The European Union is as democratic as any other democratic nation


People tend to criticise the European Union for the lack of Democracy. I will not debate this question on an absolute political or ideological reference, because Democracy has a huge variety of combinations and degrees, since the Athenian version wherein the citizens, and only the citizens, voted directly on each executive measure to take, till the far-fetched representative Democracy in which people vote by double-proxy, like in the USA for example. In the USA, the citizens vote on electors from an electoral college, said members of this college voting then again to elect the president, said president then deciding later the executive measures to take. Hence, in the USA, the citizens decide on the measures to take, by double-proxy in chain. In many other democratic nations with two chambers, a similar double-proxy process is used to elect the members of the high chamber, like the Senate in the USA, Brazil ou Italy, or the House of Lords in the UK. And many of those who criticise the European Union for lack of Democracy, do not dare to say that the USA or the UK are not democratic. It is obvious that the European Union needs more patriotic feelings and a bit more of propaganda, exactly like the USA does with Hollywood. Just this can explain this enormous paradox on the public opinion, when one objectively compares the democratic instituions in the EU and in the USA.

Therefore, regarding Representative Democracy in the EU, it is relevant to say the following: the EU has three main institutions, the Parliament, the Council and the Commission, and all of them are as democratic, directly or indirectly, as any other democratic institution in any developed nation, like in the UK for example. European citizens vote directly for the European Parliament to elect its members (that's how Nigel Farage appeared there, for instance). As with respect to the members of the European Commission, they are appointed by the members of the European Parliament, exactly like any other parliament appoints the member of the corresponding government. Regarding the European Council, it is formed by the democratically elected national governments of the member states, being one nation equivalent to one vote, and therefore in the Council the vote of Malta has the same value as the vote of France. In the UK, for example, people do not vote directly for the government (nor the queen by the way); the British voters vote for their parliament, whose members later on appoint the government. Exactly as the European Parliament does with the European Commission. The obvious conclusion, I would say, is that the European Union needs not more democracy, she needs more marketing!

Goucha e o paradoxo da tolerância


Uma sociedade tolerante não pode tolerar os intolerantes sob pena de se tornar ela toda intolerante. Chama-se paradoxo da tolerância e foi estipulado por Karl Popper em 1945, no volume 1 do seu livro A Sociedade Aberta e os Seus Inimigos. Popper escrevia, obviamente, após ter presenciado os horrores e intolerâncias da Segunda Grande Guerra, não esquecendo que na República de Weimar, que durou poucos anos, vigorava uma democracia liberal.

Façamos, adicionalmente, este exercício teórico e hipotético, em nome da alegada liberdade de expressão e da defesa de ideias "polémicas e diferentes", que Goucha diz defender. Estaria Goucha disposto a convidar para o seu programa, sob o pretexto da liberdade de expressão, um membro fanático do Estado Islâmico, cujas atividades lúdicas incluem, a título de exemplo, o lançamento de homossexuais do topo de edifícios? O dito membro do Estado Islâmico explicar-nos-ia, ao vivo e a cores, porque motivo odeia homossexuais e os considera pessoas execráveis possuídas pelo demónio, e então, à luz de uma interpretação rigorosa dos textos alegadamente sagrados, descrever-nos-ia com detalhe e minúcia, como os tortura e lança do topo de edifícios. Tudo, obviamente, em horário nobre e sob a égide da defesa de ideias "polémicas e diferentes". Será a comparação exagerada? Claro que é! Contudo, recordemos que Mário Machado esteve envolvido num homicídio de um indivíduo cujo único "pecado" era ter cor diferente da padronizada.

Clara Ferreira Alves refere-nos, ademais, num dos seus programas televisivos, que, como os liberais estão numa crise aguda e em fase de contrição e desespero, consideram que é absorvendo todo o lixo indiferenciado de qualquer fanático ou facínora, que recuperarão o apoio popular contra os anátemas de esquerda relacionados com a liberdade de expressão, e contra toda a demagogia populista a que a esquerda já nos habituou, mormente nas questões económicas e das finanças públicas. Bolsonaro é um caso clarividente desse paradoxo, considerando que o seu partido é exatamente o partido social-liberal. Todavia, todo o programa político de Bolsnoro, excetuando a parte económica, baseia-se em princípios anti-liberais, contras as minorias não padronizadas, e uma devoção iliberal e irracional a igrejas evangélicas cristãs e a todos os seus dogmas. O liberalismo não é isto, senhores!