A caneta é a arma da paz
O caracter é a religião
A palavra escrita é audaz
A falada é tentação
O diacrítico é fugaz
A consoante, escrevo-a à mão
O analfabeto é quem não faz
eterno, o seu Amor de perdição
E como a água, escrever é premente
que a bebo dos poços do ego
sacio a sede ao descrente
da palavra escrita crio um credo
crede em quem não mente
O amor escrito, eu não vos nego!
Amo a consoante e a vogal
como te amo, e amo Deus
A escrita é o canal
dos doutores e dos plebeus
Amo o sacro e o carnal
O duplo ‘V’ dos fariseus
E ninguém me leva a mal
Se eu até amar os teus!
O duplo ‘o’, uma volúpia
O ‘A’ é um falo ereto!
Abre-as em ‘M’ minha lúpia
inebria-me o intelecto
o teu ‘V’ quero nesta núpcia
De Pessoa, sou o neto
Cada letra é uma bala
cada gota de tinta, mil de sangue
de um Poeta que só vos fala
do esotérico, e de Amor langue
Um Poeta que a mulher gala
Não há ninguém que vos engane
enquanto lerdes quem vos regala
o intelecto e não o sangue
Cada pretérito, uma mulher
Futuro do indicativo: não o sei!
O condicional, para quem souber
A escrita e a letra são a Lei
Vede quem quiser
Os versos, que vos oferendei!
Vera Veritas
POESIA | CIDADANIA | FILOSOFIA
Chegará o dia em que os profanos subjugados serão iluminados pela divina liberdade de pensamento
Sexta-feira, 1 de Junho de 2012
Sábado, 19 de Maio de 2012
A apologia do "deixa andar"
Muito se poderia dizer da apologia lusitana do "deixa andar". É esta inércia do sol quente que nos deixa prostrados para pouco trabalhar ou pouco produzir. O Filósofo encontra na cultura católica, muita da culpa desta prostração inercial que faz com que os povos do sul não produzam. É inquestionável que o calor torna o ser humano menos produtivo, e é empiricamente atestável que o progresso de uma nação é mais ou menos diretamente proporcional à latitude da sua região geográfica. O calor meus caros, o calor torna os seres menos propenso ao laboro, e mais propensos à folia, à desfruta da natureza, da praia e dos ares salubres do exterior. Tal paradigma, quando bem entendido e enquadrado na dialética, explica de forma cristalina, por que é que os povos do norte da Europa não têm a troica à porta e os povos do sul, a têm. É uma questão psicológica ou talvez mesmo antropológica, que o calor sempre provocou nos seres humanos o bem-estar necessário que lhes confere o conforto que não lhes impele a trabalhar. Já os povos do norte, com temperaturas gélidas no inverno, mais não têm que fazer um esforço estoico para todos juntos enquanto nação resistir às intempéries e aos agrestes períodos sazonais. Não digo, e nunca ousaria dizer, que o homem do sul é menos capaz ou dotado, este tem tantas ou mesmo mais capacidades que os homens boreais, vede a título de exemplo as civilizações clássicas gregas e latinas, que tinham as suas raízes no sul da europa, em Roma, e por exemplo em Atenas, e ambas foram extremamente profícuas na literatura, na matemática e na filosofia. O que sucede, é que com a idade média e posteriormente com a revolução industrial o paradigma alterou-se completamente, sendo que os povos do sul da europa ficaram completamente para trás a nível académico, tecnológico, industrial e económico. Antero de Quental, já avisava quando escrevia “As causas da decadência dos povos peninsulares”. As civilizações clássicas também sempre beneficiaram de prosperidade, porque tinham o mar mediterrâneo como canal para transação de bens e de informação que também provinha do Oriente.
