Imposto de circulação automóvel (IUC) na Holanda


O salário mínimo na Holanda é, líquidos, cerca de 1100€ por mês vezes 12 meses. Em Portugal, líquidos é cerca de 430€ mensais (consideremos apenas 12 meses). O rácio do salário mínimo é então 2,5 vezes. O salário médio líquido em Portugal ronda os 720€ mensais, já na Holanda ronda os 2000€, ou seja um rácio de 2,7 vezes mais

A seguinte tabela apresenta um comparativo entre o Imposto Único de Circulação pago em Portugal, com o equivalente pago na Holanda, o motorrijtuigenbelasting, mais conhecido como MRB. Os valores são anuais. Apresentam-se na tabela cinco carros muito conhecidos entre os portugueses e com um número elevado de unidades vendidas. A tabela não é exaustiva, é meramente exemplificativa. Os dados para o IUC Holandês, são referentes à região da Holanda do Norte, onde se encontra Amesterdão. 

Automóvel
Emissões de CO2 (g/km)
Cilindrada
(cm3)
Peso
(kg)
Rácio aproximado
118
1500
1220
130 €
1144 €
9
127
1149
1071
162 €
456 €
3
95
1368
1020
130 €
456 €
3
VW Golf Mk6
1.6 TDI
120
1598
1200
130 €
1144 €
9
205
1951
1950
342 €
2220 €
6,5

Pode o caro leitor fazer a sua simulação para o seu carro, no sítio do governo Holandês. Escolha a primeira opção: 'personenauto' e na província escolha: 'Noord-Holland' (Holanda do Norte onde é Amesterdão). Depois é só dizer o combustível ('benzine' é gasolina) e dizer o peso do veículo. Os valores aparecerão por trimestre e por ano (jaar). Assim peço que da próxima vez que se discutirem estas matérias não me venham com a tanga dos salários. Todos os portugueses que conheci aqui na Holanda, não têm carro. O Samuel, dos seus 40 anos e que é do Porto e que está empregado nas limpezas no parlamento Holandês, só anda de bicicleta. O Luís, que trabalha numa fábrica e também é da zona do norte de Portugal, só anda de transportes públicos. É assim que eles poupam para enviar dinheiro para a família. 

A Holanda tem 16 milhões de habitantes numa área igual à do Alentejo. Raros são os prédios com garagens, pois os holandeses não estão para dar mais 20% pela habitação para as fundações dos parqueamentos (não, não é apenas por causa do terreno como muitos pensam). As grandes cidades holandesas são mais populosas que as portuguesas, por exemplo a grande área urbana de Amesterdão tem 2,2 milhões de habitantes, mas tem mais bicicletas que habitantes. Os transportes públicos são excelentes e quase omnipresentes. As ruas são das pessoas e não dos carros. Criticam-me sempre, pois segundo muitos, em Portugal é preciso melhorar antes os transportes públicos. É a velha questão: primeiro o ovo ou a galinha? Melhorar primeiro os transportes públicos ou desincentivar o automóvel nos meios urbanos. Não me levem a mal, espero, mas 30 anos passados em Lisboa e apercebi-me que não podemos ficar à espera do ovo, e temos que ir à galinha.

Há muitos portugueses que só passarão a usar autocarro ou comboio, quando estes tiverem serviço de excelência de primeira classe, com bancos em pele, e televisão a bordo. Por isso o caminho que em Portugal deve ser tomado é só um: aumento brutal dos combustíveis e aumento de todos os impostos relacionados com o automóvel. Num país sem qualquer consciencialização cívica ou ambiental, as gentes só se regram “quando lhes vão ao bolso”. E os holandeses, por mais civilizados que possam eventualmente parecer ser, não são diferentes; para tal basta analisar a tabela supra mencionada, que talvez explique também porque motivo tanta gente adopta a bicicleta como modus movendi.

Sem comentários:

Enviar um comentário