As portagens em autoestradas não fazem sentido


Foto: Melanie Maps, do jornal Público.
Não tendo eu automóvel particular, devo referir que considero que as portagens em autoestradas (AE) não fazem qualquer sentido nos tempos modernos. Em Portugal, como em muitas outras matérias, temos as taxações e os incentivos completamente invertidos. As portagens tinham um fundamento histórico de financiar uma estrada ou uma ponte específicas, na sua construção ou manutenção por exemplo; ou seja, eram uma taxa pecuniária consignada em que o dinheiro cobrado revertia diretamente para a manutenção ou para o pagamento do crédito contraído para construir a estrada ou a ponte. Um exemplo claro é a portagem da ponte 25 de Abril.

Como o bolo financeiro para o sistema rodoviário tornou-se comum e de certa forma coletivizou-se, sendo que até os pensionistas sem carro e sem carta de condução são chamados a pagar autoestradas através das receitas do IRS para o Orçamento de Estado, já não faz qualquer sentido haver portagens em AE, porque estas têm impactos muito menores na sinistralidade, na poluição local, no ruído e no congestionamento, em comparação com estradas convencionais ou em meios urbanos. As AE têm externalidades negativas muito mais baixas, pois têm menores índices de sinistralidade por km, os poluentes que emitem estão longe dos meios urbanos e consequentemente das pessoas e têm menores custos externos em congestionamento. Recorde-se que de acordo com a Comissão Europeia, o congestionamento rodoviário tem um impacto negativo na economia, de cerca de 1% do PIB. Havendo portagens, as pessoas deixam de usar as AE e vão por outras vias onde as externalidades são muito maiores. O caso da Via do Infante é exemplificativo desta dicotomia. As pessoas com a introdução de portagens passaram a escolher essencialmente a EN125 com níveis de sinistralidade muito mais altos, com maiores custos de congestionamento e com níveis de poluentes ou ruído junto das áreas com maior densidade habitacional.

Todavia não podemos ser demagogos, tendo em consideração que haveria perda de receita para o Orçamento de Estado. Ou seja, o sistema rodoviário que temos necessita de ser pago, e tem de ser pago essencialmente por aqueles que fazem uso dele, e que numa lógica liberal de utilizador-pagador, são geralmente falando, os automobilistas. Por isso, quer ISV, ISP, IUC ou multas deveriam no total cobrir todos os custos do sistema rodoviário, incluindo as AE. Significa, em termos práticos, que o valor total arrecadado pelo Estado nestas rubricas deveria aumentar cerca de 25%. É necessário porém portajar onde o carro é nefasto, isto é, nas cidades onde estão as pessoas em maior concentração, mais precisamente os utilizadores vulneráveis como ciclistas e peões, especificamente crianças, idosos ou grávidas; e não onde o carro é menos nefasto, como nas AE. Assim, portagens em autoestradas não fazem hoje em dia qualquer sentido. Na Holanda, por exemplo, apesar de ter uma taxação automóvel altíssima - o congénere ao IUC para um simples Renault Clio 1.2i, dos carros mais vendidos em Portugal, ronda 500€ por ano, estacionar num centro urbano custa 5€ por hora e um morador em Amesterdão paga 400€ por ano para estacionar o seu carro na rua à porta de casa - todas as AE são gratuitas para o utilizador. Temos de colocar portagens no perímetro das cidades, não em autoestradas.

Um pequeno exemplo: para quem habite nos subúrbios de Lisboa, trazer o carro para a Baixa de Lisboa é muito mais nefasto para todos que levar o carro até Évora pela AE; mas é nesta segunda opção que está o maior custo e maior proveito fiscal para o Estado. Ou seja, em Portugal temos os incentivos rodoviários exatamente invertidos. Como não tem qualquer lógica haver portagem na ponte 25 de Abril ou na ponte Vasco da Gama. As portagens são um conceito medieval, em que os transeuntes eram obrigados a pagar portagem para atravessar uma vila, um terreno privado ou uma ponte construída por uma entidade privada. O sistema de mobilidade tem de ser analisado pelo estado como um todo, como uma rede viária. A haver portagens tem de ser nos locais onde os carros são um problema grave, como os centros das cidades, e não onde não causam problemas, como na AEs para o interior.

Porque motivo os residentes de Almada têm de pagar portagens para entrar em Lisboa se os de Alverca não têm? Se há matéria onde o poder do estado, como entidade reguladora macro, fazia sentido, era este. Mais mais uma vez, o estado mete-se onde não deve, e onde deve não se mete! Mas como digo, o sistema tinha de ser pago pelos automobilistas. E como não é possível, politicamente, aumentar mais o ISP nem o ISV, julgo que o IUC tinha muita margem para subir. O valor que se paga de IUC em Portugal, mesmo já considerando salários e paridade poder de compra, é ridiculamente baixo. Nestas matérias como em tantas outras em Portugal, temos as taxações e os incentivos completamente invertidos.

Wordy warfare


Ever touched my loved arm?
the one I shall never step away;
beloved army I won’t disarm
armful power I won’t dismay!

Never touch my sacred turret
It is armed for the sacred one
Every word might be a bullet
Every devil might be a nun!

Berlin, a city of inhumanity and inefficiency


The capital of Germany was through an odd historical process of wonder, terror and apparent freedom. In 1945 the city was mostly destroyed due to the Allies’ air-bombing and the Red Army invasion. Later on, the famous wall was erected splitting the city in two blocks, somehow representing the blocks that divided the world during Cold War. As Berlin was almost completely torn down by the end of the second world war, the city urban planners, from both sides of the future wall, had the perfect opportunity to design a city for the future generations. Instead of creating a city where its citizens, its people, its inhabitants and their needs were fulfilled, the new-Berlin urban planners just had in mind the satisfaction of automobile usage and economic dependency on fossil fuels, helping therefore the american economy and the petrol industry. The urban planners of the new-Berlin made exactly the same mistakes other cities did, making a jay copy of north-american urban areas, where urban sprawl and automobile dependency are omnipresent and all its adverse consequences for life quality and economy.

The Brandenburg Gate on the beginning of the 20th century
The Brandenburg Gate after the war

Os Tudor: Portugal é o bobo da corte


O rei português que nunca existiu, é apresentado
nesta série como um velho decrépito, senil, caricatural,
sexualmente glutão e proferindo umas palavras
que se assemelham a Espanhol
Longe de mim ser muito nacionalista, mas não soube se haveria de rir ou chorar perante o que hoje assisti. Dir-me-ão que por certo é assunto menor que nem deveria ser abordado, todavia parece-me relevante mencioná-lo neste espaço. 

Tenho acompanhado de perto uma série televisiva algo famosa denominada os Tudor que tem das melhores opiniões da crítica internacional, e milhares de espectadores na televisão e Internet, essencialmente no mundo anglófono. A série, que segundo consta é fidedigna à história da época em questão, foi transmitida pela BBC, pelo canal público português (RTP), ganhou vários prémios televisivos e só nos EUA esta primeira sessão teve 870 mil espectadores.

Na dita série, no episódio quarto da primeira sessão, Henrique VIII da casa de Tudor envia a sua irmã, Margaria Tudor para casar com o Rei de Portugal de então. Na viagem que fazem de Londres até Lisboa de barco, a dita Margarida copula numa relação sexualmente intensa com um dos belos, bravos e jovens vassalos do Rei de Inglaterra antes de se casar oficialmente com o Rei de Portugal.

