Fado: Cheira mal, cheira a Lisboa!



Foto de António Pedro Ferreira
Vindo eu da Holanda onde a qualidade do ar é uma exigência popular, tendo chegado a Lisboa a primeira sensação olfativa que senti foi o cheiro a "civilização", de hidrocarbonetos e combustível queimado. E a Holanda tem 16 milhões de habitantes numa área igual à do Alentejo.

Assim dedico este fadinho à cidade de Lisboa e aos 500 mil veículos que a violam diariamente, estando a letra perfeitamente adaptável à música do famoso fado cantado pela diva Amália Rodrigues "cheira bem, cheira a Lisboa"

Cheira mal, cheira a Lisboa

Lisboa já tem Sol, mas cheira a escape
de uma noite de fumaça e bebedeira
e o turista mais atento que a retrate
descreve sempre a espessa fumaceira

Lisboa cheira a hidrocarbonetos
dos fiéis seguidores do ACP
cheira a gasóleo e a dejectos
A Lisboa do craveiro ninguém vê!

(refrão)
A segunda circular ocupada
cheira mal, cheira a Lisboa
A Avenida toda enfumada
cheira mal, cheira a Lisboa
o popó que se usa à toa
o motoqueiro é sempre a rasgar
cheiram mal porque são de Lisboa
Lisboa tem cheiros de escapes no ar

Lisboa tem o cheiro de um curral
a varina já não se anda a lavar
O Saldanha e o Marquês cheiram mal
Há 10 anos que se andam a bufar

Lisboa cheira sempre a gasolina
queimada por motor de combustão
intoxica o puto e a varina
tal é a imensa poluição

(refrão)

Preço médio dos combustíveis líquidos em função do ganho médio, em Portugal


Apresenta-se de seguida a média de preços dos combustíveis mais comuns em Portugal, em função do ganho médio de um trabalhador. Estes dados foram obtidos através do PORDATA. Constata-se que apesar de os preços dos combustíveis terem crescido muito nos últimos anos em Portugal, desde meados de 1980, o ganho médio de um trabalhador comum acompanhou sempre esse crescimento na mesma ordem de grandeza, não se tendo alterado significativamente desde meados dos anos 1990. 

Aliás, nota-se que nos 10 anos entre 1985 e 1995, na realidade a carga financeira para as famílias que os combustíveis representam baixou drasticamente. Presumo pelos dados e perdõem-me o coloquialismo, que a indústria do sector seja, como diz o povo manhosa. Se porventura o preço dos combustíveis subisse a um valor algo incomportável para as famílias, tal incentivaria uma procura mais acentuada de alternativas de mobilidade, e consequentemente a dependência dos combustíveis líquidos seria reduzida. Se por outro lado, o preço estivesse muito baixo, o lucro seria inferior ao esperado, que nos últimos anos tem sido na ordem dos vários milhões. O que é feito então, tal como faz a OPEP quando debita petróleo para o mercado de uma forma especulativa e criteriosa, é um controlo analítico e minucioso, entre a procura e a oferta, para que o preço dos combustíveis esteja sempre naquele equilíbrio (ponto estável em controlo) para que nem se incentivem grandes mudanças no paradigma da mobilidade, nem hajam perdas acentuadas de lucros para as empresas do sector.

A comparação é muito simples. Se houver um único traficante na cidade e um único drogado, o traficante nem quer que o drogado deixe a droga, mas também não quer que ele morra, assim, vai-lhe fornecendo um preço alto, mas sempre alcancável, para que este possa pagar-lhe e manter-lhe os lucros. Se colocasse um preço muito mais alto, o drogado por certo acabaria por ter mais incentivos para largar a droga. Mas se colocasse um preço muito baixo, o traficante perdia lucro e provavelmente o drogado morreria de overdose. Assim, o traficante faz aquilo que na economia se chama controlo. Vai ajustando o preço, para que o drogrado sobreviva alguns anos, e lhe dê muitos lucros. Os portugueses são os drogados, os traficantes são a indústria do sector do petróleo.




