Deve-se o crescimento económico a este governo?


Uma retórica que tem sido repetida ad nauseam, faz valer a ideia de que o presente governo, com as suas políticas económico-financeiras e mais precisamente de devolução de rendimentos, e outras medidas como o abaixamento do IVA na restauração, tem sido o principal contribuidor para a retoma económica do país. Claro que com o crescimento económico e com a retoma na confiança dos consumidores, diminui-se o desemprego e a precariedade, os salários podem ser aumentados, e todos os que recebem do estado, como funcionários públicos e pensionistas podem ser, desta forma, beneficiados. Isto é natural e indubitavelmente positivo. A questão de fundo mantém-se: qual a contribuição de facto das políticas deste governo para o recente crescimento da economia? A resposta a esta pergunta deve vir, tal como exige a ciência, dos factos e não das meras opiniões.

Fui aos dados do Eurostat, e apresento-vos o crescimento económico real de Portugal, da média da União Europeia a 28 e da média da Zona Euro, desde 2006 até 2016, ou seja num período de 10 anos. E os dados não deixam dúvidas! Entre 2012 e 2014, durante o anterior governo, Portugal teve uma variação do crescimento económico muito acentuada, em comparação com os restantes países da União Europeia; já no período de 2014 a 2016, a economia de Portugal mais não faz que acompanhar o comportamento da economia europeia. Ou seja, o contributo do presente governo para as boas notícias da economia - sim, são indubitavelmente boas, na medida que há menos desemprego e funcionários públicos e pensionistas podem ter mais rendimentos com o aumento da receita fiscal - é de facto muito diminuto. Mais não seria todavia de esperar! Se o estado não é reformado, nem que seja pela via da eficiência dos processos ou com o investimento em tecnologia como fez de positivo o governo Sócrates, se a despesa pública não é cortada, se a estrutura da economia se mantém essencialmente nos serviços, muito vocacionados para o turismo por exemplo, e não na tecnologia nem nos processos e produtos industriais; é expectável, logo, que a economia portuguesa mais não faça que acompanhar o comportamento da economia europeia. De salientar em acréscimo que os principais parceiros comerciais de Portugal estão na Europa.


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