Three sonnets


Through ages I’ve seen the pure reason
the candle of wisdom, which thrills my heart
Thou art the core for the yearly midseason
the starry core I shall never put apart

Thou art the shapes of a kind highly treason
gluttony, lust, envy and sloth form my art
I carve the deadly sins with scholarly precision
Do not dare to evoke any bond nor depart

The moon has became the source of my power
She copulates my soul every four weeks
Never dare to patronize nor to cower

my savant inspirational blasty peaks
in every finger I find a temple’s tower
which stabs poems as sleepy tweaks

O embuste político chamado António Costa


António Costa promete praticamente o impossível:
mais salários e pensões e menos carga fiscal;
com o cumprimento do défice imposto pelo
Tratado Orçamental. Crescimento económico relevante
o país não tem há mais de 25 anos, quando tinha
moeda própria, metade da dívida de hoje
e controlava alfândegas.
Como é que alguém ainda acredita que o recente líder do PS e possível futuro primeiro-ministro trará algumas medidas positivas ao país com o seu putativo programa de governo? Falamos de alguém que teve uma carreira profissional como advogado e que desde cedo se juntou ao aparelho partidário do qual não saiu desde então; alguém que por certo não sabe fazer uma regra três simples, mas que já prometeu abertamente mais salários e pensões e descida da carga fiscal, ao mesmo tempo que referiu que cumpriria o Tratado Orçamental que nos impõe regras muito rígidas para o défice das contas públicas. O segredo estará no crescimento económico, aquilo que não existe em Portugal de forma estrutural há mais de 25 anos, altura em que a nossa dívida pública era metade da atual podendo-nos endividar como fizemos, quando tínhamos moeda própria podendo adotar políticas expansionistas e quando ainda controlávamos alfândegas podendo colocar entraves à importação de certos bens que afetam negativamente a nossa balança comercial. 

Prevejo três cenários possíveis caso António Costa seja primeiro-ministro. No primeiro cenário, prevejo que haja um milagre (sim, sou crente) e com o seu enorme "poder negocial" os credores facilitariam-nos bastante o pagamento da dívida, estando implícita a reestruturação da mesma. Dito de forma coloquial daríamos o calote aos credores com a mendicância de António Costa junto das instâncias europeias e internacionais. Como Francisco Louça muito bem explanou no seu espaço de comentário televisivo, é impossível dizer - como António Costa já disse - que Portugal deverá honrar totalmente os seus compromissos, e em simultâneo referir que se é apologista da reestruturação da dívida pública. São duas opiniões financeiramente antagónicas. No segundo cenário - como profetizado pelo Prof. João Ferreira do Amaral -  Portugal sairá do Euro, e assim António Costa enquanto primeiro-ministro pode indiretamente dar instruções ao Banco de Portugal para emitir moeda, tendo o Tesouro por conseguinte margem orçamental para aumentar ilusoriamente os rendimentos dos pensionistas e dos funcionários públicos, sendo que o futuro depois dirá como se comportará a inflação e a perda real de rendimentos dos portugueses. No terceiro cenário, e aquele que é mais provável, o país será dirigido por um Hollande luso, uma deceção eleitoral que passados seis meses de governação e depois de se deparar com a realidade das finanças públicas, fará exatamente o oposto das expetativas que fomentou, tendo de continuar com políticas de austeridade, defraudando todos aqueles que nele votaram. Nem sequer quero equacionar, o também possível cenário de Portugal necessitar novamente de um resgate internacional devido à sua recorrente indisciplina orçamental.

Entristece-me todavia que estes acontecimentos recentes demonstrem factualmente que a Matemática em Portugal nunca saiu da categoria de ciência oculta ou de pseudo-ciência. Um pouco mais de literacia numérica e maturidade democrática por parte dos eleitores, e nunca os políticos sofistas e mentirosos como Passos Coelho ou José Sócrates teriam chegado ao poder. Continuo a partilhar da mesma paixão de António Guterres, a Educação. Só com Educação nas matérias estruturais como o Português e a Matemática, mas acima de tudo a Cidadania, podemos evitar que as gerações vindouras se deixem enredar e ludibriar pelos sofismas e os ardis da classe política dirigente.

António Costa preconiza então politicamente, aquilo que Confúcio definiu como um homem inferior. Para Confúcio um homem superior era aquela que exigia muito de si e pouco dos outros; um homem inferior era o que exigia muito dos outros e pouco de si. Um putativo programa de governo, que nas questões estratégicas e na sua muito pouco provável aplicabilidade orçamental, está completamente dependente de entidades estrangeiras, revela a inferioridade nacional, que António Costa preconiza para uma pátria com 900 anos de história e que não precisou de crédito estrangeiro para dar rumo aos Descobrimentos.

O Euro, a falácia económica do Prof. João Ferreira do Amaral


O Prof. João Ferreira do Amaral
é favorável à saída de Portugal da moeda única
devido ao défice do país com o exterior
Longe de mim querer ser arrogante e enquanto leigo colocar em causa as teorias do Prof. João Ferreira do Amaral, académico extremamente sapiente e um reputado estudioso das matérias económicas de Portugal. Todavia acompanho de perto o discurso do Prof. João Ferreira do Amaral sobre a permanência ou saída do Euro por parte de Portugal, e parece-me que o professor omite uma variável extremamente relevante na sua argumentação económica.

A razão principal em que assenta todo o argumentário do professor, prende-se com o facto de Portugal ter um défice da balança de pagamentos extremamente elevado, provocando uma crise estrutural na nossa economia, com um impacto grave no crescimento económico e provocando uma estrondosa dívida externa, ou seja a dívida do Estado, das famílias, da banca e das empresas para com o estrangeiro (não confundir com dívida pública). A dívida externa, rondava já, no primeiro trimestre de 2014, cerca 230% do PIB. Todo o argumentário do professor é coerente. Consideremos ainda que Portugal teve elevados crescimentos económicos apenas quando possuía moeda própria; pois havendo exigências sociais, o Estado teve somente que emitir moeda, aumentando ficticiamente os rendimentos dos pensionistas, funcionários públicos e beneficiários de apoios sociais, pois havendo inflação, o poder real de compra diminui.

Entender os casos em Alemão


Artigos definidos, indefinidos, possessivos e sem artigo

Artigo definido, sem artigo, artigo indefinido e artigo possessivo,
para os quatro casos, os três géneros, singular e plural; em Alemão

Um dos problemas para quem aprende Alemão é tentar entender os quatro diferentes casos, ou seja, nominativo, acusativo, dativo ou genitivo. Segundo a minha professora de Alemão esta tabela é aquela sobre a qual todo o estudante de Alemão deve observar e refletir, por uns minutos, todos os dias antes de adormecer. Uma regra geral para perceber como funcionam os casos pode ser geralmente pensar que o nominativo aplica-se ao sujeito; o acusativo aplica-se ao complemento/objeto direto; o dativo ao complemento/objeto indireto e o genitivo ao objeto de posse do sujeito.

      Os poemas do escritor são escritos com uma caneta para a sua amada

Nominativo
O que é que é escrito (do verbo ser escrito)? Qual é o sujeito principal que aplica a ação (o verbo) ser escrito? Os poemas, logo "os poemas" está no caso nominativo.

Acusativo
São escritos para quem, ou para quê? Qual é o complemento direto da ação de ser escrito? A sua amada, pois é a ela que são escritos os poemas, logo a sua amada está no caso acusativo.

Dativo
O que é que auxilia ou complementa de forma indireta a ação de escrever? O complemento indireto, ou seja, a caneta. Logo a caneta está no caso dativo.

Genitivo
Os poemas são de quem? Qual a entidade que possui o sujeito? O escritor, logo o escritor está no caso genitivo.

      Die Gedichte des Schriftstellers sind mit einem Stift für seine Geliebte geschrieben

Os poemas (Die Gedichte) estão no plural e no nominativo, usando-se o artigo definido (os, Die). Olhando para a tabela lá de cima, verifica-se então que fica apenas Die. A sua amada (seine Gelibte) como verificámos está no acusativo, e como é um nome feminino e se faz uso do artigo possessivo aplicando a tabela, vamos ao caso acusativo e género feminino e ficamos com seine (a tabela mostra apenas "meu"). A caneta (der Stift), ou melhor uma caneta (ein Stift), verificámos que estava no caso dativo, e considerando que se trata de um nome masculino e usamos aqui o artigo indefinido (uma, ein), observando a tabela fica-se com einem Stift. O escritor (der Schriftsteller), ou melhor "do escritor", não esquecendo que a palavra do é a contração entre "de" e "o", verificámos que está no caso genitivo. Como é um nome masculino, e se faz uso do artigo definido "o", observando a tabela ficamos com des Schriftstellers.

