Oferta de Emprego - Agiotas precisam-se para impingir cartões de crédito! - Leitura Bíblica


Recebi recentemente na minha caixa postal eletrónica uma oferta de emprego, de uma empresa de recursos humanos para a qual trabalhei em tempos no aeroporto de Lisboa, da qual não tenho quaisquer razões de queixa, devido ao seu elevado profissionalismo e à sua honestidade. No entanto recebi hoje mesmo esta indecente e herética proposta de emprego:
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Promotor Comercial Banca
Local:
Lisboa (Centro e Cascais)
Categoria:
Promotor Comercial da Banca (Stands)
Empresa:
Adecco Recursos Humanos, selecciona para empresa sua cliente na área da Banca, Promotor Comercial da Banca (Stands):

Requisitos:
Os Candidatos deverão reunir os seguintes requisitos:
- Escolaridade Mínima: 12º Ano;
- Conhecimentos de Inglês
- Excelente apresentação;
- Bom poder de comunicação;
- Bom poder de negociação e argumentação;
- Capacidade de análise;
- Postura pró-activa e dinâmica;
- Disponibilidade imediata.

Este Profissional terá como principais responsabilidades:
- Promoção e venda de Produtos Bancários e divulgação de Cartões de Crédito.
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Eu respondi diretamente à técnica de recursos humanos, referindo que preferia trabalhar num bordel, como porteiro, ou como massagista numa dessas casas menos próprias, do que ir impingir cartões de crédito à população. Sim meus caros, falo-vos dos Barclays Card e dos City Bank. Portugal é regido pelos credores, os portugueses estão afogados em dívidas, desde a dívida da casa até à dívida do carro, que ainda vão tendo taxas de juro aceitáveis, e estas financeiras, ainda querem que eu vá impingir cartões de crédito aos incautos, com taxas de juro completamente agiotas. Disse frontalmente à gestora dos recursos humanos, que ganhar dinheiro a levar no cu, ser carteirista no metro de Lisboa, ser arrumador de carros no Colombo ou mesmo pedir à porta de uma igreja aos domingos de manhã, são tudo formas mais dignas e honradas de ganhar a vida, do que andar e ludibriar os inocentes e os incautos com créditos usurários.

A troica é quem manda por cá, a dívida do país é patológica, os portugueses estão afogados em empréstimos que não conseguem pagar, desde a compra da varinha mágica a prestações, até ao carro que nos dá o falso conforto e comodismo, e ainda ousam fazer-me propostas indecentes, para que eu ande a gastar o meu latim e a minha retórica enfiando no ânus dos desprotegidos dinheiro fácil, que depois teria de ser pago com juros bem altos. Se ainda fosse dinheiro usado para investimentos produtivos, como formar uma empresa, abrir um pequeno negócio, que é salutar e de louvar, mas não; este tipo de cartões de crédito visa tão-somente o consumo, ou seja queimar dinheiro em frivolidades importadas que o país não produz, e deixar o cliente completamente afogado em dívidas.

Sois cristão? Se não sois, ficai sabendo que eu sou, e rejo-me pela Bíblia. Ora então atentai a estas passagens do Livro Sagrado:

E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; Mateus 21:12


Quando Jesus entra em Jerusalém e se dirige ao templo, depara-se com uma espécie de agentes do
city bank do seu tempo. O templo de Jerusalém, tinha uma moeda própria, pois a moeda do imperador romano, que circulava fora do templo era considerada idolatra e profana pois tinha o rosto do regente romano. Dentro do templo, havia uma moeda própria, ou seja, sagrada para os hebreus. O que os cambistas faziam, era exatamente, trocar moeda profana, por moeda sagrada, para que os fieis pudessem comprar os animais para os sacrifícios e comprar também os objetos de culto. Ora, assim como hoje os bancos praticam taxas de câmbio diferentes entre as mesmas moedas, consoante o sentido em que se faz a conversão, de forma a que fiquem sempre a ganhar com as transações, também naquele tempo os cambistas ganham exatamente no câmbio entre a moeda sagrada e a moeda idolatra, e vice-versa. Jesus, enfurecido com esta prática cambial, que deixava sempre os crentes a perder, assim como talvez também enfurecido com o negócio que se gerava com o sagrado, tal como hoje acontece com as prendas do Natal ou com os santos que se vendem nos arredores do santuário de Fátima, derrubou todas as tendas dos cambistas e dos que vendiam animais para os sacrifícios.

