O automóvel e o preço do espaço público



Preço da ocupação/utilização do espaço público
por m2 por dia efetivo (24 horas), em Lisboa
Tipo de ocupação Esplanada de quiosque Banca de feirante Automóvel de morador




Área pública ocupada 50 m2 10 m2 10 m2
Preço pago ao erário público 4800€/ano
(400€/mês)
192€/ano
(16€/mês)
12€/ano (para moradores)
Tempo de ocupação do espaço Todos os dias, das 9 às 24:00, exceto domingo Duas vez por semana, durante 8 horas cada 24€/dia durante
7 dias por semana
Tempo efetivo de ocupação em horas 4689 horas/ano
(15 horas/dia*6 dias/semana*52,1 semanas/ano)
833 horas/ano
(8 horas/dia*2 dias/semana*52,1 semanas/ano)
8760 horas/ano
(24 horas/dia*365 dias/ano)
Número de dias efetivos de ocupação (valor anterior dividido por 24 horas) 195 dias 34 dias 365 dias
Preço efetivo por dia (24 horas) 24,6 €/dia 5,60 €/dia 0,03 €/dia
Preço efetivo por dia (24 horas), por m2 0,49 €/dia-m2 0,56 €/dia-m2 0,003€/dia-m2
Rácio 160 180 1

Um feirante de Lisboa paga 180 vezes mais pela ocupação do espaço público, que um automobilista residente em Lisboa. Já um comerciante com uma esplanada paga 160 vezes mais pelo espaço público, que o mesmo automobilista residente em Lisboa (partindo do princípio que o dito automobilista paga os tais 12€/ano à EMEL pelo dístico de residente).

Falar da cidade, e não falar da valorização do espaço, é ser-se ingénuo, ou ignorante. Em cidades como Lisboa, com as suas pequenas praças e as suas ruelas, o espaço (ou falta dele) é uma questão crucial. Assim sendo é natural que as pessoas paguem pela utilização do espaço, público ou privado. Quando compramos casa, pagamos um certo preço por m2, mesmo que esse espaço seja organizado muitas vezes verticalmente, e nesse preço não estão imputados apenas custos da construção do edifício, estão também contabilizados os custos do terreno, ou seja: espaço.

Quando um comerciante ocupa uma esplanada com um café, ocupa espaço público, então naturalmente terá de ressarcir a autarquia, ou seja o erário público, pela utilização desse mesmo espaço que é público. O mesmo princípio se aplica à ocupação de um quiosque ou de uma banca numa feira. O facto de ser público não quer dizer que é para ser usado gratuitamente, tal só se aplica quando a minha utilização não impede a utilização dos outros. Ninguém paga imposto ou taxa pelo ar que respira nem pela água que bebe da fonte, pois quando respira certa quantidade de ar que lhe rodeia, não limita a utilização dos outros. O mesmo se aplica à água da fonte. Mas quando um comerciante ocupa uma praça com uma esplanada, está a impedir terceiros de usar essa esplanada, para fazer negócio, mesmo que o dito café seja um espaço público para usufruto de todos, mediante o consumo de certos produtos. No caso de um feirante aplica-se o mesmo princípio, tem naturalmente de pagar pela ocupação do espaço que ocupa e esse pagamento depende do tempo em que ocupa o referido espaço.

É assim totalmente aceitável, compreensível e racional que um carro pague estacionamento mesmo o espaço sendo público, por três razões. A primeira é que o dito carro ocupa espaço público, que podia ser usado para outros fins, como por exemplo esplanadas, quiosques, jardins, parques infantis, etc. e cuja ocupação por parte do veículo, impede terceiros de usarem esse mesmo espaço. Se todo o espaço é pago, público e privado, porque estaria o carro isento? Segundo, é que ao contrário de uma esplanada ou quiosque, um carro parado não presta qualquer serviço público. Um café presta serviço público, pois gera um efeito de coesão no bairro pois por exemplo serve café e pão fresco pela manhã e o mesmo princípio se aplica a um quiosque quando nos vende um jornal. Um carro estacionado está no local imóvel não gerando qualquer efeito sinergético com os habitantes. E em terceiro lugar, ao contrário de uma esplanada, um carro estacionado é apenas um retângulo de metal, que está vedado a todos os restantes cidadãos, ou seja é um espaço público que foi temporariamente privatizado, sem usufruto de terceiros.

O estacionamento na rua, é tecnicamente, uma privatização temporária do erário público sem usufruto de terceiros. Por estes motivos, um carro estacionado deveria pagar mais por m2 do que um café ou uma esplanada. Todavia, feitas as contas, os valores estão assustadoramente invertidos.

