetos primários da música de proveniência anglo-saxónica que puderam escutar. Os movimentos dançarinos dos convidados, apesar de pouco estandardizados ou padronizados, deram uma folia e alegria inigualáveis ao evento.

A sessão de fotografias projectadas na tela esteve soberba, e reencaminhou-nos para sentimentos nostálgicos dos quais não nutria há anos. A mesa de salgados esteve fantástica e a doçaria esteve, tal como o termo sugere, docemente açucarada, onde me pude deliciar ou com uma cremosa musse de chocolate ou com um bem consistente doce de bolo de queijo, a que os fanáticos seguidores da língua de Sua Majestade denominam por cheese cake. Perdão pelo meu exacerbado nacionalismo cultural e linguístico, mas prefiro denominar esse fantástico item da doçaria internacional presente no banquete e com o qual tive o prazer de me deleitar, como Doce de Bolo de Queijo. Aproveito aqui a ocasião também para elaborar um pequeno reparo ao teu discurso afectivo, pois entoaste um termo de proveniência anglo-saxónica que tem um claro paralelismo no léxico Português; refiro-me a sexy, por certo que o termo sensual seria muito mais abonatório à língua camoniana e daria mais ênfase ao discurso amoroso.

Revi também familiares e amigos com os quais não dialogava e confraternizava há muito tempo. O teu casamento serviu também para reavivar as memórias familiares e amicais. Foi um dia maravilhoso e creio bastante importante no teu trilho vivencial. E como não me pude despedir de ti no casamento, aproveito para te enviar esta humilde missiva como forma de te agradecer o magnífico dia que me proporcionaste.

Serve esta humilde, mas honesta missiva também, para aflorar os momentos de maior relevo que pude desfrutar na tua presença, e para que fique grafada na tua linha temporal e vivencial a forma como eu preferi te parabentiar e te agradecer.

Finalizo, tal como comecei, parabenizando-te caro Primo, pelo marco histórico que realizaste na tua vida ao consagrares o enlace afectivo e institucional com a Filipa.

Muitos Parabéns para ti e para a Filipa.

Um grande abraço fraterno.

João Filipe Pimentel Ferreira
O eterno Primo

Nano-tratado sobre a Portugalidadade Universal


O Português semita, indo-europeu e Universal

Através do tempo e da História as batalhas têm-se travado pelo domínio dos homens, das espécies, do mundo. Tentar a universalidade, a representatividade de todos os credos, etnias e raças, de todos os povos, sempre foi o objectivo dos mais altos impérios. O Romano fê-lo, tentaram fazê-lo os Otomanos, os impérios neo-latinos hanseáticos fizeram-no com as suas doutrinas, e no momento que teclo estas pseudo-sábias palavras, fá-lo o império sediado no novo mundo. E o império Português? Questiona o mais ilustre intelectual com algum cariz nacionalista na sua doutrina política. De certo que já se ultrapassou, e elevá-lo nos tempos em que povos Europeus se unem em torno de elevados valores de humanismo, através de novas formas de contacto inter cultural e político, poderá parecer anacrónico. Mas não o é.

Teclo enquanto oiço os mais maravilhosos sons, criados por um Alemão, teclo num teclado concebido por um intelecto nascido no novo mundo, e por vezes escrevo usando as palavras sábias das línguas de homens livres. O Português, através das eras, sofreu influências de todos os povos e credos.

Os linguistas gostam de categorizar as línguas indo-europeias em subgrupos que por vezes se imiscuem, noutros grupos linguísticos. Como que uma dádiva, uma oferta, uma adenda, que quando é honesta, bela e amorosa deve sempre ser acolhida. Categorizar o Português apenas como língua Romana, carece de valor científico. As influências, as ideias que vagueiam e são canalizadas, e caminham através das estradas dos impérios, das redes de informação cujos dados voam a velocidades luminosas, fazem emergir novas e belas ideias e incutem as novas gerações a acolhê-las. Se dentro das línguas ditas Românicas o Francês é de certo a que tem mais influências Germânicas, se o Romeno, que deve o seu nome ao império, é a que tem mais influências Eslavas, se o Italiano é a mais peculiar e genuína língua latina, o Castelhano e o Português são das línguas deste grupo as que mais influencias semitas têm, sendo que Portugal, mais moderado num certo período da história, terá acolhido maiores influências semitas. Se os astrónomos do Infante eram Judeus, se os Muçulmanos permaneceram em terras lusas por algumas centenas de anos, se a rima e o fado têm origens árabes, é natural que com a influência de monarcas que obedeciam a Roma, tais influências tivessem sido subjugadas.

E terá o Português influências eslavas? Têm-no nos nomes dos seus falantes que nasceram no período posterior à revolução vermelha, Sónia e Nadia. E as influências Germânicas? Também as tem, pois dominaram estes povos toda a Europa no período posterior ao declínio do império. Os Suevos, os Bárbaros e os Vândalos, que infelizmente, por tradições xenófobas daquela época ficaram associados a termos de desordem, tiveram forte influência na língua Portuguesa. E é curioso observar-se que as línguas indo-europeias Germânicas são as que de certa forma mantiveram maiores traços de uma certa latinização, quer na forma de pronunciar as palavras, e muito mais na forma como estas são escritas. O Grego, cuja língua actual ainda guarda fortes traços de filosofias ancestrais, teve a sua influência marcante no Latim, e consequentemente no Português. E as palavras trazidas do Oriente, como chá, que se devem à influência do Império Português. E as palavras do Francês que durante o iluminismo, influenciaram fortemente as mentes dos pensadores lusitanos, e agora as palavras provenientes do Inglês, que devido ao novo Império que se formou no Ocidente, são consequentemente assimiladas na língua camoniana. Temos do Inglês a estandardização e a implementação.