E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas. Marcos 11:15

Neste seguimento lógico e filosófico, se Jesus regressasse à Terra e viesse até Portugal, e me visse a mim, seu devoto, cristão crente, numa banca do city bank ou do barclays card a impingir cartões de crédito aos incautos e aos pobres desgraçados que estão enterrados em dívidas, convencendo-lhes que ao adquirirem este cartão com taxas de juro de mais de 20%, iriam resolver os seus problemas; Jesus ao ver-me engravatado, com discursos falaciosos e ardilosos, não faria mais nada a não ser derribar a banca onde eu trabalhasse, seja ela no centro Vasco da Gama ou no Colombo.

Faço um apelo: Se sois bom cristão, derribai também vós as bancas dos agiotas que impingem cartões de crédito com taxas de juro usurárias aos incautos. Se o fizerdes, só podeis ser bom cristão e bom devoto do Senhor. E o que mais me deixa exacerbado, é ver pessoas que se dizem católicas devotas que se confessam na missa, serem mais avarentas e somíticas, que qualquer cambiador do templo. Assim como se fordes bom cidadão deveis ignorar por completo o que dizem certos políticos e comentadores medíocres e vos deveis cingir pela Constituição da República em primeiro lugar; se fordes bom cristão, devereis ignorar o que dizem certos pseudo-católicos e deveis-vos cingir unicamente pelo que esté escrito nos Livros.

E ser bom cristão e vender cartões de crédito em bancas de centro comercial, é um paradoxo teológico crasso.

Poema ao 25 de Abril de 1974










Escrevo-vos no 25 de Abril
no ano do Senhor de 2012
A Revolução dos Cravos, foi a morfose
que nos libertou do redil

Mas há muitas estórias por contar
Os revoltosos, que se instalaram
Houveram bons tachos para dar
E a economia definharam

Os sindicalistas são neoburgueses
que só idolatram o Capital
E para os comunistas portugueses
O salário é o fundamental

3000 ganham os maquinistas,
os médicos, o equivalente
Os pilotos são os chupistas
que só dinheiro veem de frente

E dos mais bem pagos do mundo
diz o Relatório, são os professores
E gritam enraivecidos: “Somos doutores
que nos colocam no Portugal profundo”

“Não queremos ser avaliados
nas 22 horas que trabalhamos
somos neo-deuses consagrados
com a missão de ensinar os mundanos!”

E a Polícia: “Ai que desgraça,
Não temos meios, ganhamos mal!”
Com o secundário, e somente praça
ganha mais que meio Portugal

E as nossas magnas forças armadas
que combatem ferozmente o invasor
sem sair do quartel, pois estão cansadas
e não no verão, pois faz calor

"Sou funcionária pública
Trabalho muito, ganho mal"
"No orçamento, pagar-lhe é a maior rúbrica
e pobre, é Portugal"

Até Cavaco, diz que ganha mal
Qualquer dia, nem lhe dá para o pão
Concedam ao Presidente de Portugal
O Rendimento Social de Inserção

Os credores batem-nos à porta
Pum, Pum, Pum; vem aí o saque!
“Portugueses, a dívida não é letra morta
ou quereis, o cobrador do fraque?”

O sindicalista é um burguês
só o sacia, o Capital
a mesma massa que o fez,
fez o neoliberal

“Mais salários. Mais direitos!
Lutemos camaradas! Avante!”
"Mas trabalhar, não nos dá jeito
E não há emprego que nos encante"

“Portugueses! Haverá ainda esperanças?
Falo-vos de Santa Comba Dão
Gastastes o oiro das poupanças
e agora à troica, esticais a mão”

“Portugueses, tanta autoestrada fútil
O dinheiro andastes a gastar
Em obra socretina inútil
quem vos fala é Salazar”

Abril é Liberdade
É a Primavera popular
É evocar a expressividade
num país com Sol, Fado e Mar

Evoquemos o 25 de Abril
Esta efeméride nacional
que nos libertou do redil
para cumprir Portugal

Crescei Portugal! Avante!
É Hora da União
Nesta causa, que doravante
exaltar-vos-á o coração

Abençoadas gentes e esta terra
Foi Maria, quem vos pariu
Pois já ninguém mais cerra
As Portas que Abril abriu

Meu povo, mereceis a merda que tendes!


