Olho entesudo


Os olhos com que te olhava
são os olhos com que chorava
minha carnuda fêmea vadia
És a gaja que eu comia
com delicadeza e alegria
És a nórdica e a judia

Os braços que te abraçavam
são os braços que te apertavam
minha cachopa mamalhuda
verborreica, fadista muda
aperto-te com tesão
enquanto escrevo com a destra mão

Os olhos com que te via
são as mãos com que escrevia
minha carnuda fêmea vadia
que castra o poeta viril
da razão e do ardil
és a fêmea que imbuía
em leite que jorra da fonte
sou quem ladra, és quem mia
és quem escreve o horizonte
nas coxas de uma judia
que em delírio, vejo defronte

Sou judeu? Não
Sou somente a besta
Sou somente o cão
que fura a sacra fresta
Hiperbóreo? Não!
Sou somente o boi
com juba de leão
e que em tempos foi
um granda cabrão

Sou vadio? Sou!
Fui quem arrancou
quem me provocou
e quem me instigou
a não ser quem sou
Podeis fazê-lo? Não
Pois o meu nome é Poeta
que fura a sacra greta
enquanto espeta a caneta


Nas coxas de uma judia
há uma bala penetrante
visitou-a o caminhante
que o Amor não entendia
E o seu trato feria
o seu percurso errante
era apenas mau amante
que qualquer fêmea queria
Sarava as dores do Cristão
que galou a samaritana
vingava-o com quem não ama
com fel ungido no coração

A Palavra e a Tesão
vivem nesta simbiose
o Poeta é a morfose
do Vero coração
Mexe-me com a tua mão
a minha pena dorsal
sexo oral e anal?
Não! Dedico-me à religião

Ora comigo este verso
que de sémen está imerso
Ora comigo este texto
e façamos do pretexto
o bisturi dos sentidos
o berbequim da razão
especulativo, não mação
amante dos inimigos
Canta comigo este verso
companheira que te amo
Combatamos o tirano
o infanticida
o sicrano e o fulano
o criador da SIDA
aquele que cravou a ferida
na sacra humanidade
que renega a cristandade
que apregoa
a homossexualidade
como a dádiva da liberdade
aquele que comanda os mercados
o líder dos aliados
que de sangue está imerso
e que combato com este verso

Aónio Eliphis, Xangai 32/2/2030

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