O mesmo princípio se aplica aos adjetivos associados aos nomes, que mudam em função dos casos, tal como consta na tabela acima, mas por questões de simplicidade, não exemplificarei. Em Português, os adjetivos mudam apenas em função do género e do número do nome, ou seja por exemplo "belo gato", "belos gatos", "bela gata", "belas gatas". Mas em Alemão, como pode ser observado, os adjetivos mudam em função do género, do número e do caso. Há todavia formas mais fáceis em Alemão de saber automaticamente qual o caso que devemos aplicar, em função das preposições.

Acusativo

      bis, durch, für, gegen, ohne, um

Dativo

      ab, aus, bei, mit, nach, seit, von, zu

Com as outras preposições como in ou über, tal dependerá do contexto da frase, podendo ser acusativo ou dativo.


Pronomes pessoais

Tabela de pronomes pessoais para diferentes pessoas, número e caso.

Na língua portuguesa restam uns resquícios da alguns casos, principalmente nos pronomes pessoais. Ninguém em português diz "com tu", mas sim contigo. O "tigo" é de certa forma o equivalente ao dativo da língua portuguesa para o "tu". Em Alemão diz-se mit dir, pois a segunda pessoa do singular du, como se segue à preposição mit, está no dativo. Em Português ninguém diz "para tu" mas sim para ti. O ti, é um resquício do caso acusativo do pronome pessoal tu. Equivalentemente diz-se em Alemão für dich pois segue-se à preposição für.

Why is USA theologically the great Satan?


First of all, I must refer I’m neither a Muslim nor an Arab. I do not at all support any kind of terrorist attack nor I tolerate any kind of aggression towards human lives. I’m a pacifist and I’m not the “religious” type, if we consider the meaning this term has for the common sense. I’m just a philosopher and my favourite authors are Plato and Voltaire.

Nevertheless I completely understand the term “Satan”, merely as a religious metaphor. Satan, per se, does not exist, science hasn’t found it nor there is any kind of theory that might support the lightest existence of Satan. Though, Man since the most ancient times interpreted many facts through His mind and spirit giving them metaphoric symbolism. One of these might be the sky-night constellations, merely combinations of light spots in the sky which were anthropomorphised. The planet Venus is another interesting example, due to its colour and pathway in the sky. Because it is red and its path has an approximately V-shape in the sky, having the V letter the shape of the female vulva (word which starts with V, having also two V), which our ancestors would see in their daily lives on normally naked women, as underwear is an evolutionary recent creation, Venus was then historically linked with femininity, and through psychological connection with love and lust. The Great Architect, the entity Masons throughout the world define as their God, is another metaphor, as the architect is the being which draws the plan masons shall follow. We can nowadays with science clearly state that almost everything which is in the Bible might have some connection with reality, but only through metaphors, Adam and Eve being a clear example. We know that Homo Sapiens (modern man) had a beginning around two hundred thousand years ago. Primates and Homo Sapiens seem to have an anthropological primary fear of serpents, because evolution taught us serpents are dangerous as they are poisonous.  Still, because there is a very strong Freudian psycho-sexual connection (due to shape) between serpents and penis, serpents were strongly associated with the animal of lust and sin. Sin, Serpent and She are words which start with the letter S, the lonely shape of the letter S appearing to be itself a serpent. The Genesis is nothing but a metaphor.

Man made metaphors due to anthropological reasons. Therefore, normally they are linked with animals, meteorological and astronomic factors or - since Man, like any mammal, is a collective being which by default interacts in communities and groups - social interactions which we define with values.  Good and Evil, God and Satan, Heaven and Hell are just some examples. Many saints in catholic countries for instance are “responsible” for weather and crops; animals are seen as the mascots and symbols for so many clubs and teams; and good and evil are concepts which Mankind found many millennia ago to be optimal to define behaviours which are dangerous to the community or the common wealth, and those which are desirable as they are linked with prosperity, harmony and order. That’s why in every theological culture or regime killing innocents is somehow linked with Evil, and charity is linked with God. The illuminist movement converted these metaphoric concepts in something much more rational, although with the same ethical approaches and having the same practical functions, as killing is sanctioned by law and solidarity (the modern state charity) is seen as something desirable.

Metaphors, strongly supported by religion, played then a key role in our culture, even the Western one, and they were slowly through ages unveiled, as science and intellectual movements were progressing. So, as Satan scientifically does not exist, what this metaphor really represents and why USA fits within it? USA has 5% of the world population but consumes 20% of the world resources, externalising environmental and social costs to other countries. USA was the only country, along with Australia, that didn’t sign in for the Kyoto agreement, the first compromising international agreement in-which so many nations worldwide decided to reduce greenhouse gases emissions. USA was the only country throughout Mankind History that used atomic power to kill civilians. Around eighty percent of the world pornography – and I suppose, disregarding at all religious factors, that anyone might find wide broadcasted pornography as something desirable for prosperity and order – is produced in USA. USA is the only country, like Vietnam if I’m not mistaken, which legally accepts abortion up to the day the baby is born. Killing legally a healthy infant minutes before he is born, does not seem to be, for every reasonable person, something liable to be “good”. Observe the interesting graphical similarity between the words good and god, and the fact the letter G, is the letter for the word Galaxy, as our ancestors thought the Milky Way, was the Universe, having a helicoidally shape which then applied to the shape of the letter G, the letter of the word God. In USA, having a fire-weapon for “self-defence” is a legal and alleged constitutional basic right, and we know, that the only purpose and end of a fire-weapon is to kill. The developers of fire-weapons are not thinking in self-defence when they design and build them, but merely how to provoke the highest damage in the opponent, an euphemism to describe normally a human being. USA is one of the countries with more automobiles per inhabitant and in absolute number; being also a great promoter of these metal machines; the automobile being responsible in the 20th century for the same fatalities as the second world war, just in road accidents. USA does it since the Ford age, because automobiles run on oil derivatives, and oil plays a key role in the economic external affairs of the empire, mainly nowadays due to the petrodollar system, causing enormous severities to the planet Earth, mainly pollution. USA has the military power (even in historical proportions), that no other nation had in History, and commences a major war on average on every 10 or 15 years against another sovereign nation. The goals which are normally given to these wars are described as humanitarian or democratic, but history seems to verify that they are simply economic. The “axis of evil”, as Bush defined, is just a set of oil producing countries which do not wish to comply with the petrodollar system. 

USA, like the Nazis did, put one of the most outstanding qualities of Mankind, its capacity for innovation and creativity, on the service of death and destruction. Satan does not scientifically exist, but as with its metaphoric representation is concerned, USA fits within-it very clearly!

Lei, Ética e Costume


A palavra Ética vem do grego, mais precisamente "ethos" e significava algo como "modo de ser". Quando os romanos fizeram a tradução para o Latim, surgiu posteriormente a palavra Moral. Assim Ética, Moral e Costume têm a mesma raiz etimológica. Todavia com o tempo, a terminologia foi-se alterando, e talvez devido ao facto de os romanos terem uma visão mais pragmática dos assuntos e os gregos uma abordagem mais filosófica, as palavras Ética e Moral afastaram-se do seu significado filosófico, sendo que a Ética tenta aproximar os costumes, como os das elites profissionais, à razão da ciência e da filosofia, enquanto que a Moral adota uma abordagem de maior senso comum.

Assim, como amante da Filosofia, devo afirmar que não guardo qualquer empatia com a Moral, pois não me apraz a ideia de senso comum. Uma alegoria interessante, seria imaginar um mundo onde todos piamente acreditassem que um mais um seria igual a onze. Nesse mundo, imaginemos que existiria uma classe que tentaria aproximar o senso comum da Verdade e diria que um mais um era igual a cinco. Quem advogasse através do senso comum, e por aquilo que se denomina por "meio termo", diria que um mais um é igual a sete. O senso comum, não tem assim de ter obrigatoriamente qualquer validade científica ou filosófica, mas naturalmente obedece a uma certa sabedoria popular na forma da organização das relações interpessoais e de cada um dentro de uma sociedade. É neste aspeto que se enquadra a Moral.

