O preço da energia em Portugal e na Europa


Muitos se questionam se a Europa terá de ficar eternamente dependente da seiva negra denominada petróleo, que por sinal é largamente controlada pelos Estados Unidos. Já o referi diversas vezes, os EUA, sedentos de poder a nível mundial, e sabendo que o petróleo é quase mais valioso que o ouro, indexaram a sua moeda ao petróleo e emitiram ao longo destes anos milhares de milhões de dólares, o que faz com que a sua moeda seja omnipresente e no entanto poderosa pois está associada a um bem fundamental nos dias de hoje que é o petróleo.

Desde 1910, quando Henry Ford começou a fabricar carros em série que o paradigma não se alterou. Decorridos 100 anos estamos cada vez mais dependentes dessa seiva negra que a América controla. Ora vejamos, por exemplo em Portugal, em 2005, cerca de 20% de toda a energia produzida para a rede eléctrica provinha de derivados do petróleo e 99,3% de toda a energia no sector dos transportes provinha de produtos petrolíferos. Portugal é então mais um vassalo do exterior pois a sua dependência energética tornou-se há muito patológica. Os EUA, invadiram o Iraque na primeira guerra do Golfo, não com motivações humanitárias ou democráticas, mas tão-somente por questões petrolíferas. E por certo que todos os centros de investigação, todas as universidades e toda a indústria automóvel está comprometida com este pacto diabólico energético de não providenciar aos cidadãos energia mais barata e mais limpa.

A questão é tão liminarmente simples. Se você controlar totalmente um bem que é escasso e simultaneamente essencial você será rico e poderoso. Se alguém encontrar uma alternativa para o mesmo propósito do bem que você controla, você deixará de ser rico ou poderoso e fará tudo para que tal não aconteça. Esta inércia maléfica, faz com que após 100 anos do começo da fabricação do carro em série, ainda nos movamos somente a derivados do petróleo. E Portugal é um caso paradigmático desde a sua fase democrática após 1974. Encheu o país de estradas, o Estado endividou-se para construir estradas e auto-estradas, os portugueses endividaram-se para comprar carros, transportámos quase tudo por camião e importamos todos os recursos petrolíferos. A GALP, empresa nacional, limita-se a fazer alguma prospecção no estrangeiro, e a fazer refinação em Portugal. Entretanto a ferrovia definhou completamente.

No princípio do século XX os pseudo-visionários norte-americanos imaginaram que o mundo futuro seria sedento de petróleo, sendo que não imaginavam que outras tecnologias poderiam competir com o petróleo. Fizeram incursões no Médio Oriente, em alguns dos seus estados e posteriormente em África. Dominam, juntamente com os Ingleses, toda a indústria petrolífera, desde a prospecção, a extracção, o transporte, a refinação e a venda ao público. Todas as outras tecnologias que ousam competir com o petróleo são abafadas, silenciadas ou quando se tornam demasiado ousadas, são aniquiladas pelos fervorosos arautos do tio Sam.

Mais uma vez redigo-o, a questão é liminarmente simples, se você dominar a indústria da água no deserto torna-se rico e poderoso, se dominar a indústria do oxigénio numa eventual colónia lunar, torna-se rico e poderoso, se dominar a indústria das vestimentas na Escandinávia, torna-se rico e poderoso, se dominar a indústria petrolífera no mundo moderno, torna-se rico e poderoso. E quando alguém atinge o apogeu no poder, usará todos os seus meios poderosos e maléficos para que não seja destituído desse poder. E é esta inércia que mantém o sistema controlado com as graves consequências nefastas para os cidadãos do mundo e para o planeta.

Os EUA, não ratificaram o protocolo de Quioto e são o segundo país mais poluidor do mundo, depois da China. A UE faz um esforço colossal para cumprir com a redução das emissões de CO2, com países como Portugal que em 2008 já tinha 23% da sua energia eléctrica produzida através de fontes renováveis; sendo que países como os EUA, em nome da competitividade da sua indústria poluem larga e imensamente o planeta Terra. E o petróleo toma aqui um papel fundamental neste paradigma maléfico. Só a título simbólico o carro presidencial dos EUA consome 30 litros a cada cem quilómetros.

Mas deixemo-nos de palavreado fútil e cinjamo-nos aos números dos preços da energia em Portugal e na União Europeia

O preço da energia em Portugal na UE


Vejamos por exemplo o preço da gasolina sem chumbo


Apesar do que se diz, infelizmente, Portugal não é dos países onde a gasolina sem chumbo é mais cara, apesar de estar no pelotão da frente, como o gráfico mostra.



No caso da electricidade, Portugal encontra-se a meio da tabela, mesmo apesar dos enormes esforços que a EDP tem feito para incentivar a pequena produção de energia através de fontes de energia renovável, pagando na compra aos pequenos produtores um preço maior em relação ao preço da venda.


No caso da carga fiscal em relação ao preço final na gasolina sem chumbo, vê-se claramente que Portugal também se encontra no meio da tabela, e não nos primeiros lugares como muitos cidadãos indignados arautos do petróleo querem fazer parecer.




E finalmente o gráfico mais emblemático da maléfica hegemonia do petróleo no nosso quotidiano. Cerca de 99% das fontes de energia no sector dos transportes são obtidas através de derivados do petróleo. Na produção de energia elétrica tal é cerca de 20%. O grande Satã denominado Estados Unidos da América tem aqui um papel maléfico e perverso na manutenção desta inércia nefasta para todos os cidadãos do mundo e para o planeta em geral.

As nefastas consequências da hegemonia do petróleo são toda uma série de patologias do foro respiratório nos cidadãos das metrópoles, as alterações climatéricas a nível mundial, o barulho ensurdecedor provocado pelos automóveis e as suas consequências para a saúde, a insegurança rodoviária e o número de vidas que ceifa anualmente, a destruição de florestas e da natureza para a construção de rodovias, a preterição do transporte público em prol do veículo particular e a dependência energética de países que não estão no círculo maléfico da OPEP ou no círculo maléfico que controla esses países, tal como o grande Satã denominado Estados Unidos da América.

A Europa tem que dar um sinal, o petróleo tem de ser encarado como um veneno para o globo e para a saúde dos europeus, como tal os derivados do petróleo teriam de ter uma carga fiscal substancialmente superior. A média do preço da gasolina na Europa deveria ser 10€/litro devido tão-somente a carga fiscal. Tal obrigar-nos-ia enquanto cidadãos europeus a apostar seriamente nos transportes públicos e na ferrovia, que no caso português à excepção dos eixos principais, está praticamente putrefacta.

Deixo a pergunta às elites europeias:
  • Até quando serão vassalas do grande Satã?
  • Até quando estará a Europa dependente de uma seiva negra maléfica que não produz e que só importa, trazendo graves consequências para a saúde dos cidadãos europeus?
  • Não terão as universidades europeias tecnologia suficiente para criar métodos novos, baratos e limpos de locomoção de veículos sem que estejamos dependentes dos proxenetas do petróleo?
  • Para quando prevêem as elites europeias que 100% dos carros a circular na Europa sejam somente zero emissões de CO2 e de outros poluentes?

Vade retro Satanás

Fonte de todos os dados: http://energy.eu/

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