Os povos helénicos e os povos latinos prosperaram nas civilizações clássicas, por que é que então agora são os países do sul os menos evoluídos? Antero de Quental referia como uma das causas da nossa decadência a Contra-Reforma levada a cabo pelos Jesuítas. Outros historiadores referem a expulsão dos judeus a título de exemplo pelo Decretado de Alhambra. Já no século XX, em Portugal particularmente, é evidente que o Estado Novo foi um período de retrocesso civilizacional, quando comparávamos Portugal com os restantes estado europeus. O que é evidente para mim, enquanto pensador livre, é que a ortodoxia religiosa católica, levou à decadência dos povos do sul. Não digo com isto que seja anticlerical, pois não o sou e posso referir a título de exemplo que sou contra o aborto e contra o casamento entre homossexuais. Mas não o nego, que a ortodoxia católica em torno de mitos e lendas (como as nossas senhoras e santos similares) levou à prostração e à inércia dos povos do sul. Os povos do sul, subjugados ao culto católico, são inativos por excelência, estão sempre esperançados que um raio divino venha dos céus, conduzido pelo arcanjo Gabriel, e os remova a todos da miséria e do ostracismo. Já com a Reforma dos povos do norte, a redenção é feita através do trabalho (trabalho, esforço e mérito que Antero de Quental reiteradamente evocava no seu livro). Também Voltaire referia no seu Cândido que o trabalho evitava três grandes males: o vício, o tédio e a necessidade. Ora o que não faltam são vícios aos povos do sul, desde o tabaco ao futebol, e para falar da necessidade, bem haveria muito por dizer.
Conclui-se apenas que o calor do sul da Europa não é de todo a única razão para a inércia dos povos do sul. Os grandes poetas e os grandes filósofos eram do sul, latinos ou helénicos, mas os grandes matemáticos e os grandes físicos, eram do norte, alemães, holandeses ou nórdicos. O calor imiscua-nos a sensação, o ímpeto sensorial de sermos animais primários, por várias razões. Uma delas é o facto de os machos verem as fêmeas mais despidas, do que o normal, incutindo-lhes assim os sentimentos mais viscerais, que quando conjugados com uma inteligência literata do espírito, faz com que concebam as obras mais fulgurantes e magnas da Poesia. O calor faz os seres humanos andarem com menos indumentária e por conseguinte, os sentimos lascivos tornam-se mais evidentes. Uma segunda razão é o facto de o calor ser um convite ao festim, ao bem-estar com a natureza, ao convívio, e por conseguinte, onde há convívio e festins, e havendo naturalmente seres humanos de géneros diferentes, haverão sempre momentos mais libidinosos e lascivos. Se conjugarmos a estes festins, pequenos momentos de serenidade intelectual propensos à escrita, e uma inteligência e espírito esplendorosos, concebem-se assim as grandes obras da literatura. Pois a arte literária é somente a conjugação da inteligência com a besta que há em cada um, a grafia é somente o canal.
Mas como já referi, os povos clássicos eram do sul e prosperaram. Mas os povos clássicos eram também debochados e entregavam-se sem pundonor aos prazeres da carne. Os romanos ritualizavam-no com festins báquicos magnos, e os gregos eram pederastas natos, ou seja, o sangue quente com a consequente lascívia era-lhes visceral, mas no entanto não deixavam de prosperar nas ciências, no direito, na retórica, na filosofia, na matemática ou nas atividades económicas. O que é certo, é que o deboche excessivo e a inoperância (uma das hipóteses) levaram à decadência dos povos clássicos, tendo-lhes seguido a era Cristã. A era Cristã impôs então aos povos do sul, a antítese do que havia sido até então, ou seja, uma doutrina moral severa e claustral, com a respetiva clausura nos ditames morais no que concerne ao sexo, á nudez e aos bons costumes. Não que o plebeu comum ficasse mais filantrópico para com o seu semelhante, ou mais caridoso para com o próximo, pelo contrário, até porque é comum nos povos do sul, e até meritório, não pagar impostos, estacionar em cima do passeio ou até atirar papeis para o chão; mas os bons costumes da nudez, da virgindade e das questões veniais ficaram acauteladas com a doutrina católica ortodoxa. Quero deixar bem vincado que isto não é um repto nietzschiano anticlerical, até porque respeito veementemente a doutrina cristã dos evangelhos e do bem ao próximo. O que critico sim, é o que essa crendice excessiva criou na inércia do povo, que espera sempre que venha Nossa Senhora de Fátima salvá-lo dos males, ou então porque não El-rei D. Sebastião.