Velocidade virtual: a parábola dos dois irmãos!


O Manel e o Jaquim são dois irmãos que trabalham na mesma fábrica na zona urbana de Lisboa, e trabalham à jorna consoante a necessidade e a oportunidade de trabalho, ou seja recebem ao dia, começando o seu turno às sete da manhã.

Certo dia, recebem um convite de uma tia pela qual têm muito apreço, para irem os dois almoçar num sábado consigo na sua casa em Santarém, sendo o Manel e o Jaquim os seus dois únicos sobrinhos. Lembremo-nos que os irmãos recebem ao dia. Sucede que ambos já têm despesas certas impreteríveis pelo menos até ao salário de quinta-feira, chegando à sexta-feira de manhã cada um com zero euros no bolso.

O Manel, homem de trabalho, naturalmente trabalha arduamente toda a sexta-feira na fábrica, no seu turno de 8 horas das 7h às 16h. Recebe por esse dia de trabalho o equivalente diário ao salário mínimo nacional, ou seja 20€. No sábado de manhã, dirige-se à bilheteira de Santa Apolónia, e compra um bilhete de comboio para poder estar às 11h30 na casa da tia em Santarém, tendo pago pelo mesmo 20€, ou seja o que tinha ganho no dia anterior.

Ora o Jaquim, sempre foi um homem mais ponderado e racional. Quando naquela sexta-feira de manhã saiu de casa perto das 6:00 com a sua marmita, olhou para o trajeto que lhe levava até à fábrica, parou e pensou duas vezes. E em vez de seguir o trajeto normal que fazia todos os dias, seguiu diretamente a pé até Santarém ao longo dos 70km que separavam a sua casa, da casa da sua tia. Demorou cerca de 14 horas, mas foi dos passeios mais agradáveis que teve na vida. Almoçou e descansou à sombra de uma árvore na lezíria da Azambuja durante uma pausa da uma hora e pode contemplar de perto a natureza. Perto das nove horas da noite, estava a bater à porta da sua tia, que naturalmente ficou felicíssima por o ver com um dia de antecedência, tendo-lhe oferecido jantar e guarida.

No sábado de manhã estavam os três juntos a almoçar e a debater qual dos dois teria sido o mais rápido.

On the discrimination and free speech Question


Today as I was speaking with some work colleagues here in the Netherlands where I am emigrant, during the coffee break, one of them got quite offended when I made a slight joke about Jews. We were discussing how the Dutch are quite rational, when the mobility issues are concerned, which I strongly agree, and they were disagreeing with me, saying the Dutch rationality always applies to money. They were referring the Dutch national healthcare system is just money oriented, and not that much concerned about taking care of people. I replied on a quite naive way "They were founded by Jews".

One of my colleagues was so upset with my cliché that I got really amazed how can such a naive joke, create such a harm. I replied that we cannot now, create another dictatorship in which some subjects are not allowed to mention. He replied that, I touched a very sensitive cliché, a forbidden subject. After strong reflexion and meditation I realized that his reaction can only has one explanation: trauma.

The country where I come from, Portugal, was never directly involved in the second world war, we didn't have holocaust, nor any kind of strong Nazi propaganda. We were not invaded by any panzer Blitzkrieg, our cities were not bombarded, and considering the fact that our dictator at the time made the country officially neutral, we were not that affected by WWII as other European countries were. So, after the war, the collective feeling was not traumatic regarding the war effects. We have also our collective traumas, for example in Portugal, it is almost forbidden to publicly say anything positive about our ruler and dictator Salazar, who governed the country for 40 years between 1928 and 1968. And without any type of doubt, he put the public finances in order at that time. That's the scientific definition of trauma: you loose your reason due to a painful experience and you're commanded by fear. This type of individual experience can be generalized to a collective experience if we speak about a group of people or a nation.

What is my philosophical approach to such issue?

