Hoje sou padre


Falo e digo muito sobre muitas coisas, por vezes falo demais, falo disto e muito mais, nem sou padre poeta, nem faço do celibato a minha meta, mas sou padre eclesiástico.

E em tempos com um amigo, o Zé Marçal, o Zé Carlos, o Rui Rodrigues e o Bernardo, enquanto caminhávamos pelo sul de Espanha, deparei-me com um facto deveras interessante da língua Castelhana; o termo “padre” serve para definir pai! Assim como o termo “embaraçada” define grávida! Quão interessante é observar tais jogos linguísticos da língua de “nuestros hermanos”. Serão então os padres dessas vilas e cidadelas espanholas os pais biológicos dessas embaraçadas que caminham graves e pesadas com o rebento no ventre, dos quais apenas as mesmas conhecem o verdadeiro progenitor. Daí o grande embaraço! A língua é estranha, e na fecundidade, na virilidade, encontram-se em todas os idiomas termos estranhos com semelhanças ainda mais peculiares.

Pois hoje sou padre eclesiástico, e abomino todas as ordens contrárias às de Roma. Hoje, apenas hoje, sou padre que renego todos os preceitos semíticos, hoje e apenas hoje, venero os preceitos de São Pedro, das suas basílicas, dos seus altares, das suas estruturas fálicas adoradoras do divino. Hoje, venero o espírito indo-europeu de Roma, dos povos do Leste, dos ritos e mágicos significados do Império. Hoje, e apenas hoje, sou César, mas sou César senil, sem reinado, nem reino. Hoje sou padre eclesiástico, mas também sou homem humano de paz, que a muito custo venero esses preceitos do sul, a que denominam católicos, e que os crentes veneram em lágrimas de sangue: A adorada Fátima.

Hoje sou padre, rejeito esses pedreiros-livres e todas as suas doutrinas de liberdade, hoje confronto as ordens vigentes, esses que sempre conspiraram contra a supra autoridade do santo ofício, esses que diplomaticamente cumprimentam e toleram o santo catolicismo, mas que conspiram para a sua extinção, essas ordens que o grande Poeta Pessoa venerava e defendia, hoje sou eclesiástico, sou homem religioso, hoje sou padre, visto a batina, e entrego-me aos rituais da homilia, passo a palavra aos crentes.

Mas sou padre com mente aberta à sociedade, porque é que sendo padre tenho obrigatoriamente de votar nesses partidos de direita, autoritários e faccionários, cheios de aristocratas da sociedade regente e decadente. Hoje sou padre, visto a batina, prego o sermão, e professo a palavra do salvador. Hoje a apenas hoje, renego a mais elevada das heresias daqueles que sempre conspiraram contra o império cristão. O império que abraça o Cáucaso nos seus ritos, e nas suas crenças. Hoje sou padre douto, talvez senil, talvez incompreendido pelas sociedades vigentes que reinam e instalaram o poder e as posses como doutrina máxima da condição humana. Esse semita que criou a moeda, não é ele o maior dos pecadores? Não é ele o pecador primogénito. Meus caros fieis, ouvi a palavra do Senhor, pois o Senhor está convosco. Meus caros fiéis, renegai a doutrina que vigora por esse mundo ocidental, onde a moeda e o poder se alicerçam em valores nada condicentes à razão humana. Vede Eva, a primogénita, a mais bela das mulheres, vede a sua mágica fecundidade, vede a sua feminilidade, e vede que fruto trincou, vede como pecou, vede como uma tão bela e delicada mulher, se desvirtua de forma tão pérfida.

Vede, meus adorados e seguidores fiéis, como hoje sou padre, hoje venero Roma, hoje renego os preceitos do Ocidente e do Sul. Hoje adoro nosso Senhor, nosso Deus triangular, a nossa santíssima trindade, hoje leio o livro, leio a bíblia e dedico-vos todos estes preceitos. Hoje sou padre, sou padre espanhol, sou padre casto, celibatário, eclesiástico e professo através desta humilde homilia, a palavra da salvação.