Os poemas que dedico a estas deusas que amei, são escritos através de mágoas e sofrimento, pois se amei, nunca me ocorreu a ousadia de pronunciar esses termos mágicos a uma sereia com o receio de ser rejeitado, atitude mais presumível. O Poeta é aquele que escreve a mágoa e o infortúnio, razão pela qual declino qualquer autoria de futuros poemas, pois de certa forma influências nórdicas que agora predominam na Europa, preconizam a felicidade como meta do Homem, talvez não Nórdicas, talvez renascentistas, e a poesia, apesar de pura, pois revela os sonhos, as mágicas sensações do ser humano, exige muita mágoa, rancor, ódio, paixão, vingança e ardor, sentimentos que apesar de levarem os seus criadores a produzirem as composições mais belas, provocam distúrbios inquietantes que tangem o patológico. E se vida é maravilhosa, criação divina, a poesia apesar de bela, revela ser árdua, viciosa, mas de certa forma é o alívio em que o homem exterioriza as sensações mais primárias e angelicais.

E se o divino, o criador, quis que a sua criação mais amada, o Homem; o estágio final do desenvolvimento animal, pois raciocina, indaga e é dotado de formas abstractas de pensamento; fosse produtivo, tal requisito só é alcançável através do bem-estar interior do indivíduo, através da felicidade e através da responsável liberdade.

E por mágica semelhança arábica da rima, associada às raízes latinas da língua em que escrevo, a felicidade rima com a fidelidade.

A disseminação do vulgar e do banal


Devo confessar que raramente ouço música vulgar, música supostamente moderna, mas que porventura é mais decrépita que a mais antiga sepultura, raramente a oiço, mas não posso deixar de referir a banalização de uma música tão vulgar e banal que a letra ofende o mais comum dos ouvintes que tem uma pequena réstia de inteligência para aferir um pouco sobre a interioridade e profundidade intelectual de uma letra de uma qualquer sonoridade à qual temos o prazer de ouvir constantemente no espaço radiofónico português. A letra da música a que me refiro não sei ao certo como a definir. Poderia ser vociferada por qualquer um dos inteligentes primatas que habita num qualquer zoo de uma capital europeia. Se a letra fosse cantada em Português, por certo não faltariam as críticas profícuas de uns quaisquer intelectuais eruditos, que a considerariam de uma elementaridade atroz e vulgar; mas como esta música é cantada na língua de sua majestade e como é originária do novo mundo do norte, esta mesma sonoridade é fugazmente e atrozmente difundida por todo o espaço radiofónico europeu, sendo considerada um hino da qualidade musical e intelectual. Refiro-me meus caros à magnífica, estonteante, exuberante e cheia de profundidade intelectual música da afamada Katy Perry. Pois aqui vos transmito meus caros um pequeno excerto desta sonoridade letrada para que vós possais absorver esta sublime erudição cheia de profundidade intelectual e emocional. Refiro-me obviamente ao afamado e tão difundido refrão que certamente já foi disseminado mais de um milhão de vezes por todo o mundo em todas as rádios.

Cause you're hot then you're cold

You're yes then you're no

You're in then you're out

You're up then you're down

You're wrong when it's right

It's black and it's white


Por certo que o caro leitor é erudito o suficiente para poder compreender a letra acima referida, mas mesmo assim, ouso traduzi-la para a língua pessoana para podermos constatar o quão banal e vulgar é o refrão supra citado.


Porque tu és quente e és frio

És sim e és não

És dentro e és fora

És cima e és baixo

És certo e errado

És preto e és branco


Só de soletrar estas letras atingi um orgasmo intelectual, são de uma erudição e intelectualidade inimagináveis e inigualáveis. Obviamente que o seu autor se encontrava fortemente inspirado para conseguir tecer e conceber tais façanhas verbais. Mas o que é irritante é que o jovens europeus ouvem-nas e adoram-nas, atingem momentos exuberantes só de ouvirem a sua batida ofegante. E quando ouvimos um qualquer músico português cantar a aclamada música popular portuguesa, consideram-na deveras pouco moderna, chegam mesmo a apelidá-la de foleira, pois a letra é anacrónica e não se enquadra nos padrões estéticos com que se identificam. Pois meus caros, mais foleiro que Katy Perry, nem Zé Cabra com o seu “São lágrimas”. Mas não esqueçamos que com este último a juventude tinha uma atitude jocosa, já com a afamada e pérfida norte-americana os jovens têm uma atitude de idolatria e de veneração. Não veneremos tudo o que nos trazem os súbditos do tio Sam, pois nem tudo o que é cantado em Português é mau e nem tudo o que é cantado em Inglês é bom, e o caso de Katy Perry é paradigmático daquilo que acabo de referir.

Um pentagrama sonetial dedicado à doce Nádia


Queria abraçar o mundo
Perder-me em azuis contornos
Navegar por mares mornos
Ir até ao vulcão mais fundo

Quero nadar no rio imundo
Embelezar-te com flores, adornos
Aterrorizar-me com os campos e fornos
do holocausto. Sou o ser profundo

Quero observar-te feliz
Quero ver-te reluzir
Dou o Mundo, se te ris

Quero a mágoa abolir
O Sabor Soror Senil eu fiz
de te Amar e de me vir



Vou ao Mundo e já não venho

Trilho os passos da paixão
de te olhar o coração
Vê o Mundo e seu tamanho

Tomamos o Sagrado Banho
nas águas da imensidão
e os Versos de eleição
São os que segredo, se me acanho

Escrevo os termos floreados
e atravesso o nevoeiro
Somos dois enamorados

Sou o jugo, o primeiro
Somos os dois mais amados
És a Ordem e o Carneiro



Deste Rio que em Janeiro

no sul é fogo e é quente
em que peca o homem crente
É este mês assim primeiro

Serei eu o pioneiro?
Serás tu a dama ardente?
Neste caldo infernal fervente
Ou serei um arruaceiro?