E remetendo-me á epígrafe do tema, o “deixa andar” ou “deixa estar” é não mais que a tradução literal para a língua portuguesa de um sucesso de uma banda inglesa no princípio dos anos 70, cujo título original da música era “Let it be”. Deixo-vos aqui a letra para perceberem o quão inercial é, e quanta prostração nos transmite.
When I find myself in times of trouble, mother Mary comes to me
speaking words of wisdom, let it be
and in my hour of darkness she is standing right in front of me
speaking words of wisdom, let it be
let it be, let it be, let it be, let it be
whisper words of wisdom, let it be
And when the broken hearted people living in the world agree
there will be an answer, let it be
for though they may be parted, there is still a chance that they will see
there will be an answer, let it be
let it be, let it be, let it be, let it be
let it be, let it be, let it be, let it be
whisper words of wisdom, let it be
Percebem então, como à luz do espírito católico ortodoxo que é bem vincado nos povos do sul, nada é preciso fazer, pois a Virgem Maria faz tudo e haverá sempre uma resposta sábia e divina, e se haverá, então apregoemos o espírito do “deixa andar” ou melhor dizendo “let it be”.
Sexta-feira, 11 de Maio de 2012
Lasciva Bicicleta
Olhos belos e seios fecundos
alvas pernas que pedalam
vagas entre os moribundos
Os homens em ti regalam
E na polis com carros imundos
Os quais os plebeus vassalam
Biltres são os furibundos
condutores que não te igualam
Bela e lasciva mulher
Pedalar é a tua meta
Vaga contigo quem quer
qual bela borboleta
És a Cândida de Voltaire
Vagueias de bicicleta
__
Vagas a polis, lés-a-lés
pois o pedal está-te no sangue
Jovem Mulher, quem tu és
não há Lei que te imane
Os teus belos alvos pés
são o fruto edénico langue
que os pedais forçam, através
das vias, dominadas pelo Gangue
E o carro na cidade é rei
E objetas tu esta treta
A República, quando vem eu não sei
Pedalar é a tua meta
Mulher-livre, és a Lei
Atena, Vénus, a Bicicleta!
__
Nefasto é o carro na cidade
Funestas são, as suas emissões
que causam cancro nos pulmões
e criam elevada mortandade
Vagas bela mulher de tenra idade
Exacerbas no macho as sensações
Pedalas o sonho, e crias tentações
nas alvas pernas que trilham a mocidade
Roda a Roda, segues os trilhos da loucura
Do Infante das velhas Ordens és a neta
pois velejar naquele tempo na aventura
era modo ativo, a nau seguia como seta
Bela Mulher, pedalas na formosura
Passas por mim de Bicicleta
__
O Homem segue o pedal do coração
O carro, segue os trilhos da clausura
Não há mulher, quem te iguale na candura
Maria da Fonte que nos liberta da opressão
Beijo-te os pés em redenção
e liberto-me do carro, da ditadura
da mobilidade árdua e dura
Livre sou, foste a Fonte da Libertação
Sedosos cabelos que esvoaçam com o vento
Quem é o macho, Mulher, que te completa?
Na estrada livre, na Luz do firmamento
Mulher proba, íntegra e reta
Inebrias-me o pensamento
Passas por mim de Bicicleta
__
E na polis comandada por Satã
Santo Graal que vagas dia-a-dia
Bela Mulher, fugaz e fugidia
Quem te deu a morder a maçã?