Que dizer deste povo? É vê-los nas manifestações a gritarem por mais salários e mais direitos, é vê-los a fazerem greves constantemente, é vê-los dizerem que somos governados por corruptos, é ver os milhares de jovens encherem as ruas em protesto porque são quinhentoseuristas, é ver os estudantes aos berros dizerem "não pagamos" às propinas, é ver os polícias em protesto porque, coitadinhos, ganham pouco; é ver os nossos medíocres professores (comparativamente, dos mais bem pagos do mundo) aos berros porque ganham pouco e é ver os incompetentes funcionários públicos dizerem ao governo "eu quero aumento, porque eu quero, porque eu mereço". 

Um velho ditado deste mesmo povo diz que "cada um tem aquilo que merece"; pois então meu povo, mereceis a merda que tendes:

E não me venham os energúmenos do PC e do BE dizerem que a culpa é do governo e dos patrões.

Quando agora mesmo há pouco vim do café, e todo este meu povo gritou euforicamente porque um madeirense marcou um golo, e quando este mesmo povo meu dentro do mesmo café, vibrou e delirou alegremente com a vitória de um clube qualquer de Madrid, só porque tem por lá um madeirense famoso e um mercenário de Setúbal, que ganham 13 milhões e 10 milhões de euros por ano respetivamente (3387 ordenados mínimos em PT), e que contribuem com ZERO para as finanças públicas e para a riqueza de Portugal, pois meu povo, tendes mesmo a merda que mereceis.

Conhecem o síndroma daquelas mulheres que passam a vida a queixarem-se que só arranjam homens de merda que as tratam mal, mas quando um homem inteligente, bondoso e cordato lhes aparece na vida, elas até o desprezam e ignoram completamente, porque ele não tem o je ne sais quoi?

Quando um povo idolatra aqueles que só lhe dão circo,
nada pode mais esperar que tão-somente a miséria.


Viva Portugal!!!

Suporte de parede para prender bicicletas


Quero apenas referir que sou ciclista assíduo, e que orgulho-me em não ter carro. Não uso somente a bicicleta em ocasiões solenes ou em passeios dominicais, pelo contrário, faço deste meio de transporte o meu modus mobili.

Um dos problemas com que me deparava era precisamente, arranjar sítio para guardá-la em casa, ou mesmo na garagem. Informei-me em listas de ciclistas e na Internet e o que econtrava normalmente eram sítios ingleses e estangeiros que vendiam os ditos suportes, a preços que considerava demasiado caros (cerca de 50 libras+transporte+instalação indo ficar tudo por certo perto dos 100€).

Decidi então procurar nos pequenos artesãos nacionais, aqueles que não têm sítios na Internet para venda dos seus produtos, mas que no entanto fazem um excelente trabalho. Assim sendo, encontrei aqui pela zona de Lisboa a oficina do Sr. Aleixo, e não ganho nenhum extra em publicitá-la, e o serviço ficou feito de forma impecável

Pedi um suporte de parede para prender a bicicleta, feito à medida e o Sr. Aleixo instalou-me um suporte em aço inox (não enferruja) para prender bicicletas à parede, com instalação incluída (buchas, parafusos e ainda uma cola especial para ficar bem agarrado à parede). O Sr. Aleixo faz à medida e coloca onde quiserem (no meu caso foi na garagem)

Seguem as fotos:






O nome do artesão é Sr. Aleixo e a sua oficina é na zona de Lisboa. Trabalha muito bem e o preço que me praticou foi bem menor em relação aos ditos 100€ que teria de pagar se tivesse comprado pelo dito sítio inglês. O contacto do Sr. Aleixo é 914815611

Pode ser colocado numa garagem, em frente a um estabelecimento comercial ou mesmo numa zona comum de uma empresa. Agora, sinto-me muito mais seguro ao guardar a bicicleta, e não tenho de a trazer para dentro de uma arrecadação ou dentro de casa.

E quem combate a ciclofobia?