O Costume

O Costume, comummente conhecido apenas por costumes, retrata assim a cultura e o conhecimento secularmente adquirido por um certo grupo de pessoas. Não obedece forçosamente a critérios científicos ou filosóficos, obedecendo sim a princípios sociológicos de relação interpessoal, a critérios antropológicos, sociais e sobre a perceção que a generalidade das pessoas tem da Verdade. O Costume, que influencia diretamente a Moral e é fortemente influenciado pela Religião, é assim a doutrina comportamental mais facilmente implantada no senso do povo, mas aquela que é menor em termos de nobreza das atitudes individuais de cada um, pois não exige ao indivíduo qualquer conhecimento intelectual que o obrigue a validar filosófica e cientificamente o padronizado, estando o Costume concebido para que o plebeu o assimile sem o questionar. Outros nomes podemos dar a este conceito, como tradição ou fatores culturais. Há todavia costumes que obedecem a uma lógica de integração com o meio envolvente e se revelam os mais eficazes do ponto de vista pragmático, para a regulação das pessoas dentro de um grupo.

A Lei

A Lei grafa os costumes em códigos e tratados, conferindo-lhes obviamente carácter científico e racional. Todavia, as bases das leis, não são a Verdade nem a Ciência, a Técnica para procurar a Verdade. As leis são assim um misto entre Ciência e Costumes. Esse equilíbrio altera-se consoante os países; por exemplo nos países árabes as leis têm uma grande influência dos costumes através de regimes teocráticos, já nos países nórdicos a influência dos costumes é diminuta, providenciando assim um carácter mais racional às leis, podendo as mesmas ser mais imparciais na forma como encaram o indivíduo e as suas liberdades individuais. A Lei não obedece assim forçosamente à Verdade nem sequer é perfeita, pois é concebida por homens. Nem muito menos o é a Lei Canónica, pois essa peca duplamente ao ser feita por homens que se intitulam legislar em nome do divino. Por conseguinte a Lei, filosoficamente falando, não é sempre o que distingue o Bem do Mal, ou o Correto do Errado. A Lei deve a priori, e ainda para mais num estado democrático, ser cumprida por parte dos cidadãos, todavia após uma análise consciente, ética e verdadeira, a mesma pode, e em alguns casos deve, ser violada. A Lei não é o caminho para a Verdade, nem para a Ciência. A Lei é aquilo que as elites, ou num estado mais democrático e participativo, os cidadãos em geral; entendem como válido e correto, nas relação entre as várias entidades e organizações que fazem parte do Estado. Se a Lei fosse cristalina e infalível, nem sequer existiriam tribunais compostos por juízes, e dentro do sistema judicial nem sequer existiriam recursos. E na mesma lógica argumentativa, infere-se facilmente que mesmo após o trânsito em julgado de um certo processo, uma certa decisão pode estar completamente errada do ponto de vista ético. A Lei também obedece a premissas de pragmatismo, para que possa na generalidade ser eficaz a sua aplicação, mas esse pragmatismo pode incorrer em situações pouco éticas em certos casos particulares. Por inferência lógica, a Lei não é obrigatoriamente sempre justa.

Ética

Abordo aqui uma visão radical daquilo que entendo como Ética, e por isso mesmo diferencio-a muito bem da Lei e do Costume. No meu entender, a Ética deve ser a dinâmica que aproxima os costumes da Verdade. Considero que um verdadeiro eticista, preocupa-se apenas em alinhar os comportamentos humanos com a Verdade e por considerações factuais, com a Ciência. Naturalmente o ser humano, como mamífero que é, é um ser complexo nas ruas relações interpessoais dentro de um certo grupo. Muito dos seus costumes nada têm de éticos ou racionais, obedecendo apenas a princípios antropológicos que hoje fazem pouco sentido. A Ética como o Homem a idealiza nunca será perfeita e por isso haverão sempre muitos opinadores sobre a mesma, mas tal incorre do facto de ser o Homem quem procura a Verdade, e como tal, poderá aproximar-se da mesma, mas nunca a encontrará no estado puro. Todavia, um verdadeiro eticista deverá sempre alinhar o Costume com a Verdade. Na Ética que idealizo não quer dizer que devamos renunciar aos prazeres mundanos, pois tal também faz parte da felicidade do Homem. Todavia se os mesmos forem prejudiciais ao Homem devem ser combatidos. Na Ética a Vida Humana é inviolável, e não obedece a relativismos morais, como o aborto ou a pena capital. A Ética não se deixa influenciar pelo lado primário do ser humano, mas alinha a sua conduta pela Razão, pela Ciência, pela Justiça e pela Verdade.

Fazer Lisboa-Algarve de carro ou comboio?


Obviamente que cada caso é um caso, mas retrato o meu caso, que certamente, é praticamente igual a de muitos outros portugueses. Vim de Lisboa para o Algarve com a minha esposa para uns dez dias de férias, mais precisamente vim da zona oriental de Lisboa, para um apartotel em Albufeira. E como viemos? Naturalmente de comboio. Passo a explicar.

Preço

O preço que paguei em primeira classe no intercidades da CP, que faz a ligação entre a Gare do Oriente em Lisboa e Albufeira foi praticamente 30€ por pessoa, ida-e-volta. Como somos dois, um casal, a viagem de ida-e-volta ficou em 60€. Da nossa casa até à estação pagámos os dois cerca de 4€. Considerando que faremos o percurso inverso ficará esta parcela, de forma arredondada em 10€. Da estação ferroviária de Albufeira-Ferreiras até ao centro de Albufeira junto ao mar, onde se encontra o estabelecimento hoteleiro, o preço da corrida de táxi fica em cerca de 10€. Tudo somado em viagens gastámos aproximadamente 90€ pelo casal, 45€ por pessoa.

Caso tivéssemos vindo de carro (casal sem filhos), considerando um gasto médio aproximado de 0,14€ por km (carro a gasolina), e uma distância de 250km, só em combustível gastaríamos cerca de 70€, ida-e-volta. Ora, não posso agora comparar a primeira classe da CP, em termos de conforto com as estradas nacionais, assim o preço das portagens da autoestrada A2, caso tivéssemos optado pelo automóvel, ficaria no total em cerca de 22,2€ para cada lado perfazendo cerca de 45€ no total. Logo, a opção automóvel ficaria em cerca de 115€, 57,5€ por pessoa, mais 25€ que a opção da CP.

Na realidade, só fica mais barato de automóvel, quando o número de passageiros é igual ou superior a três, que nem sempre é o caso (caso sejam crianças até pode nem ser verdade, considerando os 50% de desconto). Reparem ainda que na CP fomos em primeira classe e contabilizámos o táxi e CARRIS, ou seja o percurso de porta-a-porta.

Conforto e Segurança

É indubitável que é muito mais confortável para todos os passageiros, a opção ferroviária em comparação com a rodoviária. Em primeiro lugar, não há necessidade de um condutor, e bem sabemos que a condução de longos percursos é algo cansativa, e em segundo lugar temos acesso a sanitários, podemos ver um filme num computador portátil, podemos ler (para quem não enjoa no comboio) ou podemos tomar um café ou uma bebida na carruagem bar, podendo ainda dormir calmamente. Andar de comboio é ainda, segundo a Comissão Europeia, cerca de 30 vezes mais seguro que andar de automóvel, em termos de fatalidades por passageiro-km.

Tempo

De carro, pela A2 à velocidade máxima estabelecida por lei, ou seja 120km/h, demora-se aproximadamente cerca de 2:15. Já o comboio da CP, pela Linha do Sul, demora aproximadamente mais 45 minutos, ou seja 3:00. A parte mais morosa, pois a linha não está totalmente modernizada nesse troço, pareceu-me ser o troço ao longo da serra do Caldeirão.

Conclusão

Abstraia a sua consciência e as suas ideias feitas, e faça as contas para que se aperceba do que realmente é mais vantajoso para si, em termos financeiros e de conforto. Ponderando racionalmente os prós e os contras, constata-se claramente que a opção ferroviária é muito melhor até duas pessoas. De referir ainda que, tal como muitos portugueses, não gostamos de andar a vaguear pelo Algarve, ficando na mesma cidade de férias a relaxar. Já se o número de adultos for igual ou superior a três, admito que a opção por automóvel seja financeiramente mais vantajosa; ou ainda, caso seja daquelas pessoas que quando vai para o Algarve, todos os dias vai a praias diferentes em cidades diferentes. Todavia não arrisque, pois estacionar junto à praia na época de verão é tarefa muito árdua.