É a tua ação, nobre e sã
que me liberta da tirania
Sem ti por certo não sabia
ser Livre, a cada manhã
Sentada no selim. Ai que luxúria!
Pedalas e segue-te o Poeta
Libertas os profanos da penúria
És um arquétipo móbil, és Julieta
Não te amar, é uma injúria
Tens nome Mulher: és Bicicleta!
alvas pernas que pedalam
vagas entre os moribundos
Os homens em ti regalam
E na polis com carros imundos
Os quais os plebeus vassalam
Biltres são os furibundos
condutores que não te igualam
Bela e lasciva mulher
Pedalar é a tua meta
Vaga contigo quem quer
qual bela borboleta
És a Cândida de Voltaire
Vagueias de bicicleta
__
Vagas a polis, lés-a-lés
pois o pedal está-te no sangue
Jovem Mulher, quem tu és
não há Lei que te imane
Os teus belos alvos pés
são o fruto edénico langue
que os pedais forçam, através
das vias, dominadas pelo Gangue
E o carro na cidade é rei
E objetas tu esta treta
A República, quando vem eu não sei
Pedalar é a tua meta
Mulher-livre, és a Lei
Atena, Vénus, a Bicicleta!
__
Nefasto é o carro na cidade
Funestas são, as suas emissões
que causam cancro nos pulmões
e criam elevada mortandade
Vagas bela mulher de tenra idade
Exacerbas no macho as sensações
Pedalas o sonho, e crias tentações
nas alvas pernas que trilham a mocidade
Roda a Roda, segues os trilhos da loucura
Do Infante das velhas Ordens és a neta
pois velejar naquele tempo na aventura
era modo ativo, a nau seguia como seta
Bela Mulher, pedalas na formosura
Passas por mim de Bicicleta
__
O Homem segue o pedal do coração
O carro, segue os trilhos da clausura
Não há mulher, quem te iguale na candura
Maria da Fonte que nos liberta da opressão
Beijo-te os pés em redenção
e liberto-me do carro, da ditadura
da mobilidade árdua e dura
Livre sou, foste a Fonte da Libertação
Sedosos cabelos que esvoaçam com o vento
Quem é o macho, Mulher, que te completa?
Na estrada livre, na Luz do firmamento
Mulher proba, íntegra e reta
Inebrias-me o pensamento
Passas por mim de Bicicleta
E na polis comandada por Satã
Santo Graal que vagas dia-a-dia
Bela Mulher, fugaz e fugidia
Quem te deu a morder a maçã?
É a tua ação, nobre e sã
que me liberta da tirania
Sem ti por certo não sabia
ser Livre, a cada manhã
Sentada no selim. Ai que luxúria!
Pedalas e segue-te o Poeta
Libertas os profanos da penúria
És um arquétipo móbil, és Julieta
Não te amar, é uma injúria
Tens nome Mulher: és Bicicleta!
Sexta-feira, 27 de Abril de 2012
Oferta de Emprego - Agiotas precisam-se para impingir cartões de crédito! - Leitura Bíblica
Recebi recentemente na minha caixa postal eletrónica uma oferta de emprego, de uma empresa de recursos humanos para a qual trabalhei em tempos no aeroporto de Lisboa, da qual não tenho quaisquer razões de queixa, devido ao seu elevado profissionalismo e à sua honestidade. No entanto recebi hoje mesmo esta indecente e herética proposta de emprego:
_____Promotor Comercial Banca
Local:
Lisboa (Centro e Cascais)
Categoria:
Promotor Comercial da Banca (Stands)
Empresa:
Adecco Recursos Humanos, selecciona para empresa sua cliente na área da Banca, Promotor Comercial da Banca (Stands):
Requisitos:
Os Candidatos deverão reunir os seguintes requisitos:
- Escolaridade Mínima: 12º Ano;
- Conhecimentos de Inglês
- Excelente apresentação;
- Bom poder de comunicação;
- Bom poder de negociação e argumentação;
- Capacidade de análise;
- Postura pró-activa e dinâmica;
- Disponibilidade imediata.