Quem és tu terna amada?
És aquela a quem segredo
És a amiga enamorada

A que me afasta este medo
A sereia enseada
És a Cruz Crescente: O Credo.



O toque das tuas mãos
adorna-me a pele carente
E este corpo que não mente
prende-se em desejos vãos

São os teus beijos sãos
que me dão a serenidade
A pacífica salubridade
Somos apenas dois irmãos

E até que a morte nos separe
Ter-te-ei a meu lado
Quero o Mundo, a Saudade

Renego assim o atroz fado
És a janela que se abre
Para a Liberdade no austral cabo.



E se a Áustria é Setentrional

tem a beldade dos hiperbóreos
da beleza dos Germanos olhos
És tu Nádia o sul astral

És quem renega o breu fatal
És a Germana dos corpóreos
sentidos que procuro, és os flóreos
sentimentos, és a Intemporal

És a latina escaldante
És a africana sorridente
És a Moura, és a amante

És a germana bela e ardente
És a América, livre e gigante
És a sina: O Oriente

To the bright Marisol


You said: Sea and Sun,
which evidentially mean,
just Joy and Fun.
That’s what I’ve seen.


On an obscure street
You brightened, “Marisol”,
I appreciated to meet,
the maid, who’s inflamed my soul

and flooded my spirit.
God is already aware
that I’m a strong critic
and not many times fair

when it concerns girls,
but so sure as my death
and so rare as pearls
I dread not any threat

from any jealous king
who trod on your foot.
I don’t know anything
which could mat your shoot.

A stunning islander
whom I have venerated
and for anyone’s banner
this poem I’ve created.


A sonnet to Agnes


I would like to be sure
about my inner feelings
To interpret their meanings
So painful, though so pure

Your smile is my cure
and for all human beings
and above all their sayings
there's a goddess, it's for sure

A shining golden hair
which irradiates this darkness
named Agnes who I care

and I had her as my guest
I ignore if she's aware
of her immense sharpness

More English poems


My thoughts, which are simply read
by some creatures of the night
The words which were simply said
trough the shadows of delight

This anger which I can't avoid
is burning me inside
Ancient passion which was destroyed
by a legion: Letal fight.

Ever time I think of thee
Many knives stab into my flesh
the picture which I refuse to see
gives me pleasure trough dirty cash

I'm just like a dream
but I haven't seen
passion, love or delight
trough the shadows of the night

But I do see our spirits
when I hear these lyrics
They're the magic of your soul
and compose the whole
of everything which I do love:
You're my sweetest dove.

If I've done anything wrong
and I crossed the paths which are long
I hope to do everything right
cause the rhyme says delight

Uppercase, crossed words, read around
talk to much, say so many, say it loud
But my soul had no meaning
inside this poor short burnt being

But I insist, I do press the same key
that I need you, the interior of myself I see.

Pequeno tratado sobre a Lei do Equilíbrio Universal


A Lei do equilíbrio universal rege todas as formas animadas do mundo Natural que contemplamos. Natural no sentido estrito do termo, pois refere-se ao mundo em que vivemos, que por Deus foi criado, como tal é natural; e se o Homem criatura divina, que também por Deus foi criado, tudo o que faça ou produza, ou conceba física ou intelectualmente, não pode deixar de ser natural. Sendo assim, tudo o que nos rodeia, tudo aquilo que os nossos cinco sentidos captam, enquanto seres empíricos que somos, não podem afastar-se dos espaços hiperdimensionais onde as coisas naturais se enquadram. Tudo o que se encontra fora do tal espaço faz parte do transcendental e do pseudo-imaginário, pois até a própria imaginação é criação divina natural, pois é concebida pelo Homem. O espaço pseudo-imaginário é aquele que é inconcebível e inimaginável no sentido estrito do termo. Então a Lei do Equilíbrio Universal aplica-se ao espaço restrito das coisas naturais. Que é o espaço onde o Homem vive, o espaço de todas as coisas animadas e inanimadas que os seres do mundo observam e com as quais coabitam. É o espaço que nos rodeia enquanto seres sensíveis, ou seja com sentidos. A Lei postula simplesmente que este espaço hiperdimensional observa certas regras de equilíbrio fundamentais. Postulado de forma matemática poder-se-á dizer que a função matemática do integral de todas qualidades naturais mensuráveis através do tempo e do espaço é constante. Refira-se aqui espaço hiperdimensional. Sendo assim, se por qualquer motivo natural um pequeno subconjunto deste espaço natural se alterar, o conjunto formado pelo mundo natural à excepção deste subconjunto referido, também se alterará para que a Lei se observe.

OBSERVAÇÕES PRAGMÁTICAS DA LEI
A fundamentação de qualquer tratado, teorema, ou lei matemática, necessita de fundamentação pragmática, necessita de assentar em uma estrutura fundamental sólida e não meramente racional. Como tal apresentam-se casos onde se pode facilmente constatar que a Lei referida é cumprida escrupulosamente no mundo natural através de forças ocultas e invisíveis. O escuro e o claro, o frio e o quente, o seco e o húmido, o alto e o baixo, são tudo valores que caminham sempre em parelhas. O amor e o ódio, a esperança e o derrotismo, a agonia e a alegria, o celibato e o deboche, sem uns nunca haveriam os outros. O Homem e a Mulher, o gato e a gata, o boi e a vaca, o pombo e a pomba, são os casais inseparáveis e cuja união é essencial à continuação do mundo e das espécies. E quando por qualquer motivo uma assimetria é provocada nestes valores, outros valores ou este mesmo directa ou indirectamente relacionados, alterar-se-ão para que a Lei se observe.

