Reencontrando-me!



Uma vez mais me encontro deambulando de pensamento em pensamento
Perco o amor ao mundo, amo os outros, é o meu tormento
A cada dia que passa, assimilo o que é estranho
Acedo, agarro os outros e neles me entranho
Porque a língua é fugaz nas suas doutas rimas
Perco-me nos desejos, chamo-lhes meninas
Sobrevoo eu também as florestas e as planícies, os vales e as montanhas
E quando me provocas, me seduzes, e me assanhas
O paradoxo racional eleva o desejo
Pois a carne é o meu ensejo
E se me reencontrar é a luz divina observar
É o encontro interior
É o verdadeiro amor
É a felicidade poder contemplar
É a verdadeira iniciação
Quando observo os teus olhos azuis
De um cabelo ondulado que me adora
No meu ego, e quando fluis
No espírito que constituo, na alma que aqui perdura
Mas que amolece com a ternura, a doçura
Da caridade, da afável mocidade
Encontrar a criança que deixei de ser, que se perdeu
O ente, que através do espaço-tempo morreu
Quem são os deuses? Quem sou eu?
São os do Olimpo? Os de Roma? Fui quem perdeu
O rumo à vida, o rumo ao caminho da purificação
Que és tu? Florbela ou bela flor?
Que rima com dor e amor.
Sou aquele que atravessa o mundo até ao infinito,
Que percorre as galáxias do espaço e aqui cito
As frases de doutos poetas, de homens da ciência e cultura
Pois Florbela, a luz loura dos teus cabelos
Que se perdem ao vento e só de vê-los
Não sei o que sinto ou pressinto
Se me mova ou me demova
Pois a mente mente e quando minto
Nego a minha existência
A doce procura, percorro os caminhos divinos, a persistência
Em me encontrar é dolorosa, custa atravessar o voo celestial
Que preconizas em teus versos
Que de amor estão imersos
Que da fugaz e temperada caminhada que percorremos
Dos desejos, que os loucos homens como eu se esquivam
Pois por vezes canso-me, perco-me, despisto-me nos caminhos da alma e da carne
Mas quando vejo as doces mulheres que me activam
Sentimentos paradoxais, de amor e ódio, de desequilibro, do gozo que arde
Percorro as estradas do mundo, as rotas infindáveis da loucura
E não me encontro no que está perto, cerca lonjura
E se os efémeros fragmentos desta vida fugaz
Na qual me torno mero espectador
Aquele acutilante que espeta a dor
E não encontro paz, nem razão às discriminações linguísticas
Das escravas e das eslavas
Dos bárbaros severos
Dos vândalos e de Neros
Dos semíticos interesseiros
Daqueles que emprestam a ladrilhadores, consumistas, padeiros
Dos suínos e dos Suevos
Daqueles que dizem que fazem judiarias
Não suporto as discriminações, nem anti-semitismos, nem ódio aos outros que no entanto me odeiam
E do lixo, que será? Quem serão? Da cruz se elevarão?
Pois porquê a chave, o chaveiro e o chão?
Não são a cave, o coveiro e o cão?
Guerras lingüísticas, das tremas que se elevam
Da simplicidade da língua semita e latina
Pois minha deusa, minha dócil menina
Dos versos que eu em ti li
Naqueles em que te reencontravas,
E que planetas sobrevoavas?
Quero ir ao fim do Universo
Quero alcançar o infinito
E por vezes o longe é aquilo que fisicamente está perto
E se o Homem vai ao espaço e á lua
E nem sequer conhece por vezes a sua
Génese interior
Fugaz e do ímpeto? Não. Apenas do verdadeiro amor.
E os caminhos que descubro na minha génese
São dolorosos, são angustiantes,
Ardentes e desesperantes
Mas vejo eu também as florestas verdejantes
Os desertos vastos e reluzentes
Vejo os belos e cristalinos oceanos
As águas límpidas e mornas
Vejo os belos cumes, as montanhas que de um amor divino se enchem de neve
As belas faces, de mulheres, homens e crianças,
Que se regozijam com as planícies e com os momentos da vida banais
E com tantas outras coisas e muito mais
Vejo o mundo redondo, suave a não cortante
Sonho e vejo-me a mim como ser pensante
Sou aquele que da incerteza
Venera a tua pura beleza
Serei sempre aquele que nas calmas gôndolas
Aprecia as rias de Veneza
Vê a magia do mundo e do céu azul
Vejo o Euro, o Bóreas, o Zéfiro e o Sul
Sou aquele que ama o mundo
Sou aquele que através da mágoa, do amor, do desejo e da dádiva
Se oferece ao Eu Profundo.

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