Este Profissional terá como principais responsabilidades:
- Promoção e venda de Produtos Bancários e divulgação de Cartões de Crédito.
__________
Eu respondi diretamente à técnica de recursos humanos, referindo que preferia trabalhar num bordel, como porteiro, ou como massagista numa dessas casas menos próprias, do que ir impingir cartões de crédito à população. Sim meus caros, falo-vos dos Barclays Card e dos City Bank. Portugal é regido pelos credores, os portugueses estão afogados em dívidas, desde a dívida da casa até à dívida do carro, que ainda vão tendo taxas de juro aceitáveis, e estas financeiras, ainda querem que eu vá impingir cartões de crédito aos incautos, com taxas de juro completamente agiotas. Disse frontalmente à gestora dos recursos humanos, que ganhar dinheiro a levar no cu, ser carteirista no metro de Lisboa, ser arrumador de carros no Colombo ou mesmo pedir à porta de uma igreja aos domingos de manhã, são tudo formas mais dignas e honradas de ganhar a vida, do que andar e ludibriar os inocentes e os incautos com créditos usurários.
A troica é quem manda por cá, a dívida do país é patológica, os portugueses estão afogados em empréstimos que não conseguem pagar, desde a compra da varinha mágica a prestações, até ao carro que nos dá o falso conforto e comodismo, e ainda ousam fazer-me propostas indecentes, para que eu ande a gastar o meu latim e a minha retórica enfiando no ânus dos desprotegidos dinheiro fácil, que depois teria de ser pago com juros bem altos. Se ainda fosse dinheiro usado para investimentos produtivos, como formar uma empresa, abrir um pequeno negócio, que é salutar e de louvar, mas não; este tipo de cartões de crédito visa tão-somente o consumo, ou seja queimar dinheiro em frivolidades importadas que o país não produz, e deixar o cliente completamente afogado em dívidas.
Sois cristão? Se não sois, ficai sabendo que eu sou, e rejo-me pela Bíblia. Ora então atentai a estas passagens do Livro Sagrado:
E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; Mateus 21:12

Quando Jesus entra em Jerusalém e se dirige ao templo, depara-se com uma espécie de agentes do city bank do seu tempo. O templo de Jerusalém, tinha uma moeda própria, pois a moeda do imperador romano, que circulava fora do templo era considerada idolatra e profana pois tinha o rosto do regente romano. Dentro do templo, havia uma moeda própria, ou seja, sagrada para os hebreus. O que os cambistas faziam, era exatamente, trocar moeda profana, por moeda sagrada, para que os fieis pudessem comprar os animais para os sacrifícios e comprar também os objetos de culto. Ora, assim como hoje os bancos praticam taxas de câmbio diferentes entre as mesmas moedas, consoante o sentido em que se faz a conversão, de forma a que fiquem sempre a ganhar com as transações, também naquele tempo os cambistas ganham exatamente no câmbio entre a moeda sagrada e a moeda idolatra, e vice-versa. Jesus, enfurecido com esta prática cambial, que deixava sempre os crentes a perder, assim como talvez também enfurecido com o negócio que se gerava com o sagrado, tal como hoje acontece com as prendas do Natal ou com os santos que se vendem nos arredores do santuário de Fátima, derrubou todas as tendas dos cambistas e dos que vendiam animais para os sacrifícios.
E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas. Marcos 11:15
Neste seguimento lógico e filosófico, se Jesus regressasse à Terra e viesse até Portugal, e me visse a mim, seu devoto, cristão crente, numa banca do city bank ou do barclays card a impingir cartões de crédito aos incautos e aos pobres desgraçados que estão enterrados em dívidas, convencendo-lhes que ao adquirirem este cartão com taxas de juro de mais de 20%, iriam resolver os seus problemas; Jesus ao ver-me engravatado, com discursos falaciosos e ardilosos, não faria mais nada a não ser derribar a banca onde eu trabalhasse, seja ela no centro Vasco da Gama ou no Colombo.