O automóvel, a família e os filhos


Em 30 anos, as famílias ficaram mais pequenas, os nascimentos diminuíram, mas o número de automóveis cresceu cerca de 300%, tendo quadriplicado.

Em 1983, cada agregado familiar em Portugal, termo técnico para família, tinha em média 3,3 pessoas. Na altura o país tinha um quarto dos automóveis que tem hoje (ver relatório da ACAP, página 206). Hoje, passados cerca de 30 anos, com quatro vezes mais carros que em 1983, cada família tem apenas 2,6 pessoas. Ou seja, Portugal passados trinta anos, tem quatro vezes mais automóveis mas uma família 20% mais pequena.

A ideia generalizada que uma família, principalmente numerosa, precisa de carro no dia-a-dia como "pão para a boca", não é nem social nem cientificamente correta. É uma ferramenta que pode ser útil, mas não é vital. Aliás, o próprio Primeiro-Ministro, nas declarações recentes sobre as propostas para o aumento da natalidade, referiu que introduzirá o passe familiar, uma ferramenta essencial para a mobilidade das famílias com menores. Muitos de nós tiveram irmãos, e muitos de nós usaram transportes públicos na adolescência, e em alguns casos os nossos pais nem automóvel tinham. E não foi por isso que fomos menos felizes, menos bem educados, ou menos bem formados academicamente.

Na realidade, os pais de hoje em dia trazem os filhos para a escola de automóvel, porque se deixaram em parte conduzir por uma política do medo, que é tudo menos racional. Introduzimos no subconsciente que as ruas e as estradas são perigosas para as crianças, onde existe criminalidade, eventualmente pedófilos à espreita, e vários atropelamentos. Na senda de querer preservar a segurança máxima aos nossos filhos que tanto amamos, achamos que é nosso dever paternal e maternal, levá-los para os estabelecimentos de ensino, obrigatoriamente de automóvel, essa "bolha metálica que os protege das intempéries e dos malfeitores do espaço público" como em tempos um urbanista ironizou. Mas na realidade, quantos mais de nós tiverem essa atitude demasiado protecionista, que até lhes é prejudicial, mais as ruas se tornam locais inóspitos e perigosos, com velocidades elevadas, desrespeito pelos peões e por todos os utilizadores vulneráveis, e muito pouco acolhedoras para uma criança.

A natalidade em Portugal decresce a olhos vistos e segundo um estudo demográfico interessante, se este rácio de nascimentos se mantiver, em 2040 a população de Portugal rondará os seis milhões de habitantes, menos 40% do que a atual. Na nossa escala de prioridades demos talvez primazia a certos bens e serviços, que talvez erradamente fossem menos importantes que a natalidade e a conceção. Obviamente que a natalidade deve ser planificada e desejada, mas será legítimo preterirmos ter um filho em detrimento da posse de um automóvel? A pergunta poderá parecer invasiva da liberdade individual de cada um para idealizar a família que lhe aprouver, mas as estatísticas não o enganam. Desde 1980 que o número de nascimentos tem caído em Portugal, mas desde esse ano que o número de carros no país não para de crescer, tendo tido desde esse ano até hoje um crescimento de cerca de 300%. Ora, muitos dos argumentos das pessoas que optam por não ter filhos, ou ter apenas um, é exatamente o financeiro, o que é perfeitamente legítimo. Um filho acarreta despesas, mesmo que muitas delas o Estado Social (ainda) suporte. Todavia consideremos que o automóvel tem um custo médio total às famílias de cerca de 370€ por mês. Não teria mais filhos se o Estado lhe desse 370€ por mês por cada filho? Então, troque o carro que tem na garagem por um filho, e os seus problemas financeiros ficam sanados. Se tal for feito em larga escala, haverão menos carros nas ruas, menos atropelamentos, menos carros sobre o passeio, bairros mais acolhedores e um espaço público mais seguro e agradável, espaço esse que o seu filho usará para brincar e para se deslocar até à escola a pé ou de bicicleta.

Pedro Santa Lopes é reconduzido como provedor da Santa Casa da Misericórdia


Fui voluntário para a Santa Casa da Misericórdia durante duas ocasiões. A primeira no polo do Bairro Alto, onde lecionei matemática a senhoras reformadas, que queriam regressar ao sistema de ensino. Alguns anos mais tarde, no polo do bairro da Boavista, a um jovem filho de pais imigrantes que tinha graves problemas de aprendizagem na disciplina. Sinto-me violentamente desrespeitado no meu trabalho voluntário, cívico, caritário e filantropo, por saber que mais uma vez, o Dr. Pedro Santana Lopes, será reconduzido como provedor desta nobre instituição. Sinto-me humilhado e sinto o meu trabalho completamente desprezado por uma elite político-partidária que usa esta nobre instituição filantrópica, apenas para fins de jogos de mediatismo das figuras públicas ligadas ao aparelho partidário dos membros do governo.

Não me refiro à pessoa do Dr. Santana Lopes enquanto advogado, político ou cidadão, refiro-me ao Dr. Santana Lopes, enquanto homem caridoso, cristão, com um percurso de trabalho voluntário ou filantrópico. Escolher alguém que é sobejamente conhecido por ser um Casanova que gosta de passar o seu tempo em festins noturnos, que gosta de conviver em eventos ligados à aristocracia lisbonesa ou figueirense, que teve um percurso profissional como advogado (sabemos como os advogados não são propriamente conhecidos pelo seu serviço caritário) e que o vemos amiúde, não nas campanhas do Banco Alimentar contra a Fome, mas nas revistas cor-de-rosa; demonstra que afinal "a ala dos Namorados" estava certa, e que a terra gira ao contrário!

Ver um Casanova a fazer Caridade, seria como ver a JPMorgan dirigida por um Franciscano! Rasguei o meu cartão de voluntário da Santa Casa da Misericórdia e cessei nesse dia todas as minhas atividades de voluntário, como professor de matemática, quando soube há 3 anos, que o Dr. Pedro Santana Lopes, cuja carreira profissional e percurso político estão nos antípodas da filantropia e Caridade, foi indigitado para o cargo! Uma instituição com mais de 500 anos "a fazer o bem" tão nobre como a Santa Casa não merecia isto.

Autoestrada transmontana custou três mil euros por passo!


Imagem de RutaVella; skyscrapercity.com

A autoestrada transmontana foi construída no âmbito de uma parceria público-privada adjudicada em 2008 ao consórcio liderado pela Soares da Costa, com um custo de 510 milhões de euros. Faz referência ao troço entre Vila Real e Quintanilhas, junto a Bragança e à fronteira espanhola. Este troço da A4 (pois será a continuação da autoestrada A4 já existente entre Matosinhos a Amarante) tem cerca de 132 km. Aplicando aritmética elementar ficamos com um rácio de 3860 euros por metro, quase 40 euros por cm. Dito de uma forma um pouco mais mundana, ou imperial, algo como 3000 euros por passo (daqueles normais de andar a pé calmamente) ou se quisermos algo como 100 euros por polegada (distância de um polegar humano regular, medido na base da unha). Já o famoso túnel do Marão, que faz parte desta empreitada, tem um comprimento de 5,2 km e um custo projetado até 2035 de 452 milhões de euros, algo como 80 mil euros por metro ou 800 euros por centímetro; ou seja 60 mil euros por passo, ou ainda 2000 euros por polegada. Chamemos os "bois pelos nomes" ou melhor, "as empreitadas pelos números"!

Se ainda quisermos usar um pouco mais de numerologia, podemos dizer que cada metro do túnel do Marão, paga mensalmente em média, a pensão a 200 reformados. Consta que em Bragança há muitos!

A origem e o anacronismo do medo


A origem: a proteção na savana, na selva e na floresta!

