Poemas límpidos e altivos


E os mares que correm para os rios
E os homens que amam mulheres
Os jovens quentes, ficam frios
Ama-me se me quiseres

O mar ao fundo é tão nobre
É um mar azul e tranquilo
É o mar que as lágrimas cobre
É um mar que entra no Nilo

O mediterrâneo é tão claro
E o Bótnia é tão frio
Amores no Báltico é tão raro
No Tejo, nado, corro e mio

A música é cristalina
e as ondas tão puras
Olhei-te Catarina
nas Inglaterras tão escuras

E o mar é tão salgado
O Infante salvar-me-á
Sou um homem belo e regrado
Que a besta derrotará

E a música é azul
O mar é vermelho
O céu é negro
O sangue é um espelho

Teclo com vida salubre
Roo cenouras laranjas
Engulo vida austera
O peixe, quando mo amanhas?


A livre liberdade é uma catedral
que se ergue aos céus como uma criança
que canta. Ouves os sonhos de quem dança?
Paris, cidade tão bela e tão noctívaga
Londres, tão fria e tão sombria
Madrid, tão alegre e tão vivida
e o Castelhano tão claro e tão vivaz
sou o homem que fala e que te faz
que te cria e que te engrandece
sou o homem que cria, que ama e que entristece

Paris, cidade tão louca para amar
para no Sena navegar
para até Londres caminhar
e para em Lisboa me encontrar
pelos mares do sul
pelo oceano azul

Vejo-te Rosalinda, tão bela e tão pura
Pseudónimo para Nádia, que candura!
Vejo-te Filipa de Lencastre
És a mulher que amaste
João I de Portugal
que degeneraste o sacro missal
que leio todos os dias
como uma regra da Ordem
que me fará derrotar as bestas
que tudo julgam que podem

Mas Deus criou a terra e os mares
criou o cosmos e os planetas
criou-te para me amares
para comigo pelo mundo vagares
para descortinares
e comigo descodificares
as pedras de Rosetas

O mundo é nosso, e somos livres
somos homens-livres
electricistas-livres
canalizadores-livres
programadores-livres
pedreiros-livres
escritores-livres
filósofos-livres
Poetas, livres e sãos
Meu povo, somos apenas irmãos

A irmandade criou-te, para derrotares o titã
aquele, que com o grito da ímpia irmã
te decretou a morte
ao norte

Mas tão bela é a rima
do iniciado luso
que perscrutou que ao norte
apenas encontrarias a morte
desses decretos holmienses
apoiados por americanizados
homens temerosos e terrificados

Paris é um menino belo
Londres é uma dama vadia
Madrid é uma pena fria
que escreve a castelhana melodia

Sois tu bela e serena
calma e morena
a mais bela deusa da noite
aquela que te vi nos sonhos
sou o urso que agarro os medronhos
madrilenos
serenos
para que a seiva do medronheiro se impregne em mim
elevo os espíritos de cetim
e Lisboa é tão imensa
tão propensa aos versos e às rimas
das doces meninas

Venham-se em mim donzelas
percorrei todas Frielas
e Loures e Louros
são todas tão belas
tão louras, negras e amarelas
asiáticas, africanas e escandinavas
são as moças que me lavam as mágoas
que encarnam na bela Nádia
a mais bela boreal águia
que nos céus voa
que não perdoa
e que me ama como quem ama um homem

Sou um homem, um Poeta homem

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