Hoje rejeito os conspiradores, hoje rejeito a doutrina falsa do poder através da moeda, hoje rejeito os poetas falsos, que evocam duos de rimas, hoje abomino comunistas, abomino os laicos e descrentes, hoje para mim cubanos, revolucionários vermelhos são como farpas na garganta que tolero à força. Para mim, nossa senhora de Fátima, mesmo apesar do nome me parecer inconveniente, apenas a ela devo louvar, apenas a ela ofereço os meus préstimos, mas primeiro ao Senhor das altura, depois à nossa Senhora, e em terceiro lugar a sua Santidade, o papa. Quão querida é a língua em que redijo estes textos, ao associar o termo terno da paternidade da criança, ao sumo pontífice da mais alta instituição ecuménica, a Santa Igreja.

Meus caros fiéis, hoje sou padre senil, hoje sou casto, hoje sou celibatário, faço parte das ordens, mas apenas das religiosas, faço parte das ordens que professam a palavra da salvação.

Segui comigo o caminho da salvação do divino, pois hoje, e apenas hoje, sou padre.

Graças a Deus

Amén

Frade Filipe Pimentel

Veneza, a Deusa da água


Pelos verdejantes canais venezianos
Onde gôndolas navegam tranquilas
Poucas polis, cidades ou vilas
Revelam monumentos tamanhos

Intensos pacatos, momentâneos
Dois dias em cidade migratória
Ancestral vila piscatória
Que se entrega aos prazeres mundanos

Carnavalesca, alegre, serena
Veneza, mulher da água
Fria, áspera, amena

Que m'inunda e lava a mágoa
Patrícia, Moura, Helena
A mais bela deusa da Frágua

Um Tetraedro Triangular a uma bela Brasileira


Se os povos do mundo e da vivência
São o verde do amor e eloquência
Se nas negras peles há um tenor
de uma voz que grita o amor
Se nas chamas de uma pele de tez escura
encontro eu o amor de uma negrura
Se o clima é quente-fogo e enublado
Ama-me, e serei eu o enamorado

Se te amo, perco as mágoas da solidão
Vejo o mundo e os astros da imensidão
Se o leito é o deleite da lonjura
São o corpo as carícias da ternura
Se te digo, que anseio as carícias
És o abrigo e as mãos ilícitas
que me afagam a pele carente
Sou o mundo: Frio e Quente.

Se o teu corpo, é assim a dádiva
Sou eu o rio, e sou a lágrima
Se a silhueta na escuridão
São o meu mundo da imensidão
Se os corpos que se abraçam
são os pilares que se entrelaçam
És tu aquela que me endoidece
És quem me houve a humilde prece

Se és o astro assim do sul
Se és o eixo que se forma
Se és tu a esfera azul
Sou eu aquele que te adorna
És quem me ama e entristece
A sobriedade que me endoidece
Angela: És tu bela e formosa
Cândida, casta e honrosa.

Se os encontros e as intempéries
Se reencontro as efemérides
Se viver e me encontrar
Sob um tecto, sob o luar
que influencia estes animais
Os magnetismos primordiais
Os teus seios que observo e beijo
Neles me perco, neles emerjo.

Se é assim o mundo eloquente
Num Pacífico, és o Atlântico quente
És aquela a quem abraço e adoro
As mágoas que te segredo e que choro
Se és a perdida e a renegada
Renego eu a dor: És pois a amada.
És os dipolos da humanidade
És pois tu o eixo da fraternidade

Se és as sonoridades do tacto
Amar-te é pois assim um facto
Se te observo és visão auditiva
És quem rejeita a lonjura aflitiva
Se és a sereia dos sentidos
Se és o porto dos abrigos
És pois o doce, o amargo e o cruel
És o açúcar, o sal e o mel.

As peles que assim se unem
E o meu ego assim imune
O desejo desses teus beijos
A paixão forte e impune
Dos desejos do irrevogável
Do amor forte e durável
És quem adoro e quem desejo
Em mulato corpo assim emerjo.

