Plano de Urbanização de Alcântara


A Câmara Municipal de Lisboa, após vários anos de domínio automóvel nesta nobre área da cidade, finalmente concluiu que a capital do país, principalmente a sua zona ribeirinha, deverá estar alocada para as pessoas e não sujeita às necessidades das máquinas metálicas motorizadas de uma tonelada. Congratulo a edilidade pelo projeto do Plano de Urbanização de Alcântara, e mais precisamente pelo último parecer que vetou um empreendimento hospitalar, devido ao excesso de tráfego que tal acarretaria. 

Av. 24 de Julho / Av. da Índia (mapas do Google)
14 vias para o automóvel

Av. 24 de Julho / Av. da Índia (JOS/Público)
Um espaço desumano dominado por infraestruturas rodoviárias

Das garagens e parques subterrâneos e dos seus enormes custos para saciar o automóvel


Foto de Thomas Ledl, wikimedia
Uma das matérias que não é praticamente debatida em Portugal de forma séria, é o facto de o país alocar enormes recursos financeiros para a construção e manutenção de garagens comuns, em espaços habitacionais, institucionais ou comerciais, para satisfazer o automóvel, mais especificamente o espaço que ele ocupa através do estacionamento. Além disso, várias empresas incorrem em enormes custos com as garagens que não o imputam de forma direta nos salários dos funcionários que as usufruem. Vários bairros sociais, apesar de terem habitações com uma péssima qualidade e sem infraestruturas sociais, são quase todos dotados com garagem. Várias autarquias através dos Planos Diretores Municipais obrigam que os prédios tenham garagem, em vários casos mais de um lugar por fração, mesmo que o empreendimento seja a custos controlados ou seja um bairro social. Em acréscimo a Lei encara o lugar de garagem como uma parcela inalienável da fração, comparando-o a uma cozinha ou uma casa-de-banho.

O espaço nos meios urbanos é uma ativo importante e oneroso, mesmo que esse espaço esteja alinhado verticalmente. Quando compramos um apartamento, não pagamos apenas os equipamentos, os trabalhadores que o fizeram ou as infraestruturas, nesse valor está uma quota parte referente ao custo do terreno, ou seja: espaço. Mas mais importante que isso, é que quando um promotor imobiliário opta por construir uma garagem num prédio habitacional ou comercial, sendo que em diversas situações os respetivos PDMs assim o obrigam, está a incorrer em enormes custos de construção e posteriormente de manutenção para os habitantes desse espaço.

O custo da infraestrutura ronda vinte mil euros por lugar

Inquiri em tempos um construtor civil, que me referiu grosso modo, que a construção de uma garagem encarece em pelo menos 20% o preço da obra, sendo que esse valor naturalmente se repercute no preço da fração do prédio. Não sou engenheiro civil nem nunca fiz parte de projetos de obra, mas não será difícil perceber que uma garagem acarreta elevados custos. Tive também a ajuda preciosa do meu amigo Luís Miguel, que me forneceu informação bastante relevante para a manutenção das garagens.

Será necessário construir muralhas de contenção de terras, fazer por vezes ancoragens nas mesmas, fazer enormes trabalhos de remoção de terras, construir mais lajes, fazer pilares mais longos e resistentes pois a carga total é superior, gastar mais em materiais como ferro, betão, esteiras, cablagens, condutas, canalizações ou tintas especiais, caixas de elevadores mais extensas, mais escadarias e mais portas.

Dos táxis, taxímetros, ambiente e segurança rodoviária


Foto de Marilyne Marques, para o Público
Como não tenho automóvel particular, desloco-me frequentemente de táxi, pois considero que é um meio de transporte versátil e apesar de tudo, tem um preço por km suportável para quem poupa cerca de 400 euros por mês por não ter automóvel próprio.

Custo por km

Os táxis em Lisboa têm um custo total ao utente, que rondará entre 1 a 1,5 euros por km. Poderá parecer um valor elevado se considerarmos que um automóvel a gasóleo tem um custo de aproximadamente em média 0,08 euros por km e um a gasolina cerca de 0,12 euros por km. No entanto, as despesas dos automóveis não se resumem a combustível, tendo ainda mais onze itens, mais especificamente o seguro, as revisões, as reparações, o possível crédito automóvel, a desvalorização do veículo, as lavagens, as eventuais multas, o IUC, as portagens e o parqueamento. Ora, este custo total por km ultrapassa muitas vezes os tais 1,5 euros por km, significando que existe uma parcela de automobilistas para os quais, seria mais rentável simplesmente vender o carro e deslocar-se de táxi para todo o lado.

Serviço público

Os táxis além de serem versáteis, no meu entender prestam um serviço público, pois não deixam de ser transportes públicos individuais em oposição aos transportes públicos coletivos. Têm a vantagem de deixar o utente no destino, com motorista particular, podendo o utente dedicar-se a outras tarefas que não a condução, e além disso – muito importante em meios urbanos – não ocupam espaço à chegada, como um automóvel particular que naturalmente buscará um lugar de estacionamento. Apesar da elevada taxa de motorização do país, há muitas pessoas que não têm carta de condução ou não têm automóvel, sendo assim o táxi uma peça fundamental de mobilidade. Além disso, muitas dessas pessoas não têm acesso a sistemas omnipresentes e eficazes de transportes coletivos de passageiros.

O caso do interior do país é paradigmático pois falamos muitas vezes de zonas rurais e de populações envelhecidas, onde por questões de escala não justifica existirem sistema de transportes coletivos de passageiros. Os táxis, prestam assim no meu entender, um serviço público às comunidades e ao sistema de transportes em geral.