O eixo do mal, do PS, dos dois pesos e das duas medidas


Estas alforrecas intelectuais, exceção feita ao membro do sexo
feminino, apesar da aparência de Homo Sapiens,
não fazem parte do filo dos cordados.
Nem sei porque ainda perco o meu precioso tempo a ver televisão portuguesa com tanto programa bom que abunda no acervo da "web", contudo, porque não quero olvidar a minha madre língua, escuto da televisão portuguesa alguns programas, entre os quais o denominado "eixo do mal", com Daniel Oliveira, Pedro Lopes, Clara Ferreira Alves e Luís Nunes. A tendência para serem todos, repita-se todos, o "moderador" e mais os seus comentários parcimoniosos inclusive, pró-PS e pró-Costa é tão gritante, que é não preciso recuar muito tempo para ouvir o que estas sumidades disseram a propósito do facto de Antonio Costa ter ido ao programa da Cristina Ferreira no dia de Carnaval para cozinhar uma cataplana, e contrastar o mesmo discurso com o facto de Assunção Cristas ter colocado recentemente a votação o seu estilo de penteado. 

O que os prejudica, para não usar um termo do vernáculo com quatro letras e iniciado com a mesma letra inicial da sagrada palavra Fátima, é que a televisão para a qual trabalham tem um magnífico acervo, e basta para tal recuar ao dia 8 de março do presente ano, para analisar na altura o que dizia, a título de exemplo, Daniel Oliveira sobre esta moda de os políticos quererem estar mais junto das pessoas. A partir do minuto 14 do referido programa e a propósito do facto de António Costa ter ido cozinhar uma cataplana à "casa" da Cristina Ferreira, diz Daniel Oliveira ipsis verbis:
"É evidente que isto não é populista, quanto muito é, o termo que um snob diria, popularucho (...) mas política sem manipulação emocional nunca foi inventada, mas isto está completamente dentro dos limites, eu não gosto da exibição da vida privada, não gosto da minha e prefiro políticos que não o façam (...) eu não tenho nenhum julgamento moral sobre esse assunto, é uma escolha que as pessoas fazem e depois têm de saber viver com isso. (...) Há de facto uma diferença entre ser populista e querer ser popular, querer ser popular é uma condição para ser político, (...) ou seja, se o preço a pagar para não ter um discurso populista em Portugal é este, eu pago em dobro, não tenho nenhum problema com isso, e digo uma coisa, acho que a coisa melhor para um populista é políticos que não querem ser populares".
E o que dizia o mesmo Daniel Oliveira, com aquele ar solene, pedante e arrogante, no programa do dia 19 de julho de 2019, cerca de quatro meses depois, a partir do minuto 26:
"As pessoas querem no poder uma pessoa que seja parecida com o vizinho, com o amigo, com o primo, uma pessoa a quem eu compraria um carro, iria beber um copo e essas coisas todas, eu acho que isto está além de dessacralizar a democracia, que tem os seus ritos e que tem de ter os seus ritos, está a banalizar o poder, e sobretudo criou uma falsa ideia de proximidade, que é mentira, aliás ela é criada para substituir a proximidade do poder que interessa, que é um estado eficaz, que está aberto a ouvir as pessoas, que é o estado democrático; esta falsa ideia de proximidade (...) sobretudo para mim isto esvazia o debate político".
Pedro Marques Lopes, outro impostor intelectual que muda de opinião como quem muda de camisa, diz ipsis verbis no mesmo referido programa de 8 de março de 2019, ao minuto 10:
"Nós vivemos numa época em que há aquela imagem dos políticos muito distantes das populações, não há reflexo dos políticos em relação às pessoas, e isto mal ou bem humaniza os políticos, isto não tem rigorosamente nada a ver com populismo, nada, isto tem a ver com uma coisa que é diferente, que é a tentativa de obtenção de popularidade".
Mas o que disse o mesmo Pedro Marques Lopes quatro meses mais tarde a 19 de julho, a partir do minuto 37:
"De facto nós temos uma circunstância onde, e nota-se isso nos líderes políticos, em que as primeiras escolhas estratégicas dos políticos são a escolha do seu consultor de comunicação, da sua agência de comunicação, e não sendo isso mal por si mesmo, porque todos eles precisam de pessoas que tratam da comunicação, é para tratar de embrulhos, é para tratar doutro tipo de coisas, é para fazer imagem política e o que aqui se fez foi também criar uma imagem política. Isto para mim é muito grave pelo seguinte (...) isto pode parecer catastrofista, vejam lá que mal é que tem? Tem, porque isto não é a função do político que depois nos empurra a ir à vida privada dos políticos e tirar conclusões sobre a sua atuação política".
Conclusão

Pelo facto de António Costa ter cozinhado, de avental ao peito, cataplanas em programas de televisão com grande audiência, significa apenas que quer estar junto das pessoas e que quer ser popular, e portanto, deve ser louvado porque assim, combate o populismo. Pelo facto de Assunção Cristas ter colocado a votação democrática o seu penteado, significa todavia apenas que não passa de uma política maquiavélica dominada pelo embrulho do marketing, esvaziando o seu discurso de conteúdo político. E assim vai a idoneidade e neutralidade do comentariado da nossa comunicação "social".

A minha opinião

A mim pouco me interessam estas "palhaçadas" feitas por políticos, analiso apenas a coerência argumentativa destas pseudo-sumidades intelectuais, que recentemente também já clamaram que perante a crise que afeta a comunicação social, devemos todos nós começar a pagar-lhes o soldo semanal para dizerem umas e certas determinadas coisas na TV, claro está, sempre em abono do governo socialista. Qual a diferença entre cozinhar uma cataplana de peixe num programa de grande audiência onde aparece toda a família e onde a respetiva esposa fala do enorme leque de ex-namoradas do marido, e colocar a votação nas redes sociais o próprio penteado? Um político que exija respeito necessita naturalmente de alguma gravidade, mas por outro lado, excesso de gravidade tal como tinha Cavaco Silva, pode transmitir a ideia de afastamento do eleitorado. Naturalmente que é preciso encontrar um equilíbrio entre a propaganda/proximidade e o conteúdo político-ideológico, entre a pathos e o logos, sendo que no meu entender Marcelo Rebelo de Sousa é quem melhor executa e domina tal equilíbrio. O que não podemos ter, é certos e determinados comentadores que não têm qualquer cargo político, e por isso detêm em teoria muito mais liberdade argumentativa, serem mais parciais e facciosos que os tipos do PCTP-MRPP.

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