CASOS PRÁTICOS E REFLEXÕES DO QUOTIDIANO DO AUTOR
Caminhava eu sereno e calmo por uma rua de Kassel, cidade bela e maravilhosa, verdejante, verde, onde a imensidão do mundo natural desejável se perde na acalmia dos sentidos. O Fulda percorre-a e trespassa-a enchendo-a de beleza e fre
scura. Contemplava eu requintadas moradias, onde as plantas trepavam e cobriam as suas paredes de um verde imenso. Tudo ordenado, arranjado, onde a arte livre é elevada e os valores da humanidade são respeitados. Onde a vida é serena e se apreciam os momentos de prazer paradisíacos. Mas que Éden é este? E a Eva, onde se encontra? Caminhava eu sereno por uma rua estreita onde crianças se regozijavam com uma bola, que corriam e gritavam alegremente. Caminhei serenamente e então observei uma bela deusa com a qual fiquei petrificado. Loira, de olhos azuis, de uma beldade indescritível. Traços faciais divinais, como que aperfeiçoados ao longo de milénios, e agora num estágio final, por mágicas e racionais medidas observassem os requisitos mais exigentes das sensações primordiais e humanas. Que foi isto que senti? Andaram estes Germanos a aperfeiçoar a raça? Se o fizeram, fico perplexo com tanta qualidade científica. O resultado foi fabuloso e tocou o divino. Não me lembro de algum dia ter observado ser mais maravilhoso. Mas e a Lei? A Lei aplica-se através do espaço e do tempo. E faço aqui uma pequena reflexão temporal. Aqueles que fazem as coisas mais belas são os mesmos que produzem as mais hediondas e repugnáveis. Foram estes os Germanos que criaram os campos de concentração e enviaram para a câmara de gás milhões de seres humanos, a mesma humanidade que agora respeitam e preservam. Foi este o país que em quarenta e cinco estava em ruínas e em chamas, devastado e num caos imenso, e este mesmo belo país que visito. A Lei observa-se. E os judeus queimados e incinerados em câmaras de gás não foram também aqueles que emprestavam dinheiro a juros àqueles que se encontravam em situações de aflição aproveitando-se dos estados de carência financeira? Não foram os judeus que depois de Pilatos ter aclamado “Ei-lo”, pediram a crucificação do Messias? A Lei observa-se. E o império que agora, aquele que rege, que tem as armas, o do Oeste, o norte-americano. Não foi este que lançou a bomba atómica sobre um país devastando e arrasando milhares de vidas? Não foi neste país que a Sida surgiu, praga que arrasa milhares de vidas em todo o mundo, essencialmente crianças. Mas também é neste país que se unem diferentes raças, credos e de certa forma convivem pacificamente. Onde se proclama a liberdade e o discurso livre. A Lei observa-se. Não eram os japoneses guerreiros implacáveis, insensíveis, que não respeitavam os direitos mais elementares da vida humana, e que em nome de um imperador que nunca foi à guerra, se embatiam contra navios matando-se a si e a tantos outros seres humanos? Mas não é no Japão onde a alta tecnologia é a mais avançada, onde milhares e milhões de cidadãos vivem em metrópoles e onde o sistema civilizacional e comunitário melhor funciona? A Lei aplica-se. Não são os árabes e os muçulmanos grandes homens das artes e do saber, da poesia e das sonoridades silábicas, que reformaram os pensamentos e as ideias no médio Oriente através do legado de Maomé. Mas não são os mesmos muçulmanos que queimam bandeiras, explodem mercados e mesquitas instigando o ódio dentro da própria comunidade religiosa? A Lei observa-se. Não é a cruz cristã o maior sinal de humildade e redenção, valores elevados e qualidades desejáveis nos homens e mulheres? A cruz, falo invertido, submissa que respeita a caridade e o amor ao próximo. Mas não foi em nome da cruz e dos evangelhos que se lançaram à fogueira milhares de seres humanos apenas porque divergiam de certas formas de pensamento? E não foi em nome da cruz que se conquistaram, matando e arrasando, violando e queimando, destruindo e derrubando, milhares de povos que eram considerados infiéis apenas por terem crenças religiosas distintas? Que diria o Messias se tivesse presenciado tais acontecimentos? E as sociedades secretas conhecedoras das forças do oculto, homens doutos e do saber, das ciências e dos valores humanitários, das regras e da ordem, que proporcionaram aos seres da actualidade condições humanas de vida, que fizeram aumentar a longevidade, que postularam os direitos do Homem. Que investigaram com fins humanitários no ramo da química, da física e da medicina. Mas não foram estes mesmos que desenvolveram as armas de destruição maciça, as doenças fabricadas em laboratório, que melhoraram a eficácia na morte das armas de guerra, que investigaram no desenvolvimento de minas, tanques, róquetes e foguetões com fins militares? Não foram membros destas sociedades que foram buscar um judeu à Alemanha e o fizeram desenvolver teorias que posteriormente proporcionaram a fabricação da bomba atómica? Não foram estas sociedades que utilizaram esse mesmo saber para fins destrutivos? A Lei observa-se. Com estes casos pudemos constatar que a Lei do Equilíbrio Universal é omnipresente e observa-se no espaço natural. O Espaço das ideias, do raciocínio, do imaginário e das sensações. O Espaço do intelecto e o espaço físico, o espaço da alma, do ego, e o do exterior, do Eu, e do Teu, do deles, e do delas! O de fora e o de dentro. A Lei aplica-se quer através do tempo, tal como foi confirmado com casos práticos, mas também através do espaço hiperdimensional que nos rodeia e no qual nos incluímos.

Oásis


Doce Flor, não imaginas porventura a doce recordação que guardo dos teus beijos. Podia porventura traçar as linhas destes escritos através de versos errantes e desesperantes, através de métricas ancestrais e arcaicas, através de escritos que pausados e desordenados não obedecessem às regras linguisticas que estabelecem o conceito de prosa. Escrevo, não escrevo, aliás teclo, pois teclar é isso mesmo, é impulsionar a ponta digital dos membros superiores que te acariciaram, que tocaram no teu formoso corpo, que deslizaram pela tua sublime e formosa pele, pela candura e alvura do teu rosto, estes dedos, que absorveram as sensações tácteis mais dóceis, e são estes dedos que teclam nestas teclas inscritas de caracteres latinos. Os mesmos dedos que por ti anseiam.

