O estado como grande gestor de empresas


Sud-Express (1930),
Biblioteca de Arte Fundação Calouste Gulbenkian
O jornal Público dá-nos um excelente e saudoso retrato do que foi o Sud Expresso, que ligava Lisboa à fronteira com França e que efetuou a primeira viagem em 1887. Não vale a pena repetir o conteúdo do artigo pois este está excelente, sendo que o artigo da Wikipédia também está bem elaborado. Em acréscimo deixo aqui a minha nota ideológica: o Sud Expresso foi fundado no auge da ferrovia no final do século XIX por uma empresa exclusivamente privada e assim foi gerido por muitas décadas de sucesso. Certo dia, o estado, mais precisamente os estados português (através da CP) e espanhol (através da Renfe), na senda das nacionalizações do mercado ferroviário e da putativa prestação de serviço público, nacionalizaram a empresa e passaram a gerir a operação. Uma empresa gerida por um estado já é ineficiente, agora imaginem gerida por dois. Para saciar toda a ineficiência e reivindicações inerentes, como greves constantes ou ter pica-bilhetes com salários de engenheiros, a empresa prestou cada vez pior serviço, mais caro para o utente, sendo a operação cada vez mais deficitária financeiramente. Até que certo dia de 2020, a operação foi suspensa por tempo indefinido sob o pretexto da pandemia. 

O estado pega nas empresas e estas ou sugam durante anos os contribuintes, como o caso da TAP, ou são fechadas para estancar a sangria financeira do erário público. A CP Carga desde que foi privatizada e comprada pela Medway, já baixou a dívida e os prejuízos e já cresceu cinco vezes. Os Estaleiros de Viana do Castelo nunca  tiveram um ano tão bom como o de 2020, com uma faturação de 100 milhões de euros, desde que o estado abandonou "o desígnio pelo mar" em 2014, tendo deixado a empresa completamente falida e envolvida em negócios ruinosos.

A esquerda não só é facciosa, como jamais se verga perante as evidências. Em suma, é uma questão de fé!

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