Se libertas assim a escravatura
Do ego que se liberta
Das asas que ganha a ternura
És a fragrância da doçura
O abraço que me aperta
na liberdade incondicional
És a pimenta, és o Sal
És pois tu a deusa astral

Se os abraços que me envolvem,
O dorso, que as tuas garras colhem
As peles que assim se emergem
O meu corpo em tua vargem
Se os espíritos são assim descrentes
E as verdades quando me mentes
São o que procuro em dócil corpo
És o astro em que me encorpo

És a Angela bela, divinal
Serás sempre a de agora a e ancestral
És sempre aquela a quem segredo
Que me abraça neste quarto escuro
Que da luz se emerge e renega o medo
Se és o corpo pérfido e puro
Das raízes que quero e procuro
A quem me confesso e assim juro

Se és pois o oito, o sete e o três
A luxuriosa candidez
Se esse regaço que me acolhe
Se no Universo és o detalhe
Aquela que da circunspecção
Engloba o mundo que queria
Somos o detalhe da imensidão
os versos de eleição: A Poesia

As contrariedades da simbologia automóvel


O automóvel, vulgo carro, foi e por certo será por muitos mais anos o meio de transporte de eleição das sociedades ocidentais. É prático, oferece alguma liberdade na movimentação quotidiana dos habitantes das polis, e salvo algumas, agora muito mais frequentes exceções, é fácil de estacionar, pois os parques citadinos começam a abundar. No entanto, por certo que nunca poderá ser o meio do futuro, o meio das metrópoles das novas gerações, e todas as cidades cujos arquitetos, urbanistas e políticos camarários tiveram algum intento visionário na sua conceção, tiveram por certo de apetrechar tais urbes com o transporte da multidão, do público, dos cidadãos.

Uma carruagem do metropolitano pode, em situações de pleno conforto aos seus ocupantes ter pelo menos cinquenta passageiros; no mesmo espaço, caberiam quatro veículos automóveis, que em média nas cidades devem conter dois passageiros, o que dará oito cidadãos. As cidades visionárias têm de ser concebidas para o futuro e imagino, eu, mente por vezes sectária e ortodoxa, outras vezes sonhadora e visionária, as cidades do futuro super populosas, onde por certo o automóvel nunca terá lugar de existência. Observemos grandes metrópoles como por exemplo, Nova Iorque, Hong Kong, Xangai, e vemos o quão importante é o transporte coletivo. Em Nova Iorque, onde a política americana para o transporte público durante muitos anos se limitou ao sector urbano, o transito por certo, nunca lá estive, é literalmente caótico, e os meios de transporte público nunca publicitados nos meios cinematográficos, são raros e os que existem face à tecnologia da nação em causa são deficitários. Já em Hong Kong, cidade que gostaria de visitar um dia, parece-me que dada a elevada densidade populacional, foi uma cidade com projeção futurística, onde o transporte coletivo foi uma grande aposta. Creio que essa mistura étnica e tecnológica entre saber colonial britânico e espírito regrado de trabalho Oriental deve ter proporcionado aos arquitetos de Hong Kong fazerem uma metrópole moderna e de futuro. O mesmo, creio, pode ser aplicada às grandes urbes do Oriente, cidades hiper populosas, onde o número de habitantes é enorme dada as suas dimensões, não se podem dar ao luxo que os seus cidadãos tenham cada um automóvel para irem onde quiserem. Se os chineses usam muito a bicicleta, não é por certo por razões ambientais, pois o crescimento económico de tal nação não pode ser suportado com restrições de tal ordem, o ambiente é secundário; foi antes por questões de pragmatismo urbanístico. Onde caberiam tantos automóveis em cidades tão populosas. E o mesmo talvez se aplique à América Latina.

Estou perdido nos pensamentos ao me aperceber que na realidade a densidade populacional de Pequim é na realidade inferior à de Lisboa, bem agora perco razão ao que digo, mas por certo está relacionado com a área muito superior do distrito de Pequim. E o mesmo a Hong Kong. Mas eu, nesta pequena missiva que faço sobre a simbologia automóvel quero ficar perplexo, com as contrariedades engraçadas dos apetrechos do carro, por isso mudo o estilo da escrita, torno-a mais sublime, mais poética, uma espécie de prosa-poética em homenagem a todos os mágicos adereços que os automóveis das cidadelas do Ocidente podem comportar, desde o contrário travão-de-mão; quão estranha é esta peça de auxílio à paragem do veículo que utilizamos quando estacionamos a viatura, pois para travar, para parar, elevamo-lo, erguemo-lo, fazemo-lo subir e depois de erecto trava o carro; não é por certo este fenómeno contrário à razão carnal e humana. E mudanças, porquê sempre cinco na maioria dos automóveis? E o que mais me intriga é o escape, esses jovens sempre prontos a quitarem, a apetrecharem as suas viaturas com imponência e realce, colocam aqueles espessos escapes, firmes, hirtos, que deitam o fumo queimado pela combustão do veículo, o escape, que situado na traseira do carro, e largando dejetos do automóvel, tem uma simbologia um pouco estranha, lembrando os despojos de uma criatura rápida, célere, em movimento. Mais uma contrariedade da figura automóvel.

