As ciclovias no passeio e a Câmara de Municipal de Lisboa - Carta pública


Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. Fernando Medina
Exmos. Srs. responsáveis pelos espaços verdes e pela mobilidade
Exmos. Srs. Técnicos Inferiores, responsáveis pelo projeto municipal que envolve mais 150km de ciclovias

Consta, refere a mui credível comunicação social, que V. Exas. planeais construir mais cerca de 150 km de ciclovias pela capital do Quinto Império. Venho assim, através deste meio eletrónico, fazer um pedido a V. Exas.

Tenho plena consciência, que dirigir-me a V. Exas., é em muitas situações, sintaticamente em género e em número, similar a dirigir-me a uma qualquer mediana porta cá de casa. Todavia permiti-me a ousadia ao insistir no repto já por tantas vezes anteriormente dirigido a V. Exas., para que não construais, nem sequer projeteis ciclovias à cota do passeio, ou seja, sobre a zona pedonal. Faço este repto como ex-dirigente da MUBi - Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta, como pseudo-investigador na matéria e como lisbonês habitante na Holanda que só usa a bicicleta no dia-a-dia, ou seja, uso-a como modus movendi

Rogo por conseguinte a V. Exas., que se estiver na mente de algum Técnico da edilidade, projetar ciclovias sobre o espaço pedonal, ou seja, ciclovias à cota do passeio, para que os ditos técnicos, cujo título profissional denominativo indica que são superiores, atentem simplesmente para a beleza da mescla etimológica da Língua Portuguesa, e mais particularmente para o étimo de ciclo. Ciclo provém do Grego, kyklos, e significa tão-somente roda, aquilo que um peão por natureza da sua atividade enquanto caminhante não possui, a não ser, que V. Exas. estejais interessadas em oferendar a cada munícipe um par de patins. A palavra ciclovia é assim Bela, uma cópula linguística entre Cícero e Homero, o ciclo de Homero e a via de Cícero, uma mescla dos clássicos Grego e Latino, que a nossa literata língua tão sapientemente absorveu no vernáculo popular.

Se ciclo significa tão-somente roda, como nos aponta a magna língua de Sócrates, não o ex-presidiário 44, mas o Ateniense, convém que V. Exas. tão-simplesmente percebais, que deveis fazer ciclovias à da cota da rodovia.

Com os meus mais cordiais e saudosos cumprimentos

João Pimentel Ferreira

 
 
 
 
 
 

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