Livro de reclamações preenchido
Ontem, um dia comum do Senhor de 2012, decidi ir ao LIDL às compras. Confesso que me apraz bastante esta empresa multinacional alemã de distribuição alimentar, pela qualidade dos seus produtos, pela simpatia dos seus funcionários, e por um preço extremamente acessível dos seus produtos de qualidade. De referir ainda que o LIDL tem apenas os produtos alimentares essenciais a uma vida saudável, ao contrário de outras cadeias que impelem o cliente ao consumo intensivo e abusivo de futilidades e de produtos que não precisamos. Neste sentido quero referir que considero o LIDL (apesar de ser uma empresa não nacional) uma empresa de excelência.

No entanto há algo que me revoltou intensamente. Chego eu ao LIDL de Cabo Ruivo, e deparo-me com um parque de estacionamento para cerca de 150 automóveis, com uma área aproximada de 1 hectare (quadrado de 100 metros por 100 metros). E quando chego eu na minha bicicleta, como cliente assíduo do LIDL, deparo-me com um parque de estacionamento gigantesco, ocupado aproximadamente só em 20%, onde nem sequer se reservou um único espaço diminuto de 10 m^2 para o estacionamento de bicicletas. Bastaria ter prescindido de dois lugares de automóveis, num universo de 150, para dar lugar ao estacionamento de bicicletas. E disse-me a funcionária que eu não era o único a ter esse problema e que os outros ciclistas tinham que improvisar e inventar sítios para prenderem as suas bicicletas, como postes de anúncios publicitários, ferros de suporte ao sistema que recolhe os carrinhos de compra, etc.

Rogo a todas entidades: acabemos com a ciclofobia! Se todas as minorias são e devem ser respeitadas – eu tenho consciência que pelo facto de não ter carro e me deslocar somente de bicicleta, e por vezes de transportes públicos sou uma minoria – porque razão as pequenas peculiaridades que facilitam a vida aos ciclistas não são projetadas? Estamos a falar de coisas tão simples e tão baratas que fazem toda a diferença, como sendo um simples ferro preso a uma parede para se prender uma bicicleta. Por exemplo, congratulo o centro comercial Vasco da Gama por ter contemplado um parque para bicicletas à entrada do centro, e que por norma está quase sempre ocupado.

Se diversas entidades são obrigadas a colocar elevadores extremamente dispendiosos em escadas para pessoas de cadeira de rodas (acho muito bem) para lhes facilitar os acessos e o quotidiano; se todas as estações de metro têm de ter elevadores para facilitar o acesso às pessoas com mobilidade reduzida e a invisuais (acho muito bem); se todos os elevadores já vêm com os botões com caracteres em Braile para facilitar a vida aos invisuais (acho muito bem); se diversos telejornais da televisão, assim como outros eventos televisivos, já dispõem da informação em linguagem gestual (acho muito bem) para facilitar a vida às pessoas com problemas auditivos; se as pessoas do mesmo sexo já podem contrair matrimónio; se as contribuições pecuniárias para minorias religiosas já podem ser deduzidas no IRS; por que é que a única minoria ostracizada continua a ser a classe dos ciclistas?

Descontente com o panorama que vislumbrava no parque de estacionamento do LIDL, pedi o livro de reclamações, ficando assim esperançado que de futuro, prescindam no seu enorme parque de estacionamento com um hectare para 150 carros, de uns míseros dois lugares de estacionamento para os ciclistas poderem estacionar as suas bicicletas.

E por que é que o LIDL, uma multinacional alemã de distribuição alimentar, cujo país da sede respeita a bicicleta e onde é um meio de transporte comum e bastante usado, quando chega a Portugal não dedica uns míseros 10 metros quadrados para um baratíssimo parque para bicicletas? Devido a este facto, pedi o livro de reclamações, cuja cópia anexo. Faço um repto a todos os ciclistas que façam o mesmo, obviamente com bom senso e moderação, pois o livro de reclamações ainda poderá ser um meio útil para pressionar as grandes cadeias e as grandes empresas a respeitar os ciclistas.

