De Donald Trump e da Psicologia Evolutiva


As sondagens para as eleições presidenciais estadunidenses foram um fiasco, tal como foram todas as sondagens onde há um candidato de direita ou de extrema direita. Explicarei porquê. Quando perguntado à pessoa através do telefone qual o candidato onde irá votar, a mesma poderá ter receio em referir "voto em Trump", pois tal não "fica bem", é indecoroso e revela intolerância, principalmente para os denominados indecisos. Mas no momento do voto, considerando que o mesmo é totalmente secreto e sem censura social, o eleitor deixa-se dominar pelo medo primitivo, aquele que provém do sistema límbico, sistema esse que compõe a parte do cérebro evolutivamente mais antiga, e comum a todos os mamíferos.

Pois Donald Trump mexeu com os medos mais primários das massas, e no comportamento das massas reina sempre a psicologia evolutiva, que é extremamente poderosa no controlo do comportamento das massas, e que é e foi usada por todos os regimes e sistemas políticos, dos socialistas aos fascistas, passando pelas técnicas de marketing dos sistemas capitalistas. As minorias e os estrangeiros, os de raça e etnia diferentes, são aqueles que na imaginação primária do sistema límbico, copulam com as nossas fêmeas, roubam-nos os recursos e os alimentos e que nos ocupam o território, sendo por conseguinte uma grande ameça à sobrevivência da tribo e da comunidade. Esses sentimentos primários foram de facto vantajosos no Paleolítico. É-nos difícil retirar esses sentimentos do sistema límbico, a parte mais primitiva do cérebro, e cujas ligações neuronais são mais influentes para as atitudes mundanas, do que aquelas provenientes dos lóbulos frontais, a região cerebral que nos confere a lógica e a razão. De facto esses sentimentos racistas e xenófobos revelaram-se através da evolução, seleção natural e acima de tudo seleção de grupo, positivos para a preservação da tribo e da etnia. A verdade é que é através da evolução e da seleção de grupo, e não da seleção natural, que os sentimentos xenófobos e racistas provêm. E é da seleção de grupo e não da seleção natural, pois o meio envolvente, ou seja, a natureza, não foi o fator seletivo mais relevante, tal como nos aponta o darwinismo clássico, tendo o fator seletivo relevante sido todavia a preservação do grupo ou da comunidade contra uma ameaça exógena da mesma espécie, mas de etnia ou raça diferentes.

Resta-nos enquanto homens e mulheres civilizados usar os lóbulos frontais e perceber o quão anacrónico é, enquanto seres humanos pertencentes a uma sociedade altamente sofisticada do ponto de vista tecnológico e de relações sociais, deixarmo-nos conduzir por esses instintos primários. Rogo para que leia este texto que escrevi há tempos, onde explico porque razão estes sentimentos primários que no Paleolítico foram extremamente úteis, se tornaram na contemporaneidade, anacrónicos e mesmo perigosos. E no seguimento desse texto, o mesmo pode ser generalizado à xenofobia e racismo. É muito mais periogoso para a espécie e para o grupo, na medida que são fatores que tomam proporções epidémicas ou catastróficas, as alterações climáticas, a poluição do ar e dos recursos naturais, o sedentarismo e respetiva obesidade da sociedade, a sinistralidade rodoviária ou a má alimentação; do que quaisquer imigrantes ou minorias ou atos perpetrados por estes. Mas no Paleolítico nenhum destes problemas se colocava, o Homem não influenciava o clima, não poluia o ar nem os recursos e era caçador-recoletor. Resta-nos assim enquanto cidadãos conscientes, tomar posições racionais e não nos deixarmos nunca condicionar pelo medo.

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