A mão, deixou de me auto flagelar, deixou de ser o ímpeto para a concha encrostada num interior angustiante, a palma da minha destra e impetuosa mão passou a oferecer, passou a ceder o desejo, passou a ser a génese dos rituais afectivos e amorosos. Da dualidade de corpos que se unem num leito de afecto, alegria e harmonia. Como que um complemento salutar, como que encontrar a

paz depois da guerra. É destroçar os beligerantes, é vencer batalhas, sair arrasado, sair destroçado, ganhar o mundo, ganhar o espaço, o Universo, conquistar os corpos, mas não ganhar as almas, e das batalhas infinitas, das ancestrais e universais, sair vencido e derrotado no interior, e reencontrar o verdadeiro Amor.

E então num leito de desejo e alvura, encontro o deleite, encontro o afecto nuns doces braços de uma doce mulher, nas cândidas pétalas de uma Bela Flor, que por sentido inverso de línguas equatoriais, obtenho o Nome da adorada homónima poetisa que nasceu além do Tejo. E nuns áureos e sedosos cabelos a lembrar as auroras boreais, auroras nocturnas, auroras madrigais, aqueles arco-íris da noite, que os homens contemplam em latitudes polares, olhos da cor do céu, olhos da cor do mar azul, olhos da cor da melancolia, e nuns cabelos da cor do sol, encontro eu a alegria.

A doce Flor do Éden, a minha Eva, sendo eu Adão, somos então os primogénitos, somos os pecadores, pois a maçã grave newtoniana, que cai nos sentido axial, caímos nós então num solo de afecto e folia, ao envolvermos os braços e os corpos, ao afagarmos as mãos numa mutualidade conspícua, numa circunspecção afectiva, nuns abraços ternos, e os corpos, límpidos e cristalinos, envolveram-se em uma entidade una, única, rejeitando eu o nome de rei dos Hunos, de Átila, o guerreiro impiedoso, que pereceu às mãos de uma amante, que o amava e desejava. Mas eu, não caminhei com tropas, não percorri nem vandalizei com exércitos, eu limito-me apenas a observar áureos filamentos que me identificam na terceira letra do primeiro nome próprio.

Doce e bela Flor, recordo com carinho o dia mágico e dominical em que me desvirginei em ti. Em que nos tocámos e nos envolvemos, em que nos abraçámos e beijámos e recordo-o com afecto, com um misto de desejo e carícia, com um pouco de luxuria e candura.

Encontrei-te bela e formosa na entrada do prédio, cheguei ao patamar de uma rua imensa, antes tinha vagueado no meu cavalo negro por ruas e ruelas cheias de peripécias, caminhava então qual mero vagabundo, perdido numa vila longínqua nos subúrbios de uma metrópole decadente. Afastava-me das correrias, afastava-me dos estresses quotidianos, e caminhava então pelo vale, pelo vale das árvores, pelo vale arbóreo, tinha acabado de contornar, de envolver as três oliveiras, e caminhava eu então sequioso dos sucos das frutas de uma figueira, bela, alta, formosa. Caminhava então perdido no meu cavalo, rodopiava, envolvia os prédios e traçava os trilhos que uniam estes dois pomares, estas duas géneses arbóreas, estes dois frutos que se uniam numa união de paladares afectivos.

Cavalgo no meu cavalo negro, qual cavaleiro errante perdido na madrugada de uma lua cheia, numa data mágica deste sétimo dia semanal, dia dos rituais cristãos, dia das homilias afectivas de poder observar os traços que formam o teu rosto, de poder alcançar o azul dos teus olhos. E questiono-me bela Flor, ao tocar nas tuas pétalas, ao assimilar o teu odor, serei eu o insecto nocturno sequioso do teu suculento néctar, minha dócil Flor do Éden? Recordo com afecto, quando contornava os caminhos que estreitos e esguios, me dirigiam ao topo da colina deste Oásis. Virei à esquerda, antes da estalagem onde os peregrinos se abastecem de mantimentos e bens para as suas caminhadas, segui em frente, desci pausadamente no meu cavalo, atingi a depressão geográfica desta pequena cidadela, e ao longe a zina, o cume, o alto, o altar onde repousa a minha deusa da noite.

Subi, e obedeci ao paradoxo linguistico, mas não, pois eu, cavaleiro amante e errante vim dos subterfúgios da alma, dos poços que afogam os espíritos criadores, e emergi-me das cinzas, dos fogos, e então subi eu para cima, ignorando neste pequeno excerto da minha missiva amorosa o pleonasmo que poderão eventualmente os mais acérrimos críticos evidenciar. Subi, fui ganhando altitude, fui-me afastando do cerne terrestre, mas ganhando a liberdade que preconizas nos teus versos bela Flor.

Calmamente atingi a zina, a areia ofegava-me os pulmões, tal a sua porosidade, observei a tua tenda, o teu local de abrigo na noite escura, observei o local que te protegia do frio nocturno. Tu doce Flor, doce Oásis esperavas-me, quais amantes da madrugada, éramos nós dois adorados, éramos nós duas entidades, duas peças de uma única formatura, éramos o mais e o menos, forças magnéticas ocultas que forçam a união natural de amantes loucos. Naquela noite fomos o alto e o baixo, tu a Flor, eu a espiga, tu a pétala, eu o insecto que depois de metamorfoseado se liberta e ganha asas, fomos o dois e o três em todos os seu simbolismos numerológicos, fomos a Lua e o Sol, formámos um sistema astral, fomos o Norte e o Sul, o Leste e o Oeste, foste tu nessa noite um Oásis num deserto, foste uma fonte ao ser sequioso em que me revia, e no entanto dócil Flor, és também o mel que me adoça os lábios, e que me nutre, eu corpo e alma carentes de amor.