Faço um apelo: Se sois bom cristão, derribai também vós as bancas dos agiotas que impingem cartões de crédito com taxas de juro usurárias aos incautos. Se o fizerdes, só podeis ser bom cristão e bom devoto do Senhor. E o que mais me deixa exacerbado, é ver pessoas que se dizem católicas devotas que se confessam na missa, serem mais avarentas e somíticas, que qualquer cambiador do templo. Assim como se fordes bom cidadão deveis ignorar por completo o que dizem certos políticos e comentadores medíocres e vos deveis cingir pela Constituição da República em primeiro lugar; se fordes bom cristão, devereis ignorar o que dizem certos pseudo-católicos e deveis-vos cingir unicamente pelo que esté escrito nos Livros.
E ser bom cristão e vender cartões de crédito em bancas de centro comercial, é um paradoxo teológico crasso.
Quarta-feira, 25 de Abril de 2012
Poema ao 25 de Abril de 1974
Escrevo-vos no 25 de Abril
no ano do Senhor de 2012
A Revolução dos Cravos, foi a morfose
que nos libertou do redil
Mas há muitas estórias por contar
Os revoltosos, que se instalaram
Houveram bons tachos para dar
E a economia definharam
Os sindicalistas são neoburgueses
que só idolatram o Capital
E para os comunistas portugueses
O salário é o fundamental
3000 ganham os maquinistas,
os médicos, o equivalente
Os pilotos são os chupistas
que só dinheiro veem de frente
E dos mais bem pagos do mundo
diz o Relatório, são os professores
E gritam enraivecidos: “Somos doutores
que nos colocam no Portugal profundo”
“Não queremos ser avaliados
nas 22 horas que trabalhamos
somos neo-deuses consagrados
com a missão de ensinar os mundanos!”
E a Polícia: “Ai que desgraça,
Não temos meios, ganhamos mal!”
Com o secundário, e somente praça
ganha mais que meio Portugal
E as nossas magnas forças armadas
que combatem ferozmente o invasor
sem sair do quartel, pois estão cansadas
e não no verão, pois faz calor
"Sou funcionária pública
Trabalho muito, ganho mal"
"No orçamento, pagar-lhe é a maior rúbrica
e pobre, é Portugal"
Até Cavaco, diz que ganha mal
Qualquer dia, nem lhe dá para o pão
Concedam ao Presidente de Portugal
O Rendimento Social de Inserção
Os credores batem-nos à porta
Pum, Pum, Pum; vem aí o saque!
“Portugueses, a dívida não é letra morta
ou quereis, o cobrador do fraque?”
O sindicalista é um burguês
só o sacia, o Capital
a mesma massa que o fez,
fez o neoliberal
“Mais salários. Mais direitos!
Lutemos camaradas! Avante!”
"Mas trabalhar, não nos dá jeito
E não há emprego que nos encante"
“Portugueses! Haverá ainda esperanças?
Falo-vos de Santa Comba Dão
Gastastes o oiro das poupanças
e agora à troica, esticais a mão”
“Portugueses, tanta autoestrada fútil
O dinheiro andastes a gastar
Em obra socretina inútil
quem vos fala é Salazar”
Abril é Liberdade
É a Primavera popular
É evocar a expressividade
num país com Sol, Fado e Mar
Evoquemos o 25 de Abril
Esta efeméride nacional
que nos libertou do redil
para cumprir Portugal
Crescei Portugal! Avante!
É Hora da União
Nesta causa, que doravante
exaltar-vos-á o coração
Abençoadas gentes e esta terra
Foi Maria, quem vos pariu
Pois já ninguém mais cerra
As Portas que Abril abriu
Sábado, 21 de Abril de 2012
Meu povo, mereceis a merda que tendes!