Porque sou favorável ao Acordo Ortográfico de 1990


Opina hoje no Diário de Notícias, matutino que leio com alguma regularidade, o padre e professor universitário Anselmo Borges, onde refere que o Acordo Ortográfico (AO) é inútil e prejudicial. Considero no entanto, que o dito acordo é salutar para a harmonização da lusofonia, para tornar a língua portuguesa mais coerente a nível internacional e para que haja (mais importante ainda no meu entender) uma harmonização da língua portuguesa no espaço cibernético, que está em crescendo, essencialmente entre o atual português brasileiro e o português europeu. Nesse sentido considero o AO fundamental e essencial para a alavancagem da língua portuguesa a nível internacional. De referir que considero que o Prof. e Padre Anselmo Borges, é dos comentadores que mais aprecio ler no DN, um homem com o raciocínio límpido, que me oferenda diversos significados etimológicos dos grandes verbetes da língua e que me transmite os valores dos grandes pensadores da história universal. Todavia, discordo com o conteúdo do seu comentário de hoje ao referir que o AO é inútil e prejudicial.

Já demonstrei porque é que o AO é muito útil: uniformiza a sétima língua mais falada no mundo. Nem o Espanhol, nem o Francês, nem o Italiano, nem o Árabe, nem as outras grandes línguas têm diferenças ortográficas como tínhamos até então na língua portuguesa antes do AO. O caso muito evocado pelos contestatários, do Inglês americano e do Inglês europeu é diferente, pois as diferenças entre estas grafias, são menores (palavras como labor e labour, entre outras) e no caso da língua Inglesa, não existe uma autoridade que define como se devem grafar as palavras, como as Academia de Letras, sendo as autoridades do mundo anglo-saxónica muito mais liberais.

Segundo opina também o padre Anselmo Borges, o acordo é prejudicial pois instiga os falantes a escreverem as palavras de forma incorreta. Creio que mais uma vez, tal é completamente falso. O que faz um falante escrever corretamente é a leitura assídua de jornais e livros com uma grafia coerente e simples; e antes do AO, se não nos tivessem ensinado que na palavra 'actual' havia um 'c' antes da consoante 't', nunca o saberíamos ao ouvir a palavra. Todas as alterações do AO vão no sentido da simplificação, sendo que os contestatários evocam normalmente uma ortodoxia medieval da grafia da língua. De referir ainda que as grandes diferenças ortográficas que existiam antes do AO, deviam-se à reforma ortográfica unilateral que Portugal fez em 1911, após a república.

Deixo-vos aqui alguns dados interessantes:
  • quem está contra o AO diz que nos afastaremos das outras línguas latinas; mas tal é um mito urbano; contraexemplos: francês objet e castelhano objeto, escrito já sem ‘c’ e antes do AO em PT escrevia-se com ‘c’ | francês projet e castelhano proyecto | italiano oggetto e progetto, escrito já sem ‘c’ e antes do AO em PT escrevia-se com ‘c’ | português vitória, que antes do AO já se escrevia sem 'c', e francês victoire, castelhano victoria, e italiano vittoria 
  • um outro falso mito urbano é dizer que o ‘c’ e o ‘p’ antes da consoante abria as vogais como em “acto”; contraexemplos: vogal aberta: corar, padeiro, oblação, pregar; abrimos a vogal e não existe nenhum ‘c’ nem nenhum ‘p’ | actual, actualidade, exactidão, tactear; antes do AO, colocávamos o ‘c’ e nunca abríamos a vogal 
  • outro falso mito urbano é dizer que no AO vão haver incongruências entre palavras da mesma família como Egito e Egípcio, Apocalipse e Apocalítico; contraexemplos: antes do AO já se escrevia: assunção e assumptivo, cativo e captor e captura, dicionário e dicção, noturno e noctívago
O AO não é incongruente e está muito bem estruturado. Existem naturalmente algumas duplas grafias, para que se mantenha coerente com as pronúncias mais vincadas entre os diversos falantes da língua portuguesa, no entanto a partir do AO só existe UMA ortografia para todos os países lusófonos; ou seja escrever 'facto' ou 'fato' está correto no Brasil ou em Portugal.

Normalmente quem está contra o AO, não querendo obviamente macular ninguém, considera que o AO vai-nos por todos em Portugal a falar e a escrever como os Brasileiros, esses povos inferiores das novelas e do samba. Todas as alterações do AO vão no sentido de uma harmonização da língua no espaço lusófono e vão todas no sentido da simplificação.