Entrei na tenda que te abrigava na noite gélida, mas o seu interior fervia em beijos que me prendiam os lábios, sentei-me no tapete, e ofereceste-me um chá, que me enterneceu e me aqueceu o corpo. Sentaste-te a meu lado, e proferiste ternas palavras, aproximei-me de ti e abracei-te, coloquei a minha destra mão sobre o teu dorso, e com a sua palma aberta tocava-te no ombro, simbolizando assim a ternura mútua e reciproca sentida por ambos. Observei-te e beijei-te novamente, toquei-te novamente, tinhas na tenda que te abrigava uma caixa de música que nos entretia nos abraços que dávamos. Sentados e envolvidos no tapete do receptáculo dos amantes noctívagos, abraçamo-nos, acariciámo-nos e nos entretantos bebemos um café que nos manteve despertos pelo resto da noite longa, a noite que nos esperava, pois a noite é sempre especial, a noite, altura em que o Sol se esconde, e a Lua no seu esplendor ilumina as colinas que contemplei nas caminhadas efectuadas.

Calmamente fui, deslindando o mistério do amor, fui destrinçando e fui renegando a muralha que nos separava, fui perfurando o muro, e fui removendo o betão armado que me envolvia numa clausura impiedosa, e quando, naquele momento infinitamente sublime, e cheio de desejo e impetuosa provocação, pude deslocar os meus dedos sobre aquela pequena tira de tecido que suportava o traje que te cobria os seios, quando pude deslocar sobre o teu antebraço esta tira de tecido, quando esta frustrante peça que me impedia de contemplar as colinas do teu tronco, o vale que se encontra no regaço que as une e que as separa, quando baixei subtilmente, estas duas tiras, a do braço esquerdo e direito, e fui calmamente com os dígitos forçando esta pequena indumentária acastanhada a descer pelo teu alvo corpo, pude observar os dois altares mágicos, a magia do número dois, pude observar a dualidade infinita e luxuriante com que ansiava, como que duas fontes que jorram em momentos pós-fecundação os nutrientes que alimentam os novos homens que habitarão o cosmos.

Observei as lindas fontes, alvas, cheias de candura e beleza infinita, e no seu topo, no topo destes altares, cujas silhuetas e formas estão explícitas e patentes em tantas e diversas formas de arte, profanas e sagradas, estas formas tão divinais que incutem nos homens e mulheres aqueles desejos, aquela ansiedade, estes dois altares, que quando a doce Flor está estendida a captar os raios solares, veneram os céus e o infinito do Universo, e quando te observo, bela Flor, erecta, na minha fronte, as tuas massas de carne divinal observam-me de frente e com elas contemplas o mundo. As fontes que os teus seios constituem, são como que a meta da mais longa e fatigante caminhada, aquilo que o peregrino mais crente e carente anseia. E ao observar as tuas colinas corporais que te embelezam o tronco, pude maravilhar-me com tamanha beleza e beber do suco, que jorravam da sua extremidade.

Pois bela Flor do Éden, acredita que é maravilhoso, poder ler-te isto que escrevo, acredita que o sentimento de te poder endereçar, e simultaneamente poder beijar-te é algo que me inunda o ego de alegria. É evocar a egolatria da infância.

O desejo tornava-se incomensurável, não aquele desejo frenético angustiante, ou melhor talvez o fosse, mas sentir tal desejo por alguém que nos compreende, que nos complemente, e que nutra por nós sensações similares, por certo que não pode ser um desejo funesto. Na divisão maior do teu abrigo nocturno; o tapete não era por conseguinte o local mais apropriado para o ritual do amor aos céus, e do amor enternecido que nos unia, o tapete era apenas o começo, era apenas o leito dos preliminares afectivos; mudámos para outro compartimento, ergui-me erecto, levantei-me e caminhei um pouco curvado no sentido do outro espaço divisório, segui no teu encalce, e afastaste suavemente a cortina que separava as duas divisões, e qual acto provocatório deixaste que esta te encobrisse a silhueta, e desapareceste momentaneamente pelo segmento onde se veneram os deuses profanos e sagrados do Amor. Senti-me perdido, desencontrei-me por segundos, mesmo que o abrigo que nos acolhia nesta escura noite desértica no exterior, fosse pequeno; pequeno mas por certo bem mais acolhedor que muitos palácios reais. Reencontrei-me e descortinei a fina membrana que nos separava, a cortina que nos afastava apenas visualmente. Atravessei-a e observei-te novamente bela, formosa, altiva, doce, desejosa dos meus beijos, carente dos meus afectos, e deitaste-te no pequeno estrato que, apesar de não ser muito alto, era reconfortante.

Eu carente dos teus lábios, carente de observar novamente o azul dos teus olhos cristalinos, ansioso por sentir o odor dos teus cabelos, impaciente por preencher o meu espectro visual com as tuas feições, aproximei-me e observei-te de perto.

E é este momento astrológico que nos uniu, o momento sagrado que os povos antigos veneravam, a este momento erigiam-se catedrais, pilares, antas, menires, como que com o intento de poder descobrir este mesmo instante. Não existe então similaridade silábica entre momento e monumento? És tu dócil Flor o monumento dos momentos de afecto e ternura, o monumento que naquela noite se encrostou nesta alma e me adornou o cerne do ego.