A origem do medo remonta a princípios antropológicos de defesa pessoal e coletiva. O medo instintivo ou inato pode ser cientificamente explicado através da psicologia evolutiva. Já o medo adquirido ou "aprendido" pelo indivíduo é explicado simplesmente pela psicologia clínica. O medo instintivo tem uma função muito bem definida na espécie e teve um propósito evolutivo de defender o indivíduo, defendendo assim também a espécie. Este tipo de medos aplicam-se a muitas outras espécies. Todos os mamíferos têm medo de alturas, e todos os primatas têm medo de serpentes. Este tipo de medos transmitidos pela evolução, teve uma função muito bem definida de nos proteger em diferentes circunstâncias ao longo da nossa sobrevivência na selva, na floresta ou na savana!

Comecemos pelo mais geral, pelo medo de alturas, que é mais ou menos comum a todos os mamíferos e surgiu na era do Mesozóico (que está compreendida aproximadamente entre 251 milhões e 65,5 milhões de anos atrás, e que inclui o Cretássio, o Jurássico e o Triássico). Os mamíferos, não sendo aves, sendo na sua grande maioria animais terrestres, tiveram que instintivamente começar a afastar-se de zonas perigosas, como ravinas ou falésias. Aplicando a teoria evolutiva da seleção natural, da seleção dos mais aptos, por certo, os mamíferos que foram sobrevivendo às diversas situações de perigo, foram exatamente aqueles que se foram afastando de zonas altas perigosas, zonas potencialmente mortais, como beiras de falésias ou ravinas. Esses mamíferos que sobreviveram guardaram no seu instinto uma repulsa protetora às alturas, que transmitiram às novas gerações, criando-se assim o medo pelas alturas. No ser humano, esse medo toma o papel muitas vezes de vertigens. Mesmo os mamíferos que se sentem à vontade em cotas altas, como os felinos, têm medo de alturas. Uma experiência interessante, é agarrar num gato, e colocá-lo do lado de fora de uma janela, a uma altura de apenas um primeiro andar (peço por favor que respeite a integridade física do gato), e reparar que o animal sente-se imediatamente aflito. O medo pelas alturas foi assim uma proteção instintiva, que os mamíferos guardaram no seu código genético com referência ao sistema límbico, para que se afastassem de zonas potencialmente letais. O medo por carnívoros de grande porte, como leões, ursos, hienas, lobos ou mesmo o medo por herbívoros eventualmente agressivos ou perigosos, como elefantes, búfalos ou rinocerontes, surge apenas na era seguinte ao Mesozóico, ou seja, surge no Cenozóico, quando os mamíferos se expandiram, cresceram em porte, e se diversificaram. Na era anterior, no Mesozóico, os mamíferos eram todos de pequeno porte, altura aliás em que o pequeno tamanho os permitia escapar dos dinossauros, tendo-se tornado assim mais aptos. Este exemplo também ajuda a clarificar a confusão recorrente que se tem da teoria evolutiva, da "seleção dos mais fortes", quando na realidade trata-se sempre da seleção dos mais aptos (fitness).

O medo por ratos e insectos, que aparenta ser comum apenas nos humanos (Homo Sapiens que tem 200 mil anos), obedece ao mesmo princípio, tendo surgido apenas no Paleolítico e no Neolítico, ou seja, numa escala de tempo bem mais recente. Durante milhões de anos em que vivemos na savana e posteriormente na floresta, convivemos com uma série de outros animais, entre os quais os ratos. O problema é que os ratos, além de se alimentarem dos mesmos alimentos que nós consumíamos, como frutos silvestres, sempre foram grandes transmissores de doenças mortais. Os indivíduos nossos antepassados que começaram a afastar-se deste tipo de roedores, sobreviveram a uma série de doenças transmissíveis e desta forma transmitiram, através da seleção natural, esse medo instintivo de ratos às próximas gerações. Só o Homo Sapiens (o que somos nós) é que também aparenta ter medo instintivo por insectos, pois estes, pela mesma razão que os ratos, foram a partir de certa altura transmissores de muitas doenças e por certo causaram pragas em colheitas, tendo também destruído pequenos armazenamentos de alimentos, que os nossos antepassados poderiam talvez fazer para os momentos de maior carência, como o Inverno. Os insectos são conhecidos por causar a deterioração de frutas, sendo que durante milhões de anos os nossos antepassados se alimentaram com frutas. Ademais, a agricultura, o sedentarismo e o armazenamento de alimentos surge no Neolítico, e por esses motivos crê-se que o medo por alguns insectos surge apenas no Neolítico, ou seja, num período mais recente. Já o medo por serpentes aparenta ser comum a todos os símios, e revela a proteção instintiva que esta categoria de animais do qual nós evoluímos, tem em relação a outros animais que podem ser potencialmente venenosos e letais.

Sou um homem de esquerda, que vota na direita!


O Estado social, não vive sem capital. As pensões e os salários não são pagas em géneros!

O título poderá parecer contraditório e o subtítulo uma evidência, mas convém que a esquerda portuguesa tenha-o bem ciente, quando discursa em público e pretende fazer alianças políticas. Sou um homem de esquerda e sempre o fui, pois defendo o Estado Social, pois acho que a culpa do estado do país é da banca e do sistema financeiro e não dos RSI; pois defendo que ninguém deve dormir na rua, pois defendi a construção de bairros sociais quando muitos diziam que o Estado não tinha que construir casas discriminando quem pagou por elas; defendo um sistema de saúde apenas público e gratuito, uma justiça sem taxas, defendo as grandes matérias de interesse público e de interesse pela res pública, e porque prefiro usar a minha criatividade e capacidade intelectual em projetos filantropos e enquanto voluntário em associações, do que a criar uma empresa visando o lucro. Porque tenho aversão ao grande capitalismo financeiro apátrida, ao marketing agressivo em que vivemos em que uma coca-cola é mil vezes mais publicitada que uma maçã, quando esta última é mil vezes mais saudável e benéfica; porque defendo o espaço público contra as diversas privatizações parciais e temporárias que as autarquias fazem, porque defendo uma taxa Tobin nas transações financeiras, porque sou favorável simplesmente à anulação dos contratos das PPP rodoviárias, resumindo, porque considero que o interesse das elites ou de corporações não deve sobrepor-se ao interesse público. É essa a essência ideológica da esquerda, é essa a essência do Marxismo, quando defendia que o povo, o proletariado devia ser saciado nos seus interesses, em detrimento dos interesses financeiros das elites e das corporações, ou seja da burguesia capitalista.

Todavia o que me distingue da "esquerda moderna", daquilo que apelido de esquerda sofista, perdoe-me o leitor a eventual arrogância, é que em vez de ter tido formação em jornalismo, sociologia ou advocacia; quis o destino que tivesse estudado matemática. Se o Marxismo obedece a uma dialética materialista, a esquerda moderna já a abandonou há muito tempo. O que move a esquerda contemporânea são apenas floreados, discursos apaixonados e vazios, exaltados e sem qualquer conteúdo válido. Basta ouvirmos falar Ricardo Araújo Pereira, Ana Drago ou Daniel Oliveira e facilmente reparamos que nunca se ouve um número vindo das suas bocas. Um número qualquer que seja. O indivíduo de esquerda a quem atribuo maior rigor intelectual nesta matéria é Francisco Louçã, e mesmo este por vezes desvia-se na sua argumentação das questões basilares das finanças públicas, das despesas do Estado com prestações sociais e salários. A esquerda moderna obtém o seu eleitorado, nos incautos e nos autistas, nos desprevenidos, nos lunáticos ideólogos e nos matematicamente iletrados. A esquerda moderna há muito que perdeu a sua dialética, a sua arte de raciocinar com método, como define o dicionário da língua portuguesa, ficando-se apenas por intenções sem qualquer pragmatismo contabilístico. 

A esquerda diz-se "anticapitalista", mas apenas pede aumentos de capital

Na realidade a esquerda moderna é uma adaptação torpe ao sistema capitalista. Quando o PCP defende sistematicamente as greves no sector dos transportes públicos, prejudicando seriamente a qualidade do serviço prestado aos utentes, está na realidade a defender o interesse de uma elite burguesa corporativista, em detrimento do interesse coletivo. O que move qualquer greve nos dias de hoje não é o interesse público, as condições laborais ou de segurança no trabalho ou mesmo benefícios sociais, como foi sempre a origem das greves desde finais do séc. XIX, é tão-somente as necessidades mensais de capital dos trabalhadores dessas empresas. A polícia e os enfermeiros protestam por mais subsídios (mais capital), os professores não querem ser avaliados (menos progressão, logo menos capital), os funcionários das empresas de transportes públicos querem mais subsídios noturnos e não querem cortes nas horas extraordinárias (capital) e os médicos querem trabalhar menos horas com o mesmo salário (mais capital). Trata-se apenas de uma questão de semântica, mas o que move qualquer ação sindical nos dias de hoje, é na realidade apenas e tão-só, o capital.