De referir ainda que as diferenças introduzidas em Portugal são apenas 1,6% do vocabulário. Mas meus caros, a grande ameaça da língua portuguesa não vem do Brasil, vem apenas sim do mundo anglo-saxónico. Qual a percentagem de música em Inglês, que passa nas grandes rádios em Portugal? Qual a língua da música que se ouve, nos grandes clubes e nas discotecas das cidades do país? Qual a nacionalidade e a língua da maior parte dos filmes que se veem na televisão e no cinema? E todos aqueles engravatados que em Lisboa e no Porto, trabalham nas grandes empresas do sector financeiro e de consultadoria, que adoram propalar anglicismos, cuja grafia e fonética são completamente incompatíveis com a grafia lusa. Por certo que já todos ouviram alguém a vos pedir feedback. Eu prefiro a palavra 'retorno', pois por norma não gosto de "alimentar por trás" ninguém.

Concluo apenas, referindo que o AO vai tornar a nossa língua mais robusta contra estes ataques exógenos, pois seremos todos os falantes da língua portuguesa, a defender um património cultural comum e uma língua com uma grafia comum. Por todos estes factos, eu só posso estar favorável ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa em dezembro de 1990.

Caixa Directa Online mudou para pior (mais publicidade)


Eu enquanto cliente da Caixa Geral de Depósitos, sou ferveroso adepto dos seus serviços em-linha (a que a plebe aduladora da cultura estrangeira e a própria empresa denomina por online). Todos os serviços em-linha dos bancos e das grandes empresas têm uma série de benefícios, entre os quais a poupança de papel o que significa menos umas árvores abatidas nas florestas. Claro que este é o factor que menos interessa às grandes empresas e aos grandes bancos, pois com as faturas eletrónicas e com os serviços em-linha que os bancos providenciam, poupam em correio, em material (papel, impressões, envelopes) e poupam em recursos humanos. No entanto o princípio que evocam para nos sensibilizar como clientes é sempre o factor ambiental e da comodidade.

Confesso que o princípio dos serviços em-linha não me desagrada de todo, até porque a disseminação do mundo eletrónico e a banalização do correio-e (a que a plebe denomina por email) torna estes métodos muito mais cómodos e rápidos. Aderi e todos eles, nos meus fornecedores de serviços (água, gás, eletricidade, inter-rede) e também no banco.

O que eu já não posso tolerar de todo, mas não tolero mesmo, é que além de ter facilidado a vida à empresa com a adesão aos serviços em-linha, estas empresas continuam muitas vezes a bombardear-nos com publicidade não desejada, quer no navegador, quer na caixa de correio-e. Eu optei, por questões filosóficas e pessoais, por não ter televisão, pois consumo muito menos publicidade, e fico muito menos propenso ou impelido a comprar futilidades de que não preciso e nem quero; mas tal não quer dizer que seja um indigente, um analfabeto ou alguém completamente alheado do mundo que me rodeia. Leio jornais, vejo as notícias pela inter-rede, e por aí. O que mais repudio é a publicidade, pois a publicidade dá o altar e o pódio a quem tem dinheiro, e não a quem tem o mérito.

A CGD (Caixa Geral de Depósitos) recentemente alterou o seu acesso aos seus serviços em-linha, que até então estavam desprovidos de publicidade, sendo que o utilizador era diretamente reencaminhado para a página de acesso. A partir de agora, para acedermos à Caixa Directa online somos reencaminhados para o sítio principal www.cgd.pt onde temos que mamar, passo o plebeísmo, com a nefasta publicidade do banco e dos seus respetivos produtos (PAP e diversos produtos com atores engravatados dos quais não sei o nome)

Assim sendo, enquanto cliente, manifestei o meu total repúdio aos serviços do banco, missiva que coloco de seguida.

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Exmo. Senhores

Venho por este meio manifestar o meu total repúdio pela nova (desde há algum tempo) forma inicial com que a Caixa Directa on-line se apresenta ao cliente.

Nós, enquanto clientes, e por comodidade, facilitamo-vos a vida a vós e melhoramos os resultados do banco, ao aderirmos aos serviços online.

Gostaria que a CGD mantivesse um sinal de reciprocidade. 

Desagrada-me bastante, a publicidade inicial do sítio www.cgd.pt. 
Rogo-vos que não me obriguem, enquanto vosso cliente, a consumir a vossa publicidade quando acedo ao serviço Caixa Directa on-line

Deem-me por favor um URL direto para a Caixa Directa online, sem passar pela publicidade do sítio www.cgd.pt

Muito obrigado e melhores cumprimentos

João Pimentel Ferreira