Que dizer deste povo? É vê-los nas manifestações a gritarem por mais salários e mais direitos, é vê-los a fazerem greves constantemente, é vê-los dizerem que somos governados por corruptos, é ver os milhares de jovens encherem as ruas em protesto porque são quinhentoseuristas, é ver os estudantes aos berros dizerem "não pagamos" às propinas, é ver os polícias em protesto porque, coitadinhos, ganham pouco; é ver os nossos medíocres professores (comparativamente, dos mais bem pagos do mundo) aos berros porque ganham pouco e é ver os incompetentes funcionários públicos dizerem ao governo "eu quero aumento, porque eu quero, porque eu mereço".
Um velho ditado deste mesmo povo diz que "cada um tem aquilo que merece"; pois então meu povo, mereceis a merda que tendes:
- Ordenado mínimo de 485€ (dos mais baixos da Europa e auferido por 400 mil pessoas)
- 35% de desemprego nos jovens
- 2 milhões de pessoas no limiar da pobreza
- 85% dos reformados a receberam menos de 500 euros/mês
- Pior nível salarial dentro da Zona Euro
- Milhares de falsos recibos verdes, sem quaisquer direitos
- Cerca de um Milhão de desempregados
- Maior fosso da UE entre ricos e pobres
E não me venham os energúmenos do PC e do BE dizerem que a culpa é do governo e dos patrões.
Quando agora mesmo há pouco vim do café, e todo este meu povo gritou euforicamente porque um madeirense marcou um golo, e quando este mesmo povo meu dentro do mesmo café, vibrou e delirou alegremente com a vitória de um clube qualquer de Madrid, só porque tem por lá um madeirense famoso e um mercenário de Setúbal, que ganham 13 milhões e 10 milhões de euros por ano respetivamente (3387 ordenados mínimos em PT), e que contribuem com ZERO para as finanças públicas e para a riqueza de Portugal, pois meu povo, tendes mesmo a merda que mereceis.
Conhecem o síndroma daquelas mulheres que passam a vida a queixarem-se que só arranjam homens de merda que as tratam mal, mas quando um homem inteligente, bondoso e cordato lhes aparece na vida, elas até o desprezam e ignoram completamente, porque ele não tem o je ne sais quoi?
Quando um povo idolatra aqueles que só lhe dão circo,
nada pode mais esperar que tão-somente a miséria.
Viva Portugal!!!
Terça-feira, 17 de Abril de 2012
Suporte de parede para prender bicicletas
Quero apenas referir que sou ciclista assíduo, e que orgulho-me em não ter carro. Não uso somente a bicicleta em ocasiões solenes ou em passeios dominicais, pelo contrário, faço deste meio de transporte o meu modus mobili.
Um dos problemas com que me deparava era precisamente, arranjar sítio para guardá-la em casa, ou mesmo na garagem. Informei-me em listas de ciclistas e na Internet e o que econtrava normalmente eram sítios ingleses e estangeiros que vendiam os ditos suportes, a preços que considerava demasiado caros (cerca de 50 libras+transporte+instalação indo ficar tudo por certo perto dos 100€).
Decidi então procurar nos pequenos artesãos nacionais, aqueles que não têm sítios na Internet para venda dos seus produtos, mas que no entanto fazem um excelente trabalho. Assim sendo, encontrei aqui pela zona de Lisboa a oficina do Sr. Aleixo, e não ganho nenhum extra em publicitá-la, e o serviço ficou feito de forma impecável
Pedi um suporte de parede para prender a bicicleta, feito à medida e o Sr. Aleixo instalou-me um suporte em aço inox (não enferruja) para prender bicicletas à parede, com instalação incluída (buchas, parafusos e ainda uma cola especial para ficar bem agarrado à parede). O Sr. Aleixo faz à medida e coloca onde quiserem (no meu caso foi na garagem)
Seguem as fotos:
O nome do artesão é Sr. Aleixo e a sua oficina é na zona de Lisboa. Trabalha muito bem e o preço que me praticou foi bem menor em relação aos ditos 100€ que teria de pagar se tivesse comprado pelo dito sítio inglês. O contacto do Sr. Aleixo é 914815611
Pode ser colocado numa garagem, em frente a um estabelecimento comercial ou mesmo numa zona comum de uma empresa. Agora, sinto-me muito mais seguro ao guardar a bicicleta, e não tenho de a trazer para dentro de uma arrecadação ou dentro de casa.