O motor, é o coração, é a máquina vital à aceleração da viatura, promove a inércia, faz com que esta máquina divina obedeça à lei da variação de velocidade postulada pelo mais grandioso físico Britânico com nome de semita. O motor, a peça chave desta máquina de movimento, é por vezes poluente e trágico aos olhares das polícias rodoviárias. Para esses jovens rebeldes que adulteram as suas viaturas com o intento de as tornarem mais poderosas, o motor está obviamente relacionado com a força motriz, com o impulso, com o vigor humano, com a força dos seus músculos, com a potência da sua fértil verga. É por isso que vejo essas rivalidades entre imbecis e inconsequentes moços, com as suas viaturas quitadas, em competição por nada, e quando as miúdas estão por perto, o desejo de auto afirmarem a sua virilidade aumenta, aumentando consequentemente a profundidade do pedal do acelerador das suas máquinas motrizes.

Os faróis são os olhos, os piscas são os braços que acenam e cujas mãos levantam o polegar, ou os piscas são simplesmente os olhos a piscar. Numa bela donzela, voluptuosa, os faróis, tal como refere o mais vil calão dos bairros degradados, os faróis são por mais que evidente as suas duas protuberâncias que lhe embelezam a estatura, e quando nos máximos, enchem e encadeiam de desejo o mais celibatário dos transeuntes.

As portas serão os braços, que se abrem e podem dar asas para voar; quantas imagens vemos nós em desenhos animados de automóveis, estes esvoaçando na atmosfera, com as portas a suportarem tais diferenças locais de pressão atmosférica, que permitem qualquer ave voar. Os pés e as mãos são as rodas; se o coração é a fonte da motricidade, os pés são o meio pelo qual essa mesma força é transferida, e o qual entra em contacto com o solo. A sola dos sapatos, são os pneus, que providenciam a aderência, a suavidade ou a rigidez do contacto com a superfície.

E tal como os jovens da metrópole se exibem com as suas máquinas infernais de vigor, potência, força, esse aparato que é não mais que uma mescla de tecnologia nos campos da mecânica, eletrónica e aerodinâmica; gostam também de embelezar as suas máquinas de movimento, colocam-lhes autocolantes, e fazem pinturas peculiares, como o belo galã que se veste bem, e coloca aqueles pequenos detalhes de realce na sua já cara indumentária, também estes lhes colocam luzes, para atrair as atenções visuais das redondezas por onde vagueiam, normalmente à noite. E como não poderia deixar de referir o campo do audível, enchem tais maquinetas andantes com os sistemas de som mais potentes e encarecidos que o mercado automóvel alguma vez observou. Tal como o alegre e divertido negro passeia na praia com o rádio sobre o ombro, tradição um pouco já esquecida com o advento do MP3, também os rapazes do xuning adoram vaguear pelas ruelas das metrópoles e fornecer variações de pressão atmosférica à multidão, muitas vezes não requisitada, e muitas mais vezes nada melódica, limitando-se na maioria dos casos a meras batidas de música eletrónica. Sonho em ter tais aparatos de tecnologia, mas para ouvir a terceira Sinfonia de Beethoven para piano. Isso sim é de louvar! Aliás, a música dita clássica, deveria dizer-se erudita, é a mais internacional de todas as músicas pois não tem letras, apenas sons, e a melodia é poética e muito mais rica do que quaisquer ritmadas citadinas.