Rua Vale Formoso de Cima, o reflexo de um país


Muitos se questionam de onde vem o meu "radicalismo" contra a hegemonia do automóvel. Se eu for ao étimo da palavra em apreço, radical vem de raiz, por isso sim, sou radical, pois gosto de procurar a verdadeira raiz dos problemas para desta forma encontrar melhores e mais duradouras soluções. Se para o mundo inteiro um mais um é igual a 4, e um qualquer indivíduo referir em voz alta que um mais um é igual a dois, estará a tomar uma atitude radical e controversa, todavia não quer dizer que não seja verdadeira.

Há quem diga que um homem se define em parte pelo local onde nasceu. Ora, eu sou um caso paradigmático de rebeldia visceral contra o bairro onde nasci. Nasci no Lote 1679 na av. Infante D. Henrique (na realidade nasci numa clínica, mas com dias vim logo para casa) em Lisboa. Na prática, a artéria viária que dava serventia ao prédio onde vivia era a Rua Vale Formoso de Cima, onde passei milhares de horas da minha juventude. Vivi nesse bairro desde que nasci até os 18 anos de idade, ou seja 18 anos da minha vida. Foi nesse bairro que construí das amizades mais estruturadas e mais duradouras, os denominados amigos de infância. Todavia assisti gradualmente à constante degradação do espaço público da rua onde cresci.

Quando tinha 10 anos de idade os passeios tinham uma largura de mais de 2 metros ao longo de toda a rua, permitindo por exemplo que pessoas com carrinho de bebés e com mobilidade reduzida, ou idosos se pudessem deslocar. Em 1997 fizerem-se substanciais obras de "melhoria". Removeu-se o empedrado, alcatroou-se a rua, e os passeios foram reduzidos ao que hoje são, ou seja menos de meio metro. A praceta onde jogava à bola, era um parque de estacionamento, em que estávamos constantemente a ser expulsos pelos donos dos automóveis. Quando vi que chegaram as máquinas para umas obras na praceta onde jogava à bola, mesmo em frente ao meu prédio, ganhei esperança pois julgava que a autarquia iria construir um campo de futebol para eu brincar com os meus amigos. Mas não, a Câmara mais não fez que aumentar o dito parque de estacionamento, para que pudesse comportar mais automóveis.


Rosas, cravos e lírios
que planto no furor da aurora
brado e grito p’los Sírios,
das balas que me cravam agora

Sinto de Cristo o martírio
a cruz da sua longa hora
“Doutor, são apenas delírios
de um Poeta que chora!”

Maria, a magna Helena
que me trespassa o coração
com a espada da trezena

com a cor da oração
“Doutor, não sinta pena,
do que me grafa a mão”

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Helena, astuta e bela
que me instiga à paixão
são as farpas da querela
a que devo dizer não

Helena é a chancela
da Europa, o Bastião
Mas à minha amada doei a cela
que me amarra o coração

São treze os meses da mulher
que aos números dão azar
Amar é nunca querer

voltar a aceitar amar
e quem de vós não o disser
não ama quem amou no Altar

Fernando Seara, mais um CANALHA!


Eu costumo dizer que a A16 permitirá que de Sintra
ao Centro Comercial Colombo se demore 15 minutos
   Fernando Seara, setembro de 2009

O duo ficou completo quando o biltre do Barbosa, se juntou ao canalha do Seara para as autárquicas para Lisboa. Sorte a do povo de Lisboa, pois muito provavelmente não ganharão. Pensei sobre este tópico e racionalizei que poderia eventualmente nem sequer abordar esta questão e nem perder tempo com um canalha que muito provavelmente sairá derrotado das eleições autárquicas. Mas não, quis pôr os pontos nos i. 

E que planos tem então Seara para Lisboa? Acabar com o estacionamento selvagem, que grassa nas nossas cidades, afetando essencialmente pessoas de terceira idade e crianças? Não, sobre esta temática nem uma linha. Promover acalmia de tráfego em Lisboa, onde o limite de 50km/h raramente é respeitado, e cujas consequências são atropelamentos mortais de várias crianças peões? Não, para quê se as crianças não dão votos. Fazer de Lisboa uma cidade mais humana e amiga dos seus cidadãos? Não, também não. Seara defende antes no seu programa "um túnel no Saldanha que conclua o desnivelamento do eixo Campo Grande-Amoreiras, fundamental para dar solução ao trânsito na cidade", defendendo ainda que irá "criar um cartão que permita estacionamento gratuito para moradores, em qualquer zona da cidade pelo período de 3 horas". Em Amesterdão os moradores pagam 60€/mês para estacionarem o carro na rua à porta de casa, mas Seara em Lisboa, quer dar gratuitidade muito para além do bairro do morador. Depois vem com a tanga do costume que quer Lisboa limpinha, imune ao vandalismo dos grafitos. Mas este idiota não percebe que para se zelar por Lisboa, Lisboa não pode ter tantos carros, tanto trânsito, tanta poluição! Ninguém vai zelar pela av. da República, enquanto esta tiver 11 vias de trânsito automóvel, porque ninguém vai sentir essa avenida como sua.


