Ode a Lisboa maçã


Trilhai os passos da loucura
Ó Lisboa, bem amada
tão garrida e delicada
tão cheia de lisura

És um hino à Formosura
E em Chelas ensanguentada
Em Alfama afamada
No Terreiro enclausurada
Vejo-te no Fado a ternura

No Tejo vejo a canoa
do Martinho da Arcada
Leio os versos de Pessoa

numa rima opiada
Ergue-te literata Lisboa
És Poetisa Iniciada

Das Letras, és deputada
Sou Eu quem te afeiçoa
A ti e à Madragoa
Lisboa imaculada
sob a manta enublada
do terror de quem te atordoa

na Rotunda és a Leoa
do vilão és a viloa
de Portugal és a República! És a Varoa
Pois sou eu singrada Lisboa
E não me permitais escrever à-toa
Que no teu dorso, na tua proa
Magnanimamente te coroa

Ó Lisboa bem amada
Da Joana afamada
De Bocage e de Pessoa
De Camões que se fez para Goa
Da Florbela enamorada

Apresentai-te imaculada
Para que de mim sejais
lexicalmente desflorada

Ó Lisboa!
Gaja boa!
Bem afamada
E bem amada!

Onde te estabelecem tratados
Atlânticos e Europeus
que não serão respeitados
nem por patrícios, nem por plebeus

Perdoai-me a ofensa Lisboa
escaldante e voluptuosa
dama de honor mais formosa
aceitai a minha coroa

Pois seu eu quem te enobrece
Pois seu eu quem te abençoa

Sou eu quem te afeiçoa
Sou eu quem te atordoa
Sou eu quem te doa
A magnânima coroa

Ó varina boa!
Lisboa!
 




Aónio Eliphis

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