O carro, mobilidade, tecnologia, conforto, decadência, desconforto grupal, uma tragédia ao coletivismo urbanístico, belo, pessoal, diz muito sobre a personalidade de quem o tem, desde a cavalagem à aparência exterior; desde o delinquente que tem o carro mais podre do mercado que mal anda, ao político abastado que anda nos topos de gama das marcas da indústria automóvel; diz muito sobre o indivíduo.

O carro, inimigo da nação humana, dado o combustível que consome, vejo quantos meios de transporte são construídos por esses continentes fora, por esses mundos, e tantos milhões dedicados a auto-estradas, a via rápidas, a estradas e "estradecas", a ruas e ruelas rodoviárias. Quantos já morreram dentro de um automóvel, quantos morrem diariamente, em todo mundo dentro de um automóvel por velocidades que por certo estão relacionadas com paragens cárdiorrespiratórias: Muita tensão, e o carro imove-se, má condução e o veículo pára para a morte. Quantas tragédias por esse mundo fora em torno do automóvel? Quantos milhões despendidos no seu aperfeiçoamento? Quantas guerras foram travadas pelo combustível que consome, desde os continentes de África até ao Oriente Médio? As guerras e as tragédias em homenagem ao veículo automóvel.

E tudo começou com o advento daquele senhor industrial que mecanizou a sua produção em linha, nos princípios do século vinte. Desde então nunca mais parou em todo o mundo, e se tal crescente não parar, ou se pelo menos não regredir, haverá por certo o caos humano do planeta Terra, em termos ambientais e civilizacionais.

Haiko




Os pássaros cantam
As árvores que os acolhem
Suas flóreas ramagens

As folhas no chão
O Outono parece, tardou a vir
As árvores desnudas

Um pátio vazio
Folhas no chão: É Inverno
Escrevo no frio

Dois bancos alinhados
Um pátio de antigas Oliveiras
Duas belas donzelas

O tempo é ameno
Os pássaros cantam no Inverno
Alegria e felicidade

Um velhote passeia
Aprecia, deleita-se com a idade
O requinte da vida

O jogo do galo
dos antigos tempos de menino
Antigas memórias

Coordenadas geográficas
Do banco do jardim que escrevo
Algures Norte, Oeste

Piso o alcatrão
Como as folhas do Outono
neste ameno Inverno

As árvores nuas
que Desejo, sensual e emotivo
neste ameno Inverno

Os braços acolhem as aves
As aves entregam-se e encantam
As árvores engrandecem

Um pátio onde escrevo
Dois bancos e umas flores
As crianças brincam

A noite aproxima-se
As crianças soletram palavras
O novo ano está perto

O novo ano da harmonia
São horas de abraçar a alegria
A poesia Oriental

Não relva, alcatrão
sob os meus parcos pés
Os pássaros alegram-se

Cantam contentes
Neste vale urbano de folia
O silêncio aproxima-se

A alegria aproxima-se
O reencontro com a Natureza
Cresço com o ano Novo

O ano Novo está perto
O solstício do crescente
Os pássaros cantam em árvores desnudas



João Lopes Ferreira
31/12/2007
algures num pátio nos Olivais

Embriaguez


Embriagado, assim estou eu
Vagabundo em terra natal
Pratico o bem e faço o mal
Sou cão vadio que padeceu

De patologia de quem sofreu
Por um Amor mais infernal
Por uma carícia divinal
De um abraço de quem foi réu