E quem combate a ciclofobia?
| Livro de reclamações preenchido |
No entanto há algo que me revoltou intensamente. Chego eu ao LIDL de Cabo Ruivo, e deparo-me com um parque de estacionamento para cerca de 150 automóveis, com uma área aproximada de 1 hectare (quadrado de 100 metros por 100 metros). E quando chego eu na minha bicicleta, como cliente assíduo do LIDL, deparo-me com um parque de estacionamento gigantesco, ocupado aproximadamente só em 20%, onde nem sequer se reservou um único espaço diminuto de 10 m^2 para o estacionamento de bicicletas. Bastaria ter prescindido de dois lugares de automóveis, num universo de 150, para dar lugar ao estacionamento de bicicletas. E disse-me a funcionária que eu não era o único a ter esse problema e que os outros ciclistas tinham que improvisar e inventar sítios para prenderem as suas bicicletas, como postes de anúncios publicitários, ferros de suporte ao sistema que recolhe os carrinhos de compra, etc.
Rogo a todas entidades: acabemos com a ciclofobia! Se todas as minorias são e devem ser respeitadas – eu tenho consciência que pelo facto de não ter carro e me deslocar somente de bicicleta, e por vezes de transportes públicos sou uma minoria – porque razão as pequenas peculiaridades que facilitam a vida aos ciclistas não são projetadas? Estamos a falar de coisas tão simples e tão baratas que fazem toda a diferença, como sendo um simples ferro preso a uma parede para se prender uma bicicleta. Por exemplo, congratulo o centro comercial Vasco da Gama por ter contemplado um parque para bicicletas à entrada do centro, e que por norma está quase sempre ocupado.
Se diversas entidades são obrigadas a colocar elevadores extremamente dispendiosos em escadas para pessoas de cadeira de rodas (acho muito bem) para lhes facilitar os acessos e o quotidiano; se todas as estações de metro têm de ter elevadores para facilitar o acesso às pessoas com mobilidade reduzida e a invisuais (acho muito bem); se todos os elevadores já vêm com os botões com caracteres em Braile para facilitar a vida aos invisuais (acho muito bem); se diversos telejornais da televisão, assim como outros eventos televisivos, já dispõem da informação em linguagem gestual (acho muito bem) para facilitar a vida às pessoas com problemas auditivos; se as pessoas do mesmo sexo já podem contrair matrimónio; se as contribuições pecuniárias para minorias religiosas já podem ser deduzidas no IRS; por que é que a única minoria ostracizada continua a ser a classe dos ciclistas?
Descontente com o panorama que vislumbrava no parque de estacionamento do LIDL, pedi o livro de reclamações, ficando assim esperançado que de futuro, prescindam no seu enorme parque de estacionamento com um hectare para 150 carros, de uns míseros dois lugares de estacionamento para os ciclistas poderem estacionar as suas bicicletas.
E por que é que o LIDL, uma multinacional alemã de distribuição alimentar, cujo país da sede respeita a bicicleta e onde é um meio de transporte comum e bastante usado, quando chega a Portugal não dedica uns míseros 10 metros quadrados para um baratíssimo parque para bicicletas? Devido a este facto, pedi o livro de reclamações, cuja cópia anexo. Faço um repto a todos os ciclistas que façam o mesmo, obviamente com bom senso e moderação, pois o livro de reclamações ainda poderá ser um meio útil para pressionar as grandes cadeias e as grandes empresas a respeitar os ciclistas.
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