Aproximei-me de ti, despi os trajes que me incomodavam e deixei-me embriagar pelos teus actos, pelas tuas palavras, pelas tuas feições, pelos teus gestos, pelo toque das tuas mãos, pela textura dos teus lábios que untados de saliva nutrem o meu parco corpo, deixei-me embriagar pelo teu radioso cabelo das auroras boreais, trinquei os teus mamilos, chupei-os qual bebé morto de fome e sede, agarrei-te nas coxas e senti o ímpeto do desejo atravessar-me a libido. Fui percorrido por fogo nas veias e artérias, que se revelaram na extremidade da pela, e se canalizaram para as zonas mais erógenas da minha essência: os lábios, a ponta dos dedos, a ponta dos pés, as bochechas, e todo este vigor foi concluído num clímax vigorante que jorrou a hemoglobina esbranquiçada e fecunda no leito que nos acolheu; foi o leite do deleite, foi leite jorrado no nosso leito.

Foi este momento simultaneamente herege, pecaminoso e da mais pura e doçura beleza que recordei nessa mesma noite no meu acampamento, depois de regressar da caminhada em que me uni a ti.
Deitei-me na divisória escura, cerrei os olhos, e quão belo foi aquele momento em que observava a tua face, a preencher-me. De olhos abertos via apenas o breu nocturno, e quando cerrava as pálpebras, contemplava a silhueta facial que tinha adorado minutos antes. Adormeci assim, e contigo bela Flor sonhei apenas aguardando aquele momento, em que erigirei de novo em ti o monumento do amor e da ternura.

E enquanto redijo estes escritos bíblicos e proféticos do afecto, aguardo pelo dia quíntuplo, em que nos reencontraremos, desta vez na tua propriedade nos bosques longínquos, onde me esperarás no teu palácio e me beijarás novamente pelos corredores e largas divisões que formam a sua planta.

Dócil Flor, és a mais bela princesa do cosmos.

A deificação de um mercenário


Nicolau Maquiavel referia explicitamente no seu livro intitulado “o Príncipe” que quando um estadista entrega os seus recursos ou recruta mercenários, a desgraça apoderar-se-á da sua nação inevitavelmente. Hoje reconhecemos Maquiavel não como um filósofo ou politólogo, mas como alguém cuja doutrina evoca a disseminação do medo com o propósito do controlo absoluto de um estado ou nação. Mas Maquiavel também criticava abertamente os mercenários, homens sem princípios morais, sem filiações nacionais, sem estado, que combatiam exclusivamente pelas posses financeiras. O que os move é o capital, a riqueza e o poder. Depois de vencida a guerra e conquistada a nação opositora, sequiosos por dinheiro, amealhavam, saqueavam, e pilhavam muitas vezes a nação que os tinha contratado, pois o que os vinculava ao estado beligerante era apenas uma nota contratual, em que os mesmos eram ressarcidos através de altos prémios e bens apoderados à nação derrotada. Mal vencida a guerra, apoderavam-se dos bens da nação que os contratava e acolhia. São homens que lutam não pela fé, ou pela filiação nacional, ou por doutrinas nacionais, mas lutam única e exclusivamente pelo dinheiro. Há historiadores que referem que a desgraça e a miséria em África deve-se muito a mercenários que optam por se juntar a facções apenas por ouro e diamantes. Bem treinados, provenientes de várias nacionalidades, entregam-se aos actos beligerantes com o propósito de enriquecerem desmesuradamente. O Petróleo, os diamantes e o ouro são a desgraça do continente africano. Maquiavel repudiava abertamente todos os mercenários.

Pois o nosso afamado madeirense, especialista na arte de elaborar algumas peripécias na figura geométrica sem lados ou arestas, um objecto esférico apelidado de bola; tem traços muito semelhantes a qualquer um dos que se rege estritamente pelo poder e pelo dinheiro. A sua transferência para Madrid foi a mais onerosa de todos os tempos, segundo consta auferirá cerca de vinte e cinco mil euros por dia, e tal facto é subtilmente acarinhado por todos os meios de comunicação social internacionais. O madeirense que segundo consta era mal pago por terras de Sua Majestade, veio ao encontro dos nossos irmãos castelhanos com o intuito de estar mais próximo da cidade que o acolheu na adolescência, a nossa amada Lisboa. Com a construção da alta velocidade, estaremos mais próximos de Madrid e consequentemente do nosso Cristiano. Poderá o caro adepto mais fervoroso comprar um bilhete pelos módicos duzentos euros e viajar até à capital espanhola para assistir ao espectáculo degradante que é ver a estrela futebolística mais cara de todos tempos correr atrás do objecto esférico referido anteriormente. O Cristiano é acarinhado, tem lugar destacado em todas a televisões e jornais, tem lojas de roupa, acompanham-no por terras do novo mundo, onde descortinam a sua vida íntima e privada com mulheres voluptuosas e ardentes, observam-no na capital do vício e do pecado a gastar as suas parcas poupanças no jogo e no casino. Envolve-se com modelos num simples e factual acto luxuriante, sem compromissos matrimoniais ou afectivos, desvirtua-se com automóveis de alta cilindrada não acessíveis ao comum dos mortais. Ganha fortunas, porque tem o dote de saber dar uns toques. É perverso, ambicioso, pérfido e rege-se apenas pelo dinheiro, Maquiavel diria que temos as condições suficientes para o definir como um exemplo contemporâneo do mercenário. Aquele que se move apenas pelo capital. Que os há, sei bem que há, agora intriga-me observar os média a deificarem-nos, a considerarem-nos como um exemplo de salubridade ética e moral, a tornarem-no num exemplo para as gerações vindouras. O futebol cria as suas estrelas não através do dinheiro, mas através da paixão e do amor pelo desporto criado por terras britânicas. Eusébio viveu com alguma modéstia, apesar de ter sido um dos melhores do mundo e poderá dizer-se o mesmo de Pelé. A paixão pelo futebol nasce na associação entre o factor cultural e desportivo e a paixão por que é regido este desporto. As estrelas não se formam com dinheiro. O humilde Cristiano, proveniente da ilha tão afamada pelos discursos acalorados do Sr. Jardim, parece ter-se tornado na antítese da humildade, tornou-se em alguém altivo, soberbo e arrogante. E a juventude Portuguesa encara-o como o exemplo a seguir, alguém com quem se identificam, alguém que gostariam de ser no futuro, jogador de futebol e claro está, muito endinheirado.
Pois meus caros, o Português mais famoso do mundo, não passa simples e evidentemente de um mero e rude mercenário, que se rege estrita e unicamente pelo dinheiro. E os nossos média decadentes, transformaram-no num exemplo de candura e rectitude. Alguém com quem nos identifiquemos e orgulhemos pelo facto de ter no passaporte a nacionalidade de Camões.