Este pretérito singular
Se na pessoa for o terceiro
Se não evoca o verbo Amar

Pronome pessoal, é o primeiro
Aprendo assim eu a rimar
De último, sou pioneiro

A Verdade Verdadeira


A criação divina criou a verdade, a verdade, a verdadeira, aquela una, indivisível, inalterável, supra humana e supra nacional, supra animal, que transcende a própria existência do Homem enquanto ser pensante. A Verdade, crua, nua, desnuda, despida dos preconceitos que o bom senso e a moral impõem. A Verdade, insocial, apolítica, filosófica, divina, a Verdade, apenas, e simplesmente verdadeira, aquela que todo o ser dotado de alma anseia, perscruta, procura, e vasculha através das infindáveis fráguas do cosmos, as estrelas, os buracos profundamente obscuros e carentes de amor e de massa gravítica. A Verdade Verdadeira, o duplo V proscrito na língua lusa, no entanto adorado pelo mundo. Aquela veracidade, verdadeira, verosímil que evoca o verbo dos meus verborreicos versos e prosas. O Verbo verbalizar, versa com o averbar. O V, quinta letra da numeração romana, vigésima primeira do alfabeto português e vigésima segunda do alfabeto dito latino, duplo V, vinte e dois, número transcendental e sagrado, esotérico e puro, a repetição do primeiro número par não nulo. Visto a verdade que me veste de veracidade, vejo a primeira vez, a PrimaVera, e nasço na segunda vez, no Verão. Verbalizo o verbo ver. O V, o falo invertido, antítese do A.

VÁ meus caros, vede a Verdade Verdadeira

Libertação literária primordial


Sou o escravo acorrentado
Sou o cão açaimado
Sou Falcão engaiolado
Sou o Poeta mais amado

Sou a Moura amordaçada
Sou a luz na alvorada
Sou a caneta rejeitada
A Rainha desprezada

Prisioneiro enclausurado
Sou a infância rejeitada
Experiência de iniciado
Sou a mágoa renegada

Sou o Mundo e a Paixão
Não sou nada, nem Ninguém
Sou Tudo, o coração
Rejeito o terreno e o além

Procuro a livre Liberdade
A Catedral grande, Imensa
A sexta-feira da Saudade
Renasço em Milão, Florença

Liberta-te destas correntes
Conta do sete até ao nove
Vê Deus quando o mundo chove
Ama laicos, ama crentes

Diz a verdade quando mentes
Porque o debaixo, sempre sobe
O Equilíbrio do regente nobre
Ama o espelho, se algo sentes

Ama a mulher, a tua próxima
Adora-a, e venera-a
Ama-la: A tua máxima

Sê a prima, a prima vera
Rejeita a mágoa, a falácia
Sê o manso e sê a fera

The western kingdom


And the western king said to his advisor....
What about Africa?
Shall we give them freedom?
Shall we give them aid?
We shall give them both.
We shall give them aids.

And the western king asked to his advisor....
What about Asia?
Shall we give them freedom?
Shall we give them aid?
We shall give them none.
Let’s give them the throne.

And the western king said to his advisor....
What about Europe?
Shall we give them freedom?
Shall we give them aid?
We shall give them both.
As long as they pay.

And the western king said to his advisor…
And the Middle East?
Shall we give them freedom?
Shall we give them aid?
Let’s give them nothing
Let’s release the beast

And the western king said to his advisor…
What about Japan?
Shall we give them freedom?
Shall we give them aid?
We shall give them trust
But atoms come at first

And the western king said to his advisor…
And Iraqi people?
Shall we give them freedom?
Shall we give them aid?
We shall give them bullets
We shall give them fate

And the western king said to his advisor…
What about ethics?
What about moral?
What about religion?
Let’s ignore all
Let’s evoke freedom
Let’s evoke the kingdom
Let’s evoke liberty
Let’s reject purity
Let’s evoke insanity
Let’s evoke happiness
Let’s reject sadness

Cause moral is nothing
Perceptions mislead
Religion perceive
The life constraints
Moral, just pains

Let’s burn those infidels
Let’s reborn, see the cradle

What about the world?
What about humanity?
What about the specie?
Were that in vain?
Was that just pain?

Let’s bring our souls
From heaven to earth
Let’s sing, let’s flirt
Let’s enjoy life
Let’s reject Christianity
Let’s reject that creed
But we shall feed
Freedom and Fraternity
Let’s mislead equality

We’re nothing than flesh
Let’s live life, fresh
Vigour, strength, Power
Harmony, my flower

Am I a cow? Am I a coward?
Am I a Buddhist? Am I altruist?
Cause the Western king
is ferocious, and is mild
Shall we enjoy the green field?
Shall we enjoy harmony?
Shall we enjoy lust?
Shall we evoke trust?

We shall give them all
Let’s give them agony
Let’s give them nothing
And then we set them free
So they, the light will see

O espírito natalício


É muito interessante observar todas estas panóplias em torno de umas das maiores festividades que o homem celebra desde tempos ancestrais. Pois meus caros amigos, rejeitem toda esta cultura judaico-cristã que se instalou nas nossas sociedades ocidentais.

Por certo, ou melhor, não o sei ao certo, mas o Natal remonta a tradições muito mais ancestrais que o próprio nascimento do judeu crucificado. O Natal, que é celebrado no dia 25 de Dezembro, tem uma proximidade temporal muito interessante com o solstício de Inverno, o dia mais curto do ano, e a partir do qual os dias começam a crescer. Povos antigos ancestrais sempre celebraram o Natal, como festividade essencialmente astronómica. Diversos cromeleques e distrbuições de pedras regulares, assinalam os principais pontos temporais da terra na sua trajectória em torno do Sol; podemos observar tais monumentos em diversos pontos do globo. Sendo assim, o Natal parece-me a mim que foi um ritual roubado por cristãos e judeus aos pagãos antigos para retirarem o devido proveito.

Observemos a azáfama em torno dos centros comerciais e como comerciantes esfregam as mãos durante a época natalícia tais os lucros avultados que daí obtêm, e até o próprio estado democrático seguiu tais pérfidos passos na procura do lucro ao instituir o subsídio de Natal ao trabalhador assalariado. Na Alemanha, na Hungria e em muitos outros países desenvolvidos não existe tais subsídios de incentivo ao consumo.

Também a Santa Igreja se apoderou destas práticas pagãs, para celebrar o nascimento do seu menino. Houvi em tempos, algures, que Jesus teria nascido no verão, pois como celebramos então o seu nascimentos no Inverno? Mais um furto dos ritos antigos, das tradições ancestrais, dos cromeleques distribuídos por esse mundo fora que há milénios assinalam os solstícios astronómicos.

Que quero eu comemorar então? Quero comemorar o renascimento, visto que dia 21/12 é o mais curto do ano, é a lua nova terrestre, espero agora crescer, e espero crescer convosco meus amigos e contactos do Hi5, espero crescer, tal como crescem os dias, tal como cresce o angulo do sol ao meio-dia solar na sua trajectória diária, espero crescer convosco meus amigos, e aproveito esta quadra para nutririr dos primordiais sentimentos de harmonia, paz e tranquilidade, que devem sempre reger o dia mais curto do ano, o dia da pacificidade, o dia do conforto familiar.

Rejeitemos o São Nicolau, os seus trajes avermelhados pela CocaCola, rejeitemos a comercialização económico-financeira do natal, rejeitemos a missa do Galo cristã, rejeitemos até a antiga tradição do bacalhau (inventada quem sabe por pescadores portugueses de bacalhau do mar do Norte) e espero passar convosco meus caros amigos, um Natal tranquilo, em paz e harmonia, sentimentos que devem fazer parte desta efeméride astronómica.

Gosto do Natal, sempre tive boas recordações do Natal, sempre revi familiares que não vira por outras alturas do ano, sempre guardei do Natal um espírito de harmonia, paz e de reencontro.

E é tudo isto, e apenas isto, que quero nutrir.

Ímpetos dunares com uma eslava fecunda


Cara Noémia

Provam estas amargas sensações, que a propaganda cinematográfica que aliena os jovens incrédulos e desesperados, não tem o mais ínfimo traço de realidade. A bondade que te transmiti, os louvores que te dediquei, os favores com que me esforcei, aquilo com que me dediquei, prova que as sábias palavras dos doutos e mui filantrópicos senhores que fazem dos media o meio para alienar as massas com as suas doutrinas do bem, não se podem aplicar à fatalidade do nosso caso. Usaste-me e abusaste-me quando o que nutria por ti, se encontrava nos antípodas do desprezo e dos ímpetos humilhantes.

Mas os olhares
Se me sonhares
São o mundo
do azul profundo


Foste a minha Nazarena

__________


Para que todos o saibam, teço estas palavras como sinal memorativo de sensações pretéritas, pois no presente momento sou amo e vassalo da minha amada, sou pajem e senhor, subalterno e tutor, discente e docente, mestre e aprendiz da minha amada e mui acarinhada Nádia

Nano-tratado poético sobre um esbelto semblante Helénico


Enquanto obtinha há alguns anos a foto desta beldade Helénica, que por acaso encontrei no espaço cibernético, questionei-me sobre a numerologia e a simbologia associada aos símbolos dos logótipos. Não quis profanar a imagem desta bela mulher grega, pelo contrário pretendi deificá-la com uma métrica e rima ancestrais cuja abrangência geográfica fosse ampla e vasta, e que conseguisse conciliar o arcaísmo das terras e dos povos por vezes esquecidos no espaço-tempo da relatividade restrita. Ando a ler as teorias da relatividade restrita elaboradas por um clérigo e fico maravilhado como um homem que consagra o divino conseguiu tecer tais façanhas abstractas da razão humana, que muitas vezes se encontram nos extremos opostos dos ímpetos afectivos do homem e da mulher. É que o divino consegue a conciliação com a razão pura; nem Deus renega a razão, nem um homem estritamente racional pode evocar fundamentos racionais para renegar Deus. Deus são Dois num só. A razão e a sensação. Se os pedreiros livre Ingleses acharam por bem associar o seu Deus à bondade, pois God is Good, já os iniciados do sul associaram Deus à dualidade, pois Deus é Dois, Deus é mulher, é feminino, é passivo. Pois se Deus é mulher, talvez tenha um semblante Helénico tal como estava descrito na imagem desta formosa mulher grega que em tempos observei...

Por ti bela Anastácia
Cedia a Anatólia e a Trácia
Vendia o mundo aos Persas
As nossas mãos imersas
no desejo da conturbada
guerra indesejada
Para ti, é pequena a Prússia
Vendia todo o Leste e a Rússia
Incendiava aqueles Unidos
Todos eles assim perdidos
Vendia-me a mim e este corpo
Que sem ti, de vivo é morto

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Para que todos o saibam, teço estas palavras como sinal memorativo de sensações pretéritas, pois no presente momento sou amo e vassalo da minha amada, sou pajem e senhor, subalterno e tutor, discente e docente, mestre e aprendiz, subordinado e mentor da minha amada e mui acarinhada Nádia

Memórias de um dócil ritual edénico


Há dias serenamente contemplei
bela e elegante transalpina.
Intriguei-me com a delicadeza: da mais fina
Questiono-me o que amanhã lhe direi

De certo, jamais me perdoarei
se não aniquilar esta nefasta sina
de quem ama, não possui, só rima
Não sei se o que quero fazer o farei

Pedem-me o Universo como dote
Despojo-me! De bom grado o darei
A sua ausência, não há quem suporte.

Resigno-me, perplexo, não sei o que sei
Apenas sei que a Paixão é mais forte
por Eva, que aqui vigorosamente elevei




O que digo não se escreve
O que escrevo não se diz
Pois se olhardes o que fiz
Pesado foi: tornou-se leve.

E esta paixão!? Que se eleve!
Que a consuma, para ser feliz
Quererei, aquilo que quis?
O meu ego, o divino teme.

Então porque a anseio eu?
Porque se incrusta na minha mente?
Amo apenas o que se perdeu

O outrora, o inteligente
E tal Julieta, tal Romeu
Amo a Eva ardentemente!




Texto pseudo-poético redigido no exacto dia de 11 de Julho de 2006, poucos dias depois de ter conhecido uma bela, inteligente, esbelta e formosa italiana de uma cidade chamada Udine em Itália com o nome Eva.

Foi mais uma daquelas paixões eloquentes e quase efémeras que me inspiraram a tecer estes dois sonetos. A qualidade métrica e poética mensura-se também pela intensidade apaixonante que nutrimos por alguém num dado momento.

Mas prefiro a minha doce e terna Nádia. Pacata, terna, carinhosa, entrega-me tudo de bom, faz-me feliz e regozija-me nutre-me com um afecto inigualável. Confesso que estou enamorado e deveras apaixonado pela carinhosa Nádia com a qual consegui enlaçar-me de uma forma pacata, amical, tranquila e serena.

O texto que aqui coloco foi apenas uma marca do passado, mas que tem alguma qualidade poética que não queria que se desvanecesse no tempo, dada a inspiração que me nutriram aqueles instantes...