Os problemas que a Europa atravessa nos dias de hoje, não são na realidade ideológicos, são muito mais "materialistas". O Estado social para sobreviver nos dias de hoje, precisa de capital, de impostos e de crescimento económico. A não ser que haja uma revolução na Europa como a de Outubro de 1917 na Rússia; a esquerda como se encontra poucas alternativas tem ao panorama atual, que difundir discursos floreados sem qualquer conteúdo válido. As pensões e os salários não são pagas em géneros! A esquerda moderna tem uma aversão visceral à matemática; e nessa esquerda, enquanto homem de esquerda que sou, nunca votarei! Se analisarmos com minúcia as medidas parlamentares da esquerda, são todas no sentido do aumento do défice público; ou aumento de despesa (mais salários, pensões, benefícios), ou diminuição de receita (menos impostos). Nos últimos anos, todos os impostos e contribuições cobrados, cerca de 60 mil milhões, deram para pagar apenas salários e prestações sociais. E as PPP ou os swaps, foram exatamente as consequências dessa aversão aos números da esquerda PS; que para enganar as contas públicas do défice e da dívida, se envolveu nesses esquemas e contabilidade paralelos. A esquerda que é ideologicamente anticapitalista, contribuiu largamente para a quase bancarrota do Estado, com a pressão constante no aumento de salários e pensões, ou seja, capital; ainda para mais quando o país fazia esses pagamentos à custa de dívida pública, contraindo juros; juros esses que agora a mesma esquerda vem referir (e bem) que são agiotas.

Sou um homem de esquerda, e emito aqui um cheque eleitoral quase em branco. Quando um partido de esquerda, me apresentar números e medidas muito claras e objetivas, que visem contas públicas equilibradas, terá o meu voto. Até lá, voto na direita!

Poema: o mal não é um carro!





O mal não é o inseto, mas a praga
não está no amor, mas no sexo
não está no sangue, mas na chaga
não está no bairro, mas no gueto!

O mal, não é a letra ou a palavra
ditas por um certo homem reto
está antes, na frase carregada
de muito ódio e amor abjeto

O mal não é a pólvora, é a bala
não é o átomo, mas a ogiva
é o silêncio, de quem com fala

foge à luta mais garrida
e perante o mal dos outros, se cala
e tolera a cólera infanticida

O clubismo político em Portugal


Escrevo-vos de Vladivostok, e apesar de não visitar o meu país natal há 14 anos, tenho acompanhado meticulosamente tudo o que se passa no meu país, essencialmente através do meu iPhone9, invenção russa, que me foi vendida por um cazaque no expresso do Oriente, quando passava pela Sibéria Oriental.

Houve alguém, que muito interessantemente me disse em tempos, que a maioria das pessoas em Portugal discutem política como se discute futebol, ou seja, de forma completamente irracional e apaixonada, defendendo as cores da sua tribo, como defendem as cores do seu clube. O paralelismo é interessante quando vemos gente que considero inteligente, como os três intervenientes do programa governo sombra, a discutir o “sexo dos anjos”, ou melhor dizendo, os genitais dos mercenários da bola. Ver Ricardo Araújo Pereira, um homem que segundo consta se diz de esquerda, defender um clube como o Benfica, onde os rácios salariais dos trabalhadores devem ser ainda maiores do que na JPMorgan, faz-me lembrar aqueles quadros surrealistas de Dali.

Eu tenho ouvido umas coisas, e contou-me no noutro dia um emigrante português a caminho de Pequim, que o povo luso salvou há uns tempos um banco, diz que se chamava BPN, mas cujos Negócios custaram a cada cabeça portuguesa (descontando as cabeças mais pequenas nos seres que têm duas) cerca de 750€. Foi nacionalizado, o povo pagou a fatura, e depois de sanado pelo erário público, foi de novo vendido a um privado por 170 vezes menos, ou seja 40 milhões. Quando ele me contou eu nem quis acreditar, por certo que um Estaline – e sempre o considerei um déspota e um tirano – já tinha colocado os responsáveis por esse saque público num gulag. Disse-me o meu compatriota também, que o dito responsável mor pelo saque no BPN e consequentemente no povo, até está em casa, tem direito a SportTV e Sexy Hot; e no outro dia a empregada contou a um jornal cor-de-rosa, que o dito vê sempre o telejornal da noite num jacuzzi com duas bailarinas russas em cada lado. Ao que parece o momento que lhe provoca maior efusão e erupção da líbido, não é quando as quatro meninas russas o afagam em simultâneo nos antípodas da sua carta anatómica, é quando vê uma notícia de cortes salariais e de mais medidas de austeridade sobre o povo, que lhe salvou o banco.

Nem quis acreditar no que ouvia, mas “prontos”, a gente sabe como o povo é sereno, e que está sempre predisposto a ajudar os mais desfavorecidos em caso de necessidade. Se calhar o coitado até está a receber o subsídio de desemprego. Mas depois o meu compatriota disse-me que o mesmo já tinha sido feito num banco de madeira, um tal de BANIF. Ok, pensei para mim, duas aceitam-se. Mas quando vou ao meu iPhone9 e me deparo que afinal, a coisa está preta num banco que é verde, leia-se BES, e que pode colocar-se a vaga hipótese de o povo salvar mais este banco, com um buraco extremamente maior; eu é que fico com muita inveja do Ronaldo, de não ter também aproveitado aquelas receitas bilionárias que recebeu com publicidade nesse banco.

É aqui que o clubismo partidário e ideológico é do mais ridículo que eu alguma vez já li, principalmente lido à distância. Dizem que o PCP, que se diz preocupar com o povo, já aflorou a questão da nacionalização do banco, mesmo sabendo que passados poucos anos, é para ser reprivatizado. Sempre que o PCP ouve a palavra “nacionalização” entra em pulgas e os cérebros dos membros do comité central desligam-se. Se um grupo de cidadãos menos asseados, fizesse uma petição para a nacionalização dos dejetos fecais de todos os portugueses, acumulados num grande monte de esterco, o PCP votaria a favor. Os argumentos exacerbados seriam algo como “é imperativo devolver ao povo, o que o povo produziu”. Imaginemos um estádio, com a mesma dimensão do estádio do Benfica, repleto de massas fecais, provindas de todo o país, e a quantidade ser em tanta abundância, que até transborda, deixando escorrer pelas bordas do estádio, toda aquela viscosidade acastanhada, que por proximidade geográfica, inundaria a segunda circular. Acreditem que o PCP, devido ao feito glorioso de todos os portugueses, seria o primeiro partido a reclamar a imediata e impreterível nacionalização desses preciosos ativos. “Ao povo o que é do povo”.

A direita ainda é mais miserável e repudiante. Imaginemos um qualquer indivíduo, e que esse indivíduo tem vastos registos criminais enquanto violador, burlão, pedófilo, sodomita, tirano, assassino, corrupto, proxeneta, evasão fiscal; poder-se-ia dizer mesmo que para essa massa ideológica incongruente da direita, que tenta conciliar cristianismo com economia de mercado; que esse referido indivíduo seria satanás em pessoa, o Mal antropomorfizado. Mas haveria um título profissional que precisaria de obter, para sanar e limpar todos os seus pecados, uma espécie de indulgência papal, mas desta vez carinhosamente concedida pela classe política dirigente. Essa Besta, no sentido canónico do termo, passa imediatamente a Virgem Maria, com estátuas, locais de culto e todas as devoções respetivas, se tiver a sorte de ser banqueiro. Ver a canalhada do CDS-PP, principalmente a escória mais nauseabunda que se intitula pertencer ao partido do “contribuinte”, defender a intervenção pública na banca, com as graves consequências negativas para os contribuintes (a palavra povo nada lhe diz, mas é apenas uma questão de semântica), deixa-me logo com o pénis entrelaçado com três daqueles nós mais complexos de marinheiro.