We shall never, never, never discriminate anyone, due to its gender, race, ethnicity, nationality, age, religion, sexual orientation or any kind of distinguishing features. That is basically what is stated in every country's constitution in the western world. But a black man, will always be black, and a white man will always be white (I had a very good friend of mine that used to tell me "I'm not black, I'm brown"). The truth, which I will not abnegate as a Socratic and Platonic follower, tells me that I will never discriminate a black man for being black, and I will always fight anyone who tries to do it, but the colour of their skin will always be different from one white man. As the true precise pictorial colour of my skin it is at some point different from my brother's. In the nineties in Portugal we had an outstanding public campaign which describes my point: "All different, All equal".

During all my life I had black friends and black mates, my best friend when I was at high school was black. When I was still a child I had a black nurse, so I keep the most passionate and respectful feelings towards black people. We shall never discriminate anyone for being black, white, yellow, Jew, Christian or Asian, and the Netherlands has a very good positive example to give the world, but we cannot at all, mislead the Truth, based on such precepts. When I say for instance to someone, that statistically, black people are more successful in Olympics, when the sport demands athletic premises, I am accused of being racist. Shall the numbers be neglected? If I say that, statistically, the Portuguese are not that good at Chess in the international contests, am I making any kind of national discrimination? If I say that, statistically, Asians are very good on Olympic gymnastics, am I making an ethnical discrimination? If I say that Dutch are taller than the Portuguese, am I making a national discrimination?

And what about the jokes

A free person with no traumas accept any type of jokes. If there is a fat boy, that always has been fat, and feels psychologically depressed and pain due to its weight condition, if someone makes a joke about fat people, it will harm him. The same applies to gays in Europe, to black people in north america or to Jews in Germany. A trauma, caused by a painful experience, makes the jokes regarding those subjects, not a pleasurable, but a painful experience. I am a Christian and I realize that almost anyone nowadays can make jokes about the Pope, about Jesus, about Mohammed or to any kind of sacred symbol. It harms me a bit, but I simply don't care, because I try to have an open mind. When some time ago Danish and French newspapers made some cartoons about Muhammad; after strong protests, European leaders basically stated that, the european case law, having freedom as one of the its main pillars, would allow any type of critics and jokes. They forgot to mention, that any kind of similar jokes towards Jews or gays, are not at all socially accepted or tolerated in Europe. Recently, the Portuguese gay and lesbian organization was publicly chocked, even considering a criminal process, because a famous popular singer made a song joking with the gay marriage. And this singer, publicly said, that he agrees with this type of marriages.

Conclusions

I have many years ago established my boundaries on what I can say or do, and for me human life, is and always will be, sacred and inviolable. It seems it is not like that in every culture. For instance in USA it is more socially open to criticism a public joke about gays, than the bombarding of Bagdad. Obviously that we don't want, as good humans we are, to harm other people's feelings, so we shall be sensitive to issues that can cause psychological harm or discomfort. But human life is much more important than psychological discomfort, and despite the fact you may say that one thing is not connected the other one, we shall always prioritize what is more socially allowable. And the pathway to the Truth demands pain (read the Allegory of the Cave, from Plato), and we, as freeman and freewoman, want to be able to address any type of subjects without fear or constraints, always with the maximum respect to human life and any type of race or creed. My conclusion is that orality is much more powerful when the feelings are concerned, so, these subjects preferably shall not be talked, but simply written, as reading a subject obliges the reader to have a more analytical and reasonable approach to hot issues.

Barbosa vs. Pimentel, caso encerrado


Nunca pensei que aquele escrito satírico e de desabafo literário que redigi no primeiro dia de primavera de 2011, fazer-me-ia escrever tantos caracteres sobre o assunto. Em maio de 2013, mais de dois anos depois, o processo ficou finalmente encerrado, tendo apenas colocado hoje no meu blogue, por questões de tempo. Publico as 171 páginas do processo na íntegra para a auscultação de todos. Ficamos a saber que Carlos Barbosa prestou presencialmente depoimentos contra mim na Polícia de Segurança Pública, tendo referido explicitamente que eu o chamei "filho da puta" (página 49), o que é totalmente falso, chamei-o sim, FDP, que é um sigla que pode ter várias combinações, entre as quais "Fanático dos Popós". Ficamos também a saber (página 20-22) que alguns sócios do ACP ficaram extremamente irritados com o meu texto. Penso mesmo que foi apenas devido a isto que Barbosa atuou, pois ele estava bem ciente das consequências mediáticas, daí ter feito várias pressões extrajudiciais como explanarei, pois quis demonstrar aos sócios do ACP que sabia "pôr ordem na casa". Ficamos também a saber que Carlos Barbosa pediu uma indemnização cível de 5000€, tendo usado também vários funcionários do ACP como suas testemunhas abonatórias.