Fonte: ANSR.
Mas não se esqueçam que Fernando Seara promete criar o pelouro do idoso
em Lisboa. Hipócrita nojento!

E o que fez Seara por Sintra? Promoveu uma melhoria da linha ferroviária de Sintra melhorando o sistema de transportes públicos? Fez ao menos pressão nesse sentido? Também não! Uma pesquisa rude no Google e percebe-se todavia que Seara fez pressão para se construir mais estradas para a entrada de Lisboa, mas como tal foi chumbado por questões ambientais (para os fanáticos dos popós o ambiente é como Fátima, só se presta devoção uma vez por ano) referiu em público que era preciso encontrar alternativas ao IC19. Em 2002, em vez de pressionar para que se melhorasse os transportes públicos no concelho de Sintra, pediu milhões do Orçamento de Estado para o alargamento do IC19. Meus camaradas habitantes da linha de Sintra. Já pararam para usar a puta da cabeça? Já pensaram que se calhar o IC19 é o Itinerário Caracol, porque simplesmente Portugal é o terceiro país com mais carros da Europa, mesmo que a Grande Lisboa seja a zona da Europa com mais vias rápidas e autoestradas. A puta da cabeça também é para pensar! Ou na linha de Sintra as mentes são mentecaptas? Achar que o problema da linha de Sintra, com o respetivo crescimento urbano caótico, com localidades como Massamá e Cacém entregue aos bichos, se resolve com mais estradas, é ainda acreditar no pai Natal. E que tal melhorar a linha ferroviária de Sintra, que tem muitíssima mais capacidade de transporte de pessoas com um custo energético muito menor e com muito menos impacto ambiental?

Faço-vos um apelo, votem em branco antes de votar em mais um canalha!

Uma das virtudes da Democracia...


Uma das virtudes da Democracia, é que a culpa da mediocridade da classe política, é sempre do povo!

Astrologia como ciência exata: astronomia, psicologia infantil e evolutiva




Antes de mais, faço uma apresentação académica da pessoa que escreve este texto. Tive uma componente académica fortemente influenciada pelas ciências ditas exatas, pois sou licenciado em engenharia, tendo tido diversas cadeiras de matemática, cálculo, análise e física; e sou explicador de matemática ao nível universitário. O que quero relevar é que sou um indivíduo fortemente influenciado academicamente por uma componente cientifica forte e presente, ao nível da matemática e da física, como tal tentarei apresentar um paradigma muito mais científico da Astrologia, que combine astronomia, união aliás que era natural na antiguidade; com psicologia social e evolutiva, e que confira à Astrologia uma componente científica válida. Explicarei também porque é que a Astrologia é ridicularizada e ostracizada no meio académico.

A Astrologia (do grego astron, "astros", "estrelas", "corpos celestes", e logos, "palavra", "estudo") é definida nos compêndios como a pseudociência segundo a qual as posições relativas dos corpos celestes podem, hipoteticamente, prover informação sobre a personalidade, as relações humanas, e outros assuntos mundanos. Refere ainda que a comunidade científica considera que a Astrologia é uma pseudociência ou superstição, uma vez que, até hoje, nenhum astrólogo apresentou evidências oficiais acerca da eficácia de seus métodos.

No entanto também refere que os registros mais antigos sugerem que a Astrologia surgiu no terceiro milénio antes de Cristo. Ela teve um importante papel na formação das culturas, e a sua influência é encontrada na Astronomia antiga, nos Vedas, na Bíblia, e em várias disciplinas através da história. De facto, até à Era Moderna, Astrologia e Astronomia eram indistinguíveis. A Astronomia começou a divergir gradualmente da Astrologia desde o tempo de Ptolemeu, e essa separação culminou no século XVIII com a remoção oficial da Astrologia do meio universitário.

Apresentarei de seguida alguns conceitos que darão à Astrologia, estou esperançado dados os meus parcos conhecimentos ao nível da astronomia ou astrofísica, alguma credibilidade, e explicarei porque é que a mesma é descredibilizada.