Viva a Europa, Viva Portugal!

Aónio Eliphis,  1916
longe da guerra em Vladivostok

Fiscalidade verde, exigem-se medidas ousadas!


O governo, através do ministro do ambiente Jorge Moreira da Silva e da Comissão da Reforma da Fiscalidade Verde, fez uma série de propostas legislativas, para que se aumentassem os impostos sobre os produtos e serviços que são nefastos para o ambiente, por exemplo através da taxação do carbono. Antes de mais, quero aqui como cidadão, congratular o governo por ter tomado estas medidas, que apesar de muito tímidas, são um começo. Todavia, pelo que li das medidas no Jornal Público, tenho um enorme receio enquanto ambientalista e cidadão, que haja um grande risco de as mesmas serem um autêntico falhanço.

Vivemos num clima de confisco fiscal

Nunca Portugal na história da sua Democracia teve uma carga fiscal tão elevada. Além de ser deveras elevada, é também iníqua. Os impostos sobre os rendimentos das famílias e do trabalho, leia-se IRS, atingiu níveis historicamente altos. O IRS em 2013 atingiu o valor de 1/3 do total de todos os impostos, diretos e indiretos, ou seja cerca de 12 mil milhões de euros. O desagrado da generalidade da população é elevado, e por muito que se tente explicar às pessoas, que estes impostos verdes têm um impacto benéfico, o descontentamento está tão generalizado, que qualquer aumento de impostos, é visto apenas como, citando a vox populis, "mais um roubo"!

As propostas são muito tímidas

Além de criarem impacto mediático negativo, pois a maioria das pessoas fica apenas com a ideia de "mais aumento de impostos", as medidas são tímidas do ponto de vista orçamental e acabam por não provocar o impacto fiscal desejado para baixar o IRS. Se estas medidas fossem bem mais ousadas, haveria a margem suficiente para baixar outros impostos, como o IRS ou mesmo baixar ainda mais o IRC, aumentando a competitividade das empresas, criando assim também menos impacto mediático negativo, pois a generalidade das pessoas, encontraria nestas medidas uma contrapartida tangível e financeira imediata. Posto isto, as medidas pecam a dobrar, pois além de criarem a ideia na população que os impostos verdes, servem apenas para obter mais receitas fiscais num clima de austeridade, não geram margem orçamental suficiente para baixar outros impostos como contrapartida.

Reportagem fotográfica da Haia na Holanda, a cidade dos diplomatas e dos peões!


Existe uma estória da carochinha, muito propalada pela elite provinciana e pequeno-burguesa de Lisboa, de que é necessário trazer automóveis para o centro da cidade, para desta forma incrementar o comércio local e da Baixa pombalina, comércio esse que sofre desde há muito com a forte concorrência desleal das grandes superfícies. Essa linha de pensamento, que é mesmo acolhida de forma quase fanática por grande parte das associações do sector comercial de pequenos comerciantes, dita que é necessário trazer mais carros para os centros urbanos, para que as pessoas venham às compras à Baixa por exemplo, podendo competir desta forma com as grandes superfícies, apetrechadas com vastos espaços para parqueamento.

Ora, tal ideologia é acolhida por indivíduos que cumulativamente, por norma só podem ser ignorantes e provincianos. Não há mal ser-se provinciano e defender a nossa “aldeia”, mas convém ter espírito aberto para observarmos como se faz por outras urbes europeias, ainda para mais num país que deu mundos ao mundo. Todavia, quando ao provincianismo bacoco se alia a ignorância cega e sectária pró-automóvel, a desgraça instala-se nas urbes portuguesas.

Há que perceber que o centro Comercial Colombo em Lisboa está quase sempre cheio, não por estar à beira da segunda circular ou por estar apetrechado com um enorme parque de estacionamento, mas porque na realidade é uma pequena cidadela repleta de ruas estritamente pedonais, onde é prazeroso passear e consequentemente consumir. Aliás, há mesmo muita gente que se desloca para estes centros comerciais de transportes públicos, não fosse a área do centro Colombo excelentemente servida por transportes públicos, como várias carreiras de autocarros ou o metropolitano. O mesmo se pode aplicar aos centros Dolce Vita ou ao Vasco da Gama. Porque será que a Rua Augusta está repleta de pessoas onde o comércio fervilha, e nas suas paralelas do Ouro e da Prata, mesmo ali ao lado, o comércio definha? Caros comerciantes, não é preciso tirar um doutoramento em Coimbra para perceber o elementar, basta observarmos o sucesso em que se tornou a av. Duque D’Ávila em Lisboa para os seus comerciantes após a redução do tráfego automóvel. Quem passa de carro, além de tornar o espaço insalubre e desagradável, não pára para comprar!

As imagens que vemos, são da Haia, a terceira maior cidade dos Países Baixos (conhecidos simplesmente como Holanda) e das cidades com mais milionários do mundo (tal como Londres, Moscovo ou Nova Iorque). A cidade é habitada por altos quadros internacionais de várias nacionalidades, não fosse na Haia, estarem instalados a título de exemplo o Tribunal Penal Internacional, a Europol, o Tribunal para os crimes de guerra da Ex-Jugoslávia, o Instituto Europeu de Patentes, uma delegação da OTAN ou a Organização Mundial para a Proibição de Armas Químicas. É também a sede de várias grandes empresas holandesas e multinacionais como a Shell, a PostNL (correios holandeses) ou a KPN (congénere holandesa da PT). É ainda a capital política da Holanda, ou seja, onde a Rainha tem a sua moradia oficial, onde se encontra o parlamento holandês, os estados gerais e onde se situam a maioria dos ministérios holandeses, como o da Defesa, da Justiça, do Ambiente, da Habitação, dos Negócios Estrangeiros ou da Administração Interna.

As imagens foram obtidas pouquíssimas horas antes do importante jogo da seleção holandesa com a Costa Rica, para os quartos de final do mundial do Brasil, mesmo assim, apesar de os holandeses serem na generalidade apaixonados pela sua seleção, ocupando desde já os bares e cafés, as ruas continuam com gente que aproveita o tempo para ir às compras.

Poderá ainda pensar o leitor luso mais bacoco, que a vasta panóplia de políticos, diplomatas, altos quadros internacionais e multimilionários do sector petrolífero, que na ânsia e na obrigação de mostrar o seu estatuto social perante os demais, não prescindiriam de todo de trazer os seus luxuriosos automóveis de elevada cilindrada para o centro da cidade. Mas não o podem! A grande maioria das artérias e das ruas do centro da Haia, são estritamente pedonais. Se quiser trazer o carro, terá de o estacionar no perímetro dessa área, e terá de pagar. E não é pouco mesmo para um holandês, são 4 euros por hora. E o estacionamento “à moda do sul” por aqui não existe.

Já em Lisboa, uma cidade com uma larga fatia da população composta por ex-provincianos, campónios e saloios, migrados do meio rural desde os anos 40, para trabalhar no sector industrial da zona oriental da cidade, onde por lá nas suas terras no seu tempo, o único meio de transporte a que tinham acesso, quando havia dinheiro, era uma besta (mula, macho, égua ou burro); essa gente, nos tempos modernos não prescinde de todo do seu estatuto social automobilístico, nem autoriza de todo através do frenesim e verborreia que lhes são conhecidos, que lhes tirem o sacro direito a trazer o automóvel para os centros urbanos. Afinal, parafraseando Carlos Barbosa, presidente do ACP, “as pessoas precisam de se deslocar”! Ao que parece, os holandeses nunca foram muito sensíveis às homilias moralísticas de Carlos Barbosa. Presumimos que deve ser da barreira linguística, pois é de difícil compreensão para um holandês, entender o habitante de um país europeu, que esteve à beira da bancarrota, mas que está no top 3 da Europa em número de automóveis por habitante. 

Vlamingstraat, a Rua do Flamengo, na Haia. Carrinhos de bebés, passeia-se com animais, e pessoas com sacos de compras, incrementando o comércio local.
   
Grote Markt, Grande Mercado