Uma análise detalhada ao caso extrajudicial

Muitos caracteres escrevi neste blogue sobre o caso Barbosa vs. Pimentel, ou seja, como o ACP e o seu presidente Carlos Barbosa, de uma forma cobarde, não querendo de todo debater as questões de fundo, me colocaram um processo crime por difamação e calúnia, por ter escrito este texto. Percebi com este caso que a pessoa em questão é extremamente poderosa e influente, e temo que até tenha influências nos meios judiciais. Passo a explanar a minha análise.

Carlos Barbosa é um lobo velho da política, alguém que não tem formação superior, mas que sabe muito bem mover-se nos meios políticos e sabe exatamente o que quer ouvir a vox populis. Colocou Sócrates em tribunal por gestão danosa quando este perdeu as eleições, não que este não merecesse, mas a altura em que o fez, foi escolhida de forma meticulosa, apenas para obter popularidade junto da populaça, numa altura em que os desígnios da troika estavam ao rubro junto da população portuguesa.

Carlos Barbosa fundou o Correio da Manhã, um jornal mais populista que popular, que sabe exatamente tocar nos assuntos mais primários que são tão caros à populaça, o mesmo jornal que ganha 5 milhões de euros por ano, com a prática de lenocínio. Carlos Barbosa esteve sempre envolvido de forma muito estranha ao futebol (uma área que não é publicamente conhecida pela sua transparência nos negócios), mais precisamente ao Sporting. Posteriormente tornou-se presidente do ACP, pois considerando que em Portugal há quase seis milhões de veículos, presumindo-se que existe em igual número automobilistas, os assuntos que abordam os interesses destes últimos dão vasta popularidade. Carlos Barbosa, sabe meticulosamente, que bradar aos céus em todos os meios de comunicação social protestando contra o aumento dos combustíveis, é algo que traz popularidade, traz fama, traz eventualmente votos.

Penso assim, que o objetivo de Carlos Barbosa, sempre foi apenas um só: concorrer pelo PSD a uma câmara municipal ou a outro qualquer cargo importante, pois Carlos Barbosa é uma raposa velha da política e sabe perfeitamente aquilo que o povo quer ouvir para daí obter dividendos.

PPP rodoviárias terão um custo de 67€ por ano por cada veículo, nos próximos 30 anos


É irrefutável que as estradas providenciam um serviço público, agora precisamos de saber se queremos algo desta dimensão financeira. Tentei aferir o custo para o erário público que as PPP rodoviárias em Portugal têm por veículo, onde se incluem automóveis, camiões, carrinhas, autocarros, etc.

De acordo com uma consultora de renome as PPP rodoviárias terão um saldo negativo (já se contabilizam receitas-despesas) para o Estado de 11,8 mil milhões de euros até 2039. Considerando que Portugal tem 548 veículos por mil habitantes, chegamos a um número aproximado de 5,77 milhões de veículos. Ora usando de aritmética elementar, conclui-se que:

11,8 mil milhões € / 5,77 milhões / 30 anos  = 67 €/ano

Este é o custo anual ao longo dos próximos 30 anos, que as PPP rodoviárias terão em média por cada veículo. Falamos apenas de algumas autoestradas. Se considerássemos porventura todos os custos inerentes à rodovia, como por exemplo outras autoestradas, IPs, ICs e custos dos municípios, os valores seriam bem superiores. Todavia as interpretações deste número ficam ao critério de cada um.