O Poeta Paradoxal


Estou contente, mas descontente
Eufórico, mas estou triste
Sou um fraco que resiste
a amar eternamente

Ateu, que em Deus é crente
que questiona se Ele existe
que divaga, que persiste
na luxúria que é ardente

Sou um paradoxo eterno
O prelúdio imortal
Rude, pacato e terno

Cadáver sensorial
Sou o infinito efémero
Sou a aurora boreal

Em Ponte de Sor


Em tempos foi construída a ponte
sobre o rio, doce, pacato: o Sor
que me lava as mágoas do amor
e que me refresca a morena fronte

Bebo as águas de uma fonte
que me inunda o ego de ardor
que me cura, que sara a dor
perscruto a paz no horizonte

Teço as teias de ternura
do leito que nos envolve
amo a dócil amargura

da teia que nos acolhe
bela mulher, que formosura
que o meu frágil corpo colhe

A hegemonia da cultura americana no festival Europeu da canção como sinal da deterioração da génese musical Europeia


Estive recentemente a observar o festival Europeu da canção de 2009 e fiquei deveras perplexo com a submissão da cultura musical europeia à cultura americana, quer na língua quer no estilo. Não tenho dados quanto ao número de canções cuja língua favorita foi o Inglês; não tenho dados pois estes são bastante difíceis de encontrar quer na rede, quer nos meios de comunicação social convencionais; mas posso asseverar empiricamente e se a estatística impressionista não me falha, que o idioma para a maioria das músicas representativas dos diversos países Europeus foi a que é falada na sede do novo mundo.

Isto é uma autentica subjugação cultural, é uma submissão aos padrões culturais americanos, é uma sujeição à hegemonia forçada da língua de Sua Majestade. Pergunto eu, meus caros, qual o dia em que ouviremos nos canais mediáticos americanos uma música cantada em Turco? Qual será o dia em que ouviremos no festival Europeu da canção o Reino Unido ser representado com uma canção cantada em Ucraniano ou em Arménio? Dir-me-ão que tal façanha é impensável e inexequível; e assim o é. Mas o inverso aconteceu no festival da canção de 2009.

Os países nórdicos como já é tradição escolheram todos o Inglês para se fazerem representar no maior espectáculo intercultural e musical da Europa. Não deveria afirmar intercultural, pois existe claramente uma padronização cultural da música pop cantada em Inglês neste afamado festival. Muitos países como a Turquia, a Bulgária, Israel, a Grécia, a Bielorrússia, a Hungria, a Lituânia, a Polónia, a Arménia, a Ucrânia e até a Alemanha escolheram o Inglês. Muitos dos que escolheram as suas próprias línguas nem sequer chegaram à final, como é o caso da Macedónia e da Letónia. Dir-me-ão que é uma forma mais apelativa de atrair votos do júri, mas é uma forma efémera, fugaz, pouco coerente com as suas géneses culturais, como forma de se afirmarem no espaço musical Europeu. No maior festival de música que a Europa produz observamos repetitivamente um sistema decrépito de rebaixamento cultural em relação à profusa doutrina musical americana.

Tentemos ir à génese da questão, tal facto que abordo acima, é um reflexo dos dias que vivemos. Encontramos uma disseminação em todos os meios de comunicação como a rádio e a televisão da língua e da cultura americana. O espaço radiofónico Europeu está repleto de música americana, as televisões europeias estão inundadas com filmes provenientes do novo mundo falados em Inglês, e esta onda de veneração aos súbditos do tio Sam, reflecte-se inevitavelmente no festival da canção. E pergunto eu, como é que um continente tão rico cultural e linguisticamente como é a Europa, como é que um continente com tradições musicais seculares, um continente único na sua heterogeneidade linguística, necessita de importar do novo mundo a música e a língua para um festival que se intitula Europeu da canção? Faz-me reflectir por que é que a Itália decidiu abandonar este festival. Talvez porque não se identificasse com o género de músicas que nele participam. Faça-se justiça com Portugal, Espanha e França que decidiram utilizar as suas línguas para se fazer representar.

E faço eu mais uma questão, porque é que o estilo musical mais utilizado é o pop? Não é o pop um estilo musical que nasceu nos Estados Unidos? Não é a Europa um continente tão rico musicalmente, com diversos estilos musicais tradicionais e regionais que certamente representariam bastante melhor cada nação? O fado é um exemplo. Mas já que não se canta utilizando cada estilo musical, deveria utilizar-se pelo menos a língua própria de cada nação. Reparemos como muitos dos vencedores do festival cantaram em Inglês, como a Suécia com os Abba, recentemente a Finlândia em 2006 com os Lordie e a Noruega em 2009. Mas já é tradição todos os países nórdicos utilizarem o Inglês para se fazerem representar.

Irradiemos a hegemonia do Inglês no festival Europeu da canção; deixemos esta língua apenas para os países que a utilizam como língua oficial, como o Reino Unido e a Irlanda, e façamos do festival Europeu da canção um verdadeiro espaço multicultural e verdadeiramente representativo das idiossincrasias regionais europeias tão pouco profusas no espaço comunicacional do nosso quotidiano.