Os cães das tabaqueiras ladram perante a nova lei do tabaco na UE


Num estudo encomendado pela Philip Morris, a detentora da Tabaqueira em Portugal, a nova lei comunitária que rege a nova aparência dos maços de cigarro, vai gerar desemprego e fazer diminuir a receita fiscal. Para começar, questiono-me que credibilidade têm os estudos feitos a pedido e à medida do requerente? Hitler também deve ter mandado fazer muitos estudos que confirmavam que a melhor solução social para a Alemanha era exterminar deficientes mentais e judeus, assim como por certo devem haver estudos que referem que a globalização é deveras benéfica para os países em desenvolvimento, mesmo apesar dos eventos como o prédio no Bangladesh que ruiu e matou mais de 1000 pessoas. Como alguém dizia “a ciência não é neutra” e depende sempre do tipo de óculos com que vemos a realidade.

Segundo o estudo da Philip Morris as novas leis sobre o tabaco vão gerar desemprego e perda de receita fiscal.

Ora comecemos: Emprego. Estou deveras enjoado com estes estudos nauseabundos e ardilosos que evocam sempre o emprego como algo sacral que deve ser concedido a todo o custo e sem quaisquer contrapartidas. Bem sei que a altura é crítica mas haja decência. As fábricas de tecido no Bangladesh também davam emprego a muita gente. Os campos de concentração Nazis também davam emprego a muita gente, aliás Hitler é amplamente reconhecido por ter conseguido que a Alemanha nos anos 30 tivesse um crescimento económico fenomenal. A máfia Napolitana também dá emprego, assim como os cartéis de droga no México, na Argentina e no Brasil dão dinheiro a muita gente. Quando é que os mafiosos mexicanos decidem encomendar um estudo que comprove que a droga é um negócio que mata a fome a muita gente, essencialmente pessoas desfavorecidas? Se as novas regras do tabaco, segundo o estudo, vão gerar a perda de 175 mil postos de trabalho, talvez as mesmas novas regras salvem milhares de vidas, de adultos e de crianças, e permitam uma melhoria da qualidade de vida superior àqueles que eventualmente deixem de fumar.

E então vamos à receita fiscal. O estudo é ardiloso e aproveita-se do facto de a Europa passar por uma crise financeira onde os estados têm graves problemas de desorçamentação. É um golpe baixo, o mesmo argumento é usado por Ferreira de Oliveira, CEO da galp e o maior proxeneta de Portugal. Se o argumento é receita fiscal, façam como na Holanda, legalizem as drogas, a prostituição, e aí terão muita receita fiscal. Só na economia paralela no domínio das atividade de Vénus, o Estado poderia arrecadar milhões. Pensem também em liberalizar o uso de armas de fogo, drogas duras, clínicas privadas de eutanásia, de sodomia, legalizem os assassinos profissionais e façam-nos pagar impostos como trabalhadores liberais em regime de prestação de serviços. O argumento da cobrança fiscal não pode servir para tudo, até porque é totalmente falacioso. O que os estados na Europa gastam em cuidados de saúde com enfermos de tabaco é por certo muito, mas mesmo muito superior àquilo que arrecadam em impostos sobre o tabaco.

O tabaco mata 5 milhões de pessoas por ano (meio Portugal em cada ano) e já matou mais do que todas as grandes guerras juntas. Só no séc. XX o tabaco ceifou a vida a cerca de cem milhões de pessoas. É mais ou menos a população total de um país como o México, por isso cara Philip Morris, vai pó caralho mais os teus estudos da merda. Dito! 

Um ex